Ela estava em um corredor escuro. Sua respiração estava suspensa, irritação e medo misturados em seu interior. Engoliu a vontade de chorar. Se soubesse que isso poderia acontecer, nunca teria saído daquele jeito.

Diggory tentara agarrá-la. Freneticamente.

Os dois estavam dançando – porque a ruiva tinha decidido agir com normalidade por uma noite – quando ele disse que precisava buscar o presente dela no carro. Ao chegar lá, ele tentara empurrá-la para o banco de trás. Tudo o que conseguiu, no entanto, foi uma joelhada nos países baixos. Correndo desesperadamente, Lily se esgueirou pelo colégio, escondendo-se em um dos corredores.

Ela iria morar ali a partir de agora.

Sentiu os olhos marejarem. Apesar da surpresa dos colegas (o que até que foi legal), Potter sequer lhe deu uma olhada. É claro que ele só teria olhos para Emme. Ela estava perfeita com aquele vestido vermelho. Incomparável.

Lily escorregou pela parede, segurando os joelhos contra seu peito. Ouviu passos e vozes, reconhecendo-as. Ainda que devesse sair dali, fazer sua presença ser reconhecida, ela não conseguiu sair do lugar.

_Não seja uma garota, Moony.

Ela podia vê-los. Lupin estava recostado em uma pilastra, sorrindo como o gato que comeu um canário. Black parecia realmente indignado, os braços cruzados. E Potter... Tão incrível naquela roupa. Tão bonito de colete. Tão perfeito. Ele não parecia estar prestando atenção na conversa.

Remus riu.

_O quê? Eu realmente não vou dormir com Lully. Ela é muito criança para isso.

Lily ficou realmente surpresa. Desde quando Remus dizia coisas assim? Ainda mais com aquela voz maliciosa? Bem, ela não o conhecia tanto assim afinal.

_Então você vai ficar sem nenhuma ação essa noite?

Black era tão nojento.

_Até parece. Carol esteve me fodendo com os olhos a noite inteira.

A ruiva tapou a boca, impedindo-se de soltar algum som que a identificasse. Garotos eram grosseiros. Lupin também pelo que ela acabara de descobrir.

_Carol vai levar o lobo mau para casa, é? E você, Prongs? Emme com certeza vai fazer tudo o que você quiser.

Ele balançou as sobrancelhas. Remus riu, mas James não esboçou reação alguma. Seus olhos ainda fixavam o nada, sua expressão quase sonhadora.

Sirius, revirando os olhos, bateu em sua cabeça. Isso o despertou.

_Ai, idiota! Pra quê essa violência toda?

_Pare de viajar. Nós estávamos falando do quão gostosa está sua garota. Os seios dela... – e Sirius colocou as duas mãos na frente do peito, representando-os.

Remus riu, assentindo enfaticamente. James, ainda massageando sua cabeça dolorida, deu de ombros.

Os dois, Black e Lupin, pararam de rir quando viram James voltar a ter a mesma expressão de antes, o que lhe rendeu outro tapa.

_Onde você está, afinal? No mundo da lua?

Eles ignoraram os resmungos do rapaz.

_Ou no mundo da Evans?

O comentário de Remus teve o efeito esperado. James arregalou os olhos, as bochechas levemente avermelhadas. E um sorriso bobo se fixou em seus lábios.

Lily assistiu aquilo com dobrado interesse, seu coração acelerado, a garganta seca.

_Ela está tão linda, não está?

Seu tom sonhador fez os outros dois balançarem a cabeça.

_Eu não diria isso – Sirius comentou – eu diria gostosa.

A próxima coisa que viu foi James vindo em sua direção, o punho alinhado com o seu nariz. Remus esticou seus braços, puxando o amigo irritado para trás.

_Não fale assim dela! – sua voz era feroz, borbulhando em raiva.

Sirius jogou as mãos para o alto em sinal de rendição.

_Maldição, James, eu pensei que você a tivesse superado.

A observação de Remus o acalmou. Ele recuou alguns passos, assentindo lentamente. Ele tinha. Ele tinha.

_Sim, eu só não... Não importa. Eu quero dormir.

_Dormir? – Sirius estava incrédulo – você está de sacanagem, não é? Emme está toda gostosa e você está querendo dormir?

Remus colocou uma mão no ombro de Black, apertando-o.

_Vamos deixar James clarear um pouco a cabeça – ele puxou Sirius para fora – nós estaremos te esperando aqui fora, Prongs.

James assentiu, agradecendo internamente. Encostou-se contra a parede, passando a mão pelo cabelo, sentindo-se suado e sujo. Ele queria um banho. E dormir. Só. Emme teria que se contentar com isso hoje. Pela primeira vez, ele não estava no clima.

Ela estava tão bonita com aquele vestido. Ele sorriu. O cabelo vermelho tão vivo e brilhante. As curvas perfeitas bem ali, visíveis. E, seu punho se fechou, com um idiota a acompanhando. Diggory era um ser estúpido, nem um pouco merecedor de estar com ela. Ele observou como o outro a olhava. Amus só queria uma coisa. Inferno, ele não a trataria assim! Ele iria adorá-la. Venerá-la. Amá-la. Parte por parte. Sempre.

Lily respirou fundo. Não iria pensar duas vezes, se o fizesse iria recuar. Ela não pensaria em Emme e em mais ninguém. Ela só queria sentir... Uma vez. Ela queria que eles fossem apenas Lily e James, pelo menos uma vez. Então, juntando toda a sua força de vontade, ela o puxou para aquele canto escuro e escondido. Ele não conseguia vê-la, o que era uma benção. Ao vê-lo abrir a boca, provavelmente para xingar, Lily fez.

Ela o beijou.

Suas mãos puxaram aquele colete que o deixava sexy e seus lábios se encostaram. Apenas isso. Três coisas aconteceram a seguir: James inspirou profundamente, sua mão se deslocou até seu seio esquerdo – provavelmente conferindo se era uma menina – e um sorriso se formou em seus lábios.

E ele a beijou de volta.

Os braços dele a rodearam, trazendo-a ainda mais para perto. Ela enlaçou seu pescoço, seus corpos pressionados. Lentamente, ele tocou seus lábios com a língua, pedindo-lhe passagem. Ela concedeu. Então o beijo deixou de ser gentil. Eles se devoravam. Era como se ele tivesse tanta fome por esse beijo quanto ela. Pressionado contra a parede, ele deixou suas mãos acariciarem as costas nua dela. Um carinho lento e delicado, eficaz em enlouquecê-la. Em resposta, Lily puxou seu cabelo, gemendo baixinho. O som o fez gemer também e, antes que ela percebesse, ele estava com uma mão na curva do seu bumbum, apertando.

