Capítulo X - As coisas que nem magia pode curar
" SENHORAS E SENHORES, BEM VINDOS A MAIS UMA EMOCIONANTE PARTIDA! QUEM LHES FALA SOU EU, CASSANDRA BACKMAN, PARA MAIS UMA EMOCIONANTE PARTIDA ENTRE GRIFINÓRIA E SONSERINA! AS DUAS FORAM DERROTADAS NO ANO ANTERIOR, MAS VIERAM COM REFORÇOS E PROMETEM DETONAR!"
- Ela está falando isso por causa do Thor. - James comentava enquanto aguardava os jogadores dos times entrarem em campo.
- Claro que não. - Diz Julieta sorrindo. - É por todos os jogadores dos dois times. Ela é bem profissional, sabia?
- Sei...
" É A SONSERINA ENTRANDO, MINHA GENTE! ESPERAMOS UM EXCELENTE JOGO DESTA VEZ, SEM A VIOLÊNCIA COSTUMEIRA DO TIME."
- Vai sonhando, Cassie - Thor falava, mesmo sabendo que não seria ouvido - o Quadribol-força é o estilo da Sonserina, é desse modo que jogados da nossa melhor forma. Tirar isso de nós é tirar nossa identidade. - ele olhava para Draco, o olhar do loiro estava fixo no Potter, o qual entrava em campo.
"E VEJAM AGORA O NOVO TIME DA GRIFINÓRIA, PESSOAL! DE VETERANOS, SÓ O APANHADOR E CAPITÃO DO TIME, HARRY POTTER, E A GOLEIRA GINA WEASLEY. QUASE TODO O TIME FOI RENOVADO, MAS PARECE SER TRADIÇÃO HAVEREM DOIS WEASLEYS NELE!"
"E MADAME HOOCH VAI APITAR E... COMEÇA A PARTIDA! GRIFINÓRIA VERSUS SONSERINA, POTTER VERSUS MALFOY, QUEM VENCERÁ ESSA PARTIDA?"
- Ela gosta de dramatizar as coisas, não é? - Carlos olhava de rabo-de-olho para Chaz;
- Não olhe pra mim, isso não é minha culpa.
- Olha pelo lado bom, pode torcer contra o Thor sem fica mal com ela.
- Por que acha que eu estou tão contente?
- Garotos... Hunf! - Padma virava o rosto - será que só pensam nisso, em briga, briga e mais briga?
- É mesmo? - Chaz devolvia - e no que você estaria pensando neste exato momento, senhorita Patil?
- Em garotos, obviamente - e dava um sorriso debochado para ele, de modo que Chaz nota o olhar de Padma se perder em meio à multidão de rapazes da Corvinal por alguns instantes.
Podia jurar que ela tinha fitado uma outra pessoa, ou seria pura impressão?
- Esse pomo será meu, Potter!
- É o que veremos, Malfoy!
Ambos os times sobem, e o jogo tem inicio. Draco se afasta mais um pouco, e Harry fica acima dos jogadores, observando tudo a espera do pomo. Em determinado momento um dos artilheiros da Sonserina tenta passar a goles, mas é bloqueado por Gina, a qual lança para Hermione, que lança para Amanda, que passa para Anne, que devolve para Amanda que marca o gol.
Draco ia de um lado para outro do campo, mas sempre de olho em Harry e ao olhar para a arquibancada da Corvinal, viu Yoh, o qual não tirava os olhos de Gina.
- Hmmm... - Um sorriso malicioso se formou no rosto do jovem Malfoy, o qual voou até o local em que Harry estava. - E então, Potter. - Ele disse o sobrenome do outro como se estivesse cuspindo um veneno. - Com muita dor de cotovelo?
- Ah, não enche, Malfoy!
- Ah, coitadinho do Potter, tá com dodói, é? Não aceita perder, não é mesmo?
" O PLACAR ESTÁ 50 PARA A GRIFINÓRIA , A 40 PARA A SONSERINA."
- O placar está apertado. - Diz Julieta, comendo uma bolacha. - Será que a Sonserina irá perder?
- Pode ser que sim, pode ser que não. Tudo depende dos dois capitães. Mas apenas começou, se bem que pode terminar a qualquer momento. - falava Carlos - mas você está animada, não é mesmo? Ainda com aquela neura de enfrentar o Thor?
- Claro!!!!
- Só nos seus sonhos, Ju. E naqueles mais felizes.
- Ahhhhh!!!!
***
- E ai, Potter? Diz uma coisa, como se sente sabendo que perdeu a garota da sua vida para um desconhecido, hein?
- Você está fazendo isso de propósito, não está? Pois isso não me afeta, Malfoy.
Neville rebate para longe um balaço que ia a direção da Hermione, o qual vai à direção de Draco, mas o mesmo nem se mexe, pois Thor surge no caminho e desvia o balaço.
- Operação bomba. - Thor olha para a cara de Harry. - É melhor ficar muito longe das minhas vistas, Potter, oh desculpe, dos meus balaços.
- Eu seguiria esse conselho se fosse você, Potter. - havia um sorriso debochado estampado na face de Draco.
- Está cheio de si só por que tem um batedor novo, Malfoy.
- "Quem avisa amigo é..."
Harry saiu dali antes que perdesse o espirito esportivo.
Harry fitava o placar. O jogo estava acirrado, com um placar de 70 para Grifinória e 120 para a Sonserina, mas não tinham medo, sabiam que quando chegasse a hora, Harry pegaria o pomo.
No entanto, algo aconteceu: Amanda e Gina deveriam ter se lembrado do conselho que receberam, pois teria sido muito útil.
Pela terceira vez, os balaços de Neville e Rony iam à direção de jogadores da Sonserina, o que não agradava muito a Thor. Ele simplesmente acertou o balaço com tanto força, que o mesmo voava como um raio em direção a Hermione, mas Rony ficou no caminho para defende-lo.
Ele se lembraria daquilo pelo resto da sua vida.
No momento em que bateu no balaço, sentiu uma força tão grande empurrando-o que, quando se deu conta, estava fora da vassoura.
FORA! E em queda livre!
Hermione arregalou os olhos quando o namorado caiu no chão. Gritava como nunca, mas estava consciente. Rony simplesmente não acreditou naquilo, a potência do balaço era maior do que qualquer um que enfrentara, e sentia seu braço doer bastante. Perguntava-se: Se era pela queda ou pelo balaço.
Até que ele se dá conta de seu estado. Seu braço doía muito, mas muito, mesmo... Por que seu ombro estava destroncado.
Aquilo... Aquele sujeito era um monstro!!! Que espécie de coice era aquele?
Simplesmente começou a surgir balaços do nada, era como se os dois balaços houvessem se multiplicado, estava difícil para os jogadores da Grifinória ficarem absolutamente livres. Draco sorriu quando viu aquilo. Os jogadores pararam por alguns segundos diante de tal coisa, de onde aquele sujeito havia surgido?
- É, ele começou cedo - um brilho no olhar de Julieta surgia.
- Bem cedo - dizia Carlos - melhor tomar cuidado, Ju.
- Tudo bem... Eu me preparei para o dia em que jogaria contra ele novamente, não se preocupe.
- Já falei pra parar com essa idéia estúpida, Julieta. - Carlos a encarava duramente, em seguida olhando para James, o qual apenas desviava o olhar - nem pensar!
Pelas regras, ele não podia ser medicado.
Mas nada dizia sobre ele s medicar, de modo que de posse de sua varinha, logo após colocar seu ombro no lugar - as lições de madame Pomfrey tinham sua utilidade - ele o cura, mas ainda sente uma leve fisgada.
- Cuidado com esse cara - Rony dizia para Neville, logo após levantar vôo novamente - a potência que ele tem é enorme.
- Percebi... - Neville olhava assustado. Ainda não conseguia engolir o fato de Rony Ter gritado pra burro com a queda e só Ter emitido um gemido quando colocou seu próprio ombro de volta no lugar.
- É, bem que avisaram a gente sobre ele - dizia Amanda - algum plano?
- Sim, procurem se desviar. Dessa vez eu destronquei o braço, não sei o que poderá acontecer se atingir algumas de vocês. E que história é essa de que vocês foram avisadas?
- Hã... Sabe como é, Roninho... - Gina coçava a cabeça, meio que envergonhada por não Ter levado aquilo a sério - O Chaz e o Yoh contaram pra gente acerca dos jogos anteriores do novo batedor da Sonserina, explicaram os motivos dele Ter sido afastado e...
- Afastado? - Harry arregalava os olhos - Afastado?
- Bem que ele me era familiar - comentava Neville - tem certeza de que está tudo bem contigo, Rony?
- Mais ou menos, dá pra agüentar.
- Por que não nos contaram isso antes? - Harry olhava seriamente para elas - teríamos evitado isso!!!
- Ei, não é nossa culpa, ok? - Devolvia Amanda - Ninguém aqui levou a sério, oras!
- Devia prestar mais atenção nas vezes em que falam algo realmente útil para você, Wood!
Talvez não fosse a verdadeira intenção de Harry, mas naquele momento o raciocínio de Amanda se adiantou a tudo o que viessem a dizer nos momentos seguintes.
- Tem razão, me desculpe. Encontrar jogadores com uma habilidade tão grande por aqui é raro, afinal, não é todo dia que uma Nimbus vence uma Firebolt.
- Ei, ei, ei! - Rony se intrometia - O que é isso, pessoal? Estamos em jogo, lembre-se! Nosso adversário é a Sonserina, não vão se esquecer - e no momento seguinte, os demais voltam as suas posições, atentos ao jogo, enquanto Harry engolia a seco a indireta de Amanda.
Draco sinalizou para Thor e mostrou as balizes da Grifinória, a goleira teria que escolher entre defender a goles ou fugir de um balaço. Thor esperou pelo segundo sinal de Draco e rebateu o balaço em direção as balizes.
Gina arregalou os olhos... Estava vindo a goles e um balaço... Juntinhos um do outro! E agora?
Yoh pegou o binóculo e ficou assustado, se moranguinho fosse fazer o que ele achava que ela iria fazer, as coisas só iriam piorar.
Naquele exato momento, ela se lembrou do movimento que Julieta, a goleira da Corvinal, fizera no ano passado, em que vinha em sua direção um balaço e uma goles, e ela se esquivou e pegou a goles.
Bem, por que não tentar?
Ela eleva a vassoura e gira como um parafuso - quase caindo, realmente aquilo na pratica não era tão fácil quanto parecia, Julieta devia treinar muito - e se prepara para passar por cima do balaço e ao girar o corpo, pegar a goles por trás antes que ela entrasse no gol.
Ela só não contou com um único detalhe: a habilidade de Thor. Não considerou que ele havia assistido aos jogos anteriores e havia previsto aquela manobra de Julieta. Claro que ele não imaginou que Gina iria tentar aplicá-la assim, no chute, mas o resultado foi o mesmo: o sincronismo da goles e do balaço eram perfeitos, ambos seguiam juntos, de modo que quando Gina foi agarrar a goles, agarrou o balaço.
O que aconteceu a seguir foi que ela fora puxada bruscamente de sua vassoura, devido à força do balaço - que força assombrosa, ela pensava - e passou direto pela balize - batendo com a cabeça no mesmo, até que o balaço deu uma volta, derrubando-a no processo. - Harry tentou se mover para pegá-la, mas madame Hooch apitou, avisando-o que ele não podia sair de sua posição, resultando que ela caiu bruscamente. Ouve um curto minuto de silencio até que ela abriu os olhos, sinalizando que estava bem. Ferida, mas bem. O coração de Yoh batia como nunca, era realmente uma pena ele não poder ir até lá e buscá-la...
Pensando bem... Por que não? Claro que iria Ter problemas depois, mas o que REALMENTE o impedia de pegar sua vassoura e ir resgatá-la?
- Nem pense nisso - James dava um tapinha no seu ombro.
- Pensar no que?
- Isso mesmo que você pensou.
- Eu? Eu não pensei em nada, oras.
- Melhor ainda...
Já Julieta observava bem a cena. Era como um pesadelo que retornava. Nunca iria se esquecer da surra que tomou de Thor, os balaços atingindo-a e quebrando seus ossos.
Nunca.
- Ele melhorou bastante - Yoh comentava para Julieta, a qual estava do seu lado - refinou bastante sua técnica.
- Verdade - ela dizia - está bem melhor do que antes. Avisou a Gina para tomar cuidado com ele?
- Avisei. Mas não adiantou muito. E a não ser que o pomo surja logo, o jogo já estará decidido.
"VEJAM TODOS, A GOLEIRA DA GRIFINÓRIA PARECE MUITO DEBILITADA, E TALVEZ NÃO VOLTARÁ A JOGAR, AGORA O PLACAR ESTÁ GRIFINÓRIA 170, SONSERINA 290... PARECE QUE OS DOIS APANHADORES VIRAM O POMO, E COMEÇA A CAÇADA!"
Draco e Harry estavam correndo lado a lado, mais Harry sabia dos riscos por conta do batedor da Sonserina, mas ele nunca iria imaginar o que iria acontecer.
No entanto, o que ele sequer imaginava era que, a não ser que fosse necessário, Thor não iria interferir. Ao contrario do que imaginavam. Ele estava jogando conforme as regras. O balaço em Gina foi apenas para distrai-la, ela teve a opção de deixar passar a goles, mas resolveu arriscar. O balaço em Rony foi uma rebatida dele para defender um colega, com efeitos devastadores.
Obviamente, Harry não havia considerado tal coisa. Para ele, Thor era apenas um sonserino com instintos assassinos, e nada mais.
Se continuasse daquele jeito, iria perder... De novo, pra variar. Era sempre assim, ano após ano, o Potter os vencia. Sempre. Nem mesmo trapaceando eles conseguiam vencer. Parecia uma sina perder assim. Por que o Potter? Por que sempre o Potter? Será que ele era tão ruim assim que não podia vencer?
Ambos perseguiam o pomo, com Harry começando a ganhar terreno, quando aquela musica invade seus tímpanos, enebriando-o.
A musica...
Sim, a musica...
Lembrava-se perfeitamente da música. Havia ficado parado, observando o Kneen tocar. Observando não, deliciando-se com aquilo. Quando pediu uma música especifica, não imaginou que o Kneen realmente soubesse tocá-la. Tanto que ficou perplexo e chamou todo o time da Sonserina para ouvir também.
Qual era a musica? O nome lhe escapava, mas ele tinha conhecimento de que em tempos antigos de guerra, grandes musicas tocavam para inspirar as tropas Malfoy, e a força da melodia os inspirava para lutar com mais garra e determinação.
Ele apenas pediu que Yoh tocasse algo assim, alguma coisa que os estimulasse, que tirasse seu medo. Ele disse que não era possível, que não tinha como fazer isso, e que a música seria apenas uma musica se não pudesse ser corretamente apreciada e compreendida pelos ouvintes.
Mas ele continuou insistindo, e Yoh tocou. Draco não sabia o nome, mas era uma musica tocada com total dedicação por parte de Yoh. Para ele, não importava quem era seu publico, ele se dedicava por completo se alguém desejava ouvir ele tocar seu instrumento.
O time da Sonserina pouco compreendia o que ele fazia ali, mas não ousou questionar o que Draco disse.
Aos poucos, vários alunos se amontoavam, pois apesar de serem antisociais com alunos das demais casas não significava que eram ignóbeis, pelo contrário, sabia muito bem apreciar uma bela música.
Quando Draco se deu conta, a sala comunal da Sonserina estava lotada de alunos que se amontoavam nos mais diversos cantos, tentando ouvir aquilo, atentos. E seu "convidado" tocou maravilhosamente bem por um longo tempo, até que finalizou a melodia, recebendo uma salva de palmas.
Palmas de sonserinos veja só...
Mas num ponto dava o braço a torcer para ele: não era musica em si, mas sim o significado que ela tinha para a pessoa. Se a mesma não soubesse apreciá-la do inicio ao fim, de nada adiantaria.
Indo contra todas as previsões, Draco sobe o máximo que pode e, virando o corpo, desce no mesmo instante, como se fosse um Raio. Harry ergueu o braço ao vê-lo com o punho estendido, literalmente pronto para atingi-lo.
"E ATENCÃO, SENHORAS E SENHORES! VAI SER FALTA! DRACO MALFOY ESTÁ DESCARADAMENTE QUERENDO ACERTAR O CAPITÃO POTTER! CUIDADO, POTTER!"
Harry continuou não acreditando. A Firebolt de Draco literalmente deslizava pelos céus como um caça, e sua face tremendamente ameaçadora preocupava Harry, o qual percebeu, tarde demais, que não conseguiria pegar o pomo antes de desviar. O loiro se aproximando, o braço dele esticado e pronto para atingi-lo com uma violência enorme devido à velocidade dele...
O que se vê é Draco atingindo Harry, afundando seu punho na face do mesmo e derrubando-o da vassoura. Frustrado, ele chama sua montaria, mas caia em uma velocidade impressionante. A mesma se aproxima, e ele se prepara para pegá-la.
Não podia perder... Não agora! E não do Malfoy! Iria ensiná-lo a beleza do Quadribol, a arte de jogar sem trapacear, a maravilha de um jogo limpo!
Infelizmente para Harry, no exato momento em que ele segura na vassoura evitando uma queda fenomenal, seus olhos contemplam uma das piores visões que tiveram nos últimos tempos - o Kneen era uma delas - Draco... O pomo...
Ele desejou tudo. Neville até mesmo arremessou um balaço contra o Malfoy, mas Thor o rebateu. Amanda tentou bloquear seu caminho, mas ele deu uma volta ao redor dela e passou direto. Neville e Rony arremessaram novamente os balaços, mas nada detinha Draco, o qual seguia adiante...
A melodia do violino, ele se lembrava... Tocado pelo Kneen, fez o time da Sonserina prestar atenção, todos estavam gostando daquela pequena "sinfonia", a música era calma, doce, suave, Yoh estava dando a alma naquela música, podia sentir isso, e era a alma que os jogadores deveriam dar no jogo contra a Grifinória, a alma, eles deveriam dar a alma ao jogo, para aquele jogo, assim como "seu convidado" dava a alma naquela música, aquele violino e aquelas pessoas que ali estavam apreciando o belo som produzido por delicadas cordas de crinas de unicórnios alados.
Dar a alma no jogo... Sim, era isso que ele fazia. Ainda jogava para vencer, mas, mais do que tudo sentiu um desejo enorme de limpar seu orgulho, de provar seu valor.
Nunca desistir. Ir até o fim.
O ganhador sempre quer a bola, ele se lembrava das palavras do Kneen.
Ainda não as compreendia por completo, mas começava a entender o motivo de perderam tanto para a Grifinória. Eles viam o Potter como uma divindade, alguém que nunca poderia ser superado, o que gerava um bloqueio neles mesmos. E somado com o intenso nervosismo de perder por antecipação, o resultado era um tanto quanto óbvio.
Não mais. Não se dependesse dele.
"MINHA NOSSA! NÃO VAI DAR TEMPO, O MALFOY VAI SER ATINGIDO PELOS BALAÇOS"!
É o que acontece. Ambos atingem-no violentamente, um pelas costas outro pelo lado, derrubando-o. Um leve sorriso se forma entre alguns alunos da Grifinória, apesar de alguns Gemerem ao imaginar o quando aquilo deve ter doido. Snape fica apreensivo, esbravejando pela "trapaça" da Grifinória, ainda mais quando Draco cai.
Tudo perdido pensava Snape. Pra variar, vitória da Grifinória, como sempre.
- Tsc! - Padma balançava o rosto - sabia que ia dar nisso. Esses jogos entre Sonserina e Grifinória são tão previsíveis! No final o Potter sempre pega o pomo! Chega a ser chato você já conhecer o resultado.
- Tem certeza? - James sorria para ela com seus olhos de falcão, como os de sua mãe - melhor prestar mais atenção, pois pode acabar perdendo algum lance importante do jogo.
Harry sobe novamente na vassoura e voa pelo campo, a procura do pomo. Tinha que encontra-lo, tinha que aproveitar aquele curto momento em que o Malfoy estava... Estava...
