11 – A festa

Jared observava a rua através do vidro transparente. Lá em baixo, carros apressados seguiam percurso para mais um dia de trabalho, crianças de mãos dadas com suas mães iam animadas para o colégio e pessoas vestidas em uniforme laranja varriam com dedicação o chão da praça ao lado. Pessoas normais, alheias à realidade a sua volta, alheias a tristeza que ele sentia.

Há quatro dias, Jensen, seus amigos e ele retornaram da casa de campo no interior de Los Angeles. Nesse tempo, o loiro evitou o assunto que não saia dos seus pensamentos: o porquê de tê-lo beijado.

Cuidados, amparo e preocupações, o outro não mudara e permanecia o mesmo ao seu lado, mas seu coração doía justamente por as coisas permanecerem as mesmas entre eles. Eram grandes amigos e nada mais.

Havia procurado Katie, no mesmo dia que chegaram da viagem, à noite, mas não teve coragem de contar para a garota, porque ao saber que ele havia terminado com Eric, gritos de histeria e abraços calorosos, lhe foram dados pela moça que não parava de comentar o quanto torcia para ele e Jensen darem certo. Não teve coragem de quebrar as ilusões dela. Preferiu quebrar as suas a daquela que ele aprendeu a querer como uma irmã.

Agora, sentado sobre a cama do hospital, imaginava o quanto a sua vida tinha mudado em quase duas semanas desde que conheceu o loiro. Era difícil entender o que acontecia com aquele homem misterioso. Estaria ele fugindo dos próprios sentimentos? O beijo foi apenas consequência do momento? Dúvidas o atormentavam, mas apesar delas, lembrava com carinho dos acontecimentos dessa manhã de quinta-feira. Sorriu com a lembrança.

Flash back on...

- Eu o acompanho doutor Pellegrino. Afinal ele é meu namorado. – Bradou Eric se impondo ao doutor.

- Senhor Jonhson, o senhor não é o guardião desse jovem. Temos regras nesse hospital e como médico chefe, não posso permitir que o senhor Padalecki seja acompanhado por sua pessoa. – Falou educado apesar da arrogância do outro.

- Eu exijo que isso seja mudado! Além disso, o Ackles não chegou!

- Desculpem-me pela demora. Perdi alguma coisa?

A voz de Jensen ecoou pelo corredor. Eric que estava de costas para a entrada, olhou para o recém chegado com o olhar carregado de raiva enquanto Jared que assistia a discussão entre o doutor e Eric, Estamamente o sorriso nos legara que assistia a discurs, olhou para o homem sorrindo internamente. Seus olhos brilhavam por tamanha alegria.

- Bom dia doutor Mark Pelegrino, Jay... Ah! E bom dia para você também senhor Jonhson. – Disse após apertar a mão do médico e sorrir para Jared.

- O que você faz aqui seu intrometido? – O ex-namorado do moreno simplesmente gritou.

- Shhh! Tenha mais educação! Estamos em um hospital! – Respondeu ironicamente à pergunta do outro.

- Escute aqui Ackles, eu... – Foi interrompido bruscamente por Jensen:

- Sei, sei... Você vai me dizer que ele é seu namorado e blá, blá, blá. Cara, eu estou cansado desse seu falatório.

- Perdoe-me a intromissão senhor Jonhson, mas há quase duas semanas o Jovem chegou desmaiado nesse hospital e não era em seus braços que ele estava. Sugiro que aguarde do lado de fora da minha sala, caso contrário terei que chamar os seguranças do hospital. - Falou com convicção, Mark Pellegrino.

Sem argumentos, Eric não disse mais nada. Olhou para o moreno lhe dizendo que depois conversariam. Deu as costas a ambos e saiu rumo à saída.

Flash back off...

Sentia-se feliz pela proteção e carinho do seu melhor amigo, mas ao mesmo tempo sentia-se triste. Amava-o, tinha consciência disso. Desde que o conhecera sentia-se diferente quando estava ao seu lado e com o passar dos dias, sentia-se vazio quando não o tinha perto. Então sonhou com ele e isso lhe fez enxergar os seus verdadeiros sentimentos por Jensen.

O moreno saiu de seus devaneios quando ouviu três batidas na porta. Pedindo que a pessoa entrasse, sorriu com a presença daquele que povoava os seus pensamentos.

- Como você se sente? – Perguntou o mais velho com um sorriso calmo.

- Eu me sinto ótimo, Jen! Não havia necessidade de ficar um dia sob observação apenas para fazer exames.

- Não haveria se o senhor não tivesse sido negligente com sua saúde. – Retrucou Jensen.

Jared calou-se. Sabia que o outro tinha razão. Estava tão envolvido com a ideia de manter-se ocupado para não pensar no que sentia, que esqueceu de sua saúde.

