EU FINJO, TU FINGES... QUEM FINGE?
Autoria: Kry21 (fanfiction(ponto)net/u/788892/Kry21)
Tradução (autorizada): Inna Puchkin Ievitich
Publicada originalmente em: www(ponto)fanfiction(ponto)net/s/4164348/1/
Eu finjo, tu finges... quem finge?
11
Eu já não podia. Não aguentava mais. Dava-me por vencida. Atirava a toalha.
Eram apenas três horas da tarde e a varinha de núcleo de dragão de 27 cm estava pulsando tentadoramente dentro de meus jeans. Melina morria hoje! Ou lhe explodiria a cara ou a envenenava com o vinho ou a haste da bandeira a esmagava no meio da sala, festejar o próximo natal só dependia da acapacidade dela de manter a boca fechada, o que, estatisticamente, era muito pouco provável. Digo, nem que o mundo fosse acabar só porque não estivesse usando hoje à noite um vestido da moda!
E como se fosse pouco, o espírito natalino havia contagiado minha querida mãe e minha adorada e excêntrica tia em níveis inimagináveis.
Jean Granger era uma dentista excelente, as amalgamas e as endodontias se davam muito bem com ela, e a tia Emma era uma secretária muito boa que escrevia mais de setenta palavras por minuto, mas...! Deus nos salve quando se trata de cozinhar! Pior ainda, se as duas estão na cozinha, sozinhas, com um forno, um aquecedor e uma batedeira no meio.
A última vez que estiveram juntas na cozinha, inventaram de quebrar a tubulação, dar curto circuito no liquidificador e deixar um cheiro de ovo podre - que demorou três meses a desaparecer - enquanto faziam sanduíches para jantar.
Não conformadas com isso, e precisamente este ano, lhes deu na telha fazer o jantar:frango ao xadrez, canelones recheados, peru em suco de laranja, salada de maçã e fruitcake. Resultado: eu enfiada na cozinha fazendo o jantar, supervisionando para que ela não explodisse e os bombeiros não viessem a pedir pousada.
-Emma, quando você disse de açúcar? – perguntou minha mãe, que parecia velhinha graças aos "cabelos brancos" produto da farinha.
- Duas colmeinhas... digo, colherzinhas! – ou seja, um jantar! Iam fazer T-O-D-O um jantar! E não sabiam ler?!
- Bem, diz aqui que pré-aqueça o forno a 1800 graus centígrados. Você pode acendê-lo?
-São 180 mamãe. – corrigi e corri para retirar os fósforos das mãos da minha tia piromaníaca. Acendi o forno e me apressei para retirar a batedeira das mãos da minha mãe. Terminei de misturar a massa, deixei-as esvaziar a forma e acreditassem que tinham cozinhado a torta, e me apressei a picar a maçã.
Três horas depois e uma torta e salada prontas, canelones meio prontos e um frango sem sequer descongelar, eu estava a ponto de sofrer um colapso e, por Merlin e toda sua descendência, se Melina aparecer desfilando um novo vestido eu converteria todos em rãs!
- O jantar já está pronto, querido? – perguntou meu pai entrando na cozinha, indo abraçar minha mãe pela cintura. Meu pai já tinha tomado banho, se perfumado e arrumado. – Nossa! – exclamou ele, vendo o desastre em que a cozinha estava, com manchas de comida nas paredes graças à falta de comunicação entre minha tia e a batedeira, pois, segundo ela, a batedeira havia acordado de mau humor. – Precisa de ajuda?
- Não. Não. Já terminávamos, de fato já estávamos subindo para nos arrumar. Só falta que Hermione termine de fazer os canelones. – Disse minha mãe enquanto tirava o avental. – Emma, são seis e meia. Vamos ficar bonitas. Querida – me chamou – você termina por mim? E se puder, dê uma limpadinha. – apontou com a cabeça a cozinha, eu a fulminei com o olhar e já ia responder quando minha tia se adiantou:
- Tem que dizer que sim, não vai querer que certa pessoinha veja sua casa assim e pense que você é uma folgada. – Emma me sorriu com o mesmo sorriso de maníaca que comparte com sua filha, e saiu da cozinha.
Há! Logo veriam quem era Hermione Granger!
