Capítulo 10: Vingança Concluída
Ainda sonolento, Harry esboçou um sorriso luxurioso e espreguiçou-se, sentando-se na cama. Moveu-se levemente, ajeitando as almofadas e notou uma humidade já habitual nos seus boxers.
"Melhor sonho de todos! Agora só devo colocá-lo em prática… Os sonhos e a recordação daquela noite não me vão deixar satisfeito por muito mais tempo… Já tive o prazer de provar o verdadeiro Draco… Que é mil vezes melhor…", pensava o moreno, esfregando os olhos para espantar os resquícios de sono.
Levantou-se e seguiu para o quarto de banho, deixando a roupa interior no solo e entrando no chuveiro, onde se dispôs a recordar alguns fragmentos da maravilhosa noite que tivera meses antes, que haviam permanecido na sua memória.
Início do Flashback
A noite já ia adiantada e a bebida não cessava de preencher os copos de cristal, como ato de magia, das duas figuras totalmente embriagadas.
…
Draco levantou-se, cambaleante, para chamar um elfo… O Vosne-Romanée terminara à meros instantes e o loiro mal podia esperar pelo próximo copo de outro desses deliciosos néctares que haviam sido armazenados e envelhecidos durante décadas.
No decorrer de poucas horas, o par havia consumido facilmente dez dos mais caros e desejados vinhos de todo o mundo.
…
Harry gatinhou até à mesa de centro, pegou numa nova garrafa e encheu o copo, regressando ao seu lugar perto do sofá, mas pelo caminho tropeçou na perna do herdeiro Malfoy, que descansava as costas contra o sofá com as pernas esticadas, manchando a fina camisa de seda com o licor.
Prestativo, o moreno jogou-se em cima de Draco, fazendo-o cair para o lado, terminando deitado no chão. Ambos lutavam pela possessão da peça manchada, Harry só desejava livrá-lo da roupa molhada, não fosse o platinado adoecer, mas este não se deixava fazer, terminando assim com os dois homens a ofegar, exaustos, para começarem seguidamente a rir às gargalhadas.
Embelezado com a risada cristalina do platinado, Harry foi-se aproximando gradualmente sem sequer se aperceber:
Hálitos alcoolizados misturando-se, tornando-se num só…
Faces acercando-se, cortando os escassos centímetros que as separavam…
Lábios encontrando-se desajeitadamente, de forma experimental, testando os limites, reconhecendo um terreno estrangeiro…
Mãos ganhando vida, percorrendo os corpos alheios…
Por fim separaram-se, olhos vidrados, lábios vermelhos e inflamados, suspiros intercalados com gemidos… E voltaram a atacar a boca do contrário.
Fim do Flashback
As gotas da água do chuveiro caíam sobre a cabeça do homem, deslizavam pelo corpo atlético, percorrendo os marcados abdominais e perdendo-se no meio do movimento de sobe e desce… Ora rápido… Ora lento…
― Hmm… Ah! Haaa… Hm…
Início do Flashback
― Hmm… ― A língua brincalhona torturava o rosáceo mamilo esquerdo do platinado, enquanto a mão direita se concentrava em estimular o direito. ― Ah!
…
Harry fitou o ponto rosado, que se abria só para ele, tal qual um botão de rosa. Lambeu os lábios e desceu o rosto… Primeiro deu uma pequena e leve lambida, testando a reação do menor.
― Ah! ― Draco abriu as pernas o máximo que as suas articulações lhe permitiam, demonstrando assim quão flexível o seu corpo ainda era, e ganhando um sorriso felino por parte do moreno, que prosseguiu com os seus planos, adentrando o seu húmido e complacente apêndice no cálido e suave interior do loiro. ― Haa! Hmm… M-Mais…
Fim do Flashback
O fim estava próximo, não tinha dúvida alguma disso, podia senti-lo enquanto rastejava através das suas entranhas, lutando por rasgar o seu caminho até ao exterior e como tal, escolheu culminar com a memória que melhor demonstrava a entrega de Draco.
Deslizou a mão direita mais para sul, embalando os testículos, cheios e desejosos de atingir o ápice.
Início do Flashback
Harry gemeu de descontentamento ao sentir a sua masculinidade livre, Draco havia-se separado e dava pequenos beijos sonolentos na cabeça do pénis do maior. Temendo que o jovem de olhos prata adormecesse antes do auge, puxou-o delicadamente na direção do sofá.
…
― Haa! ― O moreno marcava o ritmo das estocadas, controlando os movimentos de sobe e desce do loiro. As suas mãos apertavam fortemente a cintura do outro, auxiliando-o nas auto-penetrações. ― T-Tão fun… hmm… Mais rápi… Oh! Harrr… Oh!
― Q-Quase lá… Hmm… ― O jovem aristocrata passou os braços por detrás do pescoço do amante, engolindo os gemidos ofegantes de ambos.
― Ah! ― Suspiraram ao separar-se. ― Hm… ― Ambas as línguas abandonaram os seus esconderijos, brincando livremente ao ar livre e deixando à vista os seus movimentos dignos do mais aclamado contorcionista.
