CAPÍTULO 10 de Corações Unidos Tradução de Susan Meier
No final da semana, com a nova babá a postos e nenhum contato com Bella durante longos dias, Edward andava de um lado ao outro de seu espaçoso escritório. Deixara a semana passar para traçar uma linha clara entre as relações de ambos. Não queria que Bella pensasse em si mesma como uma funcionária. Queria que se visse como uma mulher pela qual ele se sentia tão atraído que, às vezes, nem sequer conseguia respirar direito em sua presença. Mas desejava que houvesse uma demarcação clara entre o relacionamento de trabalho de ambos e o relacionamento pessoal.
Chegara à conclusão de que aquilo levaria cerca de duas semanas, mas naquele dia não conseguia parar de pensar em Bella. E, se lhe telefonasse e ela concordasse em sair com ele, toda a frustração sexual e saudade terminariam. Sentando-se em sua poltrona, pegou o telefone da mesa e ligou para o celular de Bella, que acabara memorizando. Ela atendeu no primeiro toque.
Ao ouvir sua voz do outro lado da linha, ele sentiu um branco e disse a primeira coisa que surgiu em sua mente.
— Achei que talvez quisesse saber sobre como Joshua tem passado.
— Edward?
O tom inquiridor na voz dela deixou-o com um nó no estômago. Bella o estava esquecendo?
— Sim. Apenas achei que... que quisesse saber coisas sobre Joshua... Assim, pensei em ligar para lhe contar que o primeiro dente dele está nascendo.
— Ah. — Ela riu. — Estou sentada aqui no meu trabalho achando isso uma graça, mas aposto que está passando noites sem dormir.
— Devo me envergonhar em admitir que não estou?
Bella tornou a rir.
— Não se contratou uma babá.
— Contratei.
— Então, tenho certeza de que, quando a babá não consegue acalmá-lo e fazê-lo dormir novamente, você lhe deu instruções para ir chamá-lo.
Edward ajeitou-se mais confortavelmente na poltrona. O som da voz dela e a normalidade com que o tratava o aquietavam.
— Não. Não me dei conta de que devia dizer isso a ela. Mas ainda não tenho tanta experiência nesses assuntos de bebê. O que poderia fazer para ajudá-la?
— Apenas segurar Joshua nos seus braços e acalentá-lo devem ser o bastante.
— Ah, entendi. Então, o garoto me ama, não é isso?
— Sim. Há gosto para tudo.
Edward soltou uma gargalhada, divertido. Mas a conversa chegou ao fim. Era o seu momento da verdade. Teria de correr o risco e acreditar que ela queria o mesmo que ele. Um relacionamento simples, descomplicado. Ou recuar.
Nunca uma decisão pareceu tão importante. Ou tão difícil. Ouviu um telefone tocar ao fundo e, então, a voz de Bella:
— Esse é o meu telefone do trabalho. Tenho que desligar.
Ele abriu a boca, mas nada saiu. E se ela dissesse "não"? E se a ofendesse com um convite para sair? Tivera tanta certeza de que ela fizera insinuações nesse sentido naquele restaurante... E se tivesse se enganado?
Do outro lado da linha, o telefone continuava a tocar.
— Sabe que pode me ligar quando quiser.
— Sobre Joshua?
— Sobre Joshua. — Bella fez uma pausa. — Ou qualquer outra coisa.
Edward respirou fundo e decidiu mergulhar de cabeça.
— Ou poderíamos sair para jantar.
Uma nova pausa. O telefone perto de Bella havia parado, mas tocou outra vez. O tempo se prolongou enquanto ela obviamente refletia a respeito. Edward fechou os olhos com força. Colocara-a na terrível posição de ter de recusar. Ambos sabiam que pertenciam a mundos diferentes. E talvez ela não quisesse passar pelo estresse de tentar se encaixar no dele.
— Está bem.
Ele foi tomado pelo alívio. Está bem?
— Hoje à noite?
— Eu... — Ela se interrompeu. Edward aguardou com a respiração em suspenso.
— Claro. Por que não?
— Está certo. Hoje à noite. Passarei para buscá-la no seu prédio por volta das 19h.
O sorriso transpareceu no tom de voz dela enquanto lhe dizia o endereço de seu apartamento.
— Combinado, então.
