AVISO: Sakura Card Captor e seus personagens não me pertencem e sim ao Clamp.


Cap. 11 – Amor e sangue

Sakura estava parada no meio da sala de Shaoran. Ela olhava as fotos que estavam em cima da estante e ele estava apoiado na parede observando-a. O clima entre os dois era um tanto quanto estranho. Nenhum dos dois falava nada, pareciam distantes. Começou quando entraram no carro e continuou até àquela hora. Shaoran foi o primeiro a ficar incomodado com aquela situação.

- O que está olhando? – Perguntou na tentativa de quebrar o silencio.

- Você se parece muito com seus pais. – Ela apontou pra foto, sorriu e voltou a ficar em silencio.

- É. – Disse sem pensar. Aquele clima frio estava sufocando Li aos poucos. Ele suspirou. – Quer beber alguma coisa?

- Saquê. – Disse uma despreocupada Sakura.

- Como? – Shaoran se surpreendeu com a resposta da namorada. – Achei que não bebesse.

- Realmente não tenho esse costume, mas hoje me deu vontade. Sei que tem saquê na cozinha, já vi. Só quero um pouquinho, por favor. – Ela fez cara de cachorro pidão.

- Claro. Quem sou eu para dizer não a essa carinha linda. – Ele piscou e foi em direção a cozinha.

Assim que Li deixou a sala Sakura foi em direção ao seu quarto. Já dentro do cômodo ela pegou o frasco de perfume de baunilha e borrifou em si mesma algumas vezes. (N/E: Não faço à mínima ideia da onde ela estava guardando aquilo.) Depois ela afrouxou de leve a amarra do quimono e se conferiu no espelho. Shaoran entrou alguns segundos depois, trazendo dois copinhos com saquê.

- Te achei. O que veio fazer aqui?

- Me olhar no espelho. – Ela pegou um dos copinhos da mão de Li e, depois de brindar um no outro de leve, bebeu todo o liquido em um gole só. Shaoran fez o mesmo. Ela lhe deu um selinho e depois se afastou.

- Sakura eu não aguento mais esse clima entre nós. O que foi que aconteceu? Você está chateada porque eu não te contei que era um mestre Shaolin?

- Claro que não. Eu entendo porque não me contou. Não estou chateada de jeito nenhum, está tudo bem. – Ela sorriu e se aproximou de Li. – Na verdade fiquei feliz em saber disso, explicou muita coisa.

- Explicou o quê?

- Sua personalidade, por exemplo. Pode não parecer, mas conheço um pouco sobre artes marciais, já que Toya falou sobre isso por um bom tempo da minha vida. Conheço o estilo Shaolin e sei que quem pratica esse estilo de luta e consegue se tornar um mestre tem que ter determinadas características: tem que ser uma pessoa honesta, determinada, forte, com caráter. Características que você tem de sobra. – Ela passou a palma da mão de leve em seu rosto. – Também explicou porque tem músculos tão definidos apesar de ser tão jovem. – Disse com voz sexy.

Sakura desceu a mão de vagar e acariciou os braços de Li. Ela chegou mais perto e lhe deu um beijo no pescoço. Shaoran respirou fundo e se embriagou com o perfume de Sakura, ele tremeu. Sakura subiu um pouco e beijou-lhe os lábios, um beijo lento, intenso e demorado. Ela deu alguns passos, forçando Li a andar pra trás, tropeçar e cair sentado na cama. Os dois estavam ofegantes e um sorriso travesso surgiu no rosto de Sakura. Ela soltou seu coque e balançou os cabelos de maneira sexy.

- O que está fazendo Sakura? – Shaoran se sentia desorientado com tudo aquilo.

- Uma coisa que já deveríamos ter feito há algum tempo. – Ela respirou fundo e desamarrou o quimono, deixando que ele deslizasse de vagar pelo seu corpo até cair no chão.

