Olá, beninas!

Viram que eu não demorei quase nada dessa vez? E sabe porque isso? Porque minha caixinha de e-mails lotou com os comentários fofos de vocês! Muito obrigada pelo carinho por minha reestreia no mundo das fanfics! kkkkkkkkkkk

Então, sem mais lero-lero, simbora para o novo capítulo?

Boa leitura!


Primavera.

Maio 2008.

Se havia uma área bastante evitada por qualquer futuro médico quando chega o escolher sua especialidade, com certeza essa área é a oncologia. E quando se trata de oncologia infantil, pode ter certeza de que a quantidade de profissionais treinados para lidar com situações como essa era ainda mais restritas.

Eu era uma das poucas exceções a tal regra; assim que concluí minha residência em pediatria, tinha dedicado mais dois anos apurando meus conhecimentos em tumores, linfomas e leucemias. À primeira vista poderia ser até deprimente viver entre tantos casos tristes onde o próprio genes do paciente criavam as células malignas que originam esse mal, porém, não existia nada mais satisfatório do que poder dizer aos pais de alguém que o filho deles estava livre desta doença.

Era justamente esta uma das minhas primeiras missões daquela manhã chuvosa do início do verão nova-iorquino. Avisar para um jovem casal que seu filhinho de seis anos havia acabado de entrar em remissão após um longo tratamento de dois anos contra uma Leucemia Linfoide Aguda. E mesmo que eu só tivesse assumido o caso desse paciente a menos de um ano e nunca ter chegado a acompanhar de perto alguma de suas sessões de quimioterapia, não poderia deixar de ficar feliz por essa grande conquista daquela família.

Entrei na ampla e colorida brinquedoteca do setor de oncologia e no canto percebi os jovens pais agachados, colorindo alguns desenhos ao lado do menino — Sr. e Sra. Evans?

Ambos os pais se viraram em minha direção e pude perceber suas expressões apreensivas enquanto eles se levantavam e nos cumprimentávamos. — Estamos bem, mas estamos esperando ficar ainda melhores. — disse o pai bastante ansioso.

— Eu posso imaginar. — comentei para depois ajoelhar de frente ao garotinho e alisar seu cabelo crescido. — Olá, Jack! Como você está se sentindo?

— Tô bem, Dra. Thompson. — ele disse, o som do "th" em meu nome soando engraçado em sua voz infantil. — Porque o Dr. Cullen não tá com você hoje?

— Infelizmente ele não pode vir. Ele só irá chegar mais tarde ao hospital.

Confesso que estava tentando fazer com que o Edward ganhasse interesse também pela oncologia, porém ele parecia ser mais um dos que não gostariam de enveredar nesta parte da Medicina, o que era uma pena já que o carisma natural dele poderia facilitar bastante a luta de alguns pequenos pacientes.

— Então doutora. — a mãe do Jack falou, atraindo minha atenção de volta para o casal. — sem querer ser ansiosa nem nada, mas tem alguma novidade para nós?

— Sim. — afirmei, enquanto me erguia para ficar no mesmo nível ocular que eles. Não pude deixar de perceber como a mão do marido procurou a da esposa, para seus dedos se entrelaçam em busca de apoio. — Já tenho todos os resultados dos exames e fico feliz em informar que o Jack está em remissão.

A comemoração deles era contagiante, enquanto eles se abraçavam e puxavam o menino para os seus braços em um abraço de urso. Os risos se misturaram as lágrimas de felicidade e eu não podia deixar de me sentir realizada ao poder participar de tudo isso.

— Eu já tô curado, doutora? — o garotinho perguntou, entre os beijos ansiosos dos pais.

— Quase lá, Jack. — informei, não querendo decepcioná-lo. — Você não precisará mais vir aqui para fazer quimioterapia. Somente irá voltar de vez em quando, mais precisamente a cada três meses — disse fitando os pais — para refazer os exames. Se em dois anos continuar tudo certinho com sua saúde, aí sim você estará completamente curado.

— Quer dizer que eu vou poder ir pra escola? — ele riu amplamente, mostrando a janelinha do seu dente incisivo.

— É claro que vai. — sorri de volta e me virei para seus pais. — Por favor, antes de saírem já deixem agendada a nova consulta, sim? Vamos acompanhar de perto, só por precaução, já que o prognóstico do Jack seja bastante favorável.

— Sim, sim. Nós iremos sim! — disparou a mãe empolgada entre as lágrimas. — Eu posso lhe abraçar, Dra. Thompson?

Abri os braços de bom grado e não pude deixar de me sentir feliz por eles. Essa era uma das melhores partes em ser médica. Cada pequena vida que salvamos compensa todo e qualquer sacrifício ao longo de anos de estudos e abstenções.

Após me despedir do casal, saí da brinquedoteca e parti em direção ao laboratório de patologia para pegar o resultado de alguns exames de um novo paciente que havia se internado recentemente. Mas, assim que cheguei no patamar do elevador, dei de cara com um Edward aparentemente amarrotado.

— Hey! — Cumprimentei empolgada — Quanto tempo que eu não te vejo!