Só naquele momento que ele prestou atenção... Os jogadores... Todos parados... O jogo... Paralisado...
E Draco, lá embaixo, apoiando-se na vassoura e escondendo uma dor animal, mas mantendo aquele seu sorrisinho irritante na face.
Ele... O pomo dourado... Em suas mãos.
Ele não acreditava. Draco Malfoy pegou o pomo dourado, fez o que ele sempre fazia, o que deveria Ter feito...
Depois de anos, a Sonserina venceu a Grifinória.
Snape tinha um sorriso de um canto ao outro do rosto, ao passo que muitos ainda reclamavam da primeira falta que Draco fez, não entendendo o motivo de madame Hooch não te paralisado o jogo.
"CALMA GENTE! VAMOS EXPLICAR O QUE ACONTECEU - UMA TELA MÁGICA SURGIA NO AR, MOSTRANDO OS ÚLTIMOS ACONTECIMENTOS DO JOGO - VEJAM, AO CONTRÁRIO DO QUE MUITOS PENSAM, DRACO MALFOY NAO ATINGIU O CAPITÃO DA GRIFINÓRIA! ACOMPANHEM QUADRO-A-QUADRO NESSA MARAVILHA DA MAGIA, CAROS TELESPECTADORES! VEJAM QUE DRACO VAI COMO UM RAIO NA DIREÇÃO DELE, MAS, QUANDO TODOS PENSAM QUE ELE VAI ATINGI-LO, ELE NÃO O ATINGE. O BRAÇO DE DRACO PASSA A CENTÍMETROS DA FACE DE POTTER, MAS NÃO O FERE, OU SEJA, NÃO HOUVE FALTA. NO ENTANTO, O SUSTO DE REALMENTE ACHAR QUE IRIA SER ATINGIDO FEZ COM QUE POTTER PERDESSE O CONTROLE E CAÍSSE, CARO TELESPECTADOR. MAS CHEGA DE ENROLAÇÃO, VAMOS AO PRINCIPAL... VITÓRIA DA SONSERINA! A GARRA DE DRACO MALFOY VENCEU A HABILIDADE DE HARRY POTTER!"
O estádio era pura comemoração. Os Grifinórios ainda não acreditavam que perderam, enquanto Snape quase cantarolava em seu camarote.
- Sabe... Eu podia jurar que ouvi uma bela melodia ontem à noite quando passei perto da torre da Sonserina. Talvez eu devesse ter parado para descobrir quem tocava.
- Qual era o instrumento? - Pomfrey perguntava, enquanto observava Chaz, Pansy e Luna adentrando no campo e prestando curativos aos alunos feridos, junto com Rony, que descia de onde estava e cumpria com seu dever, mesmo com o sabor amargo da derrota ainda em seus lábios.
- Não sei... Mas pelo som, tenho quase certeza de que era um instrumento de cordas...
- Parabéns pela vitória do seu time, Severo. - Fala Minerva apertando a mão do professor de poções.
- Sim. - Severo sorriu e mostrou alguns de seus dentes amarelos. - Seu time também não jogou mal, Minerva. - E não conseguia esconder um sorriso ao ver, no meio do campo, Harry ajoelhado.
- Anda, vamos embora - Rony apontava a mão para Harry.
- Me deixa, Rony.
- Ficar assim não adianta nada, Harry.
- Droga... Eu perdi!! Que droga!!!
- Todo mundo perde, Harry.
- Mas tinha que ser justo para o Malfoy?!?!? O que houve com o "vence sempre quem tem a melhor intenção"????
- Eu não sei - e olhava para o lado - não tenho como te dar essa resposta.
- Isso é deprimente, sabia?
- É, a Angelina devia Ter passado pelo mesmo. E Olívio também.
- Que piada... o "grande" Harry Potter... Eu sou uma verdadeira piada...
- Você não foi o único que perdeu o jogo, Harry - Fazendo um esforço hercúleo, Rony ergue seu braço machucado - somos uma equipe, lembra? Todos sofremos.
- Certo... Grande, você se machuca, Gina se machuca, e eu perco o maldito pomo, certo, grande consolo.
- Olha - Rony olha para trás, vendo que Chaz improvisou uma cama para carregar Gina com a ajuda de Pansy; mais adiante, Luna servia de apoio para Draco, o qual mancava, embora isso não o impedisse de ficar proferindo algo que ele, devido a distância, não conseguia ouvir direito - conversamos no caminho, ok? - e segurava Harry meio que a força, um pouco impaciente para ficar ali parado no meio do campo ouvindo o choro do amigo.
***
"Hey, Hey, Hey
O Malfoy é o nosso Rei"
Rony, Harry e Gina estavam na enfermaria enquanto ouviam a cantarola que ecoava pelos corredores da escola. Contra sua vontade, Rony estava sendo tratado. Estava um tanto quanto irritado, afinal de contas, ao seu ver, recebeu treinamento para fazer a diferença, não para ser mais um paciente.
Havia bastante movimentação na enfermaria naquele dia, ao contrário das outras vezes. Na verdade, havia um número bem grande de alunos - da Sonserina - do lado de fora, os quais vez ou outra madame Pomfrey mandava calarem a boca de tanto conversarem em voz alta.
- Oi, é aqui que estão curando os que se machucaram no jogo? - Amanda chegava na entrada da enfermaria, sinalizando para Chaz, o qual se aproximava - eu estou com o orgulho um pouco ferido, tem cura?
- Até tem, mas geralmente é melhor prevenir do que remediar - Chaz a puxava para dentro da enfermaria - estamos terminando aqui com os feridos, daí eu já te dou mais atenção, ok? - e piscava para ela.
- Ok - Amanda caminhava pela enfermaria, observando os alunos ali. - cadê a... ahhhhh!!! - Chaz apontava uma cama no canto da sala, aonde uma ruiva descansava. - Deixa-me falar com ela e... ué, quando foi que ele chegou aqui?
- Ele já estava aqui quando chegamos. Esperto, não?
- Muito... - e puxava uma cadeira, sentando-se enquanto observava a movimentação no local.
Que coisa... Quem imaginaria que perderiam e, mais incrivelmente, por causa do pomo?
Mas o mais curioso era que não estava com muita vontade de pensar naquilo, aliás, foi ali por que estava à procura de algum consolo, algo para tirar a derrota de sua mente, mas pelo visto teria que esperar um pouco, já que seu lindinho estava ocupado.
Amanda cruza as pernas e, apoiando o cotovelo direito na coxa, usa a mão para apoiar sua face, enquanto observa o que Chaz fazia. O mesmo ia até outro canto da sala, pegando alguns frascos e misturando-os.
Sem entender muito o que acontecia ali, Amanda apenas continuava observando. Não entendia bem o suficiente de Poções para dizer o que era aquilo, mas imaginava que tinha algo a ver com cura.
Olhando para outra direção, ela percebe que madame Pomfrey, junto com Florinda, apenas caminhava pelo recinto e, a julgar pelo olhar da mesma, ela deveria estar ali julgando seus "pupilos".
Quando Pansy termina de fazer um curativo no braço de Rony, o mesmo se ergue e caminha até Harry e começa a analisá-lo, tocando em diversas partes de seu corpo. No outro extremo da sala estava o Malfoy e, a não ser que ela estivesse imaginando coisas, ela falava demais para seu estado físico, enquanto Luna enfaixava sua cabeça.
- Dê isso para ela - Chaz levava um copo com um líquido rosado e o entrega para Yoh - vai fazê-la se sentir melhor.
- Obrigado - Yoh pegava a poção e tentava fazer Gina, a qual estava com um semblante bastante fechado, tomar aquilo - vamos, Moranguinho. Tem que tomar isso para melhorar, andar.
Sabia que a amiga não estava se sentindo bem, mas naquele momento, provavelmente iria apenas atrapalhar, de modo que ela continua observando o que Chaz estava fazendo.
- Segure o braço, Rony - Chaz apertava o ombro de Harry - vai ser difícil você impedir essa torção com uma mão só.
- Só estou fazendo uma massagem. - Rony segura o braço de Harry, enquanto Chaz apertava com certa força os músculos do ombro de Harry, observando o resultado - acho que isso vai inflamar, Chaz.
- Não duvido - Chaz observava parte da capa de Harry estirada na cama – veja! - ele pega a capa e mostra para Rony - olhe o rasgo, a cauda da vassoura passou bem perto, olha.
- É, tem razão - e em seguida Rony olhava para o ombro do amigo - deve Ter causado só um arranhão, mas quando ela forçou o músculo para não cair, deve Ter piorado.
- Se forçar muito o braço pelos próximos dias, o mesmo vai inchar, Potter. - falava Chaz.
De onde estava, ele sentia um leve incômodo pelo Jordan estar cuidando dele, lembrando-se dos últimos acontecimentos, da briga que tiveram. Na verdade, tentava evitar seu olhar a todo custo.
- He, he, he...
- Dá pra parar de rir? - Luna dava um tapa no peito de Draco.
- Ai!!!! Sua louca!!!
- Você mal consegue respirar por causa da dor, pare de rir!!!
- He, he... ai! É inevitável - e olhava com deboche para Harry - e nem quero evitar! Hehehe!!!
- Hihihi...
- Não comece, Chaz - Falava Rony enquanto passava uma pomada no ombro de Harry.
- Hihihi!
- O que é tão engraçado? - Harry, um tanto quanto irritado com a risada dele, se manifestava.
- Nada, Harry - Rony interrompia o amigo antes que a situação piorasse. Afinal, como explicar que até ele estava com vontade de rir do fato de Draco estar gemendo como um condenado e rindo como um maníaco pela sala?
- Não podem dar nada para o Malfoy calar a boca?
- Ainda não aprendemos como se faz essa poção - e dava uma risada bem baixa, não conseguindo se controlar.
Pouco depois, Harry estava sentado na cama, com uma faixa na cabeça. Cheio com a agitação que tomava conta da sala, ele resolve caminhar um pouco pela enfermaria, procurando Gina. Com certeza ela deveria estar bastante mal, precisando de alguém ao seu lado para superar aquilo, e era um bom momento para mostrar que ele podia ser uma boa companhia e...
Ele franze o cenho quando percebe que sua amada estava na cama, sentada com uma faixa na cabeça... Com o Kneen sentado na cadeira ao lado, fazendo-lhe companhia. Mas que coisa, até ali aquele sujeito o perseguia!!!
Na verdade, agora realmente enxergava todo o mal que ele representava. Aquele sujeito, ele... Ele confraternizava com Draco Malfoy, filho de Lúcio Malfoy, um comensal da Morte!
E aquele sujeito namorava Gina... E conseguiu conquistar a simpatia de Hermione... Até mesmo Rony não o olhava como antes...
Como ele foi tão burro a ponto de não ter percebido isso antes? Sempre soube que o Kneen não prestava, mas...
E agora, o que fazer ? Tinha a maior vontade do mundo de gritar com o Kneen ali mesmo, obrigá-lo a se afastar de Gina, tinha que cuidar dela, tinha que protegê-la, mas... como fazer tal coisa ?
No fim, Draco conseguiu, deu um jeito de infiltrar alguém entre seus amigos, as pessoas que mais importavam para ele.
- Aonde vai? - Pergunta Rony.
- Para a torre da Grifinória... Aonde mais eu iria?
- Isso, beba tudo, vamos - Meio que a contra-gosto ela tomava a poção, sentindo suas forças retornarem - ótimo, é assim que se faz. Ei, Rony... Será que não dá pra liberar ela, não? - Yoh o chamava.
- Hmm... Não sei, não. Ela ainda não está totalmente recuperada, Yoh. Não acho boa idéia ela sair da enfermaria, pelo menos até o final da tarde e... - ele olhava para Gina, dando-se conta de que o estado dela era pior do que o diagnosticado. - mas acho que ela já pode caminhar. Certo, vou liberá-la, mas nada de grandes esforços, ok?
- Viu, Gina? Não precisa ficar chateada, você jogou muito bem!
- AI, Yoh... Que surra!
- Não fica assim, haverá outros jogos, bola pra frente!
- ....
- Que tal darmos uma volta? Daí você aproveita e relaxa um pouco, oras.
- Não sei... Não estou com disposição...
- Ah, moranguinho - ele fazia uma cara de criança pidona - por favor, não vá estragar seu final de semana, anda!
- Hmm - ela forçava um sorriso - ta certo, não resisto a esse seu olhar, Yohzinho - ela se levantava com a ajuda dele - você venceu, mas é bom que valha a pena, hein!
Algo bateu em Harry naquele momento. Kneen, ele... Ele iria passear com a "moranguinho" - argh! Que nome horrível que ele usava para se referir a ela! Era por causa das sardas? Que tipo de pessoa chama uma garota de um termo pejorativo desse jeito? - sozinhos... Talvez...
Ele segue também para sua torre. Ao chegar lá, procura sua capa de invisibilidade. Hora de descobrir algumas coisas a respeito do Kneen, e talvez não tivesse outra oportunidade.
Enquanto descia do dormitório, Harry para e pensa no que iria fazer. Nunca foi tão longe, tampouco fez algo desse tipo para conseguir informações - certo, já fizera isso antes, mas a situação era diferente - de modo que ele para e começa a pensar a respeito da situação.
Mas então ele se toca de que, se não fosse ele, ninguém mais poderia fazer isso. Conhecia muito bem o plano de Lúcio Malfoy, o que incluía Draco e seus capangas, o que o lembrava da amizade do Kneen com Crabbe...
Mas... Não seria um erro?
Talvez. Mas era a sua decisão, era o que ele escolheu fazer, e preferia fazer algo. Do que ficar de braços cruzados, esperando as coisas ficarem piores do que já estavam.
***
- Sarah Fygi. - A menina de cabelos encaracolados olha para trás e sorri ao ver Luna vindo em sua direção.
- Oi gatinha, como vai? - Ela da um beijo na testa da prima.
- Vou bem, já terminei com os pacientes. Conta-me uma coisa, como está o time da Grifinória, hein?
- Péssimos, ao menos até onde eu vi. Hermione se enfurnou na biblioteca, Anne invadiu a cozinha e está comendo como uma desesperada. E o Neville só dá atenção para o seu cacto.
- Bem, estão melhores do que os outros na enfermaria. Rony está fazendo um check up no Malfoy para não Ter que pensar na derrota. Á Gina estão numa depressão daquelas e, pra variar, o Potter está mais mal-humorado do que...
- Você a chamou de Gina... - Sarah encarava a prima como se uma Segunda cabeça tivesse surgido nela. - não sabia que se conheciam tão bem assim...
- Lufa-Lufa e Corvinal mantêm uma boa convivência, se esqueceu? Eu sou amiga do Yoh, e a Gina é a namorada dele, oras.
- O Harry estava tão mal-humorado assim, é?
- Eu posso sentir isso - Luna balançava de leve o nariz - se esqueceu? Ele estava com o orgulho ferido. Estava desiludido, na verdade. Revoltado, irritado...
- Tudo isso só por causa do jogo?
- Pode acontecer, não é? Afinal, ele é o capitão, é natural que ele ache que a culpa é toda dele.
- Não o Harry Potter que eu conheço.
- Agora que você falou, pouco antes da Weasley sair da enfermaria, ele se alterou bastante, como se tivesse se enchendo de ciúmes e...
- Luna Fletcher, dá pra parar com isso?
- Não é minha culpa se o corpo emana cheiros diferentes de acordo com o estado emocional da pessoa, priminha.
- Ah, não quero ficar para discutir isso. Ei quer ir lá na torre comigo? Vou pegar meu livro de Herbologia para estudar, por que não me acompanha?
- Você ama livros, isso eu nunca vi na minha vida. Por que não olha para os rapazes a sua volta, para variar? Melhor ainda, por que não olha para outros rapazes?
- E você, dona Luna? Está olhando para os rapazes a sua volta? Ouvi falar que o seu capitão é um gato...
- Merlim que me livre, homens são uns grossos! - Luna fechou o cenho e Sarah riu do jeito da prima.
- Deixa de ser boba, menina! Se não fosse pelo seu pai...
- Eu não estaria aqui, já sei, já sei! Mas meu pai não é grosso, não arrota, não... Olha, vamos parar e pegar seu livro, ok? Mas o que você vai fazer num Domingo de sol com um livro de Herbologia?
- Bem... Eu e uma amiga estamos tentadas a mudar a cor de uma rosa, de rosa para roxa.
- Oi, Yoh - ela cumprimentava o amigo, olhando para Gina - tudo bem com você, Gina.
- Um pouco, mas ele está tentando me animar. - a mesma falava lentamente, como se tentasse poupar suas energias.
- Bem, boa sorte.
- É, boa sorte - Sarah dava uma cotovelada de leve em Luna, e ambas se distanciam.
Até que Luna para. Não podia ser.
Não aquilo, e não ali.
Ela olha para trás, vendo Gina e Yoh se afastando. Eles... Tinha algo ali... Era como se... Seria possível?
Mas ela não estava vendo nada, apesar de...
Luna caminha na ponta dos pés até onde o casal estava, observando o movimento atrás dele. Apurando sua audição ao máximo, ela se concentra naquela área. Passos. Os de Gina, os quais eram bem calmos e reservados - a mesma estava cansada, não podia se esforçar muito - os de Yoh - o qual acompanhava a caminhada dela - e um terceiro passo, o qual estava pouco atrás deles.
Na verdade, enquanto andava, podia jurar que estava vindo há poucos metros dela. Era um passo um pouco mais apressado, apesar de estar óbvio que não queria chamar atenção.
Mas havia algumas outras peculiaridades ali. Agora que sabia onde se concentrar, podia ouvir, e bem, uma Quarta respiração, além da dela, de Gina e de Yoh. Era uma respiração um tanto quanto forçada - na verdade, lembrava a respiração da Weasley, a de alguém que não estava em seu melhor estado - e estava mais alta do que o normal.
Mas afinal, o que era aquilo? Podia ser loucura, mas tudo indicava de que havia alguém seguindo o casal, alguém que ela não via de jeito nenhum. Tentou reconhecer o cheiro, mas a única coisa que sentiu foi um forte odor de pomada, o qual ela podia jurar que já havia sentido antes.
- Ei, Yoh! Eu acho que...
- LUNA!!!! - Sarah gritava, chamando sua atenção.
- Ai...
- O que foi? - ele para de andar e se vira.
- Olha - ela observava sua prima a olhando de cara feia - cuidado com o perigo que o cerca, por que nem sempre estamos tão sozinhos quanto achamos que estamos - e saia correndo até onde Sarah estava.
- O que você disse a ele?
-
Disse para ele ficar esperto, por que eles não estão sozinhos.
- LUNA!
- O que foi?
- O tio disse para você não ficar se exibindo!
- E daí? Todo mundo aqui sabe que eu tenho facilidade para encontrar pessoas.
- Mas eles não sabem como você faz isso! Acham que é uma facilidade com feitiços de rastreio que você tem! Quer ser vista como um bicho de sete cabeças, é
- Não... Mas tem alguém seguindo aqueles dois, eu tenho certeza disso.
- Quem era?
- Agora que você perguntou, eu não sei. Tinha um cheiro me atrapalhando, sabe. Mas devia ser de alguém que esteve na enfermaria recentemente, pois eu podia sentir um cheiro de pomada que a gente usava para relaxamento muscular.
- Talvez o Malfoy?
- Ela ainda está na enfermaria, Madame Pomfrey só vai liberá-lo no final da tarde. Bem, os avisei, não posso fazer mais nada, e talvez eu tenho me enganado, só isso.
- Desde quando você se engana quanto a um cheiro?
- Dessa vez, eu espero estar enganada, Sarah.
- Por que? Não vai dizer?
- Não. Anda, vamos pegar aquele seu livro - ela olha para trás, percebendo que ambos já tinham ido. Mas o que a preocupava era saber o que ele estava fazendo seguindo-os.
- Luna... Você acha... Que algum dia aquela pessoa vai perceber que eu gosto de verdade dele?
- Quando ele sarar da dor de cotovelo...
