Observava a chuva cair forte e sentiu um arrepio, aquilo só poderia ser coisa do Uchiha. Os Nekomatas eram conhecidos pelas destrutivas tempestades que causavam quando irritados. É, aquilo com certeza era coisa do Sasuke:
- O que... O que será que o irritou? – sua voz saiu trêmula.
- Não sei... Alguém mexeu com o gatinho errado! – Suigetsu riu.
Suspirou. Não era hora para brincadeiras, mas aquele peixe não parecia se tocar disso. Os olhos esmeraldas voltaram a observar o céu agora escuro. O "Clã particular" do moreno acabara por ficar preso no refeitório, embora faltava Neji estivesse ausente. Voltou-se para o Sabaku na sua frente, o ruivo parecia extremamente concentrado, os olhos frios não desgrudavam em nenhum momento das gotas d'água. Algo em seu interior disse que ele deveria saber mais do que demonstrava:
- Gaara... O que falam sobre o Naruto é verdade? – isso a intrigava.
- Pergunte a ele quando o ver...
Viu o rapaz se levantar, indo embora. O que estava acontecendo com todos?!
Todos estavam agindo estranho esse ano e tudo havia começado quando o Sasuke teve a ideia de trazer o Uzumaki para o grupo. Se não fosse por aquele louro, as coisas estariam normais entre eles. Isso apenas comprovava os boatos de seu mundo: onde quer que um Kyuubi fosse, ele traria discórdia e tragédias. Sim, com certeza era culpa de Naruto. As raposas eram os descendentes mais perigosos e sedutores!
Embora não tivesse plena certeza de que ele fosse uma, eram apenas o que diziam no colégio:
- Com certeza vou perguntar... – levantou-se.
- Ehh! Onde vai, cabelo de chiclets?! – Suigetsu a seguiu.
- Para o dormitório...
xxxx
Sentiu a claridade bater em seu rosto, tentou fechar mais os olhos, porém de nada adiantou. As safiras se abriram, observando os raios de sol que entravam pela cortina semiaberta. Quem fora o idiota que não a fechou direito? Voltou-se para o relógio, constatando que eram apenas 7:00 da manhã de sábado:
- Que ótimo... – suspirou.
Aconchegou-se mais ao moreno, sendo abraçado inconscientemente. Percebeu que ele já voltara ao normal, sinal de que havia se acalmado durante o sono. Era uma pena, gostara de brincar com as orelhas felpudas de Sasuke. Sorriu com o pensamento, depositando um selinho nos lábios finos. Estava envolvido com o Nekomata, não pela lealdade instintiva, mas por seus próprios sentimentos. Detestava ter que admitir, porém seus pais estavam certos quando disseram que encontraria alguém:
- Só estavam errados na parte em que tudo seria um mar de rosas... – pensou indignado.
Fechou os olhos, sua cabeça doía enquanto os sonhos ainda viam em sua mente, nítidos. De uma coisa tinha certeza: já conhecia Sasuke da infância. O labirinto criou forma em sua frente, lembrando-o do sufoco que passara. Observou o rosto do moreno, ele ainda estava entregue ao sono, parecia até inocente naquele momento. Naruto riu baixo com sua conclusão:
- Teme... – afagou os fios negros.
- Volta a dormir, usuratonkachi... – a voz rouca soou baixa.
Afundou o rosto no peito do maior, o aroma que se desprendia quase o embalava no sono por conta própria, porém foi a carícia em sua nuca que o adormeceu. Sentiu os lábios finos em sua testa e estremeceu de leve, relaxando completamente.
Quando percebeu que o louro já havia voltado a dormir, os olhos vermelhos se abriram. Era impossível não acordar com os pensamentos do Uzumaki em sua cabeça, realmente não contava que pudesse acompanhar aquela mente bagunçada. Ao que parecia, a lealdade de um Kyuubi ia além do imaginado por ambos.
Crispou os lábios ao se lembrar de Neji, ainda teria que o encontrar. Não deixaria que um mero Hyuuga secundário abusasse de sua pose e saísse ileso:
- Kurama... – observou a raposa balançar as orelhas – Consegue encontrá-lo?
