Título: Olhar e Tocar

Beta: Scheila Potter Malfoy

Nota: queria pedir sinceras desculpas por ter desaparecido nesses últimos dias, diz-se um mês mais ou menos. Aconteceram algumas coisas e por motivos de força maior não pude me dedicar a escrever e fiquei sem poder responder algumas reviews que me enviaram no prólogo de Enter in the Heart e em outras fics já concluídas. Àqueles que me enviaram reviews em outras fics em andamento, mas que está sem atualização, queria dizer que não desisti e que estou escrevendo o cap 6 de Segunda Chance, o cap 8 de Despedaçando e o cap 2 de Enter in the Heart, apenas Espelho D'água está encalhado, mas não penso em desistir dela. Pra quem está esperando o último capítulo de Caminho do Coração queria informar que ele já está com a Bibis pra betagem.


Capítulo 11 – Um loiro para dois morenos

Severus Snape era um homem frio, rígido e com perfeito domínio das emoções. Nunca se deixou sucumbir por sentimentos baixos e vulgares, como o carinho, a piedade, a compaixão, a caridade e o amor...

Sua vida foi sofrida, difícil de superar para a maioria das crianças, mas para ele, não... Era um homem de fibra, por assim dizer.

E mestiço...

Mestiço como Harry Potter...

Mas em sua época, ser um mestiço era muito mais complicado, pois as influências dos nascidos trouxas ou dos amantes de muggles ainda eram escassas e quase sempre os tradicionalistas imperavam.

O lado bruxo puro-sangue de sua família fora deserdada e maldita, assim como aconteceu com Andrômeda Black ou o próprio Regulus Black, assassinado... Da parte muggle, eram pobres coitados...

Agora, por mais que quisesse negar a si mesmo, sabia que estava mudado, que ele havia conseguido muda-lo de dentro pra fora...

Suspirou, olhando para a porta em que se encontrava Max e Draco. Eles deveriam estar certamente numa conversa descontraída, ou assim desejava fervorosamente, pois Draco estava muito devasso depois da curta vivência com o Potter imbecil, desbocado, maníaco sexual e réplica deformada de James.

Só esperava que Max não houvesse herdado o lado depravado do original Potter.

Pensando em Potter, ele era um completo canalha sexualmente ativo, mas quando juntava Draco no meio, ele ficava insano. Era como se seu afilhado desse uma dose extra de hormônios afrodisíacos para o desgraçado, o tornando muito mais assanhado do que já era por natureza - se corrigiu mentalmente; depois da guerra.

Lembrou-se de quando Remus trouxe o jovem desacordado... Fazia frio e chovia muito naquela noite. Quando abriu a porta se surpreendeu ao vê-los encharcados das cabeças aos pés.

No começo não reconheceu o adolescente nos braços do lupino, mas assim que este acomodou o rapaz em seu sofá e a fina manta que o cobria foi retirada, reconheceu de pronto.

Ali estava Harry Potter, mas com um quê que lhe recordava a Tom Riddle em sua adolescência, pois o cabelo, apesar de negro era liso e fino, quase como os de um Malfoy, mas escuros e era de um branco leite, e não de um tom levemente dourado, como era a pele de um Potter.


Remus sorriu ao ver que o ex-espião não pronunciava palavra, apenas se mantinha olhando ao estranho Potter.

- Precisa cura-lo, ele tem algumas seqüelas e não acorda.

- Não era para estar no St. Mungus?

Remus negou com a cabeça, o semblante se tornando triste e culpado. – Harry está no St. Mungus e em um estado critico... Ninguém consegue se aproximar de seu corpo para trata-lo.

- Então... – Os olhos negros se voltaram rapidamente ao rapaz inconsciente em seu sofá.

- Este é apenas mais uma vítima da guerra e preciso que cuide dele por mim... Por favor, Severus... – Foram as palavras que Lupin usou, antes de deixar a casa de Snape com o pretexto de ir com Potter.

- Mas quem é ele? –O professor ainda alcançou a dizer e obteve um sorriso do castanho.

- Ainda não sei ao certo...

Sozinho, Severus voltou a fechar a porta e renovar o feitiço na lareira, aumentando assim o calor no cômodo.

Seus olhos se pousaram sobre o rapaz inconsciente e suspirou profundamente. Sempre sobrava para si o trabalho mais difícil.

Depois de trocá-lo e acomoda-lo devidamente aquecido em um dos quartos de sua casa, passou a examina-lo e curar alguns dos ferimentos expostos.

O jovem ficou um mês no mesmo estado inconsciente, até que em uma noite, o viu se mover pela primeira vez.

Lia um dos livros de poções avançadas e artes escuras sentado em sua poltrona favorita frente à lareira do quarto, quando ele moveu o braço agarrando o lençol com força.

