City of lovers

Aviso: essa fic é um yaoi, ou seja, homem com homem se beijando e fazendo coisinhas do tipo. Se você não gosta, não me encha o saco, volte ou feche a pagina.

Kingdom Hearts não me pertence. Se fosse assim, o jogo seria um yaoi descarado e eu estaria ganhando dinheiro a!

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Capitulo 10: barata, bolo de morango

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O pó de giz que saia da lousa chamava muito a atenção da Naminé, principalmente o jeito que eles flutuavam no ar de forma displicente, irritando seus olhos e nariz. Parou com seus devaneios assim que ouviu o professor Saïx a chamar para responder uma questão qualquer. Respondeu rapidamente, poucos minutos antes do sinal da troca de aula bater. O Homem arrumou suas coisas e saiu da sala, com um aceno de mão.

– Não sei como você consegue responder essas coisas tão facilmente, Naminé. – Kairi suspirou profundamente. – Eu aposto que vou vir com notas ruins... – Falou em tom choroso.

– Vai nada. – Naminé sorriu. – Você é muito inteligente, e eu só sei tanta coisa, porque já tinha aprendido antes. – A loira folheou o caderno procurando os horários das aulas. – Quem se deu mal mesmo foi o Hayner, ele vai ter que estudar com o "senhor salva-vidas".

– Pior que é verdade... – Kairi fechou o caderno e olhou para os lados. – Senhor salva-vidas?

– O Seifer. – Naminé sorriu.

– Porque senhor salva-vidas? – Kairi fechou o caderno, notando um atraso significativo do professor de Literatura.

– Por causa do acampamento. – Naminé viu Fuu se levantar do lugar e sair da sala. Há algumas semanas foram eleger os representantes de turma e haviam escolhido Fuujin. Naminé não entendia o porquê, mas a garota era melhor que muitos naquela sala.

– Não quero saber o porquê do apelido... – Kairi virou-se para trás, observando Sora ajeitar um band-aid no queixo de Riku.

– Que briga no sábado, hein? – Naminé sorriu de canto. – Hoje o John nem veio. – Disse enquanto apontava para a carteira vazia. – Alias, não foi só a briga o único assunto interessante do sábado.

– O que mais foi interessante? – Kairi não se lembrava de mais nada que havia acontecido, até porque ela estava arrumando a bagunça na maioria do tempo.

– Hum, bem... – Naminé olhou para Roxas, dormindo novamente em sua carteira, pensou em falar, mas desistiu. – Nada, não... Perai, que eu vou encher o saco do Hayner, já volto! – Naminé saiu sorridente, aproveitando que nenhum professor havia chegado à sala ainda. – Oi Hayner! – Ela cumprimentou Hayner, o pegando de surpresa.

– Sua maluca, para de me assustar! – Hayner parecia mal-humorado. – Fala o que é!

– Nossa, que agressividade... – Naminé falou um pouco irritada. – Só vim saber se você já falou sobre as aulas de reforço com o Senhor Salva-vidas?

– Não, eu vou falar com ele agora... –Suspirou.

– Esse negocio de força, velocidade... – os lábios de Namine pareciam fazer um "W", assim como o de um gato. – Cuidado, porque você + Seifer + um quarto fechado = a uma noit-

– Não termine essa frase. – Hayner disse alarmado. –Eu terei certeza se que vamos estudar em um lugar aberto e bem movimentado. – Hayner viu Naminé se desapontar um pouco e sair resmungando. O loiro levantou e foi até a carteira de Seifer, estranhamente, como Fuu não estava lá, realmente era uma boa hora pra falar com ele.

Nas duas ultimas carteiras da parede, Riku sentiu o band-aid de sua bochecha ser puxado com tudo. – Auch! – Reclamou, colocando a mão sobre a área machucada. – Machuca.

– É pra machucar! – Sora olhava bravo para seu namorado. – Você não deveria se meter em brigas assim! E ainda se demitiu do nada! – Bufou.

– Sora, qual é? – Riku olhou incrédulo para o outro. – Você também ia bater neles.

– É, mas não me demitiria! – Sora fechou a cara e virou apara o lado. Riku suspirou, levou a mão até as bochechas de seu namorado.

– É por isso que você está tão bravo?

– Não... – Sora desfez a cara emburrada e olhou singelamente para Riku. – É porque você me disse que não era nada... Se você tivesse me dito, eu... Eu...

– Não precisa me dizer. – Riku aproximou os rostos, olhando fixamente para Sora, admirando seus lindos olhos azuis. – O que você quer que eu faça?

– Confie em mim. – O garoto de cabelos castanhos parecia triste. – Daquela vez você disse que eu devia confiar em você, então quando tiver algo pra me dizer... Mesmo que seja uma coisa boba... Diga-me. – Sora umedeceu o lábio inferior rapidamente. – Nós somos namorados, então não deveríamos esconder nada um do outro.

– Sim... – Riku pegou em uma das bochechas de Sora. – eu pensei que você estava bravo por eu ter batido no John.

– Qual é? Eu nunca ficaria bravo por isso! – Sora observou Riku ficar aliviado. – E, aliás, eu ia dar um soco neles cedo ou tarde.

– Se você diz... – Os dois sorriam, encararam um ao outro. Sora sentiu as bochechas queimarem um pouco, começou a admirar os belos olhos de Riku, um misto de verde e azul. Ainda se perguntava como o garoto mais lindo de todos tinha se apaixonado por ele, mas esse maravilhoso momento foi cortado por um grito estridente vindo do outro lado da sala. Alguma garota estava apontando horrorizada para os pés de Hayner.

– O que foi? – Hayner olhou para o lado do seu pé esquerdo e lá estava uma barata, olhando para ele e com as duas patinhas dianteiras em seu sapato, como se fosse um animal de estimação. Hayner olhou a barata, a barata olhou para Hayner e em um milésimo de segundo ele foi parar do lado de Seifer, segurou fortemente o braço esquerdo dele, estava com os olhos arregalados e uma expressão de horror no rosto. – S-Seifer... Mata aquela coisa horrenda.