Depois que desligaram, Edward deixou o escritório, pensando nas providências que desejava tomar. Ambos podiam pertencer a mundos diferentes, mas não importava. Não visavam nada permanente. Ele queria um relacionamento simples, sem compromisso. Alguém com quem se divertir.
Alguém para conversar.
E entendia, pela conversa que haviam mantido no restaurante, que era o que Bella também queria. Ele podia ter um negócio para dirigir, mas ela tinha um negócio para construir. Precisava de algo descomplicado tanto quanto ele.
A conversa que tiveram ao longo do jantar foi diferente de qualquer uma que já tivessem mantido antes. Edward contou-lhe sobre o trabalho que fizera naquele dia, seus planos para as Empresas Cullen e sobre como algumas coisas estavam dando certo e outras, não. Além de entender tudo que conversavam, Bella também contribuiu com opiniões valiosas. De repente, ela via tudo que ele vira o tempo todo. Embora vivessem em mundos diferentes, profissionalmente estavam no mesmo barco agora. E, em termos pessoais, tinham uma poderosa química.
Uma banda começou a tocar num canto do amplo restaurante e Edward conduziu-a à pista de dança. Estreitou-a em seus braços, enquanto se moviam no ritmo lento da música. Todas as preocupações que Bella tivera quanto a um potencial relacionamento entre ambos se dissiparam. Nunca se sentira tão atraída por ninguém antes. Nem mesmo por James. Edward era o homem com quem estava destinada a ficar. Recusava-se a pensar para além daquela noite. Estar nos braços dele, tão perto que podia lhe sentir o coração pulsando, sabendo que ele a desejava — a ela —, era incrível.
Dançaram duas músicas sem interrupção, com os corpos colados. Mas, quando a terceira música estava prestes a começar, ele lançou um olhar à mesa de ambos e sorriu.
— Vejo que André já trouxe a nossa sobremesa.
Bella queria continuar dançando.
— Não estou interessada.
— Venha. Por favor. — Edward soltou- a de seus braços e começou a conduzi-la pela mão na direção da mesa. — Adoro bolo.
— Também gosto de bolo, mas...
A área estava escura e tudo fora recolhido da mesa. Agora, havia um bolo branco no centro, cercado por velas acesas em pequenos castiçais vermelhos de vidro.
— O que é isso?
— Sente-se. — Ele puxou a cadeira para ela. — Tenho uma coisa para você.
Bella estreitou os olhos, mas sentou- se. Edward estendeu-lhe uma pequena caixa de joalheria. Não era do tamanho de uma caixa de anel. Era um pouco maior. O bastante para que não houvesse confusão alguma.
— Um presente?
— Abra.
Ela abriu a tampa da pequena caixa quadrada e soltou uma exclamação de surpresa quando viu o pingente em formato de coração numa corrente de ouro.
— É lindo.
— É um medalhão. Abra-o.
Bella retirou o colar da caixa e abriu o medalhão, encontrando fotos de Edward e de Joshua.
— Você me ajudou a superar muitas coisas com fotos. Pensei em usar fotos para lhe mostrar o que sinto por você.
União. Foi a primeira palavra que ocorreu a ela. Depois, "família". Edward a considerava parte da família. Parte de sua vida.
Ela sentiu o coração vibrando. Uma onda de felicidade envolveu-a. Amava Edward. Era um homem bom, generoso, responsável, perfeito como o colar que lhe dera. Faziam bem um ao outro. Ajudavam-se. E sentiam-se tão atraídos que um simples beijo a fazia derreter.
Seria tola se não visse o que acontecia entre ambos. Estavam selando um compromisso. Apenas não estavam usando um anel ou assinado um pedaço de papel.
— Deixe-me ajudá-la. — Edward pegou a corrente com o medalhão e colocou-a em torno do pescoço dela, fechando-a na altura da nuca.
Pegou-lhe a mão em seguida.
— Vamos para casa.
Casa. Ele falou daquela maneira porque sabia que o lugar dela era ao seu lado. Agora, com o medalhão, acabara de confirmar tal sentimento.
Passaram o trajeto se beijando no banco de trás do carro e entraram no amplo hall rindo com ar de cumplicidade. Antes de chegarem à escadaria, a mãe dela abriu uma porta que dava para o hall e surgiu com Joshua no colo.
