Capítulo XI
- Eu preciso falar com vocês. – disse num tom frio mas ao mesmo tempo calmo.
Ichigo e Rukia se separaram e viraram para onde a voz vinha. Era Byakuya. Os dois ficaram encarando ele, Rukia estava meio nervosa, quando então, Ichigo falou:
- O que quer, Byakuya? – disse o ruivo, no mesmo tom.
- Me acompanhem. – disse o moreno, já de costas para os dois, adentrando os portões da mansão.
Ichigo e Rukia apenas o seguiam, em silêncio. Ela achara muito estranha a atitude de seu nii-sama, ele nunca havia feito isso antes. O que será que ele queria? Era um pergunta que não saia da cabeça dos dois. Chegaram na porta da mansão, a mesma foi aberta por um de seus empregados, eles seguiram Byakuya até o escritório. Entraram, sentaram em um dos sofás, e esperaram Byakuya se pronunciar. O silêncio era atormentador, Ichigo sentiu Rukia apertar forte a sua mãe, pode perceber que ela estava nervosa.
- Bem, - começou Byakuya – Kurosaki – os dois gelaram ao ouvirem ele dizer o nome de Ichigo – suas intenções com Rukia, são sérias? – perguntou friamente.
- C-claro que são! – gaguejou o ruivo.
- Até que ponto? – perguntou ele.
- C-como até que ponto? – perguntou Ichigo.
- Você faria qualquer coisa para ficar com ela? – retrucou Byakuya.
- Mas é claro que sim! – o ruivo se alterou um pouco, mas logo voltou ao 'normal'.
- Pois bem, - falava Byakuya – como vocês dois sabem, Rukia pertence a uma família nobre, então, não será nada fácil para vocês ficarem juntos. – ao terminar a frase, Byakuya lançou um olhar a Ichigo.
- Eu enfrentarei quem quer que seja, - dizia o ruivo – se for para ficar com a Rukia, eu faço qualquer coisa! – completou.
Os olhos da pequena – ao escutar tais palavras vindas do seu morango – brilharam.
- Entendo – disse Byakuya – Isso era só uma parte da conversa. – "Para saber se vale mesmo a pena fazer isso por vocês dois." – pensava ele.
- E qual seria a outra, nii-sama? – perguntou Rukia, que até agora apenas escutava.
- A outra, é saber se você, Rukia, - hesitou por um momento, mas continuou – ama esse moleque a ponto de renunciar a sua "posição" na família Kuchiki. – completou ele.
Os olhos de Rukia se arregalaram. Isso era tudo o que ela sempre quis, desde que foi obrigada a entrar nessa família, não? Ela olhou para Ichigo, que estava um tanto surpreso com as palavras de Byakuya. Voltou a encarar o seu nii-sama, respirou fundo e disse:
- Hai! – falou firme e forte, como se fosse a coisa que ela mais tivesse certeza na vida, depois de seu amor por Ichigo.
Agora foi a vez do ruivo arregalar os olhos. Então, ela o amava tanto assim, a ponto de renunciar a sua família? Ela o amava o tanto quanto ele a amava? Diante da situação, o ruivo não pode deixar de sorrir. A morena o olhou, também sorrindo de leve. Ela apertou a mão do garoto mais uma vez. Ambos viraram para Byakuya, que os encarava.
- Terminamos. – disse ele, naquele mesmo tom frio e sério – Podem ir.
Os dois se levantaram e foram até a porta. Rukia se virou e disse:
- Não sei o porque de você estar nos ajudando.. – dizia – mas, arigato, nii-sama. – e sorriu ao fechar a porta.
Byakuya não sabia porque, mas algo nas palavras de Ruía o fez sorrir por um instante. Ela também estava passando o mesmo que ele, há alguns anos atrás, quando este conheceu Hisana, uma simples empregada da família Kuchiki. E ficou ali sentado em sua cadeira, relembrando fatos do seu passado.
***
- Acho que agora você está mais calma, não é, baixinha? – dizia Ichigo.
