Disclaimer –Não é meu, já desisti. u.u
Notas da Autora – Oi... Ainda se lembram de mim? XDDD Eu tenho certeza que não. =/
Meeesmo assim, está aqui mais um capítulo desse fic. XD Acontece que, eu me esqueci que ele estava pronto e não atualizei por isso! Eu me esqueço de comer, então esquecer um fic é algo dentro da normalidade. XDDD
Aí também tinha o final da faculdade, prova da OAB que acabou com tudo e começar a advogada... Aí já viu. u.u
Ainda assim (se alguém ainda lê isso aqui ._.), espero que goste e que comente. =D
Estou escrevendo o próximo capítulo, então acho que não vai demorar para eu conseguir publicar. Ao total serão 16 capítulos, ou sejaaa, estamos chegando finalmente ao final do fic. \o/
Agradeço de coração a todos os gentis comentários. Beijos especiais para todos! *-*
E, por favor, ignore os erros, não deu para ser revisado! =/
Vou ficar por aqui que estou morrendo de sono e amanhã ainda tenho Fórum para ir. Desejem-me sorte. u.u
Até mais. _o/
Beijos,
Lis
Em doce memória de Rin-chan. Para sempre.
Dake wo Aishite
Apenas te Amando
By Palas Lis
Dai 11 Kai – Kissu... SorekaraBakuhatsu
Capítulo 11 – Beijo... E Depois Explosão
Inokuma Sesshoumaru acordou muito cedo naquele dia, no mesmo horário que acordava quando precisava ir para a empresa que trabalhava. O Sol nem havia aparecido completamente no horizonte, mas ele não se importou. Aproveitou que acordava mais cedo que Rin e ficou observando-a, com o cotovelo apoiado na cama e o queixo, na mão. Nem ele mesmo sabia como sua cara demonstrava que estava apaixonado – e nem precisava saber também.
Na cama ao seu lado, Rin dormia profundamente, abraçada ao travesseiro, como uma criança que se apega a um bichinho de pelúcia para não se sentir sozinha no escuro. Mesmo dormindo, a menina, às vezes, falara. Não sabia como alguém podia falar tanto!
Ele lera uma reportagem em uma conceituada revista que dizia que as mulheres falam aproximadamente 20 mil palavras por dia – enquanto os homens chegam a apenas sete mil. Isso era muita coisa, não? Agora imaginem esse fato aplicado a Rin, só que multiplicada por dois, no mínimo? É, um verdadeiro pesadelo! Entretanto, mesmo ela falando tanto – e isso ser terrivelmente irritante –, gostava dela.
Sesshoumaru sorriu.
Finalmente, conseguira beijá-la no dia anterior. Isso o deixava feliz. Sim, feliz. Estranho? Totalmente. Um homem como ele, que poderia ter qualquer mulher que quisesse, ficar feliz por beijar uma garota estabanada, era, no mínimo, perturbador. Contudo, para alguém que nunca se apaixonava, isso era algo compreensível. A paixão mexia com as pessoas de maneira muitas vezes esquisitas.
Ele suspirou desanimado ao analisar minuciosamente os sentimentos que nutria por Rin – Sesshoumaru provavelmente era a única pessoa tão metódica que analisava até mesmo seus sentimentos, para ver se conseguir organizá-los e colocá-los em uma pasta em seu cérebro. Estranho? Obviamente, mas partindo de Sesshoumaru, era perfeitamente normal e previsível, não é mesmo?
A menina ao seu lado abriu os olhos lentamente e logo sorriu para ele. E como Sesshoumaru adorava o sorriso dela. Lindo e singelo... "Isso foi quase poético", ele pensou, com vontade de rir de si mesmo – só não sabia se rir por aquele pensamento se idiota demais ou bonito demais. É, parecia um adolescente idiota que havia se apaixonado pela primeira vez. Ridículo e patético, mas não deixava de ser uma sensação confortante, ainda mais pelo fato de querer ficar perto de Rin.