-Hã... – Shaoran congelou ao ver a imagem de Sakura apenas de calcinha e sutiã. Seu coração disparou e sua respiração falhou. Mas isso não impediu que ele passeasse pelo corpo de Sakura com os olhos, seguindo todas as curvas e memorizando cada detalhe. Sakura deu um risinho e se sentou no colo de Li. – Vo... Você tem certeza? – Disse um nervoso Shaoran.

- Cala boca e me beija. – Ela puxou-o pelo pescoço e começou a beijá-lo.

Não demorou muito para que Shaoran se entregasse a Sakura, na verdade não demorou nada, foi quase que instantâneo. Ele a deitou lentamente na cama e começou a acariciar o seu corpo. Começou pelos cabelos, passando pelo pescoço, chegou aos seios, foi para a barriga e por último pelas pernas. Ela desamarrou o quimono dele e o tirou rapidamente, jogando-o longe. O jogo de caricias de terça-feira recomeçou. De repente Sakura parou e levantou da cama. Ela foi até o móvel e começou a mexer no seu celular e depois no de Li. Ele levantou e a abraçou por trás.

- Não pode começar e depois parar. Isso pode matar um homem, sabia? – Sakura riu. – O que está fazendo?

- Garantindo que nada nos interrompa dessa vez. – Ela mostrou os celulares desligados. Shaoran sorriu, pegou Sakura no colo e a levou de volta para cama. Ele puxou os lençóis e deitou sobre o corpo seminu de Sakura. – Eu te amo. – Disse num sussurro no ouvido de Sakura. Ela ficou toda arrepiada.

- Eu também te amo. – Respondeu com a voz falhada. Shaoran começou a beijar o seu pescoço e foi descendo aos poucos. Ela gemeu leve. – Eu te amo Shaoran, não se esqueça disso.

Não pensem que eu gosto de ficar vendo esse tipo de coisa. Na verdade já aconteceu tantas vezes que eu nem ligo mais. No entanto eu não gosto de ficar vendo tudo, por isso quando ficou claro que os dois iriam realmente terminar o que tinham começado dessa vez, eu me retirei do quarto e fui até a sala. Passei a noite lá, dormindo no sofá com Kero deitado nas minhas pernas.

Acordei por volta das 10h da manhã no dia seguinte. Kero protestou quando eu me mexi pra levantar, mas logo voltou a dormir. Eu voei de vagar até o quarto e encontrei Sakura e Shaoran abraçados e nus, deitados por debaixo dos lençóis. Fiquei um tempo lá, observando os dois dormindo calmamente. A única coisa que passava pela minha cabeça era: "Finalmente. Agora que está tudo resolvido entre os dois eu posso me ajeitar com Tomoyo."

Vocês devem estar pensando que tudo acaba aqui, que eu me transformei em humano e fui ao encontro de Tomoyo, mas não foi isso que aconteceu. Aprendi da maneira mais difícil, que não basta juntar duas pessoas, tem que vigiá-las pra ter certeza que tudo está verdadeiramente bem. Veja o caso de um amigo cupido meu, ele juntou Romeu e Julieta e foi embora. O final dessa tragédia vocês já sabem.

Estava tudo ótimo entre Sakura e Shaoran, mas como eu já disse anteriormente, tudo que é bom, dura pouco. Nesse caso, durou muito mais do que minha momentânea felicidade com Tomoyo. A felicidade de Sakura e Shaoran durou exatamente uma semana.

Os dois tiveram uma semana maravilhosa, se viram todos os dias, nem Sayo e nem Yashiro incomodaram Sakura, o pai de Li não o discutiu e nem exigiu nada dele. Nada que justificasse o que iria acontecer. Somente na quinta-feira Sakura me deu um pequeno sinal de que alguma coisa estava errada.

- Ainda não consigo acreditar que você e o Li... – Comentava uma animada Tomoyo. – Eu disse que vocês tinham química.

- Como sempre você tinha razão. Mas para de falar isso alto Tomoyo, alguém pode ouvir.

- Eu queria que Yashiro soubesse disso. Ele iria ficar furioso.

