Aquilo era errado. E ele se sentia errado por estar pensando isso. Pois ele nunca imaginou que estar com ela fosse um erro. Ele deveria considerar o que fizera na noite anterior um erro, e não o que estava fazendo agora. Mas então porque seu coração dizia que o que acontecera no outro dia era tão mais certo do que o que estava acontecendo agora?

Um som insistente e apressado na porta do quarto interrompeu quaisquer que fossem os planos de Danneel, obrigando-a a se afastar alguns centímetros de distância do corpo de Jensen, que tentava inutilmente se livrar dela.

— Não! Fica comigo, Jen. — murmurou ela, puxando-o para a cama e prendendo-o pela cintura com as próprias pernas. — Eu não posso mais deixar você se afastar de mim. Eu não quero que você se afaste, nunca mais. — sussurrou ela, os olhos sedutores encarando-o, enquanto suas mãos deslizavam pelas suas costas, lentamente. Danneel sabia que ele adorava quando ela acariciava suas costas. E não importava o que fosse que ela tivesse que fazer, carinhos, beijos, ou mais, ela não ia deixá-lo fugir de novo.

Jensen sentiu um tom de necessidade na voz dela. Danneel percebeu que o relacionamento deles estava em algum tipo de corda bamba e gasta. E ela viu o que Jensen queria. Mas ela não queria isso. Talvez fosse por isso que ela estava agindo daquela maneira. E saber que ela estava tão dependente dele desse jeito, só piorava.

— Danneel, por favor, pára. — pediu Jensen, segurando os braços dela. Mas ela não quis escutar. Ela não queria escutar a voz de Jensen, ou aquela batida na porta.

Danneel voltou a beijá-lo, agora com mais pressa. Como se precisasse dele antes que alguém tentasse invadir o quarto, obrigando-a a se afastar. Jensen já estava sem sua camiseta, e ela também, era só uma questão de habilidade e rapidez para que Danneel conseguisse se livrar do resto das roupas.

Jensen percebeu que ela conseguira tirar a própria calça e já estava com as mãos nas suas, puxando-as para baixo. Ele ficou indeciso entre segurar as mãos dela ou afastá-la de sua boca. E Danneel sabia exatamente como deixá-lo sem ação. E ela estava usando todas as armas que tinha. Aquilo não era nem um pouco justo. Jensen não queria aquilo. E cada vez que ele tentava afastar a ruiva, seus pensamentos se voltavam para a noite chuvosa em que ele beijara uma das garotas mais incríveis que ele já conhecera.

Foi então que tudo se misturou, e agora Jensen estava segurando o rosto de Danneel entre suas mãos, devolvendo o beijo, sem mais se importar com o que ela estava fazendo com suas roupas.

Jensen segurou os cabelos dela e puxou-a para mais perto. Ele não ouvia mais aquele som irritante na porta do quarto. Tudo o que ele conseguia ouvir era algum tipo de música excitante em sua cabeça e uns sussurros meio indecifráveis que Gabs estava dizendo em seu ouvido.

Gabs…

Isso sim é que era errado. Ela, ali, com ele.

E ela era tão jovem. E ele, por ser mais velho, deveria ser um pouco mais sensato e tentar interromper o que estava prestes a acontecer. Mas sua cabeça estava uma verdadeira bagunça. E algo em sua mente dizia que o que estava acontecendo ali nem mesmo era real, então ele poderia aproveitar o quanto quisesse.

Ele virou-a na cama, ficando por cima dela, enquanto a beijava sem parar, deslizando uma mão pelo pescoço dela e outra pela perna dela que ainda estava enroscada nele. Ela inclinava o próprio corpo na direção dele, diminuindo a distância entre eles, enquanto Jensen a segurava, sentindo cada arrepio do seu corpo.

Mais algumas batidas na porta interromperam os pensamentos de Jensen, fazendo com que a música em sua cabeça parasse. Ele se afastou alguns centímetros e observou a mulher de cabelos avermelhados embaixo dele, com um sorriso divertido nos lábios.

— Droga, Danny! — gritou Jensen, saindo de cima dela como se a mulher estivesse dando choque. Ele pulou para fora da cama, meio cambaleante e olhou em volta, procurando por sua camiseta.

Jensen não conseguia acreditar no que acabara de fazer. Como ele pode ser tão…? Não tinha uma maldita palavra que pudesse descrever essa insanidade! Ele estava se odiando agora. Odiava mais a si mesmo do que à ruiva, que agora estava de pé, apenas com um conjunto preto em contraste com a pele clara, vindo na direção dele e envolvendo-o pela cintura.