— Ah, oi Hannah. — ele respondeu de volta, olhando de relance para o relógio. — E aí, alguma novidade?

— Acabei de avisar à família Evans que o filhinho deles entrou em remissão.

O cenho dele se franziu. — Jack Evans, o garoto da linfoide aguda que você lhe mostrou durante uma consulta algum desenho japonês idiota.

— Ah, lembrei! — Edward disse abrindo um sorriso. — O pequeno Goku guerreiro. Fico feliz por ele finalmente ficar um bom tempo ser aparecer por aqui.

— Por falar em aparecer… — eu brinquei, alcançando distraidamente a gola comprida de seu jaleco. — Você anda muito sumido também. Estou com saudades.

Ele sorriu quase que constrangido. — É a maldita prova daqui há algumas semanas. Ando estudando pra caralho para não me fuder nessa merda.

Eu ri baixinho, achando graça como ele xingava ainda mais quando ficava nervoso. — Eu sei, Edward. Só estou sentindo sua falta. — abaixei o tom de voz para completar enquanto acarinhava seus braços — Principalmente de fomentar nossos neurônios.

Edward riu sem jeito e se afastou, levando uma mão para bagunçar ainda mais o cabelo. — Porra, Hannah, nem me fale. Já faz tempo pra caralho, não é?

— Hoje à noite você está livre? — perguntei esperançosa.

— Eu marquei de revisar alguns estudos de casos com o Mark e a Jane. — ele explicou capengamente. — Desculpe.

Franzi meu cenho enquanto escutava sua justificativa. — E não dá para remarcar? É tão raro coincidimos em nossas noites livres…

Ele ergueu uma de suas sobrancelhas em minha direção. — Sem cobranças, lembra?

Suspirei resignada. — Poxa, são mais de três semanas sem sexo, Edward! — murmurei baixinho enquanto observava se havia algum curioso ao nosso redor. — Estou mal-acostumada.

— Eu sei… vou tentar encontrar algum tempo ainda nessa semana, está bem? — ele afirmou, como se estivéssemos falando sobre uma consulta qualquer e não sobre fazer amor — Agora, eu preciso ir. Meu horário começa em 15 minutos e nem tomei café da manhã ainda.

— Mas o refeitório fica para lá. — retruquei, enquanto ele começava a se afastar.

— Vou para a cafeteria. — ele disse, caminhando de costas na direção oposta a minha. — Lá tem uns bagels bons pra caramba! Até mais, Hannah! — e com isso, ele voltou a caminhar apressado em busca do seu desjejum.

Suspirei pesadamente meio que frustrada e entrei no elevador. Tudo bem que Edward tinha deixado claro que ele tinha outras prioridades com a proximidade da prova final, mas sinceramente, sempre houve espaço para nossas escapadas, às vezes, acontecendo até aqui mesmo no hospital. E sim, eu sabia que isso não era lá muito ético, porém alguns meses atrás isso não parecia incomodá-lo. Sinceramente, vinte minutos a sós no meu escritório ou na sala de descanso poderiam resolver essa minha necessidade.

Mas por ora resolvi deixar isso de lado e me concentrar nos exames que precisava pegar naquela manhã. Dependendo dos resultados, eu iria avaliar de que forma eu poderia começar minha ronda naquela manhã. Precisava verificar se meus pacientes internados tiveram alguma complicação durante a madrugada ou se finalmente poderia assinar a alta daqueles que já estavam recuperados. Mais tarde, pensaria em encontrar Edward e finalmente resolver qualquer pendência sexual ou não.

Estava prestes a me aproximar da recepção da patologia quando escutei a conversa de duas enfermeiras com a recepcionista do setor.

— … nem bonita ela é para todos os homens desse hospital estarem tão encantados. — a mulher gordinha responsável pela recepção disse cheia de veneno, enquanto arrumava algumas fichas por trás do balcão.

A enfermeira mais jovem, de cabelos platinados e curtíssimos assentiu. — Extremamente sem graça! Reparou como ela tem o rosto estranho? Tipo desproporcional para alguém tão baixinha e magricela?

— Exatamente como eu quando adolescente! Parece até a Noiva Cadáver — a terceira mulher afirmou, fazendo as outras duas rirem alto.

Estava prestes a acabar com aquela conversa, uma vez que eu não suportava bisbilhotices da vida alheia no ambiente de trabalho, porém um último comentário da recepcionista fez com que minhas palavras ficassem presas em minha garganta.

— Já notou que até o Dr. Cullen anda de olho nessa garota? — ela disparou — Não há um só dia que ele não deixe de ir na cafeteria para conversar com a nova atendente. E a idiota lá fica toda alegrinha quando ele aparece!

Foi como se uma tonelada de tijolos tivesse me atingido subitamente. A garçonete? indaguei comigo mesma. Será que essa nova mulher era o motivo para as repentinas evasivas de Edward para nossos encontros?

Bem, analisando rapidamente as últimas semanas, Edward começou a fugir de mim coincidente ao aparecimento dessa nova garota. Mas será que poderia haver alguma coisa…

— Dra. Thompson! — disse o diretor geral do Hospital, o senhor Robert Brown, assustando não só a mim quanto as mulheres que fofocavam ali perto. — Como vai a pediatria?