Deixou a leitura de lado e se aproximou para ver o que sucedia, quando recebeu o impacto dos olhos verdes tão Potter que o desconcertou. Se este não era Harry Potter, quem seria então?

- Pode me ouvir? Compreende-me? – Tentou algo de comunicação, vendo como o rapaz estava desorientado, mas de todas as formas ele focou a atenção em si.

E sorriu...

Não era um sorriso superficial nem deslocado, era um sorriso de alívio, carinho e alegria por vê-lo. Essa reação por si só já lhe fez pestanejar várias vezes sem entender. O que sucedeu depois foi um choque absoluto.

O jovem moreno se abraçou em seu corpo como não querendo que o deixasse, como se o simples fato de soltá-lo, pudesse evaporar e sumir.

- Estou com medo... – Foram as primeiras palavras que o jovem pronunciou.

- Está tudo bem... Ninguém irá machuca-lo aqui... – Tentou volta-lo à cama, bem longe de si, mas o rapaz insistiu em manter sua túnica presa em uma das mãos.

Depois dessa estranha interação, os dias seguintes não foram diferentes. Snape tinha que se manter vigilante dia e noite, pois o jovem queria ir atrás de si quando não estava em seu campo de visão. Percebeu que ele se assustava ao se encontrar sozinho, ou quando fazia barulhos altos. Também à noite tinha pesadelos que o atormentavam sem descanso, o que levou Severus a ministrar poções de sono sem sonhos.

- Você se lembra de alguma coisa? – Perguntou certa vez, quando lhe dava uma poção vitalícia para curar a anemia que descobriu fazer parte do corpo do rapaz fazia alguns anos, como comprovado pelos seus exames.

O moreno apenas negou com a cabeça.

- Nem seu nome? – Recebeu outro negar.

- Sabe quem sou eu?

Snape viu esperança no olhar verde, o que lhe deu a entender que o rapaz estava tão perdido quanto estava. Ponderou na situação e achou conveniente dar um nome ao seu hóspede, que pelo visto, iria demorar um pouco a ir embora. Era frustrante ter que trata-lo por moleque ou simplesmente não chamá-lo.

- Maxmillian. –Ddecidiu-se. – Você é Max e eu sou Severus Snape.

- Severus Snape... – O jovem moreno repetiu, abrindo um sorriso.


- Seu chá... – Remus interrompeu suas recordações ao estender-lhe uma xícara. – Está preocupado com o estado de Max?

- Estava lembrando de quando você o trouxe... –Aceitou a xícara tomando um profundo gole.

- Naquela época também me foi bem estranho o surgimento de Max... –O castanho se acomodou na poltrona ao lado da de Snape.

- Poderia ter me dito desde aquela época quem era ele. – Soltou meio enfadado.

- Eu não podia, pois não tinha certeza quem ele era realmente. Apesar de ter presenciado, tinha a dúvida se ele era uma parte de Harry ou se era um meio que Voldemort descobriu para continuar vivo. Ele poderia ser Tom e não Harry...

- Ele tem características de Riddle e de Potter misturadas...

- Talvez ocasionado pelo feitiço mal conjurado... – Lupin deu de ombros, sem crer muito nisso. Também achava estranho o surgimento de Max.

Snape ficou pensativo por um tempo, buscando na memória algo de útil.


Max estava sentado a seu lado na grande mesa de jantar e o observava picar uma raiz de mandrágora para a poção que estava criando.

Já havia acostumado ser observado pelas esferas esverdeadas.

- Poderia colocar três pitadas de dente-de-leão e misturar em sentido anti-horário?

Max sorriu feliz por poder ajudar. Puxou a tigela que continha os dentes-de-leão moídos e tratou de pegar uma pitada. Com extremo cuidado jogou dentro do caldeirão.

- Assim?

- Ótimo, são três pitadas. – Snape aprovou nem quase olhando o que fazia. Maxmillian sorriu feliz e repetiu o processo mais três vezes. Ficou um pouco confuso olhando para o líquido borbulhante.

- Mexa agora. – Snape voltou a falar, terminando de picar a última raiz.

- Hum... – O moreno mordeu o canto da boca repassando o processo que fizera. Era para colocar três pitadas e não praticar uma vez e colocar mais três – Eu... Acho que coloquei uma a mais... –Sussurrou corando as bochechas. Era a primeira vez que Severus deixava que o ajudasse e na primeira oportunidade fazia errado.

Snape parou o que fazia lançando um olhar preocupado para a poção que fervia. Estava de coloração roxa, o que era para estar marrom. Max definitivamente havia colocado em excesso os dentes-de-leão. Teria que refazer tudo.

Seus olhos se estreitaram antes de se dirigirem para o moreno, que olhava a mesa de forma envergonhada.