Ficar perto dela... Isso era a coisa mais irônica que havia acontecido em sua vida. Desde que a conhecera no avião e ela estragara seu laptop, os seguintes acontecimentos não foram nenhum pouco mais agradável: ficou sem carro, sem roupas, sem celular... Ah, claro que também ganhou algumas coisas: uma testa roxa, um bronzeado vermelho, um porre e uma ressaca...
Como conseguira se apaixonar por alguém como Nakayama Rin? Isso era um mistério, um verdadeiro acontecimento sobrenatural.
Não poderia negar que não foram somente coisas ruins que acontecera com ele naquelas férias: também se divertira bastante, ainda que de uma maneira que jamais gostaria de repetir em sua vida. Pela primeira vez, vira um pôr-do-sol e gostara de fazê-lo. Talvez, devesse – como sua mãe sempre frisava – trabalhar menos e viver mais. Quem sabe Rin o ajudaria...
- Bom dia, Sesshy... – Rin falou, esfregando o olho esquerdo, com voz sonolenta e inevitavelmente infantil, atraindo a atenção do homem para si. – Faz tempo que acordou?
- Bom dia, Rin. – ele deu um sorriso fraco. – Mais de uma hora.
- E por que não me chamou? – ela sentou na cama e ele continuou na mesma posição.
- Eu precisava de um descanso de você.
- Engraçadinho. – Rin deu um leve tapa no braço dele. – Você pode pedir o café da manhã enquanto eu tomo banho?
Ele concordou.
Minutos depois Rin saia do banheiro, com os cabelos negros soltos, usando um vestido azul, com sandálias brancas nos pés. Sesshoumaru terminava de colocar chá em sua xícara quando ela sentou a sua frente, sem deixar de sorrir, como sempre, e ele não conseguiu evitar que os lábios se curvassem também.
- Sesshy, você viu meu boné? – ela perguntou, colocando suco no copo. – Não acho em lugar algum.
- Não, não vi. – ele mentiu, pois não contaria que escondeu aquela coisa para ela não usá-lo. – Você fica melhor sem ele.
- Oh, obrigada. – ela sorriu, corada. – Então não nem vou usar.
Sesshoumaru sorriu de novo.
- Sesshy... – Rin falou, num tom que Sesshoumaru conhecia muito bem: o que usava quando queria colocá-lo em enrascada. – Sabe o que é?
- Não. Não sei e nem quero saber. – Sesshoumaru falou, friamente. – Você não poderia pelo menos me deixar tomar o café sem me atormentar?
- Seu grosso! – ela tacou uma bolacha nele. – Nem sabe o que eu vou falar!
- Se for algo com "vamos comigo em algum lugar", nem precisa falar!
- Mas, Sesshy! – Rin fez birra.
- Eu sabia, eu sabia! – ele apontou para ela, acusadoramente.
- É que você precisa ir comigo, Sesshy! – Rin suplicou.
- Não, não quero ir a lugar algum, Rin.
- Mas...
- Não faça essa cara.
- Não estou fazendo cara alguma...
- Está fazendo cara de choro.
- Qual o problema com isso?
- Não gosto quando faz essa cara.
- Preferia que eu ficasse brava?
- Sim.
- Você é estranho.
- Isso não pode estar partindo de você...
- Eu já fiz as reservas, então você terá que ir. – Rin cruzou os braços frente ao peito.
- Por quê?
- Porque eu não tenho todo o dinheiro para pagar o aluguel.
- ... – Sesshoumaru ficou com uma gota na cabeça. – E o que a faz crer que eu tenho dinheiro?
- Ora, você é um executivo rico!
Ele rodou os olhos.
- Você não trabalha, não?
- Trabalho, mas sou uma pobre assalariada. – ela sorriu sem jeito.
- ...
- Qual é, Sesshy... O que custa?
- Além do meu equilíbrio mental, minha integridade física e minha saúde emocional? Nada.
- Não seja exagerado.
- Estou falando sério, Rin. – ele fez uma careta. – Sair com você acaba comigo, em todos os sentidos.
- Eu sei que você gosta, 'tá? – Rin debochou.
