Personagens de Stephenie Meyer. História de Tessa Dare.
CAPÍTULO ONZE
.
"Deixe com as mulheres inglesas para civilizarem o oceano."
.
- Às segundas-feiras sempre fazemos caminhadas pelo campo.
Isabella acompanhava as irmãs Brandon na trilha íngreme. Juntas, seguiam um grupo mais numeroso. As moças constituíam um arco-íris de musselina que ocupava todo o caminho.
- As falésias são lindas nesta época do ano. Quando chegarmos ao cume, vocês verão que podem enxergar a quilômetros de distância. A sensação é de estarmos no topo do mundo.
Era graças aos céus que tinham atividades programadas. Depois da agitação do dia anterior na praça e de mais uma noite inquieta, Bella sentia-se grata por algo que a distraísse. Ela caminhava decidida e firme, inspirando profundamente o ar com cheiro de plantas.
- As flores silvestres são lindas. - Charlotte colheu um talo de lavanda da encosta e a girou entre os dedos.
Alice arrastava-se ao lado de Isabella.
- Srta. Swan, você não sabe como odeio parecer com a minha mãe, mas você tem certeza de que todo este exercício fará bem para a saúde de Tanya?
- Total! Exercício é o único meio pelo qual ela vai ficar forte. Vamos começar devagar, e não iremos além do que é confortável. - Ela tocou o braço de Tanya. - Por favor diga-me se sentir a menor dificuldade em sua respiração. Se for o caso, nós paramos para descansar imediatamente.
Seu chapéu de palha mexeu-se em concordância. Isabella enfiou a mão no bolso, de onde retirou um frasco pequeno.
- Eu tenho uma tintura especial para você. Mantenha-a em sua bolsa o tempo todo, mas entenda que ela é muito forte para ser tomada todos os dias. Somente quando você sentir que realmente precisa dela. A tampa é a medida de uma dose. Sam Uley a fabricou especialmente em sua forja. Ele é muito habilidoso com essas coisas pequenas.
A Srta. Brandon pegou o frasco.
- O que tem aqui?
- Extrato de uma planta chamada éfedra. O nome é estranho, mas sua capacidade de abrir os pulmões é única. A planta normalmente cresce em lugares mais quentes, mas o clima em nosso litoral é ameno o bastante para que eu possa cultivá-la aqui.
- Você fez isto?
- Fiz. Eu me arrisco em farmácia.
Alice olhou com receio para o frasco. Enquanto elas continuavam sua escalada lenta e firme, ela puxou Bella de lado.
- Perdoe-me, Srta. Swan, mas minha irmã já sofreu bastante. Não gosto da ideia de confiar a saúde dela a alguém que se 'arrisca'.
Isabella segurou o braço da menina.
- Eu sabia que gostaria de você, Alice. Tem toda razão de proteger sua irmã, e eu não devia ter descrito meu trabalho dessa forma. Assim como você não deve dizer que se 'arrisca' em Geologia. Por que nós, mulheres, menosprezamos nossas realizações com tanta frequência?
- Não sei... Os homens estão sempre se vangloriando do que fazem.
- É verdade... Vamos nos vangloriar umas para as outras, também. Eu estudei, cuidadosamente, farmácia científica durante vários anos. Faço remédios para muitos visitantes e moradores e tenho razões seguras, científicas, para acreditar que, em uma crise de respiração, o conteúdo do frasco pode fazer bem à sua irmã.
- Nesse caso, eu confio na sua capacidade. - sorriu Alice, iluminando de beleza seu pequeno rosto angelical por trás dos óculos. - Agora é a vez de eu me vangloriar.
Olhando para as outras mulheres, ela diminuiu o passo. Elas ficaram bem para trás do grupo principal.
- Promete guardar um segredo? Eu sou a primeira, e única, mulher membro da Sociedade Geológica Real.
Encantada, Isabella soltou uma exclamação de espanto.
- Como você conseguiu isso?