No desespero de fazer tudo minimamente correto para não ministrar doses muito diferentes quando as pegasse entre os dedos, errou na contagem. E já se preparava para a maior bronca do século, como se já houvesse passado por isso milhares de vezes e se entristecia ao mesmo tempo, como se seu interior estivesse lhe acusando que falhara novamente.

- Desculpe... Fiz você ter trabalho em dobro...

Max era tão torpe como Potter o era em poções... Como estava acostumado com Draco, que sempre o ajudava para que terminasse rapidamente as poções, foi indicando sem muito cuidado para que o outro fizesse.

Deveria dar aquela bronca memorável como sua marca registrada e castiga-lo, como era o costume, mas vendo-o assim, tão triste por ter feito errado, mudou de idéia.

- Tudo bem... Eu deveria saber que você não se recorda de ter feito poções alguma vez.

- Me ensina? – Esse pedido fez com que voltasse a parar o que fazia para olhar aos olhos verdes, que agora o enfrentava. – Eu queria muito te ajudar, mas como não sei fazer direito, eu poderia aprender alguma coisa fácil...

Snape pensou o que seria mais fácil do que colocar três pitadas dentro do caldeirão, coisa que Max havia errado tão bem...

- Não precisa me ajudar, apenas me faça companhia que está bom. –Ttentou não se enfadar com o rapaz.

Max voltou a sorrir, mas de repente, parecia estar tão distante dentro de si mesmo que seus olhos chegaram a se turvar em um tom mais escuro. – Sinto falta do Draco...

- Conhece o Draco? – Se assustou imperceptivelmente. Era a primeira vez que Maxmillian falava de alguém.

- Eu não sei... Só sei que sinto falta do Draco... – Então silvou - Ele está com o meu coração

Snape derrubou a faca que usava para cortar as raízes. Max havia falado em Draco, mas a última frase não chegou a entender, pois foi dita em parsel, a linguagem das serpentes.

- Max? – Chamou com receio, vendo como o jovem estava em transe.

Maxmillian tomou um semblante mais sério, quase cínico, e elevou lentamente uma das sobrancelhas, o qual lhe recordou muito a Tom Riddle.

- Eu quero o coração dele em troca...

Snape voltou a se arrepiar e se maldisse por não entender uma única palavra.


- Severus? – Remus abanou a mão frente ao rosto do professor.

- Tem certeza de que Potter ficou com o mau caráter?

Lupin piscou algumas vezes, confuso com a repentina pergunta.

- Não vejo outro motivo que o tenha deixado tão... Vulgar... Como está agora...

- Ele só ficou promíscuo e não propriamente de má índole, como por exemplo: agredir fisicamente, trapacear, enganar de forma grave. Quando foi a última vez que o ouviu falar parsel?

- Ele só usou essa língua em época de Hogwarts, eu creio...

- Maxmillian a usa de vez em quando, mas isso ocorre quando ele está em algum transe momentâneo. E sempre quando ele fala em Draco.

- E o que você acha sobre isso? – Lupin estreitou os olhos, refletindo consigo mesmo – Acha que ele surgiu absorvendo parte de Harry e de Voldemort?

- É provável... Se o conjuro de Draco salvou Potter, bem quando o feitiço que o extinguiria foi rebatido por Voldemort, porque não acabaria por salvar parte do desprezível Tom Riddle?

- Não seria impossível disso acontecer... Sabemos que o corpo de Max não existe, é apenas um corpo criado por pura magia, tanto que ele quase desapareceu quando Harry e Draco se uniram fisicamente. Para que parte das memórias e consciência de Riddle esteja fluindo no corpo dele, é porque o verdadeiro ainda vive, assim como Harry ainda vive.

- Max é um completo torpe em relação a poções, mas fala parsel com fluência, mais fluente do que o próprio Potter falava. E de vez em quando, eu via uma certa maldade em seus olhos, quando ele usava a linguagem das serpentes.

Remus se ergueu e passou a caminhar pela sala. – Isso é preocupante Severus... E se Voldemort ainda está vivo?

Snape voltou a colocar a mente em funcionamento, vasculhando qualquer detalhe que deixou escapar.

Se Voldemort ainda vivia, por isso Max tinha parte da consciência dele, cedo ou tarde ele iria querer de volta sua metade que faltava. Riddle não era burro como Potter era extremamente burro, segundo comprovou em suas aulas em Hogwarts. – Potter era burro e ponto.

Então se lembrou no desfecho na Mansão Malfoy, quando chegou e viu, sem poder fazer nada, a Voldemort violentando seu afilhado. E as palavras em parsel e a mordida...

E Maxmillian estava muito obcecado por Draco... E Draco o fazia se sentir melhor, tanto que mesmo agora, era Draco quem dava vida a Maxmillian...

- Draco... – Arregalou os olhos, o que chamou a atenção de Lupin.

- O que tem ele?

