QUANDO NOS TOCAMOS

BY DAMA 9

FIC DE PRESENTE PARA ARTHEMISYS.

Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, pertencem a Masami Kuramada e a Toei Animation.

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Importante!

Dama 9 e amigos incentivam a criatividade e liberdade de expressão, mas não gostamos de COPY CATS. Então, participe dessa causa. Ao ver alguma história ou qualquer outra coisa feita por fã, ser plagiada ou utilizada de forma indevida sem os devidos créditos, Denuncie!

Boa Leitura!

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Capitulo 10: Duas Caras.

"Porque cada vez que nos tocamos, eu tenho esse sentimento".

.I.

Deixou a sala da coordenadora com alguns folhetos nas mãos. Embora ela houvesse lhe explicado tudo sobre todos os cursos, ainda estava em duvida sobre qual escolher.

Provavelmente isso deveria ter ficado evidente, ou do contrario ela não teria lhe dado tantos folhetos.

-Se você quiser, posso ajudá-lo a estudar, quando voltar da aula; Ikki ofereceu.

Dali a dois meses uma nova turma iria começar para todos os cursos e se ele fizesse o exame, poderia começar naquele semestre ainda.

-Acredito que seja melhor à noite, assim você tem um tempo de descansar depois do trabalho; Shun falou.

-Você quem sabe; ele deu de ombros. –Mas você ainda pode me ligar se tiver alguma duvida;

-Obrigado; o irmão respondeu sorrindo, antes que os dois ouvissem uma voz feminina gritar.

-SHUNNNNNNNNN!

-Ah, não; Ikki exasperou pouco antes de June surgir no corredor e lançar-se sobre o pescoço do irmão.

-Que surpresa encontrar você aqui; a amazona sorrindo largamente.

-Ahn... É bom vê-la também; Shun falou desconcertado.

Algo lhe dizia que em outro tempo não se sentiria tão tenso com o afeto exagerado da amazona, mas agora ele parecia exatamente isso, exagerado demais e isso lhe incomodava.

-Você pretende estudar aqui? – June perguntou vendo os panfletos nas mãos dele.

-Ahn! Sim... Acho que sim;

-Que bom, posso ajudá-lo a estudar; ela continuou.

-Não é nesc...;

-E quando você passar, podemos vir juntos para aula, vai ser ótimo; ela o cortou, empolgada.

-Calma ai, lagartinha; Ikki começou, colocando-se entre os dois, obrigando-a a se afastar do irmão.

-Se você não percebeu, estou falando com o Shun, não com você; ela rebateu irritada.

Com um suspiro cansado, Shun deu um passo para atrás, deixando os dois discutirem. Sabia que quando o irmão começava a falar, não havia quem o parasse.

Balançou a cabeça para os lados, não queria ser motivo de desavenças entre ninguém, tampouco desejava que o irmão continuasse a lutar suas batalhas. Ele já fizera tanto, era injusto agora que deixasse isso continuar.

-Apenas admita que eles te aborrecem; uma voz sussurrou em seus pensamentos.

-Uhn? – ele murmurou, piscando.

-Não é problema seu que ela não queria aceitar a verdade;

-Não quero magoar June, mas...;

-Ninguém pode viver sempre em cima do muro. Cometemos erros, as vezes acertamos, magoamos e somos magoados; a voz continuou. –Como quer lutar por si mesmo, se você se afasta ao menor problema?

-"Não era minha intenção agir assim"; Shun pensou preocupado.

-Por quanto tempo pretende mentir para si mesmo? Você é um franco! Ficar fugindo dos problemas não ira resolvê-los; a voz soou exasperada.

-Mas June...;

-Dane-se a June, admita de uma vez por todas que você vem fugindo de lutar por egoísmo próprio. É patético!

-Parem; ele sussurrou.

-Quanto entusiasmo, tem realmente certeza de que quer detê-los? –a voz ecoou de maneira provocadora em sua mente e ele poderia jurar que ouviu um riso ao fundo. –Você não quer falar a verdade para ela por medo de se ferir, admita!

-Parem; Shun falou um pouco mais alto, sentindo-se inquieto ao ver as pessoas começarem a se aglomerar por perto, para observar a discussão.

-Puff!

-Eu falei para você deixar de ser intrometida; Ikki reclamou.

-E você tem que parar de sufocá-lo; ela exasperou.

-Ah! Vamos começar a falar sobre sufocar então? – ele rebateu irônico.

