Sakura – obrigado pela review… e não se preocupe que eu aviso quando voltar a postar um capítulo… e se não me engano já expliq

Sakura – obrigado pela review… e não se preocupe que eu aviso quando voltar a postar um capítulo… e se não me engano já expliquei tudo acerca da situação Sakura/Syaoran/Xiang… Mal posso esperar pelo seu próximo review…

Lunamc – Esse Lee não vai voltar a aparecer… Essa personagem foi baseada numa pessoa que eu conheço… um verdadeiro cobarde…. E se ele voltar a aparecer será para o Syaoran terminar com ele definitivamente. Claro que não há muitos como o Yuki, ele é único… Obrigado pela sua review….

No último capítulo

O Syaoran começou a ir para casa quando encontrou alguém no seu caminho. A pessoa que ele não queria ver nesse momento.

Com a Sakura

Ela continuava a andar, perdida nos seus pensamentos, tentando arranjar possíveis soluções para o seu problema quando…

"Oi…"

"Oh és tu!" – ela disse quando olhou para trás viu-o acompanhado por alguém que ainda não conhecia.

"Sim sou eu!"

10 – Encontro a quatro!

O Syaoran viu que era o Eriol e regressou a casa na companhia do seu primo.

"Então estás melhor?"

"Nem por isso…"

"Como te sentes?"

"Em duas palavras… Como uma merda."

"Não pode ser assim tão mau."

"Experimenta conhecer a miúda ideal, que te completa de uma forma que não achasses possível e depois …. puff ….ela não quer mais saber de ti ou do que tinham até ao momento…"

"Wow… mas Xiao o que precisas agora é saíres, conhecer novas pessoas…." – ele disse entusiasmado com a perspectiva de arranjar um encontro para o seu primo

"Eriol…" – ele disse com tom de aviso

"Eu não me vou exceder, será algo simples, não te preocupes… até já sei a quem pedir ajuda." – ele disse com um sorriso inocente, algo que fez o Syaoran parar de andar – "O que foi?"

"Eriol, a quem vais pedir ajuda propriamente…" – ele perguntou devagar

"Não te preocupes não vou chamar a tua irmã nem a minha, pois já sei que nunca aprovarias."

"Ainda bem que me conheces tão bem…" – disse sarcasticamente.

"Okay… okay… Já percebi…. Que tal aquela?" – o Eriol disse apontando para uma rapariga que viu na rua.

"Eriol qual foi a parte de que estou de rastos por uma miúda não percebestes…" – mas o Syaoran já estava a falar para o boneco e a ser arrastado pelo Eriol.

"Oi…" – o Eriol disse

"Oh és tu…."

"Sim sou eu…"

Com a Sakura

"O que é que queres?"

"Escusas de ficar tão aborrecida… Só te queria fazer uma proposta." – a pessoa acentuou demasiado a palavra proposta que a fez tremer com o que lá vinha. O sentido que estava a dar era duvidoso.

"Desembucha de uma vez não tenho o dia todo."

"Sais comigo e deixo-te em paz. Que tal?"

"Um encontro?" – ela perguntou relutantemente.

"Sim."

"Não me voltas a incomodar?" – ela perguntou.

"Não, isto é, só se tu quiseres." – ele disse esperançoso com a possibilidade

"Duvido que isso aconteça…."

"Então concordas?"

"Para quando é que seria?"

"Próxima quinta, às 20 horas na porta da tua casa…. Então concordas…?"

"Okay…." – ela disse como se não tivesse nenhuma outra opção, este convite foi aceite para se ver livre de uma peste.

"Podias demonstrar um pouco de entusiasmo…"

"Já concordei não foi… agora desaparece." – ela seguiu o seu caminho.

Com o Syaoran

"O que é que queres?"

"Escusas de ficar tão aborrecida… Só te queria fazer uma proposta." - o Syaoran disse depois de ter sido empurrado pelo Eriol, ele sabia bem o que o seu amigo queria que ele fizesse.

"Desembucha de uma vez não tenho o dia todo."

"Sais comigo e deixo-te em paz. Que tal?" – era tudo o que ele se lembrava de perguntar para ela aceitar.

"Um encontro?" – ela perguntou relutantemente.

"Sim."

"Não me voltas a incomodar?" – ela perguntou.

"Não, isto é, só se tu quiseres."

"Duvido que isso aconteça…."

"Então concordas?"

"Para quando é que seria?"

"Próxima quinta, às 20 horas na porta da tua casa…. Então concordas…?"

"Okay…."

"Podias demonstrar um pouco de entusiasmo…" – o Syaoran pensou que mal tinha feito ele a Deus para ter que aturar alguém com tão mau temperamento.

"Já concordei não foi… agora desaparece." – ela seguiu o seu caminho.

Quando estavam os dois sozinhos, o Syaoran virou-se para o Eriol, que pela sua postura percebeu que tinha metido a pata na poça – "Muito obrigado Eriol…" – ele disse sarcasticamente – "Na quinta tenho que ir a um encontro que não me apetecia mesmo nada…"

"Não te preocupes isto é pelo melhor! Vais esquecê-la rapidamente." – ele disse convencido disso.

"Quem te disse que eu a quero esquecer!"

"Quem te ouvir falar vai pensar que eu namorava com ela."

"E não?" – ele perguntou curioso.

"Não!"

"Então porque estás assim?" – ele perguntou não entendendo porque o Syaoran estava tão em baixo.

"Porque ela entendia-me melhor que ninguém…."

"Ah…" – o Eriol gritou no meio da rua encenando uma facada no peito – "Feriste os meus sentimentos… Eu pensava ser o teu melhor amigo…."

"És mas tu não me entendes a maior parte das vezes…. Ou talvez te falte a sensibilidade feminina…." – ele deu um sorriso maroto acrescentando incrédulo pelo que estava a dizer – "O que estou a dizer…."

"Ei o que queres dizer com isso? Estás a chamar-me afeminado?" – ele perguntou ofendido.

"Eriol… Esquece…"

"Eu quer saber! O que queres dizer… Ficas desde já a saber que eu sou muito Homem…"

"Não foi isso que eu ouvi dizer…" – ele disse gozando com o primo pois nunca o tinha visto ficar tão alterado.

"O que queres dizer…Diz-me…" – ele disse agarrando a camisola do Syaoran pelo pescoço e agitando-o.

"Já disse para esqueceres…"

"Está bem… mas eu vou descobrir…" – e comeram os dois a rirem-se.

Nos dias que se seguiram o Syaoran e a Sakura evitavam olhar na direcção um do outro quando se cruzavam, quanto mais falarem é como se um não existisse para o outro e apesar de aparentarem estarem bem, óptimos, no fundo eles só queriam desaparecer.

A quinta-feira estava a chegar mais depressa do que qualquer outro dia tinha segundo eles. E por ambos terem um encontro no mesmo dia fazia-os temerem esse dia. Tinham a ligeira impressão que algo iria correr mal. Os seus colegas de casa que sabiam e andavam curiosos para saberem com quem iriam sair.

Na república dos rapazes

"Xiao Lang está tão bem vestido…" – disse o Xiang cada palavra sua cheia de veneno, pois o Syaoran ficava melhor nas suas roupas que ele – "Vais sair?"

O Syaoran vestia uma camisola verde com o símbolo yin e yang em forma de pétalas de flor de cerejeira com umas calças de ganga preta. Por cima usava um casaco de ganga que combinava com as calças. O Xiang estava parecido com ele mas tinha uma camisola azul com o símbolo do yin e yang normal.

"Não tens nada haver com isso… Mas se queres saber vou…" – ele disse relutante em deixá-lo saber que ele vai sair.

"Eu também…" – ele disse alegre, pensando com quem iria sair.

"Ninguém te perguntou nada…" – disse o Toya por alguma razão inexplicável não gostava dele.

