N/A: Antes de ir ao capítulo, eu gostaria de pedir um milhão de desculpas para todas pelo atraso. Julia Midori, por favor, não precisa se preocupar. Eu não pretendo abandonar minhas leitoras preferidas, rsrsrs. Mas é como eu disse, eu estou muito sem tempo e demoro até conseguir escrever, por isso estou demorando para postar. Mas como já disse antes, não pretendo parar com a fic, principalmente agora que as coisas vão começar a acontecer. Tenho reparado também que muitas estão ansiosas pelo "M". Rsrsrsrs. Mas quero adiantar que ainda não decidi se vou ou não fazer cenas explícitas. Não me sinto preparada para tanto e como disse para a Sango Coral-chan, acho que soará forçado. Mas a cena que planejo será muito linda! (Mas só acontecerá mais para frente, então, segurem a ansiedade). Enquanto isso, aproveitem o lado lindo e romântico do Miroke. Beijos a todas! E obrigada mesmo por seguirem comigo.

Capítulo 10

"Novo Trabalho, Boas Notícias"

BOA NOITE, GATA.

TÔ AFIM DE TE VER HOJE PARA CONTINUAR O QUE COMEÇAMOS ONTEM.

BJUS, INU

Agome sorriu. Nossa, esse homem a estava deixando louca!

Fazia pouco mais de uma hora que tinha chegado em casa desde seu encontro com as meninas e ele já estava atrás dela. Mordeu os lábios que ainda conservavam o sabor dos dele.

Era uma loucura total. Ontem tinham chegado de madrugada então ninguém tinha visto nada, mas hoje ele iria aparecer em sua porta antes das oito da noite, quando todos estavam acordados. As chances de ser pêga eram imensas. Não que tivesse problemas com isso, afinal sempre apresentava a família seus namorados.

Mas ele não era bem seu namorado, não é? Só tinham trocado um beijo até então e ela não saberia como agir se sua mãe perguntasse quem era o bonito rapaz que estava com ela no portão.

Sem contar as zoações de Souta e seu avô dando sermão de como os homens de hoje em dia não sabem esperar e que no seu tempo eles cortejavam as moças por pelo menos uns dois meses antes de poder pegar em sua mão.

Mas quer saber? Não importava. Nada disso importava. Ela estava tão ansiosa para estar com ele quanto ele por estar com ela. Digitou uma resposta afirmativa.


Sango estava ansiosa, pois no dia seguinte seria sua entrevista.

- Fique tranquila, querida. _ Nazumi apoiava _ Vai dar tudo certo.

- Eu espero que sim. _ ela sorriu _ Sabe como adoro animais e um emprego assim tão perto de casa, é um sonho. Posso vir almoçar aqui e nem precisarei gastar com vale transporte ou combustível.

- Isso é muito bom. _ Nazumi concordou.

- Sim. _ concluiu _ Mãe eu já vou indo para o quarto.

- Já vai se deitar? _ Nazumi estranhou _ Mas está tão cedo. Nem comeu nada ainda, querida.

- Não estou com muita fome. _ Sango respondeu _ E não vou dormir já. Vou ler um pouco antes. Quero me deitar mais cedo, para parecer descansada amanhã.

- Está certo. _ Nazumi sorriu _ Boa noite, então.

Sango foi até o quarto, trocando sua roupa por um pijama de algodão simples e confortável. Deitando-se na cama, pegou o livro que estava lendo e tentou sem sucesso passar da primeira página.

Tudo bem. Estava ansiosa pela entrevista no dia seguinte, mas não era isso que atrapalhava a sua leitura. Havia outra coisa impregnada em sua mente. Algo que a deixava desatenta, que tirava sua fome e que com certeza atrapalharia seu sono. Na verdade, alguém. Miroke.

Ela ainda tinha em mente sua despedida fria. Ela realmente o tinha deixado magoado com ela. Não tinham se falado o dia todo e ela sentia que havia coisas que precisavam se acertar entre eles. Antes de toda essa confusão amorosa, eles sempre foram amigos. Melhores amigos. Não era justo que nos últimos dias estivessem sempre brigando, coisa que não acontecia nunca entre eles quando seu relacionamento era baseado só na amizade.

- Amar é uma droga! _ ela exclamou, arregalando os olhos em seguida ao perceber o que dissera _ O que estou dizendo? _ ela tentou recobrar a razão _ Devo estar ficando louca.

Ainda perdida em seus pensamentos, demorou a notar que seu telefone tocava. Apanhou-o para ver quem era.

- Oi.

- Oi, gatinha. _ a voz masculina respondeu _ Não nos vimos hoje, tá afim de dar um rolê por aí?

- Hoje eu quero ficar em casa. _ ela respondeu, feliz por ter uma desculpa _ Amanhã é o dia da minha entrevista e eu tenho que acordar cedo.

