Capitulo 11 – That's What You Get (É isso que você leva)

E lá estava ele sentado, era uma tarde estranha, afinal ele não sabia de nada? O clima entre os dois era pesado, mesmo sendo um garoto sério e inabalável, sentia-se acuado, não conseguia olhá-la nos olhos, por que essa garota o confundia tanto?

Então, as roupas do colégio não faziam jus ao corpo que ela possuía, droga! Desviou o olhar.

Ela segurava em seus lábios o ódio que estava sentindo, mas não conseguia falar nada, não conseguia olhá-lo nos olhos e contar o que passou com a perversa ruiva, questioná-lo, mostrar que ela não era o tipo de garota que se arrastaria por um cara comprometido e ele devia sim uma explicação, uma boa explicação sobre suas mãos que insistiam em tocá-la sempre que tivessem próximos demais. Tomou a coragem devida, era agora ou nunca.

Sakura desviou o olhar dos livros para encarar o moreno sentado a sua frente, por que ele tinha que estar olhando para ela? Por quê? Congelou-se em seu pequeno movimento enquanto os olhos se encontravam, sérios, sedentos de toques, ele queria chegar mais perto, que merda, não sabia como se controlar devidamente perto dessa garota! Mordeu o lábio inferior contendo seu movimento, afinal bastavam apenas alguns centímetros e ela estaria ao seu lado.

A sala do Uchiha era ampla, cortinas grafite assim como o sofá, móveis em cor tabaco, um enorme apartamento bem situado em um bairro de alta classe e, em um canto da sala, uma mesa de vidro fumê, colocada entre algumas almofadas, estrategicamente situada entre os dois. Sakura na extremidade direita e ele ali, do outro lado da mesa, como se realmente fosse colocada para impedi-los de se aproximarem. Ela sentia o coração pulsar forte, olhando nos olhos dele, por que ele precisava ser tão lindo? Por que sentia como se aqueles olhos negros e profundos brilhassem? Por que ele estava brincando com seus sentimentos?

Sentiu o ar travar em sua garganta, como se não pudesse conter a dor que sentia em saber que ele era daquela ruiva. Acompanhou cada movimento desse enquanto discretamente mordia o lábio inferior. Fechou os olhos, tinha que se concentrar. Esse garoto, poderia ser qualquer garoto, mas só ele, mexia com ela de uma forma estranha, complexa, algo que ela não sabia explicar. De um jeito que a fazia parar em frente ao guarda-roupa e pensar no que vestir, imaginar um vestido, uma blusa especial e até sapatos especiais, arrumar o cabelo e até se maquiar, mas ele valia tudo isso? Valia uma transformação? Talvez não, na verdade talvez não existissem ocasiões para Haruno Sakura virar uma dama! Então preferiu qualquer roupa, qualquer cabelo, resolveu usar o que usaria para ir treinar ou para encontrar seus amigos. Olhou para a calça que tinha um discreto furo na barra. O que vestir é uma pergunta que nunca havia feito para si mesma.

"Sim."

Em um relance lembrou-se de Sai, e da resposta automática que dera ao garoto no dia anterior. Bailes não serviam para nada, mas não podia negar que ao escutar aquelas palavras sentiu-se um lixo.

"Você achou que ele levaria você ao baile? Acho que não!"

Como foi difícil se controlar, acertando aquele soco e quase quebrando o nariz dele, sem contar a cara impagável de Hinata. Agora deveria se preocupar com um vestido, um sapato, maquiagem, penteados, sabe, coisas de garotas comuns... com certeza pediria ajuda para Ino, ou melhor, Hinata. E quais seriam os boatos na segunda-feira? Que a Haruno era uma delinqüente? Acho que não, afinal que tinha visto sua grande performance de boxeadora era Hinata e Sai, e possivelmente nenhum deles sairia por ai comentando, a garota era confiável, e bem, acho que não seria legal para Sai espalhar como tomou um soco certeiro e ainda pediu para a garota acompanhá-lo ao baile.

Sai não era o garoto especial, e parecia estar longe disso, mas pensando novamente o que ela sabia sobre garotos? Praticamente nada, só que a maioria costumava ser traiçoeiro, principalmente os mais bonitos, assim como o garoto a sua frente.

Então era uma promessa a cumprir, por mais difícil que fosse não se enganaria mais, muito menos com o Uchiha novamente!

Ela tinha os lábios tão rosados e era bem obvio que não havia uma gota de maquiagem em seu rosto. Suas roupas não eram iguais as que as outras garotas usavam, apenas um jeans azul, uma blusa de alças pretas e um tênis. Tão comum, tão diferente; Os cabelos presos em um rabo de cavalo, curto e alguns fios soltos. Que merda Uchiha, por que você está interessado em uma garota como ela? Isso começava a irritá-lo.

-Você é noivo da Karin? – perguntou seca, queria tirar a limpo cada acontecimento.

Ele sorriu, sarcástico, então era por isso que ela estava evitando-o daquela forma.

Seus lábios se curvaram tão perfeitamente naquela meia lua que a fazia ter vontade de chorar, por que ela era assim, tão fora do padrão, e o que ele achava de tão divertido em enganá-la?

-Sou. – respondeu a pergunta sem rodeios.

Sua voz engasgou em sua garganta com o ar. Idiota, era a palavra naquele momento. E ele ainda tinha aquele ar arrogante, ele não ligava nem um pouco para o que ela sentia! Mas, pensando bem, o que ela sentia? Não sabia...

