Título: Segredo em dose dupla

Autor: Fernanda


Capítulo 11

Booth ia falar novamente quando seu celular começou a tocar. Ele atendeu rapidamente, ao ver que era seu chefe, e ouviu tudo com a testa franzida. Temperance esperava ansiosa.

_ Temos outra vítima. – ele disse desanimado.

_ Não acredito ! Alguma das moças que estão sob proteção ?

_ Não. Ela já estava desaparecida há mais de quatro meses. Foi uma das que nós não encontramos.

Temperance se levantou da maca e fechou a calça. Booth abriu a porta e eles foram embora do consultório, diretamente para o local onde foi encontrado o corpo. A vítima foi identificada como Taylor Brusk, 30 anos, dona de uma loja de roupas femininas no centro de Washington.

O corpo foi encontrado por um jardineiro quando o mesmo fazia a limpeza de um parque nas proximidades da casa da vítima. Temperance supervisionou a coleta de amostras e depois Booth a levou para casa.


Temperance entrou no apartamento esperando que ele a seguisse, mas ficou surpresa ao vê-lo parado na porta.

_ Você não vai entrar ?

_ Não. Eu vou voltar ao escritório. Preciso encontrar mais alguma pista ou alguma brecha nos meus relatórios. Eu tenho que parar esse cara, Bones !

_ Eu entendo. Também me sinto de mãos atadas, Booth. Eu devia estar no Jeffersonian examinando as vítimas !

_ A Cam foi bem clara, Bones ! Nada de horas extras enquanto você estiver grávida e sendo ameaçada por um maníaco !

Ela suspirou.

_ Eu sei.

_ Não se preocupe. Tem um carro do FBI parado na entrada do prédio e eles ficarão aí a noite toda. Eu venho te buscar amanhã de manhã. Acha que vai ficar bem sozinha ?

_ Vou ficar ótima, Booth ! Vai.

_ Ok, eu vou. Alguma hora, no meio dessa loucura toda, a gente vai encontrar um tempo para conversar, certo ?

_ Certo.

Assim que ele saiu, Temperance se sentou no sofá com seu laptop aberto nos relatórios das vítimas. Pretendia revisar cada parte antes de ir dormir.


Uma semana depois, apartamento da Temperance, 21:00 h....

Temperance estava tão distraída que se assustou ao ouvir a campainha. Ela apertou mais o nó do roupão e foi abrir a porta. Booth entrou, parecendo tão exausto quanto ela.

_ Conseguiram ? – ela perguntou ansiosa.

_ Não. O desgraçado fugiu. Mas conseguimos uma testemunha. Ela está com a Ângela no meu escritório nesse momento, fazendo o retrato falado do suspeito.

_ E quanto a outra carta que eu recebi ? Hodgins encontrou alguma coisa ?

_ Não. Apenas o de sempre, vestígios de tinta, madeira, e etc.

Temperance se sentou no sofá. Estava nervosa, ansiosa e irritada. O caso andava a passos de tartaruga e ainda não tinha conseguido pegar sequer um suspeito. Por isso ela virara prisioneira em sua própria casa. Há muito tempo ela não se sentia tão desanimada. Booth percebeu a frustração e sentou ao lado dela.

_ Hei ! Não fique assim, Bones ! A gente vai pegar esse desgraçado. A gente sempre consegue !

Temperance ergueu os olhos para ele. Booth estremeceu ao sentir a intensidade do olhar dela. Não haviam conversado sobre eles novamente desde a sua pequena confissão no consultório médico e ele se perguntava até quando ela fugiria do assunto.

Ele sabia que ela não o havia beijado somente por causa dos hormônios descontrolados do início da gravidez. Ele já tinha convivido com uma mulher grávida antes. Booth tinha esperanças de descobrir o que ela sentia por ele, mas o caso atual do "caçador de vampiras de Washington" não estava ajudando em nada.