O jovem voltou a olhar a rua pela janela de vidro. Ackles percebeu que havia sido duro demais. De certo, a preocupação com ele era grande, mas o compreendia. Jovens geralmente são imprudentes consigo mesmo.

- Ei, desculpe-me! Longe de mim ser rude com você, mas quando eu ouvi suas palavras ao médico, eu fiquei além de preocupado, chateado. O que deu em você garoto para não me contar sobre os desmaios? Sem falar que me omitiu de sua volta ao médico. Eu posso saber por quê?

Quando Ackles e o doutor Pellegrino souberam das imprudências de Jared, ambos o repreenderam e como uma espécie de punição, o jovem ficaria internado durante toda a quinta-feira para uma nova bateria de exames, sendo liberado após os mesmo, à tardinha.

- Estou cansado de dar trabalho, de ter que ser protegido. Jen... Eu me sinto um inútil desde que um tumor foi diagnosticado em mim. Quero ser últil novamente! Preciso sentir-me importante pelo que sou não por precisar de cuidados.

O loiro que estava em sua frente de braços cruzados, relaxou-os e sentou um pouco na cama dele o olhando com carinho e falando compassado:

- Você é importante para aqueles que te amam por ser exatamente como você é: um jovem gentil e frágil que precisa ser protegido e ainda mais agora que está doente. Não deixe que a idiotice de alguém que não te merece, mexa com sua auto-estima. Apenas dê ouvidos àqueles que te querem acima de alguma limitação que você possa ter.

De repente Jared soltou a respiração. Nunca havia escutado algo tão lindo. Muito menos tinha visto tanto brilho nos olhos de alguém, ao falar algo assim. Precisava saber o que Jensen sentia por ele. Por Deus! Aquele homem o estava enlouquecendo...

- Eu posso entrar?

Ambos quebraram o contato visual com a voz feminina que ecoou atrás da porta.

- Sim, entre, por favor!

Falou o mais velho, um pouco constrangido pela conversa silenciosa que ele e o jovem tiveram depois das palavras de conforto proferidas.

Quando entrou Traci parecia um furacão: ora abraçava o moreno, ora beijava suas bochechas, até mesmo um sermão básico ele ouviu enquanto o loiro ria de toda aquela situação. Sua amiga era mesmo uma figura e a preocupação que tinha com "os seus meninos" dava um charme a mais a ela.

- Meninos, amanhã haverá uma festa de Halloween na casa de Dhevah, uma colega de trabalho. Que tal irmos todos juntos? – Perguntou de repente, no meio da conversa.

- Os dois homens se entreolharam com uma dúvida muda no ar. Halloween? Em pleno treze de agosto? – Traci percebendo a confusão deles, explicou:

- Ela completará trinta e dois anos e como a data de seu aniversário esse ano será em uma sexta-feira treze, seus familiares organizaram um dia das bruxas fora de época e vocês terão que ir. Também se vestirão à caráter. Façamos assim: às vinte horas passarei na casa dos outros rapazes para levá-los e Jen, você pega o Jay em seu apartamento! Não se atrasem ok? Agora eu preciso ir porque se não vou me atrasar. Espero vocês amanhã.

Beijou as frontes dos amigos, despediu-se deles e saiu novamente para a empresa do seu pai, no qual trabalhava, deixando seus amigos com cara de paisagem, olhando fixamente para a porta que acabara de fechar.

- Ela é mesmo uma figura. Pensou o loiro.

Jared foi liberado às cinco e quarenta e cinco da tarde sob a tutela de um Jensen mais calmo. A nova bateria de exames mostrou que os desmaios foram decorrentes da falta dos medicamentos controlados, aliados ao stress emocional que ultimamente sentia. O tumor permanecia estável, sem sinal de metástase. Mesmo assim, o medico foi unânime em reafirmar o procedimento cirúrgico a curto prazo, dependendo apenas da normalização sanguínea e da pressão arterial do jovem.

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Jensen esperava há dez minutos Jared descer do seu quarto. O garoto parecia uma mulher com essa demora. Pensava já irritado, pois era impaciente por natureza. Impecável como sempre, o loiro andava de um lado para outro, arrastando a sua longa bata negra. Com mangas esvoaçantes. Em sua cabeça, exibia um chapéu em formato de cone e segurava um tridente que mais parecia um espeto diabólico. Era a personificação do mitológico mago Merlin.

Ao ouvir passos encaminhou-se à escada e surpreendeu-se com o que viu. O moreno vestia uma roupa à moda Luiz quinze. Ela ajustava-se ao contorno definido dos seus músculos e a cor, azul - Royal das roupas e sapatos destacava o leve dourado de sua pele morena.

- "Lindo"!

Pensou o loiro, ainda olhando fixamente para o amigo decidindo se vislumbrava o seu corpo ou o seu rosto infantil emoldurado pela franja lateral.

