CAPÍTULO X
— O que você está com vontade de fazer hoje?
Já passavam das nove. Havia uma sensação de pra zer em dividir o café-da-manhã com Yume.
— Ficar com você, querida.
— Por que não vamos dar uma olhada na butique? — sugeriu Kagome. — Almoçar e fazer compras para re laxar.
— Claustrofobia tão cedo? — sua mãe brincou.
— Pode ser.
Como ela podia explicar para a mãe que possuía um desejo ardente de sair daquela casa? Uma casa da qual muito provavelmente pediriam que saísse?
— Você não acha que deveria descansar?
Kagome balançou a cabeça.
— Fiz isso ontem, lembra? Com a insistência sua e de Sesshomaru. Mas hoje... Bem, hoje era diferente.
— O obstetra...
— Me garantiu que estou bem para voltar a minha rotina normal.
Yume deu uma piscada.
— Conheço bem essa sua determinação. Quatro horas no máximo — ela preveniu. — Menos, se eu achar que está começando a ficar fraca.
Elas saíram de casa às onze, apesar da relutância de Steve, com Yume ao volante e Double Bay como destino.
A butique era a prioridade de Kagome e a recepção alegre e o abraço caloroso de Sango valeram seu dia.
— É tão bom ver você — entusiasmou-se Sango. — Mas era para você estar aqui?
— Foi isso que eu disse para ela.
Sango deu um sorriso malicioso para Kagome.
— E ela não escutou, não foi?
— Mantenho-a na rédea.
— Pronta para refreá-la?
— Se você não parar de falar de mim como se eu não estivesse aqui... — protestou Kagome com a voz cal ma. — Algum problema?
— Nenhum com o qual eu não possa lidar — asse gurou Sango. E continuou a descrever a lista de entre gas, vendas e pedidos.
— Quer fazer uma pausa enquanto Yume e eu to mamos conta da loja?
Yume deu um passo adiante.
— Eu tomo conta da loja e você senta — disse ela rapidamente. — Sango, tire meia hora.
Era bom estar de volta, refletiu Kagome. Qualquer um pensaria que ela estivera fora por semanas em vez de um dia.
— Eu gosto do que você está fazendo aqui — elo giou Yume, enquanto Kagome mexia no estoque. — Está bem organizado e as roupas expostas com beleza.
— Obrigada.
Era agradável ver sua mãe receber os clientes que entravam apenas para olhar e acabavam comprando devido ao magnífico talento de Yume para as vendas. Definitivamente uma arte, reconheceu Kagome, que sua mãe possuía de sobra.
— Aprendi com a melhor de todas — elogiou Kagome quando a butique ficou vazia e Yume deu um sorriso.
— A peça que era bonita. Combinou com as fei ções e cor de pele dela... O mérito é da própria peça.
— Com certeza.
As duas estavam rindo quando Sango retornou. Levan tando a sobrancelha de forma brincalhona ela disse:
— Vocês vão dividir comigo ou terei de adivi nhar?
— Yume acabou de vender o conjunto Saab.
A expressão de Sango era cômica.
— Essa peça saiu do estoque agora de manhã. Você devia ficar mais algum tempo.
Yume pegou sua bolsa.
— Vou levar minha filha para almoçar.
— Volto amanhã.
— Melhor ver primeiro com Sesshomaru — advertiu Sango, ignorando a revirada de olhos expressiva de Kagome.
Kagome conseguiu uma mesa em um restaurante ele gante e bem conhecido por sua cozinha sofisticada.
— Sango parece estar gerenciando a loja muito bem — Yume deu um gole em sua água e inclinou-se um pouco na cadeira. — Você podia tranqüilamente tirar umas férias.
— Talvez.
— Pense nisso — sua mãe a estimulou.
Kagome inclinou a cabeça e rapidamente a abaixou quando viu quem o maître estava conduzindo a uma mesa vaga.
Kagura.
— Alguma coisa errada, querida?
— Você, Kagome — a voz meiga e arrastada era de finitivamente felina. — Não esperava ver você aqui.
— Acredite em mim, nem eu.
— Não — disse ela em um tom de voz despreocu pado.
Kagura virou-se para Yume.
— Acho que não nos conhecemos. Yume Lafarge. Uma... — ela fez uma pausa proposital — uma velha amiga de Sesshomaru.
Não tão velha, e determinada a intrometer-se no presente.
— Talvez eu pudesse me sentar com vocês.
Desagradável, definitivamente desagradável, con cluiu Kagome, que estava prestes a recusar, quando sua mãe se antecipou.
