N.A: Olá!!! ^_^ Sentiram saudades? Bom, aqui está o cap. 11, gostaram do título? Tirei um trecho de uma canção do Blind Guardian chamada Under the Ice. Novamente obrigada pelas reviews e e-mails, vocês me deixam muito feliz! Então, vamos logo as suas dúvidas, sugestões etc... =p

- Puxa, gente... não vai ter slash e me pentelhar é perda de tempo. Não cabe no contexto da história... eu gosto da idéia de escrever um fic no-shipper, sem precisar apelar pro romance entendem? Mas como já disse, nada impede que UM DIA baixe o santo e... quem sabe, né? Mas apenas numa história paralela e mesmo assim... sabe-se Merlin quando! XD

- Se eu já sei como tudo vai terminar? Bem, na verdade tenho uma idéia formada do conteúdo da história, bem como de seu desfecho. O que mais atrapalha mesmo é o desenrolar, sabem? >
- Realmente o Lupin é muito "fofo" pra sofrer... mas comparado com o que o coitado passa na série oficial, isso aqui vai ser fichinha...

- Que vai acontecer com o Remus quando Sirius descobrir o que exatamente? ^_^" *Dana se fazendo de idiota*

- Aliás, uma dica ou melhor uma sugestão: Eu elegi a banda "Lacrimosa" como trilha sonora oficial desta fic, acho que combina bastante com o clima. Se tiverem a opurtunidade de baixar alguma canção deles, não a desperdicem! ^_~




Assassinato em Hogsmeade

Por Dana Norram






Parte Onze: Bem vindo ao matadouro




Quando Sirius finalmente viu-se ao ar livre... a noite já havia descido, com sua acolhedora escuridão espalhando-se pelas ruas e calçadas como uma densa e protetora manta. Olhou para o céu, cuja Lua já estava alta, viva e brilhante - tal como às vezes ela ousava aparecer na cidade grande... mas era raro. Poderia contar nos dedos quantas vezes a vira anteriormente, depois de adulto... ou será que simplesmente nunca mais se dera ao trabalho de reparar no globo prateado? Era provável.

Engraçado. Decididamente vinha agindo de forma estranhíssima nas últimas horas. Primeiro, deixara um suspeito em potencial ileso das garras da lei e agora ficava divagando a respeito do satélite terrestre... Talvez fosse algo com o ar, a água ou quem sabe até com a poeira daquele lugar! He... nem, parecia que estava em seu juízo perfeito...

Mas pensando bem, o que poderia fazer quanto ao tal Padre? Independente da fria dedução que tivera, Sirius não tinha o essencial para dar-lhe voz de prisão: Provas. Provas concretas e materiais. E infelizmente... sabia que teria sérios problemas - não só com a Igreja, caso tentasse levar um Padre para o xadrez. A cidade inteira se voltaria contra ele e isso tornaria sua investigação impraticável.

Afinal, quem acreditaria num absurdo daqueles? Um Padre?! Um Padre aparentemente tão bondoso envolvido com um brutal assassinato? Era de se espantar! Até mesmo para ele, que já investigara casos similarmente hediondos, era difícil acreditar na culpa de Lupin. Mas ele vira. Vira naqueles olhos castanhos, naquele tom de voz carregado de culpa e arrependimento... Sirius ouvira a confissão de um condenado. Porquê e qual a finalidade... isso ele já não conseguira descobrir.

O quê o Padre ganhava em contar-lhe aquilo? Nada... Ou será que Lupin sequer dera-se conta do que revelara? Era uma possibilidade. Talvez, num momento de profunda dor e remorso o homem acabara dizendo e demonstrando coisas demais... mas essa não era a pergunta primordial e sim: O quê Sirius faria?

Investigar claro, agora mais do que nunca. Precisava de provas e ao mesmo tempo manter os olhos em Lupin. Ele não dissera nada sobre suas suposições, claro - na verdade, após aquela confissão não intencional, Sirius limitou suas palavras a uma educada despedida, deixando o Padre sozinho com seus pensamentos.