- LUNA! Ele nunca olhou para a Gina, pois ela nunca passou de uma menininha! Mas depois que ela começou a namorar, eu achei que teria alguma chance...
- Descola, Sarah! O Potter jamais olhará para você, entendeu? Você é santa demais e, bem...
- O que foi?
- Bem... Você sabe, talvez se você arrumar um namorado antes...
- Como assim?
- Pensa bem: Ele só olhava para a Cho, foi só a Gina arrumar um namorado, que o Potter se sentiu "traído". Na verdade, essa sua idéia de que tinha chance... Olha, leva mal não, mas você nunca concorreu com a Gina, nem ela com você. Ambas sempre estiveram na sombra da Cho, lembra? O burro só ficava atrás dela, atrás dela, atrás dela, e atrás dela. Meio lento, mas só fazia isso. Lerdo paca pra se declarar, tanto que nosso falecido amigo - e balançava um pouco o rosto, lembrando-se daquele que um dia ocupou a mesma posição que ela no time de Quadribol - "fisgou" a Cho só por que o Potter demorou demais, e agora ele vem com essa história de que gosta muito da Weasley... A escola toda está comentando, sabia? Pelo visto, ele se amarra no que é proibido, hehehe!
- Eu? Recebendo conselhos amorosos de uma menina de treze anos, vê se isso é possível...
- Sarah... Você nem parece que tem quinze anos, falando sério, por que não chega junto e conta para o Potter o que sente por ele? Talvez, agradando ele...
- Libélula. - Ambas entram na torre da Grifinória depois de Sarah ter falado a senha. - Luna... Até pode ser que o Harry saia com uma garota, vá passear, mas ele estará pensando na ruiva Weasley. Tenho certeza de que estará. E digo isso por experiência própria, não ficou sabendo da Amanda?
- Ah, claro - Luna arrumava os cabelos e dava língua para a prima - fiquei sabendo que ele se engraçou pra cima da Wood só pra gerar ciúmes na Gina e acabou "tomando um pau" do Jordan.
- Você e essas suas gírias trouxas.- Sarah a olhava com desaprovação.
- Se esqueceu de que eu vou ser uma grande estrela nos dois mundos? Tenho que estar a par das expressões da época!
- Sei. Mas não foi a única vez, há dois anos atrás, quando eu estava no terceiro ano, teve o baile e ele convidou a Parvati para dançar, e... Bem, o que a irritou não foi o fato dele não dançar direito, mas sim por ele não Ter dado muita atenção a ela.
- Sei, estava pensando na Chang. Hum... Bem... Quando ele voltar, tente puxar conversa com ele.
- Isso não te parece familiar? Quer dizer, antes ele estava pensando só na Cho, que só ligava para o Cedrico, e agora a Weasley, que só liga para o Yoh... Puxa, eu faria tudo para que ele prestasse atenção em mim, mesmo que só por alguns instantes, que soubesse que eu existo!!!
- Por isso que eu disse pra você arrumar um namorado se quiser chamar a atenção dele!
- Oi, Luna - ela arregalava os olhos ao ver Neville, enquanto sua prima dava um tapinha no seu ombro.
- Oi, Neville. Tudo vem com você?
- Um pouco.
- Não fica chateado, vai ter outros jogos!
- Não estou chateado, não como o nosso Capitão...
- Ah, estou me lembrando... Foi você quem dançou com ela no baile, não foi? - Sarah dava um sorriso diabólico para a prima.
- Sim, fui eu sim, por que?
- Nada, não. Bem, vou pegar meu livro. - Sarah saiu, deixando os dois conversando, topando com Hermione que estava andando pelo salão - Oi Hermione.
- Oi, Sarah. - Hermione sorriu para Luna e saiu da torre, iria ver o namorado na enfermaria. Passou tempo demais na biblioteca e voltou para trocar de roupa, após Ter chegado a conclusão de que ficar triste ou alegre não mudaria o fato de que perderam e, sendo assim, preferia ficar alegre ao lado de Rony.
***
- Se não fosse você a fada da história, seria você quem estaria voando devido aos seus pensamentos felizes.
- Hã? Como? Onde? Quem? - Amanda arregala os olhos, dando-se conta de onde estava - Ai!!!
- Calma fadinha. Você só cochilou durante alguns minutos, ta tudo bem.
- Ai, que vergonha! Você trabalhando, e eu aqui dormindo, Chaz...
- Ta tudo bem, você está exausta...
- Você já terminou seu serviço?
- Claro. Vamos? - e lhe oferecia o braço, o qual era aceito pela mesma, de modo que ambos saem da enfermaria.
De rabo-de-olho, ele olha para a sala, aonde Rony ainda cuidava do Malfoy, junto de Pansy. Ele não mudava, sempre o mesmo...
- Para onde está me levando?
- Ainda não é hora do almoço... O que acha de darmos uma volta próximo ao lago?
- Adoraria!
***
- Ué, cadê o Chaz? - Pansy olhava em volta - ele estava aqui e...
- O Dispensei, Pansy. E a Luna também.
- O que? E quem vai arrumar isso tudo aqui e terminar com o Draqui... Digo, Draco?
- Você pode ir se quiser, eu dou um jeito nessa bagunça.
- Hmmm - ela o olhava de lado, tentando entender no que ele estava pensando - está certo, não tenho nada para fazer, mesmo. Vou ficar aqui pra te ajudar. Mas por quê fez isso?
- Não tinha mais serviço para eles, e eu podia terminar com as ataduras do Malfoy - e apontava para Draco, o qual tinha uma faixa na boca para parar de falar, apesar de, contra a sua vontade, estar dormindo - e todos os outros jogadores estão bem machucados. Não fisicamente, mas psicologicamente. Dispensei o Chaz para ele poder ficar com a Amanda, sei que ele pode conseguir fazê-la superar isso. A Luna é amiga do Neville, Anne conhece a passagem da cozinha e minha irmã tem o namorado. Quando a Hermione, nós temos um ao outro para ficar tentando entender o que aconteceu e, depois de algum tempo, rirmos dos melhores momentos do jogo.
- Espera um pouco... Vocês acabaram de perder o jogo... Não está nem um pouco chateado? Você parece estar aceitando isso tão bem...
- Chateado eu estou, não duvide. Mas eu estarei imensamente chateado se eu colocasse aquele jogo como o objetivo da minha vida, se fosse a profissão que eu fosse querer seguir, entende?
- Hmmm...
- Os últimos jogos têm sido divisores de água, Pansy - Rony terminava de enfaixar o braço esquerdo de Draco, o qual dormia profundamente - serviu para mostrar os que estão nessa por diversão e os que estão nessa até o fim, como objetivo de vida. Anote o que eu digo, esse campeonato vai revelar grandes talentos que jogam no mesmo nível das ligas profissionais, não se esqueça. Achei que o Thor tinha uma força absurda, mas não é isso. A questão é que ele joga como um jogador de um time profissional, por isso foi tão difícil evitar seus balaços. Se ele estivesse em uma escola estrangeira, talvez já estivesse jogando em algum time, quem sabe. É melhor tomarmos cuidado. Porquê se continuar a aparecer alunos que jogam em nível profissional, cada jogo de cada time será um verdadeiro massacre.
***
Enquanto isso, Gina e Yoh estavam na carruagem, ao passo que um certo espião invisível os observava, bem na frente deles.
- Bem aonde vamos ir quando chegarmos? - ela perguntava. Não estava com o menor pique para sair, mas já que ele pediu com tanto jeitinho...
- Hum... Não sei... Vamos andar por Hogsmeade e ver como está o movimento.
- Hmm...
- Tudo o que você quiser. Hoje é o seu dia, eu não decido nada, você decide. Estarei a sua inteira disposição para você não ficar triste por causa do jogo.
- Não estou triste, é um jogo, confesso que é triste perder, mas não vou ficar sem comer, sem viver por causa de um jogo.
- Mesmo assim, estamos quase chegando - e falava sem acreditar muito nas palavras dela.
Mas algo ainda o deixava intrigado. Luna havia dito algo que poderia ser considerado uma brincadeira ou até um comentário ao acaso, mas... Sozinho? Não estar sozinho? O que ela quis dizer com isso? Não havia mais ninguém com eles, o que ela quis dizer com aquilo?
Depois de saírem da carruagem, ambos caminhavam lentamente pelas ruas de Hogsmeade. Chegam a passar em frente à casa de Sume, mas Yoh resolve não parar para falar com ele, sabia que Gina não teria a menor disposição para isso.
Na verdade, ela não estava com disposição para nada.
- Minha mãe costuma dizer que não tem garota que resista a uma linda roupa que realce sua beleza, sabe - comentava ao acaso...
- Sua mãe é bastante sábia... Mas não espera comprar meu sorriso com roupas, não - ela fechava um dos olhos, fazendo um olhar de malandra.
- Não... Só quero realçar seus belos olhos, moranguinho.
- Sei...
- Vamos, nunca experimentou algo só para ver se ficava bem em você?
- Hmmm...
- E eu também quero comprar algo para mim, vamos.
- Mesmo? O que?
- Ainda não decidi, mas você bem que podia me ajudar a me decidir, sabe.
Depois de seguidos apelos, ambos entram na primeira loja de roupas que encontram, a qual Yoh tinha visto outro dia quando esteve ali com Gina. Diferente das outras, além de roupas de bruxos, possuía algumas roupas de trouxas - parecia ser uma nova moda que estava surgindo entre os adolescentes, foi o que Ariel tinha lhe dito - e talvez isso pudesse ajudar a entreter Gina.
Harry ficou espantado, nunca imaginou que Gina bem - e a vontade - em roupas de trouxas. Não que elas fossem curtas, mas realçavam bem seu corpo.
Nossa... Ela... Ela conseguia ficar mais linda a cada instante. Podia parecer pura impressão sua, mas a Gina de agora, mesmo com aquela expressão abatida, ainda assim era muito mais linda do que a Gina do começo do ano letivo. Não, da Gina do ano anterior!!!
Como era possível?
Quer dizer, não que a estivesse menosprezando, mas no fundo, não conseguia tirar da cabeça de que ela acabaria se tornando muito parecida com a senhora Weasley - não que isso tirasse seu valor, lógico - mas olhando-a desse ângulo, ela ficou muito, mas muito bonita, mesmo.
Tanto que ele tapa sua boca após soltar um sonoro "Uau", esquecendo-se de que estava invisível, quando o Kneen e outras pessoas da loja olham ao redor, procurando de onde veio, não obtendo sucesso.
Isso por que ela havia acabado de sair do vestiário com uma camiseta um pouco justa e uma saia vermelha, junto com uma sandália que realçava e muito suas pernas.
Céus... Que deusa ela se tornou!!!
***
- Zzzzzzzzz...
- Bobo! - Amanda dava um sorriso enquanto descansava.
Aquilo foi original. Estavam na margem do lago, em um passeio pra lá de romântico. Depois de ficarem dando algumas voltas e conversando, Chaz se sentou e, sem se fazer de rogada, Amanda se aproximou dele, encostando gostoso suas costas no peito dele, sem se sentar no seu colo. Só faltava mesmo ele abraça-la, coisa que ele não hesitou em fazer, de modo que, depois de longos 5 minutos em silêncio, ele resolveu quebrar aquela atmosfera.
- É bom ouvir sua voz, fadinha.
- Sei, seu dorminhoco...
- Ah, que isso... Não leve a sério foi apenas uma brincadeira, viu!
- Espero que sim! Não ouse ficar entediado de mim, hein!
- Claro.
- E que história é aquela de voar, hein?
- Ah, sim... Aquilo...
- Então?
- Tem que ser agora?
- Se possível...
- Não sei, não estou com inspiração - Amanda belisca o braço de Chaz, fazendo-o perceber uma nova característica da namorada: curiosidade nata - certo, certo... É sobre um conto infantil.
- Conto? Que conta?
- Uma história sobre uma criança que não envelhecia nunca, e que pela força de seus pensamentos felizes, voava.
- É? Legal, mas... O que isso tem a ver comigo... Digo, com fadas?
- O garoto tinha uma companheira, era uma fada que jogava um pozinho mágico nele para que ele pudesse voar, sabe. Com a ajuda dela e os seus pensamentos felizes, ele voava.
- Hmmm - Amanda se vira, tocando no nariz de Chaz - sabia que essa foi uma das coisas mais lindas que você já disse?
- Eu me esforço - e, nos instantes seguintes, estavam compartilhando um doce e terno beijo.
- Que surra - deitada por cima dele, Amanda encostava a cabeça em seu peito - nossa, que surra!
- Ano que vem eu assumo no time, vou acabar passando por isso.
- Ah, não vai, não! Seu time não sofrerá desfalques tão grandes, lindinho!
- Perderemos Rika, Carlos e Cho, simplesmente.
- Mas vocês ainda tem James, Julieta, Ariel, Miranda e Yoh.
- Não sei se estou a altura deles, ou se estarei um dia...
- Vai estar. Você, Cassie e Padma treinam como reservas a mais de um ano. E tem o apoio deles. E o meu também. Vai se sair bem, não se preocupe.
- Hmmm... Mas tem razão, sabe. Depois desse jogo, eu passei a enxergar melhor muita coisa que eu queria e... Bem, estou com um pouco de medo.
- Medo do que? De se machucar?
- De não ser bem sucedido no que eu quero fazer, sabe. O mundo bruxo não tem dado, na época atual, muito valor a seus artistas.
- Você vai conseguir, não se preocupe. - e piscava para o mesmo, dando-lhe um pouco de confiança, até que ele se toca de que conversar sobre aquilo naquela situação não pegava bem. Ela é quem estava triste e precisava de consolo, o mesmo podia resolver isso muito bem em outra ocasião, não agora.
Chaz vira Amanda novamente, de modo que seu peito encostava-se às costas dela. Ele lhe cruza seus braços, unindo-os em torno da barriga dela e em cima dos braços desta, massageando-a, enquanto lhe dava um gostoso abraço.
Ela apenas se aconchega melhor sobre o seu corpo, e sorri alegre observando o espelho d'água quebrado levemente por ondulações da gôndola em que estavam.
- Este local deve ser mágico...
- E é. Eu soube que há muitas eras atrás, aqui havia uma fonte, que alimentava um lindo jardim de rosas. Tal jardim era mantido pela bela e doce deusa celestial Afrodite. Por séculos ela criou suas flores e espalhou seu amor sobre estas, de forma que as mesmas "contaminaram" o solo com esse amor. Com o tempo, tudo se foi, as flores, a fonte, tudo! Vieram os vilarejos, as guerras, os períodos de paz. Por fim, surgiu nossa escola. E a primeira mulher a se tornar diretora de Hogwarts, percebendo como era especial este local, ordenou que fizessem um lago para os apaixonados se divertirem, pois, mesmo hoje, o solo está impregnado com o amor daquela deusa que antes cuidava de um lindo jardim.
- Inventou tudo isso agora ou estava arquitetando esta história faz tempo?
- Faz diferença? - ele a apertou mais em seu abraço, aproveitando para roçar o nariz levemente em sua nuca.
- Não...
Eles não disseram mais nada. Permaneceram ali, sendo acobertados docemente por um vento sussurrante, um nos braços do outro, compartilhando o carinho, o momento, e um evento que pertencia apenas a ambos.
***
- Você acha a Sarah Fygi bonita? - Perguntou Luna com um sorriso maroto.
- A menina que estava aqui?
- Sim... Ela é minha prima.
- Mesmo? Eu não sabia. Muitos meninos já levaram um fora dela. - Luna estava bastante atenta ao que Neville dizia. Passaram os últimos 20 minutos conversando sobre os mais variados assuntos, o que a fez comprovar que ele não era tão desatento assim quanto muitos diziam, tampouco desinformado.
- Pode me contar?
- Posso. Bem, ela admira o Harry, assim como um monte de alunas que entram na escola todo ano, sabe.
- Disso eu Já sei, mas ele não dá a menor bola pra ela, mesmo. Agora só pensa na Weasley.
- O Harry gosta da Gina? - Neville arregala os olhos - pensei que ele gostasse da Cho!!!!
- Hã... - ela piscava rapidamente os olhos começando a rever o que havia pensado acerca dele há pouco.
- Mas isso é novidade! - ela dava uma risada - o que foi?
- Neville... Toda a escola sabe disso!
- Mesmo? Desculpe, é que eu tenho que estudar dobrado para a aula de poções, tomar cuidado com os feitiços na aula do professor Flitwick, treinar com o time de quadribol da minha casa e me preparar para os NIEM's do ano que vem, acabo não tendo muito tempo para ficar prestando atenção nisso, sabe - ela fica bastante vermelha. Mesmo que não tivesse tido a intenção, Neville acabou de dizer que tinha mais o que fazer do que prestar atenção na vida dos outros.
Até que ele não era tão tonto quanto às pessoas diziam. Se aprendesse a dançar, seria melhor ainda...
***
- Não acredito - Sirius balançava a cabeça ao ver o amigo sentado na cadeira - sinceramente, você tem que esquecer dela. - Sirius encarou o amigo. - Faz alguns anos, ela é casada, tem filhos, AMA o marido...
- Não precisa jogar na cara também - Remo jogava algumas fotos encima da mesa, jogando o corpo por completo na cadeira, enquanto suspirava - tenho que conviver com isso dia após dia, sem você pra me crucificar mais e mais.
- Claro que preciso! Você não é um adolescente, é um homem formado! E maduro! O Harry eu entendo, ele tem que dar duro pelo seu amor antes que seja tarde, mas você tem que aceitar as coisas do jeito que são, Remo! Amigo... Eu não te culpo, Mudungus não, nem Gaia Mas, entenda... Acabou! Foi nobre a sua decisão, ninguém questiona isso... Mas é isso o que gerou. Não pode querer retomar o passado agora. E além do mais... Você estaria destruindo a vida de uma criança por causa de um desejo seu. De satisfazer seu ego.
- Meu ego? - Remo olhava pela janela - acha que isso tudo é para satisfazer meu ego?
- Não fugi da prisão para satisfazer meu ego, tenha certeza disso. Você aceitou essa condição que criou durante anos, não pode ir chegando assim, sem mais nem menos e querer assumir algo que não te pertence mais.
- Acha que eu errei em não tê-las visitado antes, Sirius? - Ele olhava tristemente para uma fotografia em especial que estava na sua mão, a qual possuía 8 integrantes. Sete deles ele reconhecia como a formação atual do time de Quadribol da Lufa-Lufa, sendo que a oitava era ninguém menos do que a "vovó" Sprout.
- Foi sua decisão. Você temia que sua condição de lobisomem pudesse prejudicá-las, lembra? - Sirius pegava a fotografia e, observando-a calmamente, começava a Ter uma boa dose de lembranças. Boas lembranças, na verdade. E a garota que praticamente pulava na foto, agitada e cheia de vida, era o centro das atenções - Não se martirize, vamos. Isso não o levará a lugar algum. Já aceitei há tempos que a mulher que eu amei está morta, e que vê-la em outras pessoas apenas contribuirá para levar até a destruição. Não faça isso consigo mesmo - e virando a foto, colocava-a na mesa, aonde podia ser visto, escrito com uma letra bonita, uma espécie de recado.
"Obrigada pelo apoio, prometo que vou me esforçar!!!
Se não fosse pelo senhor, eu não estaria aqui.
Amo o senhor, professor Lupin!!!
L.F."
***
- Já está bom?
E, pra variar, não ajudou muito. Ela para bem no meio do salão, observando-o com a mesma expressão. A frase tinha múltiplos significados, mas ficou bem claro que ela queria saber se ele já estava satisfeito, pois ela queria ir embora.
É, pelo visto, acabou não agradando. Pelo visto foi um erro levá-la até Hogsmeade - ele sinaliza com a cabeça, meio sem escolha, e ela volta para o trocador, aparecendo alguns minutos depois com sua roupa normal. Sem comprar nada, ambos saem da loja.
- Quer ver outras lojas?
- Estou cansada demais para andar, Yoh.
- Quer comer algo?
- Estou sem fome. Vamos embora?