Sem cessar o movimento dos seus corpos, os amantes atingiram o orgasmo.
Fim do Flashback
― Dracooooo!
Harry encarou as evidências em suas mãos, apoiando as costas na parede e deixou a água lavar os últimos traços do poderoso e deleitoso orgasmo.
OoOoO
Draco alimentava a coruja que acabara de lhe entregar a mais recente edição do Diário do Profeta, quando viu Harry surgir pela porta, mais fresco do que uma alface na madrugada.
― Alguém está de bom humor… ― comentou como quem não quer a coisa.
― Poderia estar ainda de melhor humor se certa pessoinha se prestasse a auxiliar-me no lugar da minha pobre e cansada mão direita… Por este andar vai ser toda a companhia que terei pelo resto da minha triste, miserável e solitária vida ― respondeu o homem mais alto, com tom brincalhão, deslizando-se por detrás do encosto da cadeira para lhe dar um beijo de bons dias na bochecha, pois por mais que tentava nunca era rápido o suficiente para roubar os lábios do homem de olhos prateados.
Draco parecia ter adotado o lema de Mad-Eye, "Vigilância constante!", por mais que quisesse, o loiro não parecia disposto a baixar a guarda à sua volta, fazendo praticamente impossível para Harry avançar na sua tão chamada "sedução".
O jovem herdeiro travou todas os planos de conquista do maior ao ver a capa do jornal.
― Lamento, Harry… ― murmurou, cedendo-lhe o Diário do Profeta.
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Tragédia assola a família Weasley
Após o escândalo de Ginevra Weasley, qualquer pessoa pensaria que nenhuma outra notícia poderia chocar ainda mais a nossa sociedade, mas… infelizmente, possuo o dever de fazer chegar aos meus caros leitores a mais recente tragédia do Mundo Mágico.
A matriarca da família Weasley foi encontrada ontem, morta no quarto, pelo seu primogénito, William Weasley, sendo que a Toca foi quase completamente destruída.
O Quartel dos Aurores ainda não fez qualquer comunicado sobre o ocorrido, ficaremos a aguardar esclarecimentos por parte das autoridades encarregadas.
Enquanto isso, ficam aqui algumas incógnitas:
Onde está a menor dos Weasley? Acaso não tinha, Ginny tomado asilo em casa da sua progenitora? Se assim foi, porque não se apresentou a prestar depoimento no Quartel de Aurores?
E vocês, meus caros leitores, o que pensam que aconteceu de facto?
Rita Skeeter
OoOoO
Dois meses depois…
Draco tinha passado todos as suas escassas folgas a tentar localizar Ginny Weasley, Harry precisava de um encerramento e não obteria até saber exatamente o que se passara e para quê negar, ele tampouco. A ruiva podia ser muitas coisas, mas não era uma assassina! Havia algo mais ali… Algo que poderia muito bem vir a ser um obstáculo para os seus planos. Tinha de se assegurar que tal não acontecesse.
No decorrer desse período, fora possível constatar o quão difícil fora, para a família Weasley, manobrar com esse evento.
Não era fácil lidar com o luto e os Weasley não eram exceção…
Percy e Audrey haviam decidido, no mesmo instante em que souberam que iriam ter uma menina, que esta se chamaria Molly, em honra da matriarca. Quando não estava com a esposa, Percy podia quase sempre ser encontrado no quarto da sua mãe ou na cozinha da Toca, muitas vezes a reproduzir alguma receita ou apenas a encarar o vazio, onde antes estaria a ruiva mulher.
Bill e Fleur atravessavam o seu próprio drama, as crianças estavam desconsoladas, principalmente o mais jovem, Louis. Este ainda era demasiado pequeno para compreender o mero conceito da morte e o que esta implicava, não alcançando a compreender porque não podiam ir ver a sua avozinha. O menino só desejava que Molly o abraçasse e lhe dissesse que tudo ia ficar bem… Mas tal nunca voltaria a ser possível.
Não eram poucas as vezes que Victoire e Dominique acordavam com o pequeno aos prantos, soluçando à porta do seu quarto, abraçado ao seu coelhinho de peluche, presente da avó, empreendendo seguidamente caminho rumo ao quarto dos pais. Essas eram as noites em que a pequena família de cinco pessoas se espremia na cama de casal. O bebé da casa era o primeiro a adormecer, vítima do cansaço, chorando até dormir, por não o deixarem ver a sua vovó Molly. As meninas demoravam mais um pouquito, querendo ser fortes e não mostrar as lágrimas frente ao pequeno, só se permitiam chorar quando este já cedera ao sono. Victoire acabava por adormecer abraçada à sua mamã e Dominique, mesmo entre o sono, terminaria por em dado momento abraçar Louis ao escutá-lo choramingar baixinho. Fleur daria uma mirada triste na direção do esposo e este abraçaria os dois filhos mais jovens e o casal velaria silenciosamente pelo descanso dos seus bebés.
Por outro lado, George e Charlie mal eram vistos desde o evento, atolados em trabalho, não querendo ceder às emoções, não desejando reconhecer que estavam de luto mais uma vez. George ainda não queria reconhecer a perda da sua querida mãe, ainda nem aprendera a lidar com a perda da sua outra metade. Como é que alguém lhe podia arrancar o seu porto seguro de uma forma tão desumana?
