Capitulo 11: Ressaca do dia seguinte.
Acordei com o quarto quase completamente iluminado e ainda estava exausta. Não consegui pensar por durante muito tempo, pois estava com uma dor de cabeça tão intensa que minha cabeça parecia estar querendo se partir ao meio. É, meus amigos, isso se chamava ressaca do dia seguinte.
Mas tirando o fato da imensa dor de cabeça que estava sentindo, de alguma maneira me sentia tranqüila, satisfeita. As batidas de meu coração eram calmas e contentes, este parecendo estar se comportando como um cachorrinho aninhado no peito de seu dono. Eu estava aquecida, relaxada.
Coloquei as mãos sobre a cabeça para amainar a dor, e ao me mover, percebi que havia um braço sobre minha cintura. Espere um pouco. Isso estava errado. Virei meu corpo para o lado oposto e levei um imenso choque, do tipo de que nunca havia tomado.
-AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!
James Potter repousava ao meu lado, tranqüilo e cândido como um anjinho, e uma aura de pureza parecia rodear o rosto belo. Parecia estar sorrindo com o canto dos lábios, e apenas moveu-se de leve ao ouvir-me gritar. Franziu a testa e tentou abrir os olhos, sem ter muito sucesso por não ter conseguido acostumar-se à claridade. Falou com uma voz meio que resmungada:
-Hm, Lily, o que houve?
-V-você... Você está na minha cama!AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA! - eu respondi, histérica.
Ele apenas arregalou os olhos um pouco, mostrando-se ligeiramente surpreso. A seguir, no entanto, começou a rir.
Antes que qualquer um de nós pudesse dizer algo, Elizabeth invadiu o quarto, uma faca em uma das mãos, uma vassoura em outra. Parecia razoavelmente preocupada, consideravelmente ofegante e ligeiramente em pânico.
-Lily! O que houve? - perguntou, a voz trêmula, o corpo agitado, a respiração descompassada.
Eu não tive palavras para lhe responder. Olhei para meu lado, onde James estava, e ela seguiu meu olhar. Como se tivesse acabado de perceber a presença de James, gritou.
-AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA! J-james P-potter? O-o que você está fazendo ai? - ela berrou, assustada.
James riu, embora estivesse um pouco surpreso. Examinou Elizabeth atentamente, de cima a baixo, e seus olhos repousaram, intrigados, sobre a faca e a vassoura que estavam nas mãos de Liz.
-É, eu mesmo. O que está acontecendo aqui... ?
Elizabeth olhou para mim em desespero.
-Ele te machucou, Lily? Ele fez algum mal a você? Vocês não... Vocês... ? - ela matraqueou rapidamente, preocupada.
As lembranças invadiram minha mente. O parquinho. James me chamou... Pediu para conversarmos... O escorregador... O beijo.
Eu levei as mãos à cabeça. O que havia feito?
-O que você fez com ela?! - Elizabeth perguntou, agitada. - Ele te forçou a alguma coisa, Lily? Por que ele está ai... ? Ah, Lily, vocês não... Por favor, vocês não...
Eu estava tão confusa que não soube respondê-la. Tive que parar durante um tempo para organizar as minhas idéias, e a dor latejante em minha cabeça não me ajudara em nada. Massageei as têmporas com as mãos e me desintonizei por alguns instantes da discussão entre Elizabeth e James. A última coisa que observei foi minha pobre amiga lívida em fúria abanando a vassoura a um palmo do nariz de James, que parecia estar dividido entre rir, gritar com Elizabeth ou tentar acalmá-la de alguma forma. Ou até simplesmente calar a boca dela.
Eu me esforcei mais um pouco para me lembrar de algo. Ai ai. Talvez não fosse uma coisa boa para se lembrar...
Ele me carregou até em casa e aí... aí. Aaah, não!
-Você tá esperando o que pra sair daqui? - ameaçou Elizabeth, rilhando os dentes para James.
Eu observei os dois sem dizer uma palavra. O que poderia dizer? Estava morrendo de vergonha! O que eu havia feito comigo?
-Lizzie... Eu posso dar conta de tudo sozinha...
Elizabeth olhou para mim, consternada.
-Tem certeza, Lil? Ele não está te ameaçando ou algo assim? - a este ponto James tinha começado a rir de Elizabeth. - Nós precisamos conversar.
-Eu sei disso. - eu disse para Elizabeth, consciente do que ela queria falar comigo. - Eu já vou. Só vou... Conversar com o - fiz uma pausa, confusa, sem saber se o chamava pelo sobrenome ou pelo nome próprio - Ahm, com o James.
Elizabeth nos examinou atentamente até afrouxar as mãos que apertavam a vassoura e a faca.
-Ah... Tudo bem então. - e apertou a vassoura e a faca. - Qualquer coisa é só gritar.
Olhou mais uma vez de mim para James e de James para mim.
-Eu sei, obrigada.
E então, finalmente, uma Elizabeth ainda hesitante deixou o quarto.
