Capítulo 11: Anúncios
Capítulo 11: Anúncios
"Ron"
"Ron?"
Hermione deixou escapar um suspiro exasperado, o espetando no braço com o garfo.
"O... o que?" Ron deu um pulo de quase meio metro, retirando o olhar da mesa da Lufa-Lufa, para onde ele estava direcionado, desde que Susana Bones sentara-se nela para o jantar.
"Francamente Ron!" Hermione disse com um toque de desaprovação. "Tudo que é preciso com você, é um rosto bonito."
"Bem, mas você não precisava me atacar." Resmungou, enquanto massageava o braço.
"Ron... -Fred falou para seu irmão- É hora de você saber a verdade sobre nossa querida Hermione."
"Sinto muito Hermione, nós não podemos mais manter o seu segredo, é hora dele saber a terrível verdade." George completou.
Fred curvou-se em direção aos dois sussurrando: "Veja Ron, Hermione é na verdade a Maníaca do Garfo!"
A voz de Fred aumentara de volume no final da frase e muitos alunos da Grifinória estavam, agora, olhando os quatro com um certo interesse.
"Ron, você poderia..." mas Hermione foi interrompida por George.
"Ela é louca Rony, louca..." George deu uma risada maníaca.
"Ron -Hermione tentou de novo- você poderia, por favor, me passar à torta?"
"Q...que torta?" Perguntou sem olhar para ela. Os gêmeos estavam fazendo um espetáculo, enquanto tentavam espetar um ao outro com os garfos, em algum tipo de estranho duelo medieval.
"A que está na sua mão."
Hermione bateu em seu ombro, mas ele ficara, completamente, paralisado, enquanto a bela garota da Lufa-Lufa, na qual tinha ficado interessado, passava ao lado deles.
"Ah... esquece!" Puxou sua varinha
"Accio torta."
A torta voou da mão do Ron passando a milímetros do seu nariz, pousando suavemente na mão de Hermione.
"Exibida." Murmurou entre os dentes.
Hermione começara a cortar um pedaço de torta, quando Harry sentou-se ao seu lado.
"Oi Harry, onde você estava?" Perguntou, ao mesmo tempo em que lhe passava a torta.
"Pensei que você não vinha jantar." Ron falou, finalmente capaz de começar uma conversa normal, agora que Susana deixara o salão.
"Eu estava falando com Hagrid, encontrei ele na saída da biblioteca, ele me disse que Dumbledore decidiu..." Mas naquele momento, o diretor levantou-se da mesa dos professores.
"Eu espero que possa ser perdoado, por interromper o delicioso jantar de vocês, mas há um anuncio que eu preciso fazer."
Hermione olhou para Harry, e soube, que o que quer, que estivesse para ser anunciado, era o que Hagrid havia conversado com ele. Harry apenas ficou olhando Dumbledore com interesse.
"O Baile de Inverno do ano passado foi de um tal sucesso, que decidimos realizar um novo baile nesse Natal." O professor sorriu, enquanto os estudantes começavam a aplaudir.
"E... –continuou- uma vez, que todos tivemos um momento muito especial, no ano que passou, decidi que o baile desse ano será aberto para todos. Todos os anos poderão participar."
O salão ouviu em um silêncio aturdido. Os alunos mais novos não tiveram permissão de participar do baile passado.
"Agora, imagino que já tenha prolongando seu jantar por tempo demais, obrigado por sua paciência." Dumbledore sorriu novamente para eles sentando-se.
A barulheira que começou depois que o diretor terminara de falar, foi quase ensurdecedor. Ron, Harry e Hermione curvaram-se e começaram a conversar, tentando evitar o barulho em torno deles.
"Eu pensei que o Baile de Inverno era uma tradição do Torneio Tribruxo?" Ron perguntou.
"E é." Hermione retrucou, sua mente trabalhando rápido. "De acordo com Hogwarts: Uma História, o Baile de Inverno acontece durante o ano do torneio. Eu não entendo o que mudaria isso."
"E quanto a deixar que o primeiro, segundo e terceiro ano participem?" Ron perguntou para ela. Hermione apenas fez um sinal com os ombros que não sabia.
"Eu sei porque." Harry falou baixinho, olhando para os lados certificando-se que ninguém estava escutando.