- Ah, claro. – Sesshoumaru foi irônico. – Realmente adoro.
- Se for hoje, eu prometo que não peço para você ir a nenhum lugar mais comigo... – Rin falou com um sorriso gracioso. – O que acha? Você só tem a ganhar...
- O que diabos quer dizer com "só tenho a ganhar"?
- Se não aceitar agora, você vai acabar indo comigo hoje e depois ainda vou arrastá-lo para outro lugar amanhã...
- Muito esperta. – ele deu um sorriso de lado e bateu o dedo no centro da testa dela. – Eu vou.
- Ebaaa! – Rin pulou no pescoço dele, abraçando-o apertado. – Obrigada, Sesshy! Obrigada mesmo!
- Mas você tem que prometer que não vai querer me levar para nenhum outro lugar até o final das férias, combinado?
- Siiim! – ela sorriu, ainda abraçada a ele. – Mas você vai ter que pagar todo o passeio hoje.
- Você não disse que ia dividir o valor comigo?
- É, mas não estava previsto nos meus planos ficar os outros dias sem levá-lo a nenhum lugar.
Sesshoumaru preferiu não falar nada.
- Sabe, parece que somos casados há anos quando brigamos assim. – Rin riu, voltando para seu lugar e tomar o café da manhã.
- Tem razão. – ele riu também. – E aonde vamos hoje?
- É...
- Se falar que é surpresa, não vou mais.
- Não vou contar.
- Quê? – ele piscou.
- Disse que não posso falar que é surpresa, mas não disse nada contra eu falar que não vou contar.
Ele estreitou olhos para ela.
- Eu não disse por que você não deu tempo.
- Mesmo assim não vale. – Rin sorriu. – Eu falei primeiro, então eu ganhei.
- Ganhou o quê?
- De você, ora!
- Não ganhou de mim! – ele pareceu indignado.
- Claro que ganhei. – Rin fez careta. – Deixe de ser bobo, Sesshy. Não é desmerecedor perder para uma mulher.
- Quando essa mulher é louca, é muito desmerecedor.
Segundo depois teve que de desviar de um pão que foi arremessado em sua cabeça.
- Sesshy, vamos? – Rin falou, sem nem acabar de comer. – Estou ansiosa!
- Mas já? – ele levantou uma sobrancelha. – Nem acabou de comer.
- Comemos lá. – Rin se levantou e puxou o rapaz pela mão. – Você vai adorar, Sesshy!
Sesshoumaru apenas se deixou ser conduzido para fora do hotel; um suspiro cansado escapando dos lábios. Não queria nem imaginar o lugar que aquela louca o levaria. Na maioria das vezes – ou seria todas as vezes? –, ele sempre acabava se dando mal, muito mal mesmo, com os passeios mirabolantes de Nakayama Rin. E poderia apostar toda sua fortuna que aquele não seria diferentes...
- Sesshy, não fique com essa cara de desconfiado. – Rin sorriu.
- Não consigo evitar. – Sesshoumaru andava ao lado da menina. – É mais forte do que eu.
Rin riu e segurou mais firme no braço dele.
Os dois saiam do hotel e caminharam até uma das lojas do lugar. Depois de tudo acertado – Rin não deixou Sesshoumaru nem entrar na loja, apenas foi obrigado a dar o dinheiro – seguiram em direção à praia. O executivo não fazia a melhor ideia do que aquela maluca o levava, então apenas era guiado por um Rin saltitante e feliz.
- Chegamos! – Rin falou, no pequeno porto de Cabo Inubo. – Esse aqui é o nosso!
Sesshoumaru piscou quando a menina apontou para um barco branco modelo Mares Hunter 45, muito bonito.
- Vou levá-lo para dar um passeio de barco, Sesshy! – Rin se apressou a falar com o supervisor e logo estava no barco, bracejando. – Vem logo, vem logo!
Sem nem ter o que falar, Sesshoumaru entrou no barco e ficou levemente abobalhado.
