Capítulo XI: Au revoir, Sophie!

Ela firmou a mochila nas costas e olhou ao redor do templo, absorvendo cada detalhe, como se pudesse gravá-los minuciosamente na memória. Ia sentir saudades. Apegara-se rapidamente ao ar da Grécia, à atmosfera do Santuário, à presença dos cavaleiros, aos momentos que passava ao lado de Camus. Sentia saudades da França, de tia Anne Marie e tio Pierre, mas sabia que sentiria ainda mais saudades de onde estava agora quando retornasse para casa.

Para casa. Ela esperava que não demorasse para que o Templo de Aquário pudesse ser sua casa. Sentiu as lágrimas subirem aos olhos ao pensar que chegava o momento de dizer adeus.

– Está pronta, chérie?

– Sim, estou. – respondeu em grego.

Já não possuía tanto sotaque como quando chegara ali. Apenas alguns dias, mas ela sentia as mudanças.

– Você tem certeza de que quer ir, Sophie?

– Não, papa. – abraçou-o. – Mas eu tenho certeza de que devo ir.

Ele afagou-lhe os cabelos, sem dizer mais nada. Não era que não quisesse que ela permanecesse. Porém a decisão cabia a ela. Ele respeitava a ideia de que cada um fizesse o próprio julgamento do que era melhor para si e decidisse por si mesmo.

– Bem, quanto mais eu prolongar esse momento, mais difícil será, non? – ela afastou-se e forçou um sorriso. – Vou me despedir de Afrodite.

Ele assentiu e ficou parado, observando enquanto ela se afastava. Estava se tornando uma grande mulher. Camus sentiu um orgulho imenso.

Sentiria a falta dela. Todos ali sentiriam. Mas, naquele momento, ele só pôde se sentir feliz de haver aceitado o pedido dela, tantos anos atrás. De todas as coisas boas que fizera em sua vida, aquela fora uma das maiores delas.

...

Ele pôde avistá-la, subindo apressadamente as escadas. Os cabelos voavam, agitados pelo vento. Ela realmente parecia um pouco com Camus. Talvez, por uma ironia do destino, parecesse até mais com ele do que com seus pais. E havia um brilho novo nela. A estada no Santuário lhe fizera bem.

– Afrodite! Afrodite! – aproximou-se. – Vim me despedir.

Ele depositou a tesoura de jardinagem no chão e voltou-se para ela.

– Detesto despedidas, querida. Mas ficaria triste se você não viesse me dizer até logo.

Ela sorriu.

– Eu também... gostaria de agradecer por tudo. Acho que posso considerar-lhe um grande amigo.

– Oh, você é mesmo adorável! – abraçou-a.

– Sentirei saudades, Afrodite. – ela disse com a voz um pouco trêmula.

– Você vai voltar mais rápido do que imagina. – fez uma rosa tão vermelha quanto os cabelos dela. – Guarde isso de lembrança.

Ela pegou a rosa e soltou-se dele, ainda que relutante.

– Por favor, continue cuidando deles, sim? Papa às vezes é cabeça dura e bem, monsieur Milo também me parece de temperamento difícil. Se eles brigarem, conto com você para que intervenha.

– Não precisa nem pedir! Se depender de mim, aqueles dois celebrarão bodas de ouro!

Riram.

– Até logo, mon ami.

– Até muito breve, querida.

Ela ainda hesitou antes de se afastar. Teria de enfrentar mais algumas despedidas, mas aquela era uma das mais difíceis. Se apegara bastante ao pisciano.

Bem, ele estava certo. Ela ia retornar logo. Ia acreditar nisso.

...

Quando ela voltou para Aquário, ouviu as vozes do pai e de Milo vindo da cozinha. Resolveu seguir em frente. Não estava pronta para despedir-se deles ainda. Especialmente de Milo. E se seus sentimentos a traíssem e ela agisse feito uma boba diante dele? Poderia até mesmo chatear Camus com isso. Suspirou e continuou a andar, saindo logo do templo e se dirigindo para Capricórnio. Ainda que não houvesse conhecido Shura muito bem, pretendia despedir-se dele também.

Shura estava treinando do lado de fora de seu templo. Cenas assim deviam ser mais frequentes nos tempos em que eles se preparavam para as guerras, foi o que pensou Sophie.

Aproximou-se de forma tímida, porém, logo o capricorniano notou sua presença.

– Ah, vejam só, a filha do Camus perdida por meu templo! – riu. – Posso ajudar em algo?