Ela gemeu mais alto. Mesmo assim, sorrindo, tirou a mão dele dali. Ele sorriu de volta, andando com ela, até que a ruiva estivesse contra a parede. Ao mesmo tempo em que mordeu o lábio inferior dele, ela apalpou seu bumbum. Tratou-se de justiça.

Ele riu e gemeu ao mesmo tempo, beijando-a ainda com mais ardor.

_Eu não me importo de ser apalpado – a voz dele era rouca, provocando arrepios com a boca dele tão perto de sua orelha.

Ela ofegou quando ele começou a mordiscá-la e espalhar beijos longos e molhados pelo seu pescoço. Lily cravou as unhas em seus ombros, ofegante.

Beijar James Potter era como o paraíso. E ela nunca se esqueceria disso. Era como uma lembrança para levar. A mais incrível e quente lembrança da sua vida.

Ela estava tão envolvida que não se importou quando ele deu uma rápida mordida em seu pescoço. Aquilo deixaria uma marca. Em resposta, ela arranhou seu pescoço e voltou a colar seus lábios nos dele.

_Prongs? Hey, virgem, venha logo.

O chamado de Sirius veio como um grito. O casal se separou, ofegante. James levou alguns segundos para registrar o pedido do amigo e mais alguns outros para pensar.

_Estou indo – ele gritou – venha me encontrar amanhã, okay? Só venha, por favor, eu quero ver você.

Ela assentiu, mesmo que ele não pudesse ver e alarmes soassem em sua mente.

Observando-o se afastar, ela pensou no que faria amanhã.

No final das contas, sua preocupação foi vã.

No dia seguinte, Petúnia chegou chorando em casa. Shelly Vance havia morrido na noite anterior, ao voltar de carro de uma festa entre as amigas. Benjy não estava com ela. Shelly Vance, prestes a se casar, irmã de Emme, havia morrido.

Lily sentiu seu coração se apertar. Em culpa e compaixão.

Ela havia traído sua melhor amiga. Mesmo que elas não estivessem mais se falando, ela ainda era especial. Ela foi ao enterro, observando como Emme parecia desolada, sem vida. Era quase como se ela tivesse partido junto com a irmã. James, ao lado dela, a abraçava, sustentando-a. O coração da ruiva apertou em dor e culpa. Após um breve abraço nos pais de Shelly, ela se dirigiu até Emme. Sem saber o que dizer ou como agir. Ao chegar perto dela, a loira apenas acenou com a cabeça, ignorando os braços da ruiva. Lily percebeu, naquele momento, que precisava patir. A amiga não estava sozinha. Não iria sentir sua falta.

Em um piscar de olhos, Lily arrumou sua mala e ligou para um serviço de táxi. Ela não poderia olhar para Emme agora. Ela era uma traidora. E uma fraca. E foi embora para Londres, determinada a afastar sua mente dali. Deles. Do que fizera. Ela iria começar uma nova vida.

~~O~~

~~ James~~

Praguejei baixinho quando pisei em algo pontudo. Jesus. Isso dói. Meu pé deveria estar sangrando. Abaixei-me, forçando meus olhos a enxergarem naquela escuridão. Uma bota vermelha de barbie entrou em meu campo de visão. Quantas vezes eu tinha de dizer a Sophie para guardar seus brinquedos? Por que ela não podia ser organizada como Harry?

Ainda bem que eu tinha comprado aquelas coisas que brilhavam no escuro. A casa poderia ficar ainda mais assustadora sem isso. Eu tive que pensar em algo, dado que Harry costumava se esgueirar até minha cama em algumas noites. Principalmente quando havia tempestades. Eram noites agitadas. O garoto se mexia durante o sono e, para uma criança, ele ocupava muito espaço. E, ao acordar, sempre havia um sabre de luz apontado para o meu rosto. Uma das maravilhas da paternidade.

Por isso, quando Harry reclamou do quanto a casa era assustadora de noite e que ele não conseguiria mais ir ao meu quarto se continuasse assim, eu tive que ir atrás de objetos brilhantes. Eles eram até agradáveis. Mesmo o alienígena torto sem cabeça. Era o meu preferido.

Desci as escadas, pulando num pé só e tropeçando no último degrau. Hoje não era o meu dia. Puxei minha calça de moletom até meu joelho, sentindo meu tornozelo doer com a batida inevitável contra a cômoda. Isso não era o suficiente para me impedir. Assim que cheguei ao porão, me movi silenciosamente. Descendo mais escadas, ouvi o ronco de Pads. Ninguém aceitou que ele dormisse no andar de cima, visto que os sons os quais produzia não eram impedidos por uma parede. Era por isso que nós sempre levávamos duas barracas quando íamos acampar. Enfim, embora houvesse mais dois quartos, Sirius disse algo sobre assombrações e resolveu ficar com o sótão. Ele tinha a esperança de se tornar um Ghost Buster.

Não era à toa que nós nos tornamos melhores amigos. Eu o fiz jurar que se isso acontecesse, hipoteticamente – é claro –, nós iríamos dividir as lutas e os louros.

Subi em cima da sua cama, desesperado. Se fosse qualquer outro dia, eu até faria alguma gracinha, mas, naquele momento, só conseguia pensar que iria explodir. Não tinha a menor ideia do que fazer. Ou melhor, não tinha a menor ideia do que tinha feito. Do que quase fiz. Não havia nada em minha mente naquele momento. Eu culpo o cheiro inebriante que emanava dela. A sua pele macia, os olhos tão verdes como uma floresta, os lábios rosados e o cheiro de baunilha que ela sempre teve.

Eu estava tão ferrado. Tão. Tão ferrado.

Porque, sim, eu queria terminar o que tinha começado. Eu queria continuar de onde havíamos sido interrompidos. Muito. Desesperadamente.

Chutei Pads no quadril.

_Acorda, idiota.

_Agora não, mãe.

Revirei meus olhos. Eu não tinha dúvidas de que ele estava se referindo à minha mãe.

Chutei-o de novo.

_Anda, Pads, é urgente.

_Foi culpa do James!

Abaixei meu tronco, exasperado. É lógico que ele jogaria a culpa em mim, como se ainda tivéssemos 16 anos. Graças a Deus essa época tinha passado. Eu me diverti, sim, mas Deus sabe que os últimos anos da minha adolescência não foram exatamente bons.

Chutei-o pela terceira vez, o que provocou uma reação nele. Pads se virou para o meu lado, se aconchegando a mim e pegando o meu pé. Ri descontroladamente quando ele passou a beijar meu pé com a meia. Após pegar meu celular e tirar uma foto – aquela iria aparecer em uma data especial – eu decidi mover meu pé até sua barriga. E comecei a fazer cócegas. Ele iria acordar logo. Era seu ponto fraco. Baixei meus olhos até seu quadril quando algo me chamou atenção. Arregalei os olhos ao ver que "aquilo" estava em pé e se aproximava de mim. Com um grito, me desequilibrei e cai no colchão, o peso fazendo com que Pads subisse e rolasse para o lado, caindo da cama. Isso o acordou enfim.