- Entendo. _ ele pareceu desanimado _ Mas não posso nem dar uma passada aí? Estou com saudade de você.

- Não dá. _ ela respondeu _ Eu já estou até deitada e de pijama. E no estado de stress que estou hoje, não serei uma boa companhia.

- Certo. Então vamos nos ver amanhã. _ ele pediu _ Para comemorar o seu novo emprego.

Sango sorriu. E ele era muito atencioso com ela.

- Pode ser. _ respondeu _ Então nos vemos amanhã.

- Até amanhã. _ e completou _ Eu amo você.

- Um beijo. _ ela respondeu, desligando o telefone.

Ainda sentia-se muito culpada pela forma como andava tratando Kuranosuke. Ele era educado, bonito, atencioso, carinhoso e ela só sabia corresponder a isso tudo com frieza. Ele podia ter sido sua paixão de infância, mas hoje em dia por mais que ele fizesse, ela não conseguia corresponder a ele com a mesma intensidade. Não chegava nem perto disso.

O telefone voltou a tocar. Às vezes Kuranosuke se esquecia de dizer alguma coisa e ligava em seguida. Só que Sango não estava com paciência para ele naquele momento. Mas depois de algumas chamadas insistentes, ela não podia ignorá-lo mais, seria muita falta de respeito. Ao pegar o telefone gelou.

Não era Kuranosuke.


- Ok. Acho que já chega. _ ela conseguiu balbuciar, empurrando-o de leve. Seu coração parecia querer sair pela boca e sua respiração estava entrecortada.

- Ah... Só mais dez minutinhos... _ ele implorou, voltando a mordicar sua bochecha.

- Você está dizendo isso há duas horas. _ ela riu _ Não sei como meu avô ainda não apareceu por aqui para lhe dar um sermão de como tratar uma garota.

- Eu tenho muita experiência em tratar garotas. _ ele sorriu torto _ Posso dar umas aulas para o seu avô se ele quiser.

- Seu tonto! _ ela lhe deu um tapa _ Não seja tão convencido senão ele realmente vai te expulsar daqui embaixo de balas.

- Ele é tão violento assim? _ fingiu espanto, colocando a mão no peito de forma dramática.

- Não. _ sorriu _ Mas é super protetor quando se trata da minha honra. _ corou violentamente ao perceber o que dissera. Para seu desespero, ele sorriu com ainda mais malícia.

- Sua "honra" é? _ provocou _ Então ainda tem algumas partes não tocadas...

- S-Sim. _ ela baixou os olhos _ Mas isso não é da sua conta!

- Não teria tanta certeza disso. _ continuou provocando-a _ Não sabemos do futuro.

- Pode ir tirando o cavalinho da chuva. _ ela advertiu, muito vermelha _ Não é minha intenção passar a noite com um ficante. Nunca fui assim e nunca serei. Isso é algo especial.

- Concordo com você. _ ele sorriu _ E nunca te obrigaria a algo assim. Mas como disse, não sabemos do futuro. Por hora... _ abaixou-se em uma reverência dos tempos antigos, beijando-lhe a mão _ ... Aqui me despeço, minha donzela.

Ficou sem ar com essa atitude dele. Com um último sorriso, Inuyasha entrou no carro, lançando-lhe um beijo no ar em despedida.

Agome ficou vendo-o partir, seu corpo e sua mente em estado de êxtase.

- "Uau..." _ pensou, sorrindo _ "Acho que nunca conheci alguém como ele em toda a minha vida."

Ainda sorrindo abobada, Agome entrou na casa. Mas apesar da hora tardia (já passava das onze), para seu desespero sua família fazia plantão ao aguardo dela. Suspirou. Não poderia fugir disso para sempre.

- Agome... _ sua mãe sorriu _ ...Quem era aquele bonito rapaz que estava com você no portão? _ foi como esperava a primeira pergunta de sua mãe.

- Ah... Bom, ele... _ gaguejou.

- Não está óbvio, mãe? _ Souta interviu _ Ele veio deixar ela aqui ontem de madrugada e ficaram se amassando no portão. E hoje de novo. É claro que é o namorado novo dela.

- S-o-u-t-a... _ ela disse em tom de advertência para que o irmão calasse a boca. Suspirou, derrotada. Era muita presunção de sua parte achar que ninguém os tinha visto na noite anterior. Seu irmão costumava ficar horas seguidas na internet. Uma vez fora deitar quase cinco horas da manhã.

- É isso, Agome? _ Mitsune quis saber _ Aquele rapaz é seu namorado?

- Mais ou menos... _ continuava gaguejando _... Na verdade acho que não estamos realmente namorando ainda. Talvez ficando, mas namoro...