- Como você sabia que eu adoro barcos? – ele perguntou, olhando cada detalhe do bonito barco.
- Na verdade, eu não sabia. – Rin sorriu. – Eu nunca passei de barco e queria saber como era. Ainda bem que gostou!
- Eu realmente adorei. – Sesshoumaru olhou para Rin, sorrindo. – Obrigado. Obrigado mesmo.
- Você sabe como fazê-lo funcionar? – Rin perguntou, entrando na cabine e olhando confusa para tudo que havia lá dentro.
- Sim. – Sesshoumaru entrou e ligou com facilidade o barco. Ele virou para ela, sério. – Espera aí...
- Quê?
- E se eu não soubesse?
- Ah, sei lá! – Rin deu de ombros. – Nem pensei nisso.
Sesshoumaru se limitou a rodas os olhos.
Minutos depois, o barco estava no oceano.
- Eu comprei um barco desses há uns três anos, mas nunca consegui tempo para usá-lo. – Sesshoumaru falou, deixando no automático e saindo da cabine com Rin, para verem o mar. – Infelizmente.
- Você trabalha demais, Sesshy. – Rin falou, sobre a parte mais alta da proa, conseguindo ficar da mesma altura que Sesshoumaru e apoiou as mãos nos ombros dele. – Sabe, precisa relaxar.
- Acho que você tem razão... – ele suspirou e virou o rosto para ela.
Os dois ficaram se olhando por alguns instantes e, antes que desviassem o contado visual, Rin tocou de leve com os lábios nos de Sesshoumaru, deixando-o confuso com a atitude repentina dela. A menina a sua frente só poderia ser doida mesmo. Quando ele a beijara, ela bateu nele, e agora ela quem o beijara. Nunca entenderia Nakayama Rin. Ela era muito estranha para ser compreendida.
- Pensei que não queria mais me beijar.
- Eu quero... – Rin despejou, completamente corada, baixando os olhos para o chão. Ela começou a falar rápido, de modo que Sesshoumaru quase não entedia o que a menina falava; bracejava ao mesmo tempo. – Mas entendo se não quiser, afinal, qualquer pessoa que leva um tapa de outra por causa de um beijo nunca mais gostaria de beijá-la, não é mesmo? E aposto que você não vai mesmo querer me beijar outra vez depois do que eu fiz, né? Ai, Sesshy, desculpe tê-lo beijado! Sinto muito mesmo e...
Ele riu e segurou o rosto dela com as duas mãos, olhando diretamente nos olhos castanhos amendoados dela. Rin piscou; o rosto rubro demonstrava como ficara sem graça. Sesshoumaru beijou a menina e deslizou a mão pelo pescoço dela, para puxou para mais perto de si; a outra mão segurou o quadril dela e colou o corpo franzino ao seu. Rin se deixou apenas ser levada pelo cálido beijo do rapaz; as mãos titubeantes pousadas no peito dele.
Nenhum dos dois queriam parar o beijo ardente e apaixonado, então continuaram até precisarem se afastar para tomar ar. O beijo cessou e Sesshoumaru abraçou Rin, carinhosamente. Ela circulou a cintura dele com os braços e um amplo sorriso nos lábios se formou.
- Você fala demais. – Sesshoumaru falou, suavemente, afastando um pouco dela para encará-la.
- Não sou eu que falo demais, é você que fala de menos. – Rin fez uma pequena careta.
Ambos não conseguiram evitar um sorriso.
Sesshoumaru preparou para beijar Rin de novo, mas o som alto de algo se aproximando o fez procurar com os olhos dourados o motivo de tanto barulho. Quase franziu a testa ao ver dois jet ski's dando voltas ao redor do barco, como que analisando o lugar que estavam. Final, que diabos era aquilo? A única coisa que tinha certeza era que aquilo não era uma boa coisa, não mesmo... E teve certeza disso ao ver Naraku e Suikotsu deles... Ih, era uma péssima coisa que estava para acontecer, tinha certeza...
- Sesshoumaru, então você conseguiu mesmo ficar com a bonequinha? – Naraku parou o jet ski ao frente ao casal, com Suikotsu ao seu lado.