— Não.
— O restaurante não tem mais mesas vagas.
— Vamos ter uma conversa íntima.
Levantando uma das mãos, ela chamou o maître e explicou que não estavam dispostas a compartilhar a mesa e ouvir sua resposta volúvel.
— Mas a madame insistiu que é uma amiga.
O sorriso de Yume era puro mel.
— A madame está errada.
O olhar cortante de Kagura foi como um laser quando ela se virou e saiu do restaurante.
— Você me deve uma explicação — começou Yume com imparcialidade.
Kagome explicou a história resumidamente e viu sua mãe franzir os olhos.
— Essa mulher é perigosa. Tome cuidado, querida.
— Pode deixar — disse ela com obediência. — Mais café?
Por não ter podido tomar café por várias semanas, ela parecia inclinada a compensar o tempo perdido.
— A reação de Sesshomaru para isso é... — Yume insistiu e Kagome esbravejou.
— Fortalecemos a segurança — ela esclareceu calmamente. — Um outro Steve como guarda-costas. Carrego um dispositivo de rastreamento. Meu Volkswagen fica na garagem e eu dirijo o mais so fisticado Porsche. Tem também um cão de guarda — ela respirou fundo e expirou lentamente. — Já é o suficiente?
— Estou impressionada.
— Só podemos imaginar por quanto tempo isso vai durar.
Yume olhou-a pensativamente.
— Porquê...?
— Não tem mais um herdeiro dos Taisho.
Sua mãe parou para pensar um pouco. Talvez se concentrando em buscar as palavras certas?
— Não é provável que em algum momento no fu turo você e Nic não considerem ter um filho juntos?
Kagome ficou temporariamente sem palavras.
— Você sabe...
— Sim, eu sei — disse Yume rapidamente.
— Então, por que você...?
— Sugeriu? — Yume perguntou. — Não tem uma parte de você que quer amar e ser amada? Sentir-se segura em um relacionamento? Envelhecer ao lado de um homem que não é apenas seu amante, mas seu melhor amigo?
— E já que o casamento com Sesshomaru existe, por que não matar dois coelhos com uma cajadada só?
Kagome não conseguia descrever como esse pensa mento a afetava.
— Você não esqueceu um pequeno detalhe? — ela tentou se acalmar e quase não conseguiu. — Talvez isso seja algo que nenhum de nós dois queira...
Yume ficou pensativa.
— Você não quer?
— Não preciso desse problema.
Isso mal respondia à pergunta, mas era melhor não fazer comentário algum a respeito, decidiu Yume e pediu a conta.
— Compras para relaxar? — sugeriu ela com um sorriso.
Elas chegaram em casa duas horas depois com vá rias sacolas de compras,
Maria preparava para o jantar uma sopa de legu mes e um delicioso cordeiro assado. Kagome insistiu em colocar a mesa, enquanto Yume subiu para fazer as malas.
Sesshomaru entrou na sala de jantar assim que Kagome colo cou o último copo e ela sentiu um frio na barriga quando ele se aproximou.
— Teve um bom dia?
Ela deu um passo para trás e sorriu.
— Yume e eu passamos na butique. Almoçamos e fomos às compras.
— Era para você estar descansando.
— Já fiz isso com Yume.
Sesshomaru decidiu não insistir.
— Algum problema?
Ele saberia disso de qualquer maneira, então era melhor que ela contasse logo.
— Kagura entrou no mesmo restaurante que estávamos e fez de tudo para sentar-se conosco.
Ele enrugou os olhos.
— Suponho que ela não tenha conseguido?
Kagome tentou afastar-se dele e fracassou terrivel mente quando Sesshomaru pegou seu rosto com as duas mãos.
Ela não queria ficar assim tão perto dele, pois bas tava olhar para a curva sensual daquela boca para lembrar o que sentia quando ela se encostava a sua.
— Por favor, eu preciso tomar uma ducha antes do jantar.
Ele abaixou a cabeça e beijou-a... A língua de Sesshomaru passou leve e rapidamente na dela, e ele a soltou.
Foi o suficiente para que ele sentisse o coração dela acelerado e percebesse a rapidez com que puxou o ar antes de sua boca encostar-se à dela.
Sesshomaru observou-a deixar a sala e passou para a cozi nha, onde checou com Steve se tudo estava em or dem. O revide de hoje aumentaria a vontade de kagura em ir à forra. A parte difícil era prever como, quando e onde.
