Naruto não me pertence.

Se vocês leem o mangá da série, saibam que eu estava no meio daqueles shinobis todos que demoraram uns 30 capítulos até aparecerem de novo, só que o meu caso foi só por perda de foco mesmo. Porém, os próximos meses vai ser mais complicados, e provavelmente os próximos capítulos não vão chegar na regularidade típica deles de há um tempo atrás. Desculpem-me...

Nesse tempo todo sem atualizar Apple Lady, conheci uma quantidade enorme de músicas pop japonesas dos anos 70, e um bocado de outras cantoras do mesmo naipe. Só que achar até a letra em japonês dessas canções é praticamente uma missão impossível. E, quando acho, o site não permite copiar para um tradutor. Porém, teremos sim mais algumas músicas mais à frente. Já tenho uma caixinha de reserva.

Sei, já está bom de prender vocês aqui nas explicações.


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- Apple Lady -


Parte 11

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"Epa!..."

O sangue de Ino foi indo cada vez mais rápido dentro das veias ao mesmo tempo em que ficava exponencialmente gelado – e gelando junto todo o resto. Ela manteve a mão grudada à coisa quente mais próxima, que era a testa do seu colega. E ele não estava tentando afastá-la, não estava tentando fazer nada. Passivo demais...

Esforçou-se ao máximo para olhar pra ele – Tinha que ser brincadeira! – e o soltou. Já dera tempo para as memórias dele voltarem, sem dúvida. Assim como estava demorando bastante para ele se mexer. Era brincadeira, era. Mas o rapaz tinha os olhos fechados.

- Shikamaru? – Cutucou-o primeiro, depois sacudiu-lhe o braço – S-Shikamaru...?

Ele continuava sem se mexer. Ino o ergueu para seu colo e isso a vez sentir ainda pior – Shikamaru parecia um boneco quebrado e mole. A moça começou a mesurar desesperadamente o quanto de força que ela deve ter usado. Apalpou a cabeça do colega, atrás de um galo ou de sangue. Mas, puxa, seria melhor se ele reagisse, se ele dissesse alguma coisa, qualquer coisa... E se a pancada...

- Ino-chan?

Era um sonho, um outro sonho talvez. Por que Shikamaru estava desacordado daquele jeito e Hinata estava alí na porta. De saia florida – Dá quase no mesmo.

Ino grunhiu, apertando mais o colega contra si com a intenção de levantá-lo.

- Você precisa de ajuda. – Não foi uma pergunta. Barulho de passos indo até Ino.

- Está tudo bem. – Ino disparou – Tchau!... Ah! - Claro, ele não podia andar.

Foi engraçado, a risadinha de Hinata comprovava isso. E ela riu de um jeito que Ino se pegou sentindo uma ponta de empatia pela outra, mas reagiu jogando uma torrente de indignação sobre isso e ergueu Shikamaru da melhor maneira que pôde. A Yamanaka passou direta e nervosamente pela colega, andando rápido.

- Vai lá pra fora vestida assim? – Hinata, de costas, alguns traços de risada na voz, esfregando uma mão na outra como que para analisá-las.

"É mesmo!". Ino parou.

- Pense em algo melhor então! – Mas voltou a andar.

- Vai levá-lo direto para o Senhor Oficial da Sombra? – Hinata se virou rapidamente.

A Senhora do Infinito parara novamente e, desta vez, sequer voltou a sair do lugar. Metaforicamente, o chão quase desapareceu sob seus pés, só reaparecendo quando a moça constatou que Hinata tinha, sim, razão. A roupa de Shikamaru fez barulho na sua mão e Ino temeu olhá-lo, mesmo ele estando desmaiado ainda. Apenas resolveu fitar a colega por cima da cabeça dele.

- Como é?

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Mais algo incomum para entrar na lista destes últimos dias. Porque o Senhor Oficial do Infinito chamaria todos os súditos dele e os de Ino para revistá-los e, em seguida, voltar para o quarto, ou seja lá, para onde fosse sem dizer uma só palavra?

Todos se dispersaram, cochichando uns com os outros, e apenas Sai permaneceu no lugar, fitando o corredor à frente como se, só olhando, pudesse sugar dele toda e qualquer resposta. Mesmo sabendo que não adiantaria coisa alguma. E, por isso mesmo, o súdito se afastou, cheio de desdém.

- Espera! – Ouviu a voz do chefe – Você mesmo.