- Mamãe... – disse com o melhor e mais melosotom de voz – Por que você não soube se arruma? Eu termino tudo. Minha mãe sorriu e, puxando meu pai (que me dedicou um olhar de desculpas e pena), saiu da cozinha.
- Perfeito. – disse, uma vez que fiquei sozinha, puxei as mangas e saquei minha varinha. – Se pensam que iam me enterrar em meio à sujeira e um triste frango... – acabava de descobrir que tudo fora um complô entre Melina e Emma para que eu não estivesse pronta – Pois tenham em mente que não vão poder.
Agitei minha varinha e bloqueei a porta e silenciei o recinto, lancei feitiços a torto e a direito: limpei as paredes, lavei, espanei e varri a cozinha... Se o que esperavam era que não estivessem prontas eu a o jantar, iam ter uma grande surpresa, pois acabavam de se meter com a bruxa mais inteligente de Hogwarts e a namorada postiça do salvador do mundo.
-Dobby! – chamei o elfo. Tudo o que eu pensava fazer ia contra meus princípios e ideais que vinha fomentando desde os doze anos de idade e esperava que Ron nunca chegasse a se inteirar, mas há vezes, sobretudo se sua prima era Melina Granger, nos quais os direitos dos elfos podiam se permitir ficar em segundo plano. E, claro, depois de tudo pensava pagar pelos serviços prestados – tinha uma grande coleção de gorros, cachecóis, meias e montões e montões e montões de luvas que a cozinheira sem expertise que era minha mãe nunca usava.
Umpum soou e uma criaturinha verde com orelhas grandes e pontudas e olhos como bolas de tênis, surgiu no meio da cozinha.
- Me chamou senhorita e melhor amiga do senhor Harry Potter?– perguntou, solícito, o elfo e fez uma reverência.
-Eh… sim... obri... obrigado por vir – gaguejei. O que Melina me obrigava a fazer: mandar um elfo bancar o vil servente!
- Não há de quê, senhorita melhor amiga de Harry Potter senhor. – Disse e fez outra reverência, eu só pude torcer a boca, ele não tinha porque humilhar-se, elfos eram iguais aos bruxos.
- Eh… Dobby? – o chamei. O elfo olhou-me com seus olhos grandes e brilhantes. – Poderia me fazer um favor?
- Qualquer coisa pela senhorita.
-Bom, tecnicamente não é um favor, eu vou pagar, - tentei me justificar e me convencer de que agia bem – mas... seria possível me ajudar a limpar a cozinha para a ceia de Natal, enquanto eu subo para me vestir? Já cozinhamos a torta e a salada de maçã, o peru e os canelones estão na estufa e no forno, respectivamente, mas o frango continua sem cozinhar e, bom, isso é o mais demorado e... bem, sei que com seus poderes... bom, é possível cozinhar rápido.
- Oh, sim, claro que sim! – assentiu energicamente com a cabeça. – E não se preocupe com a comida, senhorita, que Dobby preparará em um instante. Suba para ficar bonita para o senhor Harry Potter senhor, e não se preocupe com nada. Aqui entre nós, o senhor Harry Potter senhor estava se arrumando e se perfumando porque vem para vê-la. De fato - disse Dobby baixando o tom de voz como se contasse um segredo -, o senhor tentou se pentear. Ande – disse, enquanto me empurrava –, vá e se arrume, Dobby fará o jantar.
Assenti e fechei os olhos, me concentrei em meu quarto e, no instante seguinte, aparatei em meu quarto. Tirei a varinha, fechei e insonorizei o quarto. Dirigi-me para minha escrivaninha, procurei em meu porta-cd até que encontrei o que buscava, o coloquei no som estéreo e aumentei o volume. Deitei-me em minha cama e fechei os olhos. Pouco a pouco as notas de A tu lado de Duncan Du inundaram o ar...
Piensoen ti, interminablementeen ti; quiero ser una respuesta para ti, piensoenti…solo en ti.
Creoen ti, inagotablementeen ti; como tú que confiaste en mi saber, creoen ti, solo en ti….
Y despertar a tu lado, cada amanecer; hacer rodar mis labios sobre tu piel, creoen ti.
Estoyen ti desesperadamente en ti, hasta hoyhe aguantado sinhablar, estoyen ti, solo en ti.