- Que pouca vergonha! _ o avô ralhou _ Os garotos de hoje em dia não tem a menor paciência e senso de respeito. No meu tempo, nós tínhamos que cortejar a moça por pelo menos dois meses antes de sequer pegar em sua mão. Namorar então, só se o pai permitisse. Esse rapaz sequer veio pedir permissão para lhe namorar. Na falta do pai, ele deveria ter falado com sua mãe. O mundo está perdido mesmo! Ninguém mais respeita as coisas como devem ser.

Agome revirou os olhos. Essa era exatamente a atitude que havia esperado de seu avô.

- Bom, eu acho que vou dormir agora. _ Agome anunciou, interrompendo o discurso do avô e indo em direção ao seu quarto _ Boa noite a todos.

- Ainda não terminamos com isso, Agome. _ Mitsune foi acompanhando a filha _ Agora está meio tarde, mas quero saber direitinho que história é essa de "ficante".

- Ok, mãe. _ Agome respondeu _ Então amanhã conversamos. Boa noite. _ e fechou a porta do quarto. Soltou o ar que até então prendia _ Que bando de enxeridos!

Mas em seguida balançou a cabeça, rindo. Não podia culpa-los por sua curiosidade. Apesar de sempre apresentar a eles seus namorados, Agome não havia tido muitos em sua vida, por estar sempre estudando ou ajudando a mãe com as tarefas, já que ela tinha que trabalhar para sustentar a casa. Um namorado era sempre uma novidade, algo para se comentar.

Tinha dito que iria dormir, mas a verdade é que não estava com um pingo de sono. Ainda estava elétrica pelos beijos de Inuyasha e tinha certeza que sonharia com ele essa noite. Sorriu.

- Ai, sua boba romântica! _ soltou, rindo de si mesma.

Após vestir o pijama, decidiu navegar um pouco na internet para ver se o sono chegava. Passou por vários assuntos interessantes, até chegar ao seu site de notícias preferido. Em geral, ela costumava visita-lo pelo menos uma vez por dia, para se manter sempre bem informada. Mas devido a mudança de volta para o país e a ter seu tempo livre quase sempre ocupado com seus papos com Inuyasha, que diga-se de passagem eram muito mais interessantes que ficar na frente do computador, já haviam se passado dias desde seu último acesso.

- "Nossa, perdi muita coisa nesses dias todos sem acessar..." _ pensou enquanto lia as manchetes por ordem cronológica.

Por fim, algo lhe chamou a atenção. Era uma notícia que tinha sido postada logo após voltarem da Argentina. Seus olhos se arregalaram conforme iam passando pelas linhas.

- "Oh, meu Deus!" _ ela exclamou mentalmente _ "A Sango precisa saber disso."

Tratou de colocar mais folha sulfite em sua impressora para imprimir a notícia que era bem completa, dando umas três páginas. Voltou a correr os olhos por tudo, sem acreditar no que lia. Sango ficaria muito feliz com isso. Tinha que mostrar para ela assim que possível.


- Alô?

Oh, olá. _ ela voltou a si _ Me desculpe. Devo estar um pouco distraída.

- Não tem problema. _ sua voz garantiu _ Está tudo bem com você?

- S-Sim. Claro. _ respondeu _ Porque não estaria?

- Bom, é que eu... Não fui exatamente um lorde com você hoje de manhã.

- Você tinha suas razões para ficar chateado. Não tem porque se sentir culpado por isso.

- Nada justifica o modo como te tratei. Fui um estúpido. Você estava coberta de razão e na minha ansiedade não te respeitei. Me desculpe.

- Chega! Não quero mais falar nisso. _ Sango concluiu, feliz por ele ter resolvido falar com ela _ Não importa mais.

- Tudo bem.

_ ele respondeu _ Sei que tem que levantar cedo amanhã para a sua entrevista, então não vou alugá-la por muito tempo. Mas só quero te dizer uma coisa. Se aquele imbecil te fizer alguma coisa... Qualquer coisa... Eu estarei aqui para cuidar de você.

Sango ficou sem entender nada.

Aconteceu algo entre você e o Kuranosuke que eu ainda não saiba?

- Não.

_ ele respondeu, rápido demais _ Nada. Só quero que saiba que estou aqui. Estarei sempre para você.

Sango corou. De repente, coisas que ele sempre dizia a ela começaram a ganhar outros sentidos. Isso deveria ser normal entre amigos que desenvolviam um relacionamento um pouco mais colorido.

- Ok. Obrigada. _ foi o que conseguiu pronunciar.

- Boa noite. _ ele concluiu, com um sorriso na voz.

- Boa noite... _ ela sorriu de volta.


Os risos o cercavam.

Isso doía tanto... Tanto...

- Mamãe, faça eles pararem! _ ele gritava, mas ninguém lhe atendia.

- Coitatinho do ceguinho... Cuidado, olha o poste!

Mais risos.

- Parem! Me deixem quieto!