Será que ele percebera o que tinha feito? Sirius duvidava... para qualquer pessoa aquelas palavras não teriam passado de uma absolutamente normal declaração de pesar pela jovem Johnson. Menos para um investigador com quase 10 anos de serviço como Sirius Black. Conhecia o olhar, conhecia a culpa... só não sabia o motivo.

Mas tinha de haver o motivo! Sempre há um motivo... às vezes tolo, às vezes profundo e complicado, mas no geral... era apenas loucura. Uma mente perturbada demais, que se juntada a uma predisposição natural a violência acabava culminando em desastre. Lupin não parecia ser uma pessoa violente... mas as aparências enganavam, não enganavam?

Olhos abertos - o Padre não fugiria, afinal tecnicamente não tinha o quê temer. Seu pequeno crime ainda era uma obra prima sem resposta ou solução. Ainda. E Sirius estaria pronto para pegá-lo no exato momento em que baixasse a guarda... no momento em que já tivesse como provar sua culpa.

Ergueu a cabeça quando chegou em seu destino, descobrindo com surpresa que mal se dera conta do caminho tomado - após seguir as indicações de um jovem e desconfiado transeunte. Ficara somente pensando e divagando. Devia ser a fome - o sorvete que tomara naquela manhã era apenas uma doce e quase esquecida lembrança em seu estômago vazio.

O prédio do IML ficava no fim de uma larga rua de asfalto, com suas calçadas de pedras brilhantes e coloridas, cuidadosamente montadas numa inebriante simetria. Quase todas as construções aliás, tinham um aspecto suntuoso. Uma mansão em especial lhe chamou bastante a atenção: era totalmente branca - o que numa noite enluarada como aquela ganhava um curioso destaque. Os portões prateados tinham um grande "M" desenhado pelas barras de metal retorcidos como que por mágica, os jardins por detrás dele eram bem cuidados e o chafariz no meio da estradinha de pedras claras ainda estava ligado.

O ruído de um carro passando solitário em alguma rua acima, fez Sirius desviar a atenção daquela casa e voltar seus olhos ao prédio igualmente branco a sua frente, embora um pouco menos bem cuidado. O posto de saúde era logo ao lado, mas tratava-se de uma construção mais alta, de dois andares com grandes janelas de vidro - algumas delas abertas, atraindo a brisa noturna para seu interior.

Viu uma enfermeira observá-lo de uma das janelas e resistiu ao desejo de acenar-lhe alegremente. A mulher então - talvez percebendo que fora descoberta, fechou as cortinas rapidamente e sumiu de vista.

Sorrindo e balançando a cabeça, Sirius caminhou tranqüilamente com as mãos dentro dos bolsos de sua calça escura, o sobretudo balançando levemente atrás de si. A porta do IML era dupla e estava aberta, sem nenhum guarda ou vigia noturno. Por um segundo franziu o cenho, mas logo viu que estava sendo tolo. Não estava na capital. Ali, o Instituto médico legal não devia receber chamadas a cada cinco minutos... Afinal pessoas morriam todos os dias, mesmo em cidades pequenos - isso era óbvio, mas não com a freqüência e selvageria das grandes metrópoles. Entrou sem hesitar, deixando a porta da mesma maneira que a encontrara.

A sala de espera era bem grande, limpa e branca como deveria ser - até mesmo a horrível sensação e cheiro de morte pairando no ar era palpável, embora muito mais etérea do que concreta. Os mortos deviam passar muito menos tempo por ali, não tinha sequer tempo de deixar presença ou marca.

Um jovem de olhos castanhos e cabelos ruivos, com uma incrível quantidade de sardas por toda face e óculos de aro de tartaruga saiu por detrás do balcão de atendimento, saudando-o com um sorriso cortês. No crachá cuidadosamente pendurado numa camisa impecavelmente limpa e bem passada, Sirius descobriu seu nome: Percy Weasley. Uniu as sobrancelhas instantaneamente. Aquele nome não lhe era estranho.

