Incertezas - capítulo 11
Fandon: Supernatural
Personagens principais: Dean/Sam/John
Sinopse: Sam é um garoto de 17 anos, vivendo uma adolescência conturbada... Tem problemas de relacionamento com a família, é doce e inocente, mas ao mesmo tempo encrenqueiro, curioso e cheio de dúvidas... principalmente quanto ao amor que sente por seu irmão Dean, agora com 21 anos ( Slash / AU).
Nota: Os três não são caçadores.
Dean ficou matutando, com o coração partido, sobre o que Sam tinha lhe dito no último telefonema... Dividindo o apartamento com "alguém"... Bom, não precisava nem especificar quem seria esse alguém... Sam tinha mesmo seguido em frente, o que era de se esperar, não é? Afinal já passavam de três anos, tempo suficiente para esquecer alguém...
Esses pensamentos martelavam na sua cabeça o tempo todo, imaginar Sam dividindo a sua vida com outro cara, sua intimidade, isso machucava tanto que se tornava difícil respirar... Por falta de coragem, Dean tinha perdido o seu amor... tinha perdido também o seu amigo, seu companheiro, tinha perdido Sam.
As ligações e os e-mails agora eram frios, Dean não se sentia mais seu confidente, com certeza Sam havia encontrado um substituto até para isso, até mesmo para ouvi-lo. Provavelmente alguém que estivesse presente em sua vida, alguém próximo, alguém com quem Sam pudesse realmente contar...
Passou pouco mais de um mês, e Dean surpreso, recebeu mais uma ligação de Sam...
- Sammy? Que surpresa! Aconteceu alguma coisa?
- Eu estou voltando, Dean...
- Como assim, voltando? Mas e quanto as suas aulas?
- Dean, as minhas notas estão ótimas, e eu não tenho nenhuma falta, não vai fazer diferença se eu faltar por uma semana...
- Ok, mas... por que agora?
- Porque... bom, porque eu preciso...
- E quando você vem?
- Eu devo chegar amanhã a tarde...
- Ta, então me liga quando chegar, que eu vou te pegar na rodoviária...
- Ok, então... até amanhã, Dean!
- Até Sammy!
O coração de Dean parecia querer sair pelo peito... Não podia acreditar, que depois de tanto tempo, amanhã mesmo estaria o reencontrando... Não sabia se ria ou se chorava, tamanha a emoção que estava sentindo...
Correu para a oficina para contar ao pai, que também ficou espantado com a notícia.
Durante a noite, Dean ficou se revirando na cama o tempo todo, não conseguia dormir, estava ansioso demais. Ansioso e com medo... Medo de olhar novamente para Sam, depois de tanto tempo, medo de que Sam viesse acompanhado, pois não iria suportar isso, o que não teve nem coragem de perguntar ao telefone.
Sentia-se desesperado... Por que Sam havia conseguido seguir a sua vida e ele não? Por que isso ainda machucava tanto?
Cochilou algumas horas, mas despertou bem cedo pela manhã. Fez uma faxina na casa, arrumou tudo, queria que tudo estivesse perfeito, assim como era quando Sam cuidava da casa. Não sabia se Sam ainda comia aquelas saladas horríveis que mais parecia capim, mas de qualquer jeito foi as compras, pois não queria que faltasse nada.
Isso o fez pensar em quanta coisa provavelmente havia perdido nestes três anos... Vira Sam nascer, crescer, e de repente estes três longos anos os haviam separado... Como seria o seu irmão agora? Provavelmente já seria um homem, e não mais aquele moleque espevitado que era quando saiu de casa... Será que muita coisa tinha mudado? Seus hábitos, suas manias irritantes, mas que Dean adorava... seu sorriso ingênuo...
As horas demoravam muito a passar, Dean não conseguiu nem almoçar naquele dia, e olha que era muito difícil algo lhe tirar a fome.
Finalmente o celular tocou... havia chegado a hora. Dean deu uma última olhada no espelho, as olheiras pela noite mal dormida estavam visíveis, mas no mais estava tudo ok. Então entrou no Impala, que também estava tinindo de limpo, e seguiu voando rumo a estação rodoviária.
Desceu do carro devagar, seu coração batia forte, parecia querer saltar do peito... Deu uma olhada ao redor, e então o viu... encostado na parede ao lado da escadaria, com uma das pernas dobradas, distraído olhando para um ponto fixo que Dean não soube identificar.
Dean foi se aproximando, Sam ainda não o tinha visto... seu irmão tinha mudado... muito... estava alto, muito alto, não tinha mais aquelas feições de moleque, mas ainda tinha um rosto sereno e inocente... ainda era um garoto... Os cabelos ainda um pouco compridos e desalinhados, isso não havia mudado muito... mas o corpo... isso sim tinha mudado...e para melhor, muito melhor. Os braços antes magricelos, agora eram fortes e desenhados, pelo menos o que dava pra ver com a camiseta que Sam estava usando... as costas mais largas, parecia ter sido todo esculpido, não podia ser mais perfeito...