O suor lhe transbordava por todo o corpo quando abriu os olhos. Seu peito subia e descia em alta velocidade e ele estava muito ofegante.

- Maldição! _ xingou, passando a mão pela testa ensopada, desgrudando a franja de cima dos olhos _ Porque ainda me sinto assim, depois de tantos anos?

Empurrou as cobertas para longe. Seu corpo estava suficientemente aquecido pelo sonho que tivera.

Tateando em sua cabeceira, localizou o celular. Pressionou o botão específico.

- Agora são quatro horas e vinte e dois minutos. _ anunciou a voz eletrônica com a qual já estava muito acostumado.

- Que beleza. _ resmungou _ E ainda me faz perder o sono antes das cinco da manhã.

Bufando irritado, Miroke saiu da cama, indo até o banheiro. Abrindo o chuveiro, enfiou-se embaixo d´água sem se preocupar em retirar a cueca. Tudo o que queria era tirar aquela sensação horrível de seu corpo.

Como se fosse um garotinho de doze anos, as lágrimas voltaram a rolar por seu rosto.

- Merda! _ voltou a xingar, passando a mão pelo rosto _ Isso é inaceitável! Porque não posso simplesmente seguir com minha vida?

- Miroke? _ a voz de sua mãe soou delicada, seguida de uma batidinha na porta.

- Está tudo bem, mãe. _ ele respondeu, tentando manter a voz firme _ Só estou sem sono. _ disse _ E com calor. _ completou, justificando o chuveiro ligado no meio da madrugada.

- Teve aquele sonho de novo, não é? _ ela questionou, certeira.

Miroke suspirou. Não adiantava tentar mentir para sua mãe. Fechando o chuveiro, destrancou a porta, sentando-se em cima da tampa do vaso, esperando que ela entrasse.

- Ah, querido... _ ela suspirou, abraçando-o com força enquanto ele punha para fora tudo o que estava sentindo. _ Já passou. Não precisa mais ficar assim.

- Isso é insuportável! _ ele dizia _ Para não dizer vergonhoso. Caramba, mãe! Sou um homem e insisto em tomar essas atitutes.

- Não é sua culpa! _ sua mãe defendeou-o, dando-lhe um beijo na testa e passando os dedos pelos cabeços molhados do filho _ Passar por tudo o que passou e ainda por cima... _ seu rosto ficou rancoroso _ ... Mas tudo acabou se resolvendo, não é mesmo? O que é bom. Mesmo assim é natural que ainda sinta algumas coisas. Isso é algo traumatizante para uma criança tão doce como você era.

- Não sou mais uma criança, mãe. _ ele respondeu, tentando gentilmente se afastar dos braços protetores da mãe.

Ela o puxa de volta.

- Para mim será sempre. _ respondeu _ Meu menininho lindo. _ e sorriu.

Miroke não pôde evitar sorrir também, aceitando o carinho da mãe.


- Tenha um bom dia. _ Sango sorriu, para o cliente que saía, levando um saco de ração.

- Muito bom, Sango. _ a moça de cabelos dourados presos em um coque elegante _ É assim mesmo. Sempre sorrindo.

- Acha que darei certo aqui, Sami? _ Sango questionou, insegura.

- Se vai se dar bem? _ ela a olhou, descrente _ Menina, está escrito na sua testa que você adora isso.

- E como! _ Sango concordou, sorrindo feliz.

Tinha se saído tão bem na entrevista que o dono da Pet Shop havia pedido para que ela começasse naquele dia mesmo, já que Sami, a moça que trabalhava como recepcionista anteriormente tinha concordado em ficar mais um dia para ajudá-la no começo.

Sami era muito gentil e estava sendo uma mão na roda, já que além do atendimento, Sango cuidaria também de toda a parte de escritório.

- Só estou um pouco insegura. _ Sango continuou, tirando um punhado de cabelo de cima dos olhos e colocando-o atrás da orelha _ É tanta informação junta. Tenho medo de não dar conta.

- Dará, com certeza! _ Sami garantiu _ Parece complicado no começo, mas depois você pega o jeito e fica tudo tranqüilo. No geral, é sempre a mesma coisa que tem que ser feita. É só prestar atenção para não esquecer de nada.

- Esse é problema... _ baixou os olhos, vermelha _ ... As vezes sou uma cabeça de vento.

- Deixa de ser boba! Confie mais em si mesma. _ Sami sorriu.

Sango sorriu de volta.

- Ah! Chegaram os novos bichinhos! _ Sami comentou, correndo até o transporte que chegava com os novos filhotes para venda, puxando Sango consigo _ Olha só, Sango. Não são fofinhos?

- Ah, são tão lindos! _ Sango exclamou, maravilhada _ Um mais do que o outro.