"O Baile de Inverno só deveria acontecer a cada três anos. Mas, vocês se lembram, como a maioria dos estudantes ficou em Hogwarts no Natal passado, por causa dele?"
Hermione e Ron disseram que sim.
"Dumbledore quer manter tantos estudantes em Hogwarts quanto possível devido a Voldemort."
Ron olhou chocado, tentando não mostrar sua apreensão, quando Harry falou o nome de Voldemort. "Hagrid te contou isso?"
"Você sabe como o Hagrid é... deixou escapar. Ele me disse que eu não ficaria chateado nesse Natal, porque todo mundo estaria indo para o baile. Também me falou que era a melhor maneira de manter todo mundo sobre vigilância."
"A situação deve estar ficando, realmente, ruim se Dumbledore quer manter todos os estudantes aqui, durante o feriado. É engraçado, não houve qualquer menção da atividades dos Comensais da Morte no Profeta Diário." Hermione falou calmamente.
"O Ministro deve estar tentando manter tudo quieto." Ron concordou.
"Verdade." Harry murmurou "Eles vão fingir que nada está acontecendo, até o dia em que Voldemort vier bater nas portas deles."
"Você podia, por favor, não dizer esse nome?" Ron pediu.
"Que nome Weasley? Repassando uma lista de nomes femininos, que você e o Potter podem subornar para acompanhá-los ao baile?"
Hermione ficou paralisada, quando ouviu a voz de Malfoy interromper a conversa deles. Antes que ela conseguisse virar-se, Harry e Ron já estavam de pé. Malfoy estava parado logo atrás deles, usando seu olhar cínico normal. Crabbe e Goyle parados alguns passos atrás dele.
"Potter ao menos tem dinheiro, mas você Weasley, eu não sei como vai conseguir. Talvez, possa convencer alguma garota de bom coração a acompanhá-lo, apenas por piedade."
Ron saltou na direção do Malfoy conseguindo acertar-lhe um soco preciso, antes que Harry se juntasse à luta. Se Harry estava tentando tirar Rony da briga, ou derrubar o Malfoy, Hermione não conseguiu ver, Snape chegou lá primeiro.
"Potter! Weasley! O que vocês acham que estão fazendo?!" Snape gritou, enquanto puxava os dois garotos de cima do Malfoy.
"Malfoy começou!" Ron falou, seu rosto vermelho de raiva.
"Professor Snape, eu vim aqui apenas para entregar a Granger um livro, para nosso projeto de Aritmancia." Malfoy puxou um velho volume de sua mochila estendendo-o na direção de Hermione. "Foram Potter e Weasley que me atacaram."
"Detenção Potter, e você também Weasley! Brigas são proibidas pelas normas da escola, vocês sabem muito bem!" Snape falou.
Hermione observou que Malfoy ainda estava segurando o livro em sua direção. Ela reconheceu, como sendo um dos velhos livros de O´Leary.
"Pegue Granger, há algo nele que você realmente precisa ver."
Hermione olhou do livro para os olhos de Malfoy. Ele parecia estar olhando bem dentro dela. Sentiu que começava a ficar vermelha, e desviou o olhar. Mas, mesmo assim, aceitou o livro. Ele lhe deu mais um olhar penetrante antes de sair.
Hermione virou-se na cadeira e começou a folhear o livro. Tentava não escutar o Ron, que estava, naquele momento, comparando Malfoy e Snape com coisas bem pouco agradáveis. Enquanto folheava, delicadamente, as páginas amareladas do livro, um pedaço de papel dobrado flutuou para o chão. Pegando o papel percebeu que era um bilhete.
"Biblioteca, depois do jantar." Estava escrito em uma caligrafia impecável, que ela sabia pertencer a Malfoy.
Hermione sentiu que sua respiração parou por um segundo, rapidamente recolocou o bilhete dentro do livro. Olhou, casualmente, para a mesa da Sonserina. Malfoy tinha sua cabeça ligeiramente curvada para trás, enquanto, uma muito cordial, Pansy segurava algo contra o rosto ferido dele. Sentira o olhar de Hermione sobre si, virou a cabeça para olhá-la. Ela fez um sinal afirmativo com a cabeça rapidamente, então se voltou para ouvir Ron dizer a Harry, exatamente, o que gostaria de fazer com Malfoy.