O Xiang ignorou-o e continuou a falar – "E tenho a certeza que depois do encontro vou ter sorte…" – o sorriso malicioso que ele mostrou apenas fez com que o Toya sentisse ainda mais aversão por ele, mas nada se comparava com o que o Syaoran sentia, o Eriol e mesmo o Yukito. Sim até o Yukito com a sua calma e postura pacifista não queria mais do que calá-lo para sempre algo lhe dizia que ele tinha algo relacionado com a maneira como a Meilin era desconfiada quando se tratava de pessoas do sexo masculino interessadas nela – "E tu vais tê-la?"

"Diferentemente de ti em respeito-as e não as trato como objectos… Eriol estou no ir…" – ele disse dirigindo-se para a porta.

"Diverte-te… e Até logo…."

O Xiang saiu logo atrás do Syaoran, ambos conduziram o seu carro até ao seu destino, que acabou por ser o mesmo sítio.

Depois de o Syaoran estacionar e se dirigir à porta da casa onde morava a única pessoa que o compreendia reparou que o Xiang estava atrás dele. Virou-se para ele – "O que estás aqui a fazer? Não devias ir ter –"

Mas foi interrompido por ele – "Mas que pergunta absurda, eu pensava que eras mais inteligente" – ele sorriu maliciosamente – "Bem vou-te explicar, a pessoa com quem eu vou sair mora aqui… E tu?"

"O mesmo que tu…"

"Olha que coincidência…" – ele disse sorrindo, mas algo no seu sorriso deixou o Syaoran inquieto.

O Xiang tocou à porta, e esperaram até que ouviram do interior da casa alguém gritar "Já vou….".

De todas as pessoas que lá moram quem veio à porta foi a Tomoyo.

"Oh… Vocês estão giros…. Mas quem são vocês?" – ela perguntou não sabendo o que dois rapazes da categoria deles estariam a fazer à porta. Mas de repente ela lembrou-se porque a casa estava numa confusão – "Hahahah…. É verdade estão aqui para virem buscar a Sakura e a Gabrielle.." – ela disse excitada como uma ciança no Natal… - "Meninas os vossos acompanhantes chegaram."

"Descem já…" – o Syaoran reconheceu a voz da sua irmã. "Eu sei que não sou muito de ir à igreja, mas não a deixes descer… Não deixes a Meilin vê-lo…"

A Tomoyo começou a olhar para eles e medi-los, vendo quem fazia o tipo de quem – "Tu vais com a Sakura" – ela disse apontando para o Syaoran – "E tu com a Gabrielle."

Antes de eles poderem dizer o que quer que fosse, as duas desceram acompanhadas pela Meilin. Mal o Syaoran a viu não conseguiu tirar os olhos dela. Ela vestia um top verde sem alças com uma cria de lobo estampada, com uma saia de ganga do mesmo tom que as calças dele. Tinha ainda uma camisola verde de mangas compridas para caso tivesse frio.

A Meilin mal pôs os olhos no Xiang começou a tremer, mas reparou que o seu irmão estava ali, e rapidamente recuperou a coragem. – "Tu…." – ela disse com raiva apontando para o Xiang.

Ele olhou para ela e sorriu maliciosamente, olhou-a de alta a baixo e lambeu o lábio inferior e mordeu-o – "Oh… querida Meilin eu não te tinha visto…" – ele tentou andar até ela para a abraçar, mas nem chegou a dar um passo pois o Syaoran agarrou-o pelo braço. Agarrou-o de tal forma que ele podia sentir uma nódoa negra a formar-se mesmo por cima do casaco.

"O que estás aqui fazer… Eu tenho uma ordem judicial que não podes estar a mais de 500 m de mim…" – a Sakura ficou curiosa sobre este pequeno incidente, o que esta coisa teria feito à Meilin para ela reagir daquele jeito.

"Mas eu vou estar no próximo jantar de clãs…Quer tenhas ordem judicial ou não!" – ele disse para ele próprio – "Calma , só vim buscar esta linda flor…" – ele disse tentando dar a mão à Sakura.

"O nome é Sakura, aprende-o… da próxima vez que me chamares assim será a última…" – ela disse esquivando-se ao contacto.

"Como?" – gritou a Tomoyo, chamando a atenção de todos.

"Tomoyo o que foi?"

"Tu vais com ele?" – ele fez uma cara enojada apontando para o Xiang, ele ir com a Gabrielle era uma coisa agora com a Sakura, era simplesmente errado, já que na opinião dela o outro fazia o par ideal com a Sakura.

"Sim…" – a Tomoyo viu o ar infeliz da Sakura, que ficava cada vez mais triste ao olhar para o Xiang, só ganhando um pouco de brilho quando olhava para o Syaoran.

"Oh tive uma ideia maravilhosa!" – ela disse com os olhos brilhantes. Pensando numa solução para ajudar a Sakura.

"Diz…" – disse a Gabrielle enfadada, primeiro não lhe ligavam e para piorar tudo o seu par não tirava os olhos da Sakura e ela dele, sendo que ela era mais discreta.

"Porque não vão todos juntos. Mesmo carro, mesmo restaurante e mesmo filme…."

"Não sei…." – disse a Sakura com medo de ter que estar no mesmo local que o Syaoran.

"Não é uma má ideia… Eu topo…" – disse o Syaoran. A Sakura sabia que iria sentir-se desconfortável a noite toda, mas era melhor do que estar sozinha com o Xiang, ele dava-lhe arrepios, e não no bom sentido.

"Mas… mas… Eu queria estar sozinho contigo…." – o Xiang tentou argumentar para que a Sakura mudasse de ideias, não se apercebendo que lhe estava a dar uma oportunidade que ela iria abraçar.

"Mas o quê?" – ela disse olhando para ele seriamente – "Ou vamos todos juntos ou fizeste esta viagem para nada pois ficarei em casa poupando tempo e paciência…."

"Concordo contigo…" – disse a Gabrielle, apesar de tudo aquele rapaz não lhe inspirava confiança.

"Estás com medo Xiang Rae?" – o Syaoran sussurrou só para ele ouvir."

"Não… Vamos…" – disse o Xiang dirigindo-se para a porta.

Uma vez lá fora ele decidiu que ainda havia maneira de conseguir estar a sós com a Sakura sem a interferência do Syaoran.

"Mesmo indo num encontro a quatro, eu prefiro levar o meu carro…" – ele disse, e antes que o Syaoran pudesse dizer o que fosse ele acrescentou – "E tu o teu Syaoran…"

Fora do jardim da casa, estava demasiado escuro para o Syaoran conseguir ver com clareza o olhar que a Sakura lhe enviou, um olhar cheio de súplicas para ele não aceitar. Mas a Gabrielle viu, ela ia dizer algo mas não conseguiu – "Muito bem… tu segues-nos…"

Assim que chegaram a um cruzamento o Xiang estava a fazer tenções de mudar de direcção, mas a Sakura estava atenta – "O que pensas que estás a fazer?"

"Levar-te para outro sítio longe deles… assim todos tínhamos tempo dois a dois…"

"Se não o segues o encontro acabou aqui, e eu saio imediatamente, quer o carro esteja parado quer não… e vou de imediato à polícia apresentar queixa contra ti…" – ela disse com um sorriso vitorioso quando o viu seguir o Syaoran.

"Ainda vais ser minha…"

O restaurante que iriam jantar era o "Maison Porto" e depois iriam ao cinema, o Xiang até já sabia qual era o filme que iriam ver.

Ao entrarem no restaurante deram a indicação que iriam ser quatro, e foram guiados até à mesa deles. Desde o momento que entraram até a meio da refeição a única vez que falaram foi para fazer os pedidos. Não passava despercebido ao Syaoran que a Gabrielle de pouco em pouco tempo, 10 em 10 minutos, olhava para o telemóvel como se estivesse à espera de uma chamada.

O silêncio era confortável, não incomodava nenhum dos presentes, mas rapidamente iria ser quebrado, sendo que o resultado iria ser desastroso, e tudo porque o Xiang não se sabe conter. Quem quebrou o silêncio chamando a atenção de todos os presentes foi o Xiang, ao reparar que o Syaoran tocou levemente na mão da Sakura quando ia buscar o sal.