Steve juntou-se a eles para o jantar e a conversa foi leve, com lugar até para brincadeiras.
Normal, Kagome avaliou enquanto levavam Yume ao aeroporto.
Foi difícil dizer "adeus" quando chegou a hora de sua mãe passar pelo portão de embarque. Kagome lutou contra um repentino sentimento de perda, enquanto Yume desaparecia de sua visão.
O cansaço a invadiu quando voltavam para casa e ela simplesmente inclinou a cabeça contra o encosto do assento e fechou os olhos.
Quando Sesshomaru estacionou o carro na garagem, ela ti rou o cinto de segurança e entrou em casa antes dele. Cama, ela decidiu. Mas primeiro, um banho.
Ele colocou um braço em volta de seus joelhos en quanto subiam as escadas.
— Eu sei caminhar.
— Entregue-se a mim.
— Estou bem — ela assegurou-lhe assim que che garam no quarto.
— Com certeza você está bem.
Ele colocou-a no chão e pegou os botões de sua blusa.
— O que você pensa que está fazendo?
— Tirando sua roupa.
Ele parecia quase... atencioso. E, apesar de seu cansaço, o jeito como a tocava tinha um contexto completamente diferente. Um contexto que fazia alarmes soarem enquanto os dedos dele passavam so bre sua pele.
Ela não queria estar se sentindo assim. Droga, fi car assim inerte era uma loucura que não podia deixar que acontecesse.
— Não.
Aquela era sua voz? Pedindo, quase implorando para que ele desistisse.
Ele prestou pouca atenção e continuou sua tarefa até que ela ficasse apenas de sutiã e calcinha.
— Vá.
Kagome fugiu para o banheiro e voltou algum tempo depois.
Ela sempre considerou uma falácia o fato de al guém dizer que caía no sono assim que encostava a cabeça no travesseiro. No entanto, tudo o que conse guia lembrar era estar fechando os olhos.
Mais tarde, não fazia idéia de que hora tinha dor mido e por quanto tempo. Tudo o que sabia era que estava escuro e estava presa a um pesadelo familiar Em que estava deitada em seu apartamento, o suave som, o movimento silencioso e depois a mão sobre sua boca.
Ela não conseguia respirar, não conseguia enxer gar e começou a reagir, lutando contra uma força muito maior do que a sua...
— Kagome.
Mãos fortes seguraram seus braços, que se deba tiam, enquanto uma voz masculina penetrava em seu subconsciente. No entanto, ela continuava a lutar.
Seu nome soou claramente, próximo... o pesadelo foi embora e ela retornou ao presente.
Ela sentiu uma mistura de consternação e alívio ao reconhecer onde e com quem estava.
Ela tinha a expressão assustada, seus olhos azuis estavam escuros e arregalados, refletindo um terror não pronunciado... e Sesshomaru levou-a de sua cama para a dele, apesar do protesto de Kagome.
— Não diga nada — ele repreendeu-a em voz bai xa, enquanto a puxava para perto de si.
Ela não deveria estar onde estava, não deveria fi car. Mas era tão bom. O corpo dele era quente, em seus braços fortes sentia-se a salvo. Segura, corrigiu em silêncio enquanto cedia e se deixava ser levada.
Kagome ficou agitada na cama durante toda a noite por causa da insônia. Movia-se com cuidado e perce beu que estava curvada contra um peito quente e musculoso. E mais do que isso, estava envolvida por um braço másculo e forte.
Depois lembrou... e sentiu seu coração acelerar.
Seria tão fácil ficar ali. Aconchegar-se nele e apro veitar aquela proximidade, respirar em meio a seu cheiro masculino e sentir o toque de suas mãos...
No que ela estava pensando?
Ela não podia ir até onde ele poderia conduzi-la. Disse a si mesma que não queria. Sabia que estava mentindo.
E na escuridão da noite era possível entregar sua mente, permitir-se acreditar que qualquer coisa era alcançável. Até mesmo o amor.
Mas isso não iria acontecer.
E, além disso, permanecer na mesma cama com ele era impossível.
Ela morreria se ele se movimentasse durante o sono e por engano, pensando que ela era outra pes soa, começasse a acariciá-la.
Saia, uma voz silenciosa recomendou com insis tência. Agora.
O objetivo, ela determinou a si mesma vários mi nutos depois, era escapar. Não era fácil quando cada centímetro que ganhava era perdido à medida que o braço dele a puxava com firmeza pela cintura.
Uma ação involuntária ou proposital?
Involuntária, ela decidiu. Tinha de ser.