Dean se sentiu mal quando se deu conta que estava reparando tanto no corpo do irmão, e então Sam o viu, e foi se aproximando devagar... estava sério, parecia estar em transe... Nenhum dos dois disse nada, Sam apenas parou diante de Dean, o analisando... o olhou de cima em baixo, era mesmo o seu Dean... E incrível como ele tinha conseguido ficar ainda mais bonito e gostoso com o passar dos anos, o que Sam achou que fosse algo impossível.
Se encararam, sem saber exatamente o que fazer ou dizer, então Dean deu o primeiro passo e o abraçou... abraçou apertado como da última vez em que se viram, e a sua vontade era de não soltá-lo do abraço nunca mais...
- Você cresceu, irmãozinho...
Sam apenas sorriu, aquele sorriso só seu, mostrando as covinhas, e quando olhou para Dean novamente estava com os olhos marejados... Ainda era o seu Sammy afinal...
Seguiram o caminho até em casa sem conversar muito, Sam apenas observava a paisagem ao redor...
- Pelo visto, isso aqui não mudou muito...
- Deve ser estranho voltar depois de tanto tempo, não é?
- É, é muito estranho mesmo... Só agora eu percebo o quanto eu senti falta...
Chegando em casa, Sam sentiu um frio na barriga ao descer do carro... eram tantas lembranças... algumas boas, outras ruins... era quase toda a sua vida que estava ali...
As coisas não tinha mudado muito, apenas a oficina havia sido aumentada neste tempo, a casa ainda continuava a mesma.
Sam entrou na oficina primeiro, e ficou observando a bagunça, com um sorriso no rosto...
- Pelo jeito, eu fiz falta por aqui...
- E fez mesmo... Caramba, eu lembrei de arrumar a casa antes de você chegar, mas esqueci completamente da oficina – Dean disse sem graça.
- Você arrumou a casa pra mim, Dean? Que fofo!! – Sam disse rindo.
Entraram na casa, e realmente estava tudo muito limpo e em ordem.
- Acho melhor a gente levar suas coisas lá pra cima...
Sam subiu as escadas e parou na porta do quarto...
- Bom, se você não quiser dividir o quarto comigo, eu posso dormir lá na sala, sem problemas - Dean disse apreensivo.
- Não, claro que não... eu só estava... deixa pra lá.
Então Sam entrou no quarto, largou sua mala no chão e se deitou na cama...
- Deus, como eu senti saudade disso aqui...
- Só do quarto?
- Cala a boca Dean! De você eu não preciso nem falar... O John não está?
- Ele deu uma saída, mas deve voltar logo...
- Ele não arranjou uma namorada ainda?
- Nah, você sabe como ele é... se arranja, esconde da gente...
- E você?
- Nah, ninguém em especial...
Sam riu...
- Mas e quanto a você? Eu não sabia se você vinha sozinho...
- Ah, eu... é uma história complicada... Eu e o Nate, bom, a gente está dando um tempo... ou melhor, acho que acabou tudo de vez, é mais por isso que eu vim pra cá...
- Hmmm... que pena – Dean mentiu – Mas por quê? Há um mês quando você ligou, parecia estar tudo bem...
- Amor platônico Dean, ninguém aguenta por muito tempo...
Dean apenas o olhou, tentando assimilar a informação, e Sam desviou o olhar, meio sem graça.
- Bom, você deve estar cansado e querendo dormir... eu vou te deixar descansar.
E Dean saiu do quarto deixando Sam sozinho.
Sam por impulso, se deitou na cama de Dean, abraçando seu travesseiro, sentia tanto a falta do seu cheiro, e acabou adormecendo ali mesmo...
Quando Dean voltou ao quarto duas horas depois, em silêncio para não acordá-lo, viu Sam deitado em sua cama e abraçado ao seu travesseiro e teve que sorrir.
- Tem coisas que nunca mudam – Dean disse para si mesmo...
Sentou na beirada da cama e ficou algum tempo só o observando dormir... então tirou uma mecha de cabelo que lhe caía sobre os olhos... Dean suspirou e foi tomar outro banho, pois tinha se sujado de graxa ao mexer no motor do Impala.
Quando saiu do banho, vestindo uma calça Jeans, mas ainda sem camisa, se deparou com Sam já acordado, sentado em sua própria cama...
- Você já acordou?
- Sim, desculpa, eu acabei dormindo na sua cama...
- Sem problemas, Sammy, você devia estar com saudade do meu cheiro – Dean disse sorrindo de lado e se virou para pegar uma camiseta no armário...