Eu respirei fundo enquanto examinava um fio solto em meu edredom e reunia idéias sobre o que dizer a James.
-Hmmm, James... Eu...
-Antes que você diga qualquer coisa... - ele me cortou.
Eu examinei-o com curiosidade.
-Pois não?
Ele também respirou fundo, olhou para o fio solto que eu estava tentando puxar com minhas mãos e tentou puxá-lo também, sobrepondo suas mãos nas minhas.
Eu estremeci e tirei minhas mãos, nervosamente.
-É que eu... Ah, bem... - ele ia me enrolando enquanto pensava no que queria realmente falar. Parecia bem confuso. - Eu queria que você soubesse...
Ele fez mais uma pausa, pois parecia estar com uma extrema dificuldade de se expressar, como se as palavras tivessem entalado em sua garganta e não quisessem mais sair.
-O quê, James? - eu perguntei, tentando ajudá-lo.
Ele abriu a boca para recomeçar a falar, no entanto, algo começou a vibrar e fazer barulhos estridentes próximo à minha cama, no chão.
-Huum, tem alguma coisa vibrando ali - eu disse a ele.
Ele ergueu as sobrancelhas.
-Ahn?
-Ali, dentro da sua calça, eu acho. Se não me engano deve ser o seu celular.
James olhou de mim para o as calças, que estavam amassadas e abarrotadas no chão, largadas de qualquer jeito, e olhou para mim novamente.
-Ah. Só um minuto. - disse ele e levantou-se para atender o celular.
Eu fiquei observando-o enquanto ele resmungava para alguém:
-Hum, sei sei. Certo, já entendi. Você precisa de mim aí, agora? Tá bom, já estou a caminho.
Ele desligou o celular, pegou as calças no chão, sacudiu-as, de modo a tentar desamassá-las de algum modo, e colocou-as. Em seguida, olhou para mim, com um pouco de culpa no olhar.
-Huum, parece que...
-Você tem que ir. - eu completei para ele, enquanto ele terminava de se vestir.
-Pois é. - ele afirmou, fingindo aborrecimento. - Bem, então até mais.
-Até mais.
-Err. Então... Eu te ligo depois, tá? - ele disse.
-Tá.
Eu pude perceber, entretanto, que nenhum de nós dois acreditávamos no que ele havia dito.
Ele acenou, deu as costas a mim e saiu do meu quarto.
Eu fiquei olhando para a porta por onde ele havia acabado de sair por um instante que pareceu eterno. O que havia feito? Não era certo. Eu havia cedido. Havia passado por cima de todos os meus princípios e expulsado meu orgulho pra bem longe só pra isso.
Eu me deitei esparramada sobre a cama, peguei meu travesseiro, abracei-o e já estava pronta para cair no choro quando Liz entrou.
-Lils?
Eu levei as mãos aos olhos, fingindo coçá-los, de modo a secar as lágrimas que estavam prestes a escorrer pelo meu rosto. Elizabeth sorriu.
-Não precisa fingir que está bem, Lily. - disse ela. - É melhor chorar e pôr tudo pra fora.
Eu a encarei por um longo momento, enquanto tentava segurar o choro, o que foi uma tentativa totalmente insucedida. Num átimo, estava me debulhando em lágrimas.
-Mas... Mas... - eu soluçava. - Eu sei que... Se eu começar a chorar... não vou conseguir mais parar!
Eu mergulhei minha cabeça no travesseiro e chorei como uma criança que quer colo. E eu me senti, mais do que jamais havia sentido, uma criança que precisava de colo. Senti como se todo o mundo - crianças, adolescentes, adultos, idosos, todos - tinha alguém a quem pedir colo, seus pais, namorados, maridos, menos eu. Me senti como se todos estivessem sendo cuidados por outros, e somente eu era uma excessão à regra. Levantei o olhar para Liz e percebi que talvez não fosse diferente para mim. Algumas lágrimas brotavam de seus olhos também, para minha surpresa. Eu levei minhas mãos aos olhos dela e enxuguei suas lágrimas.
Percebi que Liz e eu cuidaríamos uma da outra, como sempre fizemos.
-Lily? - perguntou ela, quebrando o silêncio.
-Sim?
-Você tem que ir trabalhar, não? É segunda feira.
-P#$ Mer$! - xinguei. - Tem certeza?
-Absoluta.
Eu fitei-a por um instante lembrando-me de quando ela havia dito que precisávamos conversar.
-Ahn, Liz?
Ela ergueu as sobrancelhas.
-Sim?
-Você tinha dito que precisávamos conversar... - eu disse.
-Ah é mesmo! - ela exclamou, como se estivesse se lembrando disto apenas agora. - Mas... Agora não dá tempo, concorda? É melhor você ir, então...
-Você tem razão.
N/A: É, finalmente eu estou de volta. Desculpem a demoooooraaa """""""""
Realmente, não tem como explicar. Primeiro foi a viagem, depois o pc estragou, depois as provas, depois a formatura e aah. um bando de coisa. E também falta de criatividade /
Acho que é isso.