- É o Draco quem está fazendo com que Voldemort ainda viva... Aquele feitiço conjurado em parsel, aquela mordida, como se fosse o bote de uma serpente... Eu já vi isso antes... – Snape se ergueu e caminhou até a lareira onde estava a Snitch de James Potter. Pegou a pequena esfera dourada e mostrou a Remus. – Lembra quando você quase me matou em sua forma animal e Potter havia me salvado a vida?

- Sim... Disseram-me algo a respeito...

- Potter havia dito algo como, sua maldição veio depois de ter sido mordido por um lobisomem ou algo do gênero.

- Sim, a mordida de um lobisomem transfere parte de seu veneno e seus poderes através da saliva o que faz com que um ser humano normal passe a ter metamorfoses de tempo em tempo, como é o meu caso...

- Voldemort fez o mesmo com Draco. Como não percebi isso antes? –Se recriminou duramente. – Ele vivia porque passava parte de sua vida para as horcruxes! Nagini era uma delas e porque não fazer de um bruxo sua melhor horcrux? Quem iria matar Draco Malfoy depois de ter sido praticamente destroçado por Voldemort? Ele sabia que eu nunca deixaria que matasse meu afilhado, mesmo ele estando em estado vegetativo. A consumação, o feitiço, a transferência de parte de sua vida através da mordida...

- Por isso Max deseja tanto a Draco... – Remus compreendeu. – Porque Draco guarda dentro do corpo parte da vida que lhe falta... – Seus olhos se firmaram aos de Snape. – O que faremos?

- Não sei... – Frisou os lábios. – Se eu soubesse disso antes, nunca teria lacrado Potter a Draco...

Ficaram em silêncio quando a porta do quarto onde os dois jovens estavam se abriu. Draco deixou o aposento ao lado de Maxmillian, ambos conversavam normalmente.

- Preciso ir, já passaram duas horas, ou então Potter me fará voltar daquele jeito estranho e eu odiaria isso. – Draco disse ao padrinho torcendo a boca. – Não podia lacra-lo em outra pessoa? É humilhante cair, literalmente, em seus braços todas as vezes que ele deseja. Isso vai contra as minhas vontades.

- Infelizmente não se pode fazer nada... – Snape suspirou.

- Você voltará amanhã? – Max segurou de leve a mão do loiro. Este apenas o observou com cautela.

- Não sei... Isso está longe de ser uma escolha minha. – Então olhou a Remus de forma acusadora. – Visto que Potter fica mandando em mim como se eu fosse um objeto.

- Max não pode ficar longe de você, ele vive por causa de sua magia. – Severus estava decidido, o que alarmou a Remus.

- Acho que não seria uma boa idéia...

- Oh sim. Seria a mais plausível no momento e haja o que houver, terá que ser assim. - Snape caminhou até Max e lhe afagou o cabelo de modo paterno. – Não se preocupe, você ficará bem.


Harry olhava para a lareira de forma fixa e obstinada. Foi assim que Hermione o encontrou.

- No que está pensando?

- Não estou pensando, estou esperando Malfoy voltar do encontro com aquele tal de Maxmillian.

A moça sorriu um pouco. – Está ciumento?

Harry finalmente desviou a atenção da lareira para dedicar um olhar de morte a amiga. – Eu nunca fico ciumento Mione... Você me viu alguma vez ter ciúme de algo?

Hermione pensou consigo. De fato era meio difícil ver a Harry com ciúmes de alguém. – Desisto. Você realmente não demonstra muito seu lado ciumento e possessivo.

- Não disse? – Sorriu de lado.

Então Hermione abriu um largo sorriso de vitória. – Só com Malfoy. – E o sorriso de Harry desapareceu, para seu prazer. Havia conseguido dar em cheio em algo que o amigo não conseguia contestar.

- Não deveria estar no Ministério senhorita Granger?A "super-eficiente" – Sinalizou com os dedos no ar salientando o adjetivo entre aspas.

Hermione rolou os olhos. Odiava quando diziam isso de si só porque era a melhor da área de feitiços e encantamentos. Depois de Hogwarts, quando seu apelido era sabe-tudo, agora no trabalho era supereficiente.

- Só diz isso porque eu pisei no seu calo. – Ela espetou. – E não, já terminei meu serviço por hoje.

E aí estava o motivo de taxarem-na de super-eficiente. Quem no Ministério que trabalha no período noturno consegue sair antes das dez?

- Que seja. – Harry resolveu dar de ombros. – O que quer aqui?

Hermione estreitou os olhos e disse de modo sarcástico. – Quando não existia Malfoy algum, você bem que ficava feliz quando eu aparecia. Agora que tem o Draco-sou-todo-seu debaixo do mesmo teto, você me faz pouco caso. Depois diz que não está ciumento e possessivo com ele.