A Sakura e o Syaoran ficaram estarrecidos com as emoções que lhes enchiam o coração, fazendo com que a sua alma se elevasse. Foram chamados de novo à Terra quando o Xiang começou a falar. – "Saku… Posso-te chamar assim?" – a única pessoa alheia a esta situação era a Gabrielle.

"Não…" – ela disse secamente não deixando abertura para discussão – "O meu nome é Sakura. S-A-K-U-RA…Sa-kur-ra. Aprende-o e não o gastes… Nada de diminutivos…" – ela disse olhando-o nos olhos, e se o olhar matasse ele estaria morto e estendido no chão.

"Sakura" – ele disse pondo demasiada ênfase no nome dela – "Já te falei em como sou bom em artes marciais?" – o Syaoran percebeu o rumo desta conversa, ele sabia perfeitamente o que o Xiang estava a fazer. Ele estava tentar deslumbrá-la com o facto de ele praticar artes marciais e sabia que o Syaoran não o iria corrigir visto que odeia expor-se dessa maneira.

"Sério?" – ela disse sarcasticamente. O Xiang interpretou o seu tom como entusiasmada. "Vais ser minha…"

"Sim… participei em várias competições na China." – isto chamou a atenção da Gabrielle, que se lembrava claramente de ouvir a Meilin falar que o irmão dela tinha ganho várias competições.

"Ah… também participaste não foi Syaoran…" – a Sakura estava a agradecer a Gabrielle por pelo menos tomar um pouco de atenção ao que se passa ao redor dela.

"Sim, mas eu ao contrário de outros não me gosto de gabar disso."

"Oh fazes bem." – disse a Sakura agradecendo a todos os anjinhos pela dica que ele deixou – "Eu odeio convencidos." – ela sorriu quando o viu ficar nervoso por se ter gabado disso – "Mas diz lá alguma vez ficaste em primeiro?"

"Não…" – à medida que ela ia perguntando ele ia ficando mais nervoso. Começou a sentir suores frios.

"Segundo?"

"Não."

"Terceiro?"

"Não…"

"Alguma vez ganhaste algum tipo de prémio?" – ela finalmente perguntou, estavam todos com os olhos postos no Xiang para se aperceberem no sorriso vitorioso que o Syaoran tinha no rosto, por o Xiang ter perdido no seu próprio jogo.

"Só os de agradecimento por ter participado…" – disse o Syaoran baixo o suficiente só para a Sakura ouvir. Ela sorriu discretamente com isso.

"Nem por isso…" – disse o Xiang num fio de voz como quem tivesse diminuído de tamanho.

"Então porque te gabaste disso?" – perguntou a Gabrielle curiosa porque alguém iria se gabar de um feito onde realmente não tinha feito nada.

"Porque não sabia que ela dava tanta importância aos prémios e posições em que fiquei."

"E não dou. Mas tu gabaste-te disso de uma maneira que eras o melhor."

"Era só para chamar-" – ele tentou dizer mas foi interrompido

"Deixa-me dar-te uma dica não te gabes de nada sem seres realmente bom nisso, nem tentes chamar à atenção assim é simplesmente patético." – disse a Gabrielle – "Além do mais nem sabes se ela gosta desse tipo de desporto."

"Gabrielle não é o deporto que não gosto, o que eu não gosto é desse tipo de competições, prefiro assistir a uma competição de futebol."

"Esse era o desporto que o Syaoran praticou durante toda a vida escolar…" – disse o Xiang aborrecido, por mais uma vez o Syaoran conseguir brilhar aos olhos da Sakura ao contrário ele não conseguir. "Vou te levar para a cama de uma maneira ou de outra" ele pensou.

"Sério?" – perguntou a Sakura interessada, era algo que ele não lhe tinha contado.

"Não foi nada de importante, era uma distracção para passar o tempo." – ele disse, recebendo um sorriso da Sakura por ter sido modesto. O Xiang não gostou do sorriso que a Sakura lhe deu, era diferente de todos os sorrisos murchos que recebeu desde o início da noite.

"Mas que tipo de desporto praticavas?" – perguntou o Xiang, chamando a sua atenção.

"A Sakura praticava futebol e pertenceu à equipa de ginástica." – respondeu o Syaoran por ela, ao ver que ela não ia responder.

"Como sabes isso?" – perguntou a Gabrielle espantada por ele saber algo que nem ela sabia, e elas viviam juntas.

"Eu contei-lhe." – a Sakura disse como se fosse a coisa mais natural do mundo.

"Mas vocês conhecem-se?" – ela perguntou estarrecida deles saberem tanto um do outro, e estarem tão à vontade mas ao mesmo tempo mostrarem-se cordiais como só se tivessem conhecido no início dessa noite.

"Oh tu não sabes…" – disse o Xiang com um tom divertido de quem sabe um segredo que quer contar.

"Não sei o quê?" –a Gabrielle perguntou curiosa.

"A primeira vez que pus os olhos em cima da Sakura foi na nossa República onde ela estava com ele." – ele queria que a Sakura desmentisse, o que o Syaoran dissesse que era mentira, até se dava por contente se a Gabrielle fizesse um escândalo. Mas nada disso aconteceu, ele apenas despertou o interesse dela.

"Não sabia que eram amigos!" – ela concluiu

"E não somos!" – disse o Syaoran rudemente, não querendo ouvir tal assunto sobre a sua suposta amizade com a Sakura.

"Pareciam mais do que isso!" – alfinetou o Xiang atiçando ainda mais a situação, transformando-a mais grave.

"Sério?"

"Não Gabrielle, isso são só fabricações, de uma pessoa com uma mente perversa, que tem alucinações. Eu só estava fazer um favor à Meilin, quando o Syaoran quase contraiu pneumonia."

"Mas para fazer esse favor não precisavam de parecer tão amigos, quase pareciam namorados. E agora parecem que mal se conhecem. O que aconteceu?" – o Xiang estava curioso pois da noite para o dia eles mudaram na maneira de estar um com o outro.

"Nada, foi isso exactamente que aconteceu, ele melhorou o seu estado de saúde e com isso o favor que me tinham pedido terminou." – ela disse como se fosse a coisa mais natural do mundo.

"Já vi que não queres entra em detalhes." – disse o Xiang, ele queria descobrir mais sobre ela, e não bastava que era a irmã do Toya – "Não vou insistir mais sobre isso. E se nos falasses um pouco da tua família, afinal eu não sei nada sobre ti."

O jantar já estava mesmo no fim, restando apenas pagar a conta. Ela dobrou o seu guardanapo discretamente sem responder e levantou-se e num tom frio que nenhum dos presentes jamais tinha ouvido, parecia que o seu interior tinha sido congelado quando ela falou.

"Acho que já terminámos todos de comer. È melhor irmos antes de perdermos a sessão de cinema." – ela disse pegando na sua mala e camisola.

O Syaoran tirou a carteira dele e retirou cerca de 100€ para pagar o jantar dele e da Gabrielle, mais o da Sakura.

"Li isso é muito só para ti e para a Gabrielle." – ela disse apercebendo-se da sua intenção.

"Como o Xiang só retirou ainda o suficiente para pagar o dele… eu…." – ele disse incerto.

"Não ele convidou-me para sair, ele é que paga… A não ser que ele não tenha suficiente para isso…" – ela disse implicando que o Xiang era pobre ou forreta.

"Eu pago!" – ele depressa retirou mais dinheiro da sua carteira mas antes de pousá-lo – "Mas tens que me responder a uma pergunta. Diz porque não queres falar da tua família?"

O Xiang nem se apercebeu o que aconteceu. Um momento ele estava a olhar para ela no seguinte ela estava a dirigir-se para a saída do restaurante com a Gabrielle a reboque, sem lhe dar nenhuma resposta. Ele ficou a olhar para as suas costas até que a porta se fechou atrás dela.

