A porta bateu com um leve estrondo e ele caminhou até uma poltrona com seu andar displicente ignorando o olhar de Dumbledore.
Septimus foi o primeiro a falar quebrando o silêncio.
— Black, seu retardado, onde você estava?
— Esperando por mim? Eu saí, precisava respirar, não posso?
Septimus Weasley tinha cabelo cor fogo, e era, um de seus primos mais simpáticos. Alphard gostava dele.
Dumbledore ainda o observava, o rosto de Black contraiu-se numa expressão de astúcia e desviou o olhar, quando Flamel começou a falar.
— Como contei a vocês hoje mais cedo Dumbledore e Black tiveram um pequeno embate com aliados de Grindewald. Graças ao aviso de Black Dumbledore pôde salvar sua amiga Brianna de morrer. — Disse de maneira calma. — Mas não me parece que o objetivo primário deles fosse atacar Brianna,ao contrário,matá-la era só diversão. O objetivo era encontrar você Black.
— Mas por que eles estão atrás de mim?
—Pelo que você contou me contou, Malfoy foi enviado a você com lisonjas e promessas na intenção de levá-lo até Grindewald. Não se esqueceu que é um Black?
—Como poderia!
—A razão pela qual esperávamos que voltasse de seu passeio, é saber se aceitaria se aproximar de Grindewald?Seria importante ter alguém próximo a ele nos repassando informações. É claro que você é livre para recusar.
— Fico lisonjeado, mas preciso pensar, minha alma tem dançado demais entre a luz e as sombras, posso não conseguir voltar. — Disse Black sem sorrir. — Estão me entendendo?
Com um aperto no estômago tentou imaginar como aquilo terminaria. — Se eu não aceitar o que faremos?
— Outro de nós irá. — Disse Dumbledore erguendo finalmente seus olhos, cansados, depois de horas sem dormir... Black olhou para os companheiros, para Úrico e Septimus em especial.
Permaneceu sentado reunindo coragem por algum tempo e depois sorriu.
— Não seja tolo, Professor Dumbledore, quem iria em meu lugar Septmus? Não, mesmo! – sussurrou ao mesmo tempo em que fechava os olhos. — Não sou covarde,só preciso de um tempo para me acostumar com a idéia,me preparar.
—Sei que não é. — Disse Dumbledore sorrindo. —E quanto à preparação ela vai ser essencial, Flamel irá ajudá-lo com a oclumência e no que mais for preciso. Eu preciso voltar à Hogwarts, mas gostaria que todos ficassem aqui para ajudar na preparação de Alphard e também na proteção de Brianna. Ficarei muito grato por isso.
Black balançou a cabeça.
— E o senhor confia em mim para cuidar de Brianna?
— Mais do que imagina, sei que você não permitiria que nada de mal acontecesse a ela, foi seu aviso que me permitiu salvá-la, e jamais poderei agradecer o bastante por isso.
Quando falou assim, estava de pé, à porta da Biblioteca. Black o olhava sinceramente surpreso, seus olhos novamente se encontraram, e Black constatou que havia compaixão, no olhar de Dumbledore, além de amizade e amor. Sua mágoa e sua raiva viraram pó.
— Agradeço pela confiança e vou fazer o possível para não decepcionar.
— Agora meus amigos, preciso dormir e acho que vocês deviam fazer o mesmo. Moody indicará seus quartos.
E saiu parecendo imensamente cansado.
Albus Dumbledore seguiu para o quarto, sabia que Brianna estaria lá em sua cama, provavelmente dormindo a essa altura.
Estavam naquele momento em que a luz começa a se infiltrar no véu da noite.Um vento gelado assobiava pelas frestas da casa,tornando o corredor inóspito.
Dumbledore meditava sobre a palavra que Flamel havia usada para falar de Brianna durante a reunião.
"NOIVA, nunca pensei nela assim. AMANTE, AMIGA, PROTEGIDA, são palavras que eu usaria, mas nunca NOIVA ou... ESPOSA que seria o título seguinte a se esperar."
Estava inquieto e ligeiramente irritado com seu velho amigo.
Era agradável fazer amor com Brianna, mas, também era agradável voltar à sua própria vida depois.
Sempre fora um solitário e era feliz assim, Hogwarts era sua família.
Não era nenhum misógino, tinha tido suas mulheres, mas não muitas a quem quisesse dar o título de Sra. Dumbledore.