Durante os minutos seguintes, as duas moças se ocuparam em acomodar os filhotes em seus espaços de exibição. Cãezinhos, gatinhos e animais silvestres. Sango não sabia em que direção olhar.

Enfim, uma gatinha em particular lhe chamou a atenção. Tinha um pêlo volumoso, cor de creme com marcas negras e olhos vermelhos como fogo. Seus olhos chocolate se iluminaram.

- Ai! Você é tão linda! _ exclamou, maravilhada, apanhando o bichinho no colo _ Te queria para mim.

- Tudo bem que você pode comprar na loja, mas se pegar um desses bichos, ficará sem salário por uns cinco ou seis meis, Sango. _ Sami comentou, com expressão triste _ Essa raça é uma das mais caras. Está na faixa de cinco mil reais.

Sango engasgou. Ficaria sem salário por muito mais tempo do que isso, se comprasse um bichinho tão caro.

Sentiu o coração abertar quando seus olhos cruzaram-se com o do frágil animal em suas mãos. Não sabia explicar. Sempre gostara de bichos, mas essa em especial tinha mexido com ela.

- Eu... Queria tanto... _ balbuciou, colocando-a de volta na gaiolinha com relutância. _ ... Tanto...

Como se estivesse ligada a ela, a gatinha ficou de pé com as patinhas nas grades, entortando a cabecinha miúda em direção a Sango, tentando entender porque a moça a tinha colocado ali de novo.

- Mi? _ ela soltou, fazendo Sango se derreter e pegá-la de novo, apertando-a com força. _ Fofura!

Sami balançou a cabeça, rindo. Nada impedia ela de brincar com a gatinha enquanto não fosse vendida.

- Só tente não se apegar demais. Acredite, eu sei como é quando você se apega e o filhote é vendido. Dá uma sensação de perda horrível.

Sango sentiu uma dor aguda no peito. Era egoísmo, mas não queria que ela fosse vendida. De jeito nenhum.

- Com licença, aqui fazem banho e tosa? _ a voz dele chegou aos seus ouvidos, deixando-a vermelha.

Sami também ficou rosada quando o rapaz vestido de preto entrou no recinto.

- Fazemos sim senhor, mas o valor depende da raça. _ Sango respondeu.

- Para um cachorro vira-lata quanto sai? _ sorriu torto, deixando ambas sem fôlego.

- "Pra você, é de graça..." _ Sango pensou, corando em seguida. Pelas bochechas rosadas de Sami, devia ter pensado algo parecido. Seu sorriso diminuiu um pouco, sentindo-se irritada repentinamente. _"Pára com isso!" _ ralhou consigo mesma _ "Sami é uma boa pessoa e está te ajudando. Deixa de ser ciumenta!"

- Então? Quanto é? _ o moreno insistiu, chamando-as de volta a realidade.

- Depende do tamanho do animal. _ Sami respondeu, parecendo não entender que ele se referia a ele mesmo.

- Ah... Olha que é porte grande, hein? _ voltou a sorrir, deixando a moça sem saber onde olhar quando finalmente entendeu o duplo sentido e Sango ficou com vontade de esganar alguém, de preferência o moreno pervertido diante dela.

- Já chega, não é Miroke? _ Sango foi até ele, esquecendo-se momentaneamente da gatinha espremida entre seus braços raivosos.

- Miau! _ a gatinha exclamou, indignada.

- Oh, me desculpe. _ pediu, dando-lhe um beijinho na cabeça.

- Novo amiguinho, florzinha? _ ele questionou, fazendo Sami sorrir.

- Amiga, na verdade. Não é menina? _ ergueu a gatinha no ar, fazendo-a balançar a calda, animadamente. _ E essa moça é a Sami. Está me ajudando no serviço.

- Muito prazer em conhecê-la. _ ele sorriu, charmoso.

- Prazer. _ lançou um olhar aos dois _ Er... Sango... Não está na hora do seu lanche da tarde?

- Na verdade. falta uma meia hora ainda.

- Não tem problema. Pode fazer mais cedo, que eu fico aqui até você voltar.

- Não sei se seria uma boa idéia sair fora de hora no primeiro dia, Sami... _ Sango comentou, temerosa. Não queria peder o emprego.

- Vai logo. _ Sami ordenou entre dentes, pegando a gatinha e empurrando a moça em direção a Miroke _ - Deixa de ser boba! - _ Ralhou, entre cochichos.

- Eu lhe faço companhia. _ Miroke se ofereceu _ Podemos ir na sua casa mesmo. Tenho certeza de que sua mãe deve ter algumas coisas boas prontas.

- Ok. _ ela respondeu _ Mas se der zebra...

- Eu te cubro. _ Sami garantiu _ Hoje é meu último dia mesmo, não terei problema com isso.

Sango suspirou, resignada. Parecia que ultimamente todos em torno dela queriam empurrá-la para cima de Miroke.

