11- Seis dias para o casamento
Ninguém estava certo de como terminaram o dia sem brigas ou momentos tensos. Emily sobreviveu porque não tinha opção, porque sabia que todos a sua volta estavam dispostos a protegê-la. Porque tinha dormido com Hotch e isto lhe deixava sorriso bobo no rosto, apesar de tudo.
À noite Emily regressou tranqüila para sua casa, já que Mick não estaria lá. Quando Hotch se aproximou dela na saída, sentiu-se tentada a deixar a UAC com ele e passar a noite juntos, mas depois de ver Mick arrependido não lhe pareceu correto fazer isto. Queria definir sua situação com o noivo antes de se render aos braços de outro homem.
Mas sua noite não foi tranqüila como tinha em mente, não teve o tempo que queria para dormir, descansar e refletir. Eram quase quatro da manhã quando recebeu a ligação. Mick tinha sido ferido, estava no hospital. Neste momento tudo mais foi esquecido. Trinta minutos depois estava no hospital.
Os membros da equipe de Mick informaram a situação, ele tinha levado um tiro de um assaltante, não atingiu nada vital e estava há uma hora em cirurgia para extrair a bala.
Emily sabia que ele era um agente precavido, que sabia o que fazia e que uma situação assim era improvável. Devia estar distraído, por isto levou o tiro, provavelmente distraído com a discussão da tarde anterior. Sentiu-se culpada. Perto das oito da manhã, quando Mick saiu da cirurgia, finalmente ligou para JJ.
- Olá! – Disse a loira animada.
- Não irei hoje, JJ. Se aparecer alguma emergência me ligue, mas somente se for urgente. Tudo bem? Vou ligar para Hotch e avisá-lo.
- Que houve? – JJ se preocupou.
- Atiraram em Mick, estou no hospital. Acabou de sair da cirurgia.
- Está bem? Quer que vá para ai? – JJ perguntou exaltada.
- Não, pelo menos não agora. Tem coisas para fazer ai, não se preocupe. Se quiser venha mais tarde.
- Tudo bem, me mantenha informada. Se quiser, aviso Hotch. – Ofereceu.
- Sim, por favor, faça isto.
Emily queria falar com Hotch, queria seu apoio, era o que mais lhe fazia falta, mas o homem com quem iria se casar estava ferido e não parecia certo pedir o apoio do homem com quem dormira e por quem achava estar apaixonada. Preferiu deixar as coisas assim, por enquanto.
A espera foi longa, por um tempo os companheiros de Mick ficaram com ela, mas ainda estavam num caso difícil e precisaram ir. Sabiam que ficaria ali. Mick saiu da cirurgia e estavam esperando que acordasse, estava estável. Passava de uma da tarde quando JJ ligou.
- Como estão as coisas?
- Bem, acho que vão me deixar vê-lo a qualquer momento. – O stress começava a afetá-la.
- E como você está?
-Cansada, a espera é muito estressante. – Confessou Emily.
- Avisei os outros, iremos à noite te ver, tudo bem?
- Claro que sim, JJ, seria ótimo! – Respondeu Emily, mais relaxada. – Tenho que ir, nos vemos mais tarde.
Emily desligou o telefone porque uma enfermeira se aproximava, poderia ver Mick. A anestesia havia passado e ele estava bem. Seguiu a enfermeira, lembrando-se do dia em que estivera ao lado de uma cama no hospital esperando Hotch acordar. Não sabia porque se lembrou deste dia, sentiu saudade de Hotch. Sacudiu a cabeça e entrou.
- Olá. – Sussurrou parando ao lado da cama.
- Olá. Sinto por nos vermos nestas condições.
- Como se sente? – Ela perguntou, ignorando o comentário dele.
- Dolorido ainda, mas ficarei bom logo. Estarei de pé e melhor que nunca para o casamento.
Emily abaixou a cabeça e olhou nervosa para o lado, sentou-se e suspirou resignada, enquanto Mick a olhava atentamente.
- Sei que acaba de sair de uma cirurgia, mas precisamos conversar. – Ela disse com ar triste.
- Eu sei, Emily. –ele disse pegando sua mão. – Sei que cometi um erro terrível e talvez não mereça seu perdão, mas quero consertar isto. Que acha de tentar, Emily? Vamos nos casar em uns dias.
Seria mais fácil deixar as coisas assim, dizer sim e não causar mais dor, mas Emily tinha que ser sincera, se iria casar com ele tinha que ser totalmente sincera.
- Dormi com Hotch.
- O que? Não posso acreditar! Porque está falando isto?
- Porque é verdade, Mick. Você tinha que saber, dormi com ele na noite seguinte a que brigamos.
- Esse idiota! – Murmurou irritado. – Eu vou matá-lo quando sair daqui!
- Mick... – Emily sussurrou sem saber o que dizer.
- Ok, amor... – Ele disse suavemente. – Podemos superar isto! Cometi uma besteira por culpa do álcool e você... Você estava irritada comigo e erro, fez algo que não queria, mas vamos ficar bem.
- Srta. Prentiss - chamou uma enfermeira – a procuram na recepção.
- Obrigada. – Respondeu Emily. – Volto já.
Emily saiu com um gosto amargo na boca. Chegou à recepção, era perto de três da tarde, e se surpreendendo ao encontrar Hotch esperando-a. Ele lhe deu um sorriso amável e não pode evitar abraçá-lo com força. Sentia-se frágil, cansada, deprimida, impotente... Não podia, não queria se sentir assim.
- Quer um café? – Ele perguntou.
- Adoraria.
Emily caminhou junto dele, silenciosa e ansiosa. O hospital a deprimia, muita dor, tempo perdido... Não gostava de estar ali. Enquanto Hotch servia o café, Emily voltou a lembrar de quando estava sentada junto dele no hospital, querendo que acordasse, que estivesse bem.
- As coisas não deveriam ser assim, Hotch. – Disse tomando seu café.
- O que quer dizer?
- Não tenho porque estar aqui. Não gosto, não é como me sentar junto a sua cama no hospital e esperar que acorde e, não sei porque, é diferente.
Ele entendia que ela estava assustada e confusa. Seu noivo estava no hospital, não sabia se queria se casar, tinha dormido com ele, não sabia se tinham algo, e faltavam seis dias para o casamento.
- Quer que fique?
- Mick te mataria se pudesse.
- Posso correr este risco, se você quiser.
- Não, não seria prudente, mas podemos nos ver logo. Obrigada, Hotch.
Assim se despediram. Ela suspirou. Precisava dele, queria que ficasse ali, mas tinha tão pouco tempo para desejar...
Continua...