Sentiu os olhos molhados, embaçados por uma fina camada de água, era um falso.

Tinha que admitir, vê-la com os olhos marejados o incomodou, muito. Todas as garotas do colégio sabiam que ele era noivo de Karin, mas nenhuma ligava, e por que bem ela, ali, tão diferente se importava? Que merda.

O garoto se afastou da mesa, estava sério, sem sorrisos, sem expressão nos olhos, encarando as pequenas gotas que dançavam em frente ao verde esmeralda dos olhos dela.

Não era fraca, e não seria agora, abaixou a cabeça e encontrou a coragem que necessitava, que se foda a educação.

- Então por que você tentou me beijar? – estava nervosa por se constranger assim, que ridículo!

- E por que você está se preocupando tanto com uma tentativa? – por que vê-la de olhos marejados irritava-o?

E os lábios rosados se encontrando de forma que os fazia franzir.

Então era isso Haruno Sakura, você era apenas uma "tentativa". E o jeito como ele a encarava, parecia não estar apreciando nem uma palavra daquela conversa. Nem ligava, ia tirar a limpo, um por um dos problemas.

-Me faz um favor, nunca, nunca mais tente absolutamente nada comigo! – Sua voz estava seca, áspera e com certeza irritada.

E o pior é que mesmo nervosa a garota era linda. Que ódio sentia de si mesmo.

-Não se ache tanto, foi só uma coisa de momento. – E como ele sabia ser seco! Bem melhor do que ela.

Era o que precisava para acordar daquele pesadelo e se desligar daquele rosto lindo. Ele podia ter o cabelo mais lindo, a pele mais macia, os lábios mais tentadores e os olhos mais profundos, mas não passava de mais um garoto rico, cheio de si, mimado, um perdedor, e com certeza ela não queria isso em sua vida. Sofrer por um rosto bonito não fazia parte de seus planos. Pra sua vida esperava estudar, passar no vestibular e cair fora daquela cidade e daquela gangue, ser uma grande médica e isso não incluía se envolver emocionalmente com um ridículo que além de comprometido se achava próprio de sair por ai passando a mão em qualquer uma que achasse interessante!

Sorriu.

-Eu não estou me achando, mas vou deixar claro que se você tentar se aproximar de mim quebro todos os seus dedos! – MERDA! Por que foi falar assim? Ela nem estava com sua mascara para se considerar a SK nesse momento!

Já ouviu muitas coisas que as garotas insistem em dizer, mas essa foi à primeira vez que ouviu algo assim.

Deslizou os olhos pelo corpo da garota que agora estava em pé, com aquele corpo tão magro e delineado, ela realmente era capaz de fazer o que ameaçou!

Afinal aquela sua pequena demonstração no metrô de que era capaz de quebrar o nariz de um cara era o suficiente para provar que era capaz de arranjar uma boa briga com ele, ou será que não? Por um instante teve um flash em sua mente, alguém especial, longe dessa garota parada a sua frente.

Enquanto se perdia em pensamentos a garota se irritou, pegou sua mochila. Ia embora dali, antes que resolvesse acertar a cara de mais um garoto em menos de 24 horas, mas até que não era uma má idéia, vai que ele fosse que nem o Sai, que depois de apanhar se transformou? Acho que não.

Ele não disse uma palavra, só a ouviu dizer o que tinha que deixar claro naquele momento.

-Eu faço do 1 ao 20 e você do 21 ao 40, certo? Amanhã juntamos as respostas e entregamos como se o trabalho estivesse sido feito em dupla. Tchau. – Era só isso que tinha para falar antes de se sentir mais idiota do que já se sentia.

Mas as coisas não são sempre tão simples, ele poderia ter ficado assistindo-a sair pela porta, assim como as garotas costumavam fazer quando estavam chateadas ou nervosas, e no dia seguinte poderia só ignorar a cara feia que ela faria, afinal isso não era problema dele.

Porém, parecia que não ia ser essa formula dessa vez. Não foi capaz de vê-la sair daquela forma, em um movimento rápido se levantou a tempo de segurá-la pelo braço, envolver aquela pele de veludo tão rosada entre seus dedos.

Um silêncio pairou no ar e o que ele pretendia dizer? Difícil saber, já que nem mesmo o moreno sabia por que havia se levantado e impedido a garota de sair.

O perfume daquele cabelo rosa estava ali, tão próximo, tão tangível.

Ela não ousou se virar para encará-lo, sabia que se fizesse isso colocaria tudo a perder, mas assumia que ficar assim, sentindo os dedos dele em sua pele, ouvir a respiração dele tão próxima, balançando seus fios de cabelo. Se ela se virasse poderia beijá-lo facilmente.

E ele sabia que beijá-la deveria ser delicioso, assim como senti-la em seus braços. Por que ficava assim tão fissurado em senti-la abaixo de seu corpo era um mistério, mas só de imaginar já o deixava desconectado de seus pensamentos, e assim, aos poucos foi puxando-a, para perto. Até sentir seu queixo tocar o ombro da garota.

Não resistia a aproximação, aquele garoto acabaria com seu coração, mas qual seria o sabor daqueles lábios que insistiam em sempre estarem levemente arroxeados?

Um leve chiado se ouviu entre o silêncio da casa.

"Senhor Uchiha, a Srta. Karin está subindo."

-Merda!


Música: That's What You Get - Paramore