_Caralho! O quê...? Merda, Prongs! Qual o problema, retardado?

Puxei seu travesseiro enquanto ele se instalava na outra extremidade da cama. Estirei um dedo em sua direção.

_Seu tarado. Você estava apontando sua banana nanica na direção do meu pé.

Senti-o se mover até seu abajur, que parecia uma cerveja, acendendo a luz.

_Primeiro – ele tirou o cabelo dos olhos – Poseidon nunca pode ser chamado de pequeno e você sabe. Segundo – ele veio até mim, empurrando-me para o lado – o que você quer? Eu estava no meio de um sonho muito bom.

Eu poderia dizer isso pela maneira com que ele lambeu meu pé.

Dei de ombros.

_Eu preciso conversar.

Sufoquei um grito quando o idiota me deu um murro no braço.

_E daí? Espere até amanhã, porra! Agora é hora de dormir. Vai, vai, vai fazer naninha.

Idiota. Revidei seu murro, rindo em seguida.

_É alerta vermelho, meu caro. Eu realmente preciso de vocês.

Todo o sorriso se esvaiu do meu rosto enquanto observava Sirius bocejar e esfregar seus olhos.

_Onde está Moony, então?

Voltei a sorrir, puxando meu celular pela segunda vez. Balancei-o na frente de Sirius, vendo quando ele compreendeu. Ligamos no celular de Remus, rindo. Isso porque tínhamos mudado todos os toques do telefone dele sem que soubesse. O meu toque era Girls just wanna have fun e eu tinha colocado para tocar no último volume. Eu precisava, no entanto, pegar o celular de Dorcas e ligar para ele. Macho man precisava tocar quando ele estivesse numa reunião de professores. Sim, eu precisava me certificar disso acontecer.

Pulei da cama ao ouvir o celular de Remus tocar. Estava muito perto. Coloquei a mão na boca de Sirius, impedindo-o de gritar, quando Remus abriu a porta. O pequeno sorrateiro.

_Seus idiotas! – ele riu, jogando uma almofada na nossa direção – Cindy Lauper?

Foi o suficiente para Sirius se levantar.

_Hey! Ela era gostosa.

_Nós sabemos, Pads. Não existe uma garota que você não ache gostosa.

Sirius cruzou os braços.

_Isso, meu caro Prongs, não é verdade. Há garotas como Jane, por exemplo.

Remus riu abertamente, fechando a porta com suavidade.

_Você já saiu com ela, no entanto.

Rimos quando Sirius estremeceu visivelmente. Embora eu gostasse de provocá-lo o suficiente para vê-lo perder a calma, no momento, eu não tinha tempo para isso.

_Heeeey, alerta vermelho! Vamos conversar.

Bati na cama, deixando claro que queria que eles se sentassem. Ignorei quando os dois suspiraram audivelmente porque eles fizeram o que pedi.

_Como você soube que Prongs estava aqui?

Remus riu.

_James é silencioso como um elefante com um espinho na pata.

Revirei meus olhos. Idiotas. Ainda mais idiotas porque eu não podia contestar essa afirmação.

_Então, qual é o problema?

Abri a boca para introduzir toda a minha situação ao mesmo tempo em que Sirius bufava.

_Nós sabemos que o problema é a Lily.

Era visível, pelo visto.

Respirei fundo, pensando em como diria aquilo. Abri a boca mais duas vezes, mas nenhum som saiu. Minhas mãos já estavam em meu cabelo. Tudo bem, sem rodeios, nada de falar feito mulherzinha...

_Euachoqueeuaindagostodela.

Suspirei, aliviado. Deus Pai, isso tinha sido difícil. Mas, uma vez para fora, eu realmente me sentia mais leve.

Levantei o rosto, encontrando um Remus conhecedor e um Sirius confuso.

_O quê...?

_Ele disse que ainda gosta dela.

_Eu disse que eu acho que ainda gosto dela.

Havia uma grande diferença aí.

_E por que você acha isso, James?

A pergunta de Remus não era nem um pouco difícil de ser respondida.

_Eu não paro de pensar nela! – confessei – Digo, quando acordo, eu penso nela. Quando vou dormir, penso nela. Se eu e Fleur nos beijamos, penso nela. Isso está saindo do controle!

Eu não era mais a porra de um adolescente, obrigado. Isso tinha de parar.

_E quando você e Fleur... – Sirius terminou a frase com um balançar de sobrancelhas.

Gemi. Ficava pior a cada hora.

_Nós não – respondi, minhas mãos voando até meu cabelo – Nada de sexo desde que eu soube que Lily viria para cá.

Dava para soar mais fracassado do que eu?

_Espere – Sirius levantou as duas mãos – você está me dizendo que pensar nela é como pensar na mãe? Digo, empata foda na hora?

Eu, felizmente, não precisei responder. Remus socou seu ombro por mim.

_Não seja mais idiota do que já é, Padfoot. James está dizendo que ele queria que fosse a Lily com ele. Jesus, você cresce e continua um retardado.

_Só para constar, Moony, eu...

Estreitei meus olhos.

_Vocês poderiam continuar a dança do acasalamento depois? Eu estou com um problema aqui!

Pads abanou a mão num gesto de descaso.

_Não se preocupe. Nós não vamos exclui-lo do nosso amor.

Remus bateu nele. Novamente. E o ignorou.

_Qual é o problema exatamente, James?

Jesus, eu estava cercado de idiotas!

_Você escutou o que eu disse? Eu não paro de pensar nela! E, droga, arranco meu dedo fora se eu não quase a beijei hoje.

Isso sim pareceu atrair a atenção deles.

_O quê?

_Na livraria?

Sirius não pareceu surpreso.

_Como você...?

É claro que ele sabia.

_Considerando toda a tensão sexual daquele lugar, você parecendo que tinha visto um fantasma e Lily mais vermelha que um pimentão... Bom, não foi difícil juntar as peças. E Marley disse que nós obviamente tínhamos atrapalhado o que seria um amasso quente.

Sim, teria sido.

Mas, que droga!

_Tudo bem, Prongs. Nada de desespero – desdenhei de seu conselho – por que você não segue o fluxo?

_Que merda de conselho é esse, Oprah? – Sirius quase gritou.

Eu tinha de concordar com ele.

Remus deu de ombros, parecendo ligeiramente aborrecido.

_O que estou dizendo é: conviva com ela. Se esse sentimento continuar, aja.

