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Capítulo 11
Anna Lee pediu um cigarro ao capitão e o fumava devagar. Ela parecia uma pessoa muito comedida, pois seus gestos eram bastante contidos como se temesse desgostar alguém.
- E aquela faca tinha o seu sangue, como disse Sam?
Ela quase sorriu.
- Foi estupidez dele ter dito isso, não? Acho que foi isso que o condenou.
- Ele falou que você vivia se cortando, é verdade?
- Sim, mas era pouca coisa! Aquele sangue nem era de gente, era de uma galinha! Nem viram que o sangue nem era humano!
- E quanto à mancha de sangue no assoalho da sala? - Inquiriu o capitão.
- Era sangue de porco, que comprei no açougue que fica no mesmo quarteirão de casa. Esse eu pus de propósito! E outra vez, ninguém investigou nada!
- Naquela época os testes de DNA, eram muito rudimentares, pouco confiáveis... – desculpou-se Brass.
- Isso não é desculpa capitão! Poderiam ao menos verificar, que o sangue era animal!
- Isso já é culpa do juiz Peters
- Sim... o juiz Peters... Correu feito um doido naquele julgamento... Não me queixo: pôs Sam atrás das grades...
- Ouça, Sam Phelps pode não ser o melhor dos sujeitos, mas pelo menos desse crime, é inocente!
- Você não entende, não é? – Disse Anna Lee quase choramingando. - Minha vida não vale um centavo furado!
- Você dá muito crédito ao seu marido... E, além disso, você vai curtir cadeia pelo que fez, ou deixou de fazer...
- Eu o conheço; você não.
- Que tal me contar, para eu ficar sabendo também, Sra. Phelps!
Após uma breve hesitação, Anna Lee Phelps, começou a contar o que Sam havia feito desde participar de uma gangue, quando jovem, passando pelo crime organizado, culminado com alguns assassinatos de desafetos.
Do outro lado do vidro, Warrick e Sara trocavam impressões. Estavam ambos estupefatos, por diferentes motivos. Warrick estava surpreso com a quantidade de crimes em que Sam estava envolvido.
- Caramba! Sabia que ele não era "flor que se cheire!". Mas ele tem uma lista de infrações, maior que o meu braço...
Sara pensava, que tinha tomado a decisão certa sobre Grissom. Pelo menos até ele estar desmemoriado, ela poderia usar aquele subterfúgio.
- Eu sabia que podia confiar em minha intuição! Sam é mesmo muito mau, cara! Com o que a mulher contou, podemos jogar a chave da cela fora!
- Isto se pudermos provar algo! O cara é muito esperto e muito arisco!
Era quase quatro horas, quando Sara chegou em seu apartamento. Não tinha sono, foi até a cozinha fazer um chá. Sua cabeça estava cheia, pensando em Grissom e Rita. Será que estavam dormindo àquela hora, ou estariam brincando de esquimó?
Sacudiu a cabeça, estava difícil controlar o ciúme. Dizia a si mesma que tomara a decisão correta em relação a Grissom, mas não era nada fácil. Ela sofria com isso. Ligou a televisão, para ter algum barulho em casa, que lhe dispersasse a atenção. Ia passar um filme de Hitchcock. Ela sentou-se no sofá com o chá na mão e foi se interessando pelo filme
.Às seis horas ela estava telefonando para Nick, acordando-o. Ele atendeu com a voz pastosa de sono.
– Oi, Nick é a Sara!
- Em que posso ajudá-la?- Perguntou bocejando alto
- Acabei de ver um filme agora...
- Não diga que me acordou para me falar sobre um filme...
- Bem, sim... Acabei de ter um insight...
- Você sabe que horas são, Sara? Que tal você me telefonar mais tarde e me contar tudo, hein?
- NÃO! Não desligue, é importante... tem a ver com o nosso caso...
- É bom que tenha mesmo, pois você me acordou de vez...
-Sinto muito, Nick! Mas acho que decifrei as mortes dos jurados por ex-condenados.
Na verdade não queria, mas Nick curioso para saber de como um filme daria as respostas que eles procuravam, agarrava-se ao telefone não querendo perder, nenhum detalhe da história.
- É "Pacto Sinistro", de Hitchcock. Conhece?
- Não!
- É o seguinte: "Guy, um tenista famoso, encontra Bruno, num trem. Bruno lê nos jornais, que o tenista tem um casamento infeliz com Miriam e foi visto na companhia de Anne Morton, a filha de um senador. Inoportunamente, Bruno revela para Guy que sempre odiou seu pai. Propõe então a Guy, a teoria da "troca de assassinatos". Supondo que Bruno matasse Miriam e Guy, em troca, assassinasse o pai de Bruno, não haveria conexão entre os assassinos e suas vítimas e no momento das mortes os interessados teriam álibis que os deixariam livres de qualquer suspeita. . Ao chegar no seu destino Guy se despede de Bruno, sem pensar mais na teoria homicida dele, que considerou uma piada. Mas Bruno em sua loucura entendeu que havia um pacto entre eles. Em pouco tempo Miriam é estrangulada e agora Bruno quer que Guy mate seu pai e cumpra sua parte no acordo". É isso Nick, que acha?
Fez-se um grande silêncio na linha, até que Sara ouviu a voz de Nick outra vez.
- Ele mata o pai de Bruno?
- Isso não importa... Viu a relação com nossos crimes? – Reclamou impaciente.
- Para ser sincero, não vejo nada... É a história de dois homens... E você está obcecada para estabelecer uma conexão qualquer com este caso.
