Pouco mais de um três meses haviam se passado, e agora eu estava mais do que acostumada com minha nova vida. Viver com Shuichi e Kurama era no mínimo inusitado, pois eu dormia com Kurama mas geralmente acordava com Shuichi, sim eu havia me mudado completamente para seu quarto, coisa sobre a qual Kurama foi irredutível -não que eu realmente me importasse.
Eu não tive nenhum problema em lidar com os dois, tive mais problemas em lidar com minha nova sensibilidade, mas ambos foram muito pacientes em me ensinar a controlar isso, e agora já nem sinto tanto, na verdade já não me imagino sem esses novos dons.
Uma coisa que realmente gostei foi a marca em meu ombro, que com o tempo tomou a forma de uma bela rosa vermelha, parecendo mais com uma bela tatuagem. Sem falar que de tanto Shuichi me perturbar, eu acabei começando a treinar meu dom, e agora não mais entro em sua mente sem querer, sem falar que também por causa da marca partilhamos pensamentos e sentimentos, na verdade eu partilho já que ambos são controlados o suficiente para não me passar qualquer coisa. E claro, eu descobri isso da pior forma possível.
-Shuichi vamos, não quero me atrasar para a aula. -eu o apressava da porta.
-Já estou indo Eloá. -ele vinha calmamente enquanto eu bufava apressada, principalmente quando este sorriu da minha indignação.
-Vamos eu não quero me atrasar para o primeiro dia de aula. -resmunguei.
Ele veio tranquilo e calmamente fechou a porta.
-Me dê suas coisas. -fiz que não e lhe estirei língua, e este revirou os olhos agoniado.
-Não vamos começar com isso Shuichi. -me aproximei e beijei sua bochecha o deixando envergonhado.
Peguei sua mão e comecei a arrastá-lo o fazendo rir da minha animação.
-Toda essa animação é por causa das aulas?
-Também, mas você e o Kurama tem me mantido presa naquele apartamento por muito tempo.
-Horas achei que você preferisse ficar em casa na sua cama. -ele debochou.
-Claro e o fato de você e o Kurama serem super protetores não tem nada haver com isso não é? -perguntei irônica.
-Eloá... -eu ri acabando com o momento estranho.
-Eu sei amor. -bati em sua testa o deixando meio perdido com minha reação. -Entendo que eu não saberia me controlar e que seria perigoso não só para mim. -dei de ombros.
-Suas emoções são confusas. -ele parecia muito serio ao me dizer aquilo, e eu dei de ombros sorrindo.
-Obrigada. -sorri sapeca o deixando ainda mais perdido.
Enfim chegamos a nossa sala, e apesar de ser aula de cálculo eu estava realmente animada por poder enfim ver meus colegas, e assim que a Susuki chegou eu a abracei animada e ambas nos juntamos para falar sobre as férias. E eu me desculpei por não ter podido vê-la dizendo que tinha ficado em Tokyo com a família de Shuichi.
-Você parece diferente. -eu ri nervosa com o comentário dela, será que ela tinha percebido algo? -O que andou aprontando sua safadinha? -fiquei aliviada por ela não ter percebido nada sobre mim, mas assim que suas palavras fizeram sentido eu fiquei envergonhada.
-Pare com isso Susuki, não fiz nada de errado. -disse nervosa.
-Que bom, porque se você errasse na hora "H" seria estranho.
-SUSUKI-CHAN. -exclamei mais do que envergonhada e ela caiu na gargalhada, e quando todos começaram a me olhar eu me escondi entre meus braços em cima de minha mesa.
-Susuki, não perturbe tanto a Eloá. -Shuichi se sentou ao meu lado e alisou minha cabeça carinhoso me fazendo olhar para ele. -Não sozinha.
-Malvado. -amuei e eles riram de mim quando fiz bico.
Logo após isso a aula começou e todos passamos a prestar atenção. Mas no meio dessa me senti incomodada com algo, como se estivesse sendo observada, e nesse mesmo instante Shuichi me olhou avaliativo e depois olhou ao redor da sala como se procurasse algo e seu semblante ficou sério.