Arregalei os olhos. Aja? Como...?

_Agir como pegar ela de jeito?

_Eu não diria com essas palavras, Sirius, mas sim – os olhos azuis de Remus pousaram em mim – talvez isso acabe com todos os sentimentos.

_Ou piore.

_Você só vai saber se tentar. Droga, James, você tem essa paixão por ela desde que éramos crianças! Nem que dure uma semana, faça! Até dormindo você fala sobre ela. É preciso agir.

Balancei minha cabeça, meio incrédulo por Moony estar me dizendo aquilo.

_Lily não se envolveria comigo. Vocês sabem disso. Ela me odiava e acho que não gostaria de sair com o pai dos filhos da antiga melhor amiga dela.

Não, eu podia ver bem como ela reagiria a isso. Culpa.

Diante do meu desabafo, Pads riu.

_Ela poderia te odiar, mas claramente não o faz agora. Você tem que ser muito cego pra não ver o jeito que ela te olha. Acredite em mim, pequeno padawan, ela está interessada. Muito.

_Quanto ao problema de verdade, sobre como ela se sente sobre Emme, você vai ter que lidar com isso – ou seja, Remus estava jogando a responsabilidade para cima de mim.

_Sim. Nós sabemos que você está fora de forma sobre como paquerar uma mulher, então...

Dei uma cotovelada em Sirius, impedindo-o de continuar.

_Vou pensar nisso.

E eu realmente iria. Aquela conversa me tinha dado sobre o que pensar. Eu seria capaz de jogar fora um relacionamento estável por alguns dias com a garota pela qual eu fora apaixonado por muitos anos? Eu não deveria focar tanto nisso, primeiro precisava ver como Lily me "olhava". E não era como se eu pudesse jogar tudo para o alto e esquecer que tinha dois filhos e...

_E você, Moony? Ainda na corda bamba com a Dorquitas?

As palavras de Sirius trouxeram minha mente de volta. Eu sabia que, além do interesse no bem estar de Remus, ele tinha uma intenção mais profunda.

Nós sabíamos que Dorcas, provavelmente, iria terminar com ele. Depois do que fizemos, pelo menos, isso pareceu ser óbvio quando ela concordou e disse que o deixaria ser livre. Eu acabei por me surpreender. Realmente achei que ela tentaria esse lance de relacionamento à distância.

O que estávamos preparando era uma surpresa. Anos atrás, quando descobri que tinha duas crianças para criar sozinho, Remus e Sirius ficaram ao meu lado. Moony abriu mão do sonho de fazer medicina e estudou biologia em uma faculdade aqui perto. E, enquanto eu era grato, com a consciência de que faria o mesmo se a situação fosse inversa, não tinha como me livrar do sentimento de culpa. Então, eu fui atrás de Dumbledore. Eu e Sirius enviamos o histórico de Remus para uma universidade em Londres, junto com um vídeo de quando ele estava no último ano do ensino médio no qual ele falava sobre o que queria para o seu futuro. Alvo ligara para o reitor que, felizmente, era seu amigo, para marcar uma reunião. Que seria nesse sábado. Na qual eu e Sirius combinamos de estar presente.

Era hora de mudar, eu penso. Não que Remus reclamasse, ele nunca faria algo do tipo, mas nós não conseguiríamos viver se ele passasse a vida inteira sem fazer o que realmente queria. E Sirius argumentou que, assim, ele iria para Londres mais vezes. Em busca de garotas, obviamente.

_O mesmo de sempre. Ela está estranha, no entanto. Muito estranha.

Eu não a culparia por isso.

_Talvez ela só precise de um tempo.

_Talvez – mas via-se de longe que ele não estava convencido.

_Bem, nós já acabamos aqui ou vamos começar a fazer trancinhas nos cabelos? Juro, estou sentindo ovários nascendo em mim.

Remus riu, empurrando Sirius para fora da cama enquanto eu apenas revirava os olhos.

_Isso não me surpreenderia.

_Cale-se, Prongs.

_Ele só está com ciúmes porque da última vez foi o único a ficar sem esmalte.

Revirei os olhos novamente, mexendo em meu cabelo. Eles eram tão idiotas.

_Vocês são dois fodidos!

Comecei a rir no entanto. E ainda estava rindo quando entrei em meu quarto, ofegando de susto quando encontrei Harry sentado em minha cama, os olhos abertos.

_Jesus, Harry! Você ainda me mata do coração.

Cocei minha cabeça, enroscando-me no colchão, trazendo-o para junto de mim. Fechei os olhos, mexendo em seu cabelo, esperando que ele dormisse.

Sua voz dançou até meu ouvido após alguns minutos.

_Papai...

_Uhn?

_Como você sabe quando gosta de uma garota?

Abri um olho, bocejando, mas me obriguei a ficar desperto. Era a primeira vez que ele conversava comigo sobre isso.

_Você está gostando da irmã do Ron?

A que tinha babado nele. Eu deveria ter filmado sua reação e, assim, mostrar a ele quando fizesse 15 anos. Eu colocaria o vídeo em um telão. Balancei a cabeça, isso seria um trauma, penso. Ainda bem que não filmei nada, então.

_Não! Não. Ela é diferente, papai. Ela é tão bonita. E eu sinto como se tivesse um E.T na minha barriga.

Segurei o riso. Um extraterrestre? Sim, eu podia me identificar.

_Isso significa que você gosta dela.

_É o que você sente com a Fleur, pai?

Paralisei, momentaneamente surpreso. Eu me esquecia do quão perspicaz Harry de conseguia ser. Seus olhos verdes deveriam estar bem abertos, ansiosos por uma resposta.

_Não.

Nada de mentiras entre nós. Era o nosso acordo. Embora eu omitisse alguns fatos, mentiras não eram aceitas. Por isso a história de Sophie sobre Lily ser a pequena sereia me daria trabalho. Muito trabalho.

Harry colocou uma de suas mãozinhas em meu rosto.

_Eu espero que você encontre alguém que o faça sentir isso, pai.

Sorri diante da seriedade em sua voz. Beijei sua testa de leve, bem em cima da cicatriz que ele ganhara quando caíra, num jogo de futebol, em cima de um caco de vidro. O corte tinha sido feio e ele não tinha gostado da cicatriz em forma de raio que ficara. Isso mudou, no entanto, quando Pads afirmou que era algo muito legal, ele parecia Zeus com seu raio mestre. E também ajudou que Sophie tenha dito que ele ficara ainda mais bonito.

Puxei-o para mais perto, cantarolando uma cantiga de ninar.

Xxx

~~ Lily ~~

Eu não precisei convencer Marlene a ir ao Três Vassouras. Na verdade, ela já sabia sobre o bar e queria vê-lo. E beber. Muito. Já que na festa de noivado da minha irmã ela teria que se comportar. Palavras dela.