— Muito bem, obrigada. — respondi com um sorriso forçado, enquanto observava pelo canto do olho as fofoqueiras desaparecem rapidamente dali de perto. — Posso ajudar em algo?

— Na verdade sim. Será que você teria um tempinho antes de começar suas rondas para debatermos sobre o projeto de ampliação da UTI neonatal? — ele indagou, colocando a mão no meu ombro e meio que me guiando pelo corredor.

— Mas é claro. — respondi, seguindo a mesma direção que a dele e frustrando qualquer oportunidade de saber mais sobre essa nova garota que parecia está chamando a atenção de todos, inclusive de Edward.

Mas se ela trabalhava aqui dentro, não faltaria oportunidade de investigar melhor essa situação. Muito em breve eu mesma teria a oportunidade de tomar um espresso e ver com meus próprios olhos se a nova garçonete podia significar qualquer ameaça entre Edward e eu.

(...)

Depois de uma longa conversa com o diretor, concluir a ronda matinal e fazer uma ressuscitação em um pequeno recém-nascido, já era o início da tarde quando finalmente me dispus de alguns minutos livres. E invés de agir como qualquer pessoa normal e me preocupar com meu almoço, decidi que aquela seria a hora perfeita para matar a curiosidade e ir averiguar a novata da pequena cafeteria do hospital.

Ao entrar, confesso que fiquei decepcionada assim que vi as costumeiras atendentes as quais já conhecidas. A senhora que era a cara da atriz Diane Keaton e a barista alta e sempre vestida de preto com seu famoso sidecut e piercings por toda orelha.

Estava prestes a dar meia volta quando a mulher mais velha me percebeu e com um sorriso, me indagou — Olá! Doutora Thompson, não é?! Posso ajudar com alguma coisa?

Sem jeito, assenti e aproveitei aquela ocasião para enfim colocar algo em meu estômago — Um sanduíche natural e um suco de laranja, por favor?

— Com prazer! — ela sorriu e se voltou rapidamente em direção à bancada.

Eu me xinguei mentalmente por agir como uma adolescente desesperada. Nunca fui do tipo ciumenta e insegura nem quando era casada e agora, só a menção de uma fofoca estúpida cá estava eu, me guiando por burburinhos de enfermeiras.

Por que simplesmente não podia confiar que Edward estava realmente atribulado com seus estudos e que o fato de ele está um tanto que ausente em nada provava que estava de olho em outra pessoa?

— Jinn, eu já estou indo, ok? — uma voz suave e feminina disse. — Preciso chegar o quanto antes na faculdade hoje.

Ergui meus olhos e vi uma garota no início de seus vinte anos se despedindo de sua chefe. Meu coração deu uma guinada acelerada a medida em que percebi que aquela deveria ser a famigerada garçonete.

A primeira vista nada parecia justificar o alvoroço masculino ao redor dela — se é que de fato ele existia. Ela era até bonita com longos e espessos cabelos ondulados, uma pele alva e bem cuidada e nariz que com certeza deviam ter passado por um bom cirurgião plástico. Não usava nenhum outro acessório além dos óculos de grau de armação grande e tampouco parecia ter maquiagem, deixando-a mais pálida do que muitos pacientes meus. Enfim, ela era uma beleza comum e sem graça: apenas mais um rosto entre tantas outras muito mais belas do que ela.

Observei-a sair de trás do balcão e já estava pronta para averiguar a parte principal para o imaginário masculino, contudo o que ela usava não dava margem para uma avaliação correta. Poderia até ser que ela tivesse sim um corpo bonito, mas os jeans que pareciam mais ter saído da década de 80, a camiseta listrada que era no mínimo dois números maiores e o AllStar preto era tudo que usava. O típico vestuário de uma garotinha de 16 anos que estava pronta para mais uma aula de Matemática no Ensino Médio. Patética.

Ela nem de longe fazia o tipo de mulher a qual já sabia que Edward gostava: pelo histórico dele, era fácil perceber que um traço em comum dentre as mulheres as quais ele havia se relacionado era a feminilidade e sex appeal e disso aquela garçonete não tinha nada.

Como escolhi a mesa mais afastada no canto, ela nem sequer me notou a observando a medida em que ela partia. Notei seu caminhar desajeitado e a maneira na qual se atrapalhou ao empurrar a porta pesada de vidro por conta do caderno que segurava. Era como se a mais breve brisa pudesse derrubá-la; ou como se a cidade grande estivesse prestes a engoli-la.

Mas, mesmo a observando pessoalmente algo em minha intuição feminina gritava para que eu me mantivesse alerta.

— Aqui está, doutora Thompson. — a senhora disse, chamando de volta minha atenção.

— Ah, obrigada. — balbuciei e logo em seguida tomei um pequeno gole do meu suco,

Ela sorriu em resposta e olhou de relance para a saída. — Aquela que acabou de sair é a minha nova garçonete, Isabella Swan. — comentou — Uma boa menina e bem inteligente, sabia? Está na Columbia com uma bolsa integral em Jornalismo. Além daqui, tem mais dois empregos que a ajudam a se manter na cidade.