Por muito estranho que pudesse parecer para os guardas, que por vezes até faziam piadas sobre o assunto, Ron chorava todas as noites ao recordar que a última a imagem que ele presenteara à sua mãe fora quando os seus antigos subordinados o haviam arrastado da Toca por tentativa de homicídio. Como podia ter sido tão imbecil? Havia perdido tudo por algo tão medíocre como a inveja… E nada, nem ninguém poderiam trazer a sua amorosa mãe de volta… Mas o que mais lhe doía, é que o último que esta sentira por ele fora muito certamente desapontamento… Desilusão de quão baixo o seu filho mais novo caíra. Ele desiludira a única pessoa que nunca lhe dera as costas sob circunstância alguma, mesmo quando todos o reprovaram pelas suas ações e renegaram a sua existência. E agora… Ela fora-se… Para sempre.
OoOoO
Uma bela e elegante loira saiu da área de transportes internacionais e inspirou profundamente.
― Ah! Por fim voltei… O que será que aquele cabeça no ar aprontou desta vez? Cinco anos e nem uma única palavra? Isto se admite? Como é que se atreveu a ignorar as minhas cartas? Espero ter boas notícias desta vez! Mal posso esperar… Quero uns netos bonitinhos para mimar! Hmm… Talvez deva apresentar-lhe algumas potenciais candidatas a esposa, a ver se esse meu filho assenta a cabeça de uma vez por todas. Terei de ver quais damas ainda estão solteiras…
OoOoO
Draco caminhava apressadamente pelas ruas de uma cidade muggle, cujo nome já nem recordava, finalmente tinha descoberto onde se encontrava Ginny.
Parou e observou o edifício. A fachada fora vandalizada com grafittis, as portadas estavam gastas e sem cor, as janelas pareciam ter sido alvo de pedras ou algum tipo de objeto pesado, apresentando buracos aqui e acolá.
Toc! Toc! A porta abriu, revelando uma mulher enrugada e com má aparência, que o analisou dos pés à cabeça.
― Deves estar perdido, amor! ― Levou o cigarro à boca, inalando longamente e exalando seguidamente na direção do rosto do loiro, que tossiu fortemente. ― Este não é um sítio para meninos bons como tu, querido. Tenho a certeza que não precisas de pagar para conseguir sexo, lindo! ― exclamou a meretriz, fazendo referência às vestes de seda de Draco.
― Na verdade, estou à procura de…
― Gosto de homens que sabem o que querem e especialmente daqueles que pagam pelo que querem. Entra, querido. ― Afastou-se da porta e subiu as escadas, confiante de que o homem a seguia.
Draco subiu as escadas, escutando a madeira ceder à pressão, rangendo ruidosamente. A mulher de uns sessenta e muitos anos, com cabelos negros raiados de branco e cinza, parou frente à janela do fundo.
― Vamos, amor, elas não mordem! A menos que tu queiras, claro ― disse a dona do bordel com tom libidinoso. ― Quais são as tuas preferências, meu lindo? Morenas? Loiras? Ruivas? Temos de tudo e de todas as idades… Mais velhas? Mais jovens? ― Perante a falta de resposta, esta procedeu com a enumeração. ― Talvez algo fora do comum… Temos alguns homens… Travestis? Transexuais? Transexuais que já concluíram o tratamento hormonal, mas que ainda não passaram pela faca? ― Draco não fazia ideia do que a anciã estava a falar. ― Talvez queiras realizar algum fetiche? Ultimamente há uma grande procura por menores… Que idade preferes? Não temos nada menor a cinco anos… As garotas não tem tido grande ação, pelo que só temos duas à espera! ― Draco tentava esconder a repulsa e escândalo que sentia atrás da sua máscara Slytherin, mas escutar coisas tão horrorosas não facilitava o trabalho. ― Dentro de uns três meses, teremos uma nova mercadoria. Não imaginarias a quantidade de tarados que requisitam…
― Chega! ― exclamou o loiro, engolindo o desgosto e forçando-se a manter uma fachada inabalável, apesar do ardor na boca do estômago que clamava por libertação. Se a tivesse deixado continuar, teria acabado por vomitar. ― Ginny Weasley!
― Oh! Não, querido! Sem nomes… Aqui ninguém usa o verdadeiro nome, mesmo sendo a proprietária, respeito o anónimato das minhas garot…
― Temperamental, ruiva, olhos castanhos, pálida com sardas, mais ou menos desta altura… ― Colocou a mão a sinalizar a estatura da rapariga. ― Deveria ter chegado à pouco tempo, máximo uns dois ou três meses.
― Essa seria a Scarlet. Segunda porta à esquerda. Não sejas muito duro com ela, é uma das minhas melhores mercadorias, principalmente agora… ― murmurou misteriosamente, mantendo a atmosfera de suspense.
OoOoO
A ruiva levantou-se da cama com os olhos exorbitados.
― Malfoy?
― O que é que te passou? ― Draco aproximou-se para analisar os ferimentos da jovem mulher.