- Não! Não pode contar a Yashiro, nem mesmo insinuar. Se você fizer isso vai estragar tudo.

- Estragar o quê?

- Nada. – Sakura pareceu nervosa. – É que ele pode acabar contando pro meu irmão e você conhece o Toya, ele vai matar o Li se suspeitar do que aconteceu entre nós. E eu não quero que nada atrapalhe o tempo que ainda tenho com Shaoran. – "Que ainda tem com Shaoran?" Pensei.

- O que quis dizer com isso? Shaoran vai embora ou alguma coisa parecida?

- Não. – Sakura percebeu que tinha dito demais. – Quer dizer, nunca se sabe quando o pai vai chamá-lo de volta. Então é bom aproveitar cada minuto, certo? – Tomoyo não pareceu convencida. – E o Eriol? Você já o encontrou depois do festival? – Ela tentou mudar de assunto.

- Ainda não. Pra falar a verdade tenho que conversar uma coisa muito séria com ele. – Ela suspirou e olhou para o céu, praticamente em minha direção.

- Algum problema?

- Não diria que é um problema. É só uma coisa que meus pais me contaram. – Ela fez uma pausa. – Não sobre o Eriol, afinal meus pais não o conhecem. Foi uma coisa sobre namoro e... – Foi a vez de Tomoyo ficar nervosa. E minha também, o que será que ela queria falar comigo? – Enfim, eu tenho que falar com ele.

- Sei. – Sakura olhou em volta. – Que tal nós entrarmos? Estou começando a ficar com frio.

- Claro, vamos.

Aquilo que Sakura disse me deixou intrigado até sábado à tarde, o dia em que ela foi visitar Shaoran pra jogar a bomba nele.

- Oi meu amor. – Disse Li ao abrir a porta. – Você deu sorte, eu já estava saindo pra trabalhar. Se você chegasse um minuto mais tarde não iria me encontrar em casa.

- Quem me dera. – Ela disse tão baixo que Li não ouviu nada.(N/E: Vou intercalar alguns trechos do caderninho de Sakura a seguir.)

"Shaoran estava lindo de terno e grava, do jeito que eu mais gosto. Minhas pernas estavam tremendo e por um momento eu pensei que não iria conseguir. Não queria fazer aquilo com ele, mas se não fizesse... "

- Que cara é essa? Aconteceu alguma coisa?

- Não, mas vai acontecer. – Sakura respirou fundo. – Acabou Li. – Disse de uma vez, como se estivesse arrancando um curativo.

- Como?

- Está tudo terminado Shaoran.

- Não, não está. – Sakura não sabia o que fazer. – Você acha que vou acreditar que está terminando comigo sem mais nem menos? Dá pra ver nos seus olhos que não quer fazer isso, eu te conheço Sakura. Diga-me a verdade.

"Ele não acreditou. Claro que não, nem eu mesma acreditaria. Mas eu tinha que fazê-lo acreditar, seria melhor assim. Então disse a única coisa que sabia que o magoaria profundamente..."

- Eu não quero mais te namorar. Já consegui o que eu queria na semana passada. – Shaoran desabou por dentro, ele se sentiu sem chão, sem céu sem nada. – Agora você entendeu, não é? Eu só queria dormir com você! – Sakura fez uma cara tão convincente que até eu acreditei por um momento no que ela disse.

- Não, não pode ser verdade. Sakura, você não é assim, não faria isso comigo.

- Mas eu fiz. Foi tudo planejado. – Sakura estava segurando as lágrimas, mas Shaoran estava tão desorientado que não viu absolutamente nada. – E agora que já consegui, não quero mais ficar com você. Adeus Shaoran Li!

Sakura se virou e saiu correndo, lágrimas escorriam pelo seu rosto. Shaoran estava pálido, ainda não acreditava no que tinha acabado de ouvir. Seu coração estava em pedaços. Não sabia o que fazer, ou melhor, não sabia o que estava fazendo. Li simplesmente trancou a porta, entrou em seu carro e saiu em disparada sei lá pra onde.