Y despertar a tu lado, cada amanecerhacer rodar mis labios sobre tu piel y despertar a tú lado cada amanecerhacer rodar mis labios sobre tu piel… piensoen ti… creoen ti… estoyen ti… solo en ti… solo en ti.
Relaxei cantando a música e, sei que foi tolo e infantil ou simplesmente foi meu mui recém descoberto amor, mas enquanto cantava cada palavra, cada verso e cada estrofe a única coisa que se projetava em minha mente era a imagem do rosto de Harry. Suspirei e me dispus a me arrumar. Só esperava que não demorasse muito para poder descer e ajudar Dobby. Nesses termos, com meu vestido estendido na cama, as sapatinhas fora da caixa, a pouca maquiagem pronta e em ordem sobre a cama e as garrafas de poção alisadora a mão, entrei no banheiro para tomar uma ducha e me preparar para aquele que seria um Natal inesquecível.
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Não sabia porque me incomodava fazê-lo, se desde sempre fora uma perda de tempo, esforço e gel. Meu cabelo e os pentes jamais poderiam se dar bem. Todos me haviam dito: seu cabelo é igual ao do seu pai, totalmente indomável. Mas ainda assim não poderia a esperança de poder controla-lo, ainda mais agora que se tratava de uma situação sumamente importante, quer dizer, você não conhece seus sogros postiços todos os dias.
Havia tomado banho, me ensaboado e perfumado mais que em outras ocasiões, pois queria causar uma boa impressão. Decidira usar o típico e sempre confiável traje preto, camisa e gravata vermelhas, mas enquanto me olhava no espelho notei que era muito formal, já que nem sequer no dia da minha audiência disciplinar no Ministério havia me arrumado tanto. Mudei umas cinco vezes a cor, tamanho e forma da minha gravata (abençoada seja a magia!) quando dei por mim que era precisamente esse acessório o que me conferia um aspecto demasiado formal. Desisti de usá-la e troquei de camisa.
Demorei pelo menos meia hora para decidir que nenhuma me agradava, e, dessa forma, contrariado, frustrado e desesperado para ver e abraçar a mãe do filho felpudo, me despojei de toda minha roupa até ficar só de cuecas. Esvaziei sobre a cama toda a roupa que Hermione e eu compramos no shopping e franzi o cenho ao dar-me conta de que estava me comportando como a típica garota que não sabia o que usar em seu primeiro encontro. Finalmente e depois de pensar um pouco, decidi o meu vestiário: calças pretas com sapatos da mesma cor, uma camisa de manga comprida verde, que eu planejava usar com os primeiros botões desabrochados e, no lugar da gravata, um suéter verde, depois de tudo quando Hermione os escolheu – tanto a camisa quanto o suéter – disse que combinavam com a cor dos meus olhos.
Meu cabelo continuou como sempre: perfeitamente desordenado, os sapatos estavam brilhantes (repito: abençoada seja a magia!), a roupa perfeitamente lisas, e meu casaco descansava no armário junto com o presente de Hermione. Em outras palavras, estava impecável, lástima que McGonagall não pudesse me ver assim, estaria orgulhosa.
Olhei para o relógio e notei que faltava pouco mais de uma hora para que me apresentasse na casa da minha melhor amiga. Suspirei. Como, demônios, se supunha que eu passasse meu tempo? Como, maldição, se supunha que eu devia suportar a vontade de estreitá-la em meus braços? E como se isso não fosse suficiente – passar doze horas sem vê-la -, não poderia passar o tempo restante ao seu lado, bom, não tecnicamente, afinal... como eu iria parecer se a beijasse até quase devorá-la diante de seus pais? Melina sinceramente não me importava um pingo, mas sogros são sogros.
De que eu sentia falta dela não havia dúvida e isso era algo estranho e novo para mim, pois depois de tudo, antes já sentia a sua falta, cada uma das férias passadas com os Dursley era um claro exemplo do muito que sentia saudade dela, mas a diferença desta vez estava muito clara. Não sentia falta dela por me sentir sozinho, embora devesse admitir que era uma boa razão. Sentia saudade dela porque, como dizia antes, havia me acostumado com sua presença... como dize?... Penso em como seria a vida com ela, como seria acordar ao seu lado todas as manhãs e leva-la para a cama as noites. Eu teria alguém com quem conversar, com quem partilhar tudo, tanto as coisas boas como as coisas ruins; alguém a quem consolar e com quem me consolar, pois se havia uma pessoa que me conhecia, inclusive melhor do que eu mesmo, esse alguém era ela. Ela sempre estava ali, dentro de mim, comigo. Onde quer que eu fosse ela ia comigo. Nunca me deixou...
