I will be your light, your match, your burning sun. I will be the bright, in black that is making you run. And we'll feel alright, and we'll feel alright, 'cause we'll work it out. Yeah, we will work it out. I will be doing this, if you ever doubt, until the love runs out… until the love runs out. I will be your ghost, your game, your stadium. I will be your fifty-thousand clapping like one. And I feel alright, and I feel alright, 'cuz' I worked it out. Yeah, I worked it out. I will be doing this, if you ever doubt, until the love runs out… until the love runs out.
I got my mind made up… Man, I cannot let go. I am killing every second until it saves my soul. Oh, I will be running, oh, I will be running, until the love runs out… until the love runs out. And we'll start a fire, and we'll shut it down. Until the love runs out… 'till the love runs out.
There's a maniac out in front of me. Got an angel on my shoulder and Mestopholes. My momma raised me good, momma raised me right… Momma said "Do what you want, say prayers at night". And I'm saying them cause I'm so devout…. 'Till the love runs out… 'Till the love runs out.
Oh, we all want the same thing… Oh, we all run for something. Oh, for God, for fate, for love, for hate, for gold, for rust, for diamonds, for dust. – Love Runs Out, Onerepublic.
Capítulo 11: Love Runs Out
Louise revirou-se sob seus lençóis inúmeras vezes tentando achar uma posição confortável, mas, aparentemente, voltar a dormir não era mais uma opção. Ela finalmente desenterrou o rosto do travesseiro e tateou por seu despertador. Cinco da manhã. Ela poderia dormir por mais uma hora inteira se sua cabeça desacelerasse um pouco e ela não estivesse sentindo seu coração batendo na garganta.
Era uma sensação terrível e a culpa estava corroendo-a a cada minuto. Ela recolocou o relógio no móvel ao lado da cama e pronto... Ali estava a fonte de seu desconforto, cuidadosamente colocado em cima do volume de Os Três Mosqueteiros que Lily havia lhe dado no natal anterior (ela mudava o marcador de lugar de tempos em tempos para convencer a amiga que estava lendo). Sua mais nova joia parecia julgá-la, quase como se adivinhasse os sonhos impuros que provocaram o coração de Louise a subir até bater em suas cordas vocais.
Ela se sentou e estalou o pescoço antes de puxar a camisola do corpo e segurar o folego para fechar o zíper da calça bege e justa que o time de quadribol usava. Ela colocou o suéter vermelho e amarelo da Grifinória e prendeu o cabelo, escutando os suspiros de Giovanna na cama ao lado e demorando o máximo que podia até finalmente pegar seu livro de Herbologia e descer para a sala comunal.
-Nós temos que parar de nos encontrar assim. – Ela pulou de susto e segurou a língua para não xingar. Peter estava sentado em uma das poltronas e segurava uma carta, que ele dobrou e colocou dentro do bolso da calca de moletom, sem tirar os olhos dela. Ele tinha um pequeno sorriso nos lábios, então Louise se forçou a sorrir ligeiramente no lugar de encara-lo como se tivesse visto um cadáver.
-Bom dia, Pettigrew. – Ela andou até o sofá e fez questão de se sentar na ponta mais distante dele.
-Voltamos as formalidades, então? – Ele ergueu uma sobrancelha. – Achei que uma das vantagens de sentar com você embaixo de um chuveiro seria poder ser chamado pelo meu próprio nome.
-Bom dia, Peter. – Ela se corrigiu, corando um pouco ao lembrar-se do vestiário. – Não conseguiu dormir?
-Eu recebi uma carta de casa ontem e resolvi parar de evita-la. – Ele deu de ombros como se tentasse convence-la de que não era nada demais.
-Está tudo bem?
-Assunto para outra hora, acredito. – Ele desviou o olhar dela. – Prefiro não discutir essas coisas em dia de matar sonserinos... – Ele inclinou-se para ela com um sorriso sarcástico. – Oh, mil perdões! Esqueci que a senhorita anel-de-serpente-número-dois não vai querer matar o noivo.
Louise sentiu o pescoço esquentar de vergonha.
-Você sabe que o anel não significa que estamos noivos.
-É quase, mas, sabe, quem sou eu para me meter na sua vida...
-Para com isso, Peter.
-Porque eu deveria?
-Estou pedindo.
Ele se levantou e sentou-se no sofá, fazendo Louise recuar instintivamente. Os olhos de Peter a examinaram, incisivos.
-Porque? Você acha que, depois daquele dia, eu ia ficar quieto e sorrindo se você aparecesse do nada com o irmão do Sirius?
-Não foi "do nada". Estávamos nos vendo já há algum tempo. – Louise percebeu-se querendo desesperadamente justificar algo que não necessitava de explicações. Porque ela devia satisfações a Peter?
-E você se envolveu com ele sabendo que ele ajudava a Foncan a trair o Malfoy? – Peter riu. – E quando digo "ajudar" eu quero dizer "encontra-la nada discretamente em salas vazias". Vocês realmente acham que escondem algo de nós?
-Eu não me importava com a Vittoria. Meu relacionamento com ele é diferente do dela... Vittoria precisava de apoio.
-A amizade de vocês cinco me perturba.
-Qual é a sua moral para falar disso? – Ela sentia-se diminuindo perto de Peter. O olhar duro do maroto lhe gelava a espinha. O interrogatório estava indo de mal a pior e ela mal conseguia manter-se no mesmo nível de Peter sem parecer uma garotinha patética pega roubando biscoitos, quanto mais tentar a boa e velha troca de poder e tirar seu corpo da linha de tiro.
-Toda! Você acha normal dividir um namorado com a Foncan, mas nem você nem suas amigas se sentem um pouquinho incomodadas sobre o quão abusivo o Malfoy é com ela?
-É logico que nos sentimos incomodadas!
-E porque não fazem algo a respeito? – Peter moveu-se no sofá. – Se coisa parecida acontecesse com um de nós, nenhum maroto descansaria até haver justiça.
Louise mordeu o interior de sua boca, sentindo a garganta ficar seca. Peter avançou ainda mais.
-Nós temos uma aliança agora. Eu não sei os outros marotos, mas eu vou lutar pelas Ladies tanto quanto luto por James, Sirius, John e Remus. Eu daria a minha vida por meus amigos, nem que isso os fizesse me odiar. – Louise manteve seus olhos nos de Peter e ela sabia que ele falava a verdade. – É por isso que me importo com tudo. É por isso que me importo com o fato de um removedor de cicatriz estar na lista de encomendas da Medusa.
Os olhos de Louise se arregalaram e ela limpou a garganta.
-Não sei do que você está falando.
-Você mente tão mal que me impressiona suas amigas não saberem que nos beijamos no chão do vestiário. – Ele sorriu satisfeito.
-E seus amigos sabem, por acaso? – Ela franziu o nariz, nervosa com como ela não conseguia se portar direito. Ela trazia vergonha ao nome das Ladies a cada segundo que passava deixando um maroto ser superior.
Peter deu de ombros.
-Talvez James, mas não sei como ele descobriu. Voltando ao assunto, você realmente vai continuar tentando me dizer que não foi você que pediu aquele removedor? Porque se sim, eu vou ter que falar sobre isso na frente de todo mundo quando eles descerem e você vai ter que explicar porque manteria a identidade do sabotador que está suprindo todos os nossos ini- humf humf HUMF! – Peter tentou continuar a falar por cima da mão de Louise, quando ela o calou e colocou um dedo em frente aos lábios, pedindo silencio.
-Você já falou demais por essa semana e estão todos dormindo ainda. Não vamos abusar da sorte, okay? – Ela sentiu como se estivesse tentando acalmar mais a si mesma do que a Pettigrew. – Vai me escutar?
Ele rolou os olhos.
-Humf. – Peter deu de ombros.
Ela respirou fundo.
-É, eu fiz a encomenda. Eu preciso do removedor, Peter! Eu odeio ter aquela cicatriz nas costas, só me faz lembrar de uma fase horrível da minha vida e de um buraco na minha família que vai doer em todos até o fim de nossas vidas. Quando fiz a tatuagem, três anos atrás, eu senti que podia esquecer e começar novamente. Foi no ano em que as Ladies se formaram e em nossas primeiras férias juntas na casa do padrasto da Vittoria. Eu me convenci de que amigas novas e cobrir aquela coisa feia com algo que me passasse força fosse adiantar. – Louise sentiu algo dentro de si derreter enquanto as palavras vazam de sua boca. – O efeito passou, Peter. E eu preciso parar de olhar para trás.