Eu fiquei parado, na frente da casa de Li. Estava completamente perdido em toda aquela história. Não conseguia entender porque Sakura tinha feito aquilo. Minha reação foi nula diante daquela situação. Mas, agora que tudo passou, vejo que foi muito bom eu ter ficado por lá, pois se não tivesse não teria descoberto o que realmente aconteceu.

Apenas alguns minutos depois que Shaoran se foi, Sakura reapareceu, mas não estava sozinha, estava acompanhada de Yashiro. Os dois se aproximaram da porta e entraram na casa de Shaoran com a chave que ele havia dado à Sakura dois dias atrás.

- Você daria uma ótima atriz Sakura. – Disse Yashiro com um sorriso vitorioso no rosto. – Fez sua parte muito bem.

- Você é um monstro Yashiro! Eu te odeio tanto.

- Isso só aumenta o prazer que vou sentir quando você dormir comigo na cama do seu amado. – Ele pegou o rosto de Sakura com as duas mãos e lhe deu um beijo. – Vai se arrumar querida. Eu te espero no quarto. – Ele lhe entregou uma sacola escura e depois foi em direção ao quarto de Shaoran.

- Nojento. – Sakura foi até o banheiro e voltou minutos depois, vestindo um uniforme de líder de torcida minúsculo e quase transparente.

- É assim que eu gosto de te ver. – Ele chegou bem perto e acariciou o braço de Sakura. – Você está linda. – Sakura se encolheu. Ela sentiu ânsia quando Yashiro pôs a mão em sua cintura. – Quero que melhore essa cara Sakura. – Ordenou.

- É impossível não sentir nojo na sua presença. – Yashiro levantou a mão e deu uma bofetada em Sakura.

- Estou mandando você melhorar essa cara e é o que você vai fazer. Se não fizer o que eu mando sabe o que vou fazer com seu precioso Shaoran. Vou contar a todos o segredinho dele e ainda vou ligar pro pai dele e convencê-lo a vir buscar o filhinho. – Sakura se recompôs, enxugou a lágrima que escorreu pelo seu rosto e forçou um sorriso. – Agora está um pouco melhor. Não se preocupe daqui a pouco tudo vai ser perfeito. Você vai se sentir tão bem que não vai mais precisar fingir. – Yashiro colocou Sakura deitada na cama e se deitou por cima dela. Ele passou a mão pelo corpo dela e mais uma vez Sakura reprimiu a vontade de bater em Yashiro e fugir correndo dali.

Sei o que está pensando: "Porque você não fez nada para impedir Eriol?" e a resposta é simples. Porque eu não podia fazer nada. Sakura não estava sendo obrigada a fazer aquilo com Yashiro e segundo as regras, aquelas que eu mencionei lá pelo capitulo três, eu só posso me intrometer se a pessoa com quem tenho uma ligação (no caso Sakura) for forçada a fazer algo que não queira e esse não era o caso. Pra falar a verdade eu estava preste a mandar essas regras pras profundezas do inferno quando Shaoran apareceu.

- Desgraçado! Tira as suas mãos da minha namorada. – Li deu um soco tão forte em Yashiro que este poderia ter voado até a China se não tivesse encontrado a parede no meio do caminho.

- Shaoran! – Sakura se sentou na cama e se cobriu com o lençol. Li nem ouviu o que ela disse, ele estava furioso e disposto a ir para a cadeia por homicídio doloso, literalmente falando.

- Mas como... – Shaoran nem deixou que Yashiro se levantasse e lhe deu um chute na barriga. Ele se contorceu de dor. Shaoran lhe chutou de novo e de novo, até que Yashiro cuspisse sangue.

- Cadê sua coragem agora? Você é homem suficiente para se aproveitar de Sakura, mas não pra me enfrentar, não é covarde? Levanta! – Yashiro se pôs de pé e acertou Shaoran no rosto com um soco. Shaoran nem sentiu o ataque do japonês. – Desgraçado! – Li pegou Yashiro pelo pescoço e o imobilizou na parede, depois lhe deu mais dois socos no estomago.