— Danneel, por favor, me deixe em paz! — pediu Jensen, tentando não ser tão rude. — Se você não está em condições de conversar, tudo bem. Mas então, fique longe. Porque eu quero conversar com você. E só isso!

— A quem você está tentando enganar, Jensen? — riu ela, enquanto arranhava as costas dele de leve. — O que você estava fazendo há alguns segundos atrás desmente o que você está dizendo agora.

— Não era você… E não era eu! Eu não… — ele fechou os olhos e contou até cinco mentalmente, antes de segurar Danneel pelos ombros, obrigando-a a parar para encará-lo. — E quando você quiser saber o que aconteceu, e o que está acontecendo, eu vou estar te esperando para ter essa conversa. — disse ele, soltando-a logo em seguida e vestindo sua camiseta, antes de sair do quarto, deixando-a sozinha.


— Jensen! — a ruiva gritava, enquanto o seguia pelos corredores.

Jensen ignorava a voz de Danneel enquanto tentava prestar atenção no que a organizadora Diana estava dizendo.

— Eu não acredito que você vai ir até lá fazer o seu showzinho! Isso é pra que, Jensen? Pra provar que eu não tenho mais controle sobre você, que está tudo acabado? É isso? — Danneel conseguiu alcançá-los. Ela puxou o braço de Jensen, obrigando-o a virar-se para encarar as lágrimas de raiva e tristeza nos olhos dela. — Eu estou falando com você!

— Ah! Agora você quer conversar como uma pessoa normal? Porque não era o que você queria há alguns minutos atrás… — ele respondeu, irritado.

— Qual é o seu problema, Jensen? O que há de errado com você? O que aconteceu? Fala comigo, por favor! Me explica o que aconteceu! — pediu ela, antes de lançar um olhar severo para Diana, querendo que a mulher se afastasse.

— Cinco minutos, Jensen. — falou Diana.

— Não tem cinco minutos, querida! — gritou Danneel. — Ele vai ficar aqui o tempo que precisar, entendeu?

— Danneel, chega! — disse Jensen, empurrando-a para um canto da sala. — Pare de pensar que o mundo deve girar ao seu redor e quando você quiser! Isso não é só sobre você, ou sobre nós dois! E se eu prometi que ia estar lá em cinco minutos, é isso que eu vou fazer!

— Você também prometeu me amar, Jen, lembra? — murmurou ela, agora sem conseguir conter as lágrimas que escorriam pelo seu rosto.

— Danny, por favor… — suspirou Jensen, cansado.

Mas ele não conseguiu deixar de olhar para ela, ali tão frágil agora. Ele não entendia como ela era capaz de ser tão contraditória. Num momento, gritos e raiva, e no outro, choro e tristeza.

Jensen não se conteve por muito tempo, antes de puxá-la para os seus braços e deixar que ela chorasse o quanto quisesse no ombro dele. Ela era doida, não tinha como negar. Mas ele devia isso a ela. Ele a traíra. E ele só queria que ela entendesse. Mas isso não seria algo fácil. Então deixá-la chorar e falar o que precisava era o melhor que ele poderia fazer no momento.

— Danneel, eu prometi amar você. E você sabe que eu te amava antes mesmo de fazer essa promessa, e te amei muito mais depois dela. — murmurou Jensen, enquanto acariciava os cabelos compridos dela. — Mas as coisas mudaram, e foi ficando tudo mais difícil, e você sabe disso tanto quanto eu.

— Mas a gente sempre dava um jeito… Por que agora tem que ser diferente? — perguntou ela, levantando o rosto para encarar os olhos verdes de Jensen.

— Porque agora é diferente. Eu pensei muito sobre isso nos últimos dias. E aconteceram algumas coisas ontem que me fizeram ver que eu não posso continuar mais com isso. Eu tenho que parar de machucar você. Nós temos que parar de nos enganarmos. Porque é isso que nós estávamos fazendo até agora.


Todos estavam muito animados por ele finalmente estar ali. Estavam todos rindo e se divertindo, tirando fotos, fazendo perguntas, o que para sua sorte, não era nada relacionado ao seu desaparecimento. Talvez algum dos organizadores do evento deram uma explicação plausível para manter a normalidade. É, era bem possível. Senão, estariam fazendo outro tipo de perguntas para ele.

Mas Gabs conseguia ver bem mais do que isso. Ela via uma tristeza inexplicável tingindo o verde tão perfeito dos olhos dele. Aquela expressão meio cansada, porém tranqüila, enquanto tentava sorrir. E mesmo triste ele conseguia ter um sorriso divino.