Quando deu o horário do fim da aula fomos dispensados, mas antes mesmo que eu me levantasse ele segurou meu braço.
-O que houve? - olhei sem entender. -Você estava incomodada com algo na aula.
-Achei que estava sendo observada. -ele me olhou profundamente.
-Entendo. -levantou e me estendeu a mão. -Vamos? -fiz que sim a pegando e levantando com a mochila.
O resto das aulas se passou tranquilamente, e assim se passou o resto da semana, ou quase isso, porque eu sempre tinha a impressão de estar sendo observada, sem falar que Shuichi parecia mais e mais cuidadoso.
-Kurama o que está acontecendo? -era sábado a noite e eu queria sair para lanchar fora, mas Kurama trocou de lugar com Shuichi e simplesmente disse que ficaríamos ali.
Ele me puxou para si e me beijou com vontade me imprensando na parede, e me tirando o folego.
-Por favor Kurama, me explique o que realmente está acontecendo. -pedi olhando-o com carinho, e alisei suas costas. -Por favor. -ele nada disse, apenas se afastou. -Kurama... -segurei sua mão.
-Você não tem que se preocupar com isso pequena.
-Então por que não me diz o que está havendo? -ele estalou a língua no céu da boca. -Porque não confia em mim? -perguntei indignada.
-Não é uma questão de confiança. -ele disse frio dando o assunto por encerrado e saiu dali.
-Claramente é. -cruzei os braços quando este se virou para mim.
-O que quer dizer? Seja clara Eloá. -seu tom de voz não subiu nem um tom, mas eu dei um paço para trás, algo me dizia que era melhor eu escolher bem as palavras dali para frente.
-Que você e o Shuichi estão me escondendo algo, que algo está acontecendo e ambos não querem me contar.
-Você está sendo redundantemente óbvia. -abri a boca para retrucar, mas parei ficando realmente puta.
-Ou seja, você não vai me dizer nada não importa quantas vezes eu perguntar.
-Que bom que entendeu, agora...
-Sim entendi. -sibilei.
-Não tem motivos para você ficar assim. -ele comentou ainda mais calmo e eu o olhei realmente puta. -Venha vamos para o quarto. -ele caminhou em minha direção mais eu me afastei.
-Vou dormir no meu quarto hoje. -Kurama ao contrário do que eu esperava apenas concordou, mas quando eu estava passando pela porta para entrar em meu quarto ele falou ao pé do meu ouvido.
-Não ouse fazer nada idiota. -me virei para encará-lo mas tão rápido quanto este chegou ao meu lado ele saiu sem me dá tempo de respondê-lo.
Apenas acenei com a cabeça amuada, e entrei no quarto.
Resolvi mandar um e-mail para meus tios, dizendo o quanto sentia saudades, e avisando que estava bem, além de contar sobre a semana de aula. Depois resolvi que era hora de me deitar, mas fiquei na cama amuada por um longo tempo até sentir sono e dormir.
Acordei antes mesmo do despertador tocar, e praguejei sozinha no escuro enquanto me levantava para me arrumar.
-Maldito frio. -eu sabia que o problema em si não era o frio, mas a falta que senti dele ao meu lado na cama. -Inferno.
Sai do quarto e apesar de ainda ser cedo eu o ouvi mexendo nas panelas então me dirigi para o banheiro o evitando deliberadamente. Demorei o máximo que eu podia ali, mas ao sentir os meus dedos se enrugarem suspirei cansada e resolvi que não tinha mais como enrolar.
-Bom dia Eloá. -ele estava no sofá olhando direto para mim com uma xícara de café na mão, e seus olhos verdes pareciam não perder nenhum dos meus movimentos.
-Bom dia Shuichi. -resmunguei saindo do banheiro, e mentalmente me chamando de idiota por ter de respondê-lo -maldita promessa.
Sim, eu havia lhe prometido antes que mesmo que brigássemos eu jamais deixaria de falar com ele novamente, e eu cumpro minhas promessas -me juguem!