Hermione subiu, silenciosamente, a escadaria para longe do Grande Salão. O barulho das conversas diminuíam à medida que ela se afastava pelos corredores escuros. Não pela primeira vez, Hermione se perguntou que diabos estava pensando. Havia concordado em encontrar Malfoy sozinha. Estava com uma sensação estranha no estômago.
"Maldito Malfoy." Murmurou sozinha.
Embora Hermione temesse ficar sozinha com Malfoy, sabia que não havia jeito de o evitar. Não importava quantas vezes repetisse que não se importava com o que aconteceria com o Sonserino, não conseguia ignorar a sensação de medo que se apoderara dela, quando soube que ele estava deixando Hogwarts. Malfoy não lhe contara o que havia acontecido em Hogsmead com seu pai. Mas Hermione era esperta, e a expressão de fúria que Lúcio Malfoy mantinha em seu rosto, enquanto procurava por seu filho, havia feito seu sangue gelar.
"Se ele ainda não falou com Dumbledore, vou ter que forçá-lo a ir!" Falou com confiança para si mesma.
Hermione sabia que Malfoy não queria ir com Lúcio. Sabia que ele não queria se tornar um Comensal da Morte. Isto tinha surpreendido Hermione, mais do que qualquer outra coisa. Bem, na verdade, havia outra coisa que a surpreendera, a sensação que sentira, quando Malfoy tocou seu rosto, quando ele a abraçou, quando ele...
"Para! Para de pensar nisso!" Falou para si mesma, enquanto atravessava outro corredor, em direção à biblioteca.
Não é que não tivesse gostado do que Malfoy tinha feito, na verdade, do que os dois tinham feito. O problema era, que ela não conseguia tirar aquilo da sua cabeça. Quando conseguiu chegar às portas da biblioteca, Hermione havia sido capaz de convencer-se, e não pela última vez, que não gostava do Malfoy, realmente, não gostava dele.
Hermione parou em frente à sala deles, respirando fundo abriu a porta. A lareira já estava acesa, com um calor agradável que preenchia a sala. Malfoy estava sentado em uma cadeira junto à mesa. Olhou para ela, quando Hermione entrou, e por um momento, ela pôde ver um brilho diferente nos olhos dele. Alguma coisa como se fosse contentamento, mas tão rápido quanto apareceu, o brilho sumiu, e Hermione se viu olhando para o mesmo Draco Malfoy que ela sempre desprezou.
"Não tinha certeza se você iria aparecer Granger. Imaginei que o Potter e o Weasley iriam manter você lá para sempre." Malfoy falou com seu sarcasmo usual.
"Sabe, você não precisava colocá-los em detenção, apenas para me passar um recado." Hermione respondeu, enquanto fechava a porta.
"Verdade, mas eu não podia desperdiçar a oportunidade!"
"Sabe Malfoy, você é um verdadeiro canalha de vez em quando."
Hermione sentou em uma cadeira em frente a ele, estava satisfeita que houvesse toda uma mesa os separando. O fitou silenciosamente, uma mecha do seu cabelo loiro estava jogado sobre seu rosto, Hermione teve que lutar contra a vontade e esticar a mão e ajeitá-la. Tremeu um pouco com a idéia de passar os dedos pelos cabelos dele.
O silêncio manteve-se entre os dois por diversos minutos, enquanto Hermione continuava sentada e Malfoy a investigava com o olhar. Suas mãos suavam, ela sentira-se embaraçada, durante todo o tempo em que Malfoy olhava para ela.
"Sim?" Ela perguntou, esperando soar mais calma do que se sentia.
"Sim?" Malfoy retrucou, parecia perdido em pensamentos.
"Você foi falar com o Professor Dumbledore?" Hermione perguntou desesperada para saber a resposta, mas temendo qual seria.
Malfoy pareceu compreender, o quanto ela precisava saber a resposta, para a pergunta. Ele se espreguiçou olhando pela janela.
"Está uma noite bonita, não é? Uma lua e tanto lá fora! Não acha Granger?" O sorriso cínico em seu rosto aumentou.
"Droga Malfoy, se você não falou com ele, eu juro que vou te arrastar pra lá!" Hermione levantou-se com os olhos brilhando de raiva.
"Humm... essa não é uma má idéia..., não acha?" Malfoy a encarou novamente.
Hermione fechou os punhos olhando para a mesa. Odiava que isso fosse difícil para ela. Odiava o fato de estar, imensamente, preocupada com ele.