Um rosnado baixo foi o suficiente para sorrir satisfeito.
xxxx
Quando voltou a si, a escuridão o rodeava, mesmo o Byakugan não parecia útil naquele momento. Por mais que tentasse, não conseguia reconhecer o local nem se lembrar do que ocorrera, ou parte do que ocorrera. Lembrava-se de ter nocauteado o Uzumaki e levá-lo ao seu quarto. Estremeceu de prazer conforme as lembranças vinham. Aquele corpo bronzeado e indefeso abaixo de si enquanto o penetrava sem piedade, via-o chorar embora estivesse inconsciente. Agora tinha a lealdade do Kyuubi para si, o poder dele para si:
- Apenas para mim... – sorriu satisfeito.
- Sinto o informar... – uma voz serena – Mas Naruto já tem um "dono", se preferir chamar assim...
Arregalou os olhos no escuro, havia alguém que conseguira ser mais rápido que ele? Será que era a pessoa que se dirigia a ele? Tentou se levantar, porém constatou estar preso na cadeira, como não percebera as cordas antes?:
- Tão entregue a sua obsessão que não se dá conta da própria situação, Hyuuga...
- Quem é você?
A luz se acendeu, cegando-o por instantes. Abriu os olhos e encarou surpreso a pessoa à sua frente. Constatou que estava num quarto e a umidade o fazia crer que ficava no subsolo, desde quando o colégio possuía aquela área? Isso é, se estivesse no colégio ainda:
- Que brincadeira é essa, sensei?
Os olhos castanhos brilharam ante a pergunta, os cabelos ruivos balançaram ante o movimento de cabeça do adulto. Algo em seu sorriso fez Neji estremecer:
- Brincadeira? Eu deveria ver o que você fez ao Uzumaki como uma brincadeira também?
- Você não tem nada a ver com isso! – murmurou começando a se irritar – Solte-me agora ou irei te denunciar ao diretor!
Uma risada rouca foi o bastante para o calar. O que aquele cara estava pensando ao manter um aluno naquelas condições? Sibilou de raiva e tentou se soltar, logo percebendo que as cordas estavam mais firmes do que pensara:
- Eu que te denunciei ao diretor, Neji... – uma voz carregada de nojo – Deveria ter pensado melhor ao abusar do meu protegido...
- Protegido? – arregalou os olhos perolados – Não me diga que o sensei...
- Hai... Naruto está sob minha responsabilidade...
Percebeu, pelo canto do olho, algo se mexer. Observou temeroso um boneco se aproximar de si, nas mãos uma adaga escorrendo o que parecia ser veneno. Com o Byakugan conseguia ver as linhas de energia que o controlavam, debateu-se nervoso, nunca que pensara que o professor pertencia ao Clã de Marionetes:
- Sasori-san, peço que se acalme... – a voz cansada despertou o moreno.
- Diretor... – o ruivo se curvou, afastando-se.
Neji apenas observava o velho diretor, sem desviar o olhar. Finalmente uma pessoa sã para o tirar dali, ao menos era isso o que pensava até receber um golpe de bastão. Um arrepio de medo o tomou quando se deparou com os olhos sábios do homem a sua frente. Aquela aparência de velho simplesmente desaparecera, dando espaço a uma pose de poder:
- Notifiquei Hiashi-sama de sua má conduta, Hyuuga-san – a voz soou firme – Estarás retornando para a casa agora em suspensão de um mês...
- Tudo isso por causa de um lourinho mimado? Sério mesmo?! – gritou – O que aquele pivete Kyuubi tem de precioso que nenhum de nós tem?! Por que tanta proteção e mimo se o papel dele é ser a nossa mulherzinha?!
Sentiu a lâmina gélida contra seu pescoço e olhou, tomado de ódio, para o Akasuna e a marionete próxima de si. Porém nada o preparara para o trovão que retumbou fazendo-se ouvir mesmo ali, abaixo na terra. Tremia ao perceber a presença atrás de si, não precisava olhar para saber que os olhos vermelhos estavam sedentos por sangue, o seu sangue:
- Senhor Uchiha, como chegou aqui? – a voz do diretor continuava calma.