- Ok. Mas a próxima carruagem só sai dentro de duas horas.
- Vamos pelo outro caminho, então.
Subindo o morro que dava na velha casa, ela se apoiava nele, visto que ainda andava bem lentamente. Yoh começava a se sentir mal, percebendo que não fez muita diferença naquele dia.
- Desculpe - ela falava com um certo lamento em seu tom de voz - acabei não sendo uma boa companhia para você. - e, usando sua varinha para abrir a porta, ambos entram.
Um pouco longe, Harry apenas observava, curioso. O que eles iriam fazer ali dentro?
- Vamos descansar um pouco - ela se sentava no pé da escada que dava para o segundo andar da casa - essa subida me cansou.
- Tudo bem - ele se sentava ao lado dela, encarando o teto - Me pergunto quem morava aqui.
- Provavelmente um dos fundadores da vila. Talvez um antigo prefeito, quem sabe.
- Pois é - e se deitava nas escadas, ficando em silêncio.
Um longo silêncio, na verdade. Mais do que o esperado.
- Queridinho... - Gina quebrava o gelo - não fique se martirizando.
- Hmmm?
- A culpa não é sua. Sei que está tentando me agradar, e eu agradeço muito por isso... Mas sou eu quem não estou de bom humor.
- Não fiz muita diferença, no fim das contas.
- Fez, sim. - Ela se aproxima e o abraça - ah, mas você fez diferença, sim! Pode contar com isso, senhor Kneen! Você nem imagina quanta diferença você fez - ela o pega de surpresa e, aproveitando que o mesmo estava deitado na escada, o abraça e aperta com bastante força, roubando-lhe um beijo que dura longos segundos, até que o solta e se afasta um pouco, observando-o - Yoh, lembra daquela vez em que o Draco implicou contigo depois do jogo, daí você não deu bola pra ele e foi embora, mas depois ficou achando que era um covarde?
- Lembro, eu me senti mal porque...
- Porque ficou com medo do que eu iria pensar de você. Yohzinho - ela dava um sorriso e fazia uma expressão de derreter qualquer um, devido à tamanha ternura que ela passava. - Obrigada. Obrigada, mesmo. Eu fico muito feliz e satisfeita em saber que você se preocupa muito com o tipo de repercussão que seus atos terão na minha vida, mas você se lembra do que eu te disse também? Disse que você não era covarde, de jeito nenhum.
- Não entendi aonde você quer chegar...
- O que eu quero dizer - ela toca levemente a ponta dos dedos nos lábios dele - é que você não precisa ficar me provando nada, ouviu? Eu sei que você fez de tudo para me animar, a culpa é minha por não estar de bom humor para essas coisas. E se quer saber, a sua presença já fez toda a diferença, viu? Você estar comigo na enfermaria para me recepcionar, ficando ao meu lado, segurando minha mão enquanto eu tomava aquele remédio amargo para depois Rony colocar meu braço quebrado no lugar, Ter me trazido para passear mesmo percebendo que eu estava de péssimo humor... - ela dava um rápido e singelo beijo nele - obrigada. Obrigada por não ficar irritado comigo, por me dar atenção, por estar ao meu lado me consolando e me dando apoio quando eu preciso, viu? - Gina passava a mão pelo rosto de Yoh, massageando-o com bastante ternura, enquanto tinha um olhar igual para o namorado - obrigada - Segurando a cabeça dele com ambas as mãos, ela roçava seu nariz na face dele carinhosamente - obrigada...
- Eu não acredito - Harry murmurava para não ser ouvido - simplesmente não acredito - e continuava murmurando ao ver Yoh e Gina naquele momento pra lá de intimo na casa dos gritos - esse imoral do Kneen... - ele se lembrava de quando encontrou Gina pela primeira vez, de como ela chorava por que Rony iria ficar o ano inteiro fora e ela não teria com quem brincar - o que foi que ele fez? - a linda ruivinha descendo saltitando os degraus da Toca, chamando pela sua mãe naquele dia em que Rony, Fred e Jorge o resgataram da casa dos Dursleys e ele acabou descobrindo que a mesma ficou falando dele durante as férias inteiras - eu não acredito - ainda estava chocado com o dia em que recebeu uma carta de amor da mesma, coisa que muitos alunos na época receberam. Uma carta lida em voz alta, a propósito - ela a perverteu - "Harry, me desculpe, eu não tinha a intenção, não queria Ter feito isso". Ele se lembrava das palavras dela, a mesma estava muito assustada quando ele a salvou do controle de Tom e do Basilisco, a expressão de quem pedia por perdão, aquilo não saia de sua mente, a face de moleca arrependida de Ter feito uma travessura.
Ele fica em silêncio, com aquilo eclodindo em seu peito, até que para.
- Que idiota - ele maneava a cabeça - Isso o que eu estou fazendo é a maior idiotice da minha vida. Eu tenho que esquecê-la... Nunca olhei para ela, por que fui inventar de começar a fazer isso agora?
Em seu intimo, ele sentia que já a havia perdido. Mentira, nunca a teve de verdade. Teve sua paixão, não seu amor. E não soube aproveitar, lembrava-se de tê-la desprezado antes, menosprezados seus sentimentos.
Harry continuou de olhos arregalados ao ver as mãos do Kneen apertando com vontade as coxas de Gina, enquanto que ela passava a mão por debaixo da blusa dele e massageava seu peito. Aquela era mesmo a Gina quietinha que ele conhecia?
Será que ela gostava tanto assim do Kneen a ponto de permitir que ele a tocasse daquela forma tão... Obscena? Tão... Imoral?
Ele a tornou assim, ou será que isso já era da personalidade dela?
O que houve com a moral e os bons costumes? No que aquele imoral pervertido estava pensando, afinal de contas? Como ousava tratar sua amada daquele jeito, como uma... Uma...
Faltavam-lhe palavras para dizer, na verdade, faltava-lhe coragem para tanto. Era algo que estava entalado engasgado na garganta, mas doía-lhe só de pensar no pensamento.
Vadia.
O Kneen a estava tratando como uma vadia, como uma qualquer. Estava jogando toda a cortesia, o romance, o cavalheirismo, o amor puro e verdadeiro... tudo em prol do prazer próprio.
Que sujeito desprezível. Nunca imaginou que pudesse haver alguém assim. Nem mesmo Draco podia chegar a tal nível, nem ele.
Tinha que fazer algo, mas... como?
Talvez se seguisse o conselho de Sirius e arrumasse alguém para causar ciúmes em Gina...?
- Nham - Yoh para de sorver os lábios da ruiva por alguns instantes, fitando profundamente seus olhos - Não precisa guardar isso pra você, pode falar.
- Eu...
- Vamos, fale. - ele lhe enviava um olhar de pura ternura, piscando carinhosamente para a namorada - me deixe ajudá-la, por favor. Você me ajuda e eu te ajudo, lembra? Então, me deixe ajudá-la. É minha função, obrigação e prazer pessoal.
- Eu... - definitivamente não conseguia vencer aquele beicinho que ele fazia - ah, admito... Estou chateada! Perder justamente para a Sonserina, que droga!
- Bem... Isso acontece. - ele a observava, enquanto ela suspirava um pouco diante do toque dele - sente-se melhor?
- Não, desculpe. Mas não é culpa sua.
- Claro que é. Como espera que eu me sinta bem se você não está bem? Tenho diante de mim uma garota linda e maravilhosa, a qual eu idolatro até o limiar da minha alma, não, além disso, e você me pede para não me sentir mal?
- Está bem - a ruiva enrubrece um pouco depois do que ele acabara de dizer, de modo que seu semblante muda por completo, pois agora estava bem mais alegre - obrigada, Yoh. Muito obrigada, mesmo. Continue assim e você vai continuar se dando bem, viu? - e piscava para o mesmo de forma marota.
- Céus, como você é linda.
- Eu sei, mas já disse que você vai acabar se dando bem.
- Mesmo assim... Fiquei totalmente hipnotizado quando sentei - me à mesa da Grifinória naquele dia, e nos dias seguintes, e depois, e depois, e depois... - sua expressão era de alguém sonhando de tal forma que não queria acordar - você sempre foi linda, e a sua beleza tem amadurecido cada vez mais, moranguinho.
- Como consegue, Yoh? - Ela dava uma mordida de leve no dedo dele que passava pela sua face - como você consegue tal coisa, me olhar sempre como se fosse a primeira vez que me visse depois de anos?
- Quem sabe? Acho que é a mesma expressão quando minha mãe volta pra casa para rever meu pai.
- Vou adorar te ver do tamanho do senhor Kneen, sabia? Mais alto, mais forte, mais bonito...
- Está dando encima do meu pai, é? Olha que minha mãe é ciumenta...
- Bobo! - e encostava a sua testa na testa dele, mordendo a orelha de Yoh em seguida. Pouco depois ela para um pouco, deitando a cabeça em seu peito - Yoh, o que está acontecendo? Você tem evitado sua mãe nos últimos dias...
- Eu... - ele suspira. Não podia esconder dela - Nós discutimos por causa de alguns problemas, e não temos nos falado muito.
- Isso é mal, por que não sentam os dois e conversam?
- Isso é que iremos fazer...
- Posso te perguntar uma coisa?
- Claro.
- Não vai ficar chateado? - Harry abriu bem os ouvidos. O que ela iria perguntar?
Algum segredo, quem sabe? Isso poderia ser útil, no fim das contas.
- Não, pode perguntar.
- Você tinha todo aquele dinheiro que você citou quando me disputou com o Draco? - Harry ficou surpreso, mas era algo que ele realmente queria saber. Não que fosse útil, mas...
- Não - ele respondia simplesmente - Minha Mãe até que tem algumas reservas no Gringotes herdadas de sua família, mas ela não as usa e, por tabela, eu também não tenho acesso.
- Então... Você mentiu para o Harry e o Draco?
- Bem... Digamos que eu blefei bonito. O Potter desistiu muito cedo, mas o Draco, esse foi difícil. Mas ele também estava blefando, duvido que ele tivesse todo aquele dinheiro.
- Mas ele é rico...
- A família dele é rica, mas em geral, ele só tem acesso a esse dinheiro quando for maior de idade.
- Ah, entendi...
De seu canto, Harry sentia uma vontade enorme de bater com sua cabeça na parede. Blefe? Como foi que ele não pensou naquilo antes? Era tão óbvio, mesmo que fossem podres de ricos, o Kneen e o Malfoy provavelmente não poderiam meter a mão naquela bolada, e mesmo que pudessem, com certeza seus respectivos responsáveis não permitiriam que eles o fizessem.
- Pois bem, e o natal, como vai ser? Vai passar com os seus pais?
- Aham. Na fazenda, com meu pai e minha mãe. O pessoal disse que vai dar uma passada lá em casa depois das comemorações com suas respectivas famílias. Você vai poder ir?
- Bem... Papai e mamãe vão viajar... Mione vai viajar com os pais para a França, dai o Rony vai ficar sozinho, e eu queria fazer companhia para ele, sabe. Estou adorando essa nova personalidade dele. Tudo bem?
- Não, tudo bem. Eu entendo.
- Não vai ficar chateado?
- Vou sentir sua falta, mas tudo bem.
- E a sua mãe? Senhor Daniel?
- Minha mãe vai puxar minha orelha, já o meu pai, bem... Ele não é um bruxo como a gente, no máximo cozinha alguns pratos trouxas com ingredientes bruxos, mas ele é muito compreensivo.
- Você o admira muito, não é? - ela falava observando a expressão que Yoh acabara de fazer – Muito mais do que o Carlos e sua mãe. Não é mesmo? Mais do que o professor Snape...
- É... - ele maneava a cabeça - muito, mesmo. Depois eu te conto uma história... É de uma coisa que aconteceu comigo e com o meu pai, eu... Eu acho que, não, eu tenho certeza... É a lembrança mais feliz da minha vida.
- Mais feliz do que eu Ter dito que te amo? - Gina virava o rosto, fecha o cenho e, marotamente, olha cerrado para ele, fingindo desapontamento.
- Sim - ele respondia. Mas o que a surpreendeu não foi à resposta, mas sim a sua sinceridade. Não foi um sorriso forçado, pelo contrário... Ele respondeu de tal forma, com tal convicção de que ela não iria ficar furiosa...
- Hmmm... Vou adorar escutar essa história, lindinho. Mas depois. O que acha de voltarmos para a escola? Queria ver como os outros estão.
- Sei não - ele a erguia, se levantando em seguida - Mas algo me diz que eles estão em boas mãos...
Harry se virou e começou a caminhar. Estava pensando em usar a outra passagem para voltar até a escola quando, ao ouvir um barulho, ele se vira.
Eles... A passagem secreta da casa, eles...
Céus, eles estavam entrando na passagem secreta que iria dar bem debaixo do salgueiro!!!
Mas como eles a conheciam?
Ninguém conhecia aquela passagem, ninguém. Aliás, a pessoa que chegou mais perto daquela casa foi o Malfoy e...
Não, estava se esquecendo de algo - ele corria até a outra passagem com sua capa de invisibilidade e, atravessando correndo o salão do bar, o que faz que muitos ali pensem que um vento forte estava derrubando tudo - quais eram os suspeitos?
Havia o Snape, o qual já esteve ali dentro, quando toda a verdade fora revelada. Ele entrou na casa pela porta da frente, mas estava inconsciente quando o carregaram pelo túnel.
Mas Remo havia dito que Snape o vira na passagem subterrânea, e fora assim que ele descobriu que o mesmo era um lobisomem, mas...
Rabicho. Ele estava desaparecido, mas devia conhecer as passagens. Era um dos criadores do mapa do maroto, certo?
O MAPA!!! O servo de Voldemort que se fez passar pelo por Olho - Torto!!! Sempre se perguntou até onde ele usou... Teria feito uma cópia? Até onde ele o usou durante o tempo em que esteve com ele? Teria passado adiante? Acabou conseguindo reavê-lo, mas...
Kneen...
Seria mesmo possível? Mas ele era filho da professora de...
Mas... Afinal, o que conheciam dele? Lembrava-se de Sirius Ter dito que todos os comensais da Morte eram alunos que foram recrutados por Voldemort, mas aquilo não podia ser possível!
Ou seria?
As passagens. O súbito conhecimento que ele andou demonstrando desde o inicio do período letivo em várias matérias, como DCAT... A habilidade que alguns alunos haviam comentado no corredor que ele demonstrou Ter de uma hora para a outra... O súbito conhecimento dele acerca de assuntos que até mesmo Mione não tinha...
E seu relacionamento com Malfoy, até então ele estava sentindo uma alfinetada quanto a isso, sobre o que aqueles dois conversavam àquela hora da noite, sozinhos e sem mais ninguém por perto.
O Servo mais fiel do Lorde das Trevas, justamente o professor de Defesa Contra As Artes das Trevas que esteve ao lado dele por tanto tempo.
Kneen. Um bruxo negro.
Seria possível?
Não havia outra explicação - ele corria desesperadamente através do beco escuro e estreito, de modo que vez ou outra sua varinha caia no chão e ele tinha que conjurar outra luz - e ele não podia ficar parado, tinha que fazer algo, tomar uma atitude.
Contar para alguém.
E ele sabia exatamente quem.
***
- Continuando... - Rony terminava de dar a sétima volta pelo salão comunal da Grifinória - deve Ter algo especial na batida do Thor.
- Já pesquisei e não encontrei muita coisa - Hermione sentada no chão, de frente para a lareira, jogando algumas pedras no fogo - nada, mesmo.
- Nem em "Quadribol Através dos Séculos"? - Rony continuava andando, como se a sala estivesse cheia de gente e ele procurasse Ter a atenção de todos os presentes.
- Nem. Nenhuma manobra. Talvez o segredo esteja no livro "A Bíblia do Batedor", Rony.
- Hmmm... - Rony para de andar e senta-se ao lado de Hermione.
- Cansou de pensar no jogo?
- Encontrei algo melhor para ocupar meu tempo - e encosta a cabeça no ombro da mesma. - O que achou?
- Traumatizante, mas vou me acostumar. E você, o que achou de mim no jogo?
- Já vi melhores - ele falava em tom de brincadeira e abaixa a cabeça, mas não consegue evitar um cascudo vindo dela - ai!!!
- Convencido! Até parece que você se saiu melhor!
- Calma, Mô! - ele a abraça - Falei de brincadeira, não leve a sério!
- Sei muito bem da sua brincadeira - e cerrava os dentes, encarando-o em seguida - fui tão ruim assim?
- Sinceridade?
- Sinceridade.
- Como aluna, você joga bem.
- Eu... - Hermione torce o pescoço, encarando Rony como se tivesse nascido uma segunda cabeça nele, até que compreendendo o que ele quis dizer, suspira - certo.
- Entenda, Mione... É um divisor de águas, compreende?
- Sim, claro. Engraçado Ter acontecido justo com a gente, não é?
- Era inevitável. Essa é a diferença entre os amadores e aqueles que tem pique de profissionais, para jogar nas ligas.
- Como o Harry?
- Isso. Você percebeu alguma coisa?
- Sim, a Amanda.
- É, percebi que ela joga bem.
- Não, ela não joga bem, ela joga muito bem, Rony. A Anne tem mais técnica para impedir o avanço dos artilheiros, coisa que ela carrega desde que era a goleira reserva, mas em relação aos passes... A gente ficou na dependência da Amanda. Se não fosse por ela, a diferença de placar seria maior ainda, ela corrigia quase que instantaneamente cada passe errado que a gente fazia, era uma coisa incrível! Teve vezes em que eu me descontrolei com medo do Thor e ela simplesmente continuou com a jogada, suprindo as nossas deficiências.
- Mesmo? Hm... Lembre-me de conversar isso com o Harry no próximo treino. Temos que trabalha mais esse aspecto dela.
- Certo, e quanto a você... está tenso - ela passava a mão nas costas dele - muito tenso - e empurrava Rony no chão, fazendo-o ficar de costas para ela.
- Hã... Mione?
- Quieto! - ela tocava em suas costas - vou te fazer uma massagem pra relaxar, mas não vá se acostumando, hein!
- Agora já é tarde - ele suspirava enquanto as delicadas mãos dela tocavam com precisão os pontos em suas costas, massageando seus músculos e esticando-os - agora estou viciado!
- Vai sonhando...
- Oi, gente! - Anne entrava na sala comunal com um pedaço de pão-doce na mão - olha só, eu tava passando o tempo, e vocês não vão acreditar... Eu descobri! Finalmente descobri qual é o truque do Thor, sabia? Está na torção do braço e na inércia! Era tão óbvio, estava na nossa cara e... O que estão fazendo?
- Anne...- Hemione a fuzilava com os olhos - o que acha de voltar pra cozinha?
- Pesquei a indireta - e dava meia volta, saindo dali.
- E toma cuidado - Rony gritava - vai que o Dobby se apaixona por você, né? - e dava uma alta risada, sendo acompanhada por Hermione em seguida.
***
- Finalmente te encontrei! Cadê a sua amiga? - Pergunta Luna se sentando na cadeira.
- Já deveria estar aqui... Mas não faz mal, vou te mostrar o que estamos querendo fazer. - Ela abre o livro e começa a explicar para a prima o que estava "aprontando" para dar de presente de natal a professora McGonagall.
- Bonita. Pena que eu ainda não tive essa aula.
- Ah, é fácil. É só ficar atenta. Tenho certeza de que você tem talento para transmutações, gatinha.
- É, a tia disse isso também, mas não estou muito interessada nisso, não.
- É um desperdício, se quer saber. Com o talento que você tem...
- Não estou interessada - ela une as mãos e seus olhos brilhavam como duas estrelas - eu vou ser uma grande cantora!!!!
- Você não muda, mesmo - Sarah segurava uma risada - não tem coisa melhor para fazer não, é?
- Todo mundo tem o direito de Ter um sonho, não acha? - Luna dá um "soquinho" no ombro de Sarah - eu sei muito bem dos sonhos de uma certa pessoa... - e abria um sorriso enorme enquanto falava - hehehehehehe!