Assenti distraída e mordi meu sanduíche, achando que aquela seria a deixa que a velhota seguisse seu rumo. Mas para minha frustração, ela continuou. — Ela é muito focada. Com certeza irá encontrar um estágio decente e não passará muito mais tempo por aqui.

— Bom para ela. — respondi friamente, já sentindo meu estomago embrulhado com a conversa daquela senhora.

Não satisfeita, a senhora continuou. — Outra coisa que pude perceber nesse pouco tempo com a Bella é que ela é muito tímida, sabe? Do tipo que ficaria mortificada se alguma cena ocorresse por causa de algo que a coitada sequer tem culpa. Ela odeia ser alvo de fofocas maldosas.

Encarei friamente aquela mulher por um bom tempo, sem acreditar na ousadia daquela velha. Sério que ela estava me lançado indiretas? Justo para uma médica chefe? Será que ela tinha noção de com quem ela estava falando?

Seus olhos claros, já acinzentados pelo tempo continuaram a me fitar desafiadoramente e eu retribui seu olhar por um bom tempo, avaliando a mulher que agia protetoramente com aquela que poderia ser minha rival. Nunca fui do tipo que chegaria a ponto de fazer um escândalo, mas só pelo desaforo dessa vovozinha até que esta ideia me parecia bastante atrativa naquele instante

. — Sra.… Jinn, certo? — falei, logo após observar o nome escrito em seu crachá. — Percebi que estou completamente sem fome. Poder me dizer quanto lhe devo?

Ela sorriu, mas seus olhos continuaram duros. — Não se preocupe, doutora. A primeira visita de um médico à minha lanchonete sempre é por conta da casa.

— Sendo assim, com licença. — e nisso, me levantei e sem sequer me despedi, deixando meu almoço quase intocado em cima da pequena mesa.

Se havia alguma dúvida de que deveria sim ficar alerta, elas foram dissipadas logo após ter falado com a velha da lanchonete. Devia existir sim alguma coisa entre Edward e a garçonete, ou do contrário ela não teria feito questão de deixar seu recado. E eu não ia medir esforços até descobri absolutamente tudo sobre isso.

Peguei meu celular no bolso do meu jaleco e escrevi uma rápida mensagem de texto para Edward, intimando-o para nos encontrarmos ainda naquela noite. Não dava a mínima se ele já tinha feito planos ou se precisava estudar. Eu é que não iria me deixar ser enganada outra vez.

(...)

— Pow, a Bella é só minha amiga, Hannah. — Edward disse com um sorriso para logo em seguida tomar um gole de sua cerveja. — Não sei porquê tanta curiosidade em torno disso!

Estávamos no Cameron's um pequeno pub próximo ao hospital que servia quase como ponto de encontro dos funcionários após o expediente. Uma vez que Edward se recusou a ir até minha casa, decidido a ter que estudar ainda naquela noite, nós marcamos de nos ver aqui no bar assim que acabasse nosso plantão. Eu o esperei por quase uma hora inteira e quando estava prestes a pegar meu carro e ir até o apartamento dele, Edward chegou atrasado, me lançando uma desculpa esfarrapada sobre uma emergência de última hora.

— Eu andei escutando algumas coisas essa manhã sobre seu repentino fascínio por essa garçonete. — murmurei, brincando com a azeitona no fundo daquele que era meu quinto Martini.

— E desde quando você se importa com as fofocas do Presbyterian? — ele inquiriu, erguendo uma das sobrancelhas.

— Geralmente onde há fumaça tem fogo. — Disparei, agora tomando um grande gole de minha bebida.

— Ela nova na cidade e também veio de Washington, como eu. — disse dando de ombros. — É sarcástica, inteligente e sincera. O gosto musical é meio duvidoso, mas o senso de humor compensa qualquer coisa.

— Nossa. Quantos elogios. — sibilei cheia de veneno.

— Olha, não é porque sou amigo de uma mulher bonita que isso significa que eu tenha segundas intenções.

— Você a acha bonita?

— E quem não a acharia? — ele disse retoricamente para depois completar — Dá pra perceber que ela é linda mesmo com aquela farda feia do caralho que ela precisa usar na lanchonete.

Linda? — eu retruquei descaradamente. — Com aquelas roupas jecas e maltrapilhas? Eu acho que não.

Ele tomou outro gole de sua bebida para depois dizer com um sorriso travesso. — Quando eu olho para ela, a roupa é a última coisa pela qual eu me importo.

— E você diz isso assim descaradamente?! — indaguei, o ciúme fazendo que minha voz subisse algumas oitavas.

Ele afastou sua garrafa de cerveja e me encarou friamente. — Que porra tá acontecendo com você, hein? Por que diabos você quer implicar com a garota?

— Eu não gosto dela. — Afirmei como isso pudesse justificar qualquer coisa.

Edward rolou os olhos. — Você nem a conhece, Hannah. Bella é legal pra caralho.

— Eu a vi hoje. — disse antes de virar de uma vez o restante do meu drink. — Parece a típica putinha maria-estetoscópio.

Os olhos deles se tornaram frios como gelo. — Nem ouse falar da Bella assim na minha frente.