Eu não fiquei preocupada sobre apresentar Petúnia a ela. Minha irmã quase desmaiou quando a conheceu. Você podia ver que ela era uma fã. Tinha todas as edições da Luxury em seu quarto. Sequer precisei perguntar se Lene poderia ir à sua festa no sábado. Petúnia a convidou depois de dois minutos e, assim que Lene disse sobre citar a sua festa na revista, ela adquiriu um olhar que eu reconheci. Euforia.

Dorcas estava estranha. Ela não iria sair com Remus hoje, pretendia ficar em casa. Tentei fazê-la mudar de ideia, mas foi inútil. Ela parecia triste. E não era agradável vê-la assim. Marlene e eu, muito sabiamente, chegamos à conclusão de que ela estava com problemas no relacionamento. Talvez o fato dela ter se recusado a falar sobre Remus tenha ajudado.

Após passar o resto da tarde na livraria, mais fofocando comigo do que fazendo seu trabalho, Marlene correu para o banheiro quando chegamos. Não era preciso ser um gênio para saber por que ela queria se arrumar tanto. Embora eu conhecesse Marlene muito bem, não podia dizer que não sentia certo receio. Só esperava que ela não se deixasse ficar cega pelo Black como tantas outras já tinham ficado. Não era uma situação bonita.

Quando chegamos ao bar, umas nove horas, eu diria que Lene tinha vindo para matar. Ela usava uma saia de cintura alta, azul, junto com uma blusa branca de cetim. Seus saltos, quinze centímetros, eram pretos e lindos. O cabelo dela estava metade preso, descendo como uma cascata. Nada de muita maquiagem, apenas olhos destacados. Minha roupa, por outro lado, não me fazia parecer uma princesa sensual, mas eu gostava. Jeans preto e uma blusinha verde, o cabelo preso numa trança. Estava Ok.

Minha amiga reagiu do jeito que eu esperava. Ela simplesmente ficou encantada. Balbuciou sobre o quão incrível era aquele bar e que Black deveria ir para Londres. E colocar Remus e James para trabalharem com ele. Seria o estabelecimento mais frequentado. Ela tinha um ponto aí. Eu poderia ver toda a população feminina de Londres indo até esse bar.

Graças a Deus ela já tinha recuperado a compostura quando Black fez seu caminho até nós. E, felizmente, ela o analisou discretamente. Sorrindo, ele jogou seus braços em nossos ombros, andando no meio de nós duas.

_Olá, senhoritas – pela minha visão periférica, vi quando ele se inclinou e mordeu o queixo de Marlene. Decoro, seu nome não é Sirius Black – O que achou do meu bar, Marley?

_Marley? – desvencilhei-me de seu abraço – como Marley e Eu?

Ele tinha a apelidado com um nome de cachorro? E por que Marlene não estava brigando com ele ou algo assim?

_Eu gosto desse filme! – ele exclamou como uma criança de dez anos.

Revirei meus olhos, ainda chocada por Lene não tê-lo colocado em seu lugar e apenas sustentar um sorriso em seu rosto.

_Deixe que ele me apelide com um nome fofo. Isso só irá voltar e mordê-lo no traseiro toda vez que eu agir completamente não-fofa.

Black apenas riu, jogando o seu braço livre em volta da cintura dela. Devagar, no entanto, Marlene se livrou do seu aperto.

_Vá trabalhar, idiota. E eu quero um Cosmopolitan.

Uma bebida audaciosa para uma mulher audaciosa.

_Sim, querida, o que você precisar.

E, assim, ele piscou para ela, dando um tapa em seu bumbum. A surpresa de Marlene foi evidente, mas ela não teve tempo de reagir, pois Black já tinha voltado para o balcão. No entanto, eu sabia que aquilo teria volta.

Mas, sério, eu precisava mesmo ver isso?

_Vamos beber! – com essa exclamação, Lene me puxou para uma mesa.

_Fale por si mesma. Eu, com certeza, não irei beber.

Marlene apenas riu, seus olhos azuis cintilando com as recordações. Nós nos sentamos, jogando alguma conversa fora, escutando Livin'On A Prayer* [Bon Jovi] e esperando pelas bebidas. Um Cosmopolitan e uma água com gás. Sorri quando percebi Rosmerta vindo em nossa direção. Meu sorriso morreu, no entanto, quando seu olhar encontrou o meu. Era como se ela estivesse me vendo nua, o que foi bem perturbador. Senti um chute em minha canela e sabia que Lene nunca deixaria isso passar.

_Hey, Lily.

Eu percebi que ela estava carregando os pedidos do jeito que eu havia ensinado.

_Oi, Rosmerta. Tudo bem?

Sim, eu tinha que continuar a conversa.

O sorriso que ela me devolveu era deslumbrante. A garota sabia ser bonita.

_Tudo ótimo! Obrigada pelos conselhos, aliás. Você salvou minha vida.

Chutei Marlene na canela quando ela começou a tossir, escondendo sua óbvia diversão. Minha amiga pareceu atrair a atenção de Rosmerta e vi o sorriso desta diminuir. É claro. Não era a primeira pessoa a pensar que nós éramos um casal. Houve aquela vez em que, numa festa de fraternidade, um ex dela espalhou a história de que estávamos juntas. Marlene simplesmente me agarrou num abraço muito apertado – que quase me matou por falta de ar – e perguntou em alto e bom som se algum cara queria um ménage. Não deu dois segundos, eu tinha saído daquele lugar, arrastando minha amiga bêbada comigo.

_Eu sou Marlene, amiga da Lily. É um prazer conhecê-la.

Abençoada seja Marlene. Rosmerta era uma garota muito bacana e eu realmente não queria refutá-la ou algo assim, mas ela não era mesmo meu tipo. Não mesmo. Eu tinha certeza, no entanto, de que ela não precisava de muita ajuda para arrumar outras garotas, a menina tinha charme.

Sorrindo, puxei a mão de Lene na minha, só para afastar qualquer dúvida.

_O prazer é meu – ela colocou uma mecha de seu cabelo atrás da orelha – aqui estão seus pedidos. Mais alguma coisa?

Marlene a dispensou com um aceno.

E eu suspirei.

_Você é uma destruidora de corações!

Tentei manter uma expressão séria, mas foi inútil.

_É uma maldição.

Rimos.

_Eu vejo.

Sobressaltei-me. Não, não fora Marlene quem disse isso. Em pé, ao meu lado, estavam James e Remus. Os dois exibiam um sorriso muito irritante no rosto. E, sem pedir porque ele era assim, James se sentou ao meu lado. Remus, mais educado, fez um gesto como se pedindo nossa permissão e ocupou o lugar ao lado de Lene.