– Do que você ta falando? – Seifer viu Hayner apontar para a barata que ainda parecia olhar pra o loiro como se fosse um cãozinho. – Da barata? – Hayner confirmou ainda assustado. – Você não ta falando sério, ta?

– É claro que eu to! – Hayner parecia realmente apavorado. – Eu tenho medo de barata desde pequeno. – Seifer achou incrível que Hayner, o "bad boy" estava com medo de uma barata. Seifer até riria da cena, mas o simples fato de pronunciar a palavra "barata" que todas as garotas saíram correndo daquele lado da sala. – Mata ela, por favor! – Hayner estava até lacrimejando.

– Ta, eu mato a barata... – Seifer saiu de seu lugar e tentou pisar na barata, que foi mais rápida e correu na direção de Hayner, que por sua vez saiu correndo pro outro lado da sala. – Ora sua... – Seifer correu atrás da barata, que ia de um lado para o outro da sala, assim como todas as meninas e Hayner.

Outros garotos se juntaram na tentativa de matar a barata, porem só tentavam pisar nela quando o serzinho passava por eles. Nesse ponto, não havia quase nenhuma mesa ou cadeira no lugar, Seifer por um momento perdeu o contanto visual com a barata.

– Cadê aquela maldita? –Seifer bufou e viu Naminé apontar para porta e lá estava ela, parada. O garoto de touca se aproximou devagar e sorrateiramente, todos estavam em silêncio. Como se fosse um fantasma Fuu aparece na porta, acompanhada da professora.

– Mas que dia-? – Antes que a professora terminasse a frase, Seifer apontou para perto do pé de Fuu. A garota simplesmente olhou por alguns instantes e depois pisou no animalzinho, fazendo um som enojante.

– Pronto. – Disse Fuu, como sempre, sem emoção, – Agora coloquem as cadeiras nos lugares. – Enquanto a professora de literatura entrava e apagava a lousa.

– Essa foi a melhor do ano. – Naminé sentava na cadeira com um sorriso de satisfação no rosto, um pouco assustada, é claro, mas alegre.

– Você já sabia que o Hayner tinha medo de barata. – Kairi se sentou. – Ele te disse.

– Isso eu já sabia, mas bom mesmo foi ver o Hayner se agarrando ao Seifer daquela forma! – Naminé abriu a mochila procurando o livro que estavam lendo. Kairi riu, pois de certa forma era engraçado ver o garoto marrento da turma todo assustado. – Shh, ele ta vindo! – Naminé e Kairi pararam assim que Hayner se sentou.

– Não faça isso, Axel! – Roxas acordou alarmado. Notou que estava na sala de aula e que a maioria doa alunos olhava pra ele. – O que eu perdi?

– O melhor, Roxas. – Naminé disse. – Seu sono é muito pesado. – Viu o amigo esfregar os olhos e abrir a mochila. "– Eu amo essa escola... –" Pensou enquanto observava as partículas de pó de giz voar pelo ar novamente.

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Ao termino da aula, Sora despediu-se dos amigos e foi andando para a sala onde tinha as aulas extracurriculares. Apenas quando subia as escadas para o terceiro andar, notou que Riku ainda o acompanhava.

– Riku, o que você esta fazendo? – Sora perguntou parando um pouco.

– Eu to indo pra aula extracurricular. – Riku parou mais a frente e se virou, tinha um sorriso calmo no rosto.

– Que aula extracurricular? – Sora não tinha uma boa expressão, um misto de desconfiança e raiva, pouca, mas ainda era raiva.

– Dança. – Riku sorriu abertamente. – Como estou sem nada pra fazer, e a turma começou a pouco tempo, por que não? – Continuou a andar junto de Sora, que parecia confuso. – Eu não tinha te dito?

– Não. – Sora levantou uma sobrancelha, inquieto e esperando a explicação de seu namorado.

– Estranho, eu disse isso até pro Roxas... – Riku parou por um momento, ele colocava a mãos sobre o queixo, aparentemente tentando lembrar-se dos fatos ocorridos ao longo dia até o momento. – Desculpe não te dizer, mas é que eu achei que tinha te dito de manhã. – Riku viu Sora fechar os olhos e suspirar, foi compreensivo e simplesmente sorriu.

– Desde que você me conte, não há problema. – Agarrou o braço de Riku e os dois voltaram a andar, subindo as escadas, na direção das ultimas salas. Sora não quis demonstrar, mas realmente tinha ficado bravo, principalmente pelo comentário sobre para quem ele tinha contado. Preferiu não comentar isso.

– Está bravo? – Riku perguntou subitamente.

– E se eu estiver? – Sora olhou para ele e fez um bico. Riku sorriu e o beijou rapidamente, em seguida pararam no segundo lance de escadas.

– Bem, se você realmente estiver bravo, eu posso fazer algo que pra te recompensar? – Riku pareceu guiar Sora até que ele se encosta-se a parede mais próxima, encurralando-o.

– Eu não sei. – Disse Sora com fazendo-se de desentendido. – O que você tem pra mim? – Sora mexeu nas mechas de cabelo que caiam sobre o rosto e ombros de Riku.

– Bem, se você quiser, eu posso... – Riku beijou Sora por longos minutos, depois desceu pelo seu pescoço, fazendo o garoto dar risadas, pois a respiração do maior fazia-lhe cócegas.

– Riku, nós estamos na escola. – Sora fez com que Riku parasse. Porem o rapaz o olhou de forma séria, como se o repreendesse por pedir e depois pará-lo. – Não olhe assim pra mim. – Sora o abraçou. – Você sabe que já entramos em muita encrenca por que nos viram juntos. – Sora suspirou pesadamente. As regras da escola eram claras, não haveria namoro entre alunos nos horários de aulas, normais ou extracurriculares. Riku retribuiu o abraço e logo depois os dois ouviram um suspiro longo e de ar sonhador, vindo de nenhum dos dois. Ambos olharam para trás, vendo a amiga loira, encostada no corrimão da escada, sorrindo abertamente.