Abriu a porta e logo que a viu sentiu um imenso prazer em saber que era sua. Duvidava que houvesse alguma outra mulher bruxa ou não tão sedutora e bonita.
Tirou suas roupas devagar, olhando de vez em quando para a moça adormecida.
O que faria agora? Flamel lhe indicou um caminho, mas, justificava-se Albus "ela quase morreu apenas por ser minha amante. O que não fariam se fosse minha esposa?"
A noite ficava cada vez mais clara, o véu de escuridão estava a ponto de rasgar-se, ele fez com que as cortinas se fechassem embora gostasse do modo como a luz se refletia no rosto dela.
"O que sentia por ela afinal? Amor? Nunca disse que a amava ao menos não em voz alta."
Então ela se moveu em seu sono e se aninhou em seu peito, como se fosse a coisa mais natural, e ele sentiu como se aquele fosse exatamente o lugar em que ela devia estar.
Ele não prestou atenção à mais nada,seus pensamentos se perderam e sua imaginação estava presa, como por uma corda fina, ao quarto e a ruiva em seus braços.Ela acordou seus dedos brincaram com os fios de sua barba.
Brianna passou os dedos perfumados pela barba ruiva de Dumbledore.
—Adoro sua barba — disse ela, sonolenta. — Até os fios brancos.
— Verdade? – falou enquanto acariciava a curva do seu pescoço - Você devia estar dormindo.
—Huhum, mas acordei quando você deitou. Precisava te contar que Black veio até aqui.
—E o que ele fez? —Disse com a voz mais calma que pôde encontrar.
—Me pediu perdão.
—E você perdoou?
—Não, mas disse que não o odeio.
—Foi só isso?
—Sim.
Ele acariciou seu rosto.
— Quero você. - Gosto de estar com você. Quero estar aqui. Não quero estar em nenhum outro lugar do mundo... — ainda não conseguia dizer "Eu te Amo", mas realmente não queria perdê-la. — Volto hoje para Hogwarts, mas quero que me espere, essa casa é sua.
— Não se preocupe tudo o que eu quero é você. — disse ao mesmo tempo em que se aproximava mais. — A minha quase morte me fez pensar no que realmente desejo.
— E o que é?
— Vou mostrar com o que me importo.
Era tarde da noite quando Brianna desceu, pretendia ir à Biblioteca em busca de um novo livro. Já estava na casa há dois meses e andava com desenvoltura por todos os seus cômodos. Naquela noite o corredor estava escuro, frio. Dava para sentir o frio ao se encostar a palma da mão na vidraça.
Albus acabara de voltar para Hogwarts, depois de cear com Brianna. Septmus já estava retornando para sua casa, para ficar com sua esposa. Ele ficara corado quando dissera que estava indo; era completamente apaixonado por Cedrella Black.
— Ele me faz lembrar a mim mesmo nessa idade — balbuciara Flamel.
Um agitado, gaguejante e enrubescido Septmus Weasley deixou a casa depois da ceia.
"Ah, o poder do amor", pensou Brianna. Havia algo de puro em Septmus, algo de puro, leal e bom que a fazia sorrir.
Deserto. Escuridão. E então ela se deu conta: estava sozinha com Moody. Estavam todos mais tranqüilos quanto a ela, parecia que aquele havia sido um ataque isolado, e desde que ela permanecesse dentro da casa, não se preocupavam tanto com ela.
Percebeu que havia luz na biblioteca, e ao abrir a porta viu que o fogo estava queimando forte, com um aroma delicioso, lançando nas paredes reflexos alaranjados.
Era noite. Black estava sentado com um livro aberto sobre o peito e uma das pernas esticada sobre o braço da poltrona. Os dias passados lutando com recordações que preferia não lembrar haviam drenado suas forças e seu corpo ainda pulsava, mas sem viço. Sentia-se sobrecarregado por uma tristeza inexprimível e tomado por um cansaço que nenhum sono parecia aplacar. O treinamento estava acabando e ele estava péssimo, o esforço constante para controlar as emoções e esvaziar a mente o estava deixando amargurado e igualmente vazio. No dia seguinte iria encontrar-se pela primeira vez com Grindewald em pessoa, pelo menos era o que dizia Abraxas Malfoy.