"Tu és mesmo um anormal!" – o Syaoran declarou e retirou o dinheiro para pagar a parte da Sakura.

"O que pensas que estás a fazer?"

"Não é óbvio, estou a pagar a conta dela, sem chantagens, como um verdadeiro cavalheiro deve fazer. Sabes…" – ele disse e depois sorriu e adicionou num tom mais elevado para todos ouvirem – "Esqueci-me! – ele declarou como se tivesse feito um erro terrível – "Tu não és um cavalheiro, por isso não te sabes comportar como tal… Admiro-me como ainda não foste deserdado, afinal tu só trazes vergonha para o nome da tua família…"

"E trouxe à tua também graças à tua irmã…" – ele disse entre dentes, as suas palavras cheias de veneno. Ele estava a tentar atingir o Syaoran onde ele sabia que lhe doía mais, mas enganou-se na resposta que teve dele.

"E mais uma vez desgraçaste o nome da tua família, mesmo que a minha irmã tenha sido submetida àquele teste horroroso que provou a sua inocência, perdeste num duelo comigo, à frente de todos os clãs, e eu nem te deixei k.o pois tu suplicaste para poupar a tua vida… Lembras-te…" – ele disse vitorioso, ao observar a cara do Xiang contorcer-se de raiva.

"Tu dizes que eu não sei tratá-la bem… mas é a minha maneira de a ter na minha cama esta noite ou mesmo no meu carro. O que achas disto?"

"Não quero saber quem te aquece a cama ou não…" – ele disse com os dentes semi-cerrados e os punhos fechados – "Só creio que não saibas quem é o irmão dela…" – ele disse vitorioso, ou ver a cara do Xiang que de um sorriso malicioso passou para terror.

"Não… mas de certeza que não importa ou que eu o conheça…"

"Oh mas importa… e conheces…."

"Não pode ser o Toya visto qu-"

"Mas é…" – ele disse sorrindo ao ver que a sua expressão se agravou e dirigiu-se para saída.

"Não importa ela vai ser minha."

Entretanto

"Gabrielle, peço-te imensas desculpas por ter-te arrastado dali, sendo que tu ainda mal te tinhas levantado…." – ela começou a desculpar-se, depois de se ter acalmado.

"Não há problema, aquele Xiang estava a ser um idiota mesmo. Eu já percebi que ambas preferíamos estar noutro sítio ao invés de estar aqui…"

"Ele ainda não te ligou?"

"Quem?" – a Gabrielle perguntou olhando para a enésima vez para o seu telemóvel.

"O teu namorado claro. Eu não sou burra."

"Eu sei… e não ele ainda não ligou…" – ela disse suspirando – "Não me leves a mal o Li, é um rapaz impecável mas não se compara com o meu Pierre."

"Percebo."

"Mas o teu problema, não é com ele pois não?"

"È assim tão óbvio." – ela perguntou pensando que tinha disfarçado bem os seus sentimentos

"É… eu sei que não estou a ser a melhor companhia para ele, mas tu com o outro…"

"Sinceramente…. Neste momento eu queria estar longe dos dois."

"Porquê? Eu sou da mesma opinião que a Tomoyo."

"É complicado."

"Porquê?"

"Porque…"

De repente ela viu a Gabrielle aos saltos, agarrada ao telemóvel. A Sakura percebeu imediatamente que era uma chamada do namorado.


Quando o Syaoran saiu do restaurante reparou que a Sakura estava encostada a olhar para a Gabrielle que falava ao telemóvel. Ao ouvir a porta fechar ela olhou para o lado e viu o Syaoran aproximar-se dela.

"Obrigada…"

"Porque me está a agradecer?"

"Por me teres ajudado lá dentro quando ele tentou falar da minha família…" – ela disse sorrindo para ela "E por teres pago a minha parte…"

"Oh isso…"

"Sim… não precisavas visto que estás a sair com a Gaby."

"Só retornei um favor… Agora estamos quites…" – ele não reparou que o sorriso dela desapareceu rapidamente.

"Okay…" – ela disse num fio de voz "Foi só por isso… pára de te iludir, isto foi o que tu quiseste ele à distância agora não podes pedir mais…"

"Bem é melhor irmos indo para o cinema antes que percamos a sessão como tu disseste Sakura." – o Xiang disse ao sair do restaurante.

Ele agarrou a mão da Sakura e começou a puxá-la, ela estava relutante em ser arrastada por uma pessoa que ela despreza a sua simples existência.

"Ei… Pára de me puxar… eu sei anda sozinha perfeitamente… muito obrigado." – ela disse ao tentar retirar a sua mão da dele.

"Eu sei… mas assim é que é num encontro mais romântico…." – ele disse.O Syaoran caminhava atrás deles com a Gabrielle ao seu lado, mas por mais que tentasse não conseguia tirar os olhos da Sakura.

Algo não batia certo para a Gabrielle, ela não sabia o que era exactamente, mas não iria dizer nada para os ajudar, afinal não faz parte da sua natureza ajudar os outros só ela própria e neste momento estava preocupada com a demora do seu namorado não lhe ligar. E segundo o seu colega de quarto na sua faculdade ele tinha saído acompanhado por uma miúda. "Ele não me pode estar a trair… será que ele está… afinal há dias que ele não me liga… Gabrielle não penses nisso… ele ama-te… ama-te!"

"Mas eu não sai contigo para seres romântico…" – ela tentou retirar a sua mão pelo caminho todo até ao cinema, mas todas as vezes que ela tentava ele apertava com mais força.

"O que vamos ver?" – perguntou a Gabrielle olhando para a quantidade de filmes em exibição…"

O Xiang viu um que lhe interessou e rapidamente foi comprar quatro bilhetes. Libertando assim a mão da Sakura. A Gabrielle foi comprar pipocas enquanto os outros dois Ao chegar ao cinema ela ficou aliviada por o Xiang lhe ter liberto a mão.

A Sakura reparou que a sua mão estava branca e tinha a marca dos dedos dele. Ela massajou-a para voltar a senti-la, sem que nenhum dos outros se apercebesse, o Syaoran ajudou-a nessa tarefa muito discretamente.

"Não precisavas de o fazer…"

"Não há problema, tu só estavas a fazer pior…" – ele disse continuando a massajar a mão dela – "Viste como nova…" – ele disse largando a sua mão. Ambos sentiram falta da mão um do outro.

Nenhum deles disse nada ao entrarem na sala de cinema. Os lugares que lhes estavam designados eram na mesma fila. Primeiro estava a Gabrielle depois o Syaoran, a Sakura e por fim o Xiang.

"Que tipo de filme vamos ver?" – perguntou a Gabrielle.

"Um dos mais românticos." - disse o Xiang."

"Qual? O "Sweet home alabama"?"

"Não o "The hills have eyes" é um óptimo filme."

"Oh eu acredito que será…." – disse a Gabrielle.

"Eu não…" – murmurou a Sakura. Só o nome do filme a fazia tremer. Ela sabia que aquele era o novo filme de terror. "Porque eu acabo sempre nestas confusões?"

Subitamente as luzes começaram a diminuir e a Sakura começou a ficar mais nervosa, com medo e a tremer visivelmente, que nem se dá conta quando alguém lhe dá a mão, e lhe transmite segurança. Ela olha para o Syaoran, com os olhos marejados de emoção.

Ele inclinou levemente a cabeça para ela e sussurrou – "Eu sei que tu não gostas. Não precisas de dizer nada."

"Obrigado!" – ela inclinou a sua cabeça sobre o ombro dele, de modo ser ais fácil esconder a sua cara durante o filme.