"Posso ajudá-lo?" perguntou o rapaz calmamente, não parecendo reparar no estranho olhar de Sirius.

Piscando ao ouvir a voz, o investigador retirou seu distintivo do bolso interno e apresentou-o ao rapaz, acrescentando em seguida:

"Gostaria de ver o Legista de plantão, ele está?"

O atendente ainda examinava o documento com atenção quando respondeu sem olhar para Sirius. "Infelizmente só deve chegar lá pelas oito horas..." então devolveu o distintivo e abriu um sorriso discreto. "O senhor entende, é domingo... não costumamos..."

Sirius devolveu o sorriso, intimamente querendo estrangular aquele delegado por não ter avisado de sua chegada. Pois bem... não tinha a menor vontade de voltar a pensão e ser bombardeado de perguntas, ms ficar sentando naquela sala de espera também não fazia parte de seus planos...

Pensou por um minuto e puxou a pasta de papéis que Snape lhe entregara naquela tarde. Tinha quase certeza de que ali havia o mandando de exumação - afinal como Angelina Johnson não tinha parentes na cidade, era pouco provável que alguém fizesse objeções quanto aquele não tão agradável.. ah... procedimento.

Em poucos segundos encontrou o que procurava e abriu um sorriso quase maldoso, enquanto voltava seus olhos ao jovem parado. "Hum... eu estou com um pouco de pressa, rapaz... há alguém aqui que poderia acompanhar-me até o cemitério?"

Percy fez um ar de espanto. Sua mãe estava certa quanto àquele homem... Que sujeito doido!

"Acho que não entendi, Senhor". Disse o ruivo torcendo realmente para ter compreendido mal.

Sirius abriu um sorriso mais largo, enfiando o papel timbrado nas mãos do rapaz.

"Você rapazinho, me disse que o Legista só chega daqui duas horas... tempo o suficiente para irmos até o cemitério, abrir a cova da jovem e trazer o corpo para que eu possa examiná-lo com cuidado... alguma pergunta?"

"Mas... no cemitério... mas... mas agora? Já escureceu e... e!"

Com vontade de rir da expressão surpresa e confusa do rapaz, Sirius vestiu sua melhor carranca, repentinamente parecendo uma estátua de pedra - todo rígido e frio. "Não posso aguardar a boa vontade dos senhores para começar com o meu trabalho, garoto. Se tentar me impedir, posso pensar que está obstruindo a justiça e..."

O rosto do rapaz ficou pálido por debaixo das sardas e ele repentinamente começou falar aos atropelos, os óculos escorregando enquanto devolvia o mandando a Sirius, pedindo desculpas por sua falta de jeito - então lhe garantindo que chamaria um ajudante, Percy saiu apressado por uma porta negra atrás do balcão.

Sorrindo com ar de vitória, Sirius guardou o documento de volta na pasta e não precisou esperar sequer um minuto - o rapaz ruivo logo voltou, acompanhado de um outro jovem - aparentemente com a mesma idade, embora fosse um pouco mais forte e alto. Não usava identificação alguma, mas Percy apresentou-os assim que se aproximou.

"Sr. Black..." disse o ruivo rapidamente, uma fina camada de suor brilhando em sua testa sardenta. "Este é Wood... ele lhe acompanhará até o cemitério... bem, se me dão licença eu preciso terminar um relatório..."

Então depois de um firme e rápido aperto de mão, Percy voltou ao seu balcão, parecendo procurar algo no meio dos bem arrumados papéis que havia ali. Sirius desviou os olhos do ruivo e voltou-os para seu novo colega de trabalho.

Parecia um rapaz simpático - aliás, qualquer um era simpático se comparado a seu primeiro acompanhante naquela cidade, o delegado Snape - com seus cabelos castanhos bem cortados e os vivos olhos da mesma cor, carregados do que ele julgou ser apenas curiosidade. Com um aceno, os dois saíram para a rua de calçadas simétricas e pegaram uma caminhonete que estava no pequeno estacionamento.