Peter a encarava profundamente, as sobrancelhas juntas, os lábios contra os dedos de Handel e a respiração pesada. Ela lentamente escorreu a mão para o ombro de Peter e ele relaxou, pousando suas próprias mãos nas coxas de Louise.
-A Medusa está sob minha proteção. – Ela disse. – E vou cuidar para que mais nada de perigoso chegue nas outras casas, está bem? Não cutuque mais o assunto se não quiser me machucar.
-Desculpe... Eu deveria ter percebido que isso era importante para você. – Ele se aproximou mais dela, encostando sua testa na dela. Louise levou um momento apreciando sentir a pele quente do pescoço dele que a camiseta deixava à mostra. Ela sentia a garganta seca, o céu da boca dormente, como se fosse passar mal. Falar com Peter dessa maneira e saber que o anel a prendia a Regulus... E também querer ficar presa a Regulus. E livre com Peter.
-Obrigada.
-E quanto a Regulus? E quanto a mim? – Ele pegou a mão dela, que estava em seu ombro, e a segurou entre as dele. Seus lábios secaram e seus olhos desceram para a boca de Louise, que lhe parecia convidativa demais; sua mente ia e voltava do dia do vestiário. – Porque não-
-PELA SETIMA VEZ SINEL, NÓS JÁ VAMOS! – A suave voz de Sirius veio do andar de cima e os passos das Ladies e marotos descendo mandaram Louise e Peter para lados opostos da sala imediatamente. Louise abriu o livro de Herbologia e Peter fingiu estar dormindo na poltrona. James e Sirius chegaram a sala comunal primeiro e Sirius bateu palmas para acordar Peter, que fingiu um sobressalto. – Rabicho, hoje é dia de fazer Lucius Malfoy chorar como uma garotinha, vá logo se vestir e nos encontre lá embaixo!
-Com todo o respeito, Foncan. – Lupin adicionou, deixando Peter passar por eles e subir para o dormitório.
-Não é necessário. – Vittoria deu de ombros, os olhos em Louise, que colocava seu livro em uma das mesas de estudo. Ela olhou para a amiga e notou o sorriso no canto dos lábios de Vittoria.
-O que? – Ela sussurrou.
-Seu livro estava de cabeça para baixo, espertinha. – Vittoria retrucou no ouvido de Handel, cuja pele tingiu-se de vermelho para combinar com seu suéter.
-Muito bem, eu deixei as armaduras no vestiário, prontas para depois que tomarmos café e descermos para o campo. – Lily disse. – E lembrem-se de deixar os sonserinos se atracarem com as outras casas; não provoquem.
-Porque será que senti esse comentário direcionado a mim? – James sorriu para a ruiva.
-Se a acusação lhe serve, Potter. – Lilian rolou os olhos.
-Calorosa como um cubo de gelo. – Sirius riu.
-Evans tem razão. – Remus sorriu para os amigos. – Os sonserinos não vão saber de imediato qual das três casas os roubou.
-Você quer dizer duas certos? – James riu. – Quem em sã consciência vai achar que os lufanos roubaram os sonserinos?
-Você subestima o povo da Lufa-Lufa demais para o seu próprio bem, Potter. É justamente porque a suspeita não cai sobre eles que temos que manter os olhos bem abertos. – Giovanna disse.
-Você só diz isso porque anda para lá e para cá com aquele moleque Dorsen. – Sirius sorriu e Giovanna ficou escarlate.
-August não se parece em nada com o Diggory. – Giovanna estreitou os olhos para Black.
-Ela diz isso porque é verdade. O dinheiro não compra a felicidade, mas compra todo o resto. E eles tem muito dinheiro. Eu acho isso um motivo valido para coloca-los no mesmo nível de perigo da Corvinal, no mínimo. – Letticia concordou.
-O chapéu seletor os chama de justos e leais, James, não hippies pacíficos. Em nenhum lugar diz que são incapazes de nos pegar quando não estivermos olhando. – Remus concordou.
-Porque todos sabemos quem está pegando o Lupin quando nós e o Diggory não estamos olhando. – Letticia sorriu venenosa e Remus mordeu o lábio inferior para não rebater, enquanto os marotos riam e seguiam as meninas pelo retrato, provocando Lupin sem piedade.
-Falem o quanto quiserem, só não na frente do Diggory. Sem brigas hoje de manhã, vamos segurar os nervos para o jogo. – Remus rolou os olhos ao chegarem ao Hall de entrada e passarem pelas portas do Salão Principal.
Louise desceu as escadas ao lado de Vittoria, tentando capturar o olhar da amiga para silenciosamente passar a ela tudo o que estava sentindo. Seu estomago não sabia mais como se comportar. Peter havia levantado uma ótima questão... Vittoria ainda se encontrava com Regulus? Ou ela apenas entenderia todo o conflito que se passava dentro de sua cabeça? Ela não queria se separar de Regulus, mas era estupido negar que se sentia feliz com Peter e que era bom ter alguém que a entendia.
-Com licença, vocês duas! – Peter abriu passagem entre ela e Vittoria, colocando uma mão no braço de Vittoria mas a outra na cintura de Louise. Foi por um breve segundo que o toque dele esteve nela e por um milésimo ele olhou para ela e sorriu antes de se juntar aos amigos. Ele a fazia se sentir inferior; exposta, imatura, inexperiente e patética. E bem. E feliz. E também como se seus pecados fossem um livro aberto do qual ele gostasse.
O grupo pisou no Salão Principal e Louise foi retirada de seu conflito interno pela mão de Giovanna, que se fechou ao redor de seu pulso. Ela olhou para cima e um arrepio lhe correu o corpo todo. O Salão todo tinha os olhados grudados nos recém chegados. A tensão era palpável e o nível estranhamente baixo de conversa entre os alunos deixaria qualquer um com a sensação desagradável de que todas as direções possuíam possíveis ameaças. Louise passou os olhos por cada uma das mesas e, para o terror da população, as Vipers e os Lordes eram os únicos que não estavam comendo e lançando olhares assassinos a ela e seus companheiros de time.
-Sou só eu que não estou gostando nada disso? – John tinha uma sobrancelha erguida, principalmente porque a mesa dos professores estava vazia.
-Vamos logo. – Sirius sentou-se em um dos lados da mesa com James, Letticia, Remus e Lilian enquanto os outros davam a volta. Black serviu-se de ovos e torradas, sem tirar os olhos cinzentos da porta.
-Black. – Letticia segurou seu pulso quando Sirius tentou servir café para o tampo da mesa. – Sossegue.
-Foi mal... – Ele jogou guardanapos na poça marrom. – Eu só-
-Eles chegaram. – Giovanna avisou, amassando uma banana em seu prato.
Assim como havia acontecido quando a casa Grifinória chegou, as atenções dos alunos também grudaram nos sonserinos como se possuíssem seu próprio campo gravitacional. Vivianne, Samantha e Katherine seguiam sem expressão algum atrás dos outros, que pareciam prestes a cometer assassinato em massa. Especialmente e obviamente, Bellatrix Druella Black, que parecia ser capaz de talhar uma obra de arte dos globos oculares de alguém usando o garfo com o qual ela perfurava pedaços de fruta em seu prato.
-Alguém parece uma cadela com raiva... – Comentou Letticia.
-Bom, ontem foi definitivamente a última vez. – Sirius passou a mão pelos cabelos, voltando a atenção para seu prato. – Para a minha segurança e das minhas gerações futuras é melhor eu me manter bem longe.
Lilian soltou um risinho de desdém mal disfarçado.
-Sério mesmo? Só depois de todo esse tempo pegando uma prima sua você vai querer pensar na segurança dos seus filhos?
James gargalhou alto e Peter e John bateram as taças de suco.
-Finalmente alguém disse! – John riu.
-Finalmente! – Concordou Remus.
-Posso saber o que há de tão engraçado nessa manhã, Lupin? – Remus empalideceu. – Ou será que a graça envolve a noite passada?