– Oh, não liguem para mim, apenas continuem. – A garota abriu ainda mais o sorriso, que logo se desfez ao ouvir passos se pessoas descendo as escadas. Rapidamente Sora e Riku se desfizeram do abraço e voltaram a andar pelas escadas, desta vez apenas de mãos dadas, Naminé os seguia de não muito longe.

Chegando ao andar viram uma turma mais velha, não sabiam dizer se eram do segundo ou terceiro ano, mas não importava, iam apenas passar por eles. Riku pode reconhecer alguns rostos ali, principalmente um desgraçado no qual havia batido certa vez no vestiário, não disse nem fez nada, apenas os olhou com desprezo e procurou seguir até a escada mais próxima.

– Hey, Alex! – Um deles chamou após os três passarem pela turma. – Aquele ali não é a bicha que te bateu no vestiário? – Ao ouvir aquilo, todos pararam. Sora apertou a mão de Riku mais forte, o rapaz fez questão de não ligar, mas notou que Sora parecia incomodado com o comentário.

– Ah, é sim. – Disse um garoto em tom desdenhoso enquanto se dirigia para frente de todos. Tinha cabelos curtos e usava roupas, pelo menos, três números mais largas que o normal. – Qual o nome dele mesmo? Ah, é Riku. – Alex disse ao garoto ao lado, que apenas concordou.

– Não foi ele também que te fez sair do time? – Disse, o garoto de seu lado concordou de uma forma idiota. – E parece que ele não está sozinho. – Sora se virou e olhou para o grupo. Pensou em pedir para Naminé e o parceiro irem para sala para ele poder cuidar das coisas, mas notou que a loira não estava mais ali, ela devia ter fugido. Esperta ela.

– É ele está com a namoradinha. – Alex falou. – Quem diria que eu realmente estava certo. –Ao ouvir aquilo, Riku o encarou.

– Então, foi mesmo você! – Riku cerrou os punhos. Tinha sido ele quem virou a vida dele e de Sora de cabeça para baixo.

– Olha Ed, ela fala. – Zombou o garoto, – Fui eu que o que? Espalhou as listas? – ele sorriu de forma torta e vitoriosa. – Demorou quanto tempo para descobrir, hein? – levantou as sobrancelhas.

– Ora seu... – Riku largou a mão de Sora e foi na intenção de avançar no garoto e fazê-lo sangrar, mas Sora foi mais rápido, deu passadas largas, deixou o namorado para trás e quando ficou frente a frente com Alex, deu um soco tão forte no rapaz que o fez cair.

– Como você pode? – Sora arfava, nunca estivera tão nervoso com alguém. Os outros ali levantaram Alex e ele o encarou, limpando o filete de sangue que escorria pelo canto de sua boca.

– Maldito. – Alex tentou acertar Sora, mas o rapaz foi mais inteligente, apenas colocando-se para trás. Sora não era o mais forte, mas com certeza era mais ágil que muitos ali. Antes que Alex pensasse em mandar outro soco, Riku puxou Sora para trás, segurando-o.

– Riku, não me segura! – Sora se debatia.

– Não. – Riku segurou o namorado pelos ombros. – Não vale a pena que você se machuque. – Riku realmente não queria que Sora se machucasse, principalmente por uma briga que não era dele.

– Riku. – Sora não podia estar mais irritado e confuso. Porque quando era ele quem queria protegê-lo, Riku nunca o deixava fazê-lo.

– As duas moças já terminaram? – Ales disse. Riku o olhou decidido, não deixaria que esse tipo de pessoa o ofendesse ou a qualquer um ao seu redor. –Olha aqui... – Riku não pode terminar a frase, gritos de alerta e passos foram ouvidos no mesmo instante.

– INSPETORA, É POR AQUI! – Era a voz de Naminé ecoando pelos corredores. – TEM UMA BRIGA ALI EMBAIXO! – mais passos foram ouvidos.

– Droga. – Ed disse preocupado. – Vamos embora antes que dê encrenca. – Disse o rapaz para Alex, que mesmo relutante foi.

– Te vejo depois, florzinha. – E começou a descer as escadas. – Não acredito que eles deixaram o John naquele estado. – Foi o que se deu para ouvir antes que Naminé descesse as escadas rapidamente.

– Naminé! – Sora olhou para a amiga fujona. – Onde você estava e cadê a inspetora?

– Eu tava me preparando pra salvar a pele de vocês. – Naminé disse. – Gostaram da minha atuação? – A garota faz uma expressão dramática.

– Afinal, as aulas de teatro não foram jogadas fora. – Disse Riku suspirando aliviado.

–Sim. – Naminé falou mais calma e curvando, fazendo um movimento de agradecimento. – Agora vamos logo, se não a gente vai chegar atrasado!

Em seguida os três subiram os lances de escadas que faltavam até chegarem ao andar destinado, lá apenas se separaram indo cada um para sua respectiva sala. Sora e Naminé eram os únicos que faltava, o professor estava atrasado, o que era realmente estranho, mas os dois correram e pegaram os aventais.

– Que bom que o professor não chegou ainda. – Naminé amarrava o avental cheio de babados e enfeites, que ela mesma customizara. Sora concordou com a colega enquanto terminava de amarrar o próprio avental e ia lavar as mãos. – É uma pena que aqueles idiotas atrapalharam a gente.

– Você tava esperando pra fazer aquela atuação desde quando?

– Desde o: "Como você pode?". – Naminé fez um gesto com as mãos realmente engraçado, Sora riria se não estivesse bravo o bastante pela imitação. – Relaxa, eu to brincando. – Naminé sorriu para o amigo.