- Shaoran para! Você vai matá-lo. – Disse uma impressionada Sakura. Shaoran a ignorou e continuou a apertar o pescoço de Yashiro, que já estava azul. – Shaoran!

Sakura se levantou e puxou o braço de Li, fazendo com que ele soltasse Yashiro. Ela tentou segurar Shaoran o mais longe possível de Yashiro, mas Shaoran parecia louco e tentava se livrar de qualquer forma. Yashiro aproveitou o momento e correu completamente desengonçado para fora do quarto. Segundo depois só foi possível ouvir o barulho da porta da sala batendo, ele havia fugido.

- NÃO!

Li agarrou Sakura pelos braços e a jogou contra a cama. Ela ficou lá paralisada. Shaoran olhou nos olhos de Sakura e viu medo, pavor. Isso foi o suficiente para que ele caísse na real, o arrependimento bateu forte no chinês. Ele não estava arrependido por ter batido em Yashiro, claro que não. Shaoran estava arrependido de ter agredido Sakura. Ele se olhou no espelho e não se reconheceu.

- Ahhhh! – Ele gritou e com um movimento rápido deu um soco em seu próprio reflexo. Dor! Foi como um choque para Li. Sua mão começou a sangrar e milhares de cacos de vidro se espalharam pelo chão.

- Shaoran! Você está bem? – O medo de Sakura se transformou em preocupação. Ela se levantou e foi ao encontro de seu amando. Ela estendeu a mão e tentou tocar no braço de Li, mas este se esquivou.

- Não. Ponha uma roupa descente e vá embora. Eu não quero ficar perto de você agora. – Lagrimas tomaram conta dos olhos de Sakura, mas continuaram lá, pois ela segurou firme.

- Nem morta. – Shaoran estranhou. – Não me importa o quanto esteja magoado comigo, não vou deixar você aqui sozinho nesse estado. – Sakura o encarou e disse com voz firme e decidida. – Me dê à chave do carro, eu vou te levar para o hospital agora.

- Você não dirige Sakura.

- Mas tenho carteira de motorista. – Li tentou falar, mas ela não deixou. – Eu não quero saber Shaoran. Agora eu não estou preocupada com o que vai acontecer com a gente, com o que esteja pensando de mim ou se vai me odiar pro resto da vida, eu só quero que você fique bem. Por isso, me dê à droga da chave do carro.

A perda de sangue já estava fazendo efeito, Li começou a se sentir zonzo. Ele não tinha outra opção a não ser obedecer Sakura e por isso retirou a chave do bolso da calça e a entregou. Sakura foi até o banheiro, pegou uma toalha e enfaixou a mão de Shaoran. Depois pegou um sobretudo cinza no armário do chinês e o vestiu. Os dois entraram no carro e partiram.

O hospital ficava a quinze minutos da casa de Li. E mesmo Sakura não tendo o habito de dirigir ela até que conduziu o carro muito bem. Shaoran foi atendido em pouquíssimo tempo. O médico retirou os cacos que tinham entrado em sua pele, deu alguns pontos em sua mão, a enfaixou e por último lhe receitou um antiinflamatório, e é claro lhe deu um atestado para ele apresentar no trabalho. Durante todo esse tempo Sakura e Shaoran não trocaram uma palavra se quer, eles mal olhavam um pro outro.

- Pronto. Você ficará bem. – Disse o médico.

- Obrigado doutor.

- Mais uma coisa. Provavelmente você vai sentir cansaço e sono por causa do comprimido que tomou. É bom que não fique sozinho durante algumas horas. Na verdade, o melhor seria se alguém passasse a noite te observando, só para ter certeza que está tudo bem.

- Pode deixar que eu faço isso doutor. – Disse Sakura. Shaoran não demonstrou nenhuma reação.

- Ótimo. Qualquer coisa traga-o de volta.