_Nós achamos, numa época, que ela estivesse afim do Sirius, sabe? Depois percebemos que era na Dorcas que ela estava interessada.

Ri, assim como Lene, embora o som que saiu de mim poderia ter vindo de uma hiena.

Droga. Eu estava nervosa. O que ele fazia aqui? Ele não tinha uma namorada? Onde estava ela? Por que ele tinha que estar tão cheiroso? Maldito seja James Potter e seu cabelo revolto, seu sorriso brilhante e suas covinhas. E aqueles óculos que eu queria ver embaçados devido a respirações erráticas e suor e...

Eu estava mal. Muito mal.

Tentei me concentrar em alguma outra coisa. Não no ex-namorado de Emme e pai dos filhos dela. Isso era tão errado. Como sempre tinha sido.

Ele sequer parecia afetado pelo nosso quase beijo de ontem.

_Onde está Fleur? – minha boca traiçoeira cuspiu essas palavras antes que eu pudesse me impedir.

Vi Marlene estreitar os olhos levemente, dando um sorriso apertado. Eu sabia o que aquilo significava. Pare de agir assim.

James apenas deu de ombros, seu cheiro invadindo meu espaço. Era amadeirado, forte, mas suave. Fechei meus olhos, sentindo outro chute na canela logo em seguida. Graças a Deus por Marlene.

Remus apontou para o palco improvisado. Lá, vi Fleur e Jane conversando e rindo. Elas iriam cantar.

_Noite do karaokê. Elas sempre cantam.

Assenti porque... O que mais eu poderia fazer?

Quando a batida começou, assim como os assovios, eu tive que admitir. A francesa sabia como ser sensual. As duas não cantavam tão bem assim, mas acho que a escolha da música ajudou. Era aquela da Rihanna sobre correntes e algemas. Came on, came on... Bem... Sexy. Jane até forçava um pouco, mas ela não era tão natural quanto Fleur.

Sticks and stones may break my bones

But chains and whips excite me

Tão sexy quanto ela estava, eu me surpreendi por James estar tão concentrado na nossa conversa.

_Você deveria vir conosco, Marlene. Nós mostraremos todas as fotos e vídeos do Sirius.

_São hilárias – Remus acrescentou.

Os olhos de Marlene brilharam. Sim, ela estava interessada. Muito.

_Eu aposto que são. Lily, por que você nunca me mostrou uma foto dele?

Arqueei uma sobrancelha.

_Por que eu teria uma foto do Black? Não preciso disso para espantar ratos.

_Hey, Evans! Minha foto nunca seria usada para espantar ratos – tão silencioso quanto uma cobra, Sirius se sentou à mesa, empurrando James para ainda mais perto de mim – e pare de me chamar de Black. Nós já somos melhores amigos!

Bem nesse momento, pois tudo sempre pode piorar, Peyton e Tuney pararam ao nosso lado. Eu podia sentir o desejo de morte que Peyton sentia por mim.

_Oi, Marlene! Nos encontramos de novo! Legal o bar, não é?

Gemi. Minha irmã parecia uma fã que tinha acabado de encontrar seu ídolo.

Marlene apenas sorriu, sem mostrar os dentes.

_Tudo bem, Petúnia? Sim, é um ótimo estabelecimento.

E piscou em direção à Sirius. Isso atraiu a atenção de Peyton. Sim, amiga, você está dirigindo seu ódio para a pessoa errada.

_Lily, eu realmente acho que você deveria cantar!

A voz de Peyton se sobressaiu por dois motivos. Ela praticamente gritou e a música havia acabado. Eu sequer tentei forçar um sorriso. Sabia que ela estava se lembrando daquele festival no qual eu vergonhosamente gaguejei e fugi.

_Eu realmente não acho que...

_Pessoal, eu gostaria que vocês se preparassem para minha grande amiga, Lily Evans! – a voz de Jane chegou até meus ouvidos – suba aqui, Lily! E mostre-nos o seu talento!

Suspirei, balançando a cabeça enquanto todo o bar olhava para mim. Eu não iria cantar.

_Sim, ela está um pouco assustada, pessoal. É normal ter medo, querida, mas ninguém vai rir de você.

Era o que ela já estava fazendo.

Marlene se inclinou em minha direção.

_Qual é o problema? Você canta feito um canário, Red. Vamos lá. Eu quero agitar!

E se levantou, passando por cima de Remus e me esperando. Torci minhas mãos, tentando passar por cima de Potter e Black.

_Quebre a perna* - Potter sussurrou para mim, o que me fez sorrir.

[*expressão usada no teatro para desejar sorte]

_Acho que isso só funciona no teatro.

Ele apenas deu de ombros.

Sim, aquela atitude dele estava me confundindo. Ele parecia tão amigável e isso me matava. Eu preferia que ele mantivesse distância, seria mais seguro.

Quando cheguei ao "palco", Jane sorria.

_Você e sua amiga vão cantar?

Pelo visto ela já havia superado a euforia de estar perto de uma editora famosa.

_Não foi você que a convidou?

Jane sorriu ainda mais.

_Quando você for deixada por ela, saiba que eu posso ser uma grande amiga.

Foi como um soco no estômago.

Olhei para o lado oposto, sentindo um gosto amargo em minha boca. Nunca teria fim. Nunca seria o suficiente. Aquilo sempre me atormentaria. Me assombraria.

Marlene, sem saber do que ela falava, limitou-se a se postar atrás do microfone.

Fleur veio em minha direção. Ela não parecia irritada.

_Sinto muito por aquilo que disse. James me explicou tudo.

Tudo? O quanto ele havia chegado a contar? Engoli em seco, sem saber como falar, então apenas sorri. Isso pareceu ser o suficiente, dado que ela sorriu de volta e caminhou até James. Como uma rainha.

Balancei minha cabeça, observando Marlene escolher uma música. Proud Mary. Eu deveria saber. Nós a cantávamos quando eu trabalhava no Bar do Joe. Nós duas e Tonks íamos tão bem que, muitas vezes, chegávamos a monopolizar o microfone.

A melodia encheu meus ouvidos. Vi os olhos de Marlene fixos em mim quando ela começou a cantar. Eu podia fazer isso. Eu podia fazer isso. De olhos fechados, juntei-me à ela.

Left a good job in the city

Workin' for the man every night and day

And I never lost one minute of sleeping

And I was worried about the way things

Might have been

Nós começávamos bem lentamente, como a própria música fazia. Então, quando a batida acelerou, aceleramos também. Marlene tinha uma voz agradável, forte. Peguei um violão, dado que não tinha como a melodia funcionar para o que faríamos a seguir. Comecei a tocar e logo Marlene pausou o DVD. Meus olhos, já abertos, se concentravam em um ponto na parede.