- Mione... – Começou de modo bem suave. – Não percebeu que eu estou dando o melhor de mim para não soltar qualquer tipo de palavra de baixo nível hoje? Se você continuar me infernizando a paciência, terei que incorporar o filho da puta de dentro de mim e te mandar tomar no cú... – Essa última frase já dizia entre dentes. – Saca?

Hermione arregalou os olhos. Agora que Harry mencionou, realmente ele estava mantendo uma conversa tranqüila, sem palavreados ofensivos, sem aquela agressividade, sem xingamentos desnecessários...

- E isso agora por que? O que aconteceu de diferente? Que mudança ocorreu contigo? Ou foi com sua magia? E onde está o Malfoy?

- Tempo! – Harry estendeu os braços se afastando da avalanche de perguntas que era sua amiga. Ia dizer algo mais, quando a lareira brilhou e dela saíram Snape e Remus, para em seguida aparecer Malfoy e um tipo estranho que Harry desde já não foi com a cara. - E isso?

Quando os olhos verdes pousaram com mais atenção ao estranho, e que ele vinha colado em Malfoy, a resposta que Hermione ainda esperava apesar de tudo, foi esclarecida.

Harry praticamente golpeou o desconhecido com uma magia tão mais potente que um Expelliarmus que o fez cair longe, entre o sofá e a mesinha de centro, ao mesmo tempo em que arrastava a Malfoy tão violentamente que o derrubou no chão perto de si.

- Harry! – Gritaram Remus e Hermione ao mesmo tempo.

- O que esse... – Começou de forma tão suave, como quando havia falado com a amiga, que causou um forte calafrio nos presentes. Harry estava estranhamente civilizado porque estava completamente lívido e alterado por dentro.

- Controle-se! – Snape entrou na frente de Potter, para espanto dos demais, pois ninguém era louco o suficiente, se tratando de Harry Potter e sua tão poderosa magia.

- Sai da frente Snape. – Cuspiu com raiva.

- Ouça primeiro o que vamos dizer Harry! – Remus tentou segurar ao braço do descontrolado rapaz, mas este praticamente o empurrou.

Hermione socorria ao outro, lançando feitiços de revigoramento.

Draco deslizou a mão pela perna de Potter, fazendo com que seus dedos acariciassem muito perto do "alvo". Prontamente conseguiu a atenção dos olhos verdes, que o fitaram tão estranho como sua própria ação.

Harry franziu o cenho e percebeu que vendo Malfoy por este ângulo, era realmente lindo. O rosto aristocrático estava tão próximo ao seu membro, o cabelo caindo para trás, com a inclinação da cabeça enquanto tinha uma plena visão desses olhos prateados.

- É desse jeito que me recebe, Haggy? – Acompanhou o nome com um legítimo sotaque francês, sua tão familiar língua paterna. – Cumpri com sua ordem e vim no horário estipulado... – Mordeu o lábio inferior de forma sensual, serrando levemente as pálpebras. – Com todo o fogo que me demonstrou antes, pensei que me receberia com um... Baiser...

Os olhos prateados o envolviam... Os lábios róseos e picantes lhe chamavam... Os toques indiscretos lhe incitavam... Ele queria... Ele pedia... Ele desejava... Ele implorava...

Não existia mais Remus, nem Hermione ou Snape, apesar de que sua consciência lhe alertava contra Maxmillian, este já não era mais uma prioridade...

O que era prioridade agora eram esses olhos, essa boca, essa pele... Essa língua que se movia travessa, úmida, tremendo as letras, dando ênfase ao "g" em seu nome, em como tocava o céu da boca numa volta quase imperceptivelmente estalada...

Estreitou os olhos com desconfiança. – Está me provocando para proteger o seu...

- Acha que estou? – Draco o cortou, elevando uma delineada sobrancelha.

Harry agachou, para ficar da mesma altura que o loiro e assim o olhar diretamente.

- Então pede, ou melhor, implore que te beije e eu o farei... – Malfoy quase teve um ataque, sua mão formigou querendo borrar esse sorriso travesso que brincava nos lábios de Harry, mas soube camuflar isso perfeitamente bem. Via como as pupilas verdes brilhavam de ansiedade e malícia.

As palavras de seu padrinho logo vieram em sua cabeça:

"Snape havia puxado Draco para um canto enquanto Remus ajudava a Max com as coisas.

- Sabe porque ele precisa ficar em contato com você? –Oo loiro apenas se limitou a negar com a cabeça. – Ele é parte de Potter, e caso aconteça algo com ele, Potter perderá parte de sua alma e seu caráter.

- E por que exatamente, eu tenho que me preocupar com isso? – Era algo esperado, vindo de um Malfoy.

- Porque Potter está lacrado em seu corpo, você prende a magia e a vida dele, se ele enlouquecer ou morrer com a perda de Max, antes que consigamos fazer retorna-lo de volta a Potter, você seguirá pelo mesmo infortúnio.