- Negligenciando a informação de que sou mulher. Aos olhos deles, sou apenas M. A. Brandon, e todas as minhas contribuições são feitas por correspondência. Fósseis são minha área de especialidade.
- Oh, então você está exatamente no lugar certo. Estas colinas de calcário estão cheias de pepitas estranhas, e a enseada... espere até você vê-la amanhã.
Elas ficaram quietas por um tempo quando o caminho ficou mais íngreme e estreito, de modo que se viram obrigadas a caminhar em fila única.
- Lá está o castelo. - No alto da trilha, Charlotte ficou na ponta dos pés e acenou com seu ramalhete cada vez maior de flores silvestres na direção das ruínas. - É tão romântico, não é mesmo? Com o mar ao fundo.
- Acho que sim... - disse Bella, mantendo os olhos no chão. Ela sabia muito bem que vista pitoresca era aquela, mas estava tentando manter castelos e romance em duas caixas absolutamente separadas, muito bem tampadas, em sua estante mental.
- Sua vez, Srta. Swan. - sussurrou Alice, seguindo-a de perto. - Você não tem nenhum segredo para revelar?
Isabella suspirou. Tinha, sim, um segredo – um que era escandaloso, explosivo e que envolvia Lorde Cullen, beijos na sala de armas e uma grande quantidade de emoções com que ela não conseguia lidar. Bem que gostaria de poder confiar em Alice, mas homens e fósseis eram coisas diferentes. Elas fizeram uma volta, acompanhando a trilha, e quase colidiram com as outras moças. Todas haviam parado à beira de um mirante e admiravam, maravilhadas, o vale abaixo.
- Nossa! - disse Violet Winterbottom. - É uma vista e tanto.
- Olhe só para eles. - suspirou Rosalie.
- Pelo amor de Deus, o que foi? - perguntou Isabella, abrindo caminho até a frente. - As vacas do Sr. Yarborough fugiram de novo?
- Não, não. Aqueles animais são de um tipo diferente. - Rosalie sorriu para ela.
Sons chegaram flutuando até os ouvidos de Isabella. Batidas de tambor hesitantes e irregulares, o grasnido estridente de um pífaro, o relinchar impaciente de um cavalo... Finalmente, ela pôde ver.
Os homens. Lá estavam eles, na campina plana ao norte do castelo. Daquela distância era difícil distinguir quem era quem dentre aquelas figuras masculinas. Ela não saberia dizer qual deles era o Sr. Clearwater ou o ferreiro Uley, mas Edward, como de costume, destacava-se da multidão. Dessa vez não era porque ele era o mais alto e seu casaco, o mais vivo, mas porque estava a cavalo, o que lhe dava um ponto de vista privilegiado para avaliar a precisão da formação de sua tropa. Enquanto os voluntários marchavam, ele conduzia sua montaria de modo a circundar o grupo, a quem dava instruções de todos os lados.
Ele parecia ser muito capaz, forte e ativo. O que era uma infelicidade, porque todas aquelas qualidades eram o que ela considerava atraentes em um homem. Ela nunca se queixava de sua desastrosa temporada em Londres porque aqueles cavalheiros haviam sido uma grande decepção. Preguiçosos e inúteis. Ela achava muito mais fácil respeitar quem fazia alguma coisa.
Violet fez sombra nos olhos com a mão.
- A coisa não parece que está indo muito bem, parece?
- Eles ficam fazendo a mesma coisa. Em fila única, marchando para frente e para trás, sem parar. De um lado da campina ao outro. Então eles param, viram e começam de novo. - Ela olhou para Violet. - Quantas vezes já foram?
- Eu parei de contar em oito.
- Nós não deveríamos ficar assistindo.
- Por que não? - Rosalie olhou para ela. - Eles não estão preparando uma exibição de campo? Uma demonstração pública?
- Ainda assim, vamos continuar nossa caminhada.
- Na verdade, Srta. Swan... - disse Tanya. - Estou me sentindo um pouco sem fôlego. Talvez um descanso me faça bem.