Ela percebeu que ficara pensando nisso por tempo demais, e quando se deu conta, Jensen estava deixando o salão e Jared estava subindo ao palco. Ela olhou em volta e viu Jensen se afastar, ainda com aquele olhar intrigante, sumindo de vista por uma escadaria ao fundo do palco. Ela observou a garota ao seu lado, que continuava a tirar fotos de tudo.

Gabs realmente queria ficar ali com a sua amiga, e terminar de assistir o resto dos painéis. Não ia tomar mais do que uma hora do seu dia, e ela não ia deixar Jess na mão pela segunda vez. Mas seus pés não estavam muito familiarizados com as suas idéias, pois logo ela estava de pé, se desculpando e pedindo licença enquanto passava pelas cadeiras enfileiradas e corria para o fundo do palco. O salão inteiro estava escurecido, iluminado apenas no palco, onde Jared estava, o que foi um ponto positivo para que Gabs atravessasse a sala sem ser notada.

Mas não demorou muito para que ela esbarrasse em dois seguranças altos e não muito simpáticos. Ela já devia esperar que tivesse algum impedimento ao fundo do palco, afinal, era por ali que os atores passavam. E os seguranças precisavam garantir que nenhuma fã maluca tentasse entrar por ali. E foi justamente nisso que os dois homens altos trajados em ternos escuros pensaram quando viram Gabs correndo pelo corredor.

— Desculpe, senhorita, mas você não pode passar por aqui. — falou um dos seguranças, com um braço esticado, como se Gabs fosse passar correndo por ele a qualquer momento.

Mas ela não era nenhuma fã enlouquecida. Ela provavelmente estava tendo alguns problemas agora, e poderia estar parecendo doida, mas ela não ia sair correndo e gritando pelo corredor. Ela fez um sinal de concordância com a cabeça, mas novamente seus pés resolveram contrariá-la, deixando-a imóvel ali.

— Algum problema por aqui? — uma voz fraca, porém autoritária surgiu atrás dos dois homens. Ela era uma mulher alta, de cabelos negros e compridos, meio desajeitados num penteado apressado. Ela estava usando uma camiseta preta larga, com letras alaranjadas estampando "Rising Con" no tecido.

— Nenhum problema, se essa senhorita voltar para o salão e permanecer lá. — murmurou o outro segurança, que parecia ser o mais irritado.

— Posso ajudá-la em alguma coisa? — perguntou a mulher, tentando não parecer tão sarcástica, enquanto observava os olhos claros da garota.

— Não, eu… — Gabs tentou falar alguma coisa, mas então faltou oxigênio, e ela ficou ali, parada, sem dizer nada. Ela não lembrava mais como colocar ar em seus pulmões, pois tudo no que sua mente estava focada agora era em um sorriso leve e muito confidencial na direção dela, vindo de um loiro alto de olhos perfeitos.

— Diana, tudo bem… — murmurou Jensen, se juntando a eles agora. — Eu disse para ela me encontrar depois, eu prometi umas fotos e um autógrafo pra essa moça adorável. É o mínimo que eu poderia fazer por ela depois de ter sumido daquele jeito. — disse Jensen, com um leve sorriso, antes de abraçar os ombros de Gabs, de forma gentil, porém nada reveladora.

— Bom, tudo bem, então. — concordou Diana, devolvendo o sorriso.

— Vem, vamos pra outro lugar. Aqui está muito escuro para tirar fotos. — falou Jensen, enquanto puxava Gabs pelo corredor, já que a garota ainda estava paralisada, praticamente paraplégica e com sérios danos cerebrais por falta de oxigênio. — Você está bem? Parece meio pálida… — murmurou Jensen, depois que eles se afastaram dos seguranças e da mulher.

— É que… está meio abafado aqui, eu acho. — falou ela, a voz engasgada, depois de finalmente conseguir respirar. Ela não conseguia parar de pensar no braço dele em torno dela. Aquilo era muito torturante.

Jensen apenas deu uma risada leve, antes de parar de caminhar e segurar o rosto dela entre as mãos para puxá-la para um beijo. Ele encostou o corpo dela na parede do corredor escuro e segurou os cabelos dela de forma delicada. Gabs não tinha idéia de como seu cérebro ainda conseguia reagir. Ou, provavelmente, seu corpo estava fazendo tudo sozinho. Pois ela correspondia o beijo com igual intensidade, uma mão no rosto dele, e outra no ombro largo dele. Ela sentiu um sorriso nos lábios dele em seu rosto, antes que Jensen segurasse a cintura dela, afastando-a alguns centímetros.

— Melhorou? — brincou ele, com a voz rouca no ouvido dela.

— Não, nem um pouco.