- Kurama...
Observou a raposa aproximar-se de si, a boca arreganhada deixando a mostra as presas. Tinha dúvidas de quem queria mais sua morte, Sasuke ou o animal:
- Quem é a nossa "mulherzinha", Neji-kun?
- O dono do pirralho é você então, Sasuke... – sorriu possesso – Por que tão irritado?
- Sabes que eu não gosto que toquem no que é meu... – a voz sussurrou próximo a seu ouvido – E Naruto é meu...
Um novo trovão se fez ouvir, todos no quarto conheciam a fama dos Nekomatas e imaginavam o quão irritado estava o Uchiha:
- Otouto, deixe o Hyuuga ir para casa, garanto que o castigo dele já será ruim sem que você faça algo... – Itachi apareceu, encostado na porta – Tem algo mais importante para se preocupar agora...
- Tipo?
- Ele descobriu que o Uzumaki está aqui...
Sasori encarou surpreso o moreno maior, percebendo que o diretor também compartilhava de seus pensamentos. O silêncio reinou por alguns minutos, deixando o clima pesado no subsolo, tornando-se palpável o nervosismo ali.
Sasuke saiu do quarto puxando o irmão junto, o olhar mais sério do que qualquer um deles jamais vira.
xxxx
Ao acordar, o moreno não estava mais no quarto, nem Kurama. Então decidira ir até o quarto de Sai e Gaara, para irem juntos ao refeitório. Fora informado que durante a tarde teriam ensaio para a peça, portanto estava empolgado para voltar ao palco.
Viu o amigo saindo junto do ruivo pela porta, parou onde estava enquanto os observava surpreso. Era só coisa da sua cabeça ou Sai estava abraçado ao Sabaku? Não percebera quando os dois o chamaram até que o moreno o puxara pelo pescoço num abraço:
- Naru-chan, sei que está com ciúmes! Mas precisa entender que tem que me dividir com o Gaa-chan...
- Ehhh! Então vocês realmente...? – perguntou eufórico.
- Naruto, fale baixo... – a voz de Gaara o acalmou – E sim, ou talvez sim, não sei...
Ouviu Sai bufar indignado e riu com isso. Quem dera que seus melhores amigos estariam juntos. Ou quase juntos.
Quando saíram do bloco, os garotos observaram a chuva fina cair. Ao que parecia, continuaria a chover por mais algum período, embora tenha passado pela mente do louro que ali tinha dedo do Uchiha. Balançou a cabeça achando sem nexo aquele pensamento. Caminharam apressados ao refeitório, tentando chegarem o mais seco possível. Como não fora para o café da manhã, Naruto estava faminto e sorriu contente ao ver a tia da cantina o oferecer um grande, e coloca grande nisso, prato de lámen:
- Arigatou! – correu para a mesa onde avistara Hinata.
A garota levou um susto quando percebera alguém ao seu lado, porém deixou que um sorriso ornasse sua face ao ver o Uzumaki. Viu os outros meninos vindo atrás dele, com uma expressão de que pediam desculpa pela falta de descrição do menor. Conversavam alegremente quando Suigetsu chegou junto de Sakura. Algo no olhar da Haruno para o louro fez com que Hinata estremecesse, nunca havia visto a veterana com tanta raiva, todavia o amigo parecia nem reparar:
- Então Naruto-kun... – a voz fria de Sakura chamando a atenção de todos na mesa – É verdade os boatos sobre você?
- Que boatos?
O menor olhou confuso para Sai, o mesmo apenas suspirou ao constatar que esquecera de avisar sobre isso:
- Sobre você ser um Kyuubi... – Suigetsu também estava curioso.