― Nada que te interesse.
― Neste momento não deverias estar a implicar comigo e sim a pensar em como sair daqui.
― Sair daqui? E ir para onde? Para a rua? Aqui tenho comida e teto! É mais do que tinha há alguns meses.
― Podemos pensar nisso depois. Antes de tudo, quem te fez isto?
― Um cliente passou dos limites o fim de semana passado. Nada que não cure… Não foi nada demais.
― Nada demais? Isto vai deixar cicatriz se não for tratado agora mesmo. ― De todos os cenários que ponderara, este não fora um que Draco tivesse sequer imaginado. Tinha feito a sua parte, a vingança contra Ginny estava consumada, mas… ― Como terminaste aqui? ― Fez aparecer um kit de poções medicinais. ― Digo, como terminaste…
― A ser uma puta, fodida por muggles feios e obesos quatro a cinco vezes por dia? ― concluiu a ruiva, fazendo uma careta, pelo ardor do desinfetante que o homem passava nos seus ferimentos. Um corte na testa, outro no braço, um par no peito e além… Demasiados para enumerar detalhadamente.
― Bom, sim. Não queria dizer exatamente desse modo. Tem… Tem algo a ver com… ― O loiro ponderou se esta estaria ou não a par do falecimento da mãe.
― Passaram dois meses desde que ela morreu ― murmurou Ginny com a mirada perdida num ponto da parede imunda e desbotada.
― Es… ― Engoliu em seco. ― Estavas lá? ― perguntou cautelosamente o homem de olhos prateados.
― Sim.
― O que aconteceu?
― Não deveria ter sido assim… O feitiço não era para ela…
― Era para ti ― concluiu Draco, compreendendo aonde queria chegar a ruiva. ― Molly interpôs-se, não foi?
― Hm… ― Assentiu a ruiva, passando a revelar as circunstâncias da morte da matriarca, bem como a pessoa por detrás do sucedido.
Quase meia hora depois, Draco perguntou porque a meretriz dissera que ela era mercadoria especial.
― A minha menstruação está atrasada. Em questão de meses… O meu filho ou filha terá o meu mesmo destino. Afinal… Filho de puta vira puta, essa é a lei desta indústria.
― Não se eu o puder evitar.
Draco deixou um monte de notas muggles em cima da cama e saiu, fechando a porta com cuidado de não ganhar atenção indesejada.
― Acho que colhemos o que plantamos… Tinha tudo e agora não tenho nada. Matei um filho por estupidez e agora toda a minha futura descendência pagará pelo meu pecado. ― Uma solitária lágrima deslizou pela face pálida, repleta de manchas arroxeadas.
OoOoO
As portas de Malfoy Manor abriram-se magicamente, saudando a sua Senhora após uma longa ausência.
― Draco! Meu bebé, onde estás? Não está em casa? ― Olhou ao seu redor, concluindo que este não pisava na mansão há eras. ― Lennie! ― Um elfo surgiu num estalar de dedos.
― Ama Narcisa! ― Fez uma reverência, praticamente beijando o solo. ― Desejar alguma coisa, Senhora?
― Draco? ― perguntou sem rodeios.
― O amo estar no Palácio Émeraude.
― Acaso disse quando vai regressar?
― Regressar? Amo não vir à mansão há meses. Amo ter-se mudado. Lord Émeraude vir buscar coisas do amo ontem. Lord dizer que amo não ir voltar.
― Hmm… Interessante! Prepara a carruagem e envia uma notificação ao staff do palácio a dizer que vou passar lá uma temporada.
― Agora mesmo, Senhora.
OoOoO
Os aurores corriam de um lado para o outro, os ataques contra os filhos dos Slytherins estavam cada vez mais sanguinários, contando já com três vítimas fatais. Uma menina de três anos e dois gémeos de sete. As famílias estavam devastadas e exigiam justiça.
Daphne estava arrasada. Theodore exigia retribuição paga em sangue. Algum neandertal havia-lhes roubado a sua menina, a sua bebé, a sua pequena Letícia. Uma menina tão linda e inocente, que nunca voltaria a rir.
Marcus Flint ainda não terminava o período de luto regulamentar após a morte da sua esposa e agora perdera os seus gémeos, Christopher e Alexander. A vida não o estava a tratar com muita gentileza… O ex-Slytherin era de todos o mais devastado e aquele pelo qual as serpentes mais receavam. Este já não tinha nada a perder… Os seus amigos temiam que cometesse alguma loucura da qual se viesse arrepender mais tarde.
Sendo assim, Pansy, mesmo com oito meses de gravidez e sem largar o leito do seu filho, prestava-se a liderar os processos contra o Ministério. Com as hormonas desreguladas, o stress até ao topo e com falta de horas de sono, a morena ainda arranjava tempo para convocar os seus sócios e instruí-los sobre como deveriam proceder.
Uma coruja entrou pela janela, sem que ninguém desse por ela, atolados em queixas, processos e casos criminais. A ave voou até à Sala de Evidências, depositando um frasco de memórias, cujo rótulo permanecia em branco, num tabuleiro. Só o tempo diria o que este continha e quão importante seria o papel que representaria no futuro do Mundo Mágico Britânico.