Remus engoliu em seco, trocando olhares com Vittoria, Giovanna, Peter, John e Louise, do outro lado da mesa. Todos mantinham-se com expressões controladas e ele se virou, respirando fundo, para olhar Lucius de braços cruzados; Bellatrix estava ao seu lado como um cão de guarda, tremendo e trocando o peso entre suas pernas.
-Malfoy, Black... Bom dia. – Ele acenou a cabeça para os dois. Vittoria cutucou Giovanna por baixo da mesa ao notar Narcissa fazendo as Vipers levantarem da mesa Sonserina para seguirem os Lordes, que já atravessavam o Salão. Os alunos das outras casas observavam tudo com expectativa de um escândalo para acompanhar seus sucos de abóbora matinais.
-E então, Lupin? – Lucius insistiu.
Remus trocou olhares com os amigos e respirou fundo antes de deslizar sua mão para a coxa de Letticia.
-Nós estávamos comentando que finalmente... Eu e a Sinel assumimos que estamos juntos. – Ele sorriu, olhando com o canto dos olhos para Letticia e enchendo-se de alivio quando viu que ela sorria para Lucius.
-Não é ótimo, Malfoy? – Ela colocou suas mãos sobre a de Lupin.
Bellatrix soltou uma risada anormal pelo nariz, o que, de algum modo, deixou Remus mais assustado do que com vontade de rir.
-Nada mais conveniente para um traidor de sangue do que bancar o parasita em uma herdeira de família pura. – Ela comentou.
-Bellatrix. – Letticia sibilou, parecendo genuinamente ofendida.
-Achei que você tivesse gostos mais refinados do que isso, Sinel.
Letticia largou da mão de Remus e passou as pernas por cima do banco. Quando ficou de pé, as amigas haviam se levantado também e Lupin não sabia bem como agir. Lucius deu um passo para trás para junto dos Lordes, parecendo não querer se meter entre as garotas também.
-Na verdade eu acho que foi uma melhora significativamente grande comparada as minhas escolhas passadas... Antigamente, eu me conformava com qualquer lixo que passasse por mim.
-OLHA COMO VOCE FALA GAROTA! – Bella colou-se a Letticia, saliva voando de sua boca mal pintada de vermelho para a cara de Letticia, que por algum milagre manteve-se impassível. Bellatrix estava claramente mais desestabilizada do que de costume e era perigoso reagir sem pensar.
O Salão foi tomado por burburinhos baixos. Os Lordes se posicionaram atrás das Vipers e os marotos se levantaram lentamente. Letticia sabia que, sem um professor presente, Bellatrix podia muito bem resolver bater nela até torna-la irreconhecível para o próprio pai e Black sairia ilesa fisicamente e sem consequências.
Fazia anos que Letticia não olhava para dentro dos olhos de Bella. Era horrível perceber a podridão que anos atrás ainda não havia consumido tudo, mas que agora comandava cada movimento e cada folego de Bellatrix Black. Ela não havia tentado esconder seu passado com Bella. Elas não tiveram um relacionamento propriamente dito, mas sim vários momentos em que ambas estavam tão altas com substancias tóxicas que ficaram famosas em festas por acabarem juntas em cantos escuros – as vezes com terceiros. Esse passado... Letticia odiava pensar que realmente tinha feito certas coisas. Pareciam tão distantes de sua realidade que ela se lembrava de tudo como pesadelos. Giovanna entendia bem demais a influência que uma garota Black podia ter; era difícil fugir. Mas agora ela estava crescida e lucida. E pronta para mostrar que Bellatrix não podia mais afeta-la.
Letticia separou os lábios com uma resposta, mas Lily colocou as duas mãos entre as garotas e as empurrou em sentidos opostos.
-Já chega disso. – Disse ela.
Antes que Letticia pudesse reagir, Bella agarrou o pulso de Lilian e o afastou com violência, para depois apontar um dedo para o peito da ruiva.
-Nunca... Mais... Me... Toque.
-Cuidado, Black. Lembre-se que sou Monitora Chefe. – Lily disse tranquila, encarando os olhos instáveis verde-veneno de Bellatrix, que sorriu.
-Eu vou repetir, Evans. Nunca mais coloque essa carne podre que você insiste em carregar pela minha escola perto de mim. Você e seu sangue imundo deviam voltar para o buraco onde está sua família nojenta e ficar lá, antes que eu mesma tenha que colocar todos vocês em um buraco... A sete palmos abaixo daqueles que merecem viver.
Por um pequeno período de tempo, enquanto todos os queixos da Salão caiam com a ousadia de Bellatrix, James achou que Lily seguiria o conselho de Remus e se manteria calma, já que quando as palavras de Bellatrix pararam de ecoar, Lilian Evans soltou um suspiro comprido e James, do ângulo precário que tinha do rosto da ruiva, pode vê-la mover a mandíbula, como se mordesse a língua para não rebater.
Foi aí que Lily moveu a cabeça para frente bruscamente; um movimento rápido.
James não teve tempo para entender o que houve, pois entre uma piscada e outra Bella xingou Lily a plenos pulmões e pulou em cima de Evans. As Vipers avançaram para ajudar Bella a segurar Lily quando as duas começaram a rolar pelo chão, os cabelos sendo puxados de um lado para o outro e as profanidades gritadas abafadas pelos gritos dos alunos, que se levantaram e subiam nas mesas para enxergar melhor. Letticia puxou Vivianne pelos cabelos compridos quando a Sonserina tentou puxar a varinha e James finalmente começou a se movimentar quando viu Lucius avançando em direção a John por cima da mesa.
-Foram vocês! – Ele tentou agarrar John e James o puxou pela parte de trás do uniforme verde e cinza.
-Brilhante, Malfoy! – James meteu o joelho no estomago de Lucius e ele caiu batendo a cabeça no banco em que James estava sentado antes. Ele se agachou. – Talvez você devesse usar esse cérebro todo para aprender como se trata uma mulher.
Potter se endireitou, olhando ao redor e viu Vittoria e Narcissa se arranhando por cima do café da manhã e Sirius segurando Samantha pela cintura enquanto ela esperneava para bater em Louise. Lily estava por cima de Bellatrix e Bella segurava seus punhos, rolando a ruiva para se libertar.
Potter notou Letticia ao seu lado, trocando olhares com Katherine Peace, também parada de braços cruzados do outro lado. Nenhuma das duas parecia disposta a mexer-se e sim mais interessadas em Peter socando o nariz de Gabriel Della Vegga, que soltou um guincho nada masculino.
-O que ela fez? – Ele perguntou. Ele tinha várias perguntas que gostaria de fazer a Letticia, levando em conta o diálogo entre ela e Bellatrix antes da briga, mas não era o momento apropriado. – O que a Evans fez antes da Black começar a brigar?
-Cuspiu nela. – Letticia deu de ombros.
James sorriu, mas parou imediatamente ao ouvir a voz de Mcgonagall tentando passar por entre os alunos que rodeavam a briga entre as duas realezas. A plateia da periferia começou a se calar, mas o entretenimento dos alunos que estavam mais perto era demais para prestarem atenção em qualquer outra coisa. Lily ficou de pé e Bellatrix agarrou seu tornozelo. A ruiva chutou, mas Bella também se levantou e conseguiu segurar o cabelo de Lilian e virar um tapa ardido em seu rosto.
-Parem já! – Minerva gritou, atingindo o epicentro da briga. Noel Foncan estava ao seu lado, com a mesma cara de nada de sempre. Suas sobrancelhas subiram ao notar a filha agarrada com Narcissa Black.
Lily agarrou o pulso de Bellatrix e puxou com força. James ouviu algo se espatifar e os alunos que podiam enxergar soltaram uma exclamação curta que terminou em um silencio digno de um velório. Lily congelou, Bella congelou e apenas Mcgonagall parecia ser capaz de permanecer em movimento, lívida, parando em frente as duas e levantando a barra das vestes para que o tecido não tocasse o montinho branco no chão, misturado com pedaços de metal prateado e uma corrente comprida.
James parou de respirar. Ele olhava de Lilian para o pó no chão e notou como ela estava pálida, quase visivelmente enjoada. Sirius encarava o chão, Vittoria limpava o sangue que escorria do nariz e tentava não olhar para o pai e Giovanna trocava olhares rápidos com Louise. Vivianne cobria a boca em choque e os Lordes tentavam se afastar das atenções de Mcgonagall.
