Cheguei na mansão da minha família indo direto ao escritório de Carlisle, onde ele e Alice conversavam sobre minha decisão de voltar.

- Você não pode fazer isso, Edward – Alice me implorava segurando a gola de minha camisa.

- Desculpe, Alice, mas esta decisão não é sua – disse, sério.

Ela já berrava. – Você vai matá-la, Edward. Eu vejo isso.

- Me deixe conversar à sós com Carlisle, por favor – tentei ser o mais frio possível.

E como eu esperava, Alice saiu do escritório e pude conversar com Carlisle, não como pai e filho, mas como o médico e o marido da paciente.

- Quero saber sobre suas pesquisas, Carlisle. Sei que nunca me importei, mas agora é preciso. O que você pôde descobrir a respeito do feto que Bella carregava?

Eu já podia ouvir todos os seus pensamentos, mas Carlisle fez questão de dizer em voz alta. – A primeira coisa é que era uma menina. Metade vampira, metade humana. Apesar do tempo de gestação – apenas alguns dias, seu tamanho aparentava uma gravidez de meses. Então conclui que seu crescimento também era acelerado. Sua pele? Tão dura quanto a nossa, mas havia sangue em seu corpinho. Me intriga ainda o fato de não saber como seria seu apetite. Acho que nunca saberemos – Carlisle já divagava.

- E as chances de isso se repetir?

Meu pai sabia que eu estava tentado a seguir adiante com Bella – Eu não posso prever isso, meu filho. Não dá para ter certeza se vocês teriam um bebê igual ao primeiro.

- E o seu palpite, Carlisle?

- Eu acho que seria igual. Uma força anormal que não seria páreo para uma simples humana, mesmo que esta criança fosse geneticamente metade da mãe.

Eu estava farto de ser a razão do sofrimento de Bella e poria um fim a isso tudo. Sai do escritório sem me despedir de meu pai e fui para a casa de Charlie Swan. Eu sentia seu cheiro há pelo menos cem metros de distância da casa e não via a hora de estar ao seu lado.

Decidi fazer tudo de maneira correta. Fui até a porta e apertei a campainha. Ouvi passos pesados aproximando e os pensamentos de meu sogro. Ele se perguntava quem deveria ser, se não esperavam visitas. Qual não foi sua cara de surpresa ao me ver, parado, do lado de fora da varanda?

- Boa tarde, Edward – mas seus pensamentos eram "Suma daqui, imbecil!"

- Boa tarde, Charlie. Por favor, eu poderia falar com a Bella?

"Ainda tem coragem de aparecer aqui com esta cara de coitado", Charlie pensou. – Vou chamá-la – expressou-se.

Deixando a porta aberta, sem me convidar para entrar e com vontade de me dar um tiro no meio do meu peito, vi meu sogro subindo lentamente cada degrau da escada que dava acesso ao quarto de Bella.

- Edward quer falar com você – Charlie a informou. – Mas eu realmente acho que você deveria se afastar dele.

Se essa fosse sua decisão, eu aceitaria, mas tinha que fazer minha última tentativa.

- Peça para ele vir aqui – a voz de Bella mostrava sua fraqueza emocional.

Tão lentamente quanto subiu, meu sogro desceu as escadas e parou na minha frente. – Ela quer ver você – disse. "Imbecil", completou em pensamento.

- Com licença. – Não sei de onde tirei forças para seguir em ritmo humano e não disparar escada acima para encontrar minha mulher.

Entrei calmamente no quarto e a vi sentada na beirada da cama, vestindo pijama e com a expressão de quem estava doente há dias. Abatida. Acabada.

- O que você quer, Edward? – Bella demonstrou indiferença. Cansaço.

Fechei a porta atrás de mim e encostei-me ali mesmo. – Quero você de volta, amor.

Bella fechou os olhos e começou a falar – Já sabe que isso não é suficiente.

Caminhei até parar em sua frente e me ajoelhei segurando suas mãos entre as minhas. – Eu sei. Por isso vim conversar com você.

- Onde você quer chegar?

- Teremos um filho, se é isso que você quer, Bella. - Bella mostrou-se desconfiada e eu segui com minha proposta. – Mas eu não consigo sozinho. Você terá que aceitar a interferência de toda a família. Prometo a você que eles não vão protestar quanto a nossa decisão, qualquer que seja, mas precisarei de ajuda para cuidar de você, para monitorar sua saúde e a do bebê e, acima de tudo, quando chegar a hora do parto. O que me diz?