A Hyuuga viu o amigo tremer ao seu lado, ela e Kiba sabiam da verdade, mas isso não parecia ser algo seguro para sair se falando por aí. Observou Gaara se aproximar mais de Naruto, podia perceber que ele e Sai também estavam tensos e, algo no olhar do ruivo a fazia crer que prontos para lutar se preciso:
- Hai... – a voz firme do louro surpreendeu a todos.
Sakura se levantou batendo com os punhos na mesa, agora era possível notar a ira contida nas esmeraldas. Hinata pensava que isso deveria ser por terem mantido segredo, mesmo após todos se aproximarem tanto, no entanto, as palavras que vieram em seguida provaram o contrário:
- Então é realmente tudo culpa sua! – a rosada parecia outra pessoa – O nosso Clã se desfazendo, o Sasuke me abandonando, tudo culpa sua! Uma raposa que não passa de uma conquistadora barata!
O Uzumaki estava tão atônito que não pode responder, apenas vendo a garota se afastando a passos duros e, atrás dela, um Suigetsu pedindo desculpas em silêncio.
A morena se assustou ao ver as lágrimas rolarem pelo rosto bronzeado e acabou o abraçando, acariciando os fios louros. Pode ver nos olhos verde-água, a raiva se expandindo no Sabaku até que Sai o tocou no ombro, acalmando o poder do Shukaku. Os braços do louro a envolveram e sentiu seu casaco molhado por mais lágrimas que vinham, sentindo o corpo que abraçava, tremer:
- Não é culpa sua, Naruto-kun... – o apertou mais firme – Todos estão nervosos com tudo o que tem acontecido...
Hinata queria que a ruiva estivesse ali. Não tinha lembranças de sua mãe, pois esta morrera quando era pequena, porém tinha certeza que deveria ser tão carinhosa e reconfortante quanto Kushina. Apenas ela saberia como animar aquela raposa em seus braços.
Ouviu Sai mencionar sobre o teatro e percebeu em como Naruto parecera mais atento. Ao que parecia, aquilo era o bastante para o fazer esquecer das coisas por um tempo. Levantaram-se indo para o auditório. A chuva estava mais forte do que antes e ela sabia por que: Sasuke estava irritado, muito irritado.
Os olhos azuis brilharam ao ver parte do cenário pronta, o pessoal havia caprichado mesmo, não se esquecendo nem dos mínimos detalhes. Percebeu que boa parte da turma já estava ali, o mesmo podia se dizer de Sasori-sensei. Esse o encarou por alguns instantes e sorriu suavemente, fazendo Naruto corar ao constatar em como o mais velho era bonito.
Passou o olhar pelo espaço, logo identificando Kiba que acenava eufórico para eles. Aproximaram-se do moreno, sendo recebidos por um grande sorriso:
- Vocês verão como o meu brilho fantasmagórico será o melhor de todos hoje!
Todos se entregaram aos risos. Mesmo em uma tarde chuvosa como aquela, todos os alunos pareciam extremamente empolgados. Afinal, aquele era um dos últimos ensaios, logo o natal estaria chegando e, com ele, as férias de inverno:
- Um semestre já se foi praticamente... – concluiu o louro para si mesmo.
xxxx
- Como? – tentava manter a voz calma.
- Eu realmente não sei...
Estavam desde o almoço ali, no quarto do mais velho, tentando achar uma resposta coerente. Porém nada explicava como aquele homem conseguira as informações e, apenas isso, já era o bastante para deixar Sasuke com os nervos à flor da pele. Não conseguia, simplesmente não conseguia se acalmar desde o dia anterior, por mais que Itachi dissesse que a chuva repentina já chamava atenção:
- Otouto...
- Eu não consigo parar, okay? – falou indignado.
- Eu ia dizer para se juntar ao Uzumaki, talvez isso te ajude...
Arqueou uma sobrancelha, olhando o maior incrédulo:
- O que você acha que eu sou? Uma garota apaixonada?
- Sinceramente? – viu o irmão sorrir – Sim...
Um relâmpago cortou o céu enquanto Itachi continuava a sorrir. Precisava de algo para quebrar aquele clima, ao menos tivera um pouco de sucesso:
- Ele virá, você sabe...