O filme começou e a Sakura mal aguentava olhar, preferindo esconder a sua cara no ombro do Syaoran. Eles já não estavam de mãos dadas, o Syaoran já tinha o seu braço sobre os ombros dela, puxando-a para si e protegendo-a, transmitindo-lhe segurança. O Xiang tentou dar-lhe a mão mas ela repeliu-o e colocou essa mão mais perto do Syaoran, que a segurou com a sua outra mão. O Xiang voltou novamente a tentar segurara a sua mão, mas não conseguiu, tentou diversas vezes mas todas foram falhadas, até que tentou ser mais atrevido e tocar-lhe na coxa que a sua saia deixava descoberta. Mas qual não foi o seu espanto quanto só sentiu o almofadado da cadeira. Olhou de esguelha para ver o que se passava, e ficou completamente estarrecido que se virou completamente para ter a certeza que não estava a imaginar coisas.

Fechou os olhos e esfregou-os pois não querendo acreditar no que via. O Syaoran estava, segundo ele, completamente grudado na Sakura como uma sanguessuga, e ela não fazia por menos retribuía o abraço, escondendo o seu rosto no seu pescoço.

A Gabrielle estava frustrada, desde o seu namorado não ligar a saber que ele tinha saído com outra, agora que finalmente se apercebeu que tipo de filme é que era queria dar a mão ao Syaoran para se sentir ligeiramente protegida, mas reparou que a sua mão já estava ocupado, aliás, se não existissem as divisórias entre as cadeiras do cinema, a Sakura estaria sentada ao colo dele. Como é que eles podiam continuar a negar que não havia nada entre eles que tinha sido só um favor. Depressa se esqueceu disso tudo porque recebeu uma mensagem.

Quem olhasse por trás, pensaria que as pessoas que ocupavam aquelas quatro cadeiras, duas tinham vindo sozinhas, e duas eram um casal tremendamente apaixonado.

"Fogo! Isto é inacreditável… Ela saiu comigo… Eu escolhi o filme… Ela devia estar agarrada a mim… Xiao Lang, tu pagas-mas!"


Ao saírem do cinema cada um sentia-se de maneira diferente, a Sakura sentia-se calma e segura, o Syaoran contente, a Gabrielle feliz (finalmente o seu namorado estabeleceu contacto) e o Xiang chateado.

Depressa isso iria mudar pelo menos para duas pessoas.

Ambos se encaminharam para onde tinha deixado os carros. Desta vez o Xiang não conseguiu agarrar na mão da Sakura, pois ela enviou-as dentro dos bolsos do seu casaco.

"Bem." – disse a Sakura – "Agora que já jantámos e fomos ao cinema, está na hora de ir para casa…"

"Ah já? É tão cedo." – disse o Xiang.

"Primeiro amanhã é dia de aulas… Segundo o encontro era só para jantar e uma ida ao cinema nada mais… Leva-me para casa…" – ela disse – "Senão eu peço ao Syaoran?"

"E como lho vais pedir se ele não está aqui…"

Ela finalmente reparou que o Syaoran já se tinha ido embora com a Gabrielle – "Não importa eu telefono-lhe… ou melhor ainda o meu irmão iria…"

"Entra no carro…" – ele disse.

No caminho ele tentou novamente puxar o assunto sobre a sua família, mas ela rapidamente lhe cortou as vazas.

"SE voltas a perguntar-me isso mais uma vez eu saio do carro mesmo em movimento… E ao invés de ir para casa vou falar com o meu irmão…" – ela disse com uma voz fria. "Porque é que a minha família é tão importante… Eu não quero falar deles…"

O Xiang tentou mudar de táctica, ele realmente queria-a. Mas por mais que tentasse ela não dizia nada.

"Importas-te de me levar para casa?" – ela disse reparando que ele não a estava a levar a casa.

"Eu pensei que talvez quisesses passear mais um pouco para nos conhecermos melhor…"

"Eu por acaso pareço interessada em ir em algum sítio contigo? Não… Leva-me para casa. A-g-o-r-a…"

E o silêncio instalou-se no carro, era um silêncio desconfortável, mas por qualquer motivo só parecia incomodar o Xiang. Ele inverteu a marcha do carro e começou o caminho de volta à República dela.

Entre o Syaoran e a Gabrielle

Ao contrário do Xiang ele tinha levado a Gabrielle directamente para casa.

"Gostei muito da tua companhia…" – ele disse educadamente

"Mas é melhor não voltarmos a sair." – ela disse terminando por ele.

"Espero que não fiques chateada…"

"Não estou… Este encontro foi um engano, apesar de ter-te conhecido, e seres uma pessoa impecável. Tu nunca deverias ter saído comigo quando preferias estar com outra pessoa."

"O que estás para aí a dizer? Tu é que tiveste a noite toda à espera que alguém te ligasse."

"Li, eu posso ser muita coisa, mas burra não sou. Tu preferias ter ido só com a Sakura."

"O quê?"

"Não foi só um favor que ela fez… é algo mais profundo. Talvez devas sair com ela."

"Vou pensar nisso…."

"Pensa mesmo, porque é óbvio que algo se passa entre os dois." – e ela entrou dentro de casa. O Syaoran sentou-se nas escadas a pensar naquilo que a Gabrielle lhe disse. "Se ao menos fosse assim tão fácil… Ela jamais aceitaria tal pedido… A Gabrielle está enganada."

Ele levantou-se e dirigiu-se para fora do jardim quando começou a ouvir um carro a aproximar-se. Sem qualquer intenção ele olhou para o relógio e reparou que tinha passado uma hora desde que ele chegou para deixar a Gabrielle.

Bem chegámos eu levo-te até à porta…"

"Não é preciso…"

"Claro que é…" – o Xiang levou-a até à porta muito devagar para prolongar ainda mais o encontro, pelo cominho cruzaram-se com o Syaoran, e a Sakura olhou para ele e ele para ela, eles continuaram a olhar um para o outro até que tiveram que seguir o seu caminho. O Xiang apercebeu-se da troca de olhares entre os dois.

"Então parece que já chegaste."

"Já não era sem tempo. Vou entrar…"

"Não tão depressa, afinal, um encontro entre um cavalheiro e uma dama nunca termina assim."

" E o que sabes tu disso. TU nem sequer a minha conta pagaste. O Syaoran foi o único cavalheiro esta noite. Por isso com licença eu tenho mais que fazer do que perder o meu tempo contigo." – ela virou-se para entrar quando o sentiu puxá-la de volta pela sua mão esquerda.

"Boa noite…" – ele disse aproximando os seus lábios dos dela "Já és minha…"

SLAP

Com a sua mão direita a Sakura acertou-lhe com uma violência que o fez virar a cara para o lado oposto. Ele era capaz de jurar que tinha parido um dente.

"Nunca… mas mesmo nunca mais me tentes beijar… Estamos entendidos…" – ela disse com raiva, uma emoção que jamais tinha sentido.

"Sim… Quando voltamos a sair?" – ele perguntou esperançoso.

"Tu deves ter um problema qualquer mental. Mas eu vou dizer-te à mesma… Nunca mais… Foi um único encontro, sem repetições…."

"Mas tu tens…"

"Eu não tenho nada… Desaparece…" – ela tentou voltar a entrar em casa, mas ele segurou-a pelo braço.

"Larga-me, antes que te arrependas!"

"Eu já percebi o teu jogo…" – disse ele largando o seu braço.

"Jogo? Diz lá então que jogo é que percebeste… Oh génio de meia tigela…" – ela gozou com ele, deixando-o ainda mais furioso, mas ele não iria deixar isso em branco.

"Não gozes comigo…"

"Não me faças perder tempo… tenho mais que fazer do que ouvir o que quer que seja que me tenhas para dizer, afinal tu és insignificante…"

"Posso ser insignificante, mas eu já vi que tu está de quatro…"

"Então eu agora sou um animal para estar de quatro… Tu és patético…"

"Sim de quatro… Completamente apaixonada pelo Xiao Lang…." - Ela ficou petrificada com o que ele disse – "Mas se pensas que será tão fácil ficares com ele-"

"O que estás tu para aí a dizer? Para começar tu não tens nada haver com a minha vida pessoal… nada. Mas eu satisfaço-te a curiosidade não estou apaixonada muito menos por ele… mas se eu estivesse, nada nem ninguém iria atrapalhar… nem mesmo tu…! Agora nunca mais te aproximes de mim…" – ela disse entrando em casa.