Com um sorriso maroto, Miroke estendeu o braço para ela pegar, algo que fez com relutância. Sami era muito legal, mas ainda não estava preparada para que ela conhece o quão grande era sua proximidade com Miroke, principalmente com Kuranosuke envolvido na história.

Assim, de braços dados, os dois saíram da loja.


A mesa da cozinha de Sango estava farta, como era de se esperar. Nazumi era sempre uma pessoa muito caprichosa na cozinha, principalmente quando se tratava de agradar Miroke.

- As panquecas estão uma delícia, senhora Taiyjia. _ Miroke comentou, enquanto saboreava mais um pedaço.

- Espero ter acertado no ponto da calda. _ Nazumi comentou, sorrindo _ Sua mãe me disse que ainda é uma de suas coisas preferidas.

- É sim. _ ele respondeu, sorrindo de volta _ Agradeço. A senhora é muito atenciosa comigo.

- Querido, você e Sango sempre foram tão amigos. _ Nazumi lançou a Sango um sorriso peculiar que a deixou sem graça _ Para mim é um prazer. Agora, se me dão licença, tenho algumas roupas para pôr na máquina. _ completou, saindo em seguida.

- Sua mãe me adora. _ Miroke comentou tranqüilo, pondo mais um pedaço na boca.

- Já notei. _ Sango respondeu, entre dentes.

Miroke riu, estendendo a mão para ela. Ela a pegou.

- Não precisa ficar tão tensa. _ ele disse _ Não precisa agir como se eu fosse te agarrar de uma hora para outra na frente da sua mãe. Não sou esse tipo de cara.

Sango suspirou, relaxando.

- Eu sei que não faria isso. _ ela respondeu _ Não precisa se preocupar, não estou assim por causa de você. Só acho que... _ parou de falar, não conseguindo encontrar as palavras. Não queria mostrar para Miroke o quanto seu interesse por ele tinha aumentado. Se era para ficarem juntos, teria que ser do modo certo.

Miroke também não quis insistir. Preferiu mudar de assunto.

- Não é só isso que te preocupa, não é? _ ele comentou, sentindo o abatimento dela _ Você está meio para baixo desde que saímos da pet. O que foi? Não te trataram bem?

- Não. Não é nada disso. _ ela garantiu _ É só que... Bom, hoje chegaram os filhotes para venda. Você sabe o quanto eu gosto de animais, mas desde que a Sussy morreu, papai não me deixou pegar mais nada por que iriamos nos mudar logo. E chegou uma gatinha lá que fiquei apaixonada, mas... Sami me disse que ficará na faixa de cinco mil reais. Nunca teria dinheiro para tanto...

Suspirou.

- Você era muito apegada na Sussy, não? _ ele comentou casualmente.

- Sim. Mas também, depois de quinze anos com o bicho, quem não se apegua? Ela era minha companheira. Onde eu ia, ela estava atrás. Fiquei doida quando ela morreu e quis logo outro, mas papai não deixou. No fim, me envolvi tanto nos assuntos da mudança que acabei deixando isso de lado e não pensando mais. Mas quando vi aquela gatinha...

- Já não está na hora de você voltar? _ ele questionou, quando pressionou o botão e a voz eletrônica anunciou: Agora são três horas e trinta e três minutos.

- Nossa, é mesmo! _ ela respondeu, saltando da mesa _ Está vendo, eu sempre perco a noção do tempo quando estou com você. _ ela comentou ansiosa, apanhando a bolsa.

- Isso é normal quando se ama. _ ele comentou de forma casual, levantando-se também.

Vermelha, Sango tentou ignorar o comentário.


O restante do dia foi bem atribulado, como era de se esperar. A pet nem tinha tanto movimento por ser uma segunda-feira, mas por ser seu primeiro dia, era atribulado por si só.

A cada minuto que avançava, Sango já pensava mais ainda que não teria Sami para ajudá-la no dia seguinte e isso a deixava apavorada.

- Vai se sair bem, relaxa! _ ela sorria.

Para piorar a situação, a pequena bolinha de pêlos não tirava os olhos dela, soltando um miadinho manhoso aqui e ali.

- Não me deixe nervosa você também! _ ela tentou bronquear, sorrindo quando a gatinha começou a rolar, mostrando da barriguinha peluda, oferecendo-a para que Sango a coçasse. _ Sua boba linda!

No fim do dia, quando estava indo para casa, seu celular tocou. Era Agome. Com um susto, viu que tinha umas cinco ligações perdidas da amiga.

- Oi.

- Sango, onde você está?_ foi o cumprimento dela _ Te liguei o dia todo!

- Me desculpe, Agome. _ ela pediu _ Foi tudo tão corrido hoje que nem peguei o celular. Ele ficou o dia inteiro dentro da bolsa.