- Hm...
- O que fará quando isso acontecer, Sasuke?
Os lábios do irmão se abriram para responder, porém logo se fecharam sem que nenhuma palavra saísse. Percebia o conflito estampado nos olhos negros, sabia que ele havia se esquecido dos próprios planos. Suspirou, estava cansado daquilo tudo, arrependia-se por não ter dado um fim naquele monstro, mas também sabia que não tinha forças o bastante naquela época:
- Você terá que decidir de que lado está, otouto... – levantou-se para preparar chá – O nosso Clã o seguirá...
- Eu sei... – a voz saiu fraca.
Observou o menor pelo canto dos olhos, via como aparentava estar abatido diante daquela verdade. Crescera acreditando nas mentiras dos Uchihas e na superioridade de todos, aprendera que todos do Clã Kyuubi significavam ameaça e que deviam ser eliminados, fora ensinado a usar os outros como objetos para desejos próprios. E Itachi não o culpava por ter crescido assim, na verdade, culpava-se por não ter estado ao lado do irmão durante toda a infância dele:
- Não precisa ser um traidor como eu, Sasuke...
- Hm...
- Mas preciso que me responda... – derramou a água quente na xícara – Irá entregar Naruto a ele?
- Nunca!
Virou-se para o mais novo, entregou-lhe uma das xícaras e então se sentou. Aquela resposta de certa forma o reconfortara, no entanto, as coisas não eram tão simples:
- E o que fará?
- Não sei... – a voz parecia tomada de desespero – Mas Naruto... Nunca...
- Otouto, talvez não seja o momento, porém acho bom rever seus sentimentos...
Viu Sasuke o observar confuso e apenas sorriu. Sabia o quão cabeça dura seu tolo irmãozinho conseguia ser. Levou o chá aos lábios, sentindo o calor emanado o acalmar, o olhar voltou-se para a janela apreciando a chuva.
O Uchiha mais novo se levantou assim que acabou de beber tudo e saiu do quarto em silêncio. Itachi ainda olhava a chuva, perdido em lembranças de uma família calorosa que o acolhera. Realmente, deveria tê-lo matado.
Andava apressado pela chuva, aquilo realmente era um incômodo, bem que a água poderia o evitar. Adentrou o bloco B pingando, já estava anoitecendo e ele apenas desejava um bom banho e, então, dormir. Entrou no quarto, reparou que seu colega ainda não havia chego:
- Onde ele se meteu? – suspirou cansado.
Decidiu se preocupar depois e foi para o banheiro.
A água quente atingiu seu corpo em cheio, causando um arrepio. Relaxou os ombros tensos e encostou a testa na parede, deixando o tempo passar sem realmente tomar banho.
xxxx
Parou um golpe de espada certeiro:
- Entendeu, Sasuke? Você tem que ser melhor que todos... – mais um golpe – Tratá-los todos como seus servos, pois é isso que nós, Uchiha, fazemos...
- Hai otou-san...
Desviou de um novo ataque direcionado ao seu pescoço:
- No entanto, filho, os Kyuubis devem ser mortos! – um golpe mais forte que o normal – Eles são monstros sem controle que destroem tudo que chega próximo a eles...
- Kyuubis?
- Hai, Sasuke, as raposas traiçoeiras... – um novo ataque próximo ao pescoço – Você saberá quando encontrar uma, todas possuem uma marca de nascença na mão...
- Certo, otou-san...
Curvou-se em referência e guardou a espada, encerrado o treinamento do dia.
xxxx
Abriu os olhos cansado, sua pele já adormecera pelo calor da água havia algum tempo. Acabou seu banho, ainda preso na lembrança:
- Monstros... – sussurrou.
Saiu do banheiro em silêncio deparando-se com uma cena, sorriu de leve, esquecendo dos problemas momentaneamente. Naruto rolava no chão tentando escapar das mordidas de Kurama, a cauda da raposa balançando energeticamente enquanto pulava de um lado ao outro atrás do dono:
- Ele não é um monstro, otou-san... – pensou suspirando – Naruto...