Ao fechar a porta atrás dela reparou que estavam todas de volta da Gabrielle presumiu que estavam a falar do encontro e agora todos os olhos estavam nela.

"Não quero falar disto hoje, amanha ou para a próxima semana. Estamos entendidas?" – elas todas afirmaram e a Sakura subiu as escadas para o seu quarto.

"Gabrielle porque ela está assim?" – perguntou a Nakuru?"

"Não sei. E como ela não quer falar disso eu vou respeitar a sua decisão." – e continuou a contar sobre as mensagens que o seu namorado lhe enviou.

A Meilin não estava a gostar da conversa pois a Gabrielle parecia mais concentrada em falar do seu namorado do que do Syaoran… "Aquela cabra saiu com meu irmão, e só pensa no namorado… Pobre Xiao deve ter tido uma noite terrível…".

A Meilin reparou, nos movimentos quase imperceptíveis da Tomoyo par tentar sair da sala, para ir ter com a Sakura. Ela simplesmente tocou-lhe no ombro indicando-lhe para ficar que ela iria.

No quarto da Sakura e da Tomoyo

A Sakura fechou a porta suavemente, e deixou as lágrimas rolarem pelas suas bochechas. Estava tão concentrada na dor intensa no seu peito e nas memórias do encontro, principalmente do Syaoran que não se deu conta quando a Meilin entrou.

"Sakura… O que se passa…?" – perguntou a Meilin sentando-se na cabeceira da cama dela afagando-lhe os cabelos.

"Porque é que me deixaste sair com ele?"

"Com quem?"

"Tu sabes bem com quem… Foi horrível Meilin, ele não presta, ele nem o meu jantar quis pagar sem chantagem…"

"Sakura pelo menos a tua reputação está intacta, e se o Syaoran não estivesse contigo eu jamais te deixaria ir…"

"Mas ele é tão desprezível. Ele é a pior coisa que já vi…"

"O que ele te fez?"

"Tentou fazer-se de importante, tentou denegrir a imagem do teu irmão… e até a tua eu aposto… Depois arrastou-me pela rua, quase me partiu a mão… tentou-me beijar…e…"

"E…"

"…"

"Sakura diz-me o que se passa, o que te deixou tão transtornada… não pode ser só isso a Sakura que eu conheço é forte e não se deixa abater com tanta facilidade…"

"Ele expôs à Gabrielle que eu conhecia o teu irmão e…."

"E…"

"Ele expôs os meus sentimentos pelo teu irmão…"

"Canalha… Mas que sentimentos…"

"Tu sabes Meilin…"

"Tu estás a gostar dele não estás?" – a Sakura continuou a chorar mais violentamente.

"Estou… mas não posso…"

"Porque não…"

"Tu sabes bem…"

"E depois tu tens direito a um pouco de felicidade…"

"Mas ele também disse que não seria fácil ficar com ele… como se fosse impossível… como se eu não o merecesse… Claro que não mereço…"

"Claro que mereces…"

"Mas Mei… Seria horrível… eu não e posso apaixonar nem namorar com ele…"

"Pois nunca se sabe do futuro simplesmente não o feches da tua vida… ele já é uma parte tão importante…"

"Mas…"

"Sakura… o meu irmão é tal como tu ambos merecem ter uma oportunidade de serem felizes…Pelo menos tenta ser amiga dele…"

"Mei… nós tentámos não dá…"

"Tenta outra vez… é melhor do que te ver assim, triste pelos cantos…" – ela disse limpando-lhe os olhos – "Não te preocupes com o Xiang… ele não merece que lhe dês importância… Mantém-te afastada dele…"

"Mei tenho medo…"

"Tu medo… de quê?"

"De me apaixonar…"

"Que mal seria isso…"

"O meu avô…" – ela disse – "Aliás a minha família, iria-se opor…"

"Bem pensamos nisso depois… agora descansa… não penses no Xiang pois cão que ladra não morde… e qualquer coisa… eu posso sempre ir à polícia dizer que ele não respeitou a ordem do tribunal…" – a Sakura riu-se com isso… - "é bom ouvir-te rir…descansa…"

E a Meilin saiu do quarto após tapara a Sakura.

"Porque a minha vida tem que ser tão complicada… Eu só queria ser feliz…" – e continuou a chorar.

Ao adormecer as suas lágrimas continuavam a cair dos seus olhos, era como se até os seus sonhos estivessem a causar-lhe dor e sofrimento.

Quando a Tomoyo finalmente se foi deitar, reparou como ela estava, limpou-lhe o rosto e afagou-lhe o cabelo sussurrando – "Kura o que se passou? Ninguém merece passar o que tu passas… Mas tem fé… vai correr tudo bem… Tudo vai dar certo…." – ela beijou-lhe a testa e preparou-se para dormir.

República dos rapazes

"Wow… Syaoran ou o encontro correu muito mal… ou não correu…" – disse o Toya quando o Syaoran entrou na cozinha, reparando na expressão de raiva na sua cara.

"Não quero falar do maldito encontro…" – ele disse preparando-se para sair com o copo de água quando o Eriol e o Yukito apareceram.

"Oh correu assim tão mal…" – disse o Eriol em tom de gozo. O Syaoran mandou-lhe um olhar que dizia "A culpa é toda tua."

"Eriol eu acho que não devias dizer nada." – o Yukito disse, sendo o ais sensato dos três.

"Ele é meu primo…" – o Eiol disse como se isso fosse uma grande coisa – "Va lá Xiao conta lá o que fizeste para estragar o encontro…"

O Syaoran não respondeu…

"Ignoraste-a… Insultaste-a… disseste algo impróprio… olhaste para outra? Va lá eu estou a ficar sem opções aqui.

Crash

O copo que o Syaoran tinha ido buscar à cozinha quando o Toya o viu partiu-se na sua mão, e no chão apareceram gotas vermelhas, de sangue. ELE nem tinha reparado nisso.

"Já te disse que não quero falar disso!" – e saiu de rompante, trancando-se no escritório.

"Eriol acho que foste longe demais."

"Não te preocupes Yukito aquilo passa-lhe."

Passado três horas o Syaoran saiu do escritório para ver se o Xiang já tinha chegado… ele ainda não tinha aparecido. O Syaoran não queria admitir a possibilidade dele ter realmente levado a Sakura para quem. "Ele não pode tocar em algo tão puro…" ele cerrou os punhos e sentiu um dor lancinante na sua mão esquerda.

"Tenho eu tratar disto…" – ele disse dirigindo-se a uma das casas de banhos com a mala de primeiros-socorros. Não seria a primeira vez – "pelo menos não há vidros no interior."

Depois de fazer um curativo na mão, sentou-se no sofá à espera que o Xiang aparecesse, mas nada… "Deve ter morrido… Até que nem seria tão mau…" – ele pensou com sorriso feliz, mas depois lembrou-se que a Sakura provavelmente estaria com ele – "Ou se calhar ….". Esperou por duas horas, nada, nem se ouvia um único barulho na rua.

Eram quatro da manhã quando o Syaoran decidiu ir deitar-se, no dia seguinte teria que se levantar cedo.

Na manhã seguinte

"Syaoran já está na hora?" – perguntou o Eriol com voz de sono ao ver o primo à janela, quando este não lhe respondeu, olhou para o relógio, e mesmo sem os óculos percebeu que eram 5h30 faltava ainda uma hora para ter que se levantar. De seguida olhou para a cama do primo e reparou que ainda estava feita, olhou para ela agora com os óculos postos e reparou que ele ainda estava com roupa do dia anterior.

"Syao…"

"Ele ainda não voltou…"

"Quem?"

" O Xiang…"

"E desde quando tu te preocupas com esse filho da mãe?"

"…"

"Syaoran conta-me o que aconteceu ontem, só assim te posso ajudar…." – disse o Eriol ajeitando os óculos na cara.

"Não há nada que possas fazer… aliás já disse que não quero falar sobre isso."