-Estava pensando em irmos fazer compra hoje...
-Não estou "mais" afim de sair, obrigado. -pontuei munha irritação e ele fez menção de dizer algo novamente, porém eu continuei sem lhe dá tempo de se pronunciar. -Vá você, não se incomode comigo.
-Eloá...
-Vai me contar o que está acontecendo? -o interrompi novamente e ele suspirou e colocou a xícara no centro a sua frente e se levantou, mas eu dei um passo para trás. -Não?... Foi o que pensei. -me afastei o deixando ali. -mas senti uma pontada no peito como se uma grande angustia me invadisse e isso me fez parar abruptamente, mas tão rápido quanto começou sumiu, e o olhei, Shuichi parecia em conflito, quando percebeu que eu o observava este me sorriu estranho.
-Então tudo bem, sairei para fazer as compras. -fiz que sim e ele se afastou. -Não saia de casa até eu voltar. -dei uma risadinha anasalada. -Isso é uma ordem Eloá. -a voz firme e grossa de Kurama se fez presente me arrepiando por completa.
-Você está sendo ridículo Kurama. -sibilei com raiva. -Não pode...
-Não? -foi a vez dele rir irônico, então senti o vento forte e fechei os olhos, para dar de cara com Kurama puto a minha frente. -Teste me desobedecer então pequena.
Eu tremi de raiva, pela primeira vez eu queria lhe bater, lhe bater com toda a minha força, mas ainda quando ele riu maldoso de mim.
-Vai me dizer agora que se arrepende de sua escolha? -sua voz saiu no mesmo tom de sempre, mas eu me peguei sentindo varias emoções conturbadas, e a principal era a mesma angustia de antes.
-Não, eu não me arrependo de ter escolhido viver com você amor. -me aproximei o beijando de leve o pegando de surpresa. -Mas ainda estou com raiva de você. -toquei seu rosto com carinho, eu realmente o amava demais. -Porém o que você está fazendo é errado. E até que entenda isso vou continuar brigada com você. -lhe estirei língua e nesse momento senti um grande alivio no peito, e o observei sorri de lado como uma criança traquina.
-Não vou retirar a ordem Eloá. -disse em sua frieza habitual, e eu dei de ombros.
-Não seria você se retirasse-a não é?
-Ainda bem que sabe. -ele se virou para sair.
-Traga doce pra mim Shuichi. -disse me afastando em direção ao quarto.
Me deitei na cama para por os pensamentos em ordem, tentar entender o que estava acontecendo comigo. O que eram aqueles sentimentos conflitantes que eu senti em alguns momentos enquanto conversava/brigava com ele? Aqueles sentimentos não pareciam ser meus, e isso era tremendamente estranho. Mas que droga, belo momento para brigar com ele, e que droga, porque ele tinha que ser tão rabugento, por que não podia confiar em mim? E porque diabos ele pensou que eu estava arrependida de o ter escolhido? Eu sabia que ele era um ciumento nato, sem falar num manipulador perverso, sabia bem onde estava me metendo quando o escolhi, será que ele acreditava que eu me arrependeria por algo tão simples?
-Há Kurama, é você que não me conhece amor, eu vou dobrar você, vou descobrir uma maneira de burlar esse poder que você tem sobre mim. -sorri animada com o desafio. -Nada melhor do quê um dia atrás do outro amor.
Ele voltou por volta da hora do almoço e trouxe várias coisas, inclusive o nosso almoço, me comprando com uma lasanha de carne -maldito. Quem resiste a lasanha?
Assistimos a uns filmes a tarde e a noite fomos passear na praça próxima de casa, e eu quis parar num campo para observar as estrelas.
-Eu sempre achava lindo o céu estrelado visto na tribo da minha avó. -comentei observando as poucas estrelas ali. -Sei que aqui vemos poucas por causa da luz da cidade, mas ainda sim é bonito.
-Sente falta de lá? -Shuichi me perguntou observando o céu também, e eu parei para pensar em como responder aquela pergunta que me parecia cheia de significados.