Eles se despediram do médico e foram para o carro. Sakura ainda dirigia, já que Li estava impossibilitado. Depois de mais alguns minutos de silencio Sakura estacionou o carro, não foi na frente da casa de Li, mas em frente de sua própria casa. Shaoran percebeu onde estavam e a olhou sem dizer nada.

- Preciso tomar um banho, trocar de roupa e pegar umas coisas pra passar a noite na sua casa. Não vamos demorar muito. – Disse sem olhá-lo nos olhos.

- Não precisa passar a noite lá se não quiser. Estou bem. – Ela balançou a cabeça em negativa.

- Vem. É melhor que me espere lá dentro.

Os dois entraram na casa. Shaoran se sentou no sofá e Sakura subiu para seu quarto. O remédio começou a fazer efeito, as pálpebras de Li ficaram pesadas do mesmo jeito que seu corpo. Ele não tinha forças para se mexer. Em poucos minutos ele pegou no sono. Sakura desceu instantes depois, vestindo uma calça jeans e uma camiseta branca, trazendo uma pequena mochila nas costas.

- Já podemos ir. – Ela parou ao perceber que ele estava dormindo. Um sorriso surgiu em seus lábios. – Ele fica tão lindo quando dorme. – Comentou em voz alta. Ela largou a mochila no chão, se sentou ao lado dele no sofá e começou a fazer carinho em seus cabelos. – Eu te amo. – Sussurrou e lhe deu um selinho.

...

Toya chegou em casa e se deparou com Shaoran dormindo profundamente em seu sofá. Depois de se recuperar do susto, ele andou de vagar, para não fazer barulho, até a cozinha aonde Sakura se encontrava. Ela estava preparando o jantar.

- Sakura o que seu namo... O que é isto no seu rosto? – Ele se aproximou todo preocupado e tocou de leve a bochecha roxa da irmã.

- Shhhh! Fala baixou. Vai acordar o Shaoran. – Ela o repreendeu.

- Foi ele que fez isso com você?

- É claro que não. Shaoran me protegeu e acabou se machucando. Eu o levei para o hospital e o médico lhe deu um remédio que dá sono, por isso está dormindo no sofá. – Ela se virou e apagou o fogo.

- Sakura quem fez isso? – Ela não respondeu. – Eu não vou perguntar de novo, quem fez isso!

- Fica quieto. Não importa quem foi. Shaoran já deu uma lição nele.

- Eu quero saber quem foi.

- Um assaltante. – Os dois olharam para porta, onde Li estava parado. – Eu dei uma surra nele, mas ele conseguiu fugir. – Mentiu.

- Brigado por proteger Sakura. – Ele o observou por um instante. Shaoran tinha um corte na sobrancelha e uma das mãos completamente enfaixada. – O que houve com sua mão?

- Acertei o espelho quando estávamos brigando. Não foi nada. – Ele bocejou. – Acho melhor eu ir pra minha casa.

- Não vai não. – Disse Toya. – É melhor que passe a noite aqui. – Sakura, Shaoran e eu ficamos sem palavras. Toya tinha convidado Li pra dormir sobre o mesmo teto que Sakura? Não dava pra acreditar. – É o mínimo que posso fazer depois que você salvou a minha irmãzinha. Além do mais, sua casa foi assaltada, não deve ser seguro passar a noite lá sozinho e machucado.

- E eu posso ficar de olho em você como o médico pediu. – Completou Sakura. Shaoran não sabia o que responder e por isso não disse nada.

- Então está decidido. – Toya falou por fim. – Eu te empresto um pijama e você dorme no quarto com Sakura. – "Ele disse no quarto COM SAKURA? Acho que Toya pirou de vez." E pela cara dos dois, Sakura e Shaoran concordavam comigo. – Vamos jantar?

...

O jantar foi super tranquilo, apesar de Sakura e Li continuarem sem se falar direito e quando o faziam mal olhavam um nos olhos do outro. Assim que terminou, Toya subiu e telefonou para Mizuki. Sakura e Shaoran ficaram sozinhos, ela lavando a louça e ele apenas observando.