- O que quer aqui, inferno? – Sesshoumaru puxou Rin para seu lado, protetoramente.
- Sesshoumaru, Sesshoumaru... – Naraku começou, com seu típico sorriso mesclado de deboche e arrogância. – Sabe que logo você irá substituir Hakudoushi na empresa, não é mesmo?
- O que isso tem a ver com o fato de você estar aqui?
Rin apenas olhava para os três, confusa.
- Você pode não saber, mas eu quero a presidência da Inokuma Company...
A expressão de Sesshoumaru demonstrava que o cérebro trabalhava a todo vapor para tentar entender a mente deturpada do rival.
- E, de acordo com seu velho e aposentado pai, você quem vai substituir seu primo...
Com aquelas palavras, Sesshoumaru percebeu todo o plano diabólico de Naraku e Suikotsu.
- Você quis me trazer aqui para tentar me matar? – Sesshoumaru quase riu.
- Não, eu quis trazê-lo aqui para matá-lo mesmo. – Naraku deu uma risadinha cínica.
- Quê? – Rin apertou o braço do rapaz, amedrontada. – Sesshy, ele está falando sério?
- Claro que estamos, docinho. – Suikotsu também sorriu como Naraku. – E acho que, infelizmente, você também morrerá. Uma pena mesmo. Tão linda e jovem para morrer...
- Vocês são tão patéticos. – Sesshoumaru não se abalou.
- Você será quem é patético quando o barco explodir.
- Explodir? – Rin e Sesshoumaru falaram ao mesmo tempo.
- Eu planejei cada passo dessa viagem, Sesshoumaru. – Naraku começou. – Mas como acho que se queremos algo perfeito não devemos deixar para outros fazerem, vim para cá me despedir de você.
- O que diabos estão aprontando, seu cretino? – Sesshoumaru estava perdendo o resto de paciência.
- Nada, nada mesmo... – Naraku riu, debochado. – Apenas uma bomba no barco...
Rin e Sesshoumaru não sabiam exatamente se era ou não verdade. Uma bomba no barco? Aquilo era fantasioso demais! Era quase como um daqueles filmes do Bruce Willis... Como era mesmo o nome? Duro de Matar, não era? "Isso não é hora para ficar pensando em filmes", Sesshoumaru quase rodara os olhos com os pensamentos inoportunos e mais apropriados para Inuyasha e Hakudoushi, que adoravam aqueles filmes.
- Vamos indo... – Naraku riu de lado. – Não quero perder o espetáculo. Será quase um show pirotécnico.
Rindo de maneira ensandecida e psicótica, os dois se afastaram com nos jet ski's, deixando para trás um rastro na água, que sumira rapidamente.
- Sesshy... – Rin tocou no braço de Sesshoumaru, fazendo-o voltar os olhos dourados para ele. – O que vamos fazer?
A pergunta em tom assustado dela o fez odiar ainda mais Naraku e Suikotsu, então socou o gradil do barco.
- Você coloca o colete salva-vidas e espere aqui.
- Mas...
- Rin. Agora.
Rin percebeu a urgência na voz dele e se apressou a vestir o colete laranja.
Sesshoumaru começou a procurar pelo barco a possível bomba. Passou pela cabine e procurou. Nada. O rapaz tornou a varrer com os olhos atentos o lugar. Nada mais uma vez. Apesar de não querer admitir, sabia que Naraku e Suikotsu fariam o que fosse preciso para ter poder e dinheiro, mesmo que isso incluísse matar.
Sem sorte na primeira vez que procurou, ele teve que olhar em todo o barco novamente.
- Sesshy, Sesshy! – Rin gritou, agitando os braços.
Ele apareceu na frente dela um segundo depois, preocupado.
- Será que... – Rin apontou para baixo, no casco do barco. – Não é aquilo?
Sesshoumaru se inclinou e viu o contador luminoso em vermelho decrescente; os olhos dele se arregalaram visivelmente...
1 minuto e 4 segundos...