Então, se pela primeira vez eu tinha que ajuda-la, ia fazer o meu melhor: seria o melhor namorado que os Granger jamais conheceram.
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Tudo estava andando pra trás. Tudo estava saindo errado, por mais que eu tentasse não podia desajuíza-la. Talvez um bicho a tenha picado ou os alienígenas fizeram uma lavagem cerebral nela, mas o caso é que eu não conseguia fazer Hermione se irritar.
E se agregamos a tudo isso a tirada de onda que ela havia me provocado no shopping ao me apresentar seu amigo... E, decerto, que amigo!
Quase faço xixi nas calças quando vi que aquele Adonis de olhos cinzas e cabelo loiro se aproximava de nós e, juro por Deus, que não desmaiei por puro milagre quando ele se aproximou para falar com minha prima. Ou seja, desde quando Hermione tem amigos? E, sobretudo, amigos lindos e ricos e que confirmam que ela tem namorado? Claro que o mais seguro é que ela tenha gastado uma bom fortuna – pobre tio Robert – para paga-los, pois de que outra forma minha prima pode criar toda essa farsa, quando é bem sabido por toda a metade feminina da família que ela é pouco agraciada e não tem amigos? E se não acreditam em mim, juro por Deus – de novo – que o que li na carta que Hermione enviou a tia Jean era verdade.
Talvez não tivesse conseguido irrita-la como há meses atrás, mas o que, sim, havia conseguido fazer era que ela ficasse sepultada na cozinha. Emma me devia muito, ou isso eu fazia com que ela pensasse, pois finalmente é muito fácil manipular um dos pais que levam a vida brigando e acreditam que devem compensar você por manter uma relação ruim ou simplesmente porque querem ganhar seu carinho, e assim ficar com sua guarda no caso de chegarem a separar. Fato é que consegui convencer minha mãe a fazer o jantar com tia Jean, sendo perfeitamente consciente de que as duas são um perfeito desastre na cozinha. Também sabia que minha tia faria com que Hermione as ajudasse. Minha tia tinha uma fixação pelos bons modos e essa coisa de ser uma má anfitriã não encaixava na sua personalidade.
Tirei o vestido vermelho que tinha guardado na maleta e que desde o início pensava em exibir, meu patético intento de fazer Hermione se irritar com meu desfile de moda ao parecer tampouco surtira efeito.
Alisei ainda mais, se possível, meu cabelo e realcei meus olhos com sombras vermelhas e delineador preto; meus cílios, após encurvá-los, receberam sua dose dupla de camada de rímel. Pintei meus lábios de vermelho e lhes pus brilho. Pendi um colar de pedras pretas e grandes da moda, uns brincos de argola a gosto e optei por umas sandálias pretas de salto agulha de doze centímetros.
Contemplei-me no espelho.
- Está pronta, querida? – me perguntou minha mãe, saindo do banho.
- Sempre, mãe. O que vai usar? – lhe perguntei, enquanto dava uns toques de spray no meu cabelo, nem um só fio de cabelo devia sair do seu lugar.
-Oh. O vestido azul que comprei nessa semana. Acha que vai ficar bom?
- Acho que vai tirar o brilho da tia Jean. – lhe disse e Emma sorriu satisfeita, ela invejava o casamento dos meus tios.
- Vocês têm sempre que demorar assim? – inquiriu meu pai da porta, vendo que minha mãe ainda não estava vestida.
- Eu já estou pronta, papai. – me defendi. Ele voltou-se para me ver e fez uma careta.
- Acaso não tem outro vestido? – perguntou, com o cenho franzido.
- Tenho vários, sim. Mas quero ir com este.
- Mas é que assim você parece uma mulher vadi...
- Não permito que critique os gostos de minha filha! – assaltou minha mãe. – Se ela quer pôr um vestido 'tomara-que-caia' ajustado, deixe-a.