OoOoO
Harry surpreendeu-se ao ver o alvoroço que os elfos domésticos armavam do nada. Empolgadas, as criaturas saltitavam de um lado para o outro. Curioso, convocou o mordomo.
― Mink!
― Sim, amo! ― respondeu o elfo, aparatando à sua frente.
― Qual o motivo de tanta festa? Parecem muito entusiasmados.
― Sogra do amo chegar ao palácio hoje.
― Sogra do amo? ― perguntou confuso ― Espera aí… Eu sou o amo! Sogra? Qual sogra? Tenho uma sogra?
― Sim, mãe do amo Draco vir ao palácio hoje ao final do dia.
― Porque razão dizes que é minha sogra?
― Amo fazer coisas pervertidas ao amo Draco. Amos serem sangue-puros, sangue-puros não copular com qualquer um. Lei ancestral da família afirmar que herdeiro Émeraude só ter uma alma gémea. Amo Draco estar enlaçado com Amo Luka pela magia ancestral dos antepassados e do palácio. Copular no palácio ser enlaçar pelas leis da família Émeraude! ― Harry esboça um sorriso arrogante.
― Mink, importas-te de informar o Draco sobre isto? Penso que ele não acreditaria se fosse eu…
― Mink não ter problema… Ser lei da família. Senhora da casa dever saber. ― E desapareceu.
― Senhora! Hahahahahah! Todo este tempo estive à beira do colapso… Somos casados!? Hahaha! O enlace consiste na união das magias… Logo somos casados perante as leis ancestrais. Casar, lua-de-mel… Lua-de-mel! ― Saboreou as palavras com gosto. ― Mal posso esperar…
― Lua-de-mel? ― Harry virou-se ao escutar uma voz feminina. ― Lua-de-mel de quem?
― L-Lady Narcisa…
OoOoO
Draco passou os dias seguintes a fugir da mãe e de Harry.
Harry clamava a cada instante que deveriam ter uma lua-de-mel.
Narcisa clamava que aprovava o marido do filho e que queria organizar a cerimónia o mais breve possível.
― Tens vinte e nove, Draco, não dezanove. Está mais do que na hora de assentares a cabeça. ― A mulher de expressivos olhos azuis observava as flores do jardim, sentada na mesa exterior a tomar um delicioso chá. ― Luka parece amar-te desde o fundo do coração.
― E das calças também! ― concluiu o menor com sarcasmo ― Aquele homem só pensa com a cabeça de baixo.
― Isso explica o facto de estarem enlaçados. Entendo, são jovens, saltaram algumas etapas…
― Algumas? Aquele fulano saltou-as todas. Zero cortejo, nada de namoro, nicles de noivado, logo não há casamento.
― Hahaha! ― Harry foi atraído pela risada cristalina de Narcisa.
"Agora vejo de onde herdou o sorriso encantador", pensou o moreno.
― Esse é o problema, querido?
― Ele sabe zero de romance, só pensa em sexo, sexo e mais sexo.
Harry sentiu as bochechas arderem, não tendo dúvida alguma de que os loiros estavam a falar dele.
― Dá-lhe uma oportunidade, filho, ele é boa pessoa. Só precisas de educá-lo… Como eu fiz com o teu pai no seu dado momento.
O sorriso inocente de Lady Malfoy causou-lhe um terrível pavor que nem as expressões psicopatas das dezenas de criminosos que prendera, incluindo o finado Voldemort lhe puderam infligir. "É melhor cuidar-me! Narcisa pode ser bem perigosa… Onde é que eu me fui meter? Acaso Draco herdou todos os sorrisos da mãe? Porque aquele pode fazer um homem mau e machão mijar nas calças."
― Educá-lo? ― O timbre de interesse na voz do menor chamou a atenção do moreno, que tremeu ao imaginar os horrores que este o faria passar.
― Sim, querido. O teu pai era um mulherengo do pior quando nos conhecemos. Não sei se sabes, mas nós não estávamos originalmente comprometidos. Suponha-se que Lucius casar-se-ia com a tua tia Bella, mas ela não tinha pulso para lidar com ele. ― Harry duvidava seriamente disso, mas não querendo perder nada, aguardou o desenvolvimento, quietinho no seu esconderijo, atrás da estátua de uma sereia. ― Quando estavam a três meses de se casarem, o teu pai teve… Hm… Um… Um "imprevisto" com Arabella e Bella descobriu-os, quase os fritou a maldições.
― Consigo visualizar isso perfeitamente… ― concordou o filho.
― Bellatrix terminou por se vingar, tendo um caso com os irmãos Lestrange…
― Disseste irmãos? Tipo, plural?
― Correto! Mas, como havia um acordo entre as famílias e Andromeda já estava casada, só fiquei eu. Consciente dos factos e circunstâncias, decidi educá-lo de antemão. Porque achas que o teu pai pula cada vez que vê uma vassoura?
― Com boa razão não me queria comprar uma… ― murmurou Draco pensativamente.