Droga... Voltar a mirar o corredor outra vez. Sai retomou a posição e esperou Inoichi ficar bem claro, longe da penumbra atrás dele.

- Se eu te fizer uma proposta – Inoichi falou, sério – você aceitará, certo?

E há outra saída? Tomara que seja algo muito bom.

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- Eu perguntei se você vai levá-lo de volta... finalmente. – Hinata repetiu – Ele não pode fazer nada, não pode pensar em nada. E é o mais lógico.

É, mas não era isso que iria fazer. Ela correria para fora com Shikamaru nos braços, atrás de socorro. Agiria feito uma grande estúpida e seria tarde demais quando reparasse nisso. Tão assustador que um frio até correu de cima a baixo por sua espinha. "Caramba, eu gosto mesmo de você, Shika...".

- Não. Mas obrigado pela dica. – Ino pôs o colega no chão e, olhando para os lados, procurou pelas roupas dele e dela – Eu quero fazer de um jeito que ele não queira nos assustar de novo. Se eu levá-lo agora, vai fugir outra vez.

- Isto ainda é uma oportunidade perfeita. Obrigado. – Hinata fez uma reverência.

- Hn... Pelo o quê?

Tão logo o corpo da Senhora do Desespero voltou a ficar reto, algo cresceu numa velocidade espantosa em torno da outra e escureceu tudo. Só voltou alguma luz quando um círculo se abriu bem diante dos olhos de Ino. E Hinata estava a menos de meio metro de distância agora.

- Por passá-la para mim. Eu mesma vou levar o Shikamaru de volta. – E sumiu da frente.

"-Ela só quer voltar pra casa, problemática. Vai usar seu plano para conseguir um mínimo de simpatia do Topo do Monte e ver se é o bastante."

Ssssssg!

Quando Ino se deu conta, já havia conseguido levar uma língua de sombra até o lado de fora antes que o buraco se fechasse. Isso é que era surpreender-se consigo mesma. Tinha adquirido esses poderes há tão pouco tempo!

Lá fora, Hinata começava a erguer Shikamaru (e se lamentava por dentro por não ter tanta força quanto a colega) quando desta vez foi para ela que tudo escureceu. O próximo passo de Ino foi iluminar todo o interior de onde estava, e viu as nervuras nos cogumelos antes de eles se desfazerem quase completamente. O colega estava logo ao lado, com metade do corpo engolfado pela massa preta onde Hinata devia estar.

Ino correu até onde as roupas normais dela e do colega estavam, sendo seguida de perto por uma trilha de cogumelos, o que a impossibilitou de parar. A bolha de sombra começou a expulsar algo, mas na verdade se abriu como que em um tapete, libertando Hinata. A Yamanaka não perdeu tempo e quase a atropelou. Quase, porque tudo ao redor desapareceu: Luz demais também cega.

- P-pare com isso!... Ino!

Feito isso, o próximo passo era encontrar Shikamaru e se mandar dalí, mas Hinata gritava tanto que isso quase empacou Ino. Embora fosse claro que uma reação daquelas era óbvia, pois a Senhora do Desespero é feita do mesmo material que seus queridos asseclas, a voz soava tão dolorida e tão verdadeira como se estivesse atacando uma criança...

- Socorro!

Ino quase tropeçou em algo. Abaixou-se e começou a arrastar Shikamaru.

- Por que vocês... estão me abandonando?! Não me deixem aqui! Eu fiz o que pude! – Algo agarrou o braço de Ino.

"O quê?!"

A porta foi aberta, e a luz cessou. A Senhora do Infinito não avançou mais, por ora. Estava chocada demais para tanto.

Hinata estava no chão como se tivesse sido cortada em vários pedaços, embora fosse evidente que estava inteira embora o cabelo e o chão escondessem o rosto. Incrivelmente, a tez dela estava com um ar saudável que há muito tempo a colega não via, mas que começou a se dissipar tão logo se viu longe daquela luz destruidora. Isso até que fazia algum sentido. Ao contrário do fato de ela estar longe demais para aquele braço tê-la alcançado.

Seja lá o que houve, Ino sentiu vontade de também levá-la consigo.

A qualquer momento, ela iria parar aquele choramingo doído e se levantar. Ino acomodou o colega no colo, correu e ficou puta da vida por aquilo ser tudo o que podia fazer. A porta ficou sozinha deixando o sol entrar também por ela

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Naruto não se lembrava mesmo de ter aquela roupa. Muito menos de ter alguma roupa de frio. Puxou-a bruscamente e daí notou que ela fazia barulho, e que tinha um rosto.