- Idiota.
Dean podia sentir o olhar de Sam no seu corpo quando estava de costas, mas assim que se virou, Sam disfarçou, envergonhado.
Desde quando Sam ficava envergonhado em olhar para ele? Antes sempre o olhava descaradamente e fazia algum comentário malicioso... O que tinham feito com seu irmão em Stanford? Já tinha notado uma grande diferença até agora... não apenas fisicamente, mas Sam estava mais tímido, talvez não tímido, mas mais cuidadoso com as palavras, mais polido, seria a palavra certa... E Dean achou que talvez com o antigo Sam era bem mais fácil de lidar, sempre dizia na cara dura tudo o que pensava e o que estava sentindo, sem se importar com o que os outros iriam pensar a respeito...
Dean desceu para preparar o jantar e Sam foi até o lado de fora da casa, quando John chegou. Sam ficou o olhando, e só então percebeu que sentiu muito a falta dele também, apesar de tudo... Tinham se falado muito poucas vezes por telefone desde que Sam foi embora, e sempre apenas o necessário...
- Hey Sam!
- John...
John então se aproximou e lhe deu um abraço... Nada muito caloroso, mas seria mesmo estranho se fosse.
- Você cresceu, hein garoto!
- Por que será que todo mundo me diz isso? – Sam disse rindo.
Dean apareceu lá fora e os chamou para jantar...
- Eu senti falta da sua comida, Dean...
- É mesmo? Então ela não é tão ruim assim...
- E então Sam, pensei que você fosse aparecer aqui com uma namorada – John falou em tom de brincadeira.
Sam olhou para Dean, que o encarou também, e deu um sorriso sem graça...
Dean mudou logo de assunto, pois não queria deixar Sam em uma situação constrangedora logo no primeiro dia..
Depois do jantar, os três ficaram por mais algum tempo na sala conversando, Sam contou algumas coisas sobre a faculdade e sobre a cidade, e logo depois foram dormir.
Sam tomou um banho e depois se jogou relaxado na cama... Sabia que não ia conseguir pegar no sono tão cedo...
- Sammy, por que você não veio antes pra casa?
- Sei lá Dean, você insistiu tanto pra que eu procurasse um psicólogo, eu só estava seguindo as recomendações dele...
- Mas três anos? Você não achou que era um pouco demais?
- Ei, a distância era a mesma, não era? Por que você não foi me visitar?
- Eu não sabia se você queria...
- Ou estava com medo que eu entendesse errado?
- Eu não sei Sam, tanta coisa passou na minha cabeça esse tempo todo...
- É, na minha também...
- Mas vem cá, você não estava dormindo com o seu psicólogo, estava?
- Qual é Dean, ele deve ter uns 50 anos...
- E daí, de você eu sempre espero qualquer coisa...
- Fala sério!
- Mas então... funcionou? Quero dizer... ajudou em alguma coisa?
- De certa forma... era bom ter alguém pra quem eu pudesse falar tudo o que pensava, mesmo pagando pra isso... Mas na verdade, só ajudou a... sei lá... aprender a conviver com isso... Porque em relação ao que eu sinto, não mudou em nada...
- Desculpa, Sam... Eu só queria te ajudar quando sugeri isso...
- Eu sei, Dean...
- Eu só faço besteira...
- Dean... Eu estava pensando... eu vou contar pro John.
- O quê?
- Eu vou contar a ele sobre eu ser... gay...
- Eu não sei se é uma boa idéia, Sam...
- Dean, eu vou embora em uma semana mesmo... e nem sei se algum dia vou voltar pra cá... Ele fica esperando que eu apareça com uma namorada, e isso nunca vai acontecer...
- É o jeito dele, Sam... ele também vive no meu pé... Eu mal saio com uma garota e ele já acha que eu estou namorando...
- Mas é diferente... Eu sei que ele não vai aceitar, mas eu não consigo mentir, Dean... eu estou cheio disso... O que ele pode fazer? Me expulsar daqui? Eu já vou embora mesmo! Posso ficar o restante dos dias num Hotel e você vem me ver lá... eu não me importo!
- Sammy... eu só não quero ver vocês brigando, e eu sei o quanto o John é cabeça dura...
- Bom, amanhã eu vejo isso, Dean...
Ficaram algum tempo em silêncio, e Sam ficou encarando o teto, a luz ainda estava acesa...
- Sabe, é bom estar de volta Dean, eu senti muito a sua falta...
- Eu também, Sammy... E Sam? O que mais você fez por lá? Você andou malhando pra ficar assim tão...
- Tão?
- Ah, não sei... você cresceu, e está... mais forte, sei lá...
- Pensei que você ia dizer gostoso – Sam disse rindo.