— Que bonitinho, ele a defendendo! — disparei, o excesso de álcool que tinha ingerido fazendo com que ignorasse seu tom duro. — Você até já deve estar arrastando asas para ela, não é? Aposto que você já até a convidou para uma cervejinha após o expediente, como faz com todas as outras!

— E se eu tiver, qual é o problema? — Edward disse desafiadoramente. — Nós nunca fomos exclusivos, Hanna. Foi você mesma que disse que essa merda era só sexo!

Lancei meu rosto para perto do dele e apoiei minhas mãos no alto de suas coxas. — Exatamente, Você não precisa trepar com aquela garçonetezinha sem graça quando tem a mim.

Ele se desvencilhou de minhas mãos e ficou de pé. — Olha, para mim já chega. — colocou algumas notas na bancada e perguntou para um dos atendentes. — Por favor, pode arrumar um táxi para ela? Vou anotar o endereço, ok? Por favor, vê se despacha ela o quanto antes.

— Não! — eu disse, descendo da cadeira alta do bar aos tropeções. — Você vai me levar para casa agora e fazer amor comigo!

Edward terminou de rabiscar e empurrou o guardanapo na mão do rapaz que nos olhava desconfiado. Finalmente, ele virou-se em minha direção e me olhou com aquilo que só podia distinguir como desprezo. — Tenho coisa mais importante para fazer do que ouvi suas merdas, Hannah. Vê se cresce.

— Edward, volta aqui! — eu gritei, fazendo com que todo bar virasse seus olhos em minha direção. — Eu sou sua chefe e quero você comigo agora.

Ele me ignorou completamente, sequer virando o rosto enquanto passava rapidamente pelas portas duplas da entrada do pub. Bufei de frustração quando o jovem garçom me perguntou se já poderia chamar o carro para me levar para casa e em resposta entreguei uma nota de dez dólares e pedi mais uma bebida.

Sem me importar com o ardor em minha garganta, tomei um grande gole do novo drink de uma única vez, tampouco me preocupando com a provável ressaca no dia seguinte. Só algumas boas doses de álcool fariam com que pudesse esquecer qualquer probabilidade de Edward estar interessado em alguém além de mim.

Se bem que, talvez estivesse criando caso por pouca coisa. Como ele mesmo dissera, não éramos exclusivos e eu sabia que Edward já havia ficado com outras mulheres do hospital nesse meio tempo em que estávamos meio que juntos. Quem sabe a amiguinha garçonete acabasse sendo apenas mais uma e no final, ele iria perceber que eu era a única mulher que o merecia. Que somente eu poderia entender e ama-lo por completo.

Sorri comigo mesma, voltando a bebericar meu Martini. Sim, Edward era jovem e ainda queria novas experiências e eu seria compreensiva e daria essa oportunidade para ele. No fundo, sabia que mais cedo ou mais tarde, ele sempre acabava voltando para mim.

Deixaria com que ele tivesse sua chance com a garçonete e assim que ele tivesse acabado com o novo brinquedinho, sabia que era a mim que ele iria procurar.

[...]

Junho 2008

Frustração. Essa era a palavra que me incomodava nas últimas semanas.

E tudo por causa deles. Edward e seu persistente encanto por Isabella Swan.

Havia perdido as contas de quantas vezes eu os observei os através da vidraça da cafeteria, sempre com sorrisos bobos, pequenos toques e olhares trocados cheios de segredos. Exatamente como um casalzinho adolescentes experimentando o amor pela primeira vez.

Era como se ela, com todo seu pouco glamour e destreza fizesse com que ele se tornasse um mero satélite que vivia pairando ao seu redor. Se ele não estava estudando ou atendendo algum paciente, lá estava ele ao lado dela. Seria ridículo se não fosse tão doloroso de observar.

Não sabia o motivo de Edward ter se atraído tanto por ela, o que me frustrava e me enchia de raiva em medidas iguais. Contudo, eu continuava com o firme propósito de esperar até que a suposta fascinação por ela tivesse por fim encerrado.

Após a noite em que fiquei bêbada no Cameron´s, Edward quis pôr um ponto final em nossos encontros. Com minha recém estratégia de fazer com que ele pudesse se relacionar com quem bem entendesse antes de voltar para mim, eu aceitei e até então seguia firme sendo somente a melhor mentora e chefe que ele poderia ter.

Entretanto, a cada dia se tornava mais complicado bancar a madura que tinha superado o caso com o jovem residente e seguido em frente. Confesso que havia momentos em que tinha que me controlar bastante para não invadir os encontros deles e puxar Edward para meus braços, porém sabia que isso faria com que ele se afastasse ainda mais de mim. Mas a paciência era uma virtude e eu estava disposta a adquiri-la.

Só que havia dias que a saudade do corpo dele junto ao meu era mais forte. Ainda mais quando fazia quase cinco dias que sequer o via pessoalmente.