-Eu mentiria se dissesse que não Shuichi. -ele se virou para mim sereno. -Mas também seria uma mentira dizer que me sentiria bem voltando para lá. -ele afirmou e abriu os braços e eu me aninhei ali.
-Que tal morarmos em algum vilarejo quando nos formamos? -Shuichi perguntou carinhoso.
-Seria perfeito.
Ficamos mais um tempo ali antes de irmos para casa dormir. Eu ainda quis dormir teimosamente em meu quarto, e este novamente não fez nenhuma objeção, apenas resmungou um "infantil" e foi para seu quarto, e eu ri, pois naquela situação aquele adjetivo nos definia completamente.
As aulas do dia seguinte foram tranquilas, e como era meu dia de limpeza juntamente com Susuki, Shuichi nos esperaria fora da sala, só que o professor o chamou para lhe ajudar em algo e este saiu me observando, enquanto eu lhe dava um "xauzinho" animada.
-Te espero aqui! -ele afirmou parecendo aliviado, e logo após seguiu o professor.
-Ele ficou preocupado em nos deixar aqui. -Susuki comentou enquanto afastava uma mesa para eu poder varrer.
-Sim, ele é muito protetor, acho que eu o assustei muito com minhas doenças, aí ele ficou assim. -ri e ela me seguiu.
-Em falar em doença, vocês tem se protegido? -ela sorriu maldosa.
-SUSUKI-CHAN. -gritei envergonhada e ela caiu na gargalhada.
-Você é muito engraçada Eloá, achei que as brasileiras fossem mais abertas com esses assuntos.
-Não sei do que você está falando. -murmurei perdida.
-Tá bom, não quer falar de sua vida com o seu amor, eu já entendi. -ela pegou uma pastilha no bolso e tirou uma, e depois me ofereceu. -Toma pega uma, tem um gosto maravilhoso.
-Você sempre muda de assunto de forma drástica. Obrigada.
-O que posso fazer se minha melhor amiga esconde de mim as partes picantes de seu relacionamento. -peguei a pastilha rapidamente e a desbulhei colocando-a na boca.
-Isso que eu chamo de uma escapada rápida. -ela riu de mim e voltamos a limpeza. Estávamos quase terminando quando o telefone dela tocou, e essa mudou seu semblante animado para apreensivo.
-Certo, fique calmo. Estou indo agora mesmo, então me espere aí. -ela desligou e me olhou preocupada. -Eloá você pode terminar sem mim? -fiz que sim. -Obrigada fico te devendo essa.
-Está tudo bem?
-Minha tia sofreu um acidente e meu primo está na escola, e como eu sou a única próxima terei de ir buscá-lo. -fiz que sim.
-Vá tranquila e não se preocupe com nada, eu termino aqui ok? -ela afirmou pegando suas coisas. -Melhoras para sua tia.
-Obrigada Eloá. -ela saiu da sala como um furacão.
Voltei para a limpeza e após pegar todo o lixo o depositei o saco no balde e fui para o banheiro lavar as mãos.
-Ora ora, enfim nos encontramos sozinhos. -me senti prensada por trás e meu corpo todo tremeu com o choque que levei na lateral do corpo, nem tive tempo de gritar.
-O que... você... -estava difícil de falar e meu corpo mole foi ao chão, e nesse momento eu observei Tamura a minha frente com um taser.
-Que maldita. Esse choque deveria ter desacordado você. -ele se abaixou ao meu lado sorrindo demoniacamente psicótico. -Mas tudo bem, será melhor brincar com você assim mesmo.
Eu tentei me mexer mas ele me deu outro choque deixando minha mente enevoada, e apesar de eu tentar lutar contra isso eu sabia ser impossível
-Sabe, eu te observei a semana inteira, esperando uma mínima brecha para te pegar sua vadia. -senti quando suas mãos imundas tocaram minha coxa e sua mão nojenta começou a subir ansiosa por esta.
-Pare... Shui... -tentei falar, mas este tapou minha boca, e sua mão livre alcançou minha calcinha, e eu me odiei por estar de saia.