- Então eu terei que agüentar os dois vivendo debaixo do mesmo teto? – Estava indignado.

- Sua sina é muito pior que isso... – Snape sussurrou de forma sombria, como bem conseguia fazer. – Terá que cuidar de Maxmillian para que o idiota do Potter não mate a si próprio.

Snape agora entendia porque Potter tinha tanta animosidade em relação a Max, mesmo sem conhece-lo. Era a magia e a consciência de Tom Riddle que inimizava com a magia e consciência de Harry Potter, inimigos destinados. Se Maxmillian fosse viver com eles, o que era fundamental para que não desaparecesse, essa magia agressiva originária de Tom ficaria em constante conflito com a de Harry.

Mas este detalhe resolveu não contar para Draco.

- E como acha que conseguirei parar a besta irracional do Potter sem me machucar ou pior, para não ter resultado e ser tudo em vão? – Agora estava inconformado com a idéia do padrinho.

- Use sua melhor arma e a que é mais letal para Potter... Você sabe, se for para a causa, não interferirei que seduza, provoque e envolva de forma "LEVEMENTE" sexual ao imbecil, contanto que ele não faça a pior burrada da sua vida.

Draco só conseguiu abrir a boca de forma perplexa e ofendida. Achavam que ele era o quê? Quando estavam preparados para irem via flú, fez questão de se manifestar.

- Espero que no final eu acabe ganhando minha liberdade, ou me humilhar dessa forma decadente e nada digna a alguém como eu, lhe custará muito caro, padrinho... – Nunca chegou a ameaçar dessa forma a Severus, talvez até tenha feito isso a seu pai, num momento de raiva, mas nunca com seu professor favorito e confidente, para si, ele era mais pai do que Lucius um dia foi.

Snape o olhou por um tempo antes de lhe apertar o ombro de forma confortante. – Não se preocupe Draco, no final, quem mais sairá vencendo será você.

- Se Maxmillian voltar a Potter o lacre será rompido e eu ficarei livre? – Perguntou com um brilho de esperança no olhar, que se expandiu em um sorriso, quando o padrinho confirmou.

Snape por sua vez ficou um pouco chateado de ter que mentir dessa forma, mas se não fizesse isso, Malfoy nunca aceitaria e tanto o afilhado como Max estariam condenados.

"Estúpido Potter... Sempre causando problemas..." – Pensou consigo enquanto via a ansiedade no olhar verde de Maxmillian, por estar pela primeira vez saindo daquela casa..."

Malfoy teve que engolir a custo seu imenso orgulho e se agarrou na camiseta do moreno, de forma envolvente. Seus lábios quase se tocaram.

- Il me m'embrasse, Haggy... S'il vous plaît... Il me m'embrasse...¹ – Rogou de forma tão provocante, tão desesperada, que só teve que se gabar interiormente, quando lábios famintos se chocaram com os seus, lhe devorando com paixão.

Teve o corpo envolvido por um dos braços de Potter e puxado rudemente contra a musculatura do moreno enquanto a outra mão lhe tomava pelo cabelo, puxando sua cabeça para trás, para ter mais acesso a sua boca e ser tragado com mais empenho.

Entregou-se puxando a Potter pela nuca enquanto se duelavam com vontade. Seu corpo virou um mar de chamas só pelo fato de estarem se beijando dessa forma.

Snape rolou os olhos perante essa encenação de Draco. Ou ele era muito bom em dramatizar ou ele realmente estava gostando disso. Optava pelo último, pois certamente esse gemido sôfrego que acabava de ouvir vinha da garganta de Draco.

Deu as costas aos dois, ou acabaria vomitando ou golpeando sem piedade ao causador de todos os males. Potter parecia querer tragar as amídalas de seu afilhado, que estava mais que disposto a retribuir o gesto.

Resolveu colocar sua atenção em alguém mais importante no momento. Max já estava acordado e via com muito interesse os dois pervertidos.

- Ele está bem, só foi um feitiço de desmaio sem complicações. – Esclareceu Hermione.

- Fico feliz que o Draco esteja colaborando conosco. – Remus sorriu um pouco enquanto Snape fazia uma careta de desagrado vendo como Max não desviava os olhos deles.

Só desejava que não se tornasse tão depravado como os dois...

- Vamos indo, eles se resolvem por conta própria. – Disse por fim, arrastando a Lupin de volta à lareira.

- E... Eee... Tem certeza de que é seguro deixa-los sozinhos? – Hermione estava duvidando – E quem é ele? – Apontou para o outro moreno.

- Por que não vem com a gente que te esclarecemos o necessário? – Remus propôs de forma gentil. Sabia que Hermione era a única que sobrou das amizades de Harry e a que sempre estava pisando no calcanhar do moreno, cuidando e o mantendo na linha.