Enfim, o exame de proficiência em pediatria dele tinha ocorrido no último final de semana e Edward precisou viajar para a Carolina do Norte para realizar as provas no local onde funcionava o Conselho Pediátrico Nacional. Eu mal tivera tempo de desejar boa sorte antes de ele sair, mas fiquei extremamente feliz ao trocar algumas mensagens de texto com ele há dois dias. Por mais que nossa conversa tenha sido exclusivamente sobre algumas dúvidas que surgiram durante o teste, era bom saber que em momentos tão importantes como estes, era eu quem ele procurava e não Isabella Swan.

Eu estava ansiosa para encontrá-lo ainda naquela manhã para lhe perguntar pessoalmente como ele tinha se saído e lhe contar as novidades do Diretor Geral para ele. O nome dele tinha sido indicado por todos do conselho hospitalar para continuar como médico titular do Presbyterian. Mal podia esperar para lhe dizer que seu desejo de trabalhar para um dos hospitais mais renomados do país iria se tornar realidade.

Meu bipe tocou alto, me chamando de volta para a realidade. Sai de minha sala as pressas assim que li a gravidade da situação que iria encarar: um acidente envolvendo uma caminhonete e um ônibus escolar. Corri apressada até a emergência, me preparando mentalmente para quantidade de crianças que iria atender nas próximas horas.

Ao chegar no local, escutei atentamente as instruções do chefe do trauma uma vez que ele era o mais capacitado para guiar situações como essas. Mesmo sendo especializada em clínica pediátrica, sabia que as mãos extras de qualquer médico que estivesse na emergência naquele instante poderiam ser imprescindíveis para salvar uma vida.

Não demorou muito para que as primeiras crianças começarem a chegar e lotar local. Por sorte, não havia casos de extrema gravidade: algumas fraturas leves, luxações, várias concussões e algumas pequenas suturas eram tudo que havia ocorrido, muito embora isso manteve boa parte dos profissionais ali ocupados.

Porém, o mais difícil mesmo de controlar foi a quantidade de pais e responsáveis que chegaram minutos após o acidente, todos preocupados com o estado de saúde das crianças. Controlar a ânsia de cada um deles e emitir diversos os boletins médicos foi o que fez aquela emergência se tornar o verdadeiro caos.

Estava terminando de analisar o raio-x do ombro de um pré-adolescente que reclamava de dor intensa quando percebi de soslaio Edward entrando apressado no local. Ele ainda estava terminando de vestir o avental descartável enquanto se dirigia até o Dr. Lewis, o chefe do trauma, para pegar as instruções necessárias antes finalmente de caminhar para um dos leitos e ler o prontuário de uma das acidentadas.

Ao notar que o garoto o qual atendia não havia quebrado nem tampouco tinha alguma luxação em osso algum, receitei-lhe um analgésico mais forte e enfim parti até a maca onde Edward atendia uma menininha que provavelmente não deveria ter mais do que seis anos, que chorava intensamente.

— Não chora, princesa. — Edward dizia, enquanto fazia a assepsia da pequena escoriação na testa dela. — Tenho certeza que irão achar sua pulseira lá no local do acidente e trazê-la para cá.

— A mamãe vai ficar tão braba comigo... — a garotinha choramingou, estremecendo levemente quando Edward atingiu uma área mais sensível. — Ela disse que foi um dinheirão!

— Aposto que sua mamãe vai ficar tão feliz em te ver bem que nem irá ligar para essa pulseira. — Edward disse com um sorriso enquanto avaliava a situação do ferimento e puxava do bolso de sua calça alguns curativos adesivos. — Agora me diz o que você prefere? Hello Kitty ou a Barbie?

Aproveitei a ocasião para me intrometer na pequena conversa deles. — Eu ficaria com a Barbie. É bem mais bonito.

Edward virou-se e me lançou um pequeno sorriso. — Olá, Dra. Thompson.

— Dr. Cullen.

A garotinha olhou entre nós dois e falou. — Acho que você doutora só prefere a Barbie só porque é bonita que nem ela!

Edward riu com gosto — Sim, você tem razão, Amy. — E então ele me olhou de relance e fingiu cochichar com a menininha. — Acho que essa ela mesma deve ser a Barbie Médica que ganhou vida, sabia?

— É verdade! Deve ser ela sim! — a menina gritou quase extasiada enquanto me olhava. — Vou querer o Band-Aid da Barbie Médica, Dr. Cullen!

Edward sorriu torto e me entregou o curativo. — Pode fazer as honras, Dra. Thompson?

— Claro. — Respondi enquanto eu mesma não podia negar minha própria empolgação com seu atual estado de espírito.

Enquanto aplicava o curativo, a mãe da garota chegou e Edward repassou o quadro da garotinha, que já estava praticamente liberada. Ele só rabiscou rapidamente sua rubrica na alta da menina, que saiu quicando feliz ao lado da sua mãe, que em momento nenhum tocou no assunto da pulseira perdida.

— Então Barbie Doutora, qual é o próximo caso? — ele indagou.

Rolei os olhos, enquanto caminhávamos até ao ponto de apoio, no centro da sala de emergência. — Você está com um ótimo humor para quem só precisava chegar ao hospital daqui a duas horas. Foi o acidente ou a prova final que te deixou assim?