Comecei a me desesperar e tentei me debater nervosa, as lágrimas já banhavam meu rosto me dificultando a visão.
-A delicia, quentinho do jeito que imaginei. -seus dedos invadiam minha intimidade. -Vou adorar te foder até cansar.
- "Kurama me ajude!" -pensei perdida, eu queria morrer, eu me odiava por aquilo, odiava ter aquele imundo me tocando daquela maneira. -"Eu prefiro morrer a passar por isso!" -mordi sua mão que tampava minha boca, e ele gritou me estapeando fortemente no rosto, e eu logo senti o gosto de sangue na boca, mas sorri feliz por ao menos ter conseguido tirar sua mão de mim.
-VADIA. -ele levantou a mão para me bater novamente, mas essa nunca chegou a me alcançar.
-Eu vou matá-lo dessa vez. -foi a primeira vez que eu ouvi a voz de Shuichi tão fria, e logo se ouviu um grito horrendo de Tamura quando seu pulso foi quebrado, mas esse logo se calou e o sangue espirrou na parede quando o punho de Shuichi acertou-lhe a face.
-Não... -foi tudo que consegui dizer, e nesse momento um ódio descomunal me invadiu.
- "Você quer que eu deixe esse verme vivo?" -eu ouvia claramente a voz deles em minha cabeça, enquanto Shuichi segurava Tamura pelo pescoço.
- "Eu só quero sair daqui" -choraminguei angustiada e ele me fitou. - "Por favor, me tire daqui Shuichi". -ele soltou o corpo inerte de Tamura e acertou-lhe um chute na barriga, e eu pude jurar ouvir alguns ossos se partindo.
Ele veio até mim e me colocou no colo, mas todo meu corpo doeu e eu teria gritado pela dor se conseguisse, então ele parou.
-Desculpe! -me pediu e eu senti medo e receio vindo dele, e só aí que entendi, aqueles eram os sentimentos dele.
- "Eu estou bem" -tentei mais esse começou a caminhar comigo no braço e seu rosto estava sombrio, eu nunca o tinha visto assim.
-Não, não está, e a culpa é minha. -ele disse com ódio.
- "Shuishi pare!" -ele fez que não e me apertou mais contra si.
-Descanse, conversamos quando estiver melhor.
- "Não, a culpa foi minha, gomen Shuichi eu..."
-Pare Eloá. -ele me apertou mais contra si. -Você não fez nada de errado! -eu queria gritar que era culpada sim, por tudo, que se eu tivesse sido mais cuidadosa, se tivesse lhe dado ouvido nada disso teria acontecido. -Eu pude ouvir você, puder sentir como estava se sentindo, eu sei que você desejou claramente morrer. -nossas emoções se misturaram, e eu sentia toda a sua dor. -Então pare de pensar que é culpada, você foi vitima daquele bastardo, mas pode ter certeza que foi a ultima vez que ele tocou em você. - olhei incrédula e este estava completamente sombrio quando me disse aquilo.
Shuichi me ajudou a tomar um banho quando chegamos em casa e me deu um chá para beber, e logo senti o sono se apoderar de mim.
-Durma um pouco pequena, está segura em casa, eu voltou assim que "tirar o lixo". -era a voz de Kurama e esse assumiu completamente sua forma ali, mas aquilo foi a ultima coisa que vi.
Acordei atordoada, mas ao me virar dei de cara com Shuichi deitado ao meu lado alisando minha cabeça tranquilo.
-O que ouve?
-Como se sente? -ele rebateu.
-Muito bem. -ele desceu a mão da minha cabeça e tocou de leve minha bochecha me puxando para si e selando nossos lábios carinhoso.
-Que bom!
-Você me drogou não foi? -suspirei e ele afirmou sem exitar.
-Seus machucados curaram rápido por causa do poder de Kurama em você, mas sua mente também precisava descansar.
-O que aconteceu depois...
-Não me pergunte, não vamos falar disso. -ele tocou meus lábios, e eu pude sentir sua dor ali, ele provavelmente tinha feito algo que não gostou.