– Eu sei, mas... – Sora suspirou enquanto deixava a água fria da torneira cair sobre as mãos com sabonete liquido nas palmas. – Sabe, às vezes eu sinto que o Riku não fala tudo o que tinha que falar. – Sora terminou de enxaguar as mãos e as balançou no ar, fazendo gotas de água respigar para todos os lados. – É como se ele me colocasse em uma bolha de plástico! Quando ele quer me defender é uma coisa, mas quando eu quero defendê-lo...

– Pare com isso! – Naminé segurou as mãos de Sora de modo que ele parasse.

– Eu sei que eu deveria parar com isso, afinal eu e ele estamos namorando há tão pouco tempo que eu nem sei se...

– Não é isso, Sora. – Naminé interrompeu o rapaz. – Eu queria que você parasse de balançar as mãos. – Naminé soltou o garoto e lhe deu duas folhas de papel próprias para secar as mãos. – Estava me molhando.

– Que bom que você se preocupa comigo... –Sora nem teve o trabalho de tentar desabafar com Naminé, afinal, a garota era muito estranha às vezes.

– Eu me preocupo com você... Alias, com todos vocês. – Naminé se dirigiu até a mesa onde sempre faziam suas aulas, bem ao lado de Seifer, ou melhor, o "Senhor Salva vidas" e melhor aluno das aulas de culinária.

– Pode deixar que eu acredito... – Sora seguiu a garota e esperou mais alguns minutos até o professor chegar e dar cumprimentos a todos. – Naminé, esse não é o nosso professor... – Naminé, que estava totalmente distraída até o momento reparou que não era mesmo o professor deles. Era um homem jovem, de cabelos compridos e bagunçados em tons de rosam e trazia consigo uma rosa.

– Olá alunos, sou Marluxia, o seu novo professor. – O homem disse, sorrindo em seguida. Foram ouvidos os suspiros de algumas garotas, outros elogios, nada que não deixasse o professor mais modesto do que aparentava ser, ou não.

– Não fui com a cara dele. – Naminé fez uma careta e voltou à atenção aos ingredientes em cima da mesa. Sora não ligou muito, afinal tinha coisas mais importantes pra se preocupar.

– Meus métodos são diferentes dos do antigo professor, mas garanto que sou tão bom quanto ele. – Abriu mais um sorriso e continuou suas explicações, assim a aula prosseguiu de forma estranha, já que ninguém estava acostumado com o novo professor, e enquanto Naminé tinha sérios problemas em terminar, ou melhor, começar o seu prato, Sora tirava o bolo do forno, não podia dizer que estava incrível, mas era um progresso. O garoto ergueu a forma, segurando-a com luvas térmicas, e colocou-a sobre a mesa.

– Sora, você conseguiu! – Naminé olhava admirada para o bolo do amigo. – Incrível! – A garota jogou a tigela com batedeira dentro e tudo, para o outro lado e ficou olhando para o bolo ainda na forma. – Agora o que você vai fazer nele?

– Eu tava querendo cobrir ele de marshmallow. – Sora apontava para a panela com cauda já retirada do fogo e alguns ovos que estavam por cima da mesa.

– Como você vai fazer marshmallow com isso ai? – Naminé ergueu uma das sobrancelhas loiras.

– Eu tenho que fazer clara em neve e depois jogar a calda nela. – Sora falou sorridente.

– Falando assim, parece algo tão "ogro". – Naminé voltou a olhar para a tigela jogada em algum lugar da mesa. – Pelo menos você conseguiu tirar a batedeira de dentro da sua massa de bolo! – Ela pegou a tigela e singelamente tentava tirar a batedeira de dentro da massa, mas era quase impossível.

– Naminé, eu vou precisar da batedeira. – Sora dizia em um tom de preocupação, tinham poucas batedeiras, o rapaz não pensava que alguém abriria mão do incrível aparelho.

– Não se preocupe, eu vou tirar essa coisa daqui! – Naminé disse calmamente, mas no minuto seguinte pôs-se puxar com toda a força que tinha, mas a batedeira parecia estar completamente grudada lá dentro. – Meu deus do céu, não sai! – A loira não parecia muito feliz com aquela situação, pois a cada puxão a batedeira parecia grudar mais e ela ficava cada vez mais irritada.

Seifer olhou tudo de longe, enquanto tirava alguns biscoitos do forno. – O que ta acontecendo? – Claro que não era apenas ele que olhava com estranhamento para Naminé, a cena era extremamente engraçada e constrangedora.

– Sora, você segura a tigela e eu puxo a batedeira! – Naminé segurou a batedeira, que trazia suspensa a tigela, que Sora pegou, ainda incerto daquilo. – Agora, puxa! – Sora puxou com toda a força que tinha nos seus braços finos e desprovidos de músculos e do outro lado Naminé puxava com tanta força que Sora era puxado para seu lado.

– Vocês tão tentando tirar essa batedeira dessa massa de cimento? – Seifer olhou aquela cena bizarra. – Querem ajuda?

– Eu acho que não. – Sora falou com toda sua determinação, agora era questão de honra.

– Não, valeu. – Naminé puxou com toda a força que tinha, as mãos escorregaram por estarem suadas, então a garota caiu e bunda no chão com as pernas para o alto, mostrando a calcinha para praticamente todos.

– É azul. – Disse Seifer indiferente. Naminé parecia ter pintado as bochechas de tinta vermelha, a vergonha era tanta, mas ela logo se levantou avisando a todos que ela estava perfeitamente bem.

– Não tem jeito, vou ter que bater na mão mesmo. – Sora suspirou e pegou os ovos que estavam sobre a mesa.

– Da pra fazer isso na mão? – Naminé se ajeitava.

– bem, vai ter que dar. – Ele quebrou os ovos e separou a clara da gema de forma desajeitada, colocou as claras na tigela e tentou batê-las para formar a clara em neve. Sora realmente não sabia como fazer aquilo, apesar de estar há semanas tendo as aulas, a primeira vez que tentou o negocio desandou. – Droga. – Sora suspirou, chateado. Olhou para Namine, que já recomeçava toda a receita.

