A verdade

Rony, Harry e Gina retornaram para a sala. Todos estavam em silêncio.

Gina se jogou numa cadeira, pensativa. Harry ficou de pé com o olhar perdido, enquanto Rony guardava tudo e depois se sentou de frente para a irmã.

Gina aproximou mais, apoiou a cabeça nas mãos e olhou bem para Rony.

-Rony... –sua voz estava fraca após presenciar todas aquelas cenas.

-Você não matou Rose. –foi Harry quem completou a frase.

Rony suspirou e esfregou o rosto.

-Vocês podem perceber que eu e Hermione tivemos visões diferentes e de ângulos diferentes. Eu sabia o que estava fazendo. É claro que eu não arriscaria a vida de nenhuma das duas. Hermione devia ter pensado que eu queria acertar o cara que vinha da escada, mas ela já havia sumido. E eu deduzi que ela não viu que havia outro com total acesso a Rose. Nessa hora ela me gritava cada vez mais alto.

"O cara estava a um milímetro de distância de Rose, e eu tinha que tentar. Quando eu lancei o feitiço, outro me surpreendeu, o que me fez desequilibrar e o meu próprio feitiço não saiu como eu queria. Ele conseguiu desviar."

-Nesse meio tempo ele estava livre para lançar o feitiço em Rose e fugir, logo em seguida. –Harry completou.

Rony ficou olhando para o amigo, totalmente desolado.

-Sim.

De certa forma aquela única palavra de Rony fez Gina aliviar toda a tensão que instalara em seu corpo nas últimas horas.

-Quando eu vi que Rose estava caída eu me questionei: "Será que eu acertei a minha própria filha?". No fundo, no fundo, eu sabia que não, mas naquele momento a dúvida me consumiu. Quando eu me aproximei a primeira pergunta de Hermione foi : "O que você fez?" Eu estava confuso e não sabia o que dizer. Hermione não parava de repetir que eu a tinha matado, que ela tinha me gritado para não lançar o feitiço, que foi tudo a minha culpa. Eu tentei clarear minha mente, tentei conversar com ela, mas ela não queria me ouvir. E ela disse que nunca poderia me perdoar.

"Até então, eu acreditava que eu tinha matado Rose com minhas próprias mãos. Eu acho que eu queria acreditar nisso, para merecer as palavras de Hermione. Então eu extraí a memória daquele dia e a guardei. Poucos dias antes de Hermione ir para a casa que eu tinha alugado, eu assistia a tudo vezes e mais vezes tentando de alguma forma enfiar na minha cabeça que não fora eu! Eu não matei Rose! Eu não matei minha filha! Mas independente disso, eu merecia tudo o que Hermione tinha dito. Eu não a protegi, eu não a salvei! Deixei que Rose morresse na minha frente! No momento que ela realmente precisou de mim, eu não a ajudei! Deixei que aquele homem a matasse!"

Rony sentia sua garganta cada vez mais apertada. Sua vontade de extravasar todo aquele engano, aquele pequeno erro que possibilitou a morte de sua filha, era grande. Suas lágrimas vieram sofridas e sem aviso prévio. Nada poderia trazê-la de volta. Nem ela nem Hermione.

Gina o abraçou e esperou que se acalmasse. Podia entender a culpa que ele atribuía a si próprio. Mas ela não o culpava. Rony fizera tudo o que estivera em seu alcance. A morte de Rose não era sua culpa.

Harry se jogou na poltrona no canto, totalmente abalado. Como Rony pode conviver com esse sentimento todo esse tempo, sendo que não era sua culpa? Ele não matara Rose! E sua morte não era sua culpa! E agora ele pode entender uma coisa que Rony havia dito: "Hermione deveria pensar duas vezes antes de tomar suas decisões."

Depois de longos minutos, Rony enxugou o rosto e respirou fundo.

-Eu tentei conversar com Hermione. –voltou a falar de repente. –Ela não quis me ouvir. E num dia, ela havia ido embora, deixando apenas um bilhete.

-Rony, porque você não insistiu! Porque você não foi atrás dela e a forçou a ver tudo o que vimos? –Gina perguntou agitada.