O cemitério era bem atrás da Igreja - Por um instante Sirius pensou em Lupin, que deixara lá dentro após aquela conversa, viu a fraca luz de velas iluminando precariamente o lugar e sentiu um arrepio.

"Acho que não há a necessidade de avisar ao Padre..." disse Wood de repente, falando pela primeira vez como se estivesse lendo o pensamento de Sirius. "Há um portão que dá para a rua... e a casa do coveiro é bem em frente".

Sirius assentiu - realmente não tinha a menor vontade de olhar outra vez para a cara de Lupin naquele mesmo dia - e os dois se dirigiram até as costas da construção, chegando a uma nova rua de paralelepípedo. As luzes estavam acesas na maioria das casas - e dentro delas, famílias jantavam calmamente.

Pararam em frente a mais modesta das residências, mas tão bem cuidada quanto todas as outras. Um velho Ford azul cintilava numa garagem descoberta, cheia de latas de tinta sendo usadas como vasos. Wood pediu que Sirius aguardasse no carro enquanto ele chamaria o coveiro. Sirius até pensou em protestar, mas acabou dando os ombros - queria terminar logo de uma vez o seu trabalho.

Assistiu ao rapaz abrir o portão baixo e ligeiramente enferrujado, um ruído alto e solitário ecoando pela rua silenciosa. Como não se escutou a companhia Sirius concluiu que Wood tivesse batido a porta, que foi aberta por uma mulher gorda com espessos cabelos ruivos. Ela pareceu contente ao ver Wood, mas seu sorriso durou apenas até que o jovem indicasse a caminhonete estacionada. A expressão da mulher ficou carrancuda e ela virou o rosto para dentro da casa, berrando algo que Sirius não conseguiu entender. Talvez um nome.

Segundos depois, de dentro da casa surgiu um homem que cumprimentou Wood com um tapinha nos ombros. Trocaram algumas palavras e a mulher de repente inchou de raiva, cochichando algo ao homem que sacudia a cabeça e tentava acalmá-la.

Ela então deu as costas - não antes de lançar um estranho olhar a caminhonete - e entrou batendo a porta. Wood e o homem se entreolharam e deram os ombros enquanto caminhavam para o quintal.

Quando se aproximaram, Sirius pode ver o homem com mais facilidade graças à luz dos postes de iluminação. Era magro, sardento, usava óculos e tinha cabelos ruivos. Franziu o cenho. Como esse coveiro era parecido com...

"Sou Arthur Weasley" apresentou-se o homem antes que Sirius abrisse a boca e apertou a mão que lhe era estendida.

Wood olhava para a expressão abobada de Sirius com um sorriso. "Arthur é pai de Percy, o rapaz do IML, Sr. Black"

"Imagino que Percy não tenha dito nada..." disse o homem com calma, aparentemente conformado. "Ele não gosta muito de dizer que o pai dele é um... bem, eu acho que entendo..."

Sirius repentinamente descobriu-se sentindo nojo de Percy Weasley, mas não disse nada. Apenas respirou fundo, contando até dez. Arthur parecia calmo, embora seu olhar não fosse dos mais felizes. Wood por sua vez, resolveu acabar de vez com aquele momento de constrangimento e propôs que começassem de uma vez com o trabalho.



Continua...




NA -> Comentários? A propósito, a Parte nº 12 ainda não está sendo escrita, mas eu já tenho algumas idéias, então... até breve (espero). ^_~




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Harry Potter e seus personagens pertencem exclusivamente à J.K. Rowling e Warner Bros.
Esta fanfic me pertence e eu vou azarar aquele que se meter a besta de copiá-la, ao ainda, postá-la em algum lugar sem minha prévia autorização. Gostou? Quer colocar no seu site? Blog? Fórum? Me mande um e-mail (dananorram@yahoo.com.br), não há motivo para eu negá-lo a você! >_ Plágio é crime.
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