– Você realmente não sabe mexer isso! – Disse Naminé cantarolando.

– Isso foi para mim, ou você estava falando sozinha? – Sora limpou a tigela e começou a separar a claras novamente, Naminé não pareceu se importar com o que Sora disse, ela sabia que era um desastre na cozinha. Depois de algumas tentativas frustradas, Sora sentia seu braço direito dolorido, queria jogar tudo para o alto e deixar o bolo simples mesmo.

– Sora. – Chamou Seifer da outra mesa. – Tente fazer assim. – O rapaz fez um movimento com as mãos, simulando o movimento que o outro deveria fazer. Sora até tentou, mas não conseguia de forma alguma fazer com que as claras ficassem fofas. Sentiu os braços de alguém envolver os seus, pegando em suas mãos. O Rapaz se assustou e olhou para trás, vendo que era Marluxia que o "ajudava".

– É desse jeito. – Abriu um sorriso discretamente malicioso, enquanto mexia os braços de Sora em movimentos rápidos e circulares, se aproximava mais de Sora pousando o queixo nos cabelos do rapaz. Naminé, ao lado, tinha os olhos tão arregalados, que lembravam pratos. Marluxia continuou com movimento por alguns minutos.

– Ta, valeu. – Sora se soltou rápida e bruscamente dos braços de Marluxia. – Eu já sei o que fazer depois. – Viu o professor sorrir e se retirar dali.

– Nunca mais deixe essa criatura se aproximar de você. – Alertou Naminé, balbuciou ainda algo como 'tarado', ou coisa do tipo, Sora não soube dizer ao certo. Ouviram alguns múrmuros das garotas ao lado, muitos deles maldosos, mas não demorou muito para todos voltarem ao que faziam, pois Sora apenas as ignorava.

Sora desistiu de fazer o marshmallow, tentaria algo mais fácil, Naminé começou uma nova briga com sua massa (ou seja lá o que for aquilo) e Seifer ficou ali, com seu prato pronto e esperando a aula terminar.

Cinco minutos antes de o sinal tocar Sora ouve batidas na janela que da para o corredor, ninguém entendia o porquê das janelas de algumas salas darem direto para o corredor, mas não importava, pois do lado de fora estava Riku acenando para ele, como se fosse um bobo. Algumas garotas pareciam animadas, outras acenavam de volta, mas Sora sorriu e acenou de leve, fazendo Riku parar e sorrir de volta.

– Bem, vamos terminado as coisas. – Disse o estranho professor. –Podem ir lavar as mãos, guardar os aventais e bem... Vejo vocês na próxima aula. – Viu os alunos saírem apressados, prestando a devida atenção em apenas um: O adorável garoto de cabelos espetados. –"Se eu fosse mais novo..."– coçou as mechas cor-de-rosa e desordenadas.

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– O pedido da mesa três. – Gritou o cozinheiro enquanto batia no sino, chamando um dos garçons. Kairi foi patinando alegremente, pegou o pedido e foi entregá-lo, os clientes agradeceram, logo em seguida outra mesa pedia a conta. Aparentemente a lanchonete estava finalmente fazendo o sucesso que seu dono esperava.

Kairi deslizou até a mesa, passando por seu irmão. Axel atendia os clientes, mas parecia um tanto distante, a cada quinze minutos ele olhava para a mesa sete, onde Roxas, Ollete e Pence estavam sentados, Hayner estava em outra mesa, esperando Seifer. Ouviu-se uma risada bem alta vinda de Ollete.

– Eu ainda não acredito que aquela gritaria foi o Hayner e as meninas correndo de um lado para o outro da sala com medo de uma barata! – Ollete não conseguia parar de rir. – Eu sabia que o Hayner tinha certo medo, mas chegar ao ponto de sair correndo de um lado para o outro da... – Ollete caia na gargalhada só de pensar na cena. –Ai, minha barriga. Eu não to respirando! – Pence ria mais baixo, não queria chamar tanta atenção quanto a amiga.

– Eu não vi nada, o pessoal que me disse tudo. – Roxas realmente não se lembrava nem dos sons das cadeiras se arrastando, como todos diziam que tinha sido.

– Foi amedrontador e engraçado ao mesmo tempo. – Kairi passou deslizando, novamente com a bandeja nas mãos.

– Eu imagino. – Pence disse ainda rindo.

Hayner via todo o movimento de longe, estava emburrado, pois sabia que seria zoado por, pelo menos, toda sua vida. Olhava para a sacola, onde havia trazido tudo que era necessário para estudar. Bem, nem tudo ali era para estudo, pois Hayner tinha que devolver algo para o "Senhor Salva vidas", como Naminé dizia. Não que ambos poderiam ficar em um mesmo lugar sem se estapear, pelo menos pensava dessa forma. Pois, nada era o mesmo que antes, mesmo que tentasse, não podia esquecer Seifer.

"– Sou um idiota... –" Pensou ele, deitando a cabeça na mesa. Depois de tudo o que acorreu no acampamento, pensava que ficar longe de Seifer poderia ser o melhor, mas o mundo parecia conspirar conta ele. Poucos minutos depois, Seifer entrou, foi recebido por Kairi, a garota teve o recebeu bem. "– É ele... –" Hayner ficou impressionado como aquele seu ultimo pensamento tinha parecido muito uma garotinha no primeiro encontro. Antes que pudesse se recriminar, viu Seifer andando em sua direção, vestia um sobre-tudo diferente, que o deixava com um ar de pessoa mais velha. Hayner piscou algumas vezes, tentando tirar os olhos do rapaz.

– E ai, loira? – Seifer se sentou ao lado de Hayner. – Trouxe o necessário?

– Claro, idiota. – Hayner tirou algumas canetas, um caderno e um livro enorme de sua sacola, os colocou sobre a mesa e olhou para Seifer.