– Na verdade eu... vim apenas despedir-me, monsieur Shura. Foi uma pena que não tenha tido tempo de conhecê-lo melhor. – disse educadamente.

– Com certeza eu quem saí perdendo mais! – ele sorriu. – Espero que não faltem oportunidades. As portas do Santuário estão abertas para você, señorita.

Ela corou. Ainda não se sentia muito à vontade por não ter tido muito contato com Shura.

– Er... muito obrigada! Bem, até logo, monsieur.

– Até breve! – ele acenou, sorrindo.

Ficou olhando a menina se afastar segurando nas alças da mochila, mantendo-a firme às costas. Obstinada como Camus. Quem diria, toda aquela história vinda de Aquário! Shura voltou a treinar apenas quando a perdeu de vista.

...

Sophie esperava encontrar Aiolos quando aproximou-se do templo de Sagitário, mas apenas Aiolia estava ali.

– Bom dia, monsieur Aiolia.

– Ah! Oi, Sophie. Não precisa se intimidar comigo não, pode me chamar só de Aiolia, já disse. Bom dia! Já está indo embora, tão cedo?

– Bem, sim... creio que antes do almoço eu já esteja longe daqui, então estou me despedindo de todos. Aiolos não está?

– Aquele lá? Está sim! Dormindo! – balançou a cabeça, em reprovação. – Venha, vamos acordá-lo!

Antes que ela pudesse protestar, foi puxada pela mão.

– Ma-mas...

Adentraram o quarto escuro, onde a respiração profunda de Aiolos podia ser ouvida. Ele estava deitado na cama enorme, enrolado apenas em um lençol. Sophie corou quando Aiolia abriu a janela e ela viu que o sagitariano estava mesmo em um sono profundo.

– Ei, Oros! Hora de acordar! – Aiolia pulou na cama e sacudiu o irmão.

Aiolos abriu os olhos devagar, incomodado pela luz que adentrava o quarto. Quase deu um pulo da cama quando viu Sophie parada na porta.

– Nossa... o que... bom dia! – sorriu, sonolento e descabelado.

– Perdoe-me, Aiolos. Seu irmão insistiu que... – ela fez uma pausa. – Bem, eu vim me despedir.

– Ah! Sim! – ele levantou-se e saiu enrolado no lençol, fazendo Aiolia rir da cena e Sophie ficar ainda mais encabulada. – Puxa, e eu realmente não pude te contar o resto da história, né? Bem, eu espero que você volte logo, para que eu conte ela e muitas outras.

– Oh! Eu ficarei ansiosa por isso! – ela disse, sincera. – Obrigada, vocês foram muito bons comigo. Sentirei muita saudade.

De súbito, Aiolos abraçou-a.

– Nós também. – olhou para o irmão. – Não é, Oria? Venha, despeça-se dela também!

Aiolia se aproximou e trocou um educado aperto de mão com a jovem. Ela acenou e retirou-se, não querendo incomodar mais. Pelo menos fora duas despedidas em uma.

Saiu de Sagitário sentindo-se emocionada pelo carinho que os cavaleiros demonstravam por ela. Nunca se esqueceria.

...

As paredes eram as testemunhas silenciosas daquele momento, como haviam sido da primeira vez. E Sophie reviveu todo aquele primeiro momento, deixando as lembranças aflorarem em sua mente, voando para muito longe de seu instante real no tempo.

Fora ali, naquele mesmo ponto, que ela vira Milo pela primeira vez. Pensara que estaria morta tão logo o guardião do Oitavo Templo a descobrisse, uma intrusa em sua Casa. No entanto, o que acontecera fora bem diferente. Ela quase podia vê-lo de novo, observando-a perplexo, os cabelos úmidos, o peito à mostra, a toalha nas mãos. Nunca ela vira alguém tão bonito. Estava quase certa de que se apaixonara por ele naquele exato momento. Sentia as faces quentes ao se lembrar de como ficara tímida quando ele perguntara, autoritário, quem era ela. Revivia as emoções daquele momento, sabendo que seria a última vez a fazê-lo. Quando deixasse o Santuário, deixaria também para trás os sentimentos que alimentava pelo Cavaleiro de Escorpião. Tinha plena consciência de que não seria fácil, mas ela daria seu melhor para isso. O esqueceria por ela, por Camus, pelo próprio Milo e pela possibilidade de um dia poderem viver juntos, como uma família.

Olhou para o chão, onde caíra daquela vez e olhou ao redor, deixando que as lembranças se dissipassem e a realidade voltasse a ser viva e única para ela. Aquele era seu adeus.