Abraçada a Edward, sem dúvida parecendo uma mulher que fora beijada repetidamente, Bella sentiu-se como uma criança apanhada numa travessura. A mãe a vira beijar James centenas de vezes. Soubera que ele dormira no apartamento da filha e que ela ficara na mansão de James, que viajara com ele. A mãe não a condenaria por dormir com ninguém
Mas aquele era Edward. O patrão de Renee. E, na prática, Bella era a filha de uma funcionária de Edward.
Ela soltou-se casualmente do abraço.
— Renee?
Com o rosto e a voz desprovidos de emoção, Renee anunciou:
— A sua nova babá pediu as contas.
— Oh?
— Ela tentou lhe telefonar, mas não conseguiu.
Ele contraiu o rosto.
— Eu desliguei o celular.
Renee apertou os lábios e a reprovação, enfim, evidenciou-se em seu semblante. Lançou um olhar à filha, tornando a dirigi-lo de imediato ao patrão.
— Você deve se manter disponível quando tem um bebê.
Bella sabia que a mãe não estava apenas censurando Edward por ter desligado o celular, mas que também era alvo da desaprovação dela. Renee a alertara quanto à maneira de lidar com Edward. Mesmo antes de ter decidido trabalhar para ele, a mãe fizera questão de informá-la de que Edward Cullen era um playboy. Então, quando ela e Edward tiveram problemas para se comunicar, Renee lembrou-a que ambos eram diferentes. Que tinham sido criados de maneiras diferentes. E que ele agia de acordo com regras diferentes. Porque era rico. Privilegiado.
Edward respirou fundo.
— Tem razão. Eu devia ter pensado nisso. Mas...
Estava tão ansioso pelo nosso encontro que esqueci. Bella desconfiava que era mais ou menos o que ele estava pensando. E, embora tivesse ficado igualmente ansiosa para vê-lo, algo lhe ocorreu de repente. Queria que ele a amasse de uma maneira diferente da que amava Joshua. Não mais.
Joshua estendeu os braços em sua direção e ela o pegou.
— Oi, docinho. Que saudade. — Beijando-o na fronte, aninhou-o junto ao seu peito.
Renee cruzou os braços.
— Não fico surpresa que Joshua esteja querendo você. Acho que sentiu sua falta. — Lançou um olhar significativo a Edward.
Ele abriu um sorriso.
— Entendi. Sou eu que tenho de dar amor a Joshua. A pessoa com quem ele devia estar acostumado. Para quem devia estender os braços. Vou pegá-lo.
Bella entregou-lhe o bebê, sorrindo com orgulho. Edward se lembrava da primeira lição. A coisa mais importante. Joshua era sua família. Precisava lhe dar amor. E daí se cometera um deslize e desligara o celular? Estava aprendendo.
— Bebês precisam de pai e mãe — declarou Renee e deixou o hall rapidamente, sem lhes dar chance de reagir.
Segurando um inquieto Joshua, Edward respirou fundo.
— Não sei ao certo o que sua mãe quis dizer com isso.
Mas Bella sabia. A mãe não a condenaria por fazer amor com alguém. Considerava aquilo parte do processo de se encontrar um companheiro. Mas sabia que Bella e Edward não tinham intenção de se casar. Embora Bella achasse que aquela era uma maneira antiquada de olhar a vida, sua mãe enfatizava algo mais importante. Edward não tinha intenção de se casar com ela. Bella sabia daquilo, mas as consequências do fato não haviam lhe ocorrido antes. Algum dia, Edward desejaria se casar. E, quando escolhesse uma esposa, alguém para ajudá-lo a criar Joshua, não seria ela. Era apenas a garota com quem estava fazendo um jogo de sedução.
A garota com quem estava passando seu tempo.
Mas nunca se casaria com ela.
E Bella sabia que não devia se colocar em tal posição. A mãe a criara para lutar pelo que queria, não para se contentar com pouco e ficar em segundo plano, mesmo que parecesse certo no momento.
Ainda assim, ali estava, em segundo plano.
Edward entregou-lhe Joshua.
— Coloque-o para dormir. Vou pegar uma garrafa de champanhe e alguns chocolates e esperar você no meu quarto.
Não foi um pedido descabido. Ela sabia cuidar de Joshua, e ele sabia onde arranjar champanhe. Mas, subitamente, tudo pareceu errado.
Umedeceu os lábios secos.
— Eu, hã, não.
Já se virando, Edward parou abruptamente.
— Não?
— Não ouviu o que a minha mãe disse?
— Sim. Qual parte?