- Ah, para! - ela empurrava a albina - sua boba!
- É você! - e dava lingua.
- Você! - e devolvia o gesto.
- Quem é a infantil aqui, hein?
- Sabe, tem horas que você me contamina, sabia?
- Somos farinha do mesmo saco, esqueceu? - e dava um abraço em Sarah, a qual devolvia o carinho - não pode se livrar de mim tão facilmente!
- E mesmo que eu fizesse, você me encontrava, não é?
- Seria mais difícil se você não usasse o mesmo perfume que o Potter...
- LUNA!!!
- O que foi? Falei alguma mentira, por acaso?
- Ora, ora... - e tapava a boca da "linguaruda" - desde quando você...?
- Ué, se esqueceu a prima que você tem? Engraçado, eu podia jurar que você usava outro perfume há uns três anos atrás. "Lírio -do- Luar" não era a sua fragrância favorita?
- Você deve estar me achando uma tonta, não é? - Sarah procurava aonde esconder o rosto - no mínimo...
- Eu nunca vou pensar mal de você, ok? - falava colocando a mão por sobre o ombro dela - Mas não acha que está se martirizando demais? Acha que o Potter vale tudo isso?
- Luna... Desde quando você fala assim de maneira tão... Tão...
- O que? Esperta? Inteligente? Inigualável?
- Madura... Mas deixa pra lá, acho que você tem razão.
- Até que cheira bem esse perfume...
- LUNA!!!
- Brincadeirinha!!!
******
Tudo fazia sentido - ele suava - andando a noite com o Malfoy, rindo com ele... Se infiltrando... Era algo mais do que estar com Gina era feri-la. Ele esteve nas férias na casa dos Weasley, poderia ter aprontado algo.
Não demora muito e ele chega. A primeira coisa que faz é correr em direção a Rony e Hermione.
- Eu preciso falar com vocês... - Harry entra correndo na torre da Grifinória, mas na mesma hora percebe que acabará de interromper um beijo do casal. - Eu conto depois.
****
Luna ergueu a cabeça e aspirou o ar, Sarah levantou os olhos e encarou a prima, a qual tinha um sorriso maroto nos lábios...
- Seu querido está em Hogwarts.
- E...?
- E ele estava indo em direção da sua torre.
- E...?
- e esse seu perfume não vai durar muito, logo, logo o cheiro passa, e ele nem vai poder sentir.
- E...?
- E o vento está seguindo naquela direção. E agora o Potter está saindo da torre da Grifinória e seguindo o corredor que dá na sala do professor Lupin. Se você seguir por aqui, quando passar por ele o vento vai carregar o cheiro do seu perfume e o Potter vai senti-lo, quer queira, quer não.
- E...?
- Some daqui!!! - só faltou Luna jogar Sarah para fora da sala onde estavam.
E depois ela é que era a tonta...
***
- Espera, Harry - Rony segurava em seu braço - o que foi?
- Vocês sempre souberam que eu desconfiava do Kneen, mas o que eu vi hoje foi demais.
- O que? - perguntava Hermione.
- Eu vou começar do inicio. Tudo começou quando eu sai ontem para conversar com Dumbledore... - Harry conta toda a história para os dois, o casal de namorados se olham e olham para o Harry, e isso por que ele resolveu omitir a parte mais quente da história. Não que quisesse proteger o Kneen, mas pelo simples fato de que não encontrava as palavras certas para explicar a Rony o que os dois estavam fazendo, e levando em conta o temperamento dele...
- Tem certeza? - Pergunta Hermione.
- Olhem, voltem a namorar. - Harry saiu apressado dali, decidido a tomar uma atitude.
- Hermione... Acha que ele...
- Não... O Harry não iria exagerar com uma coisa dessas e... Será que...
- Não... Não pode ser, pode?
- O que você acha?
- E você? O que acha?
- Bem... É um tanto quanto... Bem, eu... Olha, Rony... Isso, essas coisas, eu... Olha... Voldemort atrás da Pedra Filosofal, o Basilico petrificando todo mundo, Rabicho escondido na escola bem debaixo dos nossos narizes, Voldemort de novo, tudo isso foi combatido pelo Harry, e se não fosse por ele, não estaríamos aqui e... Bom, depois de tudo isso, não há uma pessoa na escola que não esteja em débito com ele, que não esteja com uma divida alta, que não seja grato e tudo mais...
- Mas mesmo depois disso tudo, você está com receio de dar a razão para ele, não é?
- Isso, eu... A gente sempre apoiou o Harry nos momentos mais difíceis, mas agora... Eu não sei se estou pronta para entrar de cabeça em uma "caça as bruxas" por aqui, sabe.
- Eu também não... Bem, vamos ficar atentos, então.
- Vai ficar de olho na sua irmã e no Yoh?
- Não, vou ficar de olho no Harry, antes que ele faça uma besteira. Vamos, estou tendo um péssimo pressentimento...
***
- Remo! - Harry entra afoito na sala do professor - precisamos conversar!
- O que foi, Harry?
- O Kneen, Remo! Ele... Ele... Ele é um bruxo das trevas!
- De onde tirou isso?
- Ele conhece a passagem da casa dos gritos!
- Mas...
- Remo, acredite em mim! A gente sempre se perguntou o que fizeram com o mapa do maroto enquanto ele estava sumido, lembra? Eu vi Lúcio Malfoy quando reencontrei Voldemort, e ambos vimos o Kneen conversando como uma intimidade enorme ontem com o Malfoy! Nós temos que tomar cuidado, eles já estão entre nós!
- Por que você não vai para a torre e não relaxa? Será melhor, você estava correndo, seu sangue ainda está quente por causa do jogo, precisa descansar e esfriar a cabeça.
- Mas...
- Nunca julgue para não ser julgado. Agora vai, vá descansar um pouco, anda.
Harry saiu bufando da sala de Remo e acabou esbarrando em alguém, fazendo a pessoa quase chorar ao ver como ficou a rosa que carregava que acabara de derrubar.
- Minha rosa...- ele passa direto enquanto ela se abaixa e, quando se levanta, percebe quem esbarrou dela e o quão distante já estava - Mas... Mas...
***
- Eu ouvi isso, Remo - fala Sirius, destransformando-se no canto da sala - ouvi muito bem.
- E dai? Ele pode muito bem ter encontrado a passagem. Se me lembro bem, não fomos nós quem realmente criamos o mapa do maroto. Tivemos parte, é verdade... Mas se nossa falecida amiga não tivesse nos revelado as passagens, não teríamos conseguido nada.
- Verdade. Quem diria que nos anais das histórias de Hogwarts haveria citações sobre as passagens secretas? Realmente, tem suas vantagens pertencer a uma família muito antiga... Mas esse garoto me preocupa.
- Vai ficar pegando no pé dele que nem o Harry?
- Não... Ele me lembra alguém.
- Ela morreu, Sirius. Aceite isso. Não foi você quem disse que eu devo aceitar minha situação atual?
- Sim, mas...
- Eu vi o corpo, eu fiz os testes - ele vira o rosto para a porta, confirmando que não havia ninguém ali - e Snape estava por perto quando ela morreu, ele presenciou ela morrer, lembra-se?
- Sim, lembro... Mas preferia não me lembrar disso.
***
Harry estava dobrando o corredor quando deu falta de algo muito importante. Voltou correndo até aonde tinha esbarrado com aquela garota e se surpreendeu ao ver O rosto de Sarah, o qual estava muito mais que vermelho do que antes.
- VOLTOU, SEU GROSSO?!?!? NÃO TEM NEM CORAGEM DE AJUDAR UMA MENINA, COMO É CAPAZ DE G...- Ela se calou rapidinho ao ver a cara de susto que o moreno estava fazendo e da porta, quatro olhos estavam espiando o barulho.
- Hã... Desculpe, eu... Desculpe pela rosa.
- Tudo bem - ela se acalmava um pouco ao ver quem era... - eu... Não estava muito boa, mesmo...
- Bem... Eu... Se quiser... Eu posso te ajudar. - Ele olhou para ela, que tinha um sorriso sincero e um brilho no olhar, por um pequeno momento ele se viu preso aquele olhar e aquele sorriso.
De onde estavam, Sirius - de volta a forma canina - e Remo estavam de boca aberta com a cena. Aquela garota, ela... Ela era quem eles pensavam que era?
- Não precisa... Eu vou tentar por meu próprio conhecimento... Eu acho que essa capa é sua. - Diz ela entregando-lhe a capa.
- Obrigado... Como é mesmo o seu nome?
- Sarah Fygi, e o seu? - Harry ergueu as sobrancelhas, mais logo suas expressões aliviaram.
- Harry Potter. - ele respondia calmamente, ficando um pouco surpreso com a pergunta dela.
- Bem senhor Potter. Tenho uma rosa para refazer.
- Você é da Grifinória, não é?
- Sim. - Sarah corou. Ele... Ele estava querendo saber a respeito dela!. - Nos vemos por aí...
- Não quer mesmo ajuda? Para quem é essa rosa? Alguém especial?
- Sim, é a professora Minerva. Ela me ajuda muito quando tenho dificuldades.
- Bem, eu estou indo para a torre, você está indo para lá?
- Sim.
- Então eu te acompanho - ambos vão caminhando, com Harry decidindo se olhava para a garota, ou ficava pensando em uma forma de expor o Kneen e fazer todos perceberem suas verdadeiras intenções.
Bom, ao menos esbarrar naquela garota serviu para refrescar-lhe a cabeça. Poderia aproveitar a caminhada para pensar em algo. Mas que era revoltante a reação de Rony, Hermione e Remo, era!
- Você viu aquilo? - Sirius, novamente na forma humana, dava voltas pela sala - você viu aquela garota? Céus, eu não acredito! Você tem noção de quem ela é? Remo!
- Sim, eu sei. É a Sarah, a filha da Marie.
- Hã? O que? Como assim, você sabe?
- Sou um professor, lembra?
- Quantos mais filhos de nossos amigos estão estudando aqui?
- As Gêmeas Gaia e Marie tem duas meninas na escola, Luna e Sarah, respectivamente. Gina e Rony são filhos de Molly e do Arthur, o qual você vivia espancando e...
- Ei sei quem eles são, oras! Poupe-me desses detalhes!
- Aham... Hooch teve dos filhos, Rika e James, você já deve conhecê-los. Amy e Sume têm uma garota, Ariel. E ainda tem um monte de filhos de colegas e conhecidos nossos obviamente. Nunca parou pra pensar nisso?
- Não dessa forma... Pensar que eles sempre estiveram aqui, bem debaixo dos nossos narizes... Mas a Amy? Aquela Amy da Sonserina?
- É, a própria que congelou seu traseiro por que você não aceitou um "não" como resposta.
- Eu sei, não precisa me lembrar desses detalhes!
- Me preocupo é com Sarah estar conversando daquela forma com Harry, isso sim.
- Ora, aluado... O que passou, passou. Não pode culpar Harry pelos erros do pai.
- Poder, eu não posso. Mas ficar de olho para evitar que ele cometa os mesmos erros, isso é algo diferente. Isso está parecendo uma reprise não bem vinda, sabia?
- Concordo com você - e se lamentava intimamente - concordo plenamente.
***
Ambos entram na torre e Sarah encarando Harry por alguns minutos, até que o clima é quebrado pela chegada de Rony e Hermione, os quais ficam olhando para os dois.
- Errr... Bem... Obrigada pela companhia.- Sarah aperta a mão de Harry. - E nos vemos por aí! Oi de novo, Hermione.
- Oi, Sarah...
- Bem... Eu quero... Digo, devo fazer algo, já que fui eu que estraguei sua flor. Deixa eu te ajudar, pelo menos. - Diz Harry olhando para a menina.
Ele balança sua varinha, de modo que a flor volta ao normal, ou melhor, ao normal que ela tinha preparado.
- Obrigada! - e dava um beijo na bochecha dele e em seguida sobe para o dormitório feminino.
- Vejo que está arrumando algo para se distrair - Hermione sorria, deixando-o levemente corado.
- Não mude de assunto, Mione. Nada me tira da cabeça o fato de ter visto o Kneen e o Malfoy conversando ontem em um corredor escuro como se fossem velhos conhecidos. E depois que eu vi ele passando pela passagem secreta... Rony, melhor tomar cuidado com a Gina. Muito cuidado, mesmo.
- Hmm... Esse cheiro no ar... Colocou perfume? - perguntava Hermione.
- Não, por que?
- Nada, deve Ter sido impressão minha, mesmo.
***
- Yoh... - Gina caminhava ao lado do namorado pelo corredor da escola, a passos lentos. Ainda não estava totalmente recuperada, mas em verdade estava muito boa aquela caminhada, ambos andando bem lentamente - sabia que eu te amo?
- Não, não sabia, você poderia me dizer que me ama?
- Eu te amo muito, muito, muito! - Ela da um beijo em Yoh que sorri.
- Também te amo. Ontem, hoje e sempre - ele a abraçava. A mesma não estava totalmente alegre, ainda guardava um certo sentimento de derrota, mas se sentia melhor por tê-lo ao seu lado, apoiando-o - olha lá seu irmão, vamos falar com ele. - ele apontava para os três que estavam no fim do corredor. Yoh tenta aumentar o passo, mas sente ela segurando fortemente em seu braço, praticamente se apoiando nele, indicando que não estava com a menor pressa.
Tomara que Rony gostasse de ficar parado...
***
Sarah saiu correndo da torre da Grifinória e acabou topando com Amanda no corredor, a morena sorriu ao ver o jeito da colega, deveria ter acontecido algo realmente bom para ela sair correndo daquele jeito.
- Lá vai uma felizarda - Amanda olhava de rabo-de-olho para a colega - deve Ter visto um passarinho verde.
- Vai passar o natal aqui ou com seus pais? - Perguntou Chaz abraçado a namorada, não entendendo muito bem o que ela havia acabado de ver.
- Não sei ainda, talvez aqui... Meus pais devem ir para a Alemanha ver o Olívio no campeonato mundial.
- Por que não vai com eles?
- Eu queria ir, mas eles vão viajar ao longo da semana de natal, mas não definiram uma data ainda. Se for, vou acabar perdendo aulas, e com os NOM's se aproximando, não posso vacilar. E você?
- Eu vou para casa, disso eu tenho certeza disso eu tenho certeza. Vou aproveitar para visitar Cassie e Julieta, talvez eu vá até a fazendo do senhor Daniel, não fica muito longe da capital, e eles ficarão alguns dias lá, mesmo.
- Meus pais iriam querer te ver - dizia a morena.
- Ainda chateada com o jogo? - era evidente um certo desânimo em sua voz.
- Sim... Foi uma surra! Um massacre!
- Lamento. Lamento mesmo.
- Bobo! Não precisa ficar chateado! Mas quero ver vocês massacrarem com aquele batedor nervosinho!
- Pode deixar que o Thor não irá sobreviver.
***
- LUNA! - Sarah chegou sem fôlego e "agarrou" a prima.
- Que foi? - a menina estava assustada.
- Eu beijei... Eu beijei...
- Você beijou? Beijou o que?
- O Harry!
- Que Harry?
- Harry Potter! - O olhar de Sarah atravessou Luna como uma flecha.
- Ah, claro – Luna ria da brincadeira.
- E se quer saber, não acho que ele gosta tanto assim da Weasley!
- "Da Weasley"? Engraçado, não é comum tratarmos amigos pelo primeiro nome? Desde quando você chama de Weasley uma colega de casa e classe?
- Bem...
***
- Olá, Mione. Olá, Rony. Olá, Harry - ele cumprimentava a todos, mas Harry não lhe estendeu a mão - e ai, já estão melhor? Nossa, a Sonserina estava pior do que no ano passado!
- Me dêem licença. - Harry se afastou, o que acarretou em Hermione ficando vermelha de vergonha e Rony olhando para qualquer direção, menos para Yoh. E, pelo visto, sua irmã não deu muita bola para isso. Seu semblante estava menos triste, mas a julgar pelo modo que se apoiava em Yoh, ela estava muito, mas muito cansada. O ideal, mediante a situação, seria que ela descansasse um pouco, pois foi uma das que ficaram mais machucadas, e precisava reservar energias para se recuperar. Seu corpo podia estar razoavelmente bem, mas suas forças, não.
- Você vai embora só por que eu cheguei? - Algo estalou na cabeça de Rony quando ouviu o que Yoh acabara de dizer, de modo que ele olhou imediatamente para Hermione em busca de apoio, mas não encontrou. Em vez disse, seguiu a direção para qual a namorada olhava.
Ela olhava para trás de Gina, percebendo que Amanda e Chaz vinham em sua direção e, ao virar o rosto, percebe que, no outro extremo do corredor, atrás de Harry, vinham Luna e Sarah.
Por que tinha a leve impressão de que as coisas iam ficar feias?
- Não, é por que tenho que falar com a Fygi. - E começou a andar para perto dela, uma vez que percebeu sua presença ali, enquanto Rony e Hermione ainda se olharam.
- Bem... - Gina sorriu amarelo. - E os planos para o feriado, vocês já tem algum? - Gina tentava mudar o foco da atenção.
Infelizmente, para o desespero de Rony, ela ainda não tinha se tocado do que estava acontecendo ali. Sabia que, mais cedo ou mais tarde, isso acabaria acontecendo. Não que desejasse isso, afinal de contas, estava em uma situação delicada, sendo cunhado e amigo de ambos. Era um raciocínio simples, por várias vezes ele e Hermione ouviram Harry falando mal do Yoh, e uma vez que a escola era bem movimentada, até alguém ouvir e espalhar isso, era um pulo. Agradecia pelo jeito calminho dele, mas já teve a oportunidade de testemunhar o que acontece quando ele ficava furioso.
Já Hermione não achava que Yoh estivesse furioso, não a ponto de perder o controle, mas em relação ao amigo.
Ela só sente Rony segurar forte em sua mão, como um sinal secreto, um trato que fizeram de não tomarem partido de lado algum, apenas de não permitirem que ninguém se machucasse.
- Por que você é sempre tão rude e grosseiro comigo, Potter? - Yoh falava alto o suficiente para ele ouvir. Na verdade, alto o suficiente para as pessoas no corredor ouvirem - foi algo que eu te fiz, por acaso?
A resposta era óbvia demais, todos sabiam, mas, mesmo no fim da tolerância, era típico dele não perder o controle, tentar resolver as coisas sem briga.
Infelizmente, quando Chaz se aproxima ainda mais, Rony tem uma desagradável lembrança, entendendo de vez que certas situações não se resolvem de maneira simples.
.
Harry olhou para trás, Luna e Sarah estavam paradas no meio do corredor olhando a cena, Amanda e Chaz estavam olhando a reação que o Harry ia ter, ele apenas se virou e encarou Yoh.
- Minhas maneiras não lhe dizem respeito Kneen, olhe primeiro as suas para depois falar das dos outros. - Ele se aproximou de Sara. - Poderia falar com você?
Outra acusação pensava Rony. Em horas como essas ele preferia ainda ser o sujeito esquentadinho de sempre para dar total razão a Harry, pelo menos não ficaria naquela indecisão toda.
Amanda balançou a cabeça para Chaz ao olhá-lo. Se eles não resolvessem aquilo ali por si mesmos, nunca resolveriam. Mesmo mandando para ela um olhar de suplica, Amanda ainda o segurava. Ela sabia que Yoh abominava qualquer tipo de violência, mas teria que resolver aquilo sozinho.
- Não podemos resolver as coisas de forma amigável, não é? - Ele fecha os olhos, para desespero de Rony. Gina entra em desespero quando vê Rony e Hermione colocando a mão por debaixo da capa, prontos para sacarem suas varinhas em caso de necessidade.
No entanto, algo diferente do esperado ocorre. Yoh abre os olhos e, diferente do brilho vermelhos, eles estavam como sempre, cinzentos. E, pela primeira vez, ele realmente percebeu isso, a luz do sol fazendo seus olhos brilharem ainda mais.