Adieu, monsieur Milo.

Era sua despedida ao Milo por quem se apaixonara. E quando voltasse a vê-lo, seria apenas como a pessoa a quem seu pai amava, e que o amava na mesma proporção. Ele seria como seu pai também.

Era assim que as coisas deveriam ser.

...

Shaka sabia que ela viria. Abriu os olhos quando ouviu os passos atrás de si.

– Shaka...

– Olá. – voltou-se para ela e sorriu. – Estava te esperando. Por favor, sente-se.

As almofadas estavam espalhadas pelo chão, como naquela vez em que fora com Afrodite tomar chá no Sexto Templo. Para sua surpresa, no chão estava uma bandeja com duas xícaras e o bule cheio de chá. Ela tirou a mochila das costas e sentou-se sobre uma das almofadas coloridas. Shaka serviu-os.

– O-obrigada. – agradeceu ela com um sorriso.

Assim como por Afrodite, ela criara um afeto muito grande pelo virginiano. Sentia que seria mais uma despedida difícil, mas estava contente pela forma com que Shaka a recebia.

– Você tem certeza que não quer ficar mais um tempo? – perguntou ele, após sorver um pouco do chá. – Os sentimentos não passam com facilidade, esteja você longe ou perto do alvo deles. E faz um tempo que Camus e você não se veem... poderia estender a visita por mais uns dias, certo?

Shaka já sabia a resposta que receberia. Entretanto, assim como os outros, desejava que a menina permanecesse mais algum tempo.

– Eu concordo, mas... meu coração me diz que é isso que preciso fazer. Além do mais, não posso ficar muito longe de casa. Existem coisas que preciso terminar lá. Quando eu fizer isso, estarei pronta para retornar, definitivamente.

– Eu entendo. Dê seu melhor, Sophie. Você será recompensada.

Ela assentiu, bebendo mais um gole do chá. Olhou para ele.

– Seus olhos... são simplesmente lindos!

– Oh, por favor, apenas não se apaixone por mim! – ele riu, um pouco tímido.

– Oh não! Esteja certo de que não! – ela sacudiu a cabeça, as faces coradas.

Terminaram de beber o chá e Shaka se levantou. Fez sinal para que ela o acompanhasse.

Seguiram até uma grande porta, e Sophie lembrou-se exatamente do que se tratava.

– A Sala... das Árvores Gêmeas?

Shaka assentiu, abrindo as portas. O aroma das flores invadiu-lhes as narinas. Sophie ficou impressionada com a beleza das pétalas de flores de cerejeira que voavam ao desprender-se dos galhos das imponentes árvores. Foi conduzida por Shaka sem mesmo se dar conta de seus passos, tão hipnotizada que estava.

– É o lugar... mais belo que já vi.

– Quando você sentir que não tem forças para seguir em frente e alcançar seus objetivos, lembre-se desse jardim. Eu sei que você sentirá a mesma paz que está sentindo agora e vai conseguir centrar suas ideias e sentimentos naquilo que deseja. – pegou uma das pétalas no ar e entregou a ela. – Você vai voltar, Sophie. E vai ser antes que possamos sentir saudades.

– Obrigada, Shaka. De todo o coração, muito obrigada.

Observou mais um tempo o lindo jardim, jurando para si mesma que não esqueceria nenhum detalhe, nem mesmo aquela doce fragrância. Voltou-se para Virgem.

– É hora de eu ir. Até logo, Shaka. Eu sentirei saudades, mas prometo retornar o mais rápido possível.

– Nós estaremos esperando. Até logo! – disse, encorajador.

Ela saiu da Sala, deixando Shaka lá, perdido diante da beleza do jardim sagrado. Ele ainda voltou-se a tempo de vê-la colocar a mochila nas costas e se afastar, confiante.

"Eu voltarei... antes que as saudades possam ficar mais que insuportáveis, eu voltarei. É uma promessa."

...

Como já esperava, a Casa de Leão estava vazia e afinal de contas, ela já se despedira de seu guardião. Atravessou o templo em passos largos e só hesitou quando se lembrou que o próximo seria o de Câncer. Máscara da Morte ainda lhe parecia um pouco intimidador, para não dizer apavorante. Passou pela casa em passos incertos e quando pensava que não encontraria o canceriano, deparou-se com ele na saída do templo. Ele estava encostado em um pilar, fumando e olhando distraído para um ponto qualquer. Voltou o olhar para ela quando notou-lhe a presença, mas não disse nada de imediato.