-Sr. Lupin. – Mcgonagall chamou e Remus deu um passo à frente. Sua aparência não estava tão ruim, mas ainda sim podia-se deduzir que ele havia se envolvido na briga. – Vá buscar o Professor Slughorn e o Diretor. Srta. Caldwell. – Elena, a monitora Grifinória do quinto ano, deu um passo à frente. – Mande uma coruja ao Sr. e Sra. Black... E diga que devem vir ao encontro do Diretor e de sua filha imediatamente.
xXx
-Então vocês estão me dizendo que a Baronesa, que por acaso não se encontra, mandou vocês me pedirem para levar um gato até a frente da sala do Diretor...
-E depois ir embora. – Concordou Giovanna, enfiando o gato negro nos braços da quintanista. Ela levantou os olhos turquesa cobertos de preto para Giovanna, com uma sobrancelha erguida. – Dora, certo?
-Dora Leighton. – A menina concordou, os cabelos escuros presos em uma trança malfeita caída no ombro direito. Giovanna desaprovava completamente o visual gótico-chique ou sei lá o que da garota, mas ela ainda sim era protegida de Vittoria, e o trabalho sujo tinha que ser feito por alguém. – E você tem certeza de que foi a Baronesa que pediu isso?
Giovanna arrebitou o nariz.
-É Condessa para você, se você se esqueceu. – Ela apontou o erro do vocativo com raiva. – E sim, foi ela. Vittoria está ocupada com o pai, então é melhor você ir logo e fazer o que ela mandou.
Dora rolou os olhos e aconchegou o animal peludo nos braços cobertos de couro vermelho escuro. Ela passou uma unha pintada de preto atrás das orelhas do gato e ele ronronou.
-É... A gata da Vittoria. – Giovanna adicionou. – Ela gosta de esticar as patas. Depois de deixa-la em frente a Sala do Dumbledore, dê meia volta e volte para o campo com o fluxo de alunos. Mas faça isso rápido, a sala do Diretor não é tão longe assim.
-Okay, já estou indo. – Dora fez um sinal de descarte com a mão cheia de anéis para depois abrir a porta de madeira do vestiário, deixando o barulho da torcida vazar para dentro por um segundo. A porta bateu e Giovanna marchou de volta para perto dos chuveiros, vermelha.
-Aquela garota não sabe o que hierarquia significa!
-Talvez seja por isso que a Vittoria goste dela. – Louise deu de ombros, sentada em um dos bancos úmidos.
-Brut. – Bufou Giovanna. *(1)
Lily abraçava os joelhos, covas escuras aparecendo abaixo dos olhos verde-esmeralda. Remus só havia visto-a assim uma vez no sexto ano quando pensou que estava grávida e surtou de medo. No final das contas não havia passado de uma gripe violenta que a fazia vomitar bastante.
-E então? – John disse. – A Vittoria está onde?
-A Foncan foi resolver alguns negócios. – Louise ergueu uma sobrancelha para ele, intrigada que, depois de tudo o que havia acabado de acontecer com a cocaína forrando o piso do Salão Principal, a primeira preocupação dele fosse onde Vittoria estava.
-Qual era a do gato? – Sirius perguntou, as costas apoiadas nos armários de metal.
-Façam as contas, queridos. – Giovanna bateu os cílios lentamente. – Porque vocês não são os únicos talentosos nessa escola.
-Foncan transfigurou um gravador em um gato? – Peter perguntou.
-Como você é burro, Pettigrew. – Letticia cobriu os olhos com as mãos, inconformada.
-ESPERA UM MINUTO! – James exclamou, os olhos arregalados com entendimento tomando conta de si.
Antes que James pudesse perguntar qualquer outra coisa, Mcgonagall entrou por onde Dora havia saído. Os grifinórios se endireitaram rapidamente.
-Professora. – Remus se aproximou da Diretora de sua casa.
-Agora não, Lupin. – Ela ergueu uma mão e sua expressão amoleceu um pouco, a preocupação vazando. Ela se sentou em um dos bancos, em frente aos alunos, cruzando as mãos no colo. – Estou muitíssimo decepcionada com a senhorita, senhorita Evans.
Lily levantou os olhos do chão. Estavam vermelhos e marejados e Peter podia sentir o soluço que ela segurava tentando sair.
-Por favor, não me expulse. – A voz de Lily estava seca e estrangulada, como se sua garganta estivesse estreita e ela tivesse que forçar as palavras para fora. – Não tire meu posto, eu imploro.
Louise colocou uma mão no ombro de Lily. Mcgonagall desviou os olhos para as vassouras enfileiradas ao lado do malão que continha as armaduras roubadas.
-Não será expulsa, Evans. – Lily soltou um gemido de agradecimento. – Mas será suspensa de seus deveres como Monitora Chefe, por uma semana. Lupin tomará suas funções. Mas lembre-se que há uma fina linha que separa a Guerra da escola. Certos absurdos estão sendo permitidos, para o meu desgosto, mas você é aluna minha. E não vou deixar que se envolva nesse jogo estupido e estrague seu futuro.
Lily agora não tirava os olhos de Minerva. Suas bochechas brilhavam com as lagrimas que haviam acabado de escorrer e agora secavam.
-Ela disse que vai matar minha família, professora. – Os grifinórios balançaram as cabeças, apoiando-a. – Ela disse que enterraria todos.
-Não vá acreditar em qualquer coisa que Bellatrix Black lhe disser, Lílian. É mais esperta do que isso. – Mcgonagall disse. – Aquela menina é um perigo para os alunos e, se Merlin permitir, ela estará fora daqui antes do final do dia. Vocês todos têm que entender, que ela não pode tocar em vocês e nem em suas famílias.
-Professora, você sabe com o que ela está envolvida! – Disse Giovanna. – Como podemos não ficar com medo de uma louca assim?
-Ela consome drogas, senhorita Morsen, não mata criancinhas.
-Eu não duvidaria tão rápido assim. – Sirius disse.
-Senhor Black! – Minerva franziu as sobrancelhas para ele.
A porta se abriu novamente com um estrondo e Vittoria entrou, os cabelos eriçados como se tivesse esfregado os pés em um tapete. Ela imediatamente passou ambas as mãos pelo alto da cabeça, segurando o cabelo todo de um lado do pescoço. Estava suada e ofegando.
-Desculpe, professora. Estava... com meu pai. – Ela disse.
-Impossível, seu pai está em reunião com o Diretor e com os Black. – Mcgonagall ergueu uma sobrancelha.
-Eu disse meu pai? Quis dizer meus irmãos. – Ela sorriu para a professora da mesma maneira que sorria para convencer os pais de Lucius que ela não o odiava. – Eles já estão vindo para o campo.
-Ótimo. – Minerva se levantou. – Agora preciso que relaxem e se preparem. A Srta. Black pode até ser expulsa, mas os jogos irão continuar com ou sem ela. Isso quer dizer que vocês ainda vão jogar e, espero, ganhar.
Vittoria fez uma cara estranha, mas sorriu logo depois, enquanto Mcgonagall deixava o vestiário.
-Minha nossa, essa foi por pouco.
-O que você descobriu? – Lily avançou depressa para a amiga.
-Você falou com seu pai? – Lupin perguntou.
-Pode-se dizer que sim... Mas tenho péssimas notícias. Vi meu pai saindo do escritório do Dumbledore acompanhado dos Black. Eles não pareciam lá muito tristes ou bravos, e nem sinal da Bellatrix.
-ENTÃO ERA VOCE! VOCE ERA O GATO, O GATO É VOCE, VOCE E O GATO-
-Cala a boca, Potter! – Vittoria rolou os olhos e notou Lily se afastando para perto dos chuveiros. – Não é como se fosse um segredo de estado ou algo assim. Todas somos animagas, menos a Lily. Ilegal demais para ela. E depois, Pettigrew chamou Letticia de bola de pelos no trem, achei que vocês soubessem.
-Okay, eu suspeitava de alguma coisa, mas nada que envolvesse 80% de vocês. – Peter disse.
-Me sinto violado. – Sirius disse, bravo. – Vocês roubam tudo da gente!
-Querem superar isso logo? – Giovanna disse, sem paciência. – Somos o equivalente feminino dos marotos. É obvio que seriamos animagas, além de melhores do que vocês.