- E a entrevista? Deu tudo certo?

- É por isso que foi corrido. Hoje já foi meu primeiro dia no trabalho.

- Que bom, amiga! Parabéns. Fico feliz por você.

- Obrigada. _ Sango sorriu _ Mas me diga. Porque essa ansiedade toda em falar comigo? Progressos com o Inuyasha?

Agome ficou uns dois segundos muda. Sango sabia que a tinha deixado sem graça.

- A-Alguns... _ ela gaguejou, fazendo Sango rir _ Mas não é sobre isso que eu quero te falar. Temos que nos ver.

- Ok, então. Podemos marcar para amanhã. _ Sango comentou _ Tenho uma hora de lanche na parte da tarde. Podemos conversar na pracinha.

- Eu preferia que ainda fosse hoje... _ Agome soltou _ ... Mas tudo bem. Podemos nos ver amanhã. Que hora que é o seu lanche?

- Três horas.

- Ok. Nos vemos na pracinha então.

- É tão importante assim, Agome? _ Sango questionou, sentindo a ansiedade da amiga.

- Digamos que é uma coisa muito boa. Acho que só estou ansiosa. Não dá para falar por telefone, você tem que ver.

- Tá bom então. _ Sango respondeu _ Então até amanhã.


- Para variar, não está fazendo nada. _ a voz baixa e firme invadiu seus ouvidos, deixando-o irritado.

- Sua namorada não está te esperando não? _ ele respondeu, num rosnado _ Sabe que ela não é lá muito paciente, principalmente quando se trata dos seus compromissos a dois.

- Minha NOIVA sabe que sou alguém muito ocupado. _ o mais velho respondeu, sem se deixar abater _ Ao contrário de você, que fica o dia todo largado no sofá quando não está fazendo pampeiro na casa dos seus amiguinhos, não é irmãozinho?

- Não chame nosso trabalho de "pampeiro"! Você não entende nada de música! _ o rapaz de olhos dourados levantou-se, pronto para uma briga.

- Eu entendo muito de boa música. Aquilo que chamam de música não passa de um monte de ruídos. E para que tanta agressividade? _ o mais velho comentou, seus lábios começando a quererem formar um sorriso _ Isso só prova que estou coberto de razão. Que você é um crianção. _ concluiu, virando-lhe as costas.

- Eu te odeio, Sesshoumaru! _ Inuyasha berrou, chutando uma almofada para longe.


Seus olhos chocolate não acreditavam no que viam. Conforme ia passando as páginas que Agome lhe entregara, sentia o coração disparar em uma ansiedade absurda. Não conseguia parar de sorrir. A esperança pulsava em cada fibra do seu ser.

- Isso... _ ela começou _ Isso é sério?

- Ao que parece. _ Agome sorriu de volta _ Esse site é muito confiável. Só transmitem notícias que realmente acontecem e essa empresa _ ela apontou para o link que fazia referência a um importante laboratório medicinal _ É muito bem conceituada. Eu pesquisei muito e já tinha ouvido falar muito bem dela também.

- Mas... Isso é ótimo! _ Sango pulou do banco da praça, incapaz de se conter. _ Quer dizer, isso pode ajudar muito!

- Eu sei! Tem noção de como eu fiquei ansiosa quando li isso? Estava doida para te contar.

- Se tivesse me dito que era sobre ele eu tinha ido na sua casa imediatamente. Por que não me disse?

- Porque você me disse que já tinha trabalhado o dia todo então calculei que estivesse exausta. Já passava das seis quando te liguei.

- Não importa! Eu estava cansada sim, mas isso é um motivo justo. _ Sango teimou.

- Pára com isso. Agora você já está sabendo, não está? _ Agome riu.

- Ele vai ficar tão feliz! _ sorriu, fazendo Agome sorrir de volta.


- Er... Kyoko... _ ela começou a puxar assunto com a menina que trabalhava na limpeza da loja _ ... Cadê aquela gatinha que está aqui nessa gaiola?

- Foi vendida. _ a moça respondeu _ Foi a própria doutora que atendeu a pessoa, enquanto você estava fazendo o seu lanche.

- Ah, sei... _ Sango soltou, sentindo a tristeza invadí-la ao ver a gaiolinha vazia _ "Por cinco mil... Achei que fosse passar mais um tempo com ela..." _ virou os olhos, incapaz de olhar por mais um tempo naquela direção.

Voltando a sua mesa, ela não resistiu a tentação de espiar entre as comandas para ver o nome da pessoa que a tinha comprado. Yamato.

Ok. Não era alguém conhecido. Se pelo menos fosse, saberia onde a pessoa morava (se é que ainda morasse no mesmo lugar depois de dez anos) e poderia tentar espiá-la de vez em quando. Mas com certeza era alguém de fora.