— Um bebê precisa de pai e mãe.
— Não, um bebê precisa de uma família. De alguém que o ame. Não necessariamente de duas pessoas. Especialmente porque sempre terei uma babá para cuidar dele.
— E eu sou a babá?
— Não.
Mas ela estava ali, segurando Joshua, e recebera instruções para colocá-lo para dormir.
Ele passou a mão pela nuca.
— Sei que isto parece ruim, mas não é a maneira como a vejo.
— Mas também não me vê como alguém com quem se casaria.
— Eu não vou me casar.
— Você diz isso agora, mas minha mãe tem razão. Com o tempo, verá que Joshua precisa de uma mãe. Uma vez que se sentir mais seguro presidindo as Empresas Cullen, vai perceber que se estabilizou. E vai querer alguém com quem dividir sua vida.
Edward se aproximou mais e beijou-a nos lábios.
— E quem disse que não será você?
— Você. — Bella segurou o medalhão que repousava em seu colo. — Isto diz.
Quando ele lhe lançou um olhar confuso, ela prosseguiu:
— Nós nos conhecemos há muitos anos. Passamos algum tempo das últimas semanas juntos. Eu me apaixonei por você, mas tudo o que você tem sentido é atração por mim. E isto — disse, tornando a mostrar o medalhão — é o melhor que pode me dar.
Como Edward não respondeu, Bella deu um suspiro trêmulo e seus olhos se encheram de lágrimas.
— De certo modo, você está dizendo exatamente o que James disse quando me deixou no altar. Sou uma companhia divertida, mas não alguém para ter ao lado pelo resto da vida.
Entregou-lhe o bebê e, em seguida, abriu o fecho do colar na sua nuca. Com as lágrimas rolando por seu rosto, colocou a corrente e o medalhão na mão dele gentilmente.
— Adeus, Edward.
De cabeça erguida, deixou o hall. Rezou para que Edward saísse atrás dela, para que dissesse todas as coisas certas para mostrar que também a amava. Mas depois de ter tido tempo de ligar pelo celular para um serviço de táxi e de o carro aparecer para levá-la para casa, soube que aquilo não aconteceria.
Edward acordou na manhã seguinte sentindo-se um tanto desorientado. Quando abriu os olhos e viu seu antigo quarto, teve a rápida sensação de que sua vida era boa. De que tudo que acontecera nos meses anteriores fora um sonho. Seus pais não estavam na Flórida. Emmett e Rosalie estavam vivos. Sua vida voltara a ser como devia.
Ouviu, então, um choro de bebê no quarto ao lado. Lembrou-se de imediato de que estava dormindo em seu antigo quarto porque a babá largara o emprego. Esperara voltar para casa com Bella, tomar champanhe e fazer amor até o amanhecer. Em vez disso, pelo fato de Renee ter ido ao encontro de ambos à porta com Joshua, sua vida virara de cabeça para baixo e ele passara grande parte da noite tentando acalmar um bebê irritado.
Tentou não pensar em Bella lhe devolvendo o medalhão antes de sair da sua vida. Ainda podia sentir o calor do coração de ouro na palma de sua mão, a dor profunda da rejeição.
Joshua tornou a chorar.
Edward levantou-se da cama, determinado a não deixar que aquilo o afetasse. A morte de Emmett o arrasara, quase o destruíra. Estava finalmente encontrando seu novo rumo, entendendo seu lugar, amando o filho de Emmett da maneira como devia — como tinha de amar. Dirigindo as empresas como ele mesmo, não tentando adivinhar o que Emmett faria. Não podia deixar que a rejeição de Bella o fizesse desmoronar. Joshua precisava dele.
Entrou no quarto do bebê com a cintura da calça do pijama pelos quadris, esfregando os olhos sonolentos.
— Oi, garotão.
Aproximando-se do berço, pegou o bebê que soluçava. Mas, em vez de parar de chorar, Joshua esticou-se em torno dele, como se procurasse algo — ou alguém.
Ele fizera isso diariamente após a partida de Bella e Edward só podia deduzir que, depois de vê-la na noite anterior, Joshua a procurava novamente agora. Fora por essa razão que se atirara nos braços dela no hall. Sentira sua falta.
— Ela não vai voltar.