-Cuidado, Morsen, seu ego está sugando todo o oxigênio disponível por aqui! – James rolou os olhos.
-Melhores? – Peter riu. – Você só pode estar brincando!
-Falou a ratazana mais foda da escola. – Letticia ergueu uma sobrancelha.
-Rato e ratazana são duas coisas diferentes! – Ele exclamou, vermelho.
-Um tão mais nobre que o outro! – Rebateu Giovanna.
-E você é o que, um coelhinho branco de olhinhos vermelhos? – Sirius riu.
-Se um dia você descobrir o que eu sou, vai se arrepender profundamente, Black!
-Quero ver você tentar!
-Vocês todas devem ser bichos fofinhos e cheios de frescura, devem servir só como bichos de estimação!
-Eu vou meter a mão em você, Black! – Letticia exclamou.
-Você quer dizer as patinhas? – Perguntou James.
-CALEM A BOCA!
Giovanna pulou de susto e o grupo silenciou-se. John estava agachado perto dos chuveiros e assim que ele gritou para calar os grifinórios eles conseguiram ouvir os soluços de Lily, que estava encolhida nos azulejos do box.
-Lily... – Vittoria se aproximou da amiga e Lily apoiou-se no ombro dela.
-Eu não gosto de estar com medo, sabe? – Lilian levantou os olhos para o semicírculo formado a sua frente. – Eu não tinha esse medo da Bellatrix desde o quarto ano. Eu prometi a mim mesma que eu nunca mais ia sentir isso e ela conseguiu me deixar novamente nesse estado patético! – Ela balançou a cabeça, lagrimas novas rolando por suas bochechas. – Ninguém tem o direito de falar da minha família daquela maneira e aquele monstro tem que começar a pagar pelas coisas que faz! Eu... Eu só estou com medo e eu não quero mais me sentir assim. Nunca mais.
-Ela não vai machucar seus pais, Lily. – Letticia se agachou ao lado da amiga.
-Nós não vamos deixar que nada disso aconteça. – John prometeu.
-Eu queria que só isso bastasse. – A ruiva esfregou os olhos. – Mas eu sei que ela está esperando por mim lá fora com um bastão na mão e nós estamos aqui discutindo... Para variar.
-Ignora ela, Lily. – Remus tentou conforta-la, mesmo sabendo que ela não havia aceitado seu pedido de desculpas ainda. Ela parecia tão indefesa ali, encolhida no colo de Vittoria. Ele se sentia um lixo só de vê-la daquele jeito.
-Eu não consigo! Eu não consigo mais levantar a cabeça e fingir que ela não me apavora ou que eu não acreditei em cada palavra dela. Bellatrix não brinca. Ela tem todo o potencial de cumprir tudo o que promete. Eu sinto muito por não conseguir manter a pose... – Ela olhou para as amigas. – Não sei se sou mais digna de ser Ladie.
James se afastou abruptamente e Lily segui-o com os olhos marejados borrando sua visão ligeiramente. James agarrou o malão que continha as proteções roubadas dos sonserinos e o jogou no chão, abrindo-o e jogando um dos bastões para Sirius. Ele colocou as luvas acolchoadas aos pés de Louise e ofereceu o cabo do segundo bastão para Lily. A expressão de James era dura, quase preocupante. Ela segurou o cabo de couro e James usou o objeto para puxa-la para cima, quase desequilibrando a ruiva.
-Eu te proíbo de repetir isso, Evans. – Ele olhou fundo nos olhos de Lilian e ela demorou alguns segundos para sair do choque e limpar as bochechas com a manga do suéter. Um pequeno sorriso começou na ruiva, foi para James e espalhou-se para os outros grifinórios. – Agora, armem-se. Temos uma guerra para ganhar.
xXx
Um funcionário do Ministério da Magia colocou os grifinórios cobertos de couro negro em duas filas indianas em frente a porta que levava ao campo e pediu que esperassem pelo sinal. Letticia segurou sua vassoura firmemente e focou-se na nuca de Lily a sua frente. Ela suava muito, a vassoura em uma mão e o bastão na outra; chegava a tremer. Letticia disse a si mesma para não se preocupar. Potter havia feito o que nenhuma das amigas da ruiva havia pensado em fazer. Lily não precisava de pessoas passando a mão em sua cabeça; ela precisava de alguém que falasse alto o suficiente para que sua alma ouvisse. James deu a ela o desafio e a grosseria bem colocada que Lily necessitava para voltar a si.
-Fiquem calmos. – Disse Remus, penúltimo na fila dos marotos, com John atrás de si. Giovanna estava diretamente ao lado de Lupin e os três voariam para a cabine dos reservas.
-E lembrem-se do plano. – Adicionou Vittoria, ultima na fila das Lion Ladies. Ela havia trocado de lugar com Lily, achando apropriado a ruiva entrar como líder das garotas ao lado de James. Marketing era tudo, afinal de contas.
Um apito alto soou por dentro do vestiário e a porta se abriu. Vittoria respirou fundo, esperando sua vez de se mexer. Giovanna e Remus entraram no campo e por alguns segundos ela e John eram os únicos sobrando. Ele olhou para ela com uma expressão tranquilizadora; ele podia estar uma pilha de nervos, mas sabia que ela precisava do apoio emocional. Ele escorreu as costas da mão direita no braço esquerdo dela e terminou enlaçando sua mão na dela. Os dois entraram no campo, e ela determinou que aquele seria o dia em que as consequências de entrar no campo de quadribol lotado de mãos dadas com John Victor Dent poderiam ficar para depois... E acabarem, finalmente. Aquele seria o dia em que Lucius Malfoy não teria mais o prazer de ter a Baronesa da Grifinória para si. Ela seria dela mesma novamente, e poderia se entregar para quem quisesse... E a quem a merecesse.
Eles atingiram o centro do campo, onde um pequeno palanque de madeira estava montado. Seu pai estava ali, com Mcgonagall – Dumbledore não estava presente novamente –, o juiz, uma mulher absurdamente alta, um homem cuja boca mal podia ser vista devido a barba escura e espessa e a Ministra da Magia, Millicent Bagnold, com o cabelo curto penteado para trás com gel suficiente para cinco pessoas. (N/A: Antes eu havia dito Emilie Bagnold, mas, aparentemente, o site não era muito bom. Quando recentemente pesquisei, descobri que o nome na verdade era Millicent, desculpem.)
-Quem são? – Ela e John finalmente pararam, do lado direito do palanque. Os sonserinos estavam do outro lado, na mesma formação. Lucius não os enxergava pois era o primeiro de sua fila, com Narcissa ao seu lado – o que queria dizer que Bellatrix não jogaria.
Vittoria ficou na ponta dos pés para enxergar melhor.
-A mulher alta é Madame Olímpia Maxime, Diretora da Academia de Magia francesa, Beauxbatons. A mãe da Giovanna diz que ela é metade gigante, mas não admite. O da barba é Branimir Krasimov, Grande Mestre do Instituto de Magia búlgaro, Durmstrang. Eu esqueci de mencionar que eles viriam assistir?
-Esqueceu. – John sorriu.
-Omiti uma coisa também. – A Ministra estava dando um discurso e as arquibancadas estavam quietas, assim Vittoria pode sussurrar para John e ser facilmente entendida. – Quando vi os pais da Bella... Eles estavam entregando algo ao meu pai.
John ergueu uma sobrancelha.
-O que era?
-Uma bolsa de galeões bem barulhenta. – Ela baixou a cabeça. – Pessoas não mudam... Nada mais está no meu caminho. Isso acaba hoje.
John apertou a mão dela na dele, tentando transmitir seu apoio através das palmas suadas. Ele não conseguia esconder o próprio nervosismo com o jogo. Saber que os planos de Vittoria seriam executados logo após a final lhe fazia sentir uma mistura estranha de excitação e medo. A Ministra terminou de falar e a torcida gritou, fazendo os ouvidos de John zumbirem; confete brilhante voava e hinos sobrepunham um ao outro. Dent largou de Vittoria, lhe desejando boa sorte, e seguindo com Remus e Giovanna para o banco. Do outro lado, os sonserinos tinham absorvido o fato de que suas armaduras seriam usadas contra si, e não pareciam nada felizes com isso.