Sentiu os olhos umedecerem. Que ridículo! Se fosse ficar assim por todo animal que fosse vendido, aquilo não ia dar certo. Tinha que ser profissional. Ignorando a tristeza que a invadia, seguiu com seus afazeres.


- Ah, mais um dia! _ ela sorriu, orgulhosa de si mesma, enquanto puxava as portas de vidro _ Nem acredito que consegui passar por isso sozinha.

Passando a chave no trinco, Sango a colocou no bolso e subiu a rua em direção a sua casa.

Sua mãe a esperava no portão e a cumprimentou com um beijinho no rosto.

- Deve estar cansada. _ ela comentou, pegando a bolsa da filha _ E com fome. Não comeu nada a tarde.

- É que eu fui conversar com a Agome na hora do lanche. Mas comi um salgado, não se preocupe.

- Você e essas porcarias de rua. _ sua mãe ralhou _ Não sei porque faz isso se mora a dois minutos do trabalho. É só vir aqui em casa e comer alguma coisa direito.

- Foi só hoje, mãe. _ ela garantiu _ Um caso a parte.

- Espero que não vire um hábito.

- Não vai virar, fique tranqüila.

- Tem uma encomenda para você no seu quarto. _ sua mãe comentou _ Chegou hoje a tarde.

- Ah! Deve ser o livro que encomendei pela internet. _ ela respondeu, indo para o quarto.

Ao chegar lá, viu que a caixa era um pouco maior do que a caixa de um livro. Na verdade, deveria caber uns dez livros nela. E estava toda furada.

Com apreensão, Sango ergueu a tampa e não pôde evitar sorrir quando a bola peluda começou a rolar para ela.

- Ei! _ riu, pegando-a entre as mãos _ Como veio parar aqui?

- Mi! _ ela respondeu, balançando o rabo convidando-a a brincar.

Grudado pelo lado interno da caixa, estava um bilhete. Estava cheio de marcas de unhas pequenas de gato já que a gatinha tinha que ter alguma coisa para fazer enquanto esperava por Sango na caixa. Mas mesmo assim, Sango o pegou, abrindo-o devagar. Era um bilhete impresso, escrito no computador.

SANGO

IMAGINO QUE DEVA ESTAR MUITO FELIZ QUANDO LER ISSO.

EU PUDE NOTAR QUE VOCÊ FICOU CHATEADA POR NÃO PODER FICAR COM A GATINHA E POR TE CONHECER TÃO BEM, SABIA QUE IRIA FICAR ARRASADA SE ALGUÉM A LEVASSE PARA LONGE DE VOCÊ.

POR ISSO DECIDI TE FAZER ESSA SURPRESA. ATÉ DEI UM NOME DIFERENTE NA PET PORQUE VOCÊ TINHA ME COMENTADO ONTEM QUE LÁ ELES REGISTRAM TODAS AS VENDAS PARA TER O CONTROLE E QUE VOCÊ SENDO A RECEPCIONISTA TERIA ACESSO AS INFORMAÇÕES.

QUERIA TE FAZER UMA SURPRESA. ESPERO TER CONSEGUIDO.

NÃO QUERO QUE VEJA ISSO COMO UM FAVOR. SEU ANIVERSÁRIO ESTÁ PRÓXIMO, VEJA ISSO COMO UM PRESENTE ADIANTADO.

ESPERO QUE QUANDO OLHE PARA ELA, QUE VEJA UM POUCO DE MIM NESSA MENINA LINDA E QUE ELA TAMBÉM POSSA PASSAR PARA VOCÊ UM POUCO DE TUDO O QUE SINTO.

COM TODO O AMOR DE MEU CORAÇÃO

SEMPRE SEU

MIROKE

PS: EU TE AMO

Sango não podia se controlar. As lágrimas simplesmente saltavam de seus olhos como se tivessem vida própria. Os lábios mantinham um sorriso contínuo e seu coração estava na boca.

A gatinha ainda estava em sua mão, ronronando alto, demonstrando o quanto estava feliz. Era uma prova física do que ela mesma sentia.

ESPERO QUE QUANDO OLHE PARA ELA, QUE VEJA UM POUCO DE MIM NESSA MENINA LINDA E QUE ELA TAMBÉM POSSA PASSAR PARA VOCÊ UM POUCO DE TUDO O QUE SINTO.

COM TODO O AMOR DE MEU CORAÇÃO

SEMPRE SEU

MIROKE

PS: EU TE AMO

Ela releu o final da carta, sentindo novamente as emoções aflorarem.

- E eu também.

CONTINUA...


Aaww...

Quero uma gatinha dessas para mim.

Tudo bem que eu já tenho 4, mais isso é só um detalhe. Rsrsrsrs.

Espero que tenham gostado desse capítulo. Eu amei escrevê-lo. Fico no aguardo da opinião de vocês.

Um beijos a todas.