– Ok... Diga-me, o que você não entende? – Seifer puxou o livro e o abriu no sumário.

– Tudo isso. – Hayner apontou o primeiro capitulo, depois virou a pagina e mostrou o ultimo.

– Ok, você é muito burro. – Seifer olhou o sumário por alguns segundos, procurando algo. – Vamos fazer assim: Estudamos a matéria desse bimestre e depois, se você não melhorar a gente vê o que faz. – Seifer voltou a folhear o livro. Hayner concordou, pois era a única coisa que poderia fazer naquele momento. Voltou sua atenção para a mesa a frente, onde seus amigos riam ou conversavam coisas alheias. Não demorou quinze minutos até que Sora e Riku chegassem. – Hayner? Loira? – Seifer chamou-o. – Está me ouvindo?

– Claro. – Hayner olhou para o caderno a sua frente, nem um pouco afim de estudar física. Pegou um lápis qualquer e começou a batê-la no canto do caderno, provocando um barulho repetitivo e irritante.

– Presta atenção. – Seifer deu um peteleco no meio da testa de Hayner, fazendo-o se irritar. – Se você não aprender, quem leva bronca sou eu. – Seifer voltou a procurar a matéria que haviam estudado essa semana. Haviam apenas duas aulas de física por semana, não era de se admirar que Hayner-tiro-cinco-e-to-me-achando não tirasse notas boas, ou pelo menos notas piores que o normal. Finalmente achou que pagina que queria. – Começamos aqui.

Hayner olhou para aquelas paginas e sentiu sua disposição ser drenada de seu corpo. – fazer o que, não é? – respirou fundo e começou a ouvir o que Seifer lhe explicava, claro que metade do que ele dizia Hayner entendia: bla, bla, bla... Mas nada que atrapalhasse muito. Bateu a borracha do lápis no canto do caderno novamente, "ouvindo" Seifer por mais quinze minutos, no mínimo. E o tempo parecia estar parado, até o momento em que Seifer lhe entregou o primeiro exercício.

– Consegue resolver só com o que eu expliquei? – Seifer mostrou o exercício. Hayner pegou, observou, tentou decifrar, mas não pode. – Eu peguei o mais fácil pra você fazer. – Zombou Seifer.

– É claro que eu consigo. – Hayner olhou para o livro e resolveu que iria fazer o exercício sozinho. Sabia que era alguma coisa que o professor havia passado na semana passada, tinha haver com um numero subtrair o outro para dar um resultado, mas não podia se lembrar como aplicar aquilo. Amaldiçoara-se mais uma vez, se perguntando o porquê de não prestava atenção nas aulas.

– Você não consegue, não é? – Seifer sorriu ao ver a cara confusa de Hayner.

– Claro que consigo! – Hayner olhou mais uma vez para a conta, nada veio a cabeça alem do pensamento de que ele era muito burro.

– Vou explicar de novo. – Seifer aproximou as cadeiras, de forma que pudesse explicar para Hayner na prática. – Pra descobrir o que o problema ta pedindo é só você... – Hayner sentiu um arrepio lhe percorrer o corpo. Essa era a primeira vez que ele e Seifer ficavam tão próximos um do outro desde o acampamento, mesmo que este tivesse sido há algumas semanas, sentir a pele dele o fazia ruborizar imediatamente. – Entendeu? – Hayner estava tão concentrado em seus pensamentos, que mal ouviu, novamente, o que Seifer disse.

– Desculpe, eu não consegui "pegar" ainda. – Hayner disse ainda confuso, não sabia se era por ainda pensar nos acontecimentos passados, ou por ter pedido desculpas para Seifer.

– Ok, primeiro, você tem que descobrir a variação de temperatura. Pra fazer isso, você tem que pegar a temperatura final e a inicial e subtrair elas. – Seifer exemplificou com outro exercício. – Tente. – Seifer entregou o lápis a Hayner, que fez o mesmo que Seifer, apenas trocando os valores. – Bem depois é só você aplicar a formula que o professor ensinou hoje. Você se lembra dela, não é? – Viu Hayner piscar algumas vezes e confirmar, voltando sua atenção para o livro e o caderno a sua frente, parecia surpreso em como pode lembrar-se da conta tão facilmente.

Seifer não pode deixar de se divertir com a reação de Hayner. Obviamente, não era acostumado a conviver com ele, pelo menos não tão de perto. Não era acostumado a o ouvir falar coisas bobas, ou do que gosta. Mas se sentia estranhamente confortável na presença dele. Essa sensação não era recente, muito menos nova pra ele. Muitas vezes havia saído de casa no intuito de encontrar Hayner e pelo menos trocar xingamentos.

Isso é certo? Era uma das perguntas que várias vezes vieram a sua mente. Será que eles não poderiam algum dia ser Ami...

– Isso ta certo? – Hayner interrompeu os pensamentos dele. Seifer olhou a equação mal resolvida, apontou os erros e explicou como resolver. – Como pode ser tão fácil assim pra você e pra mim é tão difícil, Seifer?

– Você é muito burro, é isso. – Seifer disse simplesmente, ignorando o soco de leve que Hayner lhe dera no ombro. – Quero ver você conseguir fazer uma dessas sem ajuda. – Disse confiante.

– Ora... – Hayner franziu o as sobrancelhas e pôs-se a fazer o problema seguinte, resmungando algo sobre superar Seifer.

– É assim que eu gosto, loirinha. –Seifer cochichou e começou a observar o "colega" tentar resolver a conta. Vez ou outra ele apontava para alguma parte e sussurrava os erros cometidos, o que deixava Hayner realmente puto. Depois de algum tempo nessa mesma situação, Hayner mostrou o caderno para Seifer, que observou a folha gasta pelo uso da borracha.

– Ta certo? – Hayner ficou apreensivo.

– Você errou no sinal. – Seifer apontou a ultima parte. – Mas até que pra uma segunda tentativa e com tão pouca ajuda, você foi bem. – Falou sarcástico para Hayner, que mal se importava com as provocações de Seifer, pelo menos fingia que não.