– Ahm... monsie-

– Máscara e só isso, eu já disse. – replicou, um pouco áspero.

Oui, ahm... Máscara. Eu... logo irei embora e apesar de não o conhecer muito bem, gostaria de me despedir.

– Ah, certo. – deu um trago no cigarro e soltou uma baforada de fumaça, despreocupado. – Boa viagem para você.

As palavras gentis saíram um pouco secas, mas Sophie compreendeu que o Cavaleiro de Câncer era exatamente como Afrodite descrevera. Parecia um pouco amedrontador, porém no fundo devia ser uma boa pessoa.

– Muito obrigada. – ela sorriu. – Então... até a próxima.

Ele murmurou qualquer coisa, novamente com o cigarro na boca e então o segurou entre os dedos e pela primeira vez olhou diretamente para ela, desviando logo o olhar.

– Volte quando quiser. O Afrodite gostou muito de você.

Dessa vez o sorriso da ruiva se alargou. Um tanto engraçado, aquele cavaleiro. Parecia a pessoa certa para Afrodite e ela ficou feliz por saber que seu novo e querido amigo tinha alguém especial.

– Merci. – acenou para ele, que retribuiu com um quase imperceptível aceno de cabeça. – Adeus!

Ao dizer essas palavras, ela se afastou, ciente de que faltava pouco para chegar à saída das Doze Casas. Apesar de triste, era maravilhosa e confortante a sensação de que voltaria e a felicidade de haver passado dias ótimos ali. E quando ela se aproximou de Gêmeos, lembrou-se de que o pai a alertara a respeito de Kanon e riu disso. No fim das contas ele fora um cavalheiro e junto com Milo a salvara de uma situação muito difícil. Não poderia esquecer de agradecer.

...

– Saga, meu maninho querido e adorado! Você se importaria arrumar a antena da tevê para mim? – berrou Kanon da sala.

– Sim, eu me importaria! – replicou Saga, da cozinha. – Pare de ser folgado e levante essa bunda gorda do sofá!

– Hum, agora entendi porque você gosta tanto de apalpá-la. – levantou-se a contragosto do sofá, onde estava deitado. – Esta tevê está mesmo uma droga, e a Saori desvia as verbas do Santuário para coisas menos importantes...

Sophie só pôde rir ao ouvir a reclamação. Uma televisão nova para os gêmeos certamente seria um investimento bem importante.

Monsieur Kan...

– Ora ora! Uma visita para mim? – esqueceu da tevê no mesmo instante e partiu para um abraço por demais caloroso na francesa. – Bom dia, Sophie! Ótimo dia, na verdade.

Ela ficou presa naquele abraço, pensando que deveria ter levado o pai mais a sério. Sentia as faces quentes e imaginava o quão vermelhas elas deviam estar.

– Kanon! Quer deixar de ser idiota e tarado e soltar a garota? – a voz trovejou na sala.

Kanon soltou Sophie no mesmo instante, como se houvesse sido atingido por um golpe doloroso.

– Deuses, Saga, como você é ciumento! – reclamou, lançando um falso olhar inocente para o gêmeo.

– Bom dia, Sophie. – disse Saga, ignorando o irmão. – Não quer se sentar um pouco?

Ela demorou a assentir e se sentar, e Saga notou o olhar curioso e divertido que ela lançava para o avental molhado e um pouco feminino demais que ele usava.

– Ah, isso! – arrancou a peça rapidamente. – Além de cavaleiro, às vezes sou obrigado a agir como dona de casa.

Sophie deu um risinho contido.

– Pode confessar para ela que essa é uma das fantasias que eu obrigo você a vestir, maninho! – Kanon riu e sentou-se ao lado da menina.

– Não há necessidade. – disse ela, sorrindo timidamente. – Bem, eu só vim me despedir de vocês. E também agradecer a você, monsieur Kanon, por ter me salvado naquele dia.

– Não tem de quê! Afinal, também é para isso que serve um cavaleiro, não? – piscou.

– Você vai mesmo partir tão cedo? – perguntou Saga. – Acredito que Camus esteja contente com sua presença aqui, assim como os outros e nós também, é claro.

– Eu adoraria ficar mais, mas infelizmente não posso. Porém, estou certa de voltar o mais breve possível.

– Você será muito bem-vinda e se quiser, pode até mesmo se hospedar aqui, não é, Saga?

– Ela tem uma casa aqui esperando por ela, a de Aquário. Volte tão logo puder, Sophie. Você é muito bem-vinda, sabe disso, não é mesmo? – Saga sorriu.