Quando disse as palavras, Edward precisou de grande esforço para conter o desapontamento que tomou conta do seu peito. Como podia ficar chateado se nem sequer entendia o que havia feito? Ambos tinham conversado sobre um relacionamento, mas, de alguma maneira, Bella os levara diretamente ao assunto do casamento. Pensara que ela entendia o que ele queria. Mas o fato de ter visto a mãe mudara tudo.
Soltou um riso. Assim era Renee. Forte o bastante para precisar dizer apenas duas palavras a fim de deixar seu ponto de vista bem claro. Ela não o queria envolvido com sua preciosa filha. Entendido.
— Mas estamos bem. Podemos fazer isto. Somos uma família.
Edward trocou a fralda do bebê e desceu até a cozinha para entregá-lo a Sue.
— Pelo que entendi, o acordo é o de que você tome conta dele enquanto eu me troco, certo?
Surpresa, Sue pegou Joshua no colo.
— Adoro ficar com ele — disse sorridente. — Mas onde está a babá?
— Pediu as contas. Renee estava cuidando dele ontem à noite, quando voltei do restaurante.
— Talvez devêssemos ligar para Bella.
— Bella foi embora e não vai voltar.
Sem dizer mais nada, ele deixou a cozinha e subiu até a suíte principal, fingindo que não havia nada errado. Depois de ligar para a agência de sua confiança, cancelou alguns compromissos que teria naquele sábado para que ele e Renee pudessem entrevistar babás novamente. Ao final do dia — e sem terem chegado a um consenso sobre a babá ideal —, a tensão em seu escritório na mansão era tamanha que ele não pôde mais aguentar.
— Vá em frente, Renee — disse recostando-se em sua poltrona. — Sei que quer perguntar.
— Não é da minha conta.
— Normalmente, eu concordaria, mas já que isto envolve sua filha estamos numa situação diferente.
— Está certo, então vou perguntar. O que está acontecendo entre vocês dois?
— Nada. Depois que você foi ao nosso encontro no hall com o bebê, Bella foi embora porque disse que sabia que eu nunca me casaria com ela.
Renee sorriu.
— E evidentemente você a deixou ir porque não tem nenhuma intenção de se casar com ela.
— Eu não tenho intenção de me casar com ninguém.
— Então, tudo está como deveria estar. — Renee levantou-se de uma das poltronas diante da mesa. — Edward, você e minha filha não foram feitos um para o outro. Você a acha forte e, de algumas maneiras, ela é. Mas Bella já teve o coração partido uma vez. Não precisa passar por isso de novo.
— Eu não teria partido o coração dela.
— Claro que teria. Não intencionalmente. Mas, no momento em que aparecesse alguma mulher por quem se interessasse mais, você teria ido em frente. Sem pensar. E Bella teria ficado tão sozinha e vulnerável quanto ficou naquela igreja quando James a abandonou.
— Não acho que ninguém melhor que Bella poderia aparecer. Não existe ninguém melhor.
Renee estudou-o com um riso.
— Se acredita nisso, deveria se casar com ela. Mas não acredita. Então, esqueça. Esqueça Bella.
Depois que ela saiu, Edward brincou distraidamente com o lápis sobre a mesa. Se não acreditava naquilo, por que seu coração doía tanto?
E, se acreditava que não existia ninguém melhor que Bella, por que não podia lhe dizer que a amava? Por que não conseguia se ver casando com ela? Envelhecendo ao seu lado?
Às 22h30 daquele dia, Isabella pegou um lenço de papel de sua mesa e assoou o nariz. Belle entrou no escritório naquele instante.
— Por que está aqui trabalhando? É noite de sábado! — Ela cessou a reprimenda abruptamente quando deu uma boa olhada em Bella. — Isabella?
Ela olhou para Belle. Tinha os olhos vermelhos e inchados.
— Não posso ir para casa.
Belle aproximou-se depressa.
— Oh, querida! O que aconteceu?
— Tudo estava indo muito bem entre mim e Edward. Tivemos um encontro ontem à noite. Mas, quando fomos para a casa dele, minha mãe estava lá com o bebê... e tudo deu errado. De repente, eu me senti como se estivesse me contentando com menos do que mereço para ser feliz, ou como se ele estivesse me usando. Minha mãe é a administradora da casa dele e, assim, a impressão foi a de que ele estava apenas se divertindo com uma funcionária.
Bella atirou as mãos no ar com desespero.
— Edward me pegou à porta do prédio ontem, nunca esteve no meu apartamento. Mas, por alguma estúpida razão, tudo que há lá me faz lembrar dele...