O que faria depois? Tomaria coragem? Talvez funcionasse.
Funcionou. E deitou-se em sua própria cama com uma sensação de alívio.
Não havia sinal de Sesshomaru quando Kagome acordou e des ceu para tomar o café-da-manhã, preparada para a ba talha em relação a sua decisão de voltar ao trabalho. Steve disse-lhe que Sesshomaru já tinha comido e já estava indo para a cidade.
— Você acha que deve? — questionou Steve quan do ela revelou sua intenção.
— Sim.
— Fique alerta — ele advertiu. — Kagura...
— Pode ser ainda mais inconveniente — ela termi nou. — Já entendi.
Kagome assegurou-lhe enquanto pegava suas chaves.
A manhã foi agitada e havia uma sensação de nor malidade na volta a sua rotina familiar.
Por volta das onze Sango atendeu o telefone, falou em voz baixa e entregou-o a Kagome.
— Seu lindo marido.
— O que você acha que está fazendo?
A voz dele estava mais do que sedosa.
— Trabalhando.
— Espero que não seja pelo dia inteiro.
Ela não estava no clima para proteção exagerada.
— Estamos ocupadas. Tenho de ir.
Ela desligou o telefone, deu uma olhada na loja... e percebeu que o dia acabara de tomar o rumo para o pior.
Kagura. Em uma missão.
— Precisamos conversar — começou a mulher sem preâmbulos assim que chegou.
— Não temos nada para conversar — Kagome respon deu tranqüilamente.
Kagura lançou-lhe um olhar cauterizante, que ti nha a intenção de fazer com que sua vítima virasse cinzas.
— Saia da vida de Sesshy. Ou eu tiro você dela.
Kagome pôde ver Sango digitar sorrateiramente alguns números em seu celular ao fundo da loja.
— Gostaria que você saísse daqui — disse Kagome fingindo estar calma.
— Quando eu terminar.
Não tire seus olhos dela. Precaução é essencial. No entanto, o ataque veio do nada. E Kagura rapi damente segurou o rosto de Kagome.
— Sesshomaru é meu — sibilou Kagura.
Sem mais palavras, a mulher virou-se e caminhou até a porta... Que não se abriu. Então, Kagura gritou furiosa:
— Abram a porta.
— Vai ficar fechada até a polícia chegar.
Kagura virou para Sango.
— Abra!
O grito de raiva de Kagura foi quase animalesco ao ver que Sango não se movimentou. Possuída pela fúria, começou a correr pela butique, empurrando um anti go espelho de postura; depois, pegou uma bolsa da vitrine e a atirou em Kagome.
Não foi o mais suave dos movimentos. Mas o sa lão não era um ringue, onde movimentos eram cuida dosamente orquestrados com habilidade e destreza.
A falta de escrúpulos nunca foi elegante!
Steve chegou minutos antes da polícia e tudo de pois daquilo assumiu uma aparência irreal.
Ela tentou evitar ser fotografada e estava em meio a um protesto loquaz quando Sesshomaru chegou.
Sua presença provocou uma súplica ultrajante de Kagura, a qual ele ignorou, nem mesmo olhando-a.
Em vez disso, foi diretamente até onde estava Kagome para conferir como ela estava.
— Não estou tão mal quanto pareço — disse ela.
Ele observou o inchaço em seu rosto, os arranhões nas mãos por causa das unhas de Kagura e virou-se para o policial. Depois de dizer algumas palavras, acrescentou:
— Aplique as leis adequadas.
— Preciso me recompor — disse Kagome olhando-se no espelho.
O reflexo de Sesshomaru apareceu atrás do seu e ela ofere ceu pouca resistência quando ele a virou para olhá-lo.
Ela tinha de dizer alguma coisa... Qualquer coisa era melhor que o silêncio que se estendia entre os dois.
— Kagura enfim usou de força física — disse Kagome.
— Custando a você um certo preço.
— Poderia ter sido pior.
— Vou levar você para examinar isso. Depois va mos para casa.
— Você quer brincar de enfermeiro... Muito bem. Mas vou ficar aqui.
Ela precisava se manter ocupada, sem ter de pen sar nisso.
— Com uma condição. Steve fica com você.
— Isso não é um pouco exagerado?
— Não.
Graças aos esforços de Sango, a butique já estava novamente arrumada, e em seguida ela gravou com o policial sua versão para o ocorrido.
— Isso é desnecessário — disse Kagome enquanto um médico examinava seu rosto e limpava o corte.