- Huh? Sasuke... – as safiras transbordavam preocupação – Tudo bem?
- Claro, por quê?
O louro apontou para a janela, referindo-se a chuva que ainda não parara. Ao que parecia, até ele sabia que aquilo era coisa sua. Aproximou-se do menor acariciando os fios dourados, desceu a mão ao rosto bronzeado, contornando as cicatrizes. Percebeu que a pele estava úmida, o menor chorara de novo e aquilo o apertou o peito, como queria evitar toda a dor que sua raposa sentia:
- Por que chorou?
- Sakura-chan disse que é tudo minha culpa... – a voz soou triste – O distanciamento do Clã de vocês, você a abandonando... Tudo...
Outro relâmpago cortou o céu, estava irritado novamente. Como ela tivera coragem de dizer tais coisas? Além de Neji, agora a Haruno também estava fora de si.
O Uzumaki levantou-se do chão e se encolheu na cama. Não gostava daquele Sasuke estressado, o ódio, que o Nekomata emanava, assustava-o. Se ao menos pudesse fazer algo por ele, mas o moreno ainda parecia uma pessoa distante de si. Sentiu novas lágrimas se formando, como andava chorão nos últimos dias, puxou Kurama contra seu peito assim que ela subiu na cama. Fechou os olhos com medo, estava tudo virado de ponta cabeça, como queria que sua mãe estivesse ali o confortando e o pai apenas o abraçando:
- Kurama... – acariciou as orelhas felpudas – Eu quero ir para casa...
- Nós vamos a hora que você quiser, pequeno... – aquela voz tão acolhedora em sua mente.
- Eu quero ir agora, Kurama...
- Naruto?
Olhou para o Uchiha e se culpou pelo olhar perdido que possuía, estava mais do que óbvio que ouvira suas palavras. Tentou dizer algo, porém nada vinha a sua mente e apenas voltou a enterrar a cabeça no travesseiro.
Sentiu o colchão ao seu lado afundar e se encolheu mais ainda. Deixara que seus instintos se liberassem e quando dera por si, as nove caudas estavam espalhadas pela cama e as orelhas felpudas surgiram. Mordeu o lábio irritado com si mesmo, por que estava com medo justo de Sasuke?
A mão em uma das suas caudas o fez se voltar assustado, deparando-se com o Nekomata também em sua forma transformada:
- Por quê...? – aquela voz serena carregada de desespero – Por que quer ir embora?
Tentou novamente dizer algo, mas seus lábios foram tomados pelo moreno. Seu peito se aqueceu, o conforto e calma o preenchendo. Abriu a boca assim que sentiu a língua do maior pedir passagem, entregue a um beijo em que não havia vencedor. Passou as mãos pelos fios negros até chegar nas orelhas que tanto adorara, acariciando cada uma delas devagar. Ouviu o Uchiha suspirar de contentamento e sorriu entre o beijo.
Desceu para o pescoço branco, beijando carinhosamente, vendo em como ele se arrepiava aos seus toques. Alternou para mordidas e chupões, marcando-o, deixando bem claro que tinha dono. Não teria problemas maiores com roupas, já que o maior saíra do banheiro apenas de cueca. Trilhou com mordidas até um dos mamilos, lambendo-o de leve, ouvindo o amante arfar. Em outras condições iria brincar com o outro botão rosado, porém pegou a cauda negra que balançava, a acariciando lentamente, observando contente como os olhos vermelhos transbordavam deleite. Puxou o mamilo entre os dentes, ouvindo um baixo gemido, voltou a descer pela pele branca, sentindo a textura macia pela qual se apaixonara. Ouviu o moreno se arrepiar de ansiedade quando se aproximou do membro excitado, todavia passou reto, mordendo as coxas firmes, vendo como ficavam vermelhas tão facilmente com suas mordidas.