Sophie retribuiu o sorriso.

– Sim, eu sei e fico muito feliz por isso. Obrigada por tudo!

Ela levantou-se e, para a surpresa de ambos, deu um beijo na bochecha de Kanon, logo adiantando-se para trocar um abraço com Saga.

– Até mais! – acenou para ambos, se afastando.

Bon voyage! – disse Saga, acenando também.

– Desde quando você sabe francês? – Kanon encarou-o. – Eu sabia! Você andando com aquele pinguim francês de uma figa!

Enquanto saía do Terceiro Templo, Sophie ainda ouviu as palavras de Kanon e riu. Podia imaginar a cara de Camus sendo chamado de pinguim! Certamente, ela sentiria muitas saudades do Santuário.

...

Quando Sophie chegou ao hall do Templo de Touro, deparou-se com uma cena um tanto engraçada. Aldebaran estava no alto de uma escada, aparentemente trocando uma lâmpada, e ela achou muito engraçado que ele precisasse de uma escada para aquela tarefa. Parecera-lhe tão alto! Além disso, percebera que os cavaleiros levavam uma vida bem caseira e isso era no mínimo divertido.

Monsieur Aldebaran...

Ele pareceu assustar-se, estava entretido no trabalho. Por um momento pareceu que se desequilibrara e ia cair da escada, mas logo estava recomposto.

– Oi, Sophie! – abriu um sorriso simpático. – Me pegou de surpresa! Agora você vê que esse Santuário não é nenhum palácio, temos problemas bobos por aqui também!

Ela riu.

– Eu realmente fazia outra ideia do Santuário, mas depois que vi monsieur Kanon reclamando da televisão que tem em Gêmeos, percebi que a vida aqui é bem normal.

– Santa Atena! E eu pensando que só meu templo andava dando problemas. Mas aquele Kanon, não sai da frente da tevê, sabe? Assim como o Dite passa o dia inteiro se deixar cuidando daquele jardim dele, e o Aiolia e o Aiolos passam o dia tentando destruir o Santuário com brincadeiras piores que de crianças! – deu uma risada animada e desceu da escada. – Ah, este lugar guarda grandes histórias!

– É um lugar muito divertido!

Aldebaran concordou com um aceno de cabeça e olhou para a lâmpada recém-colocada.

– É, acho que deu certo. – voltou-se para a ruiva. – Mas e então, a que devo sua visita? Me sinto honrado, a filha de Camus de Aquário no meu templo!

Sophie ficou maravilhada com o fato de que eles ainda se referiam a ela como filha de Camus, mesmo sabendo que ela era sobrinha dele. Era bom assim, pois ela mesma o via como seu pai há muito tempo.

– Não é para tanto. – sorriu, humildemente. – Eu vim me despedir. Logo partirei e por isso estou me despedindo de todos os cavaleiros. É uma pena que não tenha tido muito tempo para conhecê-lo, monsieur.

– Eu sinto muito! Mas você volta qualquer hora dessas né? Aposto que nosso amigo gelado vai sentir saudades! E todos nós, mesmo eu que a conheci pouco.

– Sim, eu voltarei! – ela respondeu animada. – Bem, muito obrigada, foi um prazer conhecê-lo! Na próxima vez que eu vier, gostaria de saber as coisas que os cavaleiros aprontam!

– Contarei com o maior prazer! – ele deu uma risada cúmplice. – Faça uma boa viagem, mocinha!

– Obrigada! – esticou a mão e cumprimentou-o. – Até mais, monsieur Aldebaran!

– Até! – ele ficou acenando, já conquistado pelo carisma dela como todos haviam sido.

...

Ela chegou a Áries e sentiu que o momento de partir estava agora muito próximo. Como o tempo podia ter passado tão rápido? E nesse curto espaço de tempo, aquele lugar, aquelas pessoas e os minutos que havia compartilhado com elas haviam se tornado muito importantes. Era como um presente dos deuses, e Sophie sentiu-se privilegiada por recebê-lo.

Mu também a esperava. Convidou-a a sentar-se um pouco na escadaria do templo, ele adorava ficar observando a calmaria da entrada das Doze Casas nos tempos de paz.

– Parece que foi ontem que você chegou aqui e me deixou surpreso ao dizer que era a filha do Camus. Eu nunca teria esperado algo assim, mas sei que como os outros Cavaleiros de Ouro, estou muito feliz por tê-la conhecido.

