Hotel Novotel

Um som estridente e repetitivo acordou Teresa Lisbon daquilo que eram apenas algumas horas de descanso.

Ao perceber que era o seu telemóvel que tocava, amaldiçoou o facto de ter de se levantar para atender a chamada.

"Lisbon."

"Agente Lisbon, fala o Inspector Martins. Peço imensas desculpas de lhe ligar a esta hora, mas o assassino voltou a atacar. Dois pescadores deram com o corpo nas docas."

Ao ouvir isto, a Agente Sénior despertou e levantou-se da cama.

"Dê-nos trinta minutos e estaremos aí, Inspector."

Desligou a chamada e, vestindo o robe, saiu do seu quarto, batendo ás portas dos quartos dos colegas e chamando por eles.

"Toca a acordar pessoal. Temos um caso."

Não se surpreendeu ao ouvir a porta do quarto de Jane abrir e o próprio aparecer com um sorriso na cara. Pelas olheiras que não conseguia disfarçar, soube que o consultor não tinha pregado olho esta noite.

"Bom dia Lisbon."

"Jane, acordaram-me agora, ainda não bebi o meu café e não estou para lidar contigo a estas horas."

"Não te preocupes minha querida. Vai-te preparar que eu trato dos cafés."

Viu a acção do consultor como um pedido de desculpas pelo que tinha acontecido no DIC na tarde anterior, mas seguiu o conselho de Jane e despachou-se em tempo recorde.
Quando abriu a porta do quarto novamente, Cho e Van Pelt estavam já à sua espera.

"Onde estão Rigsby e Jane?"

"O Rigsby foi ajudar Jane com o pequeno-almoço, Chefe."

"Ok. Temos tudo pronto?"

"Sim, Chefe."

"Então vamos andando."

Docas

A fita amarela que os agentes da policia de segurança pública tinham colocado à volta do local onde estava o corpo protegia o local do crime da vista de alguns transeuntes curiosos.

Assim que os Agentes da CBI passaram a fita, Lisbon foi cumprimentar os Inspectores que já se encontravam no local do crime. Cho, ao sinal da Chefe, foi com Rigsby falar com os pescadores enquanto que Jane e Van Pelt iam para perto do corpo.

Jane fez a sua "ronda" de volta do corpo, analizando a vítima enquanto que recolhia informações. Lisbon e o Inspector Martins aproximaram-se.

"Jane? Alguma informação?"

Hora de dar espectáculo.

"Claro. Mulher, perto dos 40 anos de idade, vários cortes nos membros superiores e inferiores do corpo..."

"Isso já sabemos Sr. Jane"

"Sim Inspector, está tudo visível no corpo, mas provavelmente não sabem que ela era prosituta."

O Inspector coçou a cabeça e ficou surpreendido.

"Como é que..."

"As unhas, embora arranjadas, estão sujas, as pontas dos dedos da mão direita estão amareladas, provavelmente do vício do tabaco. O corpo nú indica, se não se encontrar fibras do assassino, que se despiu e o número que ela tem escrito na palma da mão esquerda, aposto que é o número do «chulo» dela. Aconselho-vos a ligar e vão saber qual é a identidade da vítima."

O Inspector Silva, que já se tinha aproximado do corpo, calçou as luvas e virou a mão da vítima para anotar o número de telefone.

Lisbon revirou os olhos e também anotou o mesmo número.

Porque raio tinha eu de me apaixonar pelo homem mais perspicaz do planeta? Apaixonar? Teresa, isso não é bom.

"Minha querida Lisbon, o assassino matou-a despropositadamente."

"O que te faz dizer isso?"

"Os cortes não são tão profundos como os das 4 primeiras vítimas, e aposto que ela estava incosciente quando ele a decapitou."

"Então ele desleixou-se, é isso?"

"Exactamente. Mas este desleixo serve de aviso, assim como também serve de manobra de diversão."

"Como assim?"

"Agora, por ter-se desleixado com a morte desta mulher, ele vai procurar colocar o plano dele em prática."

"Que plano?"

"Repara bem, 3 das 4 vítimas tinham dito, segundo os relatórios da Polícia, às familias, que se estavam a sentir observadas, pouco tempo antes de desaparecerem. Esta mulher não foi raptada. Foi o erro dele. Ele vai emendar esse erro ao capturar a pessoa que ele está a seguir neste momento."

"Basicamente, estamos numa corrida contra o tempo, certo?"

"Sim, e precisamos de agir rápido. Inspector Martins, aconselho-o a colocar outros Inspectores de sua confiança a investigarem a morte desta mulher. Neste momento necessitamos de estar com os olhos bem abertos para qualquer eventualidade."