Malfoy deu um suspiro e Hermione olhou para ele, o sorriso cínico deixara seu rosto. Lembrando-a, novamente, do garoto perdido, que havia encontrado naquele beco.
"Eu falei com Dumbledore, e eu vou ficar. Eu não sei o que ele vai dizer para o Lúcio. Sei que ele vai ficar furioso. Mas, eu duvido, que isso importe para o Dumbledore. Ele rompeu relações com o ministro, não foi?" A voz de Malfoy soava derrotada agora.
Hermione fez sinal que ele estava certo. "Sim, ele rompeu. Fudge não aceita o fato de que Voldemort retornou."
"Então por que insistir em lutar?" Malfoy passou as mãos nos cabelos ajeitando a mecha que havia estado incomodando Hermione, desde que entrara na sala. "Se Dumbledore e o Ministro estão divididos, que chance nós podemos ter contra Voldemort?"
Os olhos de Hermione aumentaram, quando ele puxou a mecha de cabelo revelando um olho roxo. Não conseguiu evitar o sorriso que surgiu em seu rosto. Malfoy olhou curioso para ela.
"O que é tão divertido, Granger?" Perguntou.
"Nada, apenas contente de saber que você não escapou ileso, Malfoy." Respondeu com um sorriso.
"Golpe de sorte, foi tudo."
Hermione podia jurar que o viu sorrir, quando falou isso.
"Sabe, você não precisa ser um canalha o tempo todo, e para todo mundo." Disse calmamente.
"Claro que eu preciso, alguém tem que manter o Potter e o Weasley na linha." Respondeu em tom divertido.
"Malfoy, o que ele fez com você? Seu pai, por que ele o estava procurando em Hogsmead?"
As palavras saíram de sua boca, antes que pudesse pará-las. Hermione quisera perguntar isso para ele, desde aquele dia, mas não tinha ousado. Agora que se sentira aliviada por saber que ele não ia sair de Hogwarts, ficara calma, o suficiente, para perguntar.
"Lúcio e eu estávamos apenas tendo uma conversa, sobre os meus planos para o futuro." Falou com calma, sua voz sem nenhuma emoção.
"Malfoy..." Hermione murmurou, em tom calmo.
"O que você quer que eu diga Granger? Você quer ouvir que meu pai, alegremente, me mataria, se Voldemort lhe dissesse para fazer isso? Que Lúcio irá, provavelmente, me matar, não importa o que o seu abençoado professor Dumbledore fizer? O que você quer que eu diga Granger?" Os olhos de Malfoy pareceram mudar de brilhosos, para algo perigoso, e então, ele abaixou a cabeça parando de olhar para ela.
Malfoy passou as mãos nos cabelos novamente, afundou o rosto na palma da mão colocando os cotovelos sobre a mesa. Hermione esticou-se e gentilmente tocou a mão dele, que pareceu se assustar. Levantou o rosto e olhou para ela. Hermione, imediatamente, retirou sua mão, afundando-se um pouco na cadeira, tentando não deixar o seu embaraço ficar visível.
"Tudo vai ficar bem Malfoy. Você está salvo aqui em Hogwarts com Dumbledore." Hermione falou quando conseguiu recuperar sua voz.
Malfoy deu uma gargalhada cínica. "É claro, veja o bom trabalho que ele, vem fazendo em manter o Potter seguro."
Hermione ficou pálida, ela não precisava ser lembrada como Harry estava sempre em perigo. A maior parte do seu tempo livre, passava preocupando-se quanto a Harry e a Ron. Acabou pensando se a partir de agora, estaria preocupando-se, também, com o Malfoy. Mordeu os lábios e começou a estudar os entalhes elaborados de uma das cadeiras. Sentindo que ele a observava, levantou o olhar. A expressão no rosto de Malfoy era impossível de discernir. Hermione sentiu uma pontada de apreensão, e imagens do último encontro deles ali, naquela sala, passaram pela sua cabeça. Levantou rápido da cadeira, quase a derrubando.
"A biblioteca vai fechar logo." Anunciou, esperando que ele não notasse a mudança de tom na sua voz.
"Antes você não parecia preocupada em ficar na biblioteca depois do horário, Granger."
"Olha, eu não quero mais problemas Malfoy."