- Oh. É claro. - Incapaz de discutir, Isabella abriu o xale e sentou no barranco.
Todas as outras mulheres fizeram o mesmo, e nenhuma delas sequer teve a preocupação de fingir que a atividade do momento era colher flores silvestres ou observar pássaros. Todas ficaram olhando fixamente para a campina e para o novo exercício hesitante e constrangedor da milícia. Bella ficou preocupada. Ela havia concordado em manter as moças longe dos homens de Edward. A distância física que os separava naquele momento não acalmava suas preocupações. Estar assim longe só fazia as mulheres se sentirem à vontade para olhar e fofocar.
- Reconheço aquele casaco verde-vivo. Deve ser o Sr. Riley.
- Era de se pensar que ele tivesse uma noção de ritmo melhor, com toda aquela cantoria na igreja.
Um cotovelo acertou o flanco de Bella.
- Olhe, Lorde Rycliff está desmontando.
Ela preferiu não olhar.
- Ele está tomando o mosquete de um deles. Talvez queira, ele mesmo, mostrar para os homens como se faz.
Isabella renovou sua resolução de não olhar. As folhas de grama sob seus dedos eram bem mais interessantes. E, nossa, aquela era uma formiga fascinante!
Um suspiro feminino.
- O que é aquela coisa pequena e fofa correndo atrás dele? Algum tipo de cachorro?
Droga, agora ela tinha que olhar. Um sorriso amplo abriu-se em seu rosto.
- Não. Aquele é o cordeiro de estimação do nosso lorde. Aquela coisinha fofa o segue por aí. Lorde Cullen o chama de Jantar.
Todas as moças riram, e Isabella riu com elas, sabendo que Edward não gostava de deboche. Era estranho – e um pouco desconcertante – como ela se sentia confiante ao prever as reações dele. Enquanto isso, ela ficava pensando nele como "Edward".
- Oh! - Com um gesto que lembrava fortemente sua mãe, Kate colocou a mão no peito. - Eles estão tirando os casacos!
- Não só os casacos!
Enquanto as moças ficaram sentadas, boquiabertas, em silêncio, os homens pararam o exercício e tiraram primeiro o casaco, depois o colete e a gravata.
- Por que estão fazendo isso? - perguntou Kate.
- O treino deles é puxado. - respondeu Tanya. - Talvez esteja quente lá embaixo.
Rosalie riu.
- Aqui também está ficando quente.
- Não é o calor. - disse Isabella, mais uma vez surpresa com a facilidade com que entendia o jeito de Edward pensar. - Os casacos são todos de cores diferentes. Lorde Cullen quer que eles tenham a mesma aparência, para que ajam em sincronia e ele possa identificar melhor quem não o fizer.
Kate pegou os óculos da mão de Alice e colocou-os à frente dos olhos.
- Droga, não consigo ver nada.
- Pateta. - disse Alice, dando um empurrão carinhoso na irmã menor. - Eu tenho hipermetropia. Os óculos só ajudam com objetos que estão perto. E não sei por que você está fazendo tanto barulho por causa de uns homens em mangas de camisa. Desta distância eles são apenas uns borrões claros.
A não ser Edward. Não havia nada de indefinido no corpo dele. Mesmo àquela distância, Bella conseguia distinguir claramente os músculos de seus ombros e braços, ainda que cobertos pela camisa. Ela lembrou do calor marcante que sentiu quando o tocou.
- Nós deveríamos voltar para a vila. - Ela se pôs em pé, bateu a grama da saia e dobrou o xale indiano em um retângulo bem feito.
Violet discordou.
- Mas, Srta. Swan, nós ainda nem chegamos...
- A Srta. Brandon está com falta de ar. - cortou ela, em um tom que não admitia discussão. - Até aqui, basta por hoje.
As moças levantaram em silêncio e reataram os laços de seus chapéus, preparando-se para a caminhada de volta para casa.