-Então me explique umas coisas por favor. -ele fez que sim e se acomodou melhor na cama. -Por que as vezes parece que posso sentir seus sentimentos, e eu realmente posso conversar com você por pensamento?
- "Sim". -sorri animada ao ouvir sua voz na minha cabeça, e ele abriu um singelo sorriso também. -Não é fácil, e só conseguimos fazer isso se ambos permitirem, ao contrário de nossos sentimento que são livres para fluir entre nós sempre.
-Então porque eu não sentia nada antes, e só as vezes que sinto seus sentimentos?
-Eu e Kurama decidimos que era mais seguro para você assim, nossos sentimentos podiam te confundir ou machucar, então geralmente temos de nos concentrar ao máximo para não deixar que eles sejam passados a você.
-Mas você sempre pode sentir o que eu sentia? -ele fez que sim. -Injusto.
-Sinto muito. -ele não parecia sentir. -Eloá... -ele parou e respirou fundo. -Quer conversar sobre o que aconteceu? -eu recuei.
-Não... Eu só quero esquecer... -o olhei e puxei sua mão entrelaçando com a minha. -Me faz esquecer Shuichi.
-Tem certeza? -ele se aproximou mordendo meu lábio e me beijando, mas em momento algum deixou de me observar, vasculhando em meu ser qualquer dúvida.
-Tenho...
Shuichi me puxou para si carinhoso e por um longo tempo apenas ficamos nos beijando, e sem pressa alguma ele foi tirando meu pijama mordiscando e beijando cada parte de meu corpo, suas mãos sempre passeavam calmas e quentes sobre este sem nunca parar em apenas um lugar. E arfei deliciada quando esse enfim me penetrou vagaroso, me fazendo sentir cada misero momento daquela doce tortura. E ele continuou me estocando calmo, fazendo nossas respirações e gemidos entrecortados se misturarem como se fosse um só.
-Amo você... -ele disse e me beijou fazendo meu coração que já estava louco quase para.
-Eu também amo muito você Shuichi. -ele me trouxe mais para si sorrindo, e foi mais fundo em mim, nos fazendo gemer mais.
Eu não saberia descrever a perfeição daquele momento, de como apenas com aquelas palavras, apenas com alguns toques, sorrisos e olhar ele me fez me sentir especial, amada. Eu senti as lágrimas descerem por meu rosto e este as sugou com seus beijos, e eu senti, ele me deixou sentir o que sentia, seus sentimentos por mim me preencheram, eu eu claramente não tenho palavras para explicar, apenas o beijei loucamente agradecendo minha sorte aos deuses, agradecendo por poder ser tão amada por ele.
Aquela foi a primeira vez que transei com Shuichi, mas este em nada se parecia com Kurama. A calma, o carinho e amor de Shuichi, em nada se parecia com a luxuria de Kurama, do prazer louco que este me proporcionava. Mas eu sabia que ambos me amavam ao seu modo, e que no fim apesar das diferenças ambos eram um só, então resolvi que fazer comparações era completamente inútil.
Passamos um bom tempo na cama e conversamos sobre várias coisas, Shuichi até mesmo me explicou que provavelmente os poderes de Kurama não me protegeram por que o Tamura era um humano normal, mas ele foi sincero ao me dizer que não entendia como os poderes dele não me protegeram quando Tamura me tocou contra minha vontade, segundo ele, naquele momento, mesmo o Tamura sendo um humano, os poderes dele deveriam ter me protegido, sem falar que o choque do taser não deveria ter me deixado daquela forma.
-Você acha que algo está errado comigo? -fiquei apreensiva e ele me beijou carinhoso.
-Não amor. -sorri com sua forma carinhosa de falar. -Se algo estivesse errado com você eu saberia. -Ele apenas fez algo que eu não descobri ainda, mas o Kurama não me deixou interrogá-lo. -e eu entendi o que realmente aconteceu com Tamura. Não que eu sinceramente me importasse com isso, na verdade, eu seria a maior mentirosa do mundo se dissesse que em algum momento eu me sentia mal pelo destino que este teve.