"Tu precisas de desabafar…" – ele sentou-se na sua cama, disposto a arrancar toda a informação possível do seu primo – "Vá Lá… Algo aconteceu ontem, e não me digas que não foi nada. Pois se fosse realmente nada, tu neste momento não estarias a fugir…."

Finalmente o Syaoran tinha atingido o seu limite, e o seu primo não estava a ajudar em nada – "O que queres ouvir… que o encontro foi um desastre… porque foi…."

"Como?"

"Isso mesmo que ouviste, a única altura que a minha acompanhante, que tu escolheste no meio da rua, me deu atenção foi quando teve medo durante o filme e mesmo assim não largou o telemóvel como foi durante o resto da noite."

"Mas o que tem o Xiang a ver com isso…."

"Tivemos um encontro a quatro…" – o Eriol continuava sem perceber – "Ele estava com ela."

"Ela quem."

"Ela" – ele disse novamente não conseguindo dizer mais nada.

"Oh ela… Mas o Xiang não disse que hoje ia ter sorte?" – perguntou o Eriol, não se apercebendo que era exactamente isso que estava a deixar o Syaoran chateado.

"Então imaginas o que o Xiang fez a noite toda. Especialmente visto que ele ainda não chegou."

"Syaoran…"

"Não digas que nada aconteceu pois para ele não ter chegado até agora de certo que aconteceu…"

"Xiao Lang…" – o Eriol disse usando o seu verdadeiro nome – "Tem calma quando ele chegar tu logo saberás, mas será bom acreditar na palavra dele? Não te esqueças que ele quase deu cabo da reputação da tua irmã."

"Eu bem sei, mas só ele me poderá dizer o que aconteceu."

"Syaoran há algo que não me estás a contar." – ele perguntou desconfiado.

"Nada."

"Syaoran…"

"Vou tomar banho e arranjar-me para as aulas…."

"Mas Syaoran ainda falta…" – era tarde demais o Syaoran já tinha saído.

O Eriol voltou-se a deitar olhando para o tecto e viu a claridade aumentar no quarto à medida que o sol ia nascendo, não conseguiu voltar a adormecer por estar preocupado com o seu primo. Nunca o tinha visto assim

"Syaoran… Xiao Lang… O que se passa contigo…." – ele disse – "Desde que viemos para o Japão anda tudo louco. A minha irmã mais calma do que é normal, muito mais clama, não me chateia, a Meilin anda menos agressiva e mais feliz e espevitada como a prima, o Syoarna parece que se apaixonou por uma anjo, do modo como fala dela. E eu, bem eu perco completamente a postura perto daquela deusa… Realmente estamos todos loucos… Se os nossos pais sabem estamos feitos…"

"Ainda estás assim?" – perguntou o Syaoran ao entrar novamente no quarto somente com uma toalha enrolada à cintura.

"Hum?"

"Acorda…" – ele disse – "Vai-te arranjar para nos irmos embora."

"Syaoran não devias ir ás aulas hoje…."

"Porquê?"

"Porque não descansaste nada… e até há pouco tempo estavas doente…"

"O que andaste a fumar? Tu sabes bem que nada me impede de ir ás aulas ou a qualquer outro tipo de compromisso…."

"Mas tu não está em condições…." – o Eriol rebateu "Pelo menos emocionais não estás…"

"Porquê? Por causa de uma miúda? Nem parece que me conheces…" – disse ele, estava a começar a ficar chateado, o banho de certo modo tinha-o acalmado.

O Eriol viu que o Syaoran não estava para conversas, levantou-se da cama e encaminhou-se para porta – "ás vezes parece que já não te conheço." – e saiu.

O Syaoran ficou sozinho no quarto tendo somente como companhia o silêncio e a escuridão que ia desaparecendo aos poucos, o sol estava a nascer e ia iluminado o quarto, começando a aquecer o quarto, mas essa luz e calor não atingia a sua alma.

Com o nascer do sol, o silêncio foi desaparecendo com os barulhos de um novo dia.

"Eu também já não me conheço… O que fizeste comigo só em 3 dias….?" – ele perguntou mas não obteve qualquer tipo de resposta.

Ficou perdido a olhar pela janela à espera que a resposta aparecer quando o Eriol estalou os dedos em frente dele acordando-o do seu estado anterior.

"Meu… parecia que estavas mortos… nem parecia que respiravas…"

"Esquece vamos embora…." – ele disse deixando transparecer que não queria falar sobre o assunto

"Syaoran…" – chamou o Eriol quando eles estavam a descer as escadas – "quando é que lhe vais dizer que a amas?" – ele disse com um sorriso enigmático.

"Fecha essa matraca… antes que eu o faça por ti…."

"Escusas de ficar assim…" – ele disse olhando para o relógio – "olha para isto é a primeira vez que estou pronto antes da hora…"

"O quê? Agora queres um prémio por isso?"

"Escusas de ser sarcástico."

Ao descerem até à cozinha repararam que havia mais barulho do que era costume, visto que nenhum deles gostavam de se levantar cedo. Este tipo de algazarra só era normal quando um deles chega tarde com uma história mirabolante para contar.

"Parece que o Xiang já chegou…" disse o Eriol

"Achas?" – disse o Syaoran sarcasticamente.

"Syaoran… Eriol entrem e ouçam a história que o Xiang tem para contar é melhor que as minhas…" – disse o Yamazaki.

"Mas o Syaoran sabe metade da história …" – ele disse com um sorriso – "Aliás eu não devia contar afinal um cavalheiro não conta este tipo de coisas."

"Oh estão a falar de ontem… E cavalheiro tu? Só podes estar a gozar…. Afinal que tipo de cavalheiro não paga o jantar à sua acompanhante e deixa-a incomodada com perguntas que ela não quer responder…." – ele disse reparando no quão vermelha a sua bochecha estava.

"Foi?" – o Toya já não estava a gostar da conversa algo lhe dizia que o que ele estava a contar antes deles entrarem era mentira.

"Sim…" – disse o Xiang relutante afinal tinha deixado de fora aquela parte, e não estava a gostar do modo como o Toya estava a olhar para ele – "Mas a melhor parte foi de pois…"

"Depois quando?" – perguntou o Yukito não gostando da atitude do Xiang nem um pouco.

"Depois do Syaoran voltar para casa, ela pediu-me para esperar um pouco e ficámos os dois na conversa a noite toda… abraçados para nos protegermos do frio… Não tive a sorte que esperava mas pelo menos rendeu-me um beijo… e que beijo…" – disse ele olhando para o Syaoran. "Sakura eu disse-te que não irias ficar com ele… afinal ele agora não vai querer saber de ti…" ele começou a rir-se no seu interior.

"Vais voltar sair com ela?" – perguntou o Yamazaki.

"Ainda não sei…" – ele disse pensativo relembrando-se da sua bochecha que continuava a latejar de dor – "Ela só me deu um beijo e eu gosto de mais acção no primeiro encontro…"

"Gostas?" – perguntou o Eriol desconfiado.

"Claro que sim…"

SLAM

O Syaoran tinha saído de casa com uma rapidez que nenhum dos outros se deu conta. Ela não conseguia ouvir mais. Cada palavra que o Xiang dizia era como uma noca facada no seu peito.

"Parece que o Syaoran não gostou que tvesse sorte…" – ele disse tristemente.

"Deveras que deve ter sido só isso…" – disse o Yukito não acreditando, algo não batia certo "A não ser que ele tenha saído com a Sakura… MAS é impossível a Sakura jamais se deixaria beijar por alguém assim…"

"Interessante…" – disse o Eriol.

"O que é interessante Hiiraguizawa?" – perguntou o Xiang, ele não gostava como os olhos azul meia-noite olhavam para ele, era como se lhe estivesse a ler a alma.

"Que gostes de mais acção…" – disse o Eriol – "Eu realmente pensava que gostavas era de mentir e de arruinar a reputação… de raparigas que não te passam cartão."