- Você está muito elegante, Jen!

A voz do outro irrompeu os pensamentos de Ackles. E rapidamente, assumiu a sua postura defensiva e casual. Obrigado, mas você também está. Você é quem? Cinderelo?

O moreno gargalhou alto, jogando a cabeça para trás. Seu sorriso espontâneo, marcava suas bochechas com covinhas, chamando mais da atenção do homem que se negava a admitir que amava aquela criança grande a sua frente.

Jared sabia que havia demorado para se arrumar, mas queria estar lindo para Jensen. Mesmo não entendendo a atitude do outro, decidira que aquela noite resolveria essa questão. Era tortura demais tê-lo apenas como amigo sabendo o que sentia e pior ainda: desconfiando dos sentimentos dele além de amizade. Ao chegar a sala e ver a cara babada do mais velho para si, sorriu internamente. A ajuda de sua amiga Katie caiu como uma luva, pois foi dela a ideia de vesti-lo como um Cinderelo às antigas e quando o loiro o perguntou sobre sua roupa, gargalhou alto e depois de se acalmar, respondeu fitando o mar verde que eram os olhos do homem a sua frente:

- Sim, Jen! Sou o Cinderelo e essa noite pretendo desvendar os mistérios do meu príncipe encantado.

Jensen se arrrepiou até a alma com esse comentário. Misericórdia! Como alguém jogava uma indireta tão direta, assim? Sentiu-se perdido e totalmente desnorteado. Geralmente ele lançava de suas cantadas para conquistar as garotas, mas eram prazeres de uma noite ou duas, nada mais. No entanto, ao dizer tais palavras, o garoto a sua frente tinha um brilho no olhar que causava inveja a qualquer pedra preciosa e um sorriso nos lábios que tirava a doçura do mais puro mel.

"-O que faço"?

Agradeceu internamente a quem quer que fosse, porque seu celular tocou. Levantou a bata e retirou o aparelho do bolso da calça Jeans escura. Era Traci. Mal tinha atendido e ouviu o maior esporro da amiga e pela primeira vez deu graças a Deus por tê-lo ouvido por quase dois minutos. Os dois saíram às pressas do apartamento.

O loiro estacionou o carro a um quarteirão do local da festa devido a fila de carros, o que os forçou a uma caminhada de cinco minutos. Ao chegaram, ficaram admirados ao verem a decoração em frente a grande casa.

Luzes pisca-pisca em tons preto e roxo sobre o telhado davam um tom sombrio à área cercada do casarão. Uma imagem da morte segurando uma grande foice foi fixada ao lado da porta de entrada. Nas janelas, réplicas perfeitas de caveiras ostentavam a familiaridade com o sobrenatural enquanto sepulturas espalhadas pelo chão do jardim, davam um ar fúnebre à grama muito verde.

Os dois amigos entraram no local e por dentro a decoração não era menos macabra. Parecia que a tal Dhevah havia trazido um enterro para sua festa. Pensou o jovem, devido à nebulosidade das luzes internas e a quantidade de bonecos zumbis espalhados pelos cômodos.

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Pouco tempo depois, Jared e Jensen avistaram a amiga e logo se misturaram à multidão. Ambos tinham sido apresentados à aniversariante e depois da costumeira troca de abraços e entrega dos presentes, caíram no ritmo do som junto com Traci e Steve, já que Kane e Jason não compareceram por causa dos seus compromissos de trabalho.

Dhevah havia se fantasiado de bruxa para a própria festa e como convidara o loiro para uma dança com ela e foi dispensada, fitou o moreno, pois também era tão bonito quanto o amigo, mesmo sendo mais jovem. Jensen lhe lançou um olhar do tipo "não vá" no qual ele tentou atender, mas a garota era muito insistente e o puxou pela mão até o meio do salão.

Ela tentava se esfregar no garoto que habilmente conduzia seu corpo a passos esquivos, em direção contrária ao corpo da mulher.

De repente teve uma ideia. Percebendo que Ackles não desgrudava os olhos do seu corpo quando rebolava ao passo da coreografia que seguia, decidiu por mais lenha na fogueira. Hoje terminaria o seu suplício na busca por respostas ao seu amor supostamente platônico.

Com jeitinho e uma lentidão torturante, Jared desabotoava a blusa sem parar de dançar e a cada movimento em uma parte da roupa, empinava sempre o seu corpo na direção do loiro de maneira que as pessoas acreditavam que ele flertava com a garota, mas há minutos atrás, alguém que observava os movimentos dele com lascívia, sabia que o "striptise" particular tinha somente um destinatário: a sua pessoa, Jensen.