- Tem certeza que não quer ajuda?

- Tenho. – O silencio voltou por alguns minutos, o único som que dava para ouvir era o barulho da água correndo pelos canos. Sakura terminou de lavar tudo e fechou a torneira. Ela se virou e, pela primeira vez naquele dia, olhou Shaoran nos olhos.

- Olha Shaoran, eu não sei o que está sentindo agora, mas eu quero que você saiba que...

- Sakura! – Gritou Toya, interrompendo-a. Ele apareceu segundos depois, estava preocupado. – Sakura eu tenho que ir até o templo. Mizuki disse que uma das árvores caiu e arrancou a fiação do poste de luz. Eu vou lá ajudá-la e vou demorar, talvez nem volte hoje.

- E ela está bem?

- Sim, não estava por perto quando aconteceu. – Ele pegou a jaqueta que estava em cima da cadeira. – Pode me ajudar e fechar o portão quando eu sair? – Ela concordou com a cabeça. – Obrigado. Ah, eu separei um pijama pra você Shaoran, está em cima da cama de Sakura, espero que melhore.

- Obrigado. Boa sorte com o templo, se precisar de alguma coisa ficarei feliz em te ajudar. Tchau.

Sakura e Toya seguiram até o lado de fora. Ela segurou o portão aberto enquanto ele saia. Toya parou o carro ao lado do portão e chamou Sakura pra perto.

- Sei que aconteceu alguma coisa entre vocês dois. – Disse num tom normal. – Também sei que não foi um assaltante que te fez isso, porque se fosse vocês estariam na delegacia e não aqui em casa. Mas sei que ele te protegeu e isso é tudo que me importa. Aproveita que o destino te deu essa oportunidade e se acerta com ele. – Os dois sorriram ternamente. – Mas só pra deixar claro eu vou voltar bem cedo amanhã pra verificar se está tudo em ordem. – Sakura ficou vermelha. Toya riu e saiu logo em seguida.


Olá pessoal!

Consegui! Terminei em menos de um mês! Foi muito dificil escrever esse cap., principalmente por que estava sem tempo, mas eu aproveitei cada minuto livre pra escrever, nem se fosse só um frase. E aqui está! Pronto pra vocês desfrutarem. Espero que gostem tanto quanto eu gostei de escrever.

Não tenho muito pra falar sobre esse capitulo, acho que ele se explica por si só. O título já fala tudo. Mas finalmente aconteceu o que muitos de vocês estavam esperando. Sakura finalmente se entregou ao Shaoran. Não tenho prática em escrever esse tipo de coisas, por isso nem sei se ficou bom, mas espero que sim. E não precisa se preocupar, esse clima entre Sakura e Shaoran vai ser resolvido bem no começo do próximo capitulo.

Quanto as reviews, eu queria agradecer de coração. Perdi muitos leitores no último capitulo e nem os culpo por terem me abandonado, também, do jeito que eu demorei pra escrever... Mas muito obrigada pra quelas me continuaram comigo.

RESPOSTAS:

Princesa Sakura: Oi! eu to bem e você? Que bom que gostou do capitulo 10. O que não entendeu? O Eriol se transforma em humano quando tem vontade, só nessa forma ele pode ser visto pelas pessoas comuns, entendeu agora? Não pude explorar muito o romance de Eriol e Tomoyo nesse capitulo, mas logo vai acontecer algo entre os dois. Valeu, beijos!

Mikarim: Brigada! Um pouquinho de curiosidade não mata ninguém hehehe. Esse capitulo não mostrou a participação que Sayo teve nesse plano todo, mas no próximo você vai descobrir o que ela fez. Espero não ter demorado muito pra postar. Beijos!

Nina sakurai: Por favor não me bate! hehehehe. Fic kawaii é tudo de bom, né, mas eu concordo que tem q ter um pouco de pimenta se não perde a graça. Pode deixar que eu não esqueci do seu blog, em breve eu vou entar lá e mandar um monte de comentários :) Beijooooss!

.:Beijinhus:.