- O que acha, Isabella? - Rosalie sorriu quando o som fraco do tambor voltou. - Quantas vezes Lorde Cullen vai fazê-los marchar aquele mesmo percurso?
Ela não sabia dizer um número preciso para Rose, mas, mesmo assim, ela sabia a resposta.
- Até eles acertarem.
.::.
- Eles nunca vão conseguir. - resmungou Emmett. - Malditos inúteis, todos eles.
Edward praguejou entre dentes. Pelo amor de Deus, ele havia passado todo o dia anterior apenas tentando ensinar aqueles homens a marcharem em linha reta. Quando se reuniram na manhã de terça-feira, ele decidiu tornar a tarefa ainda mais simples. Nada de formação, apenas marchar no ritmo através do campo aberto. Esquerda, direita, esquerda... Mas marchar no ritmo seria mais fácil com um tocador de tambor que conseguisse tocar no ritmo; porém, Finn Newton parecia ter nascido sem noção do que era aquilo. Para não falar dos grasnidos de furar o tímpano que Mike produzia no pífaro.
Apesar de tudo isso, de algum modo, eles conseguiram percorrer a distância entre o Castelo Rycliff e as falésias do outro lado da enseada.
- Deixe-os em posição de descanso. - Edward instruiu Emmett. - Vamos ver se eles conseguem simplesmente... ficar em pé um pouco, sem que caiam de bunda.
Edward preferiria cair em seu próprio sabre antes de admitir que era ele quem precisava de um descanso. Ele olhou para a outra ponta da enseada. Pendurado no braço de terra em frente estava o castelo. Tão perto, se medido pelo voo das gaivotas, mas uma boa marcha de volta. Maldição, ele deveria ter levado o cavalo.
- Então, aquele é o fuso, que deu origem ao nome do lugar, Spindle, imagino? - Jasper olhava para uma coluna de pedras que pontuava a entrada da enseada. A formação era alta e arredondada, com um topo protuberante de arenito.
- Acredito que sim.
Jasper bufou.
- Essa é a prova de que esse lugar foi batizado por alguma solteirona ressecada. Nenhum homem... diabo, nenhuma mulher com alguma experiência... teria olhado para aquilo e o chamado de fuso.
Edward soltou lentamente a respiração. Ele não estava com paciência para o humor adolescente do primo. O sol esquentava suas costas. O mar e o céu disputavam para ver quem era mais azul. Tufos brancos pontuavam os dois, com a espuma do mar espelhando as nuvens. Observando as gaivotas voando alto, ele sentiu o coração flutuando no peito. A água parecia fresca e convidativa, leve. E seu joelho parecia uma coleção de cacos de vidro envoltos em carne. Nos oito meses desde seu ferimento ele ainda não havia andado tanto sem o suporte.
Não deveria precisar mais do suporte, maldição. O que eram dois ou três quilômetros através de um campo, afinal? Diga isso a seus ligamentos. A perna toda de Edward latejava com dores ardentes, e ele não tinha certeza de que conseguiria voltar para o castelo. Mas voltaria... Ele conduziria a todos de volta para casa e não demonstraria sua dor. A dor é boa, Edward disse para si mesmo. A dor o tornaria mais forte. Da próxima vez ele se esforçaria um pouco mais, e doeria um pouco menos.
Um alvoroço colorido mais abaixo, na enseada, chamou sua atenção.
- O que é aquilo?
- Bem, estou perdendo perigosamente a prática. - respondeu Jasper. - Mas, para mim, parecem ser mulheres.
Seu primo estava certo. As mulheres, e Edward tinha certeza de que reconhecia a figura alta e esguia de Isabella Swan entre elas, caminhando ao longo da praia. O grupo parou, elas tiraram os chapéus e lenços e os prenderam nos galhos de uma árvore ressequida. Quando tiraram a proteção da cabeça, Edward pôde ver uma chama cor de bronze e o desejo se acendeu dentro dele. Ele reconheceria aquele cabelo em qualquer lugar. Aquela cabeleira havia desempenhado um papel importante em seus sonhos na noite anterior.