– Meninos... – Kairi chegava patinando, como sempre, a mesa. – Vão querer alguma coisa? – Os dois pediram coca-cola, mas nada pra comer, Kairi foi e logo voltou com duas latinhas e copos. – Se quiserem pedir algo mais, me chamem. – A ruiva disse cansada e se foi. Um desconfortável silencio pairou sobre o ar.

– Não sabia que a Kairi e o Sora trabalhava aqui. – disse Seifer, abrindo a latinha e tomando o refrigerante direto dela.

– Na verdade, o Riku também trabalhava, mas aconteceram uns negócios ai e ele se demitiu... – Hayner tomava sua coca no copo, mal havia notado o quanto ele e Seifer estavam próximos naquele momento, em todos os sentidos. – Porque o interesse? – Hayner o olhou, desconfiado.

– Nada, eu só não sabia. – Seifer se recostou na cadeira, respirando fundo.

– Sei... – Hayner voltou a olhar pra o copo a sua frente. O silêncio voltou a predominar e ambos não tinham muito que falar, deixando uma tensão incomum entre eles. – melhor voltarmos a estudar... – Seifer concordou e ambos voltaram a fazer seus números e contas.

Na mesa mais a frente, o assunto eram eles.

– Isso me parece tão estranho. – Roxas se inclinou sobre a mesa, tentando ver melhor, recebendo uma bronca de Kairi em seguida.

– Vocês realmente acham? – Naminé brincava com o canudinho do suco, mas tinha o olhar fixo em Hayner e Seifer.

– É que você os conheceu esse ano. – Ollete bocejou, olhando para fora da janela. – Hayner e Seifer não conseguiam ficar no mesmo lugar por muito tempo, não. – a garota lembrava risonha, de quando havia conhecido Hayner.

– Vê-los se dando bem é estranho... – Pence deu uma mordida no seu sanduiche. – Não exatamente bem, mas "bem"... –Pence fez aspas com os dedos.

– Vocês não achavam que um dia isso ia acontecer? – Riku nunca tinha ligado muito para os desentendimentos de Hayner e Seifer, mas sempre imaginou que um dia aquela criancice, hora ou outra, teria que terminar. – Sério, eles talvez tenham cansado de tantos olhos roxos e perda de sangue.

– Nunca pensei nisso. – Pence descansava a cabeça sobre a palma da mão, realmente tentando lembrar o porquê dele nunca ter pensado na possibilidade de Hayner e Seifer serem amigos. Depois de alguns segundos, Pence se lembrou que era porque os dois se odiavam.

– Sem falar que o Hayner nunca cansaria de arranjar briga. – Roxas disse, lembrando que ele ainda se recuperava da ultima briga em que ele e Hayner se envolveram.

– Mas, por mais estranho que pareça, fico feliz por eles se finalmente conseguirem conversar. – Ollete sorria. – Mesmo sabendo que é culpa minha. – A garota parecia até mais feliz ao se lembrar de tal fato.

– Aquela estória da paopu de novo? – Riku olhou para Ollete, que sorria abertamente.

– Se não foi isso, então foi um milagre! – Ollete se levantou da mesa. – Eu vou indo gente. – Mesmo com protestos, a garota foi embora, deixando os rapazes com sua discussão sobre a estranha nova amizade de Hayner. O dia não demorou a passar, e lentamente, a lanchonete se tornou mais vazia. Logo Pence e Naminé também foram embora.

– Logo vai anoitecer... – Riku olhou pela janela, o pôr-do-sol estava especialmente feio naquele dia.

– É. – Roxas disse, num suspiro. – Gostaria de poder ficar mais... – Olhou para Axel, descansando no balcão.

– Por quê? – Riku disse, olhando para o horário no celular. – Ah, o Cloud ainda deixa você ficar na rua só até as sete? – Viu Roxas confirmar, e sorriu. – Nem se preocupa, não tem nada de mais, principalmente porque todo o resto vai embora bem antes.

– É... – Roxas disse, ainda triste. Riku não sabia que ele queria ficar ali pra sair de lá com Axel. Ninguém sabia, e mesmo que soubessem, talvez eles não entendam. – Acho que eu vou indo também. – Roxas se levantou e se despediu dos amigos com um aceno. Antes de chegar à porta, Axel, que ia buscar um pedido, se despediu e, sussurrou rapidamente:

Eu te ligo mais tarde.

Roxas sentiu as bochechas queimarem, e um leve sorriso se formou em seus lábios. Saiu da lanchonete e começou a fazer o mesmo caminho que sempre fazia todos os dias, vendo as luzes dos postes lentamente acenderem.

Através da janela, Axel via seu loirinho caminhar de forma alegre.

– Você disse algo pra ele? – Kairi veio deslizando até seu irmão.

– "Tchau" foi o que eu disse. – Axel foi até o balcão, onde Sora esperava que algo acontecesse. – Algo de novo, Sora? – Axel viu que o garoto bocejava, parecia cansado demais pra um adolescente.

– Até agora, o mesmo. – Sora sorriu, fazia certo tempo que não conversava de verdade com Axel.– As garotas ainda me culpam por ter "roubado o príncipe encantado" delas. – Sora disse, achando a situação engraçada.

– Se você olha pelo lado delas... É verdade. – Axel disse, rindo um pouco. – Quem diria que vocês iam ficar realmente juntos. – A conversa foi interrompida por Kairi, que chagava, já olhando pra o relógio de pulso.

– Ah, que bom, o turno acaba em dez minutos! – Kairi já tirava seu crachá. – Pelo menos os nossos. – Kairi falava pra Sora, já que Axel ficava até que a lanchonete fechasse. – Avisa o Hayner que a gente já vai, Sora? – Kairi sorriu simpaticamente.

– Porque eu? – Sora falou manhoso.