-Idiota...;

-Oras, sua...;

-PAREM! – ele gritou exasperado, liberando uma grande quantia de cosmo, paralisando os dois e afastando-os alguns centímetros um do outro, embora a maioria das pessoas não houvesse notado esse deslocamento, alem dos dois.

-Shun? – June e Ikki falaram, voltando-se cautelosos, para ele.

-Vocês perceberam o quão ridículo estão agindo? – ele falou em tom frio.

-Foi ele quem começou; June atacou, para em seguida engolir em seco diante do olhar dele.

-June, já conversamos sobre isso. Durante um ano muitas coisas podem ter mudado, menos as decisões que tomei. Que isso fique bem claro; o cavaleiro ressaltou, enquanto ela empalidecia, voltou-se para o irmão que tinha um olhar vitorioso. –Agradeço a preocupação, mas não preciso que lute por mim. Isso é responsabilidade minha agora;

-Não era minha intenção aborrecê-lo, Shun; a amazona falou sorrindo sem graça ameaçando aproximar-se, mas empalideceu ao perceber que não conseguia mover seu corpo.

-Shun, o q-...; Ikki deteve-se ao constatar o mesmo que ela. Voltou um olhar confuso para o irmão, mas o mesmo já lhes dava as costas.

-Nos vemos em casa; Shun respondeu, como se lesse a pergunta em seus pensamentos, antes de passar pelo corredor de pessoas que abrira-se a sua frente.

.II.

Entrou calmamente no quarto. Suspirou relaxada, o dia fora tão tranqüilo e agradável. Jamais pensou que fosse se divertir tanto. Jogou-se na cama, enquanto tirava os sapatos.

Havia combinado com Saori de descansar um pouco para saírem à noite. Sorrindo, virou-se de lado na cama e acomodou melhor a cabeça sobre o travesseiro. Entretanto, sentiu-se gelar ao ver no nível de seus olhos uma pena acinzentada, quase prateada.

Sentou-se rapidamente pegando a pena nas mãos. Aquilo não era possível. Afastou os travesseiros olhando para todos os lados, para ter certeza de que a pena não saíra de nenhum deles.

-Deve ser minha imaginação; Cora falou levantando-se da cama e indo até o banheiro, jogou a pena no lixo.

Era impossível que aquela pena fosse de Valentine de Harpia, o cavaleiro que servia de mensageiro de Hades. Por dois grandes motivos. Hades estava morto e Valentine também; ela pensou tremendo.

-Com licença, Cora-san; Yume falou, abrindo uma frestinha na porta.

-Oi; ela respondeu fechando rapidamente a porta do banheiro e voltando até o quarto.

-Saori-san pediu que lhe trouxesse um lanche; a garota respondeu, indicando a bandeja que tinha em mãos.

-Obrigada, pode deixar ali em cima; Cora falou, indicando a mesa próxima as portas balcão da sacada.

-Se precisar de algo, só me chamar; ela completou, antes de sair.

Infelizmente o que ela mais precisava agora, ninguém poderia lhe conseguir...

.III.

Caminhou para longe do campus, tentando colocar os pensamentos em ordem, preocupado com a oscilação de seu cosmo. Não deveria permitir que essas coisas acontecessem enquanto não fosse forte o suficiente, Mú lhe alertara sobre isso; ele pensou preocupado.

Respirou fundo, detendo-se em frente a uma das muitas árvores que jaziam espalhadas pelo local. Embora o campus estivesse silencioso naquele momento, em breve haveria mais uma troca de aulas e as pessoas passariam frenéticas por ali.

Foi quando notou uma sombra aos pés da árvore, incompatível com a forma de seus galhos, ao lançar um olhar para cima surpreendeu-se ao ver cair uma pena prateada.

Segurou-a entre as mãos, com o cenho franzido, quando lembrou-se a quem aquilo pertencia.

-Valentine;

-Cavaleiro de Athena; a voz do espectro soou a suas costas, virou-se rapidamente, mas não havia ninguém ali.

Deveria ser apenas uma peça pregada por sua imaginação; ele pensou aliviado, voltando-se para frente novamente, mas saltou um passo para trás ao ver-se frente a frente com o espectro de cabelos prateados.