Mas algo estava diferente, justamente por que ele cruza os braços e sua expressão muda. Não a mesma expressão serena de sempre, pelo contrário, uma bem séria, mesmo. Não carregava nenhum ódio estampado, mas não guardava nenhum resquício da expressão anterior.
- Como quiser, seu metido presunçoso... - Rony voltou a deixar suas mãos a vista - como você fez questão de dizer, suas maneiras não me dizem respeito... Mas se é assim, quero deixar claro - Yoh caminhava na direção de Harry com a mesma expressão séria - que não vou mais tolerar que você fique falando mal de mim para as pessoas pelos corredores, entendeu? - ele sabia, como Rony havia deduzido. Era óbvio demais, o veneno destilado por Harry fora mais forte do que qualquer coisa, mas só esperava que aquilo não terminasse em briga, tudo menos isso. - Se eu me importasse com o que você pensa de mim, eu já teria feito algo antes, mas você não está agindo como um homem de verdade. Atacar as pessoas pelas costas não é coisas de cavalheiros, não sabia disso? Não é minha culpa se você pensa que o mundo gira ao redor do seu umbigo, portanto eu quero que pare de ficar me atacando e envolvendo meus amigos em seus joguinhos infantis, ficou claro? - ele olhava de soslaio para Chaz e Amanda.
Luna e Sarah se olharam, Hermione colocou a mão no ombro de Rony, Amanda e Chaz se olhavam sem entender e o que veio a seguir deixou alguns sem jeito.
O que ele pensava que estava fazendo? Quem ele era para falar daquele jeito com seu princip... com o Harry? Quem aquele arrogante pensava que era? Só por que ganhou o campeonato das casas no ano passado se achava a maioria? Não foi ele quem enfrentou o Lorde das Trevas tantas vezes, não foi ele quem correu perigo contra o basilisco, não foi ele quem...
Harry estava com a resposta na ponta da língua, mas não teve a chance de proferi-la.
- Ele não olha para o próprio umbigo. - Sarah pegou na mão de Harry, o qual olhou para ela. - Na verdade, você que está achando que ele tem motivos para pegar no seu pé, que ainda está ligado na sua namorada, e não é nada disso!
- Sarah, sua tonta. - Murmurou Luna, dando um tapa na própria testa, enquanto se lembrava de sua tia Ter dito algo acerca das loucuras que o amor faz as pessoas cometerem.
- Isso não te diz respeito, não pegue o bonde andando.
- Bonde? - Sarah não entendia direito o que diabos Yoh quis dizer, mas a primeira parte da frase ficou bem compreensível.
- Do mesmo jeito que você não gosta que falem desta maneira com você, eu não gosto que falem assim com os meus amigos.
- "Amiga"? Ei, aonde pensa que vai com a minha prima?
- Ora, isso não é da sua conta.
- Chega Luna, vamos todos sair daqui sem brigas e ofensas, okay? - E era impressão sua, ou Sarah acabara de apoiar uma das mãos na parede e agora estava respirando mais pesadamente do que o normal? Na verdade, ela parecia um pouco pálida... o que seria aquilo?
- Ora... – Falou Harry sem prestar atenção no pedido da menina. - Você é quem deveria tomar cuidado com quem anda, devia ficar de olho nesse sujeitinho ai! Sabia que ontem ele estava andando e conversando com o Malfoy? Por acaso você sabia o que ele foi fazer lá, ainda mais tarde da noite?
- Não... - fugindo por completo de seu nervosismo, Gina conseguia se controlar, enquanto segurava fortemente na mão de Yoh, em um ato de apoio e confiança - mas com certeza isso não é da usa conta, Harry. E, mais do que simples palavras, você deveria guardar um tempo para viver a sua vida, e não a dos outros.
- Você é muito tonta, Gina! Esse cara vai acabar conti...
Harry se silenciou diante do tapa que recebeu. O silêncio tomava conta do local, muitos ali ficaram pasmos com o ato dela, simplesmente porquê não esperavam tal coisa. Uma "troca de cortesias", mas aquilo... Nem mesmo Harry.
Mas, muito mais do que um tapa, muito mais do que extravasar sua raiva, Gina fez isso por que sabia que, mais um pouco e Yoh acabaria brigando feio com Harry, e conhecendo-o do jeito que conhecia, o mesmo iria ficar muito sentido depois por Ter agido daquela forma.
- Mas Gina, eu... - ele colocava a mão na face machucada.
- Espera um pouco - Yoh ficava na frente de Gina, quebrando o silêncio ao qual ficou durantes longos minutos, os quais usou para pensar nas ultimas revelações - eu vou fingir que você não chamou ela de tonta pra não piorar a situação...
- Yoh, por favor - Gina colocava a mão no seu ombro - por favor, não vale a pena.
- Eu... - ele se concentrou muito para não ficar nervoso DE VERDADE - eu... - dura um mero instante, no qual seus olhos se encontram.
- Chega. – Hermione olhou de Yoh para Harry. – Se vocês não saírem a-g-o-r-a, irei chamar os diretores das duas casas, não me importa que se perca pontos, apenas quero que acabe essa papagaiada no meio do corredor, estamos entendidos? – Todos se olharam, se afastando dali, não pelas palavras da monitora, mas sim por motivos muito, mas muito pessoais.
*****
- Ainda desmonto o Potter, escrevam o que eu digo! Ainda M-A-T-O ele. – Sim, Yoh estava "descontrolado", para a surpresa dos demais. Seus olhos estavam quase vermelhos, o que mostrava que ele ainda tentava controlar as emoções, mas pelo visto não estava tendo muito sucesso.
- Yoh. - Miranda sacudia ele. - Esquece o Potter, viva sua vida. Isso não combina com você. – e o largava, encarando-o, primeiro de forma dura, depois com carinho. Em seu intimo, via Yoh como um irmão mais novo que estava confuso com as novas descobertas, sem entender o que fazer.
- Mas mudando o rumo dessa conversa, o que foi fazer na Sonserina ontem a noite, só por curiosidade? Não que precise responder, obviamente. – Rika abria o maior sorriso amarelo do mundo.
- Fui agradecer o Draco por Ter consertado o meu violino que tinha quebrado...
- Sabe qual é o seu problema? – Ariel descruzava as pernas e se erguia de onde estava sentada - Você é bonzinho demais, Yoh.
- É a personalidade da Dona Amy, sabe – Carlos murmurava no ouvido de James diante da súbita mudança de temperamento de Ariel – o senhor Sume comentou que ela era assim na escola, que era meio calada, mas sabia se impor.
- Eu ouvi isso! – e rangia os dentes para ambos, os quais fingiam que não era com eles. – Mas eu estou falando sério. Você tenta resolver o seu problema de "nervos" controlando suas emoções. Não percebe que deveria se soltar um pouco as vezes? Não pode ficar guardando essa raiva para dentro de si, tem que liberá-la um pouco, senão acabará explodindo.
- Não quero fazer mal a...
- E daí? Não pode agradar a gregos e troianos – ela literalmente estava com o dedo encostado na cara dele – Anote o que eu digo: se ficar guardando essa raiva pra dentro de si, um dia ela vai se tornar tão forte, mas tão forte, que vai acabar ferindo alguém de verdade, matando-a, até. E poderá ser qualquer pessoa, entendeu? Qualquer pessoa. Eu, Carlos, Gina, sua mãe, senhor Kneen... qualquer um. Guarde bem minhas palavras, antes que se arrependa delas.
- É mesmo? E o que sugere que eu faça, sabichona? – Julieta quase engasgou com o bolo que comia ao ouvir as palavras de Yoh, e só chegou a tanto por que Rika deu-lhe um senhor aperto, fazendo-a cuspir o bolo. Desde quando ele falava daquele jeito com eles?
- Faça o que tem que fazer. Arrume um jeito de estravasar sua raiva, aliviar a tensão. Vingue-se do Potter, se isso vai te deixar relaxado, mas não fique guardando isso só pra você, entendeu? Sabe para que existe o capelão em um navio? É para o capitão poder conversar em momentos difíceis, mesmo que demonstre uma postura rigida para seus marinheiros. Você tem a Gina, tem sua mãe, seu pai, tem a todos nós. – os olhos de Yoh voltam ao normal diante do que ela acabara de dizer – mas não junte tudo isso para você. Você não está sozinho, lembre-se. Não cometa o erro de juntar tudo para você.
***
Neville estava saindo da torre quando vê Luna vir correndo em sua direção.
- Neville, minha prima está aí?
- Não, por que?
- Nada, estou procurando ela, ela esteve recentemente por aqui, não?
- Sim, como sabe?
- Obrigada - ela continuava procurando a prima. Não era boa idéia se meter em algo que não lhe dizia respeito, lembrava.
***
- SARAH!!! – Luna vê a prima caída no chão e entrou em pânico quando a viu naquele estado – SARAH!!!
Talvez obra do destino, mas Luna agradeceria a Merlim até o fim dos tempos por madame Pomfrey estar passando por ali.
- Por favor, me ajuda! – e chorava fortemente – por favor.
- Por Merlim, senhorita Fygi... O que foi que houve com você, menina? – e pegava a menina no colo, andando apressada com a mesma até a enfermaria.
***
Gina, Hermione e Amanda continuavam conversando sobre as festas. Era o último dia, no dia seguinte iriam para suas casas.
Ainda bem, pensava Hermione. Talvez as festas de final de ano fossem suficientes para acalmar as pessoas, por que desde o dia anterior uma nuvem pairava pela escola, e a mesma se recusava a sumir. Gina, por exemplo, sequer dirigiu a palavra a Harry desde então.
Dava para piorar?
- Chegou - Amanda olhava para o alto, aonde uma coruja colocava o Profeta Diário em sua mesa, e o mesmo acontecia com James, e um monte de alunos.
Mas a surpresa maior foi a primeira capa, aonde havia a face de Harry e Draco, com Harry em uma face de frustração e Draco, de vitorioso.
"O dia em que o menino que sobreviveu fora abatido", por Rita Skletcher.
Do outro lado, Hermione franzia sua sobrancelha enquanto lia o exemplar do jornal. Ela e aquela repórter não mantinham bons relacionamentos, temia só de pensar no que ela podia Ter escrito...
"Depois de uma vitória após a outra por anos seguidos, o time da Grifinória fora derrotado. Muitos se perguntam o motivo, alguns dizem por falta de talentos no time, mas é de total conhecimento que o Capitão do time, Harry Potter, não parece apto para a função."
- EÍ, POTTER, ESTÁ LENDO ISSO? - Draco gritava da mesa da Sonserina, tendo um principio de sua risada maligna(™).
"O time da Grifinória tem se destacado ano após ano desde que Harry Potter, o melhor aluno de Hogwarts, entrou para o time. Muitos creditam a derrota a sua pouca experiência como capitão, mas poucos sabem o que eu realmente sei depois de uma longa pesquisa, mas o que Harry tem é uma fase gravíssima, chamada DOR DE COTOVELO!".
- Yoh - James o observava - quer que eu leia mais alto?
- Estou te ouvindo, na verdade, toda a mesa está prestando atenção. Pensando bem – ele fazia um esforço hercúleo para não rir – vai ser difícil você ouvir sua própria voz por aqui...
"Como é de conhecimento geral, Harry Potter recentemente passou por grande uma desilusão amorosa e uma traição dupla: sua amada, HERMIONE GRANGER estava usando ele e o jogador Victor Krun em seu beneficio próprio, mas recentemente ela se
decidiu, e foi uma facada certeira, na qual ela trocou-o pelo desconhecido Ronald Weasley, conhecido por sempre andar atrás deles e agora roubar sua namorada."- EU NÃO ACREDITO QUE ELA ESCREVEU ISSO! - Hermione bufava. Da última vez, recebeu durante meses correspondências explosivas e a mãe de Rony a olhou de maneira feia por um longo tempo.
"Mas isso não é nem a ponta do iceberg, meus caros leitores. É de conhecimento geral que muito disso se deve ao fato de Harry Potter se sentir ameaçado diante da crescente fama do Jovem conhecido como Yoh Kneen. Além de ser apanhador do time da Corvinal, Yoh Kneen também é conhecido por participar da corrida anual de vassouras na Suécia, na qual tem se consagrado consecutivas vezes como campeão absoluto."
- Campeão absoluto? - Carlos franzia o cenho - ele teve sorte de chegar na final!
- Como assim? - Miranda olhava para Yoh.
- Eu nunca ganhei essa corrida, Miranda... Sabia que o percurso atravessa uma reserva de dragões? É uma vitória chegar na linha de chegada, na verdade.
"E, no ano anterior, ele adicionou ao seu ranking de vitórias o campeonato entre as casas e a taça do torneio de Quadribol, depois de mais de dez anos, foi a vez da Corvinal brilhar. Ele também é conhecido pelo incrível feito de ter vencido uma Firebolt com uma Nimbus modelo 3000 e, como se não bastasse, enfrentou com um bastão de batedor uma harpia para resgatar uma aluna em perigo"!
- Ele não fica uma graça no Jornal? – Jane apontava para uma foto aonde Yoh mergulhava como um raio, segurando um bastão em uma das mãos, voando em direção a harpia, a qual segurava Gina – minhas amigas vão morrer de inveja!
"E existem boatos de que fabricantes de vassouras estejam querendo contratá-lo como garoto propaganda! Aparentemente isso afetou moralmente o Jovem Harry Potter, e há relatos reais de que a própria HERMIONE GRANGER chegou a cogitar escolhe-lo como seu namorado, o que seria mais um na lista de sua eterna ambição de ascensão social".
- Onde está isso? - Rony perguntava ao ver a foto em que Yoh dançava com Hermione no ano anterior, em Hogsmeade - Ahhh...
- Amanda, tem como piorar?
- Tem sim, Gina. Olha só isso aqui.
"No entanto, a aluna Hermione Granger foi mal-sucedida em sua luta para vencer na vida a qualquer custo, pois o jovem Kneen acabou se apaixonando justamente pela irmã de seu namorado atual, a ruiva Gina Weasley, goleira da Grifinória. Ao ver sua ex-namorada de infância trocá-lo por outra pessoa, Harry porter não agüentou a pressão, e isso se revelou no jogo de ontem. Que pena, Harry. Isso acontece. Mas temos certeza de que você encontrará outra pessoa, apenas tenha mais cuidado com as Ginas Weasley's e Hermiones Granger's da vida que só se interessam por rapazes famosos, pois isso vai acabar com sua carreira, rapaz.
Rita Skletcher ."
Uma gota surgia na testa de Yoh, e na mesma hora ele olhou para trás, encontrando o olhar de Gina, que estava bastante vermelha pelo fato de grande parte dos alunos estarem olhando para ela. E para Hermione também.
Luna estava quieta, leu a noticia, mas não se importou muito. Seus pensamentos estavam na enfermaria, sua prima estava doente e ela não pode fazer nada para ajudá-la. Algumas lágrimas furtivas caiam de seus olhos, sendo percebidas pela sua amiga.
- Lu. - Falou Morgana. - O que você tem?
- Nada. - Ela limpou as lagrimas. - Besteira minha...
Na mesa da Grifinória, duas meninas estavam mais do que furiosas, estavam piores do que leoas quando vem seus filhotes em perigo. Jane terminou de ler a noticia e olhou para Dumbledore, o qual suspirou cansado.
- Ela havia sumido mais voltou a toda. – e tentava manter uma expressão de seriedade diante do olhar de Jane, a qual estava preste a dar a maior gargalhada de sua vida.
- Calma Alvo. Os alunos sabem que ela é mentirosa. - Diz Minerva, sorrindo por detrás da xícara.
- Eu vou esganar aquela repórter. - Diz Hermione de punhos fechados. - Bendita hora em que eu abri aquele vidro!
- Você por algum mero acaso do destino não teria nada a ver com isso, não é – James, por debaixo da mesa, chutava Yoh.
- Você não é o inteligente do grupo? Tecnicamente falando, é impossível eu Ter dado uma entrevista para ela em tão pouco tempo, mesmo que eu enviasse a coruja mais veloz da escola, a mesma só chegaria até a redação do Profeta Diário de Madrugada, horário em que está fechado, se esqueceu?
- Então ela teve um trabalho desgraçado pra descobrir tudo isso. Estou surpreso por ninguém Ter percebido a presença dela no vilarejo.
- Talvez por que estávamos inventando um meio de fazer Cho andar, lembra? – e olhava de soslaio um pouco distante aonde Cho, ao lado de Padma, parecia não se importar muito com o que acabou de acontecer.
Ela superou bem, lembrava-se. Ainda tinha uma certa mágoa, mas parecia Ter se esquecido do fato do Potter tê-la deixado de lado.
Talvez ainda algum ressentimento, mas ela conseguiu superar. Na última reunião do time ela havia confessado que a família iria viajar para seu país natal ao fim do ano letivo, e ela iria aproveitar para pensar mais um pouco sobre os últimos acontecimentos.
Esperava que isso a ajudasse a relaxar e esquecer – ou, pelo menos, encarar melhor – as dores do coração que teve nos últimos anos.
- E aí? – James o interrompia.
- Eu acho que essa Rita deveria tentar seguir carreira de escritora profissional. Ia fazer a Rowling parecer uma escritora de fanfics!!!
***
- Já vai?
- Já, vou sentir sua falta - Yoh acariciava sua face.
- Eu também, desculpe.
- Não, tudo bem. Acho lindo isso, você querer ficar com ele. Mesmo. Mas eu te escrevo, ta.
- Ta. Feliz natal, Yohzinho.
- Feliz natal Moranguinho - e dava um beijo nela, abraçando-a com todas as suas forças.
- Yoh... eu quero te pedir uma coisa.
- Sim?
- Durante o natal... eu queria pedir para você não pensar em nada do que aconteceu por aqui.
- Como é? – ele torcia o pescoço, não entendendo o que ela queria dizer com aquilo.
- Nós tivemos muita dor-de-cabeça por aqui, mas agora você estará indo para casa, encontrar-se com o seu pai. Sei que tem muita coisa pra conversar com ele além de matar a saudade, portanto eu não queria que você se irritasse nesse natal.
- Você sabe que está me pedindo algo muito difícil, não sabe? Não dá para esquecer isso assim, de uma hora pra outra. Eu realmente ainda estou indignado com isso, com todas essas coisas e...
- Eu sei – ela colocava o dedo na boca dele – mas poderia fazer isso... por mim? Vou ficar mais feliz sabendo que você estará bem, conversando abertamente com o seu pai.
- ...
- ...
- Está certo, você venceu. Vou fazer isso, vou tentar não pensar nessas coisas, ok?
- Que bom, fico feliz.
- Certo, e... moranguinho, eu...
- Sim? – ela segurava as mãos dele, já sentindo saudades.
- Eu vou resolver alguns assuntos com a minha mãe e... bem, tem algumas coisas importantes que eu quero conversar com você quando voltar.
- Ok.
***
- Tem certeza, que ficará bem?
- Tenho, feliz natal, Luninha. - Sarah beija a testa da prima.
- A tia vem ver você, não vem?
- Vem sim, mas não se preocupe, tá!
- Claro que eu... ah, quer saber? Eu não vou pra casa, vou passar o natal com você!
- Mas a tia vai ficar furiosa! E o tio também!
- Eu sei... mas não consigo ir pra casa com você assim! Que droga, deve ter algo a ver com os animais daqui, eu vou subir pra desfazer as minhas malas e já volto...- Luna saiu correndo da enfermaria, e Sarah olhou para Madame Pomfrey.
- Deixe minha prima pensar que é dos animais.
- Claro, fique tranqüila.
- Madame Pomfrey...Eu pensei que bruxos não tinham isso...
- É raro... Mas acontece... A magia não nos protege de doenças. O senhor Kneen, por exemplo, ele sofre de um problema mortal. Estamos fazendo tratamento, mas até então, eu não descobri a cura para o problema dele.
- Eu pensei que apenas trouxas... tivessem... Leucemia. - Sarah começa a chorar, e madame Pomfrey não esconde as lágrimas também.
- isso pode acontecer com qualquer um, lembre-se. Existem coisas que nem magia pode curar.