Era o exato tempo que tinham para sair dali antes que a bomba explodisse e não sobrasse nem mesmo os restos mortais deles para contar a história.
58 segundos...
- Sesshy! – Rin agarrou o braço dele, trêmula. – O que vamos fazer?
- Pular.
- Quê?
52 segundos...
- Pular.
- Eu não vou pular no mar!
- Pule, vamos!
- Eu não!
48 segundos...
- Quer morrer?
- E o que acha que vai acontecer se eu pular na água?
- E o que acha que vai acontecer se você não pular na água?
40 segundos...
- Eu 'tô com medo, Sesshy! – Rin gemeu.
- Eu estou com você. – ele sorriu e apertou a mão dela. – Não vou deixar que se machuque.
- Sesshy... – Rin ficou encantada com as palavras dele. – Que fofo!
32 segundos...
Sesshoumaru rodou olhos com a distração dela com o iminente perigo e a segurou pela cintura, para jogá-la no mar. Rin somente percebeu o que ele fizera quando sentiu o corpo colidir com a água. Ele pulou em seguida, a tempo apenas de segurar uma Rin pelo colete e nadar para longe do barco o mais que pôde.
3 segundos...
2 segundos...
1 segundo...
A explosão a seguir fez Rin fechar os olhos com medo e Sesshoumaru a puxar para trás de si, num ato instintivamente protetor. A menina se agarrou como conseguiu ao rapaz e se colocou a chorar, apavorada com o fogo e a fumaça que a bomba causara. Ele, continuou impassível, com muito odeio de Naraku e Suikotsu por colocar a vida de Rin em perigo. Maldito! Quando colocasse as mãos neles...
- Rin, você está bem?
- Quase morremos! – Rin choramingou, grudada no pescoço dele. – O que você acha?
Ele sorriu e começou a nadar em direção a praia. Muitos minutos depois, ele conseguiu chegar e saiu da água cansado e com a respiração ofegante. Nadar tudo o que nadou com Rin pendurada nele não era fácil, não mesmo. Ele sentou na areia e jogou a cabeça para trás, tentando voltar a respirar normalmente.
- Sesshy! – Rin se ajoelhou ao lado dele. – Obrigada por nos tirar de lá!
- Eu não deixaria que se machucasse, Rin. – ele sorriu e ela também, pulando no pescoço dele para abraçá-lo fortemente. – Não consigo respirar assim.
- Oh, desculpe! – Rin se afastou e ficou ao lado dele. Um suspiro desanimado escapou dos lábios dela, enquanto tentava tirar o colete salva-vidas. – Eu estraguei nosso dia, de novo...
- Não foi você, Rin. Sabe disso. – Sesshoumaru a ajudou a tirar o colete laranja e a encarou diretamente, com um meio sorriso no rosto. – Por incrível que isso possa parecer.
- E o que vamos fazer agora? – Rin perguntou.
Sesshoumaru deu um sorriso malicioso. Rin não percebeu.
- Eu estou pensando em beijá-la...
- Oh... – Rin ficou extremamente corada. – É, isso seria bom...
Sesshoumaru sorriu e a puxou pela cintura, colando os lábios nos dela, num ato de tirar o fôlego de qualquer um. O beijo foi ficando mais intenso e ele acabara por esquecer que estava num lugar público – apesar de, no momento, estar deserto –, deitando Rin na areia, sem cessar o beijo. Aquela menina doida estava definitivamente o enlouquecendo também, sem dúvidas... Por mais que tentasse se controlar, ficara difícil quando começara a beijá-la...
Rin, ao perceber o que poderia acontecer ali, empurrou-o pelo peito e ficou encarando-o, assustada e envergonhada. Sesshoumaru ficou olhando para ela, querendo continuar o que começaram e tornou a tocar nos lábios dela; as mãos descendo para o quadril da menina, até alcançar a barra do vestido.
- N-não, Sesshy! – ela sentou depressa, quase assustada. – Não podemos fazer isso.