Hermione procurou em uma pilha de pergaminhos pegando alguns para trabalhar na Sala Comunal da Grifinória. Andou até a porta virando-se para olhá-lo. Malfoy não se movera, seus olhos estavam focados nela, e então, ele passou a olhar para a lareira.
"Eu... eu estou contente que você vá ficar, Malfoy." Ela disse com cuidado, surpresa de ter dito isso.
Malfoy não disse nada, apenas continuou olhando para o fogo.
Hermione apertou mais o seu casaco de inverno em torno de seu corpo, desejando ter trazido algo quente para beber. Olhou para cima, onde o time de Quadribol da Grifinória estava praticando. Harry acenou para ela, lá de onde ele estava voando, enquanto esperava o pomo de ouro aparecer. Geralmente, Hermione gostava de olhar o treino de Quadribol, mas hoje estava muito frio, para ficar tanto tempo fora. Esfregou as mãos percebendo que sua respiração estava congelando na frente de seu rosto.
"Olá Hermione."
Hermione observou Dino Thomas subindo os degraus em direção à ela.
"Oi Dino, como você está?" Perguntou contente.
Sorrindo para ela sentou-se perto. Procurou entre suas coisas puxando uma garrafa térmica. Hermione alargou o sorriso sentando-se mais perto dele.
"E o que temos aqui?" Perguntou com um sorriso inquisitivo.
"Cidra quente, os elfos ficaram fazendo durante todo o dia de ontem na cozinha. Simas e eu decidimos que valia a pena descer até lá para conseguir um pouco." Dino derramou um pouco do líquido quente em um pequeno copo, que servia como tampa da garrafa e o deu para Hermione.
"Obrigado Dino, está realmente frio aqui fora. Eu não sei porque decidi acompanhar os outros para olhar o treino, eu poderia estar fazendo algo de útil agora." Falou para ele.
"Algo como Aritmancia?" Dino sorriu. "Olhar Quadribol é preferível a Aritmancia, a única coisa melhor, seria um jogo de futebol."
"Por que todos os meus amigos têm que ser fanáticos por esportes?" Perguntou em tom jocoso.
"Na verdade, falando sobre amigos, Hermione, eu estava pensando se você gostaria, bem, já que somos amigos..." Dino olhava para seus sapatos. "Eu estava pensando, bem, quero dizer, você, provavelmente, vai com o Ron ou com o Harry, mas se não for, e já que somos amigos..." Dino olhou para Hermione. "Você quer ir ao baile comigo?"
Hermione sorriu. "Não, eu não vou como Rony ou com o Harry, eles decidiram que se tivessem que se sujeitar a outro baile, iriam sozinhos dessa vez."
Dino olhou aliviado, quando recebeu essa informação.
"Eu gostaria de ir com você, seria muito legal." Falou a ele. "Veja, acho que eles acabaram o treino."
Dino olhou para o campo observando os jogadores da Grifinória pousarem.
"Você quer descer para encontrar com eles?"
"Claro." Hermione levantou-se, bebeu um último gole da cidra gostando da sensação de calor que lhe causava.
Dino guardou a garrafa, então se levantou, esperando Hermione terminar de guardar seus pertences. Ela olhou para ele dando-lhe um sorriso, podia jurar que ele estava embaraçado, enquanto desviava o olhar.
Hermione sorriu para si mesma, ao mesmo tempo em que colocava sua mochila no ombro, ela gostava de Dino, ele era legal.
"Claro que sim, legal." Uma voz na sua cabeça falou. "Muito seguro também."
"E o que tem de errado com seguro?" Hermione se perguntou. "Eu gosto de segurança, melhor segurança do que alternativa."
Uma imagem de Malfoy apareceu na sua cabeça parecendo perdido e sozinho. Malfoy olhando para ela, com aquela expressão que a fazia sentir-se vendo estrelas. Dino, com certeza, não a fazia ver estrelas.
"Por que estou pensando em Malfoy novamente? Talvez Ron tenha razão, e eu esteja ficando louca." Pensou.
"Sim." A voz na sua cabeça falou de novo "Você bem que queria, que essa fosse a razão."
"Cale a boca." Hermione retrucou aborrecida.
Dino virou a cabeça a olhando. Ela enrubesceu, quando percebeu que falou, a última sentença, em voz alta. Adiantou o passo para se aproximar dele, que então, continuou andando para o campo. Silenciosamente decidiu não pensar mais em Draco Malfoy.