Luna voltou para a enfermaria e se sentou ao lado da prima, Madame Pomfrey se retirou, precisava falar com Dumbledore.
***
- Harry, o que vai fazer? - Pergunta Rony, olhando a carruagem em que a namorada estava, partir.
- Não sei. Pensava que iria passar o natal com o Sirius, mas ele não pode conseguir uma casa ainda, e tem que se manter um pouco longe da escola.
- É, a Gina não foi viajar por que queria ficar comigo.
- Mesmo?
- É, que legal, não acha? E pensar que no ano passado ela estava furiosa comigo - ele abaixava a cabeça em reconhecimento de seu erro - bem, deixa pra lá. Vamos andando, não quero ficar aqui fora com esse frio todo! – e tentava mudar rapidamente de assunto ao perceber o sorriso do amigo. Já havia conversado isso com Hermione. De um jeito ou de outro, aquilo iria terminar antes das aulas começarem.
- Nunca mais vi aquela menina. - Rony olhou para o amigo.
- Que menina?
- Sarah Fygi... acho que foi passar o natal com os pais. E aí, Rony... o que iremos fazer, jogar xadrez?
- Xadrez de bruxo... hmmm..
- O que foi?
- Acabei de lembrar, enviamos o relatório para o Frudge, mas Madame Pomfrey acha que não conseguiremos a aprovação dele. Se for assim, teremos que pensar em uma alternativa, criar locais para os animais. Mas estamos sem verba... talvez... de fizéssemos um torneio para arrecadar fundos... isso! Um torneio de xadrez de bruxo!
- Boa idéia, nas escolas trouxas eles fazem torneios de xadrez, eu vi um, é bem legal.
- Vou falar com a Luna, já que é a única que ficou aqui no natal... Bem vamos comigo?
- Claro.
***
- Luna, queria falar contigo, eu...
- Agora Não dá, Rony. Tenho que ficar com a minha prima, ela ficou doente e acabou não indo pra casa no natal.
- Sua prima? - Harry ficou um pouco surpreso.
- Sim, faz dias que ela está na ala hospitalar e a madame Pomfrey não a libera.
- O que ela tem? - Perguntou Rony.
- Eu acho que é por causa dos animais. - Harry se distanciou dos dois e foi andando até a enfermaria, dando de cara com Florinda, que estava saindo.
- Senhorita Florinda, posso ver a Sarah Fygi?
- Claro, pode entrar.
- Oi, Sarah.
- Hã? Oi, Harry. Não foi para casa?
- Sempre fico por aqui. Sua prima está vindo, ela contou que você não está bem. O que houve?
- Só foi um mal-estar, já passou. Madame Pomfrey é que me segurou aqui. - Harry sentou na cama, e ficou olhando para a menina que estava com os lábios brancos e muito abatida.
- É só isso mesmo?
- Sim. - Luna e Rony entraram na enfermaria, Sarah sorriu para os dois.
- Oi, Sarah. Sente-se melhor?
- Claro, obrigada por me visitar.
- Que bom! Trouxe umas frutas, espero que goste!!!!
- Hum estão com um aroma muito bom. - Ela sorriu para a Luna, que estava sorrindo como sempre. Quisera ela ser tão cheia de vida como a prima.
Rony e Harry saem dali quando Luna começa a fazer um número musical para a prima. Definitivamente não estavam com paciência para aquilo...
- Acho que madame Pomfrey não vai gostar – ela fazia uma careta.
- Não "esquenta" – e terminava de calçar suas sapatilhas de dança – Essa aqui vai te animar, se chama "Smooth Criminal"...
***
- Por que não fala com a sua mãe?- Yoh fingiu que não escutou o que o pai disse.- Yoh...
De sem canto, ele continuava arrumando a árvore de natal. Jane havia saído para fazer algumas compras, enquanto ambos davam um jeito na casa. No fim não iriam passar o natal na fazendo, já que a previsão do tempo anunciou uma forte nevasca para os próximos dias, mais do que suficiente para interditar as principais vias de acesso da cidade.
- Temos que conversar sobre isso agora, pai?
- Seria bom, filho. Mas isso só se você quiser.
- Não sei se o senhor pode ajudar...
- Filho... Sei que no quesito sabedoria e maturidade, você puxou a família da sua mãe. Garotos da sua idade não fazem o que você faz. Mas eu tenho mais vivência do que você. Por acaso minha experiência pode lhe ser útil de alguma forma?
- Bem... Mamãe quer... ela quer reassumir o que era... quem era...
- Hum. - Daniel sentou-se no sofá. - Eu já sabia disso.
- Faz alguma diferença eu dizer que é por isso que não estamos nos falando ultimamente?
- Depende daonde você quer chegar com isso . Acha que agindo assim vai tirar essa idéia da cabeça dela?
- Então o senhor apoia?
- Não podemos ficar nos escondendo a vida toda, filho. Ela não pode.
- Não é a melhor hora...
- E quando será? Nunca é a melhor hora, até que não tenhamos mais nenhuma opção, acredite. ÀS vezes, é melhor nós fazermos algo antes que façam por nós.
- Pai, você acha que alguém poderia...
- Tem amigos e amigos, meu filho.- Jane entrou em casa e deixou as compras na mesa da cozinha.
- Olá, família!- ambos a cumprimentaram enquanto ela ajeitava as compras.
- Mas, pai... o senhor colocaria sua família no fio da espada por causa de uma possibilidade? Arriscaria tudo, trocaria o certo pelo duvidoso?
- Não.
- Então como quer que eu aceite isso?
- Eu não faria... mas você tem que compreender, filho... sua mãe não quer que você carregue o fardo que ela carrega.
- Bela maneira de se livrar dele. Não quero que isso signifique colocar os dois em perigo.
- Ei, olhem o que eu achei no mercado. - Jane senta no colo do marido e mostra o pequeno vidro de tempero. - É importado, direto do Brasil! - Daniel pegou o vidro e olhou o preço.
- 10 libras... hum... Tempero mineiro... - Daniel se levantou correndo. - Vamos ter pratos Brasileiros no meu restaurante... um dia especial, pronto, decidido... mas terei que fazer um curso. - Daniel piscou para Yoh, ou era agora que falava com Jane, ou não falava.
- Muito cheio o mercado?
- Muito. Grande o número de pessoas fazendo compras de última hora.
- Sei. A senhora me arrumou uma tremenda dor de cabeça, sabia? Ter que pesquisar a família do Potter está sendo mais difícil do que eu imaginava.
- Mas é tão fácil saber sobre os primeiros Potter. - Jane sorriu.
- Claro que não, tudo gira em torno do Harry Potter. Todo o clã foi esquecido, só tem relatos sobre ele. Estou tendo que me descabelar, sabia? Por que os avós dele não tiveram mais filhos?
- Como se você não gostasse de um desafio... aposto que já andou fazendo encomendas para o seu amigo na biblioteca do ministério.
- Pode ser... A senhora ainda está com aquela idéia idiota ?
- Que idéia idiota?
- Mãe, não se faça de desentendida.
- Eu quero que você assuma o nome que tem, assim como eu assumi.
- A SENHORA O QUE?
Jane lhe joga um pedaço metálico, o qual ele reconhece na hora como o bruxo-card da conta que ela tinha no gringotes. Se ele bem se lembrava, teve que refazer a conta e... e...
Estava lá, com o nome assinado, todinho. Todo, mesmo.
- A senhora é louca? Quer morrer, por acaso?
- Eu já morri, lembra? Agora quero ser livre, apenas isso. E quero que você seja livre também.
- Deixe-me ver... Ser preso e continuar vivo, ser livre mas morrer... Puxa, é difícil escolher, sabe.
- Você teme demais.
- Não temo, sou precavido. O medo nos ensina, desde que não o deixemos tomar o controle. A senhora me ensinou isso, lembra?
- Não podemos nos esconder para sempre, filho.
- E a senhora escolheu justo agora para se mostrar... Justo agora que o mestre das trevas ressurgiu, não é mesmo?
- Sabe que é mesmo, agora que eu percebi isso. Mas veja bem, ele não é tão mal. - Jane riu, riu muito ao ver a cara que o filho fez. - Yoh meu amor, a vida nos dá oportunidades de crescermos mas nos dá também obstáculos para superarmos, por exemplo, até agora eu não engulo que você está praticamente um homem feito, com namorada, enquanto eu estou ficando velha e enrugada.
- Você sabe que não ficara tão velha. Na verdade faz muito sucesso em toda a escola. Até o Snape fala educadamente com a senhora! E o zelador também, que milagre!
- Serei uma idosa fina. - Yoh não podia acreditar que sua mãe estava de bom humor. - Ei, o que acha de ganhar um cordão com o símbolo da família? Ficaria bonito em você.
- Mãe... – os olhos dele refletiam a luz do ambiente, encarando duramente a mulher à a sua frente - eu não quero ser um Malfoy.- Jane ganhou expressões sérias e se levantou.
- Você é um Malfoy, filho. Não negue isso. Não pode negar isso.
- Tudo bem, não nego... mas não engulo que a senhora tenha que pagar por isso.
- Mesmo? Fiquei sabendo que tem andado na companhia de alguns sonserinos. Na verdade, você tem se dado muito bem com eles. Sabia que agora me lembrei que você quase entrou para a Sonserina? Talvez você tivesse sido o melhor pra você, ao menos não seria assim, tão receoso.
- Eu fiz questão de esquecer disso... também de esquecer que aquele chapéu idiota resolveu me mandar para a Grifinória por que eu não queria, mas eu discordei e ele me enviou para a Corvinal.
- Então não reclame meu, amorzinho. Você é um Malfoy, sempre será um, e vai ter que aprender a fazer jus não somente ao nome do seu pai, mais ao meu também.
- Mas mãe...
- "Mas" nada, chega por hoje... Daniel, meu amor, o que está fazendo?
- Assando a batata. Já vou ai, só um instante.
- Dumbledore e seus amigos não foram capazes de protegê-la da ultima vez, por que eu deveria acreditar que agora seria diferente?
- Meus amigos... dois deles morreram, um sumiu, outro foi preso injustamente. Dumbledore me protegeu ajudando a me esconder no mundo trouxa, o resto foi por minha conta.
- Ele não tem poder no mundo trouxa, e pelo que eu me lembro, a senhora quem se escondeu, isso sim, e sem a ajuda dele. Na verdade, faz pouco tempo que ele soube da senhora. Que impede de... de "ele" aparecer aqui para fazer uma visitinha ao papai enquanto estamos fora, hein? Seria genial, saberíamos pelo jornal.
- Yoh, pare com isso agora mesmo! – Jane estava começando a ficar com raiva do comportamento do filho.- Nunca mais ouse botar palavras na minha boca, entendeu?
- Estou sendo realista, isso sim - e se ergueu, indo para o seu quarto.
- Na estaca zero de novo, não é?- Daniel colocava a cabeça para fora da cozinha.
- Nada... Estou cansada.
- Não cobre muito de si mesma.
- Eu sei... mas eu quero fazer isso, querido. Não quero que ele sofra pelos meus erros. Quero dar a ele a chance de fazer as coisas antes que não tenha a oportunidade de fazê-las, mas ele simplesmente não me entende!
- Você se irrita com ele, odeia esse comportamento... Mas está se esquecendo de que ele é um garoto, só tem 15 anos. Você fez muitas coisas com a idade dele, cometeu erros também. Não pode esperar que ele não cometa erros. Faz parte do seu desenvolvimento. Aquele que não erra não aprende. Às vezes isso precisa acontecer. Por mais que ele tenha puxado esse lado da sua família, de às vezes parecer frio para todo o mundo, lembre-se da idade dele. Ele é sucessível a tudo, ira, raiva... Medo, pânico... e eu sinto um medo enorme nele . Medo de que algo aconteça conosco.
- E você, o que pensa a respeito disso?
- Eu já te disse, vou te apoiar, independente de qual seja a sua decisão. Mas há um erro grave que você está cometendo. – Daniel puxa uma cadeira e se encosta na mesa, de modo que Jane, imitando o ato do marido, puxa outra cadeira e apoia os cotovelos, fitando-o.
- E qual seria?
- Nosso filho é muito maduro. Muito, mesmo. As vezes, chega a me assustar. Tem vezes em que eu tenho a impressão de que ele é mais maduro do que nós dois – Jane olhou feio para Daniel – ei, é sério!
- Eu não sou proibida de realizar magias aqui, sabia?
- Mas você não vai atirar no seu amado, não é mesmo? – e arrastava a cadeira para perto dela, roubando-lhe um beijo.
- Vai Ter que fazer bem mais do que isso se quiser me deter, senhor Kneen.
- Talvez, podemos acertar nossa "conta" mais tarde...
- O que você quis dizer com ele ser mais maduro do que nós?
- Não é algo difícil de acontecer, mas você se esqueceu de uma coisa muito, mas muito importante: experiência. Ele tem maturidade, mas não tem tempo de vida. Por mais que saiba encarar nova situações, ainda assim será uma novidade para ele, e não temos como prever como ele reagirá diante delas. Acreditamos que, por termos instruído-o da melhor maneira possível, ele nunca irá errar ou, ao menos, não ficará acuado, mas cada pessoa é uma pessoa. Você passou por muita coisa na vida e não quer que nosso filho passe pelo mesmo, que você, mas... o que foi?
- Nada... – Jane ouvia atentamente as palavras de Daniel – continue. Acha errado eu querer impedir que ele passe pela mesma coisa que eu passei?
- Ele nunca irá passar pelos mesmos problemas que você passou. Não da mesma forma, por que as pessoas reagem de diferentes formas e, mesmo que ele faça as mesmas coisas, nas mesmas situações e com as mesmas pessoas, ainda assim não será você, e sim ele.
- Então você acha que devemos deixar ele quebrar a cara, sofrer na pele? – Jane fechava os olhos, suspirando.
- Acho que devemos dar um voto de confiança a ele. Nós o criamos até então, mas ele não ficará sob nossa tutela para sempre, e ele tem se dado tão bem com a Gina...
- Como sabe? Ah claro, que tonta, as cartas!
- Isso... você sabe que não podemos viver a vida dele, mas podemos estar prontos para ajudá-lo em qualquer necessidade.
- O mundo bruxo é bem diferente do mundo trouxa, sabe.
- Acha mesmo que existe diferença? Brigas internas, grupos rivais, grupos de amigos, facções estudantis, famílias nobres, elites milionárias, governos regionais, bibliotecas, bairros, vilarejos, ônibus, jogos, corridas de vassoura... eu ainda me espanto com o fato de haverem tantos bruxos que se assustam quando visitam o mundo trouxa.
Jane perdeu a noção do tempo em que esteve ali conversando com Daniel. Minutos, horas... nada importava, só estar ali com ele. Até mesmo as preocupações eram deixadas de lado por alguns momentos.
Era verdade que seu filho puxou muito o lado de sua família, mas sempre soube que muito do que ele era atualmente, havia puxado do pai... havia aprendido com o mesmo.
***
- Gina, você está tão distante, o que houve?
- Amanda, o Yoh estava tão triste quando se despediu, estou preocupada.
- Mesmo? Por que?
- Acho que era por causa da senhora Kneen, eles não estavam se falando por causa de uma discussão que tiveram, sabe.
- Mesmo? E por que?
- Ele não explicou, mas tinha algo a ver com problemas de família. Nem estavam se falando nos últimos dias.
- Rony, estou saindo. - Harry sai da torre e caminha até a enfermaria.
- O que deu nele? - Perguntou Amanda – pra variar?
- Sabe que agora fiquei curioso? – ele maneava a cabeça. Desde o último incidente Gina não estava mais dirigindo a palavra à Harry, ignorando-o como se ele não existisse. – Receberam corujas?
- Sim, o a mãe do Chaz está crucificando-o.
- Ainda não – Gina olhava pela janela, como se a qualquer momento Karasu fosse aparecer - e você?
- Estou esperando uma para hoje a noite. Que tal escrever uma coruja para eles?
- Já enviei uma. – Amanda dava um sorriso ao descobrir que havia um desenho eu feito em uma tinta de trouxa atrás da carta.
- Eu também. Espero que ele esteja bem.
- Tanto assim?
- Ele... ele costuma dizer que sempre conversa abertamente com os pais... deve ser algo sério.
***
- Senhor Potter, ainda bem que está aqui, creio que a senhorita Fygi queira tomar um pouco ar, poderia acompanhar ela em uma pequena e leve caminhada? Nada de esforços, por favor. - Madame Pomfrey deixou ele entrar na enfermaria, Luna não estava lá.
- Cadê a sua prima?
- Foi se banhar, logo ela volta.
- Bem, vamos dar uma volta?
- Eu não sei se posso...
- Madame Pomfrey deixou, vamos.
- Certo, vou vestir uma roupa, acho que de pijama não dá. - Ela sorriu e Harry sorriu também.
- Estarei te esperando lá fora.- Depois de um minuto ela saiu da enfermaria, Harry estendeu o braço e ela aceitou, os dois começaram a andar calmamente. Luna estava indo para a enfermaria e viu os dois caminhando em silêncio e resolveu ir a biblioteca ler um pouco. Melhor assim, ao menos ela se divertia um pouco, bem melhor do que ficar o dia inteiro em uma cama.
- Sarah – Harry a fitava. Já havia visitado-a varias vezes e algo lhe veio a mente - me conta, o que você tem de verdade?
- Algo que em bruxos é raro e... Maligno. - Harry olhou para ela, assustado. Que tipo de doença poderia causar tanto mal a um bruxo? Que doença seria essa que madame Pomfrey estava tendo dificuldades para curar?
- O que é?
- Leucemia... Por favor, não conte para minha prima!
- Por que sua prima não pode saber? – ele perguntava assustado. Era novidade saber que uma doença trouxa estava causando tudo isso - É sua família, ela tem o direito de saber, pode até te ajudar sabendo.
- Eu não quero que ela se preocupe em me ver definhar aos poucos. A Luna é cheia de vida, não quero vê-la triste por minha causa.
- Sarah. - Harry ergueu o queixo dela. - Você vai melhorar. Mas devia contar para ela. Não vai poder esconder isso para sempre. Nada que fica oculto permanece assim sempre. – E, naquele momento, algo lhe vem a mente.
- Eu vou morrer...
- Não vai, não. Você vai melhorar, a magia...
- Harry, a magia é para coisas pequenas e fáceis de resolver, se tudo pudesse ser resolvido através da magia, todos os problemas já teriam sido resolvidos. Não haveria raiva, ódio, ira, discriminação, preconceito, doença, discussões, mortes...
- Bem... tenho certeza de que farão alguma coisa, pois... pois... Veja o Kneen – e se roía internamente por pensar nele - por exemplo. Não estão dizendo que o coração dele parou e madame Pomfrey fez ele voltar a bater? Pois se ela pôde traze-lo da morte, tenho certeza de que pode pensar em algo para te curar. Talvez não o tenha feito porquê não tenha se deparado com isso até então, mas tenho certeza de que ela poderá encontrar uma solução, tenha fé.
- Madame Pomfrey falou que eu tenho que fazer um tratamento trouxa... - Lágrimas começaram a escorrer pela face pálida da menina, Harry a abraçou.
- Não chore, pode contar comigo, sou seu amigo. Ela tem diploma em medicina trouxa também, você poderá fazer o tratamento aqui mesmo. Não vai ficar sozinha, vou continuar te visitante todos os dias.
Pena e compaixão. Ele sentia muita compaixão dela. Era triste, diferente de Voldemort, era um inimigo que não poderia ser vencido com magia. Mais do que nunca, teria que saber o que é apoiar e confortar. O Kneen poderia ficar para depois. Sarah era mais importante do que aquele sujeito. Resolveria seus problemas com ele depois, por ora, tinha coisas mais importantes para resolver.
***
Já eram onze horas. Os mesmos estavam em casa, reunidos. Vez ou outra um vizinho aparecia para desejar feliz natal, mas todos se aprontavam para ver a queima de fogos que se realizaria em uma hora.
- Logo, logo, o céu estará lindo. - Comenta Daniel abraçado com Jane.