- Mas...
- Já disse que a deixe! – repetiu Emma.
- Faça como quiserem. – Disse e saiu batendo a porta.
- Não se preocupe, querida – me abraçou. – Você está linda. A que horas Rocco chega?
- Acho que não deve demorar. – dei de ombros– Também convidei os pais dele, acha que seja um problema?
- Convidou? Por quê? – me deu as costas e fez um gesto para que a ajudasse a fechar o vestido.
- Bom, porque Rocco é seu filho único e ia passar o Natal comigo, seus pais ficariam sozinhos.
- Vendo por esse ângulo creio que não terá problema.
- Pode se arrumar sozinha?
- Sempre.
Sorri e desci para a sala.
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Dobby acabava de sair e o sorriso que me dedicou ajudou um pouco a diminuir a vergonha e o mal-estar que eu sentia ao ter recorrido a uma criatura mágica para limpar a desordem, como um vil escravo.
Claro que o pequeno elfo não foi de mãos vazias, levou: três gorros, cinco pares de meias e duas luvas. Não admira que estivesse tão feliz.
De minha parte, eu já estava pronta. Se não fosse pela magia, poções e feitiços, creio que teria ficado pronta só no ano novo. Com um e outro movimento de varinha, decorei e levei tudo para a sala de jantar, que, com outros três encantamentos, ficou um ambiente de revista. Uns quantos "incêndios" depois e as velas ficaram acesas e, com um feitiço odorizador que encontrei na biblioteca antes de sair de férias, consegui fazer com que o recinto cheirasse a maçã e canela.
Admirei meu trabalho e assenti satisfeita. Ouvi a voz de Melina pelas escadas e o timbre da porta. Apressei-me em enfeitiçar a porta para que se abrisse quando eu dissesse e não antes (ou vai que Melina decide aprontar uma das suas), e aparatei em meu quarto.
Se ela acha que faria de um jantar fabuloso palco para me fazer passar ridículo, Melina iria ver que não seria fácil.
Abri a porta e saí para o corredor, ouvi que abriam a porta e algumas vozes lá embaixo, diminui o passo. Minha entrada seria espetacular.
- Engole essa, priminha! – murmurei e desci pelas escadas.
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- Eu abro! – gritei por cima do meu ombro. Deus! Esperava que fosse meu Rocco, morria de vontade de esfrega-lo no nariz da minha prima. Pus meu melhor sorriso e abri a porta.
- Querida! – exclamou uma mulher de meia idade com o cabelo pintada de preto e exibindo um conjunto de calça e casaco dourados. – Como está?
- Bem. E você? – perguntou a tia Clara.
-Emocionada. – disse e deu um pequeno pulo no seu lugar. – Finalmente, conheceremos o namorado de Hermione. Que emoção! – voltou a pular e aplaudiu. – Obrigado por nos avisar.
- De nada. – Sorri. Tia Clara era a pessoa mais fofoqueira e mexeriqueira de toda a família. Veremos se você pode com isso, Herm! Fiz âmago de fechar a porta, mas a mão de tia Clara em meu cotovelo me deteve.
- Não a feche, querida. Lá vem a avó Jean, a tia Monica e o tio Luis, o tio Arturo, Alice, Francisco, Linda, Patty e todos os meninos. Acha, por acaso, que perderíamos uma apresentação desse tipo? Se até o tio Philipe veio! – A tia Clara sacudiu a cabeça e entrou em casa. - Robert, venha aqui e me dê um abraço! – a ouvi gritar e meu sorriso se fez maior. Isso estava bom.
Passei os seguintes dez minutos saudando toda a família e repartindo abraços a torto e a direito, até que vi algo que chamou a minha atenção: era a viva imagem da elegância juvenil, com suas calças pretas, a sexy camisa verde desabotoada no alto. Parecia um rapaz forte, de longas pernas, quadris estreitos e ombros largos. Não havia uma grama de gordura a mais nele. Incluso à distância pude ver seus olhos, que por trás dos óculos eram de um verde hipnótico. Seu nariz era reto e sua mandíbula forte, com a sombra de uma barba recém feita. Seu cabelo, perfeitamente desalinhado, lhe dava um ar tão despreocupado que o fazia ainda mais sexy.