Ao chegarem às pedras, as mulheres sumiram de vista. A curva da enseada as escondia.
- O que você acha que elas estão fazendo? - perguntou Jasper.
- É terça-feira. - respondeu Edward. - Dia de banho de mar.
Segundas são para passeios no campo. Terças, banho de mar. Quartas, ficamos no jardim... A expectativa de jardinagem deu-lhe esperança. Deus, talvez no dia seguinte ele conseguisse, finalmente, fugir de Isabella Swan e de suas distrações sensuais enlouquecedoras. Como se não fosse ruim o bastante observá-la subindo a colina no dia anterior, agora ele tinha de sofrer por saber que, em algum lugar não muito distante lá embaixo, ela logo estaria completamente molhada.
Os gêmeos Newton deixaram tambor e pífaro de lado e se juntaram a eles na beirada da falésia.
- Não adianta vocês ficarem esticando o pescoço daqui. - disse Mike. - Elas ficam bem escondidas quando colocam os trajes de banho.
- Trajes de banho? - Edward fez pouco caso. - Deixe com as mulheres inglesas para civilizarem o oceano.
- Se vocês querem uma vista melhor, o lugar certo para espiar, basta descer um pouco o cume. - disse Finn e gesticulou na direção de um ponto da colina.
Quando Edward ergueu a sobrancelha, as faces do garoto ficaram vermelhas.
- Pelo menos é o que eu soube... Pelo Mike.
Seu irmão deu-lhe uma cotovelada no flanco.
Àquela altura, o resto dos homens havia se aproximado e se reunia perto da beira da falésia.
- Fale-me dessa trilha. - Edward solicitou.
- Bem ali. - Finn apontou. - Degraus cortados na pedra pelos piratas na época dos nossos avós. Houve um tempo em que, na maré baixa, dava para subir do mar até a falésia. A trilha sofreu com a erosão e está interrompida no meio do caminho. Mas, descendo um pouco, tem-se a melhor vista da enseada.
Edward franziu a testa.
- Você tem certeza de que ninguém conseguiria subir por ali? Se espiões ou contrabandistas soubessem disso, essa trilha poderia representar um risco verdadeiro. - Ele se voltou para os voluntários pescadores. - Seus barcos estão prontos? Eu gostaria de dar uma olhada nas falésias a partir do mar.
O vigário correu para perto dele.
- Oh, mas, milorde...
- Mas o quê, Sr. Biers? Está um belo dia. Maré alta.
- As moças estão tomando seu banho de mar, milorde. - Riley passou a manga da camisa pelo rosto avermelhado. - A Srta. Swan não gostaria da intromissão.
Edward soltou um suspiro impaciente.
- Sr. Biers... O propósito desta milícia é proteger a Srta. Swan e todos os cidadãos de Spindle Cove de intrusos indesejáveis. E se uma fragata francesa aparecesse neste momento, em curso para esta enseada? Ou um navio pirata americano? Você acha que eles interromperiam a invasão simplesmente porque é terça-feira? Vai adiar a luta contra eles simplesmente porque está na hora do banho de mar das moças?
O ferreiro, Sam Uley, coçou a nuca.
- Se algum navio for idiota o bastante para entrar nesta enseada, nós podemos simplesmente sentar e assistir as pedras acabarem com ele.
- Não há tantas pedras ali. - Edward olhou por sobre a borda. No trecho de água azul diretamente abaixo deles, poucas rochas chegavam à superfície. Um barco a remo de bom tamanho conseguiria chegar até a falésia.
- De qualquer modo, - disse Harry Clearwater. - Hoje não há nenhuma fragata francesa no horizonte. Nem piratas americanos. Vamos deixar as moças com sua privacidade.
- Privacidade? - ecoou Lorde Rycliff. - Que privacidade? Você todos estão aqui babando por elas enquanto as moças nadam e boiam como sereias.