― N-Não… Não pode ser! — Harry já imaginava cenas nada inocentes, com diversos usos nada lindos para a vassoura, envolvendo empalamentos em zonas sensíveis do corpo. O moreno tremeu da cabeça aos pés, levando as mãos à retaguarda, como que tentando protegê-la de uma vassoura invisível.
"Pensando bem… Isso podia ser bem sexy", Harry romantizou uma imagem mental de Draco, completamente desnudo, deitado na cama com as pernas afastadas, gemendo sensualmente com lágrimas nos olhos, enquanto ele introduzia a pontinha do cabo da Firebolt no reto do platinado. "Mas o que é que eu estou para aqui a pensar? Isto é perversão demais… Até mesmo para mim. Ao natural é melhor!", a imagem mental mudou num flash, agora Draco gemia ao ser penetrado pelo seu membro grosso e venoso, talvez até mesmo mais do que era na realidade. "Bem melhor!"
— Então, educaste-o à vassourada? — A voz incrédula do seu amado tirou-o dos seus devaneios. — A sério? À paulada?
— Nem mais! Funcionou às mil maravilhas… Alguma vez viste o teu pai olhar para outra mulher?
— Agora que penso… Não! Nunca! E houve várias que se lhe insinuaram…
— Exato! Só precisas de educar o Lord Émeraude… Uma paulada por cada atitude inapropriada!
— Espera! Não foi esse o princípio que utilizaste para treinar o Delta?
— De facto!
— Treinaste o nosso cachorro como o mesmo princípio com que educaste o teu marido? Enfeitiçando uma vassoura para lhe bater quando olhasse para outra mulher?
— Funcionou às mil maravilhas! Meu amor, homens são animais em cio. Se vais lidar com uma besta em cio pelo resto da tua vida, deves aprender a melhor forma de o submeter. É a lei da selva, comer ou ser comido e tu, meu bebé… ― Escondeu um sorriso maroto, colocando as mãos à frente da boca, e um brilho pervertido nos olhos. ― Bom, tu vais ser comido sem dúvida alguma, só assegura-te de que é nos teus termos!
OoOoO
Narcisa tinha acordado com um pressentimento de que algo relevante aconteceria esse dia, mas nada a preparara para o que encontraria no quarto do seu filho.
Luka e Draco lutavam pela possessão de um caderno.
— Diários são perigosos, Draco. Acaso esqueceste-te do que aconteceu no nosso segundo ano?
— Recordo-me perfeitamente e uma coisa não tem nada haver com a outra… — Colocou o caderno atrás das costas. — Não penses que te vou deixar ler o meu diário com uma desculpa esfarrapada como essa.
— Só quero assegurar-me que não é perigoso. — Passou os braços pela cintura do menor, tentando alcançar o livro e abraçando-o inconscientemente.
— Claro que não é perigoso. Tenho-o desde os onze anos. O meu pai ofereceu-mo antes de ir para Hogwarts. — Apercebendo-se por fim da proximidade entre as suas faces.
— Mais… Mais u-uma razão para… — As suas orbes foram atraídas pelos lábios rosados e húmidos do loiro.
— Pensa muito bem no que vais dizer Potter, pois pode vir a ser o último que os teus lábios de sapo pronunciem.
— Potter? Harry Potter? — Narcisa abriu a porta de rompante e encarou-os com os olhos afiados, cruzando os braços e erguendo o queixo arrogantemente. — Tem muito que explicar, meus meninos.
OoOoO
Inicialmente, Narcisa tinha ficado chocada com as notícias, passando depois a auxiliá-los nos seus planos. Com os seus contactos, nomeadamente as esposas de grandes figurões do Ministério da Magia, esta tinha descoberto as debilidades de todas as pessoas que necessitavam para a fase final do plano.
— Podemos usar, John Harris? — perguntou Narcisa — Segundo Nancy, o irmão teve três filhos ilegítimos, pelo que será fácil de conseguir o apoio dele.
— Concordo. Basta ameaçar com revelar a existência das crianças e da amante nascida de muggles. A família dele é muito conservadora, nunca aceitaria uma relação de bigamia. Poderiam sublevar as origens dela, mas não o adultério.
— Draco tem razão. Curtis Jackson deve muito mais do que é capaz de pagar a agentes de apostas no Mundo Muggle, pelo que um bom suborno deve resolver o assunto — constatou Harry.
— Ainda precisamos de mais uma pessoa. Temos de apresentar mais uma "testemunha" ou o tribunal nunca aceitará abrir uma investigação. — Narcisa esforçava-se por recordar todos os seus contactos e informações disponíveis. — Caroline Smythe! — exclamou em tom vitorioso.
— Será uma boa ideia? — questionou o moreno — A família Smythe é muito poderosa.
— Exato! E quanto mais poderosos, mais segredos suculentos possuem.
— Como quais? — perguntou Draco curioso.
— Como os irmãos mais novos de Caroline… Patrick e Samuel são muito apegados… — Os rapazes assentiram, ansiosos pelo desenrolar das notícias — São até apegados demais! Estão romanticamente envolvidos, para não falar de sexualmente. Imaginam o gigantesco esforço que a família tem feito nos passados seis anos, possivelmente até mais, para manter o relacionamento incestuoso e homossexual dos gémeos em segredo. Os Smythe são muito conservadores… Não desejam arruinar a reputação da família sob nenhuma circunstância. Sobretudo agora, que eles estão oficialmente em idade casadoura.