Sesshoumaru não deixou que ela continuasse a falar, apenas se puxou para juntos de si e continuou a beijá-la e tornou a deitá-la na areia fofa da praia de Cabo Inubo. Dessa vez, nem ela tentou evitar que ele levasse a mão no vestido dela para tirá-lo, pois ficara perdida demais nos beijos dele, e sequer pensava em alguma coisa coerente, muito menos no mísero detalhe que era o vestido.
Contudo, eles se colocaram de pé de uma vez quando ouviram muitas vozes. Muitas pessoas chegavam para ver o que havia acontecido e que explosão era aquela que ouviram. Sesshoumaru rosnava de raiva e Rin, ficou abraçada a ele, cabisbaixa, para ninguém notar o tom vermelho intenso do rosto, constrangida pelo que pretendiam fazer naquela praia. Só de pensar o que teria acontecido se ninguém tivesse aparecido, a menina sentia vontade de esconder a cabeça na areia.
- O que será que aconteceu aqui? – as pessoas perguntavam, empurrando Rin e Sesshoumaru para conseguirem ver. – Será que foi um meteoro que caiu na água?
Sesshoumaru segurou Rin pela cintura para tirá-la no meio do povo, antes que fosse pisoteada ou, pior, que descobrissem que os dois estavam no barco que acabara de explodir e encherem os dois de perguntas. Isso seria muito constrangedor, ainda mais que certamente viram o que o casal pretendia fazer ali e não deixariam de questionar sobre aquilo. Por isso detestava intrometidos e fofoqueiros de plantão.
Rin permanecia calada enquanto se afastava ao lado de Sesshoumaru, com as mãos frente ao corpo, de cabeça baixa. Sabia que ela estava envergonhada – além das faces extremamente coradas que a denunciava, ainda tinha o fato de que não tinha sequer coragem de encará-lo. Hum... Será que fora rápido demais e acabara por assustá-la? Mas fazer o quê se ela o enlouquecia?
Também não deveria ter feito aquilo. Rin ainda devia estar assustada por conta de Naraku e Suikotsu que quase mataram os dois e explodiram o barco. Às vezes, ainda se perguntava os que as mulheres viam nele, sendo que era arrogante, insensível e impassível. Todavia, com as outras, não se importava; com Rin, sentia-se totalmente culpado por ser daquele jeito com ela. Droga, só poderia estar mesmo apaixonado pela maluca desastrada para se sentir culpado.
- Rin... – Sesshoumaru chamou, ainda com a mão na cintura dela, sentindo-a estremecer. – Você está bem?
- Quê? – ela piscou e não olhou para ele. – S-sim... Estou bem.
- Desculpe-me. – Sesshoumaru pediu, num suspiro. – Não queria que tudo isso estivesse acontecido.
- Nem o que íamos fazer na praia? – Rin piscou ao falar e arregalou os olhos com as próprias palavras, ficando ainda mais corada. – Aiii, eu tenho que aprender a pensar antes de falar as coisas!
Sesshoumaru riu dela.
- Bem, isso eu ainda quero.
O tom vermelho na face dela se intensificou, como se fosse explodir a qualquer segundo, passando para uma tonalidade azul, quase roxa. Sesshoumaru riu ainda mais, divertindo-se com a menina. Ele passou os braços pelo corpo dela e a abraçou, beijando depois o topo da cabeça dela, carinhosamente, para a surpresa de Rin, que exclamou em resposta, ainda incrédula com a atitude dele. Ao sentir os braços dela circularem sua cintura e esconder o rosto em seu peito, um sorriso formou nos seus lábios.
- Vamos para o quarto? – Sesshoumaru perguntou, ainda apertando a menina nos braços.
- Quêêê? – Rin gemeu, franzindo o rosto corado.
- Para o quarto do hotel. – Sesshoumaru se divertiu ainda mais. – Descansar, apenas.
- Oh, eu quero, sim. – Rin sorriu, fazendo cara de cansada. – Eu preciso descansar para poder sair amanhã!
- Achei que depois do que aconteceu ficaria um bom tempo sem querer sair do quarto.