Vittoria se juntou aos companheiros de equipe em um círculo e percebeu Lily mais tranquila. Nunca admitiria em voz alta, mas se não fosse por Potter ela provavelmente ficaria no banco e a equipe seria prejudicada.
Sirius passou os braços em Letticia e Peter e os outros o acompanharam, juntando as cabeças no centro.
-Prontos? – James sorriu.
-Qual o plano? – Louise tentava manter o rosto impassível, mas isso se provava uma tarefa difícil com os dedos de Pettigrew em seu pescoço.
-Vamos aproveitar o desequilíbrio causado pela falta das armaduras. – Vittoria disse. – Eles não terão proteção nenhuma contra feitiços e vão cair fácil.
-E pegar o pomo não vai ser difícil com o petit Black machucado. – Comentou Giovanna. – Aquele olho roxo estava lá desde antes da Lily batizar a Bella. *(2)
-Então os Lordes decidiram culpar meu irmão pelo roubo. – Sirius franziu a testa. – Aposto que foi o Malfoy.
-Ele tem proficiência nessa área. – Vittoria murmurou.
-Então o Lucius cai primeiro. – Lily decidiu e o grupo se separou, ficando em suas posições.
-Potter e Foncan, aqui. – O juiz chamou James e Vittoria para o centro, enquanto o resto do time subia em suas vassouras. – Malfoy e Black.
Vittoria manteve os olhos no gramado, sem saber o que Lucius diria ou faria. Ele já devia estar puto por terem roubado suas armaduras, mas isso não se compararia a nada se ele tivesse notado a proximidade – para não dizerem intimidade – entre ela e John. Ele a acusaria de estar sendo "indecente" para com sua família. Quando o juiz pediu que apertassem as mãos ela olhou Malfoy nos olhos e não notou absolutamente nada fora do normal. Ele não parecia querer matá-la – ao contrário de Narcissa, que parecia mais do que disposta. Ela estendeu a mão para a loira primeiro e Narcissa fincou uma unha na sua palma. Vittoria mordeu o interior de sua bochecha para suprimir um gemido de dor.
-Avise a ruiva que mandarei flores para ela no St. Mungus... Ou talvez eu as coloque direto na lápide? Nunca se sabe. – Narcissa sorriu.
-Vaca. – Vittoria largou de Narcissa e estendeu a mão para apertar a mão de Lucius. Ele colocou a mão na sua e a puxou para um abraço, o que provavelmente não era algo a se fazer na presença da Ministra da Magia. – Lucius!
-Você está bem; ela te machucou? – Ele segurou o rosto dela entre suas mãos e Vittoria viu a raiva pura no rosto de Narcissa.
Vittoria olhou com o canto dos olhos para James, que fingia vomitar.
-Não, está tudo bem.
-Você com toda certeza já fez pior. – James cruzou os braços.
-Já é a segunda idiotice que você diz hoje, Potter! – Lucius avançou para perto de James.
-Chega! Subam em suas vassouras. – O juiz pediu.
-Do que ele estava falando? – Vittoria perguntou para James, enquanto passava a perna sobre sua vassoura e seguia Katherine Peace e Vivianne Blank com os olhos. Apenas as duas sentaram-se no banco de reservas.
-Apenas disse que ele deveria aprender como se trata uma mulher.
-Subam em suas vassouras! – Mandou o juiz novamente.
-Potter! – Ela levou uma mão a testa, sorrindo, mas James já havia chutado o chão para sobrevoar acima de todos.
Regulus esperava por ele, o olho roxo parecendo mais feio do que James esperava. A formação dos sonserinos estava gradativamente provocando incomodo em James. Della Vegga havia passado de batedor para artilheiro, mesmo tendo zero experiência na posição. Eles haviam feito exatamente o mesmo que eles ao mudar Peter de posição para fortalecer o ataque. Snape era o segundo batedor, com Malfoy e Narcissa tomava a posição de artilheira, com Samantha Yaxley.
"BEM VINDOS A FINAL DA PRIMEIRA ETAPA DA GUERRA DAS REALEZAS. O JOGO DE HOJE SERÁ SONSERINA CONTRA GRIFINÓRIA, COM SONSERINA COMEÇANDO COM UM PLACAR NEGATIVO DE -40 POR REPETIR JOGADORES."
Letticia olhou para Lily, que apenas lhe deu um aceno com a cabeça para indicar que estava bem. A tensão entre os jogadores era quase dolorosa e queimava com mais força que o usual devido a briga no Salão Principal. Letticia estava contando com variáveis perigosas, como a incompetência de Narcissa e Samantha e a esperança de que, pelo menos em campo, Lucius não gostasse de machucar a namorada. Bom, talvez ela tivesse que dar um jeito nisso ela mesma.
O juiz chutou o malão e os dois balaços dispararam para cima, o pomo seguindo. Ele apitou e arremessou a goles para cima. Letticia se impulsionou para frente.
"E COMEÇA O JOGO"
Della Vegga foi direto de encontro com Peter, ombros se encontrando com força. Peter agarrou a goles antes que percebe-se as mãos de Della Vegga presas a seu braço.
-Pettigrew! – Letticia exclamou para ele, apontando para o sonserino com urgência.
Gabriel tentava soltar a armadura negra que antes lhe pertencia, as mãos trabalhando freneticamente enquanto seu outro braço o mantinha voando junto a Peter. Pettigrew arremessou a goles para Vittoria que passou em rasante por cima dos dois com Narcissa em sua cola. Eles não estavam muito acima do gramado, então Peter soltou a vassoura e deixou seu peso levar Della Vegga ao chão; os dois rolando e levando pedaços de terra consigo. Foi uma questão de levantar rapidamente, agarrar a primeira vassoura que viu e chutar o chão, abrindo vantagem sobre o sonserino.
"FONCAN E BLACK EM DIREÇÃO AS BALIZAS SONSERINAS"
Narcissa se aproximou de Vittoria com a mesma intenção de Della Vegga, vindo por baixo e usando a varinha para cortar a fivela da proteção que cobria a panturrilha esquerda de Foncan. A Grifinória gritou, pois Black conseguiu levantar pele junto da proteção e sangue começou a escorrer por dentro de suas botas. Ela chutou a mão estendida de Narcissa e arremessou a goles na baliza esquerda de William.
"STOD DEFENDE!"
-SAI FORA, BLACK! – Ela exclamou para a loira, voando em ziguezague atrás de Samantha, que tinha posse da goles.
-VAI TER QUE FAZER MEL-
Narcissa foi arremessada para trás por um balaço, sua vassoura seguindo caminho e perdendo altitude até atingir a madeira que cercava o campo. Lily acenou o bastão para Vittoria, que sorriu com a boa forma da amiga antes de seguir com o jogo.
Louise viu Samantha se aproximar e Della Vegga vinha do outro lado para confundi-la. James e Regulus passaram por perto das balizas, mas ela manteve os olhos nos artilheiros e defendeu quando Samantha arremessou para Gabriel e este arremessou de volta para Samantha. Previsível. Ela usou a cauda da vassoura para arremessar para Peter do outro lado do campo.
"PETER PETTIGREW MARCA PARA A GRIFINÓRIA, 10 A MENOS 40"
Vittoria vasculhou o campo enquanto Letticia e Pettigrew encurralavam Samantha perto das arquibancadas. Narcissa havia sido retirada do campo, felizmente, mas Samantha já havia tentado puxar sua armadura e sua perna sangrava tanto que ela sentia pena da plateia abaixo dela, que provavelmente estava recebendo pingos vermelhos. Quando Della Vegga escapou de Letticia e Peter e marcou em Louise, ela gritou para Lily e desceu para perto de Letticia. As duas seguiram Gabriel por baixo, voando perto do gramado e subindo em noventa graus em frente as balizas de Louise.
-Que porra! – Ele exclamou, puxando a vassoura de lado para frear. O balaço o atingiu nas costas e seu corpo caiu com a goles, Letticia seguindo-o em espiral até agarrar a bola e disparar para William.
"GRIFINÓRIA MARCA, 20 A MENOS 30"
-Vamos-
-Letticia! – Vittoria tentou avisar a amiga, mas um balaço a atingiu no estomago e ela caiu, tossindo forte e agarrando a barriga antes de apagar. A torcida Sonserina comemorou quando o corpo de Sinel foi retirado da grama.