— Querida, você não está dizendo coisa com coisa, mas não importa. Uma das vantagens de eu morar aqui é que posso levá-la até o meu canto e cuidar de você.
Belle levou-a do escritório e conduziu-a pela série de breves corredores no terceiro andar que levavam até seu apartamento.
Depois de encorajá-la a tomar uma xícara de chá de camomila, mostrou-lhe a suíte de hóspedes. Entregando-lhe um pijama confortável, disse que tomasse um banho. Quando Bella terminou, ela voltou ao quarto.
— Amanhã, vamos ligar para as meninas. Eu e elas podemos ajudar você a superar isto.
— Não!
Belle surpreendeu-se.
— Não?
— Poderíamos manter esta mágoa em segredo?
— Não vejo como você vai conseguir.
Bella deu um suspiro trêmulo.
— Estou com o trabalho em dia e já ensinei o bastante a Ângela para poder se arranjar por uns tempos no meu lugar. Alguns dias de folga, num lugar afastado, seriam o bastante para eu poder me recobrar o suficiente para não ficar me desmanchando em lágrimas quando voltar.
— Mas todas querem o seu bem...
Bella afastou as cobertas da cama e se deitou.
— Por favor. Uma humilhação pública já foi o bastante. Deixe com que eu me recobre desta em privacidade.
— Está bem. Tire quantos dias precisar. E faça uma viagem. Ligarei para o meu agente de viagens e providenciarei uma passagem para você. Para onde gostaria de ir?
— Para qualquer lugar. — Bella engoliu em seco. — Diga às garotas que viajei apenas para descansar um pouco. Ângela comentou mesmo uma vez que eu precisava de férias.
— Claro, querida. Fique tranquila.
— E tenho um favor ainda maior para lhe pedir... Poderia ligar para a minha mãe? Ela lhe explicará tudo.
A manhã de domingo com Joshua foi um completo desastre. No momento em que a babá temporária, que Renee pareceu ter materializado do ar, pegou o bebê, ele não apenas chorou, mas começou a gritar. Após os primeiros 15 minutos, Edward não pôde mais suportar. Esqueceu-se por completo de seu orgulho e ligou para o celular de Bella, pronto para se humilhar. Mas sua ligação foi imediatamente para a caixa postal. Tentou contatá-la pelo menos umas 20 vezes antes do meio-dia, mas sem resultado.
Furioso, deixou a babá sozinha com Joshua e desceu até a cozinha. Renee e Sue estavam verificando cardápios.
— A sua filha não está atendendo as minhas ligações.
Naquele momento, o celular de Renee emitiu um sinal de mensagem. Ela pegou o aparelho do bolso do vestido.
— É uma mensagem de texto de Bella. — Franziu o cenho. — É uma daquelas coisas automáticas que vão para uma porção de pessoas. Ora, ela viajou. Para a ilha de São Tomás!
— Ótimo. Meu filho está soluçando por Bella e ela vai desfilar de biquíni pelo Caribe.
Ele deixou a cozinha abruptamente e tornou a subir até o quarto do bebê. Para sua surpresa, Joshua dormia profundamente. Belle, a babá sulista temporária de 60 e poucos anos, abriu um sorriso.
— Tenho jeito com bebês.
— Certo. Ou talvez ele tenha se acalmado porque eu deixei o quarto.
— Não pense desse jeito, meu rapaz. Ele apenas está irritado esta manhã, e eu consegui fazê-lo dormir. Assim, pode ir cuidar dos seus afazeres. Estou bem aqui.
Edward respirou fundo.
— Está certo.
Deixando a suíte do bebê, recolheu-se ao seu escritório, determinado a dar alguns telefonemas. Tão logo entrou ali, porém, lembrou-se de Bella, porque fora onde havia planejado o encontro de ambos quando chegara do trabalho. Pensara em cada detalhe e cuidara dos preparativos para o grande jantar sozinho, sem ter incumbido funcionários de tomar providências por ele como de costume. Do que aquilo adiantara?
Franziu o cenho. E não o fizera por si mesmo, ou para contar alguma vantagem. Fizera-o por Bella, para deixá-la feliz. Não era egoísta quando se tratava dela. Gostava de tê-la por perto, mas também adorava agradá-la. Sempre lhe parecera que ninguém nunca se desdobrara para agradá-la. Mas, para ele, comprar-lhe coisas, desfrutar de sua companhia, incluí-la na sua vida, fora divertido. Até o menor gesto fora uma surpresa maravilhosa para ela.