- Ah, sai pra lá, 'ttebayo! – Quase jogou Akaru sobre uma pilha de roupas e continuou remexendo a gaveta. Já que era grande o risco de ser atingido por um pé de meia, o gato preferiu se acomodar bem onde Naruto e o colchão formavam um ângulo perfeito.

A cama estava toda forrada de roupa. E, quanto mais perto chegava dos fundões das gavetas, mais Naruto remexia e apalpava as peças que iam surgindo. Uma delas, a que ele agora acabava de resgatar, o rapaz até a prensou contra o corpo com se tivesse visto-a em uma loja pela primeira vez. Uma menina havia dito que ele ficava muito sexy com aquela blusa, e ele passou um tempo imaginando que se Sakura tivesse ouvido isso...

Naruto se levantou, lançou longe a parte de cima do pijama (Cujo rasgo em uma das mangas, mais a conversa que tivera com Ino, foi o estopim para decidir revirar o armário) e vestiu a roupa. Gostou do viu de imediato, gostou ainda mais quando se olhou no espelho. Fez pose de garanhão, imaginando a Sakura no lugar de seu reflexo. E essa calça de quadradinhos azuis é perfeita para quebrar qualquer clima...

No auge do acesso de vaidade, o rapaz foi até o mar de cor que estava a cama e passou os olhos pelas calças jogadas alí. Uma mais bonita do que o outra. Ele devia ter algum bom gosto inato. Escolheu a bermuda preta com listras brancas nas laterais. Puxou-a mais para perto, começou a descer o que restava do pijama e...

- Naruto, estou te chamando há hor... Oh!

Miau.

Faz tempo que os olhos de Sakura nunca pareceram tão grandes, e verdes. Assim, indo para baixo e depois para cima. E nunca por causa dele. Foi o suficiente para um tsunami de empolgação revirar Naruto por dentro.

- Oi, Sakura-chan! – Ele gritou, praticamente. Nem percebeu que estava subindo a calça do pijama de novo – E aí, como é que estou?

- Bem... ótimo! – Sakura levou uma das mãos quase à boca e desviou o olhar por uns instantes em seguida. Ele realmente ficou bonito. – Naruto, não sei se você se lembra, mas nós combinamos ontem que...

- Eu sei, eu sei... Mas ainda está cedo!

- Não está não. – Ela apontou para o relógio da parede. O amigo desanimou-se um tantinho e Sakura olhou mais adiante – Que bagunça...

...que só parecia com um pano de fundo. Voltou irremediavelmente a olhar para o rapaz. Descobriu que se lembrava de que ele usara aquela blusa no dia em que trouxe um lanche de fora para ela – que estava cochilando, acordou por causa dele e dormiu de novo em plena poltrona.

- Venha logo! – Deu um tapinha na parede e saiu, autoritária.

Prestes a descer a escada, então Sakura escutou um não-somente-alto "IEEE! ELA OLHOU PRA MIM, 'TTEBAYO!".

Sinceramente, nem o próprio levava a sério isso de eles serem namorados, senão ele não estaria comemorando detalhes. A moça passou nervosa a mão pelo cabelo e, com a imagem de Naruto agarrada à sua cabeça como um carrapato, ela desceu e foi esperar o amigo.

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A portinhola estava tão decaída que bastou um chute da nada para fazê-la se bater na parede e quase se descolar no processo. Aquele era um pedacinho de casa que Ino não sabia o que era ou para quê servia. Só estava ciente de que estava abandonado - Que sorte. Acabou pondo o colega no chão com menos cuidado do que deveria: Já era um saco carregar o peso dele quando tinha também que carregar o seu próprio. Grande ônus de acumular funções...

Ofegando, olhou umas duas ou três vezes rapidamente para Shikamaru e saltou para outro canto alí dentro. As roupas estavam amarrotadas em suas mãos. Colocou-as sobre o amigo, começou tirar a vestimenta oficial e a se lembrar de que deixou o embrulho dela lá na caixa d'água, que droga. Tentou ir o mais veloz que pudesse. Ino pôs o quimono, todo enrolado, num cantinho que julgou mais limpo e foi até o colega, já desarrumando as faixas na cintura e abrindo o que restasse.

Mas então vieram os tais dos escrúpulos.