– Muito obrigada, Mu. – ela sentiu as lágrimas subirem aos olhos. – E também por ter confiado em mim e me deixado passar por Áries naquele dia.

Ele apenas sorriu, gentil.

– Sei que você já deve ter ouvido isso várias vezes, mas tem certeza de que tem de partir agora? Parece tão cedo!

– Quanto mais cedo eu for, mais cedo eu voltarei. Mas esse é o momento, eu estou certa.

– Sophie, você é mesmo filha de Camus de Aquário. – ele riu. – Até parece ele falando.

Sophie ficou extasiada com a comparação. Para ela era um orgulho parecer com o tio. Fazia com que se sentisse mais sua filha.

– Falando no papa... será que você poderia avisá-lo que já estou pronta para partir? Isto é... com a telecinese.

– Ah, claro! É para já. – ele concentrou o cosmo e comunicou-se com Camus. – Prontinho, ele estará aqui em alguns minutos.

– Obrigada. E... sentirei saudades, Mu. Você e o Shaka se tornaram pessoas muito especiais para mim. Sejam sempre muito felizes, sim?

Ele pareceu corar com o último comentário dela, mas logo respondeu.

– Esteja certa de que seremos. E você, – colocou a mão no ombro dela. – também vai encontrar alguém que a faça infinitamente feliz. Tudo vai dar certo.

Ela assentiu com a cabeça.

Não estenderam o assunto, pois no instante seguinte Camus estava ali, com Milo a tiracolo.

– Está mesmo pronta, chérie?

– Sim! – ela levantou-se de um salto.

– Então... podemos ir?

Oui. – voltou-se para Mu e abraçou-o. – Até mais, Mu!

– Boa viagem, Sophie!

Ela desceu alguns degraus, seguindo Camus, que já a esperava no fim da escada. Voltou-se para Milo, que continuava no topo da escadaria.

– Você não vem, Milo?

– Bem, eu não acho que... – ele passou a mão pelos cabelos.

– Ande, Milo. – disse Camus, num tom autoritário. – Você não quer atrasá-la, não é mesmo?

– Certo, certo, já que vocês insistem!

Os três seguiram juntos e Mu ficou observando-os até que os perdesse de vista. Já pareciam uma boa família. E viriam a ser uma, muito em breve. Todos eles esperariam por isso.

...

– Vôo 235 com destino a Paris, embarque pelo portão 2.

– É o seu, petite. – Camus ergueu-se, para acompanhar a filha até o portão de embarque.

– Bem, a hora chegou rápido, non? – ela sorriu, contendo as lágrimas que subiram, rasas em seus olhos. – Sentirei muitas saudades, papa, Milo. – olhou de um para o outro.

– Nós também, ange.

– Por favor, cuidem bem um do outro, sim? – ela envolveu-os num único abraço.

– Vamos, antes que você perca este. – disse Camus, querendo disfarçar o quanto a despedida o afetava.

Poucos minutos depois a ruiva desaparecia pelo portão adentro, ainda levando a rosa que Afrodite lhe dera nos cabelos, fazendo parecer que a flor fazia parte deles.

Milo e Camus ficaram observando do saguão os aviões na pista do outro lado, através da grande janela. Num instante o vôo dela estava decolando.

– É, acho que no fim nós poderemos ser. – comentou Milo, tirando Camus do aparente transe que estava.

– Ser o que, Milo?

– Uma ótima família. Nós três.

- Owari -

N/A: Bem... demorei, mas terminei! (rs) Gostaria de agradecer a Bela Patty, Narcisa Le Fay, Flor de Gelo, Kalli Cyr Charlott, Mikage .Dark Angel., Nuriko-Riki, Marin de Libra, patin e a todos que lerem essa fic posteriormente. Espero que tenham gostado, especiamente da Sophie, que foi criada por mim com muito carinho para protagonizar a história.

Agradeço também pelas dicas de cavaleiros com quem a ruivinha poderia acabar ficando no final, mas achei que acabaria estendendo muito as coisas se fizesse isso e, do jeito que sou atrapalhada, perderia o rumo da fic. x.x Ficarei torcendo para que todos gostem muito do final. Reviews, por favor, e me perdoem pela demora em postar este último capítulo. Beijos!

N/A 2: Atualização em janeiro de 2016 – iniciei um projeto de revisão das minhas fanfics. A ideia é mais fazer adequações ortográficas e gramaticais do que de conteúdo, então, não se preocupem. Quem ler a partir daqui, não verá nada muito diferente do original; só um texto mais bem cuidado. Reviews ainda são bem-vindas!