– Porque eu já fui lá duas vezes, e agora é a sua. – Kairi disse, indo para trás do balcão. Sora foi, mesmo sem realmente querer.

Na mesa, Hayner e Seifer estavam na mesma situação, mas não pareciam se desentender mais. – Viu, eu sabia que podia fazer. – Hayner sorriu.

– Eu disse que é só entender a questão. – Seifer sorria de canto.

– Er... Hayner. – Sora chamou quando estava quase ao lado da mesa. – O turno meu e da Kairi está quase acabando, então a gente vai embora daqui a alguns minutos. – Sora sorriu simpaticamente.

– Tudo bem. – Hayner olhou para Seifer. – Acho que por hoje é só.

– É. – Seifer começou a fechar os livros e cadernos e ajudou Hayner a colocá-los na sacola. Ambos se levantaram e foram andando.

– Kairi, Sora e Riku até amanhã! – Hayner se despediu dos seus amigos, como fazia sempre, e saiu da lanchonete. Mas antes que pudesse notar o céu escurecendo e as luzes acesas dos longos postes, viu Seifer andando de forma trivial, pelo mesmo caminho que ele fazia. Ele apressou os passos, quase correndo até Seifer, porem, mantendo certa distância.

– Vai me seguir mesmo? – Seifer não olhou para traz.

– Não estou te seguindo. – Hayner esclareceu, ainda mantendo a distância de alguns passos. – Esse é o mesmo caminho que eu faço.

Seifer não respondeu nada, mas Hayner soube que ele havia entendido. Ambos seguiram o caminho, apenas os sons da cidade transformavam o terrível silêncio entre eles em algo suportável.

Certamente, haviam varias coisas "dançando" em suas mentes, coisas confusas demais pra se falar naquele momento. Coisas que, talvez só pudessem descobrir o significado com ajuda de outras pessoas. Coisas que faziam seus corações acelerarem por instantes.

Em poucos minutos, Eles se separaram. Não se despediram, apenas olharam um para o outro durante alguns segundos, para cada um seguir seu caminho, passando pelas ruas, casas e pequenos insetos sugadores de sangue. Hayner logo chegou a sua casa. Não era uma casa muito grande, ou luxuosa, mas tinha o seu charme. O rapaz abriu a porta, observando, por um momento, a movimentação da casa.

– Oi filho. – Hayner foi recepcionado pelo pai, que saia de seus manuscritos e textos jogados na mesa de centro da sala. O garoto sorriu em resposta. – Como foram os estudos? – perguntou Bastin.

– Foi tudo bem. – Hayner se limitou a responder apenas isso. – Como anda o livro? – Se aproximou do pai, que já se sentava a mesa, em frente ao notebook. Hayner não contava para muitas pessoas, mas seu pai era escritor. Um escritor de apenas um livro de sucesso maior, uma história infantil.

– Bem, estou preso em um dilema... – Bastin disse frustrado. O homem havia decidido que deixaria de fazer contos e pequenas histórias, e faria uma série, mas parecia estar com problemas. – Se lembra da mocinha principal? – Hayner ouvia atentamente ao pai e seu quase monologo, pedindo opiniões para si mesmo, e por fim, chegando a uma conclusão sozinho. – Obrigado filho. – Bastin agradeceu, sorrindo.

–De nada pai. – Hayner disse risonho. – Fico feliz em saber dos fatos do livro antes mesmo de sair. – Hayner gostou de ver seu pai sorrindo, desde pequeno, gostava de ouvir os devaneios do pai, os contos inventados na hora e os finais mais diferentes para cada um deles. Não havia porque ser marrento e brigão em casa, Hayner deixava de ser um "bad boy", como se auto intitulava, para ser apenas Hayner.

– O que eu posso fazer? Você é minha salvação quando entro em crise. – Bastin se levantou, e foi andando até a cozinha, resmungando algo sobre ter esquecido a hora e o jantar. – Sobe e toma um banho, o jantar fica pronto em meia hora. – O homem disse. Ele cuidava da casa, sua mulher construiu uma carreira como empresária. Não era algo incomum Hayner e seu pai jantarem sem ela, muito menos achavam que ela era desnaturada ou ausente, mas apenas ocupada.

– A mãe não vem hoje de novo? –Hayner ouviu a resposta afirmativa de seu pai, Hayner apenas fez uma careta e subiu as escadas rapidamente.

Ao chegar ao quarto, Hayner jogou a sacola sobre a cama, deixando o conteúdo cair sobre a cama e no chão. Em um suspiro cansado, Hayner foi até seus livros e cadernos, que estavam caídos sobre uma peça de roupa dobrada e limpa. O garoto Havia se esquecido de devolver o sobretudo para Seifer. Suspirou, guardando a peça de roupa, que Seifer já esquecera por sinal, em uma de suas gavetas. Algum dia aquilo teria uma utilidade, mas Hayner não pensou muito nisso. Naquele momento, ele queria tomar um banho e relaxar depois do dia de estudo, que no fim, não tinha sido tão ruim quanto imaginara.

Continua...

N/A: O CAPITULO DEZ SAIU! *Faz dança da felicidade*

Não tem desculpa para eu ter demorado tanto pra postar, o PC tinha dado pau, mas voltou a funcionar em poucas semanas, o que me "atrasou" tanto, foi que eu não sabia bem como e quando colocar cada cena que eu imaginei... Bem, mas finalmente terminei! Espero que tenham gostado, rido um pouco e tal. Pra finalizar, eu dei uma olhada nos capítulos anteriores e mudei e/ou revisei algumas coisas, por exemplo: Os pais de Sora e Leon não moram em twilight town e sim em traverse town! Erro meu, mas já está resolvido.

Espero reviews com reclamações e tudo mais.

Até a próxima!

P.S: Gente, eu sei que o medo de barata que o Hayner tem é, no mínimo, estranho, mas eu realmente tenho uma explicação plausível pra isso! Bjos, cremosos!