Não que Ino não soubesse como é o corpo de um homem, mas nunca se viu numa situação em que precisasse ajudar um a se trocar. E Shikamaru não fazia idéia do que ocorria à sua volta. Seria uma... violação?

Ino achou isso tão estúpido que riu alto, as mãos ainda paralisadas na roupa. E achou rir também muito inadequado, e pensou que era preocupante o colega não ter acordado ainda, e reuniu coragem para tirar a vestimenta dele o mais rápido possível, de preferência com a visão se borrando com a velocidade. Deu vários tapas mentais em si mesma por estar tão nervosa.

- De quantos palmos será que é o dele?...

- Cala a boca! – Gritou – Uh... Sai?

O súdito estava atrás dela, apoiando as mãos nos joelhos.

- Sai! – Ela se levantou e o abraçou. Ele, surpreso, quase caiu.

Sua senhora não era de agir assim. Porém, ele próprio começou a se sentir estranho. Correspondeu, polido, ao abraço mesmo sentindo-se rígido.

- A... – Ele começou – A senhora está tremendo.

Ela também não era de olhar para ele tão de repente, o azul das íris parecendo que iria sugá-lo e centrifugá-lo a qualquer momento. Sai olhou para o lado e fitou Shikamaru no chão. A situação devia estar séria...

- Ajuda? – Ofereceu. Ino arqueou uma sobrancelha.

- Você?

- Eu não sirvo para outra coisa... – Falou em tom de lamento.

Silêncio.

- Está bem. – Como se nunca o fosse pedir isso caso ele não tivesse perguntado – Termine.

Sai fez uma reverência de tal modo que, por segundos, Ino sentiu como se tivesse voltado pra casa. Logo o súdito foi cuidar do trabalho de onde a Yamanaka parou, e a moça se escorou na parede ao lado, logo desviando os olhos para não ter que ver nada à frente. Mas, ao contrário do que esperava, sua mente se fixou em algo muito mais terno: Na estranha situação de ela embaixo e Shikamaru lá em cima, corando. Ou quando ele deu aquela explicação prolixa sobre uma inveja que nunca sentiu, lá no hospital.

Pouco antes de ele agir como uma pessoa meiga e abraçar-lhe pelas costas. Para depois se estranhar consigo mesmo e ficar olhando para um ponto lá na frente, pensativo. Ino não aguentaria por muito tempo a quietude dele. Chamaria-o e olharia nos olhos dele, ou imediatamente seguraria a cabeça dele por trás. Beijariam-se.

Um bolo se formou na garganta da moça.

O outro moço estava quase terminando o serviço e nada do Nara reagir. Seria desagradável se ele acordasse e a primeira coisa que visse fosse um Sai sorrindo e segurando suas calças, mas a preocupação de Ino aumentou assim mesmo. Bolo, bolo que nunca desce. O súdito o tocava como se ele fosse feito de pó, e isso era agoniante.

- Pare... Foi na cabeça, não precisa tudo isso.

Sai nem ligou. Começou a segurar o pé do Nara de um jeito estranho.

- Está bom. Já chega! – Se inclinou mas interrompeu o gesto. Uma de suas bochechas estava molhada.

Passou a mão nela, algo surpresa. Mas Sai a olhou no momento em que ia pensar sobre isso.

- Isto é sério. – Ele falou – Olhe... Meu indicador quase se encontra com meu polegar aqui. – Ergueu um pouco mais o pé de Shikamaru, a outra mão com os dedos citados em volta do tornozelo. Sorriu – Se ele não tiver nenhuma namorada, será perfeitamente compreensível.

- SAI! – "Eu te mato, seu...!". O súdito até saltou pra trás.

- Ino?...

Foi a vez da moça sorrir.

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Gritou o grupo de pessoas na frente da loja. Escaparam, mas o susto foi o suficiente para que restos do cogumelo que apareceu alí repentino ficassem em suas roupas. Logo elas não saberiam porquê ficaram assustadas, e Hinata se recarregaria.

Era algo que ela detestava fazer fora de casa. Lá sempre haveria a proteção acústica, e a Senhora do Desespero poderia fingir que todos estão bem. Algo difícil no começo, mas depois o costume endurece o coração. As vítimas estiveram a duas quadras de distância de onde ela estava. O cogumelo voltou, em diminuto tamanho, para a sua mão.

Fez menção de apertá-lo até estourar, apesar de seu olhar estar mais triste do que determinado. Tão mais triste, as lágrimas escorreram.