-Venho em paz Cavaleiro de Athena, não é necessário que avise aos outros de minha presença; o espectro falou ao sentir o cosmo dele oscilar novamente

-Mas eu pensei que...;

-Estivéssemos todos mortos? Sim... Durante um tempo, estivemos realmente; Valentine confirmou. –Entretanto, as coisas são diferentes agora; ele completou de maneira enigmática

-O que quer na Terra, Valentine? –Shun indagou, mal notando que espremia a pena entre os dedos.

-É quase inverno...; Valentine respondeu.

-Como? – ele indagou, sem entender.

-Me foi dada à missão de levar a Imperatriz de volta, seu tempo aqui na terra já chegou ao fim e o acordo deve ser mantido; ele explicou.

-Imperatriz? – ele perguntou confuso.

-Athena tentou romper o acordo, trazendo-a para este país, mas ela deve retornar;

-Perséfone esta na Terra com Athena; Shun falou, para em seguida congelar. –Cora;

-Lady Cora, sim ela esta na terra e já é hora de voltar; Valentine continuou, mas o cavaleiro já não ouvia.

Afastou-se do espectro, atordoado. Seguindo de volta para a mansão, embora se alguém lhe perguntasse, jamais poderia afirmar como realmente chegara em casa, com seus pensamentos tão conturbados como estavam.

.IV.

Aproximou-se da janela, cruzando os braços. Uma brisa fria entrou no cômodo, avisando-a de que em breve o outono chegaria e com ele, o inverno inevitável. Decisões importantes precisavam ser tomadas, por mais difíceis que fossem;

-Saori, tem algo lhe incomodando? – Aioros indagou, observando-a do outro lado da sala. Ela estava mais tensa que as cordas de um violino e isso estava lhe preocupando.

-O inverno esta chegando; a jovem falou distraída.

-O que tem isso? – o cavaleiro indagou, intrigado.

-O acordo deve ser mantido;

-Que acordo?

-Com licença; Cora falou, os interrompendo ao abrir uma frestinha na porta.

-Entre; Saori falou, voltando-se para ela.

-Algum problema, Cora? – Aioros indagou, vendo a jovem pálida, se aproximar hesitante.

-Saori, eu...;

-Já sei; a jovem a cortou, assentindo.

-Algo me diz que estou perdendo alguma coisa aqui? – ele falou confuso.

-Quando Hades levou Perséfone para os Campos Elíseos, furiosa com o seqüestro da filha, Demeter correu o mundo incendiando os campos e colheitas, com a intenção de iluminar os lugares mais escuros, onde sua filha pudesse ter sido escondida. Até que os sussurros de Eco, lhe contaram que Hades havia levado sua preciosa filh para sue castelo; Saori contou, voltando-se para as janelas, cujas cortinas se agitavam com o vento agora. –Deméter foi a Zeus, exigindo que ele, em sua onipotência, obrigasse Hades a lhe devolver a filha ou os mortais pagariam por isso. Hades desejava Perséfone e pouco lhe importava se os mortais iriam sofrer com a ira da deusa, ele não pretendia a devolver;

-Mas...;

-Zeus os chamou para conversar, Hades deixou Perséfone sozinha nos Elíseos em meio a um campo repleto das mais belas flores e árvores frutíferas, avisando que não deveria comer nada daquele reino, ou jamais poderia deixá-lo; Cora murmurou, corando levemente.

-Eu conheço essa lenda; Aioros comentou.

-Não é apenas uma lenda Aioros... Você mais do que ninguém, deveria saber que as lendas, nem sempre são apenas lendas...; Saori respondeu num leve tom de reprimenda.

-Pelo que lembro, Perséfone ignorou esse avisou e acabou comendo algumas sementes de romã; o cavaleiro falou desviando o assunto, envergonhado pela reprimenda.

-A vida é feita de escolhas... Selei meu destino naquele dia; Cora murmurou, dando um pesado suspiro. –Enquanto os mortais têm simplesmente alguns meses de outono e inverno, eu retorno ao Castelo de Hades, podendo voltar a terra, apenas quando a primavera chegar, trazendo consigo a graça de Deméter, para uma boa colheita.

-Conseguimos interromper esse ciclo nos últimos três anos. Entretanto...;

-Agora é diferente; Cora completou. –Também não sei por que Caos permitiu que eu ficasse afastada durante tanto tempo, porém já recebi o sinal de Valentine. Pensei que ele havia morrido, mas acredito que alguns espectros devam ter sobrevivido a última guerra afinal de contas; ela falou, desviando o olhar.