- Ta se achando, hein! Só porque ganhou uns quilinhos e deixou de ser magricelo...
- Eu corria todos os dias, e malhava... Tinha que gastar energia de alguma forma, não é? Só sexo não dava...
- Você não presta mesmo...
Sam riu...
- Eu ainda gosto de te provocar, Dean...
- To vendo... E por falar em sexo, a sua lista deve ter crescido bastante nesses três anos...
- Ta preocupado por que Dean? Isso não gasta...
- Só curiosidade...
- Eu acho que eu falei de todos pra você... No começo eu andava meio carente, então teve o Simon, que era meu colega de quarto, depois a Jess e o meu professor de matemática, depois eu fiquei um bom tempo em abstinência, até conhecer o Nate...
- Quanto tempo você estão juntos?
- Estávamos... há um ano e meio, mais ou menos... Mas morando juntos a uns seis meses...
- É bastante tempo, não é?
- Muito...
- Você se apaixonou por ele?
- Eu gostava muito dele, ele era... carinhoso, bem humorado, inteligente, bonito, e a gente se entendia muito bem... foi bom enquanto durou... Mas gostar não é suficiente, ele precisava e merecia muito mais do que eu podia oferecer... Eu me admiro dele não ter me chutado antes...
- Eu sinto muito...
Depois disso Dean apagou as luzes para tentarem dormir, coisa que nenhum dos dois conseguiu fazer...
Durante a madrugada, Sam se debatia na cama, de forma alguma conseguiria pegar no sono com Dean ali... tão perto... podia até ouvir sua respiração... Teve vontade de ir lá e deitar junto na cama dele, se aconchegar no calor do seu corpo, assim provavelmente dormiria feito um anjo... Ou levaria um soco tão grande que não saberia nem de onde veio – Sam pensou e teve que rir sozinho.
- Do que você está rindo?
- Você ainda está acordado?
- Eu não consigo dormir, pôrra...
- Eu também não...
Sam levantou da cama no escuro, e Dean levantou ao mesmo tempo, sem saber. Acabaram se esbarrando na tentativa de alcançar o interruptor para acender a luz, coisa que nenhum dos dois acabou fazendo.
Ficaram parados ali, no escuro, seus corpos muito próximos, Sam podia sentir a respiração de Dean próxima ao seu rosto, então foi Sam quem se aproximou mais, encostando Dean contra a parede, tocando seu rosto com a mão direita, encostando seus lábios devagar, quase com medo, e iniciando um beijo desesperado... Dean num impulso, o puxou pela cintura e correspondeu ao beijo, e o clima só foi quebrado quando o cotovelo de Dean sem querer encostou no interruptor, acendendo a luz do quarto...
Sam imediatamente desencostou seu corpo do de Dean, como uma criança que foi pega fazendo algo proibido, continuou próximo, com a respiração ofegante, sem conseguir encarar o irmão.
- Eu... eu... me desculpa, Dean...
- Sammy... é... – Dean sentia-se entorpecido, não sabia nem o que dizer...
Sam deu dois passos para trás, colocando as mãos na cabeça, começando a andar de um lado para o outro, nervoso...
- Eu... eu não devia ter voltado... eu não devia...
- Do que você está falando, Sam?
- Olha o que eu estou fazendo, Dean... todo esse tempo longe, e não serviu pra nada...
- Sammy, para com isso, ok? – Dean o fez parar e o segurou pelos ombros.
- Eu... eu vou embora, eu tenho que ficar longe de você, eu não devia ter voltado...
- Não... não, de jeito nenhum. Você não precisa ficar longe de mim, não fala como se você tivesse uma doença contagiosa, Sam...
- Mas é uma doença, Dean... eu mal acabei de chegar, e olha o que eu estou fazendo...
- Não Sam, não é uma doença, e nós podemos superar isso, juntos... Juntos, Sam... eu não quero que você se afaste de mim, por favor...
- Mas Dean...
- Mas nada... vem, vamos lá pra baixo fazer alguma coisa, já que não vamos conseguir dormir mesmo...
- Dean, são quase quatro horas da manhã...
- E daí? Vem, vamos jogar videogame?
- Você é doido, mas... vamos.
Os dois então se vestiram e desceram até a sala para jogar... John levantou assustado, ouvindo o movimento vindo da sala...
- Vocês dois tem noção de que horas são?
- Isso se chama insônia, pai – Dean disse rindo e olhando para Sam, que riu também, apenas os dois sabiam qual era o motivo da insônia...
Continua...
Rubywinchester,
Eu olhei o vídeo no YouTube, realmente combina com a fic... obrigada pela dica e pela review! Beijos!!
Alexia, Shindou...
Obrigada por suas reviews!
**E a todos os demais, espero ter respondido a todos...
Beijinhos!!