O fogo crepitava na lareira. E lá de onde estava Brianna não era visível, nem ele, oculto pelo espaldar alto da poltrona e pelas sombras, mas ele sabia que era ela por seu jeito peculiar de se mover nas sombras, e se fosse qualquer outra pessoa que se aproximasse, ele teria gritado "vá embora", mas para ela não disse coisa alguma.
Tinha por ela um grande e inabalável amor, algo que não sentia por nenhuma outra pessoa. Ela fizera milagres por ele, embora talvez jamais houvesse notado.
Brianna entrou na biblioteca, afinal, com a luz da lareira lançando reflexos chamejantes. Ela parecia a coisa mais estável da casa sob aquela luz, os cabelos ruivos brilhavam como chama, enquanto ela se aproximava das poltronas.
Black percebia o silêncio no resto da casa e ali na Biblioteca havia apenas o crepitar do fogo, e som da sua própria respiração profunda e ritmada.
Ele não havia desejado que viesse, nem sequer pensava nela e não desviou os olhos do fogo para olhar para ela. Era tabu, terreno proibido e vinha procurando manter-se a distância, mesmo em pensamentos.
Foi quando ela o percebeu parado, com os olhos voltados para a lareira, com o perfil longo e harmonioso que aos poucos foi se virando e olhando para ela, como se a tivesse ouvido o tempo todo, enquanto atravessava a escuridão. Não pôde evitar o susto, recuou um pouco e seu gesto fez com que ele ficasse ainda mais amargo.
Ela lhe deu então um dos seus sorrisos suaves, radiantes, e ele viu nos seus olhos ternura e certa tristeza, também.
— O senhor me assustou assim escondido nas sombras. Pensei que estivesse só na casa, apenas eu e Moody.
— É, minha senhora, as sombras são o lugar ideal para mim - disse numa voz baixa e grave. —Alphard Black, o perverso ao seu dispor.
Ela pareceu ficar constrangida e olhou em volta, como se procurasse alguma coisa e depois seus olhos se encontraram por um segundo e viu que ele enrubescia, embaraçado.
— Só se escolher ficar com elas, e me parece que não é o que quer. Septmus me falou sobre como você... Digo... O senhor o ajudou e apoiou quando quis se casar com Cedrella, mesmo quando toda a família era contra.
O fogo continuava queimando forte, com o aroma delicioso tranqüilizando-a, e ele a olhava de soslaio, tentando guardar na memória cada um dos seus traços. Seu rosto anguloso, as maçãs perfeitas, salientes e delicadas. A linha do queixo e os olhos muito claros, que ele adivinhava na semi-escuridão - verdes -, e cercados por densos cílios. Se havia alguma imperfeição nela seria talvez o seu modo de se mover, que a fazia parecer travessa, quase uma garotinha. Ele gostava de ficar olhando para ela.
— Mas pode acreditar em mim, senhora, não sou o que aparento ser.
Ela ficou quieta por algum tempo. E enquanto isso ele ficou sentado ali, olhando para a lareira, querendo dizer milhões de coisas, sobretudo o quanto a amava.
— Isso eu sei. Claro que sei - ela desviou o olhar por um momento, depois se voltou para ele. — Mas você é muitas coisas, não apenas uma. Você carrega o bem e o mal, luz e sombra é uma questão de não ceder ao mal que há em você — disse baixinho. —Olhe mesmo no escuro voc... O senhor... Está com uma aparência horrível e parece faminto! Invoque uma luz para essa biblioteca, já que eu não posso simplesmente acionar um interruptor e vamos tomar um chá?
Ele a olhava em silêncio, espantado, pois ela tinha tocado exatamente no ponto que o torturava: ele não acreditava que podia ser bom, ser realmente bom, mas o fato de ela, justamente ela dizer que podia, o liberava de um peso enorme.
Quando ela falou na falta que sentia de um interruptor, ele riu um pouco e ela sacudiu a cabeça, meio sorrindo. Depois sem perceber caiu numa risada incontrolável. Socava o joelho com o punho e batia com a cabeça na poltrona, imaginando interruptores por toda a casa; ela também riu.
Ela soltou os cabelos e deixou-os cair sobre os ombros. Depois ficaram em silêncio, sem risos ou conversas, apenas o fogo ardendo e xícaras de chá fumegante em suas mãos; às vezes, ela se virava de modo a poder ver o fogo. E ele ficava observando seu perfil, a delicadeza de seu nariz e lábios, sentindo-se afinal perdoado. Dumbledore tinha razão: nunca permitiria que alguém fizesse mal àquela mulher.