Della Vegga e Narcissa estavam fora e agora Letticia também. Os sonserinos estavam tentando equilibrar o jogo. Antes que pudesse concluir seu raciocínio, ela foi empurrada em diagonal até atingir várias superfícies diferentes. Vittoria ouviu gritos ao seu redor, talvez o seu próprio junto. Quando abriu os olhos e o sol parou de cega-la, muitas cabeças a cercavam e uma luva azul foi oferecida como apoio.
-Obrigada. – Ela se levantou, percebendo-se no meio dos destroços de um banco na arquibancada Corvinal.
-É um prazer, Baronesa. – Ela piscou, tentando fazer a cabeça parar de girar e percebeu que se tratava de Victor Vollatin. O narrador comentava sua situação, mas logo voltou a falar da posse da goles. – Só para a sua informação, foi o Snape.
-Imaginei. – Vittoria puxou uma menina do segundo ano para perto de si e puxou a bandana azul que ela usava, amarrando em seu ferimento. Ela chutou as tábuas de madeira, sentindo uma dor absurda na panturrilha machucada.
Ela passou por Sirius e antes que pudesse perceber onde estava a goles, viu Louise caída na areia ao redor das balizas. Samantha marcou um gol, varinha em mãos, e só não marcou outro porque Peter agarrou a goles. A caminho dos aros, Foncan percebeu vários pontos abertos na armadura de Pettigrew. Ela mesma estava bem debilitada: a queda na arquibancada lhe havia custado a placa que cobria suas costas.
"YAXLEY PARA A SONSERINA, 20 A MENOS 20"
Vittoria tirou a varinha e voou para as balizas a fim de desempenhar o papel de Louise e defender os aros como podia. Peter conseguiu marcar um ponto para logo depois se chocar com Lucius. O impacto custou-lhe seu capacete e a bola, que Malfoy arremessou para Samantha usando seu bastão. A torcida vermelha e dourada gritava ofensas para os sonserinos e pequenas brigas começaram a surgir entre os alunos.
Yaxley voou em direção a Vittoria, que lançou um feitiço estuporante do qual Samantha desviou. Lily, em desespero, lançou-se contra a Sonserina, conseguindo que esta largasse a bola no gramado. Peter desceu, desviando de um balaço de Snape e um feitiço que ele suspeitou ter vindo do banco de reservas para agarrar a goles e subir novamente com ela. James assistia tudo de sua vassoura, suor e terror escorrendo por todos os poros de seu corpo. Lucius arremessou um balaço em Peter mas este foi felizmente rebatido pelo bastão de Sirius.
"PETTIGREW MARCA PARA A GRIFINÓRIA, 40 A MENOS 20"
James observava a Ministra da Magia quando um brilho dourado o fez disparar para as arquibancadas da Lufa-Lufa, que se abaixaram com seu rasante. A última coisa que pode ouvir de seus companheiros de time foi Vittoria pedindo que Lily tirasse algum dos batedores. Ele ouviu Regulus se aproximando dele e os gritos dos alunos abaixo de si. Ele desviou de um cartaz pró-Sonserina e foi mais ou menos nesse momento que percebeu as atenções da plateia longe de si.
"EVANS ESTÁ SENDO PERSEGUIDA POR UM BALAÇO!"
James desceu para o gramado, Regulus em seu encalço. Ele olhou para cima, vendo Lily inverter a vassoura na tentativa de rebater o balaço para longe, mas ele se afastou dela e voltou com igual potência, ganhando metros a cada segundo. Ele apreciou Regulus por um segundo por não se aproveitar disso e puxa-lo, mas o sonserino manteve o jogo limpo. O pomo disparou para cima e James ouviu Vittoria gritando, deixando os aros sem proteção alguma. Samantha perseguia Peter e Lucius estava parado no ar, observando com um sorriso satisfeito. Lily inverteu a direção da vassoura mais uma vez, passando por James e Regulus.
-JAMES! – Potter sentiu a garganta secar. De todos os gritos que enchiam o estádio James escutou o de Lilian acima de qualquer outro. Ela estava apavorada; ele conseguia escutar o medo puro em sua voz. O medo que havia escapado no vestiário diante de Minerva. Ela estava aterrorizada e aquele pavor se espalhou por dentro dele também. Ele havia convencido Lily a lutar e agora ela estava em perigo.
Mais uma pessoa passou por ele: Snape, atrás de Lily. AQUELE IMBECIL. O pomo circundou as balizas grifinórias e foi para o meio do campo. Lilian ziguezagueou as balizas e fez menção de desviar da maior. James viu Snape tentando tirar a varinha e Lucius entrando em sua frente.
"EVANS FOI ATINGIDA!"
Remus e John correram para o campo, Giovanna atrás. O balaço pegou Lily na parte de trás da cabeça quando ela estava de frente para a baliza central. Sua vassoura se espatifou contra o metal e sua cabeça rebateu na haste maciça. Seu corpo começou a cair e James não pensou duas vezes. Ele diminuiu a velocidade e usou o corpo de Regulus como impulso, disparando para o corpo da ruiva que caia com mais velocidade a cada segundo. Ele ia se arrepender de perder, mas Lily era definitivamente mais importante que uma Guerra.
Ele se inclinou sobre a vassoura, ganhando mais velocidade. James esticou os braços, rezando por equilíbrio, correndo o risco de cair a poucos metros do chão e dela. Potter prendeu a respiração e só soltou o ar quando sentiu o corpo da ruiva em seus braços. O peso repentino fez a vassoura descer e os dois rolaram no gramado; James segurou o corpo de Lily perto de si, usando o tornozelo para tentar parar. Ele sentiu-o estalar, mas conseguiu se estabilizar e olhar para baixo e para o rosto de Lilian.
A torcida soltou o folego de uma vez, tranquilizados. Alunas e alunos gritavam de pavor e os professores desciam de seus acentos. A Ministra havia sido retirada de campo e James tinha certeza de que o show teria agradado os estrangeiros das outras escolas. Não era nada do que ninguém esperaria acontecer, não daquela maneira horrenda. James podia ouvir os gritos das Ladies se aproximando e dos amigos correndo pelo gramado. Ele passou os dedos pelo rosto da ruiva, sentindo-se tremer. Nunca havia visto tanto sangue ao vivo.
Bellatrix. Bellatrix era a culpada. Aquilo tinha a assinatura daquela psicopata em todos os lugares. Ele não sabia mais se havia sido Snape ou Lucius a obedecer. Snape havia tentado parar a bola, James tinha certeza. As partes do rosto de Lily que não estavam cobertas de sangue estavam brancas como papel, e suas mãos estavam geladas. A batida havia aberto a testa de Lily quase que horizontalmente, mas ele disse a si mesmo que poderia ter sido pior. Ele afastou os cabelos ainda mais vermelhos pelo sangue e encostou o ouvido no peito de Lilian.
Uma batida extremamente descompassada e sem ritmo.
-Evans? Lily, pode me ouvir? – Ele pensou em vira-la para olhar onde o balaço havia atingido, mas reviu o acidente em sua mente e soltou-a na grama delicadamente. Se o balaço havia ferido sua coluna ele não deveria mexe-la tanto.
-LILY! – Vittoria e Giovanna chegaram com Sirius, John, Remus e Peter. – LILY, LILY! – Vittoria derrapou para perto da amiga, chorando, Giovanna a seu lado. Morsen pegou no pulso da ruiva e olhou assustada para James.
O estádio se encheu novamente de exclamações e confetes prateados caíram por cima de James, grudando do sangue de Lilian. Regulus havia capturado o pomo a tempo de evitar as primeiras gotas de chuva que começaram a atingir os grifinórios. O sonserino manobrou sua vassoura em direção do grupo e James sentiu pena do garoto. Ele não devia saber de nada daquilo e ainda sim ia levar a culpa junto a todos os outros sonserinos. Nem o seu próprio ódio saberia discernir.
Os grifinórios se juntaram para proteger o corpo de Lilian da chuva e as gotas que passavam por eles limpavam um pouco do sangue que escorria da ruiva. Vittoria e Giovanna soluçavam ao lado da amiga inconsciente quando Madame Pomfrey e a professora Mcgonagall se aproximaram com alguns homens do St. Mungus. Minerva tinha o chapéu torto e o cabelo grisalho escapava; ela parecia tão horrorizada quanto seus alunos, mas, acima de tudo, arrependida de não tê-los escutado.