Ele deu de ombros. — As duas coisas, eu acho. Sempre é bom começar o dia com algo grande como 35 crianças precisando de atendimento médico. E a prova foi assustadoramente mais fácil do que imaginava.

— Você se dedicou bastante, Edward. — eu comentei, tocando levemente seu antebraço com minhas mãos ansiosas. — Tenho certeza de que você se saiu muito bem.

— Isso ou eu me fudi completamente por conta de alguma porra de casca de banana que não tenha percebido. — ele retrucou, enquanto pegava mais um prontuário no balcão.

— Você vai ser aprovado. E nós poderíamos comemorar isso mais tarde lá no Cameron´s, o que acha?

Ele riu brevemente. — Porra, se eu passar mesmo nessa merda, acho que vou beber o que não bebi nesses últimos seis meses!

— Pode beber o quanto quiser porque eu garanto que te levo para casa. — disse com uma piscadela e já me direcionando para meu próximo caso. — Nos vemos mais tarde, Edward!

Mordi meus lábios a fim de evitar um sorriso e com o canto do olho notei que alguns funcionários haviam prestado atenção a nossa troca. Eu estava morrendo de curiosidade para ver a expressão dele, porém fui firme e evitei a todo custo fazer aquilo enquanto me dirigia para meu próximo paciente.

Eu já tinha esperado o suficiente; aquele era o momento de começar a agir. Agora não haviam mais motivos para que ele não passasse esta noite comigo.

Precisava urgentemente tomar de volta às rédeas do jogo antes que acabasse perdendo ainda mais espaço para a garçonete de quinta. E a aprovação dele seria a oportunidade perfeita para isso.

Voltei a me concentrar nos pequenos enfermos e já no final da manhã, a situação já havia se acalmado significativamente. Mais da metade das crianças que haviam chegado ao hospital já haviam sido liberadas, sobrando apenas cerca de meia dúzia as quais realmente inspiravam cuidados médicos.

Com tudo sobre controle na emergência, me dirigi de volta para minha sala com o intuito de concluir um artigo sobre neonatais o qual já estava protelando a publicação há meses, entretanto foi difícil me concentrar, uma vez que olhava para o meu e-mail a cada dois minutos.

Como eu era a chefe direta de Edward e de mais dois residentes em pediatria, a mensagem relatando a aprovação ou não deles seria também encaminhada para mim. Não sabia se minha ansiedade se devia ao fato de estar chefiando de forma direta uma turma de residentes pela primeira vez ou se era apenas a empolgação do que me aguarda com Edward mais tarde. O fato é que não pude evitar de roer as unhas a medida em que as horas se passavam e eu não recebia notícia alguma.

Por volta de quatro da tarde, finalmente recebi o alerta de uma nova mensagem e percebi minhas mãos trêmulas ao ver que ela havia sido enviada pelo Conselho Nacional de Pediatria. Com o coração acelerado, pulei o blá blá blá no corpo do e-mail e fui até a planilha anexada no final do texto. Meu sorriso ampliou-se assim que notei que todos tinham sido aprovados, porém o destaque ia para meu Edward o qual tinha garantido sua aprovação com uma nota excepcional.

Fechei o laptop de todo jeito e sai apressada em busca dele. Queria ser a primeira a compartilhar a notícia com ele e ver de perto seu sorriso feliz com a boa nova. Finalmente Edward era não só um médico devidamente registrado como estava livre enfim de tantos estudos.

Busquei-o primeiro na UTI neonatal para logo depois seguir até a enfermaria pediátrica onde não obtive sucesso. Estava prestes a seguir para a oncologia pediátrica quando uma das internas me parou e disse.

— O Dr. Cullen acabou de sair daqui. Ele pediu para avisar que estaria na cafeteria.

Naquele instante eu vi vermelho e sequer me importei em agradecer pela informação. Disparei até as escadas, não me importando em ter que descer três lances inteiros de degraus. O elevador do hospital era sempre cheio e naquele momento precisava ser rápida se queria contar a novidade sem precisar estar na frente daquela garçonete intrometida.

Mas ao visto meus esforços foram em vão porque assim que cheguei ao saguão próximo à lanchonete, vi Edward no corredor mostrando algo na tela do seu celular para Isabella. Ela soltou um gritinho empolgado para logo depois de se jogar na direção dele e abraçá-lo firmemente.

Continuei caminhando até onde eles estavam enquanto os dois se ainda se embalavam, com Edward rodopiando a garçonete fazendo com que ela risse alto. Foi somente quando estava a poucos passos de distância que eles se afastaram, mas ainda permanecendo de mãos entrelaçadas.

— Então, agora você tem um dívida comigo, mocinha. — Edward disse, trazendo suas mãos unidas para a altura do peito dele. — Lembra que você disse que se eu passasse na prova, nós poderíamos sair para comemorar?

— Edward… — a garçonete disparou, agora afastando suas mãos da dele. — Eu não posso.

— Porra, e porquê não, Bella? — ele retrucou, parecendo frustrado. — Caramba, eu acabei de me tornar um pediatra registado pelo conselho federal de medicina! Será que você vai ser expulsa da Columbia se deixar de estudar uma única noite e comemorar isso comigo?