- Pai, que tal uma pose para uma foto? - Fala Yoh mostrando a máquina.
- Você e suas manias de querer tirar foto todo santo natal e ano novo...
- Deixa de ser chato, Dani. - Jane beija o marido e faz sinal de positivo para o filho.
- Essa foto ficou perfeita. - Diz Yoh rindo do jeito do pai.
- E sua namorada?
- Ficou na escola com o irmão. Pai, preciso de um conselho.
- Pois não?
- Se um chato estivesse dando encima da mamãe descaradamente e ainda por cima estivesse te difamando, o que o senhor faria?
- Quebrava a cara. - Jane cruzou os braços.
- Isso, vai ensinando besteiras para o nosso filho.
- Por que não? Um cavalheiro de verdade não ataca pelas costas. Filho, às vezes a violência pode ser a sua única opção, mas nunca será a sua melhor opção, lembre-se disso.
- Tá, mas o que eu faço?
- converse com ele, tente entender os seus motivos.
- Ele não quer conversar comigo, tem sido hostil desde o inicio do ano letivo e esta descaradamente dando encima da minha namorada! Pombas, até o Draco consegue ser mais suportável do que ele!
- Quem e ele?
- Desculpe mãe, mas não quero que a senhora fique pegando no pe dele.
- E o que te faz pensar que eu farei isso?
- Eu conheço muito bem a mãe que tenho.
- Hmmm... eu tinha um amigo que passou por algo parecido.
-É mesmo? Ele era difamado por outra pessoa que estava interessada em sua namorada?
- Não, ele era o difamador. Tinha uma garota da qual ele gostava. Mas, bem... No principio ele não dava a mínima para ela, só começou a prestar atenção quando ela começou a namorar outro rapaz, entende. Daí ele começou a investigar o namorado dela, procurar falhas, falar mal dele e tudo mais... Até que, por um acaso, ele expôs um segredo do rapaz que ele não gostava de comentar muito, e a garota o largou e ficou junto com esse meu amigo. O rapaz ficou bastante constrangido, afinal, ao seu ver, tal coisa não era da conta de mais ninguém.
- Seu amigo não foi um tanto quanto... sujo?
- No amor e na guerra vale tudo, filho.
- Até mesmo destruir a vida de uma pessoa? Esse seu amigo pensou nisso? Eu não sei qual era o segredo, mas se era algo forte o bastante para a garota abandonar o antigo namorado, então poderia muito bem destruir a vida dessa pessoa, não acha?
- Nisso você tem razão... é algo sobre ele que todos desconhecem. A cegueira. Ele ficou cego por ter perdido a garota que nunca foi dele realmente, e usou de tudo para atingir seus objetivos, e conseguiu.
- Acha que essa pessoa pode fazer o mesmo comigo?
- Não sei, mas é bom ficar esperto se preza sua namorada.
- Claro que eu prezo!
- Então fique mais esperto ainda...
***
- Aonde você foi? - Perguntou Rony para Harry que acabará de entrar na torre.
- Visitar a Sarah. Passeamos pela escola e acabei ficando ao lado dela o dia todo, estavamos até agora na enfermaria antes de madame Pomfrey me expulsar por que ela precisava descansar.
- Madame Pomfrey deixou? - Rony estava levemente surpreso e curioso.
- Sim, deixou, por quê ela não deveria deixar? Fui visitar uma amiga, e não levar a morte para ela.
- Só estranhei por que levou tanto tempo para ela te por pra fora. Daqui há pouco é meia noite, e a enfermaria já fechou faz tempo. E pelo que eu sei, a prima está com ela e... que papo é esse de levar a morte? Isso foi uma indireta para alguém?
- Claro que não, eu...
- Então por que disse isso? - ele torcia o pescoço, olhando desconfiado para o amigo - Harry...
- O que foi, Rony?
- Cara... o que acha de esquecer a minha irmã?
- Acha que eu falei a respeito do Kneen, é?
- Sim. E me desculpe, mas ultimamente você não tem me dado motivos para pensar de forma diferente. Esquece ele, você tem muito mais para fazer.
- Não estou pensando nele, mas guarde o que eu digo, sei que ele não presta e...
- Lembra do que aconteceu dá última vez que desejamos que ele sumisse, não lembra? Olha... Vamos deixar as coisas do jeito que estão, ok? Eu estou com Hermione e muito feliz por sinal, minha irmã está com um sorriso lindo, aliás, gostei muito de saber que o único motivo dela não ter ido passar o natal com a família dele foi por que não queria me deixar sozinho. Você está fazendo novas amizades... que tal investir nisso? Se continuar com essa... "Obsessão" pelo Yoh, vai acabar perdendo tudo o que conquistou, falo sério, como seu amigo. E peço que considere o que eu acabei de dizer, por favor.
- Acha mesmo que eu estou obcecado pelo Kneen?
- Eu não te vejo perseguindo o Malfoy.
- É diferente, o Draco eu sei que não presta, o que eu quero te mostrar, Rony, é que o Kneen é igualzinho a ele. Eu sei o que vi, e ambos estavam andando conversando pelos corredores da escola bem tarde, na véspera do nosso jogo. Eu já não ia com a cara dele, e agora... amigo de Draco, filho de Lucio Malfoy, um Comensal da Morte. Você sabe muito bem que eles querem me pegar de qualquer forma, mesmo que seja indiretamente, e muitos sabem que eu passo as férias na sua casa, Rony.
- Hmmm - Rony franzia o cenho. De certo modo, havia lógica nos argumentos de Harry - pode até ser... Você pode até estar certo... mas isso não prova a culpa do Yoh em coisa alguma. Desculpe Harry, mas entenda que é uma situação difícil. Realmente não me agrada muito o namorado da minha irmã estar se relacionando com alguém como o Malfoy, mas até ai, você não tem nada de concreto contra. Na verdade, até então ele foi a maior vitima dos nossos atos, lembra-se? É você quem está sendo hostil com ele nos últimos meses.
- Mas de que lado você está, afinal de contas?
-Do seu, Harry. Sempre vou estar do seu, lembre-se disso... nunca duvide disso... mas convenhamos que é uma situação delicada. Eu não posso simplesmente ficar contra o Yoh sem um bom motivo. Claro que é estranho ele conversar com o Malfoy, mas até ai, eu não tenho o direito de escolher as amizades dele. E minha irmã tem estado tão feliz ao lado dele, vai me dar fortes dores de cabeça fazer isso. Fora que ele se relaciona bem com os meus pais e com os meus irmãos. A não ser, claro, que você tenha um motivo muito forte.
- Descobri algo mais importante outro dia. Eu estava passando pelo corredor à noite, quando o vi encostado no parapeito, olhando para lua, até que Gina chegou. Ele disse que tinha um segredo muito, mas muito grave, e que poderia causar problemas para muitas pessoas se ele contasse. Ele foi contar para ela, mas na hora parece que gaguejou, faltou coragem ou achou que ela não precisava saber, dai acabou não contando.
Rony olhou para baixo, atento as palavras de Harry. Ele ergue a cabeça, observando a expressão do amigo.
- Rony, por quantas coisas nós já passamos? Você acha que eu faria tudo isso se não houvesse um motivo forte? Acredite em mim, eu sei o que estou falando quando...
- NÃO, VOCÊ NÃO SABE!!! – Harry se espanta ao ver a expressão rígida de Rony – VOCÊ NÃO TEM A MENOR NOÇÃO DO QUE ESTÁ FAZENDO!!!
- Por que está gritando comigo?
- Por que eu não consigo pensar em mais nada para colocar juízo na sua cabeça, Harry!!!
- Juízo? Mas do que você está falando?
- Não se faça de desentendido! Será que você é o único cego por aqui?
- O que foi? Até você para ficar me criticando? Primeiro Hermione, agora você? Desde quando você começou a dar sermões nas pessoas?
- Quando eu amadureci – e olhava duramente para Harry. Na verdade, naquele momento ele se lembrou de Remo o encarando quando se livrou de perder o Mapa do Maroto para Snape.
- Certo, falou o "senhor maturidade" – e saia dali, subindo as escadas para o dormitório masculino.
- Ah, mas você não vai sair daqui, mesmo! – E o pegava pelo ombro, puxando-o.
- O que? Me solta! Eu tenho mais o que fazer!
- Não, você vai ficar e me ouvir!
- Não tenho que te ouvir! Você não tem esse direito!
- Ah, mas eu tenho, sim. – e o puxava de tal modo que jogava Harry para trás, fazendo-o se sentar forçadamente no sofá – vai ficar aqui e ouvir tudinho o que eu tenho pra te dizer, ouviu bem?
- Ora, mas o que houve com você? Vai me dizer que a ladainha do...
- Não ouse – Rony apontava o dedo para ele – não termine a frase, Harry, antes que eu me irrite DE VERDADE COM VOCÊ! Estava me perguntando até quando conseguiria me manter calmo sem me importar com as provocações dos outros, mas acabei descobrindo que isso é algo fácil se você tem um objetivo em foco. Mas eu também descobri outra coisa, sabia? Descobri que ações impensadas doem mais do que qualquer coisa, e da pior forma possível.
- Aonde você quer chegar com isso? – Harry cruzava os braços, não gostando da idéia de estar ali contra a sua vontade – dá pra ir direto ao ponto?
Rony torce o pescoço. Será que era tão difícil assim fazê-lo compreender? Não estava estampado o suficiente na sua cara?
- Eu até posso entender que você goste da minha irmã, que nutra grandes sentimentos por ela, Harry... por Merlim, eu não queria falar essa palavra, mas se tem algo que eu não suporto é o que você está fazendo com o Yoh não, com eles! Você não se dá conta do ridículo ao qual está sendo submetido?
- Certo, ridículo. Vamos lá, continue. Pode me achar ridículo por ser precavido, vamos. Onde estava o ridículo quando salvei Gina do basilisco? Onde estava o ridículo quando impedi que a pedra filosofal fosse roubada? Certo, muito obrigado, Rony.
- O Yoh não é um mago negro, coloque isso na sua cabeça de uma vez por todas!
- Que provas você tem disso?
- E que provas você tem? Conversando com o Draco à noite? E daí, qual é o problema? Desde quando você virou policial para ficar investigando as pessoas? Usando a passagem da casa dos gritos? E daí? Acha que em mil anos ninguém as descobriu? Como acha que seu pai as descobriu? Acredita mesmo que as rotas do mapa do maroto caíram nos pés dele? Ele é um excelente aluno de Herbologia, se esqueceu? Pode muito bem Ter descoberto uma forma de paralisar o salgueiro e descoberto a passagem secreta. Por Merlim, Harry...
- Desculpas, desculpas... será que eu sou o único aqui que enxerga o que ele...
- DÁ PRA PARAR? – Rony ergue Harry pelo colarinho e o empurra contra a parede, segurando-o ali – Quanto mais terá que fazer para perceber que suas ações só causaram problemas até agora? Será que não percebe o quanto tem se prejudicado por causa disso? Não bastou ele Ter quase morrido, Harry? Precisava de mais do que isso? Você tinha que espioná-lo, não é? E o Baile, lembra-se do baile? Será que você foi o único que não se tocou de que Amanda só fala o necessário contigo, mesmo nos treinos?
- Ei, aquilo foi...
- Foi o que? – Rony o encarava com um certo desgosto no rosto – Anda, defenda-se. Qual será a desculpa dessa vez? Vai culpar o Yoh, pra variar? Será que você não entende – Rony o pressiona ainda mais contra a parede – que só está conseguindo destruir a si mesmo... cada vez mais?
- Eu... – ele tentava formular um argumento, qualquer coisa, mas de alguma forma, sentia que não funcionaria.
Simplesmente por que aquele não era o Rony que ele conhecera. O Rony de antigamente nem sequer discutiria tal assunto com ele, iria apoia-lo incondicionalmente. Quando foi que essa mudança aconteceu? Não era do seu feitio agir assim, tão... tão...
- Será que você não entende – Rony tornava a erguer seu rosto, no entanto, algumas lágrimas furtivas se faziam presentes – será que não percebe o que está fazendo consigo mesmo... com todos nós? Minha irmã te adorava, cara. Te idolatrava, e você... você... viu só o que você fez? Como acha que eu me sinto fazendo vista grossa para suas atitudes? Como acha que eu me sinto toda vez que você destrata o Yoh, O NAMORADO DA MINHA IRMÃ, o qual até agora demonstrou ser um sujeito decente e de caráter, heim? Tem noção do quanto tem sido doloroso te defender, mesmo sabendo que você estava tremendamente errado? Tem idéia do quanto Hermione está magoada com você, Harry? TEM IDÉIA?
- Mione? Mas, eu... isso não tem nada a ver com ela, nunca teve, eu...
- Você a deixou triste com suas atitudes, sabia?
- Que atitudes? Eu nunca faria algo que a... a... – Naquele curto momento, Harry teve uma vaga lembrança do que Hermione havia lhe dito antes – oh meu deus...
- Tem certeza de que não fez nada? – ele largava Harry.
Sim, ele se lembrava. Ela havia dito que Gina era feliz e a mesma não iria fazer nada para ajudá-lo, que queria que ela continuasse daquele jeito e ainda por cima disse que ele estava sendo muito grosseiro.
Hermione havia lhe dito para ele parar de tratá-la assim, daquela forma, como se ele estivesse contra ela.
O que foi que ele fez?
- Eu... eu não...
- Não banque o inocente, por favor – Rony passava a mão no rosto, secando suas lágrimas – você já tem 16 anos, não é nem um pouco inocente, sabe muito bem disso. Tem idéia do que eu passo ao pensar que por minha causa uma vida quase foi perdida? Pior, como acha que eu e Mione nos sentimos ao vê-lo assim, desse jeito, se acabando? Draco te esculachando, Gina te odiando, Amanda te ignorando, até o Yoh que sempre foi calmo perdeu a paciência com você, Harry. O QUE MAIS VOCÊ PRECISA PARA SE TOCAR, HEIM?!?!? Será que já não basta? Até onde a sua cegueira vai continuar? Eu não posso continuar com isso, não agüento mais sofrer por sua causa, não entende isso? Será que é tão difícil? Acabou, Harry – ele fazia um sinal para Harry, demonstrando suas palavras – A Gina não ama você, não mais, e eu duvido que um dia ela volte a te tratar como antes, por que isso já foi perdido. Essa é a semente que você plantou, não entende?
- Eu... eu não tinha isso em mente – ele colocava a mão no rosto – eu só queria... eu... só...
- O que você queria? O amor dela? É isso o que você queria? Pois se esse era realmente o seu objetivo, então você fez tudo errado. Recebeu conselhos de Lupin e Sirius, e de que adiantaram, se você não o seguiu? E agora que percebeu o seu fracasso, é essa a sua alternativa, acusá-lo de ser um bruxo das trevas para tentar afastá-lo da minha irmã? Você tinha noção de suas palavras quando disse que ela iria acabar se dando mal por causa dele, tinha? – Rony cerrava os dentes e fechava o punho – você está agindo como um verdadeiro cretino, e não como o Harry Potter que eu conheci! Cheguei a pensar que era fruto de alguma poção do amor, mas tem coisas que as pessoas fazem por si próprias. Deixou a Cho de lado, ficou dando encima da Gina – a essa altura, Harry estava praticamente ajoelhado no chão, tentando esconder seu rosto – magoou a Mione, agora envolveu a Sarah... e para que? Tudo para satisfazer o seu ego, nada mais do que isso. Por que isso não é amor, e sim uma obsessão doentia que você adquiriu depois de ficar fascinado por ela, Harry. Céus, para que você sobreviveu por tanto tempo? De que adiantou Ter lutado contra Voldemort, o basilisco e os comensais, Ter enfrentado os dementadores? De que adiantou se você está perdendo para si mesmo? Vamos, me responda! Tem coragem de fazer tudo isso e não tem coragem de me encarar? Apesar de tudo, sou seu amigo, não tenha vergonha de mim, me encare, vamos!
- Rony, eu... eu não tinha intenção de causar tantos problemas, eu só quero a sua irmã, apenas isso. Eu estou desesperado, e agora ela me odeia mais do que nunca por que...
- Por que você plantou um fruto muito amargo. E eu também, a única diferença entre nós é que eu colhi os resultados antes e de uma vez só, já você os colheu aos poucos. Eu nunca imaginei que estaria tendo essa conversa com você, mas também nunca imaginei que você chegaria a esse ponto, o de querer destruir a vida de uma pessoa, Harry. Seus pais não morreram por isso, Sirius não ficou anos presos por causa disso, sabia? De que adianta salvarmos o mundo se nos tornamos nossos piores inimigos, heim? De que? Ódio, ira, rancor, preconceito, perseguição... sempre imaginei como teria sido diferente se você tivesse crescido no mundo bruxo, mas vejo que nem foi preciso, você acabou tomando isso para si. O mundo não roda ao seu redor, entenda isso. Você nos salvou inúmeras vezes, mas a vida é muito mais do que isso. Mais do que ninguém, você tem que seguir com a sua vida, por que um dia, quando nos livrarmos de Voldemort, a vida continuará, nossa existência não se resumirá apenas a lutar com ele.
- Você acha que é fácil? Falar é mais fácil do que agir, no fim, são apenas palavras...
- MAIS DO QUE PALAVRAS! – Rony tocava na cabeça de Harry e erguia seu rosto, obrigando-o a encarar seu semblante. Não estava mais furioso, tampouco haviam lágrimas em as face, pelo contrário, era uma expressão direta, incisiva, cheia de sonhos e objetivos – GUARDE UM TEMPO PARA VIVER, HARRY! O mundo não gira ao redor de você, do quadribol, das disputas entre as casas, de Voldemort... é muito mais do que isso, entenda de uma vez por todas. Cada pessoa é uma vida, cada vida é um caminho. Você errou, mas se engana se acha que não vai errar novamente, por que faz parte do nosso aprendizado. Mas ignorar os conselhos que recebe não vão adiantar de nada, entendeu?
Rony se ajeita, dando-lhe as costas e subindo as escadas, enquanto ouvia o choro de Harry. Sentia pena do amigo, doía-lhe a alma vê-lo naquela situação, mas haviam momentos nos quais as pessoas precisavam ficar sozinhos para refletirem sobre seus atos.
- Rony, eu... por favor, me perdoa, eu...
- Não sou eu quem deve te perdoar, nem Mione, nem Amanda, Chaz, Gina, Sarah, Luna ou Yoh... é você mesmo quem deve se perdoar, por que vai estar carregando isso dentro de si até aprender a se perdoar, Harry – e continuava sua subida. – Tem coisas que nem a magia pode curar, meu amigo. Eu já descobri isso, e agora é a sua vez de descobrir. E, Harry... Feliz natal.
Quanto a Harry, o mesmo se contorcia internamente. Nunca imaginou que chegaria a tal ponto. Foi tão cego, tão hipócrita, tão mesquinho... e para que? No fim, o que ele conseguiu, além de mais problemas? E pensar que fora Rony quem lhe chamou a atenção para isso, justamente quem jogou aquilo na cara.
Seu amigo cutucou fundo na ferida, sem rodeios, por mais que pudesse doer. E como doía, ele pensava. Nunca se senti tão baixo na vida, e saber que feriu seus amigos por causa de decisões egoístas suas só piorava a coisa.
Rony.... ele disse o nome do Lorde das Trevas... ele repetiu o nome dele, sem medo. Sem o medo irracional que todos os bruxos tem.
Ele perdeu o medo. Amadureceu tanto, que parou de temer o nome de alguém.
Ele era realmente tão maduro quanto aparentava, não, bem mais do que isso.
Não tinha coragem de subir. Queria ficar ali, de frente para a lareira pensando no que fez, em seus atos, ações... em tudo.
Naquela noite, Harry não subiu. Em seu quarto, Rony chorava silenciosamente. Estava triste, estava magoado pelo amigo, por todas as coisas que fez, e se sentiu culpado por muitas daquelas coisas.
A noite seria longa e fria.
Um natal que ficaria marcado para sempre em suas vidas.
Continua...