Detestava admitir como se sentira tão cômoda na terra durante aqueles três anos, que simplesmente tinha apagado de sua memória o que havia acontecido antes de deixar o castelo, ou com quem encontrara antes de partir.

A Troca Equivalente havia acontecido e o preço estava sendo pago...

-Impossível, Shaka se certificou de que isso não acontecesse; Aioros afirmou.

-Aioros, nem sempre as coisas acontecem como planejamos; Saori respondeu, lançando um rápido olhar a Cora.

-Eu preciso partir, o mais rápido possível; Cora avisou.

-Tudo bem, vou pedir que alguns cavaleiros a acompanhem de volta a Grécia...;

-Não; uma outra voz soou na sala.

Os três viraram-se para a porta, mas surpresos não encontraram ninguém.

-Aqui; Shun avisou, afastando as cortinas que oscilavam na janela e entrou no cômodo, através da sacada.

-De onde você veio? – Aioros perguntou surpreso.

-Shun! – Cora falou assustada ao vê-lo, durante todo aquele tempo temera o que poderia acontecer quando chegasse o momento de contar ao doce cavaleiro que nada mais era do que a esposa do homem que quase tirara-lhe a vida, alias, sua e de todos que amava.

-Não é necessário mobilizar tantos cavaleiros Saori; ele avisou, lançando um olhar intenso sobre a jovem de cabelos negros.

-Mas...

-Posso muito bem acompanhar Cora até a entrada do Castelo, em Heinstein; ele avisou.

-Não sabemos como estão às condições naquela região depois da guerra, Shun. Não acredito que seja inteligente irem sozinhos; Aioros explicou.

-Ao contrario do que você pensa, posso muito bem cuidar dela Aioros; ele rebateu em tom frio, lançando um olhar cortante ao cavaleiro, enquanto a atmosfera no cômodo tornava-se tensa e sombria.

-Shun; Saori hesitou, aproximando-se do cavaleiro, mas deteve-se quando o mesmo voltou-se para ela, por alguns segundos, as íris de um cálido verde azulado tornaram-se vermelhas e um arrepio de medo cortou suas costas.

-Esta tudo bem, Saori; Cora adiantou-se, rapidamente colocando-se entre ela e o cavaleiro, que parecia evidentemente na defensiva, pela forma que ainda olhava Aioros.

Aquilo era totalmente anormal, Shun não era de brigar, tampouco agir daquele jeito com outras pessoas; Aioros pensou confuso.

-Caso vocês tenham esquecido, eu já estive lá uma vez, conheço a região; Shun falou num tom que não admitia contestação.

-Tudo bem, talvez seja melhor assim... Chamaremos menos atenção dessa forma; Saori concordou, embora sua vontade fosse bem diferente. Não entendia porque Shun estava agindo daquele jeito e ficou ainda mais surpresa ao ver o cavaleiro passar o braço em torno da cintura da jovem e puxá-la mais para perto de si, de maneira possessiva.

-Ótimo, saímos daqui duas horas... Penso que seja tempo suficiente para que esteja pronta, não? – ele falou, baixando os olhos, para a jovem.

-S-sim...; Cora balbuciou, sentindo a face aquecer.

-Vamos, então...; ele completou, antes de puxá-la em direção a porta.

-Shun; Aioros chamou, fazendo-o deter-se a um passo de sair.

-O que?

-Apenas tomem cuidado, imprevistos podem acontecer a qualquer momento; ele respondeu, depois de hesitar alguns segundos.

Sem sequer lhe dirigir a palavra, ele deixou a sala, puxando Cora consigo.

-Saori...;

-Não me pergunte Aioros; ela cortou-o. –Por um momento eu...; Saori hesitou, engolindo em seco. –Só espero que Caos esteja certo ao afirmar que as guerras acabaram; ela completou, com um suspiro melancólico.

.V.

Apoiou as mãos sobre o mármore branco da pia, sentindo a pele absorver o frio da pedra. Fechou os olhos firmemente, apoiando a cabeça sobre o espelho a sua frente.

Céus, o que estava acontecendo...

-Droga; ele praguejou, afastando-se e abrindo os olhos, mas sentiu um choque correr por seu corpo ao deparar-se com outra imagem refletida no espelho.

Definitivamente aqueles olhos vermelhos não eram seus...

-Às vezes, a morte é apenas o principio... Cavaleiro de Athena;

Continua...