- Que nada! – Rin sorriu, levantando os braços para cima, feliz. – Eu fiquei assustada na hora, mas você 'tá comigo, então não tenho mais medo.
Sesshoumaru tocou nos lábios dela com os seus e voltou a andar, de mãos dadas com ela. O casal seguiu em direção ao hotel e ele foi o primeiro a ver frente à porta central do Shikon no Tama – Rin era tão distraída que olhava para os lados, muito provavelmente pensando o que aprontaria no dia seguinte e só percebeu quando Sesshoumaru parou. Ambos franziram a testa, tentando descobrir o que ocorrera.
- Não acredito que apanhou de um homem de saias!
- Você também apanhou dele, seu inútil!
Sesshoumaru conheceu as vozes e rosnou de maneira audível, mas se acalmou ao ver a cena se desenrolar: Naraku e Suikotsu eram levados pela polícia, algemados, com machucados espalhados por todo o corpo, além de olhos roxos e narizes sangrando. Isso era maravilhoso, não poderia negar. Entretanto, o que o deixou abismado era quem vinha atrás dele, recebendo elogios pelo trabalho de praticamente espancar os vilões.
- Rinzinha!
Rin soltou de Sesshoumaru para se aproximar de Jakotsu.
- O que aconteceu aqui, Jakotsu-kun? – Rin perguntou.
- Rin, você está bem, querida? – ele perguntou, abraçando a menina fortemente. – Eu fiquei tão preocupado quando soube da bomba!
- Como soube disse? – Rin piscou.
- Ouvi esses dois falarem que tinham explodido o barco que vocês saíram e dei uma surra daquelas neles, sem nem perder a classe. – Jakotsu quase engrossou a voz para falar, de tão bravo que ficou. – Agora eles vão mofar na cadeira.
Sesshoumaru piscou diversas vezes, ora olhando para o franzino rapaz afeminado, ora para Suikotsu e Naraku, que eram colocados na viatura sem um pingo de pena por partes dos policiais uniformizados. Como Jakotsu conseguira deixá-los daquele jeito deplorável? O rapaz ficou totalmente surpreso e, apesar de ainda não gostar do rapaz de saia, sentiu uma enorme admiração por ele.
- Muito obrigada, Jakotsu. – Rin sorriu e depois de virou para Sesshoumaru. – Agora vamos, né, Sesshy. Vamos dormir um pouco pra gente sair à noite.
- Como é? – ele piscou. – Esqueceu-se do nosso trato de não me chamar mais para sair?
- É, só que nosso passeio hoje foi estragado. – Rin sorriu e segurou o rapaz pelo braço, guiando-o para o quarto. – Então precisamos colocar outro no lugar.
- Isso não foi combinado.
- Ah, Sesshy, esse passeio eu tenho certeza que vai adorar! – Rin sorriu animadamente.
- Você sempre disse isso nas outras vezes... E em todas – todas mesmo! –, eu me dei mal.
Rin sorriu sem graça quando ele estreitou os olhos para ela.
Ele suspirou desanimado, quando a menina começara a falar sem parar, com adrenalina a mil pelos últimos acontecimentos daquele dia. Ela quase morrera e, mesmo no momento ter ficado apavorada, agora agia como se nada estivesse acontecido. Como alguém poderia ser tão ingênua e perceber os perigos daquele jeito? Sesshoumaru tinha consciência que jamais conheceria outra pessoa como Nakayama Rin.
Um suspiro de lástima se escapou dos lábios dele ao entrar no elevador e passou a mão na testa. Rin ainda trajava o vestido pequeno e estava realmente o deixando louco a cada movimento inocente que fazia... Quase não conseguia mais se controlar e acabaria a agarrando novamente... Ele tornou a suspirar. Ela ficara bem assustada na praia e não queria apressar as coisas, então precisaria se controlar.
"Eu preciso de um banho gelado urgentemente...", Sesshoumaru fungou, saindo do elevador e caminhando com uma saltitante Rin ao seu lado. "Um banho bem gelado..."
