11.

Dorcas e Marlene se assustaram quando Lily bateu a porta do dormitório e se encostou na mesma, um sorriso incrédulo no rosto pálido.

- Lily, o que houve? Pensei que estivesse com o James.- Dorcas falou largando o livro que lia de qualquer jeito em cima da cama, preocupada.

- Você está branca como gesso!- Marlene foi até a amiga e sentou-a ao lado de Dorcas.

- O treino de quadribol atrasou... é o último antes da partida de sábado que, vocês sabem, vai ser a última do semestre, e como nos formamos em menos de três semanas é a última chance de ganharmos a Taça...- a garota sacudiu a cabeça, bagunçando os cabelos acaju e focando os olhos extremamente verdes nas amigas. - Essa não é a questão. Fui esperar o James no quarto dele, e aproveitei para procurar o livro que ele disse que iria me emprestar.

- Abri o armário e enquanto procurava, esbarrei em um cabide e derrubei-o no chão... quando juntei, uma caixinha caiu das vestes. E dentro… tinha um anel.

As duas loiras ficaram histéricas. Gritaram tão alto que Mary, do quarto ao lado, apareceu à porta sem sapatos, perguntando se estava tudo bem. Atrás da menina, entrou Alice.

- O que aconteceu? Ouvi vocês do retrato...

- Alice! A Lily vai ser pedida em casamento!

- O QUE?- gritou, largando a bolsa cheia de materiais no chão, sem se importar em quebrar um pote de tinta, e se jogou na cama junto com as outras três.

- Shhh.- Lily o indicador acima dos lábios, ainda sem conseguir tirar o sorriso do rosto. - Ele nem pediu ainda!

- Mas vai pedir! E acho que logo, não é?- Dorcas se animou, enquanto Marlene repetia a história rapidamente para Alice. - Oh, Lily, vocês vão ser tão felizes!

-Finja que não sabe!- Alice falou. - Aposto que o James já preparou tudo nos mínimos detalhes...

- Se bem o conheço, já contou aos rapazes. O que significa que a cerimônia inteira já está planejada e provavelmente os nomes dos filhos já estão escolhidos. E ai de você se não concordar em chamar um deles de Sirius.

- Ah, Lil.- Marlene sorriu, se aconchegando nos travesseiros com um olhar sonhador. - E pensar que eu tento juntar vocês há uns bons 3 anos... Finalmente!

As quatro riram, e o pensamento da ruiva se distanciou. Pensou na reação dos pais quando contasse que estava noiva, apenas poucos meses depois de completar 18 anos. Pensou também que, com a crescente tensão no mundo bruxo, os poderes e seguidores de Voldemort aumentando a cada dia, a guerra não tardaria a estourar. Ela e os amigos já haviam tomado a decisão que, ao se formarem, não continuariam os estudos para terem uma carreira. Uniriam-se a Dumbledore, participariam de qualquer batalha, correndo todos os riscos necessários. Não sabia exatamente quais eram as chances de que uma nascida trouxa como ela sobrevivesse por muito tempo à frente de uma luta, mas apostava que eram baixas. Mesmo assim (e talvez, por isso), não havia nada que a fizesse duvidar de que diria sim. Se tinha plena certeza de algo, era que não havia outra pessoa que pudesse pensar em passar o resto da vida que não fosse James.

...

O pedido não tardou a acontecer. Foi feito em uma noite idêntica à que os dois se beijaram pela primeira vez em novembro, na Torre de Astronomia. Depois de uma madrugada tranquila conversando, ao nascer do sol do último sábado antes da formatura, um James impressionantemente nervoso ajoelhou-se, tirando do bolso das vestes a caixinha vermelha de veludo que a namorada encontrara semanas antes.

O pequeno discurso gaguejado que precedeu o pedido deixou Lily em prantos, resultando em um sim praticamente mudo e um beijo molhado.

- Caramba, James Potter. - ela recobrou a voz, abraçando-o. - Eu te amo. Eu te amo demais.

Ele deu um sorriso radiante, limpando cuidadosamente as lágrimas da garota com os dedos. Pegou a mão direita dela entre as suas, e beijou dedo por dedo, se demorando no que o anel estava pousado. Entre cada beijo, sussurrava que a amava. E como amava. Amava a parte dela que era teimosa, que não desistia de uma discussão (por mais idiota que fosse) até que provasse que estava certa; a parte dedicada, que a fazia virar a noite estudando quando era necessário; a gentil, que estava sempre disposta a ajudar todos; a marota, que acompanhava ele e os rapazes nas pegadinhas e piadas; a estressada, que certa vez jogara um exemplar de História da Magia contra a cabeça dele em um acesso de raiva (e derrubara-o lindamente ao chão, rendendo ao rapaz um hematoma e óculos quebrados); a carinhosa, que enchia-o de beijos do nada e oferecia os dedos da mão para que ele brincasse por baixo da mesa nas aulas; a que sempre conseguia enxergar o lado bom das pessoas; a frágil, que esgueirava-se até o dormitório dele no meio da noite e se enroscava com ele na cama por ter tido um pesadelo; e a forte, que apoiou e aconselhou Sirius quando este foi expulso de casa e que chorou junto com James quando os pais dele foram assassinados, consolando-o ao mesmo tempo.

Amava-a mais do que jamais achara possível e, naquele momento, pediu aos céus para que realmente houvesse algum tipo de vida após a morte, pois o resto da vida deles não parecia tempo suficiente.

N/A: oi, gente! muito obrigada aos que ainda estão acompanhando! espero que estejam gostando de ler tanto quanto eu de escrever :)