- Hai, moranguinho. – falou ela, com um leve sorriso, levando-o até o portão.
- Então, acho que eu vou indo.. – disse o ruivo.
- Assim? – disse ela, emburrada.
- Ah.. Esqueci de uma coisa! – falou ele.
- O que?! – perguntou ela, com uma pontinha de esperança.
- De dar tchau para o Byakuya. – ironizou ele.
- Baka!! u.ú – falou ela, cruzando os braços.
- Sabia que eu adoro quando você faz essa cara? – disse ele, a puxando pela cintura.
- Whatever, moranguinho. – falava enquanto tentava se afastar dele.
- Hey baixinha, - chamou ele, carinhosamente, enquanto fitava os olhos da morena, com uma cara de cachorrinho sem dono.
- Já ouviu falar em 'greve', Ichigo? – ela só o chamava pelo primeiro nome, quando estavam com os amigos ou quando estava brava, mas nesse caso, era parte do 'jogo' dela.
- Você não levou aquilo a sério, não é? – perguntou ele, já preocupado.
- Você é um baka mesmo, moranguinho! – sussurrou ela, no ouvido do garoto – Adoro quando você faz essa cara. – agora, olhava vitoriosa para o ruivo a sua frente.
- Você é mesmo boa nisso, baixinha. – riu ele.
- Só nisso, é? – provocou ela.
Sem responder, apenas sorrindo, Ichigo a puxou de novo para mais perto de si, e lhe roubou um beijo. Ao se separarem, ela passou os braços pelo pescoço do garoto, e entrelaçou as mãos, ambos ficaram encarando um ao outro, sorrindo.
- Moranguinho, você já tem planos para amanhã? – perguntou.
- Hm.. – pensava ele – Acho que não, porque?
- Porque o nii-sama nunca fica em casa aos domingos e, talvez, ele viaje. – falava ela – E eu sempre fico sozinha quando o Kaien não vêm aqui.
- Como é que é? – disse ele – Que história é essa de "quando o Kaien não vêm aqui?" – perguntou, enciumado.
- Que kawaii!! *-* - falou ela – Você tá com ciúmes do Kaien! – provocou.
- Que?! Eu, com ciúmes daquele.. – Ichigo foi silenciado pelos lábios da garota tocando os seus.
- Não é nada de mais. – falou ela – Você sabe que eu e o Kaien somos como irmãos, certo? Nunca rolou e nem vai rolar nada entre nós dois. – ela virou o rosto do garoto, fazendo-o encará-la – Você acredita em mim? – perguntou.
- Uhum. – disse ele num tom baixo.
- Isso não me foi muito convincente. – disse ela, meio manhosa.
- E que tal isso? – dito isso, ele selou os lábios da garota com um beijo. – Então, isso te pareceu convincente? – perguntou, com um sorriso nos lábios.
- Só um pouquinho.. – fingiu ela.
- Ah, é? – sorriu maliciosamente e a beijou de novo, mas agora, com mais intensidade.
- Agora sim.. – disse ela, desfazendo-se do beijo, pela falta de ar.
- Então baixinha, o que você queria propor para amanhã? – perguntou.
- Bem.. – começou ela – Talvez você queira vir aqui em casa, sabe.. – falava enquanto passava a pequena mão por entre os cabelos do garoto – Podemos ver algum filme, fazer pipoca.. Essas coisas, sabe? – sorria ela.
- Gostei da idéia.. – sorriu também ele – Mas com uma condição. – falou.
- E qual seria? – perguntou ela.
- Sem o Kaien! – falou ele, fechando a cara.
- Ok, moranguinho ciumento!! – disse, abafando um risinho.
- Eu não sou ciumento! – reclamou.
- É sim! – disse – E saiba que eu adoro isso. – falou a última frase com um sorriso meio que malicioso nos lábios, o qual fez Ichigo corar.
- Sayonara, baixinha. – disse Ichigo, depois de dar um pequeno beijo na morena. E saiu andando.
- Sayonara, moranguinho ciumento. – retrucou, ele apenas acenou de longe.
***
CONTINUA ^^