-Eu precisava de um tempo, Gina. Precisava de um tempo comigo mesmo. Depois de perder Rose, eu tinha medo de perder Hermione. E eu sabia que isso ia acontecer. Perdi Hermione por uma interpretação errônea. Mas dois anos depois do acontecido, eu a procurei na casa do Sr. e Sra. Granger. Ela não quis me ver. E então eu desisti. Esse era o preço que eu pagaria por não proteger Rose.

-PARA COM ISSO, RONY! –Harry gritou de repente. – VOCÊ NÃO É O CULPADO! VOCÊ NÃO TEM E NÃO PODE SE CULPAR! –parou com o coração aos pulos, ofegante. Rony não demonstrou ter aceitado o apelo de Harry.

Harry caminhou até ele sentindo raiva de ambos os amigos por provocarem todo aquele sofrimento e afastamento. Um se condenando e a outra o condenando. Isso não estava certo.

-Porque você não nos contou? Porque você não veio até nós? –Harry perguntou, agachado de frente ao amigo.

-Eu achei que ela fosse me denunciar. Mas ela não o fez. E então eu decidi me esconder. Eu não queria que ninguém descobrisse o meu fracasso. Tinha medo que todos acreditassem nela, que a minha prova não valesse de nada. Então eu preferi me calar.

-Idiotice da sua parte!- Harry falou revoltado. – Que droga, Rony! –falou mais calmo. –Tudo isso poderia ter sido evitado. Você poderia ter tido uma vida!

-Harry... –Gina chamou tentando acalma-lo.

-Ele tem que entender, Gina!

-Agora já foi! Já passou! Não tem como voltar atrás! –falou com a voz dura.

-Essa foi a minha escolha, Harry! Eu causei a morte de Rose, e estou pagando um preço por isso.

-Para você também! –Gina falou atordoada. –Para de falar que você a matou ou que causou a morte dela! – Gina pegou a face de Rony entre suas mãos e falou como se introduzisse as palavras na cabeça do irmão: - Você não teve culpa, você não a matou, você fez tudo o que podia! Entenda isso de uma vez por todas!

O silêncio tomou conta do cômodo. Os três absortos em seus próprios pensamentos. Rony observava os dois andando de um lado para o outro, de certa forma, aliviado. Há quanto tempo desejou botar tudo para fora, se aliviar daquele peso que carregava? Mas nada adiantaria, nem as palavras de Harry nem as de Gina, ele se culparia pelo resto da vida. E não descansaria até achar o culpado.

-O homem tirou a máscara. –Harry comentou de repente.

-Sim, eu me lembro bem do rosto dele, mas não é um que eu reconheça.

-Eu também não.

-Esse ataque não foi à toa, Harry. Você sabe que até hoje tem ex- comensais da morte soltos por ai. Mas nenhum até hoje tentara algo assim. Não depois da guerra.

Gina que estivera andando de um lado para o outro, chamou a atenção dos dois homens, que passaram a observá-la.

-Ok. –Gina falou depois de um tempo, parando de chofre. –Precisamos achar Hermione. Ela precisa ver o que está nesse vidro.

Rony ficou em silêncio diante da fala da irmã. Seria uma boa ideia? Seria o certo a se fazer?

-E não me interessa se você quer ou não, Rony! Isso vai parar nas mãos de Hermione! –num movimento rápido, Gina pegou o frasco em cima da mesa.

-Porque mostrar isso a ela agora? Já está tudo acabado! Não vejo razão para isso!

-Pois eu vejo! E muitas! Se você se culpa, Hermione tem que saber o quão estúpida foi em não ter te ouvido e ter tomado decisões precipitadas! Todo mundo erra, Rony, e Hermione tem que ter conhecimento do erro dela.

-Chega de fugir, chega de se esconder. A verdade virá à tona, Rony. –Harry falou sentindo a adrenalina tomar conta de seu corpo.

N/A: Ooiiiii, pessoal!

Então está ai mais um capítulo para vocês!

Espero que gostemmm!

Um beijo grande a todossss!