Big wheels Keep on turnin

Proud Mary kepps on burnin'

Então eu vinha.

I need a hero

E Marlene continuava

And we're rollin'

I'm holding out for a hero 'til the end of

The night

Rollin, rollin, rollin on the river

Era a nossa jogada preferida. Começar com Tina Tuner e terminar cm Bonnie Tyler. Eu sempre fui apaixonada por essas duas músicas.

Meus olhos vagaram pelo bar. Um sorriso presunçoso surgiu em meus lábios quando peguei o olhar de Jane e companhia. Comecei minha parte sozinha.

Where have all good men gone

And where are all the gods?

Se eu pudesse elogiar algo que possuía, sem sombra de dúvida, seria a minha voz. Talvez porque já havia sido elogiada tantas vezes, eu me tornei um pouco arrogante em relação a isso. Durou apenas um tempo, até quando eu fui recusada no único lugar do qual queria fazer parte. A orquestra filarmônica.

He's gotta be Strong

And he's gotta be fast

And he's gotta be fresh from the fight

Quando, enfim, a música terminou, diante dos assovios, Marlene se inclinou.

_Obrigada, senhoras e senhores. Se você tiver realmente gostado da performance, pague-nos uma bebida.

Eu ri. Ela sempre fazia isso quando cantávamos no Joe.

Eu recebi vários tapinhas em minhas costas quando chegamos à mesa. Marlene, é claro, piscava para todos os caras, fosse feio ou bonito, casado ou solteiro. Ela era a destruidora de corações, não eu.

Eu ainda estava em pé, observando Sirius se levantar e passar um braço ao redor da cintura de Lene. Ele tinha uma expressão peculiar em seu rosto. Bem difícil de decifrar.

_Isso foi incrível, Sis!

Sorri. Petúnia já havia me ouvido cantar, mas não daquele jeito. Eram sempre canções infantis quando nós estávamos juntas. E sem todo aquele show.

Peyton sequer olhou em minha direção. Ela estava muito ocupada olhando para a mão de Black na cintura da minha amiga.

_Você foi ótima, Evans.

O elogio de Potter aqueceu meu coração. Deus, que coisa estúpida. Mas foi o que eu senti. Meu sorriso poderia ter rasgado o meu rosto, principalmente porque vi como ele e Fleur estavam afastados. Sim, meu coração traidor acelerou com esse fato.

_Você achou? – entusiasmo transbordou em minha voz.

Eu levei um bom tempo para entender por que a mesa ficou em silêncio tão logo abri minha boca. Antes que eu pudesse falar mais alguma idiotice, Lene me puxou pelo braço.

_Meu Deus, olha a hora! – e riu – tenho que terminar meu artigo. Adeus, pessoal.

Calmamente, sem expressar a pressa que sentia, ela me guiou para fora dali. Caminhamos um bom tempo em silêncio, sentindo um arrepio na nuca. Não porque finalmente compreendi a minha estupidez, mas porque eu tinha a ligeira impressão de que alguém estava nos seguindo.

Marlene, no entanto, parecia não notar isso.

_Você enlouqueceu? Lily, você só deixou claro, pra todo mundo, em letras garrafais e neón que você quer enfiar a língua na garganta dele.

Estremeci. Sim, eu percebi o que tinha feito.

Eu poderia lidar com isso, certo? Eu só deveria evitá-lo.

_Não! Eu trabalho para ele! Como vou evitá-lo?

Na festa de noivado seria fácil. Eu só tomaria todo o cuidado para sequer chegar a dois metros de distância dele.

Mas o trabalho...

Marlene balançou a cabeça enfaticamente.

_Nada de evitá-lo. Você vai fingir que isso nunca aconteceu.

Suspirei. Sabia qual era o problema ali para Marlene. Não era James saber da minha paixão ridícula por ele, mas sim toda a cidade ficar sabendo.

_E arrumar um cara.

_Tudo bem... Espere, o quê?

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Sirius, ovários nunca nasceriam em você! Kkkkkkk

Não se preocupem, essa história de arrumar um cara não vai dar em nada, mas não percam o próximo capítulo. Eu acho que ele será dividido em duas partes, a festa de noivado virá só no treze, mas ele será surpreendente.

Então, qual é o veredicto para o que Lily fez? Vocês a odeiam agora? Ta tudo quase explicado, mas vocês vão ver que Emme também estava escondendo segredos da ruiva. Eu vou expor toda a parte da Lily no próximo cap e logo, bem logo, James irá revelar o que ele sabe sobre essa época.

Ah, a propósito, Carol Gregol me perguntou sobre o quão intensas seriam as cenas de James e Lily. Então, a classificação é T devido ao linguajar e às insinuações sexuais. Mas eu não escrevo lemons. Acho que é algo que deve ser bem escrito – como eu mesma já vi, sendo que não era nem um pouco grosseiro – e eu, com certeza, não faria isso bem. Sugerir, eis o sonho. Eu sou meio simbolista nesse quesito.

Antes de responder aos reviews, pessoal, muito obrigada por todos os comentários! Sejam críticas ou elogios, eu amo ler o que vocês estão pensando sobre a história. E amei todos os reviews do cap passado. Então, vamos a eles!

Marina: Que bom que está gostando! *-* Marlene é demais mesmo! Kkkkkkkkk Eu me identifico com isso, ela tem muita resistência para conseguir não agarrar o Sirius! Nós já teríamos pulado, chamado ele de lagartixa e o jogado na parede O.o Beeejs*

Sra. Black: Eu estou me sentindo especial mesmo! *-* Aaah, obrigada! Kkkkkkkk Muita tensão pra esses dois! Acho que eles não aguentam muito tempo, e você? Ta apostando nisso tbm? Não nesse, mas no próximo... HOHOHO Então, pov James. O que achou? O que será que ele decidiu? *Curiosa*. Kkkkkkkkkkk Marlene e Sirius são meus cutes. Eles eliminam todo o drama, graças a Deus! Atualizei! E nem demorei tanto, certo? Muuuito grata pelo coments, chica. Beeejos*

Jeen V: Tah de boa, nega! :D kkkkkkkkkkkkkkkk Você é a amiga louca, né? Kkkkkkkkkkkk Tua amiga fica tentando por juízo na tua cabeça também? Aposto que não funciona ;) Você viu uma recaída total. Melhor do que isso, ela está aceitando e reconhecendo o que sente por ele. Sim, sim, eu entendo. A gente meio que já vê imperfeições no dia a dia, então, gostamos de histórias perfeitas. A minha não será perfeita, mas eu te garanto algo: nada de triângulos ou vilã tentando separar os mocinhos. Eu sempre odiei isso. :S E não é que pensávamos? Não pensávamos em nossos erros. Heey, não se preocupe, eu sempre gostei de filosofia :] Beeejs, gata!