-Srtas., se afastem, por favor. Potter, dê um passo para trás. – Mcgonagall colocou uma mão no ombro de James, que soltou os cabelos de Lily, percebendo que o sangue da nuca de Lily havia manchado o braço de sua malha e suas mãos. John levantou Vittoria e Remus ajudou Giovanna a ficar de pé enquanto o corpo da ruiva era colocado em uma maca, que seria levada para o castelo junto com Della Vegga, Narcissa, Louise e Letticia.
Os grifinórios ficaram parados, observando o estádio se esvaziar.
-Foncan. – Peter indicou algo com a cabeça e Vittoria levantou os olhos do braço de John, que lhe dava o equilíbrio que suas pernas lhe falhavam em dar. Lucius, Snape, Samantha, Vivianne e Katherine se aproximavam.
-Larga dela, Dent. – Lucius apontou um dedo para John, que fechou os punhos imediatamente.
-Isso não é hora, Malfoy! – Giovanna exclamou, lagrimas ainda escorrendo dos olhos turquesa.
-Malfoy, por favor. – Snape pediu. Sirius se levantou e avançou para o peito de Snape.
-VOCE! – Ele empurrou Snape três vezes, até que Katherine desse apoio a ele. Severus não reagiu, olhando para o chão. – ELA QUASE MORREU POR SUA CULPA!
-Sirius, chega. – James murmurou e o amigo parou, bufando, sem entender a ordem de Potter. Os olhos negros de Snape encontraram os de James e um entendimento se passou entre os dois.
-Um truque interessante, se você quiser minha opinião. Muito útil. – Lucius estava sorrindo, o que quase fez Sirius assumir um novo alvo. – Agora, Vittoria, vamos logo para o castelo. Temos que comemorar. Hey! – O sorriso sumiu quando Malfoy sentiu algo lhe atingir o peito.
Sirius se afastou de Snape e seguiu os olhos de Lucius, que encarava uma cobra de diamantes em meio ao barro que sujava as botas dos alunos. O sonserino olhou para Vittoria, um rubor tomando conta de seu rosto pálido. Os olhos de Lucius dispararam para a arquibancada mais próxima, cujos alunos haviam parado de se mexer para ouvir a discussão.
-O que você pensa que está fazendo, Foncan? – Ele rugiu.
-Eu venho aguentando você há dois anos, Malfoy, e foi horrível o suficiente aguentar o que você fazia comigo. Mas nem você nem ninguém vai sair impune ao machucar as pessoas que eu amo! – Ela gritou e gritar a fez sentir a liberdade que tanto queria. Ver o rosto chocado de Lucius era apenas uma das coisas pelas quais havia esperado dois anos. Ela não iria parar até conseguir todas. – Você... Você é a escória mais imunda dessa terra! Seu filho da puta, desgraçado, nojento, babaca, EU TE ODEIO! – Vittoria ofegava, lagrimas novas escorrendo. Os diretores das outras escolas estavam do outro lado do campo, junto com seu pai. Ela engoliu, olhou para John e voltou a olhar para Lucius. – Toque nas minhas amigas novamente e eu mesma vou te dar o troco que você merece por todos esses anos.
-Você sabe as consequências do que está fazendo, Foncan? – Ele ergueu as sobrancelhas, sua pele ficando mais vermelha a cada segundo. – Vai querer mesmo afundar sua família?
-FODA-SE! – Ela berrou. – Eu vou gritar até que toda Hogwarts escute que você é um impotente que só se sente bem quando machuca as garotas com que fica. Eu não vou parar de falar até todos e todas saberem o porco que você é, Malfoy. E quanto a minha família, talvez eu tenha algumas maças tão podres quanto você e talvez esteja na hora de eu me livrar delas. Então manda ver, Lucius, porque você vai ter que se esforçar muito para me fazer chorar novamente!
Lucius pisou na joia a seus pés.
-Ótimo. – Ele deu as costas para ela e Narcissa colocou-se prontamente ao seu lado. – Vou adorar acabar com seu nome. E isso também vale para o seu estepe.
Os joelhos de Vittoria cederam ao ver o sonserino se afastar com seus colegas. Giovanna a ajudou a levantar e abraçou a amiga, que respirava muito rápido, ainda em pânico. Vittoria queria sorrir, mas a imagem de Lily deixando o campo em uma maca estava gravada em sua mente.
-Vai ficar tudo bem... – Giovanna passou as mãos nos cabelos da amiga.
-Não vamos nos apressar, sim? – Os grifinórios sentiram suas gargantas secando. Bellatrix havia descido das arquibancadas para o campo, por trás do grupo. Ela tinha as mãos atrás das costas e Sirius desejou com todas as forças que ela estivesse algemada. Seus cabelos negros estavam ensopados e ela parecia prestes a ser fechada dentro de uma camisa de força. Ela olhou para as mãos de James com os olhos verdes e doentios e franziu o nariz. – Por Merlin, Potter, vá lavar as mãos! Sangue-ruim é podreeee! Estão tristinhas, meninas?
-Vai se foder, Bellatrix. – Remus disse e Peter fez uma notação mental sobre nunca ter visto Remus ofender alguém tão diretamente na vida.
-Oh, querido Lupin... Se você vai ficar com as minhas sobras, aprenda a ser mais educado. – Ela sorriu e se aproximou mais um pouco do grupo, o sorriso se dissolvendo conforme mais gotas de chuva caiam em seu rosto, como se não passasse de maquiagem. – Isso foi só uma amostrinha do que acontece com quem tenta ser mais do que eu digo que são... A Evans foi só a primeira a receber as consequências. Por mim teriam sido letais, mas não foi dessa vez. Aprenderam a não mexer comigo ou preciso visitar a Handel na Ala Hospitalar antes de viajar?
-Você vai pagar por isso, Black. – Giovanna rosnou.
Bellatrix sorriu e saltitou embaixo da chuva, que aumentava. – Eu volto em duas semanas, Morsen. Teremos bastante tempo para resolver isso. E, Foncan... Sem a proteção do Lucius, eu tomaria mais cuidado por onde ando. – Ela seguiu para a saída do campo, finalmente se cobrindo com uma capa de viagem negra.
-DUAS SEMANAS? Eu a quero FORA. – Giovanna olhou para os marotos, tremendo. – Eu quero que ela sofra pelo resto da vida e se lembre todos os dias do mal que ela causou!
-Ela vai. – James estendeu as mãos para a chuva, o sangue de Lily dissolvendo-se na agua. – Eu vou garantir que ela pague por tudo.
xXx
N/A: Oi gente! Eu esperei para postar esse capitulo para ver se algumas reviews chegavam e olha, funcionou! Fiquei muito feliz em ver comentários novamente, principalmente já que a Juh Malfoy apareceu!
Eu estou em época de vestibular, e vocês devem saber que isso complica a vida de todo mundo. Eu tive apenas três meses de cursinho e espero que eu tenha me esforçado o suficiente (cruzem os dedos)!
Eu não gosto muito desse capitulo por motivos óbvios e ele foi bem difícil de escrever, mas eu espero que agrade :D
Ah, eu sei que no capítulo 6 (talvez em outros) eu tenha dito que o Remus já tomava a poção Mata Cão, mas ignorem. Isso devia ter sido removido durante minha última revisão do capítulo e foi erro meu deixar lá. O ponto é: Remus não tinha acesso a poção antes da Lily dá-la aos marotos.
Traduções:
1 – Brut = Grossa, rude, bruta.
2 – Petit = Pequeno.
Reviews:
Lady: Oi querida ! Me faz muito bem saber que você gosta da fic! Eu sei que a minha demora BABILONICA é horrível, mas eu realmente acho que assim que os vestibulares acabarem e eu passar, as coisas vão melhorar! Muito obrigada e apareça sempre! Beijoos
Juuh Malfoy: VOCE VEIO 3 linda hahahah estou muito feliz de te ver por aqui! Imagina querida, a review é bem vinda do jeito que vier! Sua presença aqui me dá forças (sempre deu haha). Muito obrigada mesmo por comentar! Beijooos estava com saudades!