Não era uma pessoa difícil de agradar. Exceto num grande e primordial detalhe. Bella queria que se casassem. E ele não queria se casar com ninguém.
A manhã de segunda-feira foi bem parecida com a de domingo. Joshua acordou gritando. Edward e Belle conseguiram acalmá-lo um pouco, mas não completamente. Tiveram de se alternar, andando com ele no colo de um lado ao outro do quarto a manhã inteira. Quando Joshua, enfim, adormeceu, Belle também decidiu tirar uma soneca e Edward foi trabalhar em seu escritório de casa.
Quando terminou, voltou à suíte do bebê. Joshua, embora não estivesse gritando, ainda estava inquieto, apesar de todas as atenções da bondosa Belle.
— Tenho uma ideia — disse ele pegando o bebê. — A primeira babá que tivemos...
Só em pensar em Bella sentiu um nó na garganta. No dia anterior, ficara zangado; agora estava triste. Sentia tanto a falta dela que nem sequer conseguia dizer seu nome, pensar nela sem que uma avalanche de pesar desabasse sobre sua cabeça.
— Bem, ela mandou fazer alguns DVDs sobre os pais de Joshua. — Embora soubesse que o bebê sentia falta de Bella, também sabia que seria errado trazê-la de volta para aquietá-lo. Ela não estaria na vida de Joshua permanentemente. Quando Bella voltasse do Caribe, se ele a persuadisse a uma visita para passar tempo com o bebê, Joshua sofreria com sua perda outra vez.
E ele também.
— Vou levá-lo até a sala de TV e deixar que as imagens dos pais dele o acalmem.
Belle abriu um sorriso caloroso.
— É uma ótima ideia.
Edward fez menção de se adiantar até a porta, mas parou de repente.
— Você gostaria de ficar com este emprego permanentemente?
— Eu já tenho um trabalho em tempo integral. Só estou aqui para ajudar uma amiga.
— Mas é um dia de semana.
Belle soltou um riso.
— Tenho horários bastante flexíveis e, portanto, posso me ausentar um pouco.
Ele soltou um suspiro.
— Será que vou encontrar uma babá que queira ficar no emprego?
Na sala de TV, sentado com Joshua em seu colo, observou a imagem de Emmett e Rosalie na grande tela da tevê. Escolhera um dos DVDs que ainda não havia assistido, que começava com um vídeo. Mas o bebê estava dispersivo, inquieto.
— Veja. Lá estão o seu pai e a sua mãe.
Joshua soltou um grito, mostrando sua agitação.
— Tente cooperar — disse Edward, ficando impaciente.
O fato de não ter o controle sobre nada em sua vida começava a cansá-lo. Podia pensar em mil mulheres que dariam tudo para sair com ele, ao passo que a única mulher com quem queria estar mantinha distância. Por quê? Porque não queria se casar com ela. Mal se conheciam. Nem sequer haviam saído para valer. Não tinham dormido juntos. Ainda assim, ele devia saber que queria se casar com ela?
Não fazia sentido.
De repente, o bebê pareceu se acalmar durante uma cena em que Emmett entregava um presente de aniversário de um mês de namoro a Rosalie e suas vozes alegres preenchiam a sala. Edward riu, sacudindo a cabeça. Seu irmão sempre fora um romântico incorrigível!
O riso morreu em seus lábios. Ele próprio tentara ser romântico com Bella, mas, embora ela tivesse adorado os pijamas que lhe dera, não gostara do jantar especial de ambos.
Ele franziu o cenho. Não era verdade. Aquela noite havia sido perfeita. Bella estivera tão feliz. E nem sequer quisera deixar a pista de dança. Quisera ficar nos seus braços.
Bella quisera ficar nos seus braços.
Fechando os olhos por um momento, saboreou a lembrança de apenas abraçar Bella. Lembrou-se de ter se sentido como se não houvesse ninguém mais no mundo. De como se sentira feliz. Nunca se sentira daquela maneira em relação a nenhuma outra mulher.
Abriu os olhos subitamente.
Não via a si mesmo se sentindo da mesma maneira em relação a ninguém mais porque não se sentiria da mesma maneira em relação a ninguém nunca mais!