Ino não precisava fazê-la passar por aquilo, mas isso não e nem nunca foi a questão. Hinata fracassara novamente.

Quando foi atacada, pode ouvir seu pai torcendo (cobrando) por sua vitória. Quando se viu perdida, sem ver nada ao redor e com algo queimando na pele, quis ir até ele e... Recebeu de volta um abraço. Pela primeira vez, ele a acolhera no colo como sempre fizera com sua irmã mais nova. Mas Hinata logo se viu ainda no chão.

Ela era uma ótima Senhora do Desespero, nascera para aquilo, e Konan fez bem em ceder a vaga que era da Hyuuga por direito, mesmo sabendo que essa ação teria consequências no mínimo desagradáveis. Mas nunca foi tudo isso o que Hinata queria.

Se fosse realmente uma Senhora do Desespero de fato, não deveria ter sentido dores ao "se transformar". Ela era filha de seu pai, simples assim. Uma Senhora de outra coisa. Aquela não era ela, por mais que precisasse recorrer à sua atividade desesperadora para cumprir como objetivo de voltar.

Que irônico pensar nisso...

Hinata, com efeito, amassou serena o cogumelo e o deixou cair, em bagaços, no chão. Esqueceu-se por completo da existência dele e saiu do beco. Bem na hora que ia prestar atenção na rua, trombou com alguém. A sacolinha dele bateu em sua perna.

- Ah, desculpe! – O moço, um sujeito de vitalidade inquestionável, deu um sorriso tão exuberante quando fugaz e seguiu caminho.

Tão exuberante quanto fugaz.

Tem algo errado.

Hinata se assustou com algo gelado no pé e percebeu o cachorrinho do sujeito cheirando-o. O animal logo voltou para a companhia do dono, mais adiante, e imitando o passo meio lento dele. Então, a moça decidiu fazer algo diferente.

Virou-se para o outro lado e, voltando a caminhar, sentiu-se sendo uma boa pessoa. Enquanto isso, outro pequeno cogumelo, atrás, abriu o cabelo dela como se fossem cortininhas. Mas não demorou para se recolher e fechá-las.

- ...

- Au!

- Pois é. – Kiba falou – Acho que estou feliz...

Não soube explicar aquela sensação de alívio repentino, como se qualquer tristeza sua houvesse sido sugada para longe.

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Naruto achou que tinha falado "Entrem", mas não falou. Fechou a porta e seguiu na cola de Ino e Shikamaru – ou dos dois zumbis que tomaram o lugar deles – até eles se sentarem no sofá. Ela praticamente caindo, ele devagar como se fosse quebrar.

- Ah... Oi, Naruto. – A moça falou – Bela roupa. – "Seguiu direitinho o meu conselho, que bom!"

- O que foi que... deu em vocês dois?

- Já chegaram? – Sakura apareceu num instante, vinda de trás da casa. Mas o sorriso foi murchando e o corpo dela se inclinou para o lado – Shikamaru, tudo bem?

Ino suspirou, pondo uma das mãos sobre o joelho esquerdo.

- Ele errou o fim da calçada de tanto olhar pra cima. Caiu pro lado e bateu a cabeça. – Explicou – Não foi? – Virou-se para o colega.

"Não foi."

- Foi.

Ela sorriu. Por algum motivo, só agora percebera que o barulho aleatório que escutava desde há pouco era o rádio da Sakura – Ao ver a cordinha do fone sacolejando. Afundou ainda mais no sofá enquanto fitava a amiga puxar Shikamaru consigo. Pelo menos antes de vê-lo dar um sorriso como se estivesse gostando de ter alguém lhe segurando o braço.

Tentou convencer a si mesma que era só provocação. Ele continuou sorrindo – na dúvida entre continuar assim ou em apenas se centrar em sua cabeça latejante – enquanto Sakura fazia menção de soltar-lhe o cabelo. E aquilo cutucou os brios de Ino.

- Que calçada mais alta essa, Ino. – Naruto comentou.

- Foi sim. – E a moça voltou a olhar pro rumo da cozinha, mas Sakura já estava atrás de gelo e o Nara olhando para outro lado. Com o rabo-de-cavalo intocado.

- Teve uma vez que uma dessas traiçoeiras me aprontou uma, mas eu só ralei a perna, 'ttebayo. – Contou vantagem – Onde é que vocês estavam?