- Certo... – Ela acompanhou a seus dois ex-professores.


Assim que sentiu a presença inoportuna de Snape, Lupin e Granger desaparecerem pela lareira, Harry soltou Malfoy, quem acabou no chão emitindo um abafado som ao cair.

- Hei! – Reclamou se sentando e fulminando com a mirada a Harry.

- Shiii... – Potter encostou dois dedos nesses lábios avermelhados. – Depois a gente termina isso de forma apropriada. –Sorriu de lado de forma predadora, fazendo com que Draco quase corasse, para então dirigir uma mirada nada amistosa ao intruso. – Tenho que tratar de um assunto mais importante agora.

Harry fez menção em fazer o outro desaparecer de forma rápida e extremamente dolorosa, mas nem chegou a dar dois passos em direção a vítima, quando Draco se pendurou em seu corpo, literalmente.

- Espera Potter! Não pode fazer nada contra ele!

- E por que não? – Sibilou perigosamente, notando que o descarado nem ao menos prestava atenção em si, e sim, não desgrudava os olhos de Malfoy e isso já era mais que um insulto. Tentou avançar contra o outro, para faze-lo enxergar a verdadeira situação e sendo impedido mais uma vez por um desesperado loiro.

- Severus vai ter que me dar um prêmio por isso... –Grunhiu para si mesmo em frustração. – Potter! Ele é parte sua!

Harry o encarou nos olhos e arqueou uma sobrancelha, sem acreditar no que estava ouvindo.

- Ah sim? – Soou sarcástico.

- Porque acha que Snape e Lupin o trariam aqui? Porque acha que você está tão estranho? Se você não quer me ouvir, vá em frente, mas eu garanto que tem algo bem grande nisso tudo, não concorda?

- E por isso eu tenho que aturar esse cara na minha casa? – Cruzou os braços e estreitou os olhos.

Malfoy assentiu cuidadosamente. Ainda estava abraçado ao corpo de Potter, por via das dúvidas. Porém, como tudo em sua vida tinha que ser difícil, ainda mais se tinha um Harry Potter envolvido...

- Draco... - Maxmillian simplesmente ignorou a mirada terrorífica que estava recebendo por parte de Harry, caminhou até o loiro e o tocou no rosto com estrema devoção e desejo - Também quero sentir sua boca contra a minha...

- Quê? – Incrédulo Draco só conseguiu ouvir o berro enraivecido de Harry antes de tudo se tornar escuridão.


¹ Beije-me... Por favor... Beije-me...

Nota da autora: Antes que alguém pense o contrário, o Severus gosta do Maxmillian como pai e filho, nada de sentimentos amorosos.

Andei reparando nessa fic, eu a classifiquei como romance, mas... Vocês acham que isso aqui é um romance? What is this? O.o

Calma, calma, logo será romance... Num futuro um pouco distante eu creio, mas por enquanto, vamos aproveitar esses três.

Obrigada a Scheila por betar.

Agradecimentos a: Juliana Guerreiro; Dita Von Teese.; DW03 - olá, ah sim, farei um threesome especialmente por sua pervertida e maravilhosa idéia. Eu estava pensando em fazer algo do gênero, mas não sabia se iria agradar, mas como vc aprova, tomei mais coragem pra criar uma cena bastante lemon entre os três :) Eu que agradeço mais este review! Bjs; Fabi - olá, não sei se eu entendi, mas vc prefere que o Max continue vivo sem voltar para o Harry? E qual deles ficaria com o Draco? Hum... Dúvidas, dúvidas... Bjs; Ge Black; Luna Pietra; Buh Malfoy; Amenaske; HannaSnape; Condessa Oluha; POTOlover; Nanda W. Malfoy (2 reviews); .DaRk LaDiE e Monica Dias - olá, fico feliz que tenha gostado da fic e que esteja ansiosa para saber o desenrolar desse estranho triângulo amoroso mesmo futuramente tendo Mpreg. O Felton realmente arrasa nas fics que escreve e sendo comédia, acho que ficam bem descontraídas as hilariantes situações de Mpreg, nesse caso será um romance, não terá aquele drama/angst, mas também não será comédia como essa preciosidade que o Felton está criando. Entretanto, espero de coração que o meu Mpreg não faça com que abomine de vez esse gênero. É bom saber sua opinião, assim terei mais cuidado em criar as cenas de Mpreg quando elas vierem. Obrigada pelo enorme review e principalmente, por comentar! Bjs.


Importante esclarecimento: Para esclarecer a dúvida da queridíssima Condessa Oluha e que talvez outros leitores também estejam se perguntando, eu escrevi este pequeno Extra...

Como foi que o Draco tirou o Snitch do traseiro?

A resposta segue abaixo extraída das profundezas da memória de um homem.