Trazia a avó segura em seu braço, então o mais certo seria supor que fosse amigo de Patty ou de Francisco, o que facilitava as coisas.
- Obrigado, filho. – lhe disse a avó ao cruzar a porta, que eu ainda mantinha aberta. A avó voltou-se, fitou-me e sorri da maneira mais sedutora que pude, claro que o gesto não era para impressionar ela. - Melina, filha! – bom, o desconhecido agora sabia meu nome. Em outra ocasião, eu não teria gostado que me abraçassem, mas queria que o garoto misterioso e sexy se impressionasse. – Como está? – me perguntou, após eu ter-lhe dado dois beijos em cada bochecha.
- Muito bem, vovó. E você? – olhei para o desconhecido e alarguei meu sorriso. – Desde quando traz rapazes bonitos como presentes de Natal? – O aludido, que tinha o olhar fixo em mim lentamente começou a sorrir, e, valha-me Deus!, seu sorriso era espetacular! Estiquei a mão para puxá-lo pela manga, contente de tê-lo feito sorrir de primeira, quando, esquivando-me, ele adentrou a casa. Girei para poder ver aonde ele ia... quando congelei.
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Desci as escadas com cuidado, sem deixar de ver onde pisava, não queria quebrar um pé precisamente agora. Já estava mais ou menos na metade da escada quando uma sensação familiar percorreu-me da cabeça aos pés. Minha respiração se alterou, meu coração bateu um pouco mais rápido e o típico e conhecido vazio se instalou no estômago.
Lentamente, ergui o olhar e fiquei imóvel em meu lugar. Sei que foram uns segundos, mas para mim pareceram horas o tempo que passei olhando Harry fixamente. Sorri pouco a pouco e ele me sorriu de volta. Desci mais alguns degraus e ele caminhou até mim. Permiti-me olhar para a porta outra vez e, sem poder evitar, sorri ainda mais.
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Aparatei numa rua várias quadras atrás e enquanto caminhava para meu destino, me perguntei se não teria sido mais impressionante e impactante chegar na casa de minha namorada de mentirinha queimando asfalto num carro esportivo último modelo. Mentalizei a imagem e sacudi a cabeça, se realmente queria impactar melhor seria se chegasse numa vassoura. Ri alto ao me imaginar aterrissar montado numa vassoura de gari, diante de meus sogros.
Divisei a casa quando só faltavam alguns metros. Apressei o passo e quando estava no meio jardim, um ruído proveniente de trás chamou minha atenção.
Uma mulher de uns sessenta anos, de cabelo branco, se dirigia para a casa do outro extremo do jardim. Mal podia andar e isso porque se apoiava em uma bengala. Parou ao chegar quase a meu lado e sorriu para mim.
- Me permite? – perguntei com um sorriso, quando me aproximei, e lhe estendi um braço para que a senhora se apoiasse nele.
- Obrigado, filho. Estou me recuperando de uma fratura no quadril e me dá muito trabalho me mexer. E todos esses filhos e netos não parecem lembrar. Você mora por aqui?
- Eh… não. Venho ver minha namorada. Ela me convidou para passar o Natal com ela e, de quebra, conhecer sua família. – Respondi.
- Ah! – exclamou a anciã e parou. Tomou-me do braço, me distanciou dela e me fez girar e, em seguida, me pôs diante dela. – Ela tem bom gosto. Não me surpreende porque não quis apresentá-lo antes. Oh, mas só agora ela acaba de se dar conta? Como é desatenta esta menina!
- Perdão? – essa vovó começava a me dar medo, bem que dizem que não é bom falar com estranhos. Tentarei lembrar da próxima vez em que ver algum, com minha má sorte e meus antecedentes o mais provável é que seja com o irmão gêmeo perdido do meu nêmesis.
- Você deve ser Harry. – Não era nem pergunta nem apresentação, apenas a confirmação de um fato. – Sim. Você é Harry, porque o ruivo se chama como a bebida: Ron. – Tomou-me do braço outra vez e retomamos o caminho. – Hermione sempre falava de você. E quando o fazia, seus olhos sempre brilhavam. Me dá satisfação que esteja com ela. Você é um rapaz muito bom e muito bonito.