Foi quando Ino viu que não foi boa idéia voltar sem estar carregando alguma coisa.

- Estávamos – Ela disse – passeando.

- Onde?

- Por aí! – Impacientou-se, as perguntas só estavam aumentando a sensação de peso. Tratou de mudar de assunto – E Akaru? E as corujas, como estão?

- Muito bem! – Ele deu um sorriso de ponta a ponta que, no entanto, remetia a outras coisas. Ino se incomodou. Fez um esforço para ficar em pé, avisou que ia subir e se foi. Ela já estava lá em cima quando Naruto se lembrou de que precisava agradecê-la pela ideia de melhorar o visual. Subiu afoito as escadas.

Shikamaru sabia que não apreciaria tanto ver Ino sumir de seu campo de vista, mas gostou menos do que o previsto. Tentou esquecer o vácuo na sala remoendo o quanto estava, e estava mesmo, chateado com ela. Se Ino realmente se sentia tão indignada naquela época, pode-se dizer que eles estavam quites. Conseguiu ludibriá-lo, de alguma forma. Parabéns. Mas repassar o ritual da transferência de poderes e o acidente também puxava a parte em que fez a brincadeira de cobrar algo.

Foi o mesmo que puxar um gatilho agora.

- Quer que eu desligue? – Sakura apontou para o rádio, devia ser Candies* tocando alí. Shikamaru respondeu se levantando e dizendo que ia lá pra cima.

Precisava ir.

Passou por Naruto enquanto subia. Tentou gravar o rosto do amigo naquele exato momento, mas ao invés disso surgiu-lhe uma imagem muito estranha. Logo viu que era o rosto da Ino sobreposto ao dele. Para onde olhasse, era tudo o que via. Assim, por cima das coisas. E percebeu esses pensamentos evoluindo de forma estranha. Por hábito, tentou em vão auto-reparar a memória.

Sabia que não daria certo. Foi só para impedí-lo disso que Ino pediu-lhe seus poderes.. Shikamaru sentia o pedaço de sombra dentro de si, bloqueando. Embora estivesse mesmo com a intenção de ir para o próprio quarto, o rapaz se permitiu desviar. Entreabriu mais um pouco a porta do de Ino.

Costumeiramente, as pessoas costumam visitar os templos mais no final da manhã e no da tarde. E hoje era domingo. Por isso, Ino estava daquele jeito e ele não pôde deixar de pensar em como seria nos dias de homenagens. A moça parecia cochilar, deitada quase em posição fetal.

- Não precisa ficar com pena. – Ela o respondeu e virou para o outro lado – O que está fazendo aí?

- Bem feito. – Isso era tudo.

- Já está bem, não é? Vá embora então...

Pensando bem, isso era um problema.

- Não posso, problemática. Você tirou meu...

- Não pense que vou te devolver agora.

A questão é que, supostamente, algo muito terrível aconteceria a ela se ele parasse de olhá-la. Ou Shikamaru só teria uma pequena crise de abstinência.

Quis dizer a Ino que agora ele não conseguia esquecer quando ela provocava alguma reação nele, mas esse pensamento já nasceu racionalizado e, portanto, fadado a ser descartado. Shikamaru sentou-se na beira da cama. Não era a primeira vez que prestava atenção no corpo de Ino, mas agora o fazia com mais intensidade. Mesmo com a expressão incólume o quanto fosse possível, aquilo estava sendo um tanto quanto assustador.

Por sempre se esquecer quando era "tentado", Shikamaru desenvolveu um amor herdeiro de quando eles eram só amigos. Queria muito bem a ela, desejava que ficasse bem e que fosse feliz, e que estivesse sempre ao seu lado. Apenas. É amor, é grande, mas de um tipo que podia se sentir por uma irmã ou por algum parente próximo ou mesmo um amigo de longa data.

Mas ele também sentia desejos sexuais por ela, essa é a grande diferença. E que estava sendo esfregada sem dó na sua cara. Estava amando-a do jeito que o tornaria namorado dela.

- Sua mão está gelada. – Ino observou. Antes apoiadas na cama, uma delas encostada nas costas da garota, Shikamaru recolheu-as.

- É a compressa, Ino.

- É claro.

Súbito, ela se perguntou do porquê de querer que ele saísse. Soou natural que ele estivesse alí. Quis saber se ele pensava o mesmo, mas a mente do rapaz estava fechada.