E claro que ele não era melhor do que os outros. Todos ficaram em silêncio por um longo minuto, enquanto, uma a uma, as moças foram entrando na água, rapidamente submergindo, ficando com o mar até o queixo. Ele as contou... Uma, duas, três solteirinhas... até somarem onze. A Srta. Swan, com sua cabeleira inconfundível, foi a décima-segunda.
Por Deus, como Edward gostaria de nadar naquele momento. Ele podia até sentir a água ao seu redor, fria e excitante. Ele conseguia visualizar Isabella em sua mente, nadando a seu lado. Vestindo um traje molhado, translúcido, coberta por aquele glorioso cabelo solto, ela ficava no raso, desenhando círculos impossíveis com os braços enquanto a espuma das ondas batia em seus seios.
Concentre-se, Cullen.
Seios brancos como o leite, no tamanho perfeito para suas mãos, coroados por bicos rosados e atrevidos.
Concentre-se em outra coisa, seu confuso imbecil.
Descansando seu peso em uma rocha próxima, ele começou a soltar as botas. Depois que tirou as duas, enrolou as mangas até os cotovelos. Vestindo apenas calções e camisa, Edward andou até a extremidade da parede calcária que se debruçava sobre o mar, agarrando-se à superfície com seus dedos dos pés.
- Espere! - disse Jasper. - O que você está fazendo? Eu sei que esta milícia não está saindo como você planejou, e que a única coisa que este conjunto de almas patéticas tem de comum é um par de bolas ressecadas e minguadas. Mas com certeza não é para tanto.
Edward fez uma careta para o primo.
- Só estou dando, eu mesmo, uma olhada nessa trilha, já que a ideia de uma pesquisa a bordo de um barco deixou todo mundo agitado.
- Eu não estou agitado. - Jasper continuou. - Mas não sou idiota o bastante para me aproximar tanto da borda da falésia.
- Ótimo. Acredito que será bom ficar algum tempo longe de você. - Edward foi o mais longe que pôde e observou. Como Finn e Mike disseram-lhe, os degraus escavados na pedra desciam um trecho pela falésia até se transformarem em nada. Ninguém conseguiria subir por ali sem a ajuda de cordas e polias. Ou asas.
Tendo satisfeito sua curiosidade, ele se virou sobre a pedra e encarou os homens. Ele não estava usando sua insígnia de oficial, mas utilizou com autoridade sua voz e atitude.
- Escutem bem, todos vocês. Quando eu der uma ordem, ela será seguida. Hoje será a última vez em que irei tolerar qualquer hesitação, ainda que mínima, por parte de qualquer homem. Pigarros, muxoxos, indecisões, agitação e, principalmente a necessidade de 'perguntar à Srta. Swan', serão motivo para dispensa imediata, sem pagamento. Fui claro?
Um murmúrio geral de concordância se fez ouvir. Ele bateu no próprio peito com o polegar.
- Eu sou seu lorde e comandante, agora. Quando eu disser marchar, vocês marcham. Quando eu disser disparar, vocês disparam. Sem importar o que a Srta. Swan pensaria do assunto... Se eu lhes mandar pular desta falésia, vocês vão pular sorrindo.
Antes de descer da rocha, ele se permitiu uma última olhada para a enseada.
Todas as moças balançavam e flutuavam naquele mar refrescante, atraente, azul-cristal. Uma, duas, três solteirinhas... Ele parou. Franziu a testa. Concentrou-se e olhou novamente. E então seu coração saiu de seu peito e caiu da borda do penhasco.
Ele contou apenas onze solteirinhas
Hello, flowers!
kjessica: Perspicaz, garota... As luvas serão comentadas mais à frente, rs. Ajoelhar? Não sei se as pernas da Bella aguentam HAHAHAH
Gislayne572: Oun, que meiga uahsuahsuh' Considere o capítulo dedicado a você, então :)
Poxa, sumiram? O que houve? Não me abandonem T_T