- Eh… obrigado?
- Eu sou avó dela, Jean. Mas pode me chamar "Vó" como todos os demais. –Palmeou minha mão e sorriu, porém franzindo o cenho quando chegamos à porta. – Essa menina vai de mal a pior.
Olhei para ver a quem se referia e não pude evitar arregalar os olhos. Melina tinha posto um vestido que, melhor dizendo, parecia um pedacinho de tecido que lhe cobria estritamente o necessário e que a fazia parecer... muito 'destampada' para a época do ano. Realmente me deixou em choque. Quem, em seu são juízo, se vestia assim para uma ceia familiar?
- Obrigado, filho. – me disse a 'Vó' quando chegamos. Eu tentei olhar para outra coisa que não fosse a lombriga de vermelho que estava na porta. – Melina, filha! Como está?
Ignorei o olhar faminto da prima de Hermione e me controlei para não correr em direção a minha namorada... Se não a abraçasse ao menos estaria admirando-a pelos próximos vinte segundos...
- Muito bem, avó. E você, desde quando traz rapazes tão bonitos como presentes de Natal?
Franzi o cenho e me voltei para encarar Melina e dizer-lhe que já tinha 'dona', quando algo mais além de seu ombro me distraiu.
Senti seu olhar e ergui os olhos em busca dos seus, até que meu cérebro processou a imagem.
E quando o fez, o estado de choque no que eu estivera até então, não foi nada comparado ao que senti. Não podia acreditar.
Permaneci fitando-a. Ela estava vestida com uma roupa totalmente diferente da que costumava usar. Tinha uma beleza natural que brilhava sem nenhuma jóia, sem nenhuma roupa exclusiva. Apenas um vestido preto que brilhava com a luz, como se tivesse pequenos cristais, sustentado por finas alças que faziam seus ombros parecer pequenos e delicados. A extremidade inferior do vestido chegava até abaixo do joelho e tinha várias camadas de tule (N/A: Como se os homens soubessem muita coisa de tecidos...) que lhe davam volume. Suas pernas longas e bem torneadas estava cobertas por umas meias escuras e os pés estavam calçados em sapatilhas de salto baixo, que faziam suas curvas tentadoras. Seu cabelo estava preso com uns finos prendedores de brilhantes e estava lido até as pontas, as quais formavam uns lindos apliques. A maquiagem era mínima. Apenas o necessário para realçar seus olhos e sua boca.
Era Hermione. Apenas ela. Minha namorada.
Cheguei ao seu lado em pouco menos de dois segundos. Era como se uma força invisível me arrastasse até ela. Não esperei que terminasse de descer as escadas, simplesmente a tomei pela cintura e aproximei-a de mim.
- Você chegou! – me disse sorrindo e colocando seus braços em volta do meu pescoço.
- Não aguentava mais ficar longe de você. – Eu continuava tão chocado que não percebi que estava sendo mais sincero que de costume. – Senti sua falta.
Observei-a ruborizar-se e sorri comigo mesmo, orgulhoso de ter provocado essa reação. Vi como lentamente ela se esticava para me beijar. Senti seus lábios e o relaxamento que seu toque provocara em meu corpo. Ela, em seguida, afundou em meu abraço, e apoiou a cabeça em meu peito. Não me importou o fato de que sua avó estivesse atrás de nós, nem que sua prima estivesse a ponto de perder a razão. Muito menos me dei conta do silêncio que havia se gerado de repente. A única coisa que senti foi uma grande paz, como se, por fim, eu estivesse no lugar certo. Em casa.
Abracei-a fortemente e beijei-lhe o cabelo.
Nota da Tradutora: Com uma família assim, quem precisa de inimigos, né? Mais um pouco e Hermione vai desejar ter Bellatrix Lestrange como companhia, para aquele dedo de prosa descontraída sobre a última travessura, entre uma xícara de chá e outra!
Bueno, entre trabalhos, idas e vindas, manifestos tabajara e passatempos outros, eis aí, finalmente, o 11º capítulo! Sem um pingo de revisão, 'parido' no calar da noite. Vejamos se o 12º virá mais fácil - força Inna, força!
Amplexos e ósculos a todos, fiquem bem e até nosso próximo capítulo!
Inna Puchkin