MBlack: Heey, obrigada! *-* Não se preocupe, tudo será explicado. Se eu não conseguir me expressar bem, esclarecerei todas as dúvidas dos reviews :D Uhum, eu também me incomodo com o pai dela e você verá algumas lembranças que a deixarão ainda mais irritada. Sério. Mas, Lene é mesmo incrível! ^^ De boa se você me mandou review duas vezes! Nesse tinha algumas coisas que você não tinha dito no anterior... Beeejos, gata*

Maga do 4: De booa! *-* Aaah, obrigada! Fico feliz que esteja gostando :D Você suspeitou? Bateu com o que você pensou? Fique ligada que o próximo vai surpreender ;) Beeejs*

Ritha P.W.B.Z.M. Potter: Nossa, mas, assim, como você faz se tem expressões diferentes? *Curiosa* Também é o meu preferido... Por enquanto ;) Beejs*

Srta Rosadas: *-* Que bom que gostou! Foi também o que eu mais gostei de escrever até agora! Até agora, mais pra frente eu já não sei... Sophie é realmente uma fofa! E mandona kkkkkkk Você tem um bom ponto aí, minha cara! E Emme também escondeu segredos da Lily, mas esta não descobriu completamente porque elas acabaram se afastando. Quanto ao James, lembre-se que ele não sabia que a Lily gostava dele... Não que isso justifique, eu acho. Kkkkkkkkkkkk Quem consegue? Ele é bom demais para o seu próprio bem! Que é isso? Eu amo seus coments! *-* Obg :D É um nome bonito mesmo! O meu só me dá trabalho. Galbardi. Todo mundo ou chama Galhardi, Garibaldi (SQN, né?), Garbaldi... É uma tristeza :[ kkkkkk Beeejs, gata*

Karinne: Pode dizer sim! ;) Eu concordo com você. Sem palavra para o Sirius, ele é incrível mesmo. Assim como a Lene. E então, acha que essa tensão entre James e Lily dura muito? Eu acho que isso pode resultar em beijos mais cedo que o esperado... ^^ Beeejs, gata*

Marina: Lene chegou quebrando a banca! (Há! Nem sei direito o que isso significa kkkk). Sirius Black sempre foi nosso queridinho ^^ Liindo. ;) Jesus, boa sorte com isso! Semana de provas é pra matar qualquer um. Necessita-se de férias! Beeejs*

Liz Paz: Eu sei que você gostou.. ^^ kkkkkkkkk Pra ficar melhor só se saísse do quase, né? Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Jesus, eu nem tinha pensado nisso! Mas, uhnnn, é bem provável que tenha sido para onde ele foi... kkkkkkkk Eu concordo. Ela é mesmo! :D Beejos, gata, obg pelo review :*

LaahB: Siim! O que achou do POV dele? :D

Ada: kkkkkkkkkkkkkkkkkk Melhor coisa, né? A gente não espera e aí acontece. EU TAMBÉM QUERO ELES SE PEGANDO! ^^ E, acredite, não vai demorar. Nem um pouco. Não envolve álcool, mas será realmente que ele não sabe? Oooooh! ;) Não nesse, mas no próximo... Abundância de crianças Potter!*-* Beeejs*

Carol Gregol: Nem se preocupe. Tah de boas! A viagem foi boa? Você foi para a praia? *-* Quem prendeu a Lily? Acredite, você irá ficar surpresa... E Lily nem quis desmentir isso, né? Sophie me mata. Lily mentirosa... Tsc, Tsc ^^ kkkkkkk Não se descabele, no próximo teremos Harry e Lily. E algumas surpresas... Sim, Emme errou nisso e em outra coisa, mas Lily também pisou feio na bola, huh? Jesus, que bando de adolescentes complicados! Não me conte ainda de qual lado você está, mais para frente terá alguns segredos de Emme revelados. Ooooh! E não é? Digo, ela deveria ter percebido que havia algo errado, porque a Lily parou de falar com ela do dia para a noite! Suspeito. Kkkkkkkkkkkkkk Marlene e Sirius são dois sanduíches fora do piquenique. E esse tapa na bunda que ele deu nela. Como será que ela vai se vingar? Geeente, calma, Fleur não dará nenhum trabalho. Veja só ;) kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Olha, eu não queria dizer nada, mas você está mesmo louquinha! Tudo bem, as melhores pessoas são assim. E eu te entendo. Deus sabe o quanto eu já pedi pelos marotos estarem comigo. Uma tristeza kkkkkkkkkkkkk Sim, eu também me identifico com a Lily. Eu provavelmente teria as mesmas atitudes dela. Eu passei por uma situação parecida e, acredite, não foi bonito. Enfiiim, continuei! :D Graande Beeejo, gata*

Delly Black Fenix: Então, a Lily queria o James, mas ela achava que ele só estava brincando com ela... O que, vamos dizer, era parte da reputação dele. Putz, você percebeu! *DancinhadaVitória* Sim, Benjy estava muito interessado na Emme... Uhn... Suspeitas... Eu sei, só mesmo! Um cara desses? Nunquinha na minha vida :[ Fazer o q, né? Kkkkkk Você sabe? Eu nunca tinha pensado dessa forma, mas depois que você falou, comecei a ver as semelhanças. Realmente, Hiny e Jilly são iguais, mas opostos. E, honestamente, eu odiei o modo como Ginny foi colocada no filme. Assim como fizeram parecer que James era um vilão, atormentando o Snape. Snape nunca foi flor que se cheire nãão... Siim, acho que ele a conhece bem, huh? Ainda que eles estejam diferentes e há tanto tempo sem se ver... kkkkkkkkkkkkkkk Pobre Fleur, já não tinha chances contra a Lily, menos ainda agora que a Sophie está do lado da ruiva. Jesus, mulher, você é boa nisso de adivinhação! Sim, Tuney está nos escondendo alguns segredos... E sobre isso, será uma surpresa...

Ele foi ao banheiro. James, quero dizer. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Não, Marlene e Sirius não prestam. Morri de rir sobre a parte dela querendo mostrar as mensagens dele. Eu também acho isso sobre Snily. Nada deles como casal, isso me assusta. Mesmo. Sim, Lily e Emme erraram feio! Eu me identifico com essa situação. Deus Pai. Sim! Vai ter Tonks! Talvez, do jeito que você ta boa nisso, você descubra como ela irá aparecer com base em algo que James revelou ;) Sinto muito, mas não tive. Mas, agora, virão as férias! Então, mais agilidade nas att.! Beeejos, chica*