— Você vai ficar com um lindo hematoma.
— Vou colocar gelo — ela prometeu.
— Isso vai ajudar.
Depois ela foi em direção a Sesshomaru.
— Satisfeito?
— Não, mas por enquanto está bom.
Um policial permaneceu gravando o depoimento de Kagome e expressou desejo em acessar as câmeras de segurança da butique,
Sesshomaru seguiu os policiais depois de trocar algumas palavras com Steve, que indicou permanecer nos fun dos da loja.
Felizmente, o incidente ocorrera próximo ao meio-dia, quando o movimento na loja era pequeno.
Kagome minimizou a importância do acontecimento para aqueles poucos que tiveram curiosidade em acompanhar a polícia entrando e saindo da butique.
Sango e Kagome despediram-se com um boa noite afetuoso ao fim do dia.
Kagome dirigiu até Rose Bay com Steve seguindo-a logo atrás. O carro de Sesshomaru estava estacionado na ga ragem e não houve nada que ela pudesse fazer quanto ao calafrio que sentia no estômago enquanto subia a escada.
Era loucura sentir-se assim, estar tão ligada a um homem que tomara o controle de sua vida, virara-a de cabeça para baixo... E sem dúvida alguma iria expul sá-la de sua vida muito em breve.
A questão era quando, e não se...
Dariam um jeito em Kagura Lafarge... Mas quanto tempo levaria até que uma equipe de advogados lu tasse por sua liberação com pagamento de fiança? E então, o que viria depois?
Kagome entrou na suíte principal e tomou um susto quando viu Sesshomaru saindo do banheiro com uma toalha enrolada na cintura.
Só precisou de um olhar para que recordasse clara mente como era sentir-se abraçada por aquele ho mem por várias horas durante a noite.
Saber que podia ir até ele e puxar seu rosto em direção ao dela, saborear seu beijo, começar a intimida de e deleitar-se com sua reação.
Esse mero pensamento de tê-lo como amante fazia sua pulsação acelerar. Ele tinha todo o jeito de um homem que podia levar uma mulher à loucura. Esta va nos olhos dele, na postura.
— Olá.
Ele cruzou o quarto e parou perto dela. Tão perto que ela podia sentir o cheiro do sabonete que exalava de sua pele.
— Como está a dor?
— Suportável.
— Em outras palavras, está doendo à beça. Tome alguma coisa para dor.
Kagome abaixou a cabeça e foi para o banho, surgindo pouco depois. Deixou seus cabelos soltos, passou hidratante e depois desceu.
Comida... O que quer que fosse, tinha cheiro bom. E, além disso, estava com fome. Era a primeira vez que realmente sentia fome depois de uma semana.
Maria preparara lasanha. Manjar dos deuses.
— Alguma novidade sobre Kagura?
— Pagou fiança — informou Steve. — Sesshomaru preen cheu a queixa e requereu ordem de restrição em seu nome. Você precisa confirmar e assinar seu depoi mento.
— Farei isso no caminho para o trabalho amanhã.
— Cedo — informou Sesshomaru. — No caminho para o aeroporto.
— Você se importa em explicar isso para mim?
— Nós vamos passar alguns dias nas Ilhas Hayman, em Whitsundays.
Sol, temperatura amena, praias e águas límpidas.
— Você tomou essa decisão... Quando?
— Essa tarde.
— Sua assistente cancelou seus compromissos e fez as reservas?
— Sim.
— Tem uma coisa, você se esqueceu de perguntar se eu posso ficar fora por alguns dias.
Sesshomaru pegou um pedaço de seu pão e comeu.
— Já está decidido — declarou ele fingindo estar calmo. — Sango vai tomar conta da butique.
Ela colocou seus talheres de volta à mesa com cui dado.
— Você conseguiu isto em... — ela ergueu uma mão e estalou os dedos. —... Questão de minutos. Al gumas ligações, pagamentos extras... E pronto.
Ele parecia estar se divertindo um pouco.
— Algo assim.
— E se eu recusar?
Ele intensificou o olhar.
— Não estou lhe dando escolha.
— Você não tem como me arrastar à força. Como você acha que vai me levar até lá?
Ele levantou uma sobrancelha.
— Me contrariando só por prazer?
Ela soou ingrata. E só Deus sabia que não tinha a intenção de ser. Era apenas... Por causa de tudo o que acontecera. O pior era não saber o que viria depois.
— Não. Não sei se será bom ficarmos juntos 24 horas por dia.
— Oh! Você pode ser surpreendida.