Tirou a cueca que o Uchiha usava e pegou o falo na mão, massageando lentamente. Divertia-se ao ver as orelhas felpudas se mexendo constantemente, lambeu aquela cabeça, sentindo o pré-gozo em sua boca, chupou devagar observando o maior morder os lábios. Abocanhou o membro e sentiu as mãos do outro em sua cabeça, incentivando-o a se movimentar. Sorriu satisfeito e chupou demoradamente aquele pedaço de carne, ouvindo um gemido rouco em resposta, começou um movimento de vai e vem, lento, conforme seu próprio ritmo:
- N... Naru... – aquela voz sensual.
Aumentou o ritmo enquanto brincava com a cauda do Nekomata, percebendo aquele corpo entregue a arrepios. Usou os dentes levemente, provocando um espasmo no Uchiha, chupou novamente e sentiu o jato quente encher sua boca. Engoliu tudo. Engatinhou até Sasuke que o observava extasiado, o rosto corado e os olhos vermelhos nublados de desejo. Tomou seus lábios enquanto se deixava ser virado, ficando por baixo do moreno:
- Você é perfeito... – uma mordida em sua orelha – E meu...
Deixou-se entregar àqueles lábios que marcavam seu pescoço. Percebeu suas roupas serem tiradas e jogadas em algum lugar no quarto, suas caudas balançavam pela cama, ocupando a maior parte do espaço.
Viu o moreno o oferecer três dedos e os lambeu com vontade, sem desviar os olhos dos sedentos vermelhos. Quando estavam bem molhados, observou Sasuke se abaixar e abrir suas pernas, não antes de morder uma das caudas de leve, causando-o um arrepio de prazer. Sentiu algo úmido em sua entrada e arfou surpreso ao constatar ser a língua do amante, insinuava uma penetração, deixando-o ansioso para a realidade. A língua deu lugar a um dos dedos, depois dois, três. Um movimento de tesoura em seu interior e já estava arqueando as costas, entregue ao prazer:
- Ahn Sasu... Mais...
- Mais o que, Naru? – aquela voz rouca o provocando.
- Eu quero... ahn... – gemeu baixo – Você dentro de mim...
Seu pedido foi atendido em imediato. O Uchiha o penetrou de uma única vez, fazendo seu corpo arder, acabou por soltar um gemido de dor. Percebeu que o maior esperava ele se acostumar, então rebolou o quadril lentamente, provocando um arfar no outro. Sentiu aquele membro saindo completamente para depois retornar a entrar com intensidade, lento e depois rápido. Puxou-o pelos fios negros, roubando seus lábios em um beijo afoito enquanto a velocidade da penetração aumentava:
- Sas... Sasuke... – gemeu em meio ao beijo.
Os corpos suados se chocavam, causando fricção no seu próprio membro entre seus abdomes, sentiu-se estremecer antes do orgasmo chegar e o sêmen sujar mais ainda seus corpos. Gemeu guturalmente ao ouvido do Uchiha e logo se sentiu ser preenchido pelo líquido quente, enquanto tinha os lábios novamente tomados em um beijo. As línguas dançavam lentamente, não querendo dominância de nenhum. Sasuke saiu de si sem interromper o ósculo e o puxou para um abraço. Afastou o rosto devagar, observando os olhos vermelhos o olhando carinhosamente. Sorriu e se aconchegou ao peito do maior, não se importando com o estado de ambos, estava cansado. Sentiu o afago em suas orelhas e fechou os olhos:
- Né Sasuke...
- O que foi, Naru? – a voz também sonolenta.
- Eu te amo... – deixou escapar antes de cair no sono.
Sasuke arregalou os olhos encarando o louro abraçado a si. O que fora aquilo? Por que seu coração batia tão acelerado com simples palavras? Puxou mais o corpo menor contra o seu, sentindo o calor que emanava. Lembrou do medo ao ouvi-lo dizer que queria ir para casa, não poderia ter Naruto longe de si, tornara-se dependente daquela raposa travessa em seus braços.
Sorriu sereno e afagou o rosto bronzeado, quem o via dormir até pensava ser o anjo que aparentava, isso por que não o conheciam na cama:
- Usuratonkachi... – sussurrou depositando-o um beijo na testa – Talvez eu também te ame...