As meninas e alguns meninos foram à loucura com a visão do moreno quando ele retirou completamente a blusa. Jensen que sem esperar por isso, tomara um gole de seu wisk engasgando-se de imediato diante da cena. O jovem rebolava encostando-se na garota, passava as mãos pelas laterais de seu corpo e aproximava-se para beijá-la, esquivando-se de vez.

O loiro já não raciocinava mais. Com a respiração descompassada e os lábios entreabertos, olhava para aquele ser a sua frente maravilhado. Não o havia visto sem blusa e os músculos definidos que desenhavam suas formas, não passou despercebido pelo homem atônito que observava a tudo atentamente. Além de sentir uma parte especifica de seu corpo ganhar vida, os seus sentimentos reprimidos urraram em protesto por não tomar de imediato para si, aquele corpo que o chamava ao deleite.

- "O que ele quer? Enlouquecer-me"? – O mais velho perguntava-se desesperado.

Traci acompanhava a cena com um sorriso nos lábios. Ela entendia o que estava acontecendo e Steve que sentara ao seu lado, tirou suas próprias conclusões devido a troca de olhares entre os seus dois melhores amigos.

O som ecoava alto, os gritos dos jovens se dispersavam na multidão e quando a música acabou, um grupo de meninas juntou-se ao moreno para a próxima música sendo dispensadas por Traci que a pedido de Jensen, se intrometeu entre elas e o puxou alegando que ele era o seu namorado.

Beberam, dançaram e sorriram. Em meio àquela festa barulhenta, Steve, Traci, Jensen e Jared formaram um grupinho particular, sendo que o jovem era o maior alvo das brincadeiras dos amigos que alegavam para os garçons quando lhes ofereciam bebida, que apesar de muito alto o moreno não podia beber por ser menor de idade.

O loiro evitou durante toda a festa olhar nos olhos do mais novo. Depois de tê-lo beijado, havia aberto as portas para que um dos dois ultrapassasse a tênue linha entre amizade e namoro. Não queria magoar seu melhor amigo. Temia estragar tudo entre eles. Pensava em uma maneira de resolver as coisas só não cogitava a ideia de se declarar e assumir um relacionamento amoroso. Não era tanto por ser um relacionamento homossexual. Ackles tinha medo de se envolver com alguém.

Faltando dez minutos para a meia noite, despediram-se da anfitriã e de algumas pessoas com quem conversaram. Resolveram sair todos juntos, já que o jovem deveria tomar em meia hora a sua medicação.

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Chegando ao apartamento, Jared acendeu as luzes da sala e jogou-se pesadamente no sofá. Estava cansado, dançara muito e os efeitos se repercutiam em suas pernas um pouco doloridas. Jensen sem cerimônia, subiu ao quarto do jovem, pegou a caixa de comprimidos sobre o criado mudo e pôs um pouco de água gelada do frigobar da sala.

A cena que correu a seguir era hilária: O mais velho segurava um copo com água na mão esquerda e na mão direita um comprimido pequeno e arredondado, insistindo para o moreno levantar e tomar o remédio.

- Vamos, Jay! Deixa de fazer birra e toma logo esse remédio...

O outro que fechara os olhos desde quando se jogou no sofá, abriu-os para observar as feições do seu amigo.

- "Ele fica tão fofo assim preocupado comigo..." – Comentou em pensamento.

Levantou calmamente e pôs-se em frente ao loiro. Segurou suavemente seu rosto com as mãos e selou os seus lábios. Jensen que não esperava por isso, entreabriu os seus com o susto permitindo assim que o beijo fosse aprofundado pelo moreno.

- Jared! O que significa isso?

Ambos afastaram-se rapidamente e olhavam espantados para um Eric furioso que os observava da porta de entrada da cozinha.

Continua...


Respondendo aos rewies:

Malukita: Você parece que adivinhou que os dois se beijariam em frente ao Eric. Quando você me mandou o rewie, eu já tinha tido a ideia, sabia? Fico muito feliz amiga pela sua participação sempre em minhas e sinto saudades de nossas conversas aos sábados. Beijos!

Cassmy: Hello, Cassamy. He knew I thought you had given up on my story? And I knew that I am sad when this happens?
You know dear, Jen also love the whole careful and possessive with Jay. The love these two are pretty! Kisses!

Patricia Rodrigues: Menina! Sabia que você ter trocado a escritora que você falou por mim, me deixou toda boba? Muito obrigada pela confiança em meu trabalho e pelo carinho. E você tem razão: o Eric é um filhinho de papai metido. Ele não merece o Jay. Beijos, querida.

Sol Padackles: Realmente o Eric é um pilantra e ainda chegou cheio de direito com o garoto, mas o loirão o colocou em seu devido lugar. Obrigada pelo elogio a cena. Beijos!


1- Segunda-feira postarei almas acorrentadas, ok?

2- A todos os que lerem, anônimos ou não, deixem um rewie e me digam o que acharam, ok? Beijos!