É que essa classe de coisas não é assim tão simples. Shikamaru pensava em algumas reações dela em relação a ele até então, inclusive na pequena amostra de – supostamente – ciúme lá embaixo. Era legal pensar que ela sentia o mesmo, não aquela certeza de só para amansar ego, mas a certeza de certeza.

Ino notou a cama afundar e ficar menor atrás de si. Ele se deitara ao lado dela.

- Vai ficar aí?

- Ah, é. Você queria que eu fosse embora.

- Não, não. Pode ficar.

"Será que você está pensando muito mal de mim por causa de hoje?"

Como se ele a tivesse cutucado, Ino rolou e encontrou-o olhando para ela. Nisso, Shikamaru se achou um mentiroso. Tinha uma coisa que ela pensara ser muito grande, mas...

- Está tudo bem. – Respondeu – Só não me apronte mais dessas.

Ino riu.

- Ino, vem cá! – Naruto gritou lá fora – Kiba veio te ver!

"Kiba?!"

- Eu vou lá. – Agora, a cama ficava maior. Ino sentiu-se desconfortável com o vazio.

- Ei! – Repreendeu-o.

- Você precisa descansar. – Ele não ligou – Ou o Kiba vai pensar que você está doente e vai grudar até não sei que horas. – E Shikamaru sabia que não ia gostar muito disso.

- Verdade. – A própria Ino também não. Ainda era cedo demais.

- ...

- Mas nem pense em castigá-lo se ele inventar de blasfemar.

- Ignorância é passível de perdão, problemática...

E Ino descobriu que Shikamaru não já estava na porta, como ela pensava. Porque ele a beijou na testa.

O rapaz se sentiu algo frustrado – não era o suficiente – mas ainda assim um pouco mais feliz. Focado, suspirou antes de cruzar o batente para ir encontrar o Inuzuka. Sozinha, Ino percebeu seu corpo ainda mais pesado como se o colega a tivesse segurado no alto antes. Fechou os olhos e agradeceu aos céus por Shikamaru estar bem, que ainda queria tê-lo por perto ainda durante muito tempo. E dormiu antes que pudesse se atormentar pensando no dia seguinte ao da chegada do Tsubasa. Quando o estrago já estaria feito.

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.Continua

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Respondendo...

B Lilac: Tá bom, tá bom, é que eu sou humilde. Nestas condições, pode-se dizer que houve uma bela duma reviravolta, embora não tenham aparecido aqui todos os seus efeitos. Agora, pode ser que Ino e Hinata se tornem amigas, mas uma colaborar com o plano da outra é mais complicado. Você viu a Senhora de Desespero tentando ficar com os louros da vitória aí em cima.

E o Naruto aceitou os conselhos da Ino, tornando as coisas um pouco mais difíceis para a Sakura. E o Kiba... Vamos ver se ele vai eliminar respeitosamente a concorrência, se bem que não quero briga. Seria muito desigual, acho. Para completar, Sai agora também foi para o plano terreno aprontar as suas e continuar agindo esquisito ou não.

Não sei porque mas, quando você citou Quinquilharias Nakano, eu pensei "Só podia ser."

Haru x3: Demora? Não, quem demorou fui eu... Algumas coisas me distraíram e, após muito tempo, resolvi tomar vergonha. Sim, Ino com poder total, mas enfrentando o ônus disso enquanto Shikamaru está começando a ficar atormentado, mas livre, leve e solto por enquanto. Sim, ela não foi sincera naquela hora, e também não dá para confiar muito na Hinata nestas condições. Esta quer fazer as coisas do jeito dela.

Você pegou no ponto! Tinha que ser os sentimentos... Porém, hoje tanto Naruto quando Shikamaru deram um passo adiante. Ino continua lá na frente, e agora só falta a Sakura. E o Kiba não tem salvação, a não ser que encontre outra pessoa, e o Sai ninguém sabe. E o Akamaru vai encontrar o Akaru, só que não. *não resisti*

Mas, espera, porque você não quer que o Sai deixe de amar a Ino? Ele vai ficar sobrando também, apesar de poder compreender melhor isso do que o Kiba. Quanto à sua pergunta sobre a Rainha, bom, até que pode ser. Mas depois veremos...

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*Candies era um trio japonês formado pelas cantoras Ran (Ran Ito), Sue (Yoshiko Tanaka) e Miki (Mike Fujimura). Fez muito sucesso na década de 70, mas durou por apenas 5 anos por suas integrantes não aguentarem mais a pressão da fama.

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