Temperance baixou os olhos novamente com um leve rubor cobrindo a face. Booth ficou intrigado e sorriu. Ela não era tímida, ou insegura. Alguma coisa estava acontecendo e ele ia descobrir o que era, esta noite. O que ela faria se ele a beijasse dessa vez, ele pensava. Ele já estava farto de esconder o que sentia por ela, de reprimir tudo e guardar só para ele. Afinal iam até ter filhos juntos ! E dois de uma só vez ! Isso devia significar alguma coisa.

Temperance se levantou do sofá e Booth a segurou rapidamente pelo pulso, antes que se afastasse. Ela fechou os olhos e tentou se soltar, mas ele a segurou mais forte, fazendo-a emitir um protesto.

_ Me solta, Booth !

_ Por que ? Pra você fugir de novo ? Não, obrigado. – ele retrucou se levantando também.

_ Booth !

Ele afrouxou o aperto, pois não queria machucá-la, mas não a soltou.

_ Precisamos conversar !

_ Não quero conversar ! – ela negou.

_ Minha vontade também não é de conversar... – ele confessou puxando-a em sua direção.

Temperance gemeu baixinho. A boca de Booth estava tão perto, que ela podia quase sentir-lhe o gosto. Naquele momento soube exatamente o que estava sentindo, seus próprios lábios ardiam pelo desejo de explorar aquela boca e cada centímetro daquele corpo musculoso.

_ Booth... – ela disse em tom de súplica, mas nem ela mesma sabia se ela queria que ele a soltasse ou a beijasse.

Os músculos do estômago dele se contraíram. Ele havia decidido não tocá-la, até conversarem, mas o som ansioso da voz dela, o deslizar provocante de sua língua ao umedecer os lábios, fez com que ele esquecesse a decisão. Somente um beijo, ele prometeu a si mesmo ao baixar a cabeça.

Os lábios de Booth tocaram os dela com sofreguidão enquanto ele soltava seu pulso. Faminto, ele mordiscava-lhe os lábios, acariciando a carne sensível com a língua, antes de penetrar-lhe a deliciosa umidade da boca com a língua quente.

Os braços de Temperance envolveram a cintura dele, no mesmo instante em que ele abraçava seu corpo esguio, apertando-a contra ele. Aquele beijo era ainda mais faminto e erótico do que o que eles haviam trocado naquela noite e ela saboreava cada segundo.

_ Não... – ela protestou num sussurro quando ele afastou a boca de seus lábios.

_ Eu tenho que ir... – mesmo enquanto falava isso, Booth baixou a cabeça até a delicada curva de seu pescoço, beijando a pele sedosa.

_ Por que ? – ela sussurrou.

_ Se eu ficar, Bones... você vai surtar e depois se afastar de mim, e eu não quero isso. Muito menos agora !

Temperance não retrucou. Ela sabia que ele tinha razão, e ela ia mesmo se arrepender depois. Booth a soltou e ela virou-se de costas para ele.

_ Por causa dos bebês... – ela concluiu com voz triste. - Sinto muito, Booth. Eu queria ser menos complicada...

_ Para com isso, Bones ! E você sabe que eu não preciso dos bebês para querer ficar perto de você !

_ Então, prove ! – ela retrucou se voltando para ele com os braços cruzados.

_ Como ? – ele perguntou confuso.

_ Fique. Não no quarto de hóspedes. – ela o desafiou. – Comigo. Nós não temos que fazer sexo, só fique comigo.

_ Bones... Você não sabe o que está me pedindo !

Temperance não respondeu, apenas foi para seu quarto, esperando para saber se Booth a seguiria.


Na sala Booth soltou um suspiro e olhou para o teto. O que ele podia fazer ? Seu alto controle se esvaia a cada minuto ao lado dela. Fazendo uma prece para que ela não se arrependesse, ele seguiu pelo corredor em direção ao quarto dela.

Temperance estava sentada na cama abraçada aos joelhos, os olhos fitando o vazio. Booth se aproximou se ajoelhando na frente dela.

Continua...