— Não vou. Só que…

Ele sequer deixou com que ela completasse a frase. — Qual é o caralho do problema então?! Porque você faz tanto cu doce por conta de uma saída entre dois amigos?!

Finalmente, ela se afastou dele e disse com tom de raiva — Como é que é? Eu tô morrendo de medo de ser reprovada em alguma matéria nesse primeiro ano e você insinua dizer que tudo isso é só fingimento da minha parte?

— Não seja tão exagerada. — Ele alfinetou, irritado. — Um jantar de duas horas não reprova ninguém.

Ela cruzou os braços sobre seu peito e continuou — É fácil para você que já tem um emprego decente dizer isso! Você sabe que o quanto eu ralo em três lugares diferentes para conseguir grana e ainda ter que achar tempo para estudar! Se eu for reprovada, vou perder a minha bolsa de estudos, o que significa ter que voltar para Seattle com o rabo entre as pernas!

— Bella, …

— Não é fingimento, Edward. — Ela disse, com tom de pesar. — Olha, eu estou feliz de verdade por você, mas agora tenho que voltar para a cafeteria.

E com isso, ela se afastou dele e entrou na lanchonete, deixando-o sozinho no meio do corredor. Ele praguejou baixinho enquanto sua mão se enterrava em seus cabelos, bagunçando os fios rebeldes em frustração.

— Então esse é jogo dela? Se fazer de difícil? — retruquei, sorrateiramente atrás dele.

Ele pareceu levemente assustado com minha presença repentina, mas logo depois seus olhos se estreitaram. — Você estava escutando nossa conversa?

— Não pude evitar. — disse ao dar de ombros. — Agora sabe o que é engraçado nisso tudo? É que as palavras dela me soam bem familiares.

— O que você quer dizer, Hannah?

— Até pouco tempo atrás você mesmo me evitava dizendo que precisava estudar. — Falei, enquanto observava através da vidraça a garota atendendo um casal. — Você mais do que ninguém deveria saber que essa é desculpa do estudo é perfeita para dispensar alguém sem ser grosseiro. Ou você irá negar que não fez a mesma coisa comigo?

Edward colocou as mãos nos meus ombros e me virou em sua direção e a dor que vi em seus olhos quase fez com que voltasse atrás no que havia dito. Quase.

— Você acha que ela tem alguém? — ele balbuciou, alternando seu olhar entre mim e a garçonete — E por isso está me evitando?

E naquela pequena indagação dele, percebi que minha intuição estava certa: o que ele sentia era mais do que uma simples atração pelo novo; mais do que uma garota diferente para transar. Edward estava nutrindo sentimentos por Isabella e talvez nem ele mesmo tivesse noção disso.

E como se faz exatamente como uma erva daninha, precisava arrancar isso pela raiz.

— Bem, já que a tática de vocês é tão semelhante, talvez você mesmo já saiba a resposta, Edward.

Ele continuou paralisado mesmo lugar, observando Isabella com o olhar aturdido. Deveria me sentir mal por semear a dúvida em sua mente em um dos dias mais importantes de sua carreira, contudo sabia que minhas chances com ele seriam quase nulas se acaso ele continuasse interessado por ela.

Não sabia os verdadeiros motivos que faziam com que a garçonete recusasse a sair com ele, mas era tão óbvio quanto o sol nascer durante o amanhecer que ela o queria tanto quanto eu. Se Edward não conseguia enxergar o óbvio e Isabella iria bancar a inalcançável, eu mesma iria contribuir para que os dois não pudessem ficarem juntos.

Sorrindo comigo mesma, comecei a me virar e voltar pelo caminho por onde viera, mas não sem antes dizer. — E a propósito, parabéns pela aprovação. Talvez esteja na hora de pensar em outra desculpa se ainda quiser me despachar.

Finalmente, Edward voltou seus olhos para mim e disse. — Meu apartamento essa noite. Esteja lá às oito.

E assim, ele passou por mim apressado indo em direção aos elevadores. Sorri comigo mesma ao perceber que enfim, tinha agido da melhor forma ao minar a segurança de Edward. Afinal, é como diziam: no amor e na guerra tudo é válido.

Olhei mais uma vez em direção a lanchonete e fiquei surpresa ao perceber que Isabella estava me observando. Entretanto, antes que pudesse manter meu olhar, ela desviou o rosto e corou intensamente.

Ridícula.

Não sei porque tinha me preocupado tanto com ela. Óbvio que Isabella não tinha sido uma rival fácil, porém ela era inexperiente e não conhecia Edward como eu. Ela não sabia que por trás de toda a fachada de homem seguro e sedutor, Edward ainda era um cara inseguro que odiava ficar em segundo plano.

Ele sempre batalhou para ser o primeiro em tudo: foi o líder da turma na faculdade, o melhor residente e o único filho que havia seguido a carreira do renomado pai. Ele nunca aceitaria ser a segunda opção de uma garçonete. Nunca.

Agora cabia somente a mim fazer com que ele percebesse que eu, Hannah Thompson era a primeira e única escolha para ele.


O AMOR É UM CAMPO DE BATALHA MEXMO, MEUZAMORES!

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