OoOoO
Duas semanas depois…
Harry suspirou pela enésima vez ao receber um olhar condescendente de uma velha bruxa. As pessoas ainda lamentavam o desafortunado incidente do seu quase matrimónio e lamentavam o "trauma" que ele sofrera ao ver as fotos e testemunhos dos amantes da sua ex-noiva.
Dirigiu-se ao Apothecary, retirando a lista de compras do bolso. Draco encarregara-o de reabastecer os armários do seu laboratório com ingredientes frescos, pois não tinha tempo para ir ele mesmo, devido a que a fase final do plano exigia toda a sua atenção… E do seu projeto especial, do qual não lhe dizia nada, para seu desgosto, mas que parecia envolver alguém no Mundo Muggle.
Na esquina aguardavam três homens encapuçados, com vestes negras e pesadas.
Mal o moreno colocou um pé na rua, estes atacaram-no, sendo rapidamente dominados pelo alvo. Fazendo uso dos seus anos de treino de batalha e como auror, Harry desarmou-os facilmente e lançou-lhes um encantamento Desmaius.
OoOoO
Dois dias depois…
A mulher abriu a porta, sendo surpreendida pela visão de uma patrulha policial e um par de Assistentes Sociais.
Não houve muito que as autoridades pudessem fazer, para além de prender a dona do bordel e as prostitutas, mas estas logo seriam libertadas e regressariam ao trabalho. Ainda assim, a Assistência Social havia tomado custódia de todos os menores no interior do edifício, não podendo no entanto fazer nada pelos fetos até que estes nascessem. Mas para essa altura, o bordel já teria mudado de instalações.
Draco fizera o que achara correto. Investigara os meios muggles disponíveis e contactara as autoridades, mas… Não era o suficiente, precisava tentar outra abordagem; nenhuma criança devia passar pelas atrocidades que aquela meretriz lhes impunha.
OoOoO
Hermione Granger estava pior que estragada, tudo o que planeava saía pela culatra. Luka parecia estar sempre um passo à frente. Precisava de um novo plano… e rápido! Não fossem os capangas que contratara para acabar com o Lord falar demasiado.
As portas abriram-se de rompante.
— Hermione Granger, está presa por tentativa de homicídio.
— Estão loucos? — gritou na direção dos aurores que agarravam os seus braços — Sabem quem sou?
— Tem direito a permanecer em silêncio. Tudo o que disser pode e será usado contra si em Wizengamot. Entende os seus direitos, Ministra?
OoOoO
Os capangas que haviam atentado contra a vida de Luka Émeraude apresentavam-se engravatadinhos e bem penteados entre as testemunhas do julgamento da Ministra da Magia.
Não fora simples, mas nada que uma boa dose de verisaterum não resolvesse. Após um quarto de hora cantavam que nem canários. Pregaram para todo aquele que quisesse ouvir sobre como Hermione Granger os contratara para assassinar o Lord Gaunt Émeraude e como pagara generosamente pelos seus serviços, apresentando-lhes ainda a localização exata do prémio em ouro pela cabeça de Luka.
O julgamento durou dias a fio…
Novos crimes foram somados e novas testemunhas surgiram no decorrer da investigação, nomeadamente uns quantos figurões do Ministério da Magia, tais como Caroline Smythe e John Harris.
Estes afirmaram terem sido abordados pela Ministra Granger que buscava aliados nas suas caçadas contra os Slytherins e a descendência dos mesmos. Levando ao encerramento do caso dos homicídios de Letícia Nott, Christopher e Alexander Flint. Tendo as provas obtidas após a inquirição sido plenamente conclusivas e irrevogáveis.
Novas evidências foram encontradas, entre elas, um frasco sobre um tabuleiro na Sala de Evidências, cujo rótulo só se revelou no primeiro dia do julgamento. Resultou que o frasco continha as memórias do assassinato de Molly Weasley, concedidas por Ginny Weasley. Não havia sombra de dúvidas, Hermione Granger perseguira a ruiva menor por toda a casa, gritando enraivecida que esta era a culpada de todas as suas desgraças, afirmando que ela se havia aliado a Luka para a derrocar; razão pela qual tentou matar a jovem Weasley. No entanto, o amor de uma mãe pode mais e Molly atravessou-se à frente da filha, recebendo o feitiço e esvaindo-se em sangue em questão de minutos. As suas últimas palavras ainda bailavam na mente da audiência: "Lamento, G-Ginny, a culpa é minha… Deveria ter-te cr-criado melhor… F-Foge…"
O momento havia chegado, Hermione seria por fim questionada sob o efeito do soro da verdade.
As verdades que escapavam relutantemente pelos seus lábios chocaram até mesmo o mais duro dos corações.
— Ele mereceu! Foi um empecilho desde o início. Aquele inútil do Ron, deveria tê-lo despachado quando teve a chance, em vez de armar uma estúpida cilada. Mas não… Ronnie não pode fazer nada corretamente. Nem para matar um estúpido Lord serve… Bom ― Fez uma expressão pensativa. ―, não exatamente… Ao menos teve sucesso em matar Harry Potter.