Pequeno Capítulo Extra - O Diário Oculto

Draco sorria prazerosamente olhando para a porta do banheiro dos monitores por onde um excitadíssimo moreno de olhos verdes havia acabado de escapar.

Não sabia porque fez o que fez para provocar ao Santificado Potter, mas o resultado foi além do que esperava. Jurava que Potter ficaria ultrajado, ofendido ou carregado de asco, mas de prazer e tesão, isso era surpreendente.

Deixou que essa satisfação lhe tomasse o corpo por alguns segundos para só então se dar conta de sua própria situação.

Passou a mão pelo pênis que despontava orgulhoso em seu baixo ventre, voltando a sentir uma onda de prazer.

Seus dedos correram por toda extensão numa carícia firme no início para tomar uma cadência mais rítmica e forte com o punho fechado e então sucumbir no clímax afogando na garganta um gemido de contentamento.

Seu corpo se retesou inteiro sentindo aquela esfera estranhamente empalada dentro de si, causando uma sensação de dor misturada com prazer, para então se tornar incômoda conforme seus músculos relaxavam após o orgasmo.

Primeiro tentou expulsar aquela esfera da forma mais convencional, por assim dizer, e que não resultou em nada. Um pouco preocupado, levou os dedos para sua entrada tentando assim avaliar a gravidade da situação.

- Oh merda... – estava bem grave o negócio e não tinha idéia de como tiraria aquilo dali.

Depois de uma série de tentativas frustradas, Draco, a contragosto e já retendo a desesperante vontade de chorar, resolveu tomar a medida mais drástica.

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Ele era um exímio professor em Hogwarts, escola de magia e feitiçaria. Sabia que sua matéria era uma das mais complexas e que muitos alunos não chegavam meramente na metade do potencial que exigia em aula, exceto um...

Draco Malfoy era um exemplar aluno freqüentador de uma das quatro Casas a que era designado como Orientador; a Casa de Salazar Slytherin. Porém, ele era também seu afilhado e filho de seu melhor amigo.

Naquela noite, enquanto terminava de corrigir os patéticos relatórios sobre uma das poções mais conhecidas do mundo bruxo, nunca imaginaria o que seu querido e orgulhoso afilhado lhe pediria ao bater em sua porta.

- Entre... – ordenou com sua voz profunda que dava calafrios até mesmo para o aclamado Harry Potter.

Então, ali parado frente ao seu escritório abarrotado de pergaminhos vestindo apenas a túnica estudantil, estava Draco Malfoy, olhar cabisbaixo, um gracioso tom avermelhado a colorir as maças de seu rosto e os lábios levemente torcidos de vergonha.

- O que foi dessa vez? – ficou nitidamente enfadado e levemente preocupado.

Draco começou a soluçar. – Pedir um favor...

Snape, como todo bom padrinho, se dignou a se levantar da cadeira e ir a socorro ao desolado afilhado.

- Vamos Draco, é só dizer.

O loiro, mais vermelho do que nunca, se debruçou sobre a mesa ignorando tinteiro e pergaminhos e deixou a túnica estudantil cair no chão revelando seu pálido traseiro.

- Não consigo tirar a Snitch de Potter! – desabafou por fim seguido por um surto psicológico em Snape, quem, horrorizado, tentava assimilar o que estava acontecendo.

Depois de um longo silêncio que era quebrado apenas pelos soluços de Draco, foi que o professor reagiu.

Com extrema indignação e irritação, pegou a varinha e apontou para aquele lugarzinho maldito onde aparecia uma pequena parte da esfera dourada e conjurando um preciso Reduccio, fez com que o snitch tomasse o volume de uma bolinha de gude que caiu no chão com um surdo golpe.

Feliz, Draco abraçou ao padrinho, que ainda indignado por ser obrigado a fazer tal coisa, o castigou durante uma semana a ajuda-lo na elaboração da poção Mata-lobo, e no dia seguinte, a primeira coisa que fez assim que pisou na sala de aula, foi castigar com limpar todo o Grande Salão depois das refeições no lugar dos elfos domésticos a Potter, o causador de tudo isso na sua opinião, afinal, a Snitch pertencia a quem?

A única coisa que Severus Snape nunca quis perguntar, mesmo tendo essa pergunta em mente era:

Como Draco conseguiu andar do banheiro dos monitores até seu escritório com aquilo?

Sinceramente não queria saber a resposta, pois tudo levava a crer que ele já estava acostumado a inserir objetos estranhos naquela parte do corpo e isso era algo que nunca desejaria confirmação.

Com toda sua discrição, Snape encerrou esse episódio no mais profundo de sua memória, assim como outras situações lamentáveis que chegou a passar na vida, como num diário oculto que jamais diria a ninguém, mesmo sob o pior dos crucciatus...