- EU? Acorda, Nick! Salta aos olhos!
- O que, que eu não vejo nada?
- Sam e os ex-prisioneiros, estavam na Penitenciaria de Nevada, se conheceram lá, trocaram as mortes. Alguns conheceram seus algozes, outros não, depende que tipo de morte, vai ser aplicada ao indivíduo. Por exemplo, Rufus precisava conhecer Stan; já quem foi morto "caindo" nos trilhos do metrô, não.
- Então, segundo eu entendi, Sam Phelps deveria ser "um gênio do crime", para bolar isso...
- E daí? Não seria o primeiro... - falou irritada com o amigo.
- Calma, não se exalte! Estamos só conversando. Hoje mesmo, levaremos a ideia a Cath, se ela quiser, vamos levá-la até Brass e acompanhar o que acontece. Só não vejo onde Grissom entra nesse esquema?
- Grissom? - Ela perguntou meio preocupada.
- É. Ele estaria dentro desse programa também?
- Acho que sim O acidente que sofreu, pode ter salvo a sua vida!
- Será? Onde está ele?
Sara gaguejou. Queria demonstrar segurança e desenvoltura, mas não sabia ao certo, se estava conseguindo. Quando o assunto era Grissom, ela sempre amolecia. Ainda mais nesse caso, onde ela estava escondendo o paradeiro dele, da sua própria equipe!
- B-bem, i-sso eu não sei! Mas poderíamos saber o que pretendiam fazer com ele, se interrogássemos quem telefonou para ele...
- De que jeito? Foi de um telefone público, você sabe... Pode ter sido qualquer pessoa...
Naquela manhã, Maurice tinha acordado bem disposto, atacou seu café da manhã com grande apetite e tinha arrancado a bandana da cabeça.
- Não é um pouco cedo para isso, meu amor? – Perguntou Rita, preocupada.
- Eu diria que é um pouco tarde! O curativo era muito grande, para o tamanho do ferimento!
- Mas sangrou demais...
-E natural, é uma área de muito sangramento! – Parou e pensou um pouco – Rita, eu era médico, antes de ir para a guerra?
- Não! Nada a ver: era engenheiro, por quê?
- Estou sempre me lembrando de autópsias, termos médicos, coisas assim. Não é estranho?
- Não se considerarmos que você esteve numa guerra.
- Pode ser... Eu sempre me esqueço disso...
O que não se falava era que ao lado das autópsias, ele se lembrava de uma bela morena, beijos tórridos e... Chuva... Muita chuva!Essas coisas viviam em sua cabeça. Alguma coisa não encaixava nessa história. Ele não se sentia sendo engenheiro, nem tido estado numa guerra.
Rita andava cismada. Não conseguiu se segurar, perguntou sobre o que estava escrevendo, com tanto afinco. Ele mostrou um ar indiferente, ao responder que não era nada importante. Nunca diria à noiva ciumenta, que escrevera para outra mulher. Nem ele mesmo entendia o que lhe dera. Precisava de qualquer jeito, tirar aquelas palavras de dentro de si, e só sossegou ao imprimi-las no papel.
Naquela mesma noite, Sara contou do filme a Catherine. Em falta de outra ideia, a relutante supervisora interina, levou a teoria para Brass, que a achou tão "Grissom", que até poderia dar certo. Mas o capitão tinha uma dúvida: como manter a integridade dos que ainda estavam vivos, daqueles membros do júri?
Dos quatro sobreviventes, dois tinham contato com ex-detentos e dois não.
- Mesmo com aqueles que têm, não podemos agir, antes que algo aconteça. – Disse o capitão.
- Quer dizer que não poderemos fazer nada? – Protestava Sara.
- E acusá-los de quê? De serem ex-detentos? Sinto muito Sara, isso não é crime! Só diria que somos preconceituosos!
- Droga!
- A gente se sente com as mãos atadas, eu sei, mas é o sistema, Sara! – Falou o capitão, muito aborrecido. – Podemos apertar o cerco aos assassinatos, mas quanto aos sobreviventes... – E fez um gesto desesperançado, de quem nada podia fazer.
- Droga! – Repetiu Sara.
Brass perguntou se tinham alguma notícia de Grissom. Catherine adotou uma postura dramática.
- Nada! Parece que foi tragado pela Terra! Desapareceu... Sumiu...
Enquanto Brass se mostrava solidário à loira, Sara pensava que Grissom estava bem protegido no momento. Vulnerável como ele estava agora, ele seria uma presa fácil, ainda mais com a polícia não podendo protegê-lo integralmente.
- Se ao menos soubéssemos quem telefonou, poderíamos saber o que queriam com ele!
- Sinto Brass, só temos a localização de um telefone público e sabemos que foi uma mulher. Literalmente podia ser de qualquer pessoa. – Informou Catherine.
- E além de tudo essa pessoa pode só ter tido a função de telefonar, não sabe de nada! Para saber alguma coisa, só interrogando Sam Phelps. – Falou Sara.
Os dois olharam para ela, como se ela tivesse duas cabeças.
- E como o traríamos aqui?
- Não concordamos com a ideia do filme? - Sara perguntou, sem atinar com coisa alguma.
- Entre nós, Sara... – explicou o capitão. – Posso apertar os detentos e obter alguma coisa, mas falar em filme de Hitchcock para eles ou no tribunal, é loucura, é um argumento que não convence ninguém. Sinto muito, Sara!
Sara ficou realmente brava. Do jeito que Brass falava, ela parecia totalmente tantã. Ela não ficara brava, a palavra certa era: furiosa. Era assim que ela de sentia!