Escutou-se uma exclamação de espanto coletiva, por parte da audiência.
Rita Skeeter bebia cada palavra como se fosse a última gota de água no deserto. A pluma não cessava de rasgar o papel.
— Pelo menos Gaunt foi um digno de adversário, não como Potter — falou com desdém. A multidão guardou silêncio, as plumas pararam, as vozes calaram, alguns jurariam que até deixaram de respirar. ― Harry Potter ― cuspiu com nojo ―, sempre tão cheio de si mesmo e a sua fama de Salvador, pois não pôde salvar-se a si mesmo do ataque que orquestrei, não é verdade!? Foi tão simples! Um feitiço aqui, uma poção acolá e voilá, Ron virou uma marioneta perfeita, até matou o próprio amigo… Tenho de dizer que o meu trabalho foi tão fenomenal que ele jura que o fez de livre vontade. Hahaha! Não é curiosa? A forma como os nossos corpos funcionam sob o efeito de narcóticos? Por falar em drogas! Realmente pensam que Ginny conquistou o Menino-Que-Sobreviveu só com a sua boa aparência? Por favor, tenham dó, Harry era completamente obcecado com Draco Malfoy! Não via um palmo à frente do nariz. Era Malfoy isto ― Levantou uma mão e apontou para um lado. ―, Malfoy aquilo. ― Levantou a outra mão, simulando o mesmo gesto com exaspero. ― Quem cursou Hogwarts connosco dificilmente deixaria passar em branco a obsessão de Harry durante o Sexto Ano. Não acham que foi estranho? Jogar-se assim nos braços de Ginny de um dia para o outro, quando na noite anterior tinha estado a perseguir o Malfoy pelas masmorras até bem passada da madrugada?
A multidão observava a Ministra sem saber o que fazer ou como reagir, estavam apenas lá, boquiabertos e de olhos esbugalhados.
― Amortentia faz milagres, não acham? ― continuou a mulher com a loucura a reluzir na sua voz ― Uma nova dose a cada seis meses e Ginny era tudo para ele; sem a poção, ele nunca a teria olhado duas vezes. Não sei se sabem, mas a Amortentia não necessita um antídoto em casos de verdadeiro amor ou como outros diriam, almas gémeas. Harry já tinha encontrado a dele, pelo que após cinco, seis meses no máximo, o efeito começava a amenizar e necessitava uma nova dose. Admitam! Estão admirados com o meu engenho, certo? Sou um génio! Génios raramente são compreendidos por mentes inferiores como as vossas! Muahahaha! ― As pessoas que haviam tido o desfortúnio de atravessar o caminho de Bellatrix, reconheceram o mesmo brilho de loucura que embargava a mirada da Death Eater, agora no olhar de Hermione Granger.
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No Palácio Émeraude, Draco Malfoy suspira de alívio ao sentir um formigueiro recorrer o seu corpo da raiz dos cabelos à ponta dos pés, resultante da magia vinculante da Dívida de Vida, que possuía para com Harry Potter, a reconhecer o contrato como concluído.
― Passa algo, querido? ― perguntou Narcisa com a preocupação à flor da pele, pousando a chávena de chá em cima da mesa do jardim.
― Não é nada, mãe! Está tudo exatamente como deveria… ― murmurou o loiro, observando o horizonte, admirando o pôr do sol sobre os terrenos do palácio ― Sinto falta dos meus pavões albinos, talvez devesse regressar a casa…
― Ou talvez… Pudesses simplesmente pedir aos elfos que os trouxessem ― sugeriu a mãe com um brilho de travessura. ― Afinal, Lennie disse-me que o Amo Draco não ia regressar à mansão.
― Como? Porque diria isso?
― Não sei! ― respondeu a mulher com diversão ― Talvez devesses perguntar ao Harry… Quem sabe… Pode ser que ele saiba!
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Durante meses não houve quem não comentasse o circo que a antiga Ministra da Magia montara em Wizengamot. Esta tinha esperneado insanamente todo o trajeto do tribunal às celas, movendo a cabeça e balançando os seus volumosos cabelos loucamente.
Hermione Granger fora condenada a prisão perpétua, alguns membros de Wizengamot até ponderaram abrir uma exceção e recorrer ao Beijo do Dementador, ainda quando a sentença tivesse sido abolida no mandato antecedente ao da criminosa.
Com a confissão e as novas evidências, Ron Weasley recebera uma adição de cinquenta anos à sua presente sentença. O habitual seria prisão perpétua ao ter ele cometido um homicídio, mas dadas as circunstâncias da manipulação mental à base de feitiços e poções, este recebeu uma pena menor.
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Cinco meses depois…
A data do parto aproximava-se e Ginny não podia deixar de rezar a Merlin que Malfoy cumprisse a sua promessa e salvasse a sua filha.
Notas:
O boggart de Lucius dever ser uma vassoura… Quem concorda comigo?
Espero que tenham gostado da vingança.
Agora só fica mesmo a faltar o Epílogo.