"Eu nunca fiz isso…" – ele disse com a voz a tremer. Por momentos ele tinha-se esquecido que o Eriol e a Meilin eram primos

"Não?!" – ele disse com raiva – "Queres que eu comece a contar… Sabes tens muita sorte… Muita sorte mesmo porque a irmã não era minha… e tiveram pena de ti… mas pode ser que um ia ela acabe de vez…"

"Não vai ser tão cedo…" – disse o Xiang ao perceber que ele não iria falar.

"Talvez mais cedo do que tu pensas…." – disse o Yukito ao sair da cozinha com o Eriol, ambos iriam juntos para a escola nesse dia.

Casa das flores da Primavera

"Alguém viu a Sakura…" – a Tomoyo perguntou descendo as escadas a correr ainda em pijama.

"Não. Mas o carro dela ainda está lá fora…" – disse a Nakuru espreitando pela janela – "Por isso ela não pode estar muito longe…"

Todas começaram a procurá-la pois a casa era grande.

"Não está no escritório…" – disse a Naoko

"Nem na cozinha…" – disse a Rika

"Nem no segundo andar…" – disse a Meilin

"Nem no terceiro." – disse a Gabrielle.

"Onde é que ela estará…" – a Tomoyo começou a choramingar.

"Já viste se as coisas dela estão no quarto?" – perguntou a Meilin

"Não… eheheh… esqueci-me…" – mas lembrou-se de algo de repente e começou a correr escada acima como se a sua vida dependesse disso, com todas as outras atrás dela "Sakura espero que não te tenhas ido embora…. Por amor de Deus não tenhas regressado a casa ou desaparecido por completo…"

Ao entrar no quarto reparou que os seus cadernos e livros para as aulas desse dia não estavam em cima da mesa, nem a sua mala. Os seus ténis favoritos também não estavam em lugar algum. Ao abrir o armário reparou que faltavam umas calças de ganga azuis desbotadas e uma camisa azul clara.

"Uff … Parece que foi só para as aulas…" – ela suspirou – "Não se preocupem ela já foi para a faculdade…" – ela disse ao voltar-se reparando que todas estavam à entrada do seu quarto.

"Sem carro?" – perguntou a Nakuru. Achando estranho alguém ir a pé quando poderia fazê-lo comodamente num carro.

"Não se preocupem ela está habituada…" – a Rika começou a explicar – "Melhor ainda faz parte dela. Nunca houve um único dia enquanto andámos na escola que ela chegasse a horas, nem mesmo na pré-primária quando era o pai que a levava. Era sempre em cima da hora… Por isso estranhámos ela levantar-se tão cedo…"

"Mas isso não explica porque ela não levou o seu carro…" – disse a Nakuru.

"Ela precisava de espairecer…" – disse a Meilin – "è melhor irmos… com esta busca pela Sakura acabámos por nos atrasar…."

Todas estavam prontas para sair até a Tomoyo…

"Tomoyo sei que em Design mas ires de pijama para a escola não será melhor ideia…" – disse a Nakuru, o que causou a Tomoyo a correr novamente escadas acima e 5 minutos depois de ouvirem coisas a caírem e gritos de dor, viram a Tomoyo descer.

E saíram todas para as aulas.

No campus da faculdade

Ainda era cedo quando a Sakura chegou, haviam apenas alguns carros estacionados no parque de estacionamento e não se via mais do que 3 pessoas no campus.

A Sakura nem estava cansada da sua caminhada de casa até ao campus, mesmo sendo 40 minutos a pé ela teve mais que tempo afinal tinha saído de casa ás 6 da manhã, tendo mais que tempo para pensar e organizar os seus pensamentos.

E em primeiro lugar nos seus pensamentos estava o Syaoran e a necessidade que ela tinha para falar com ele ou somente vê-lo.

As palavras que a Meilin lhe disse estavam gravadas na sua mente.

"Sakura… o meu irmão é tal como tu ambos merecem ter uma oportunidade de serem felizes…Pelo menos tenta ser amiga dele…"

Ela viu quando o carro dele passou por ela, há cerca de 20 minutos por isso tinha certeza que o ia encontrar. Mas agora que estava à entrada do campus não conseguia entrar.

Sakura PdV

Sakura chegaste até aqui… tens que te mexer e entrar, se não for para vê-lo para ires para as aulas….

Fim de PdV


O Syaoran estava sentado nas escadas do edifício onde iria ter aulas.

Syaoran PdV

Aaargh… porque deixei que o Xiang me afectasse tanto…

Ele já mentiu antes…

Mas desta vez eu não consigo acreditar que fosse mentira por mais que quisesse…

Fim de PdV

Ele estava a olhar em frente sem ver nada… estava perdido nos seus pensamentos quando ouviu ao longe um ramo a partir-se. Olhou para o lado e viu a Sakura a caminhar para ir para o seu edifício… Algo nela havia mudado, ele notou o andar dela já não era confiante era um andar esquisito, um andar nervoso e incerto.

Ela olhou de lado para ele e reparou que ele aparentava um ar de cansado.

O Syaoran não conseguiu aguentar e – "Não achas que é um pouco cedo de mais para estares aqui?"

"Desculpa?" – ela disse parando de andar.

"Não devias estar a descansar depois de teres estado acordada a noite toda?"

"Do que é que tu estás a falar?" – ela perguntou irritada com a insinuação dele.

"De como passaste a noite acordada…"

"Tu não tens nada haver com o que faço ou deixo de fazer… Eu vinha-te perguntar o que te aconteceu para teres a mão enfaixada. Mas esquece tu não mereces…" – ela disse e continuou o seu caminho não ficando à espera da resposta que ele tinha para lhe dar. Ela não iria ficar à espera que ele continuasse a acusá-la de algo que não fez.

Hora de almoço

A Sakura nesse dia não quis almoçar, preferiu sentar-se no campus a olhar para o céu, que estava de acordo com o seu estado emocional, um dia cinzento. "Realmente eu não fui talhada para ser feliz… Mais vale desistir de vez…".

Engraçado como normalmente o Syaoran e a Sakura encontravam-se várias vezes ao longo do dia, mas depois da torça de palavras dessa manhã, nada mais aconteceu. Era como se até o destino ajudasse.

Mas por outro lado o destino conspirava contra a Sakura. Pois por mais que uma vez não conseguia evitar o Xiang, a sua sorte é que estava sempre alguém por perto, não dando tempo ao Xiang de chegar perto dela.

Ao estar isolada era um alvo fácil, visto que o Xiang desde que chegou ao campus com3 horas de atraso do início das suas aulas andou à procura dela.

Ela olhou para o seu relógio e viu que estava na hora de ir para as aulas, pois ainda teria que passar pelo bar para comprar uma sandes para comer. Ao levantar-se deu de caras com quem não queria.

"Olá Sakurinha…" – ele disse alegre.

"Eu disse-te para não me chamares assim. E para te afastares de mim, se sabes o que é bom para a tua saúde." – ela disse ao passar por ele. Esta troca de palavras não passou despercebida, da Tomoyo, Meilin, Chiharu, o Yukito, o Eriol e o Yamazaki. Todos viram como a Sakura ficou alterada com a chegada do Xiang.

Ele agarrou-lhe no pulso – "Eu se fosse a ti largava, e saia daqui com o orgulho intacto antes que fosse tarde." – ela disse mortiferamente.

"Xiang eu ouvia e fazia o que ela está a dizer se fosse a ti…" – disse o Yamazaki, conhecia a Sakura desde criança e sabia que o seu temperamento quando irritada não era bonito de ser vivido.

"Mas não és… Por isso não te metas. Isto é entre mim e a minha Sakurinha…" – ele estava a olhar para o Yamazaki e os outros para ver os olhos da Sakura a escurecerem ligeiramente com raiva à palavra minha e Sakurinha. O Yukito reparou e percebeu de imediato o que se tinha passado.

"Vocês são doidos em deixá-la ali sozinha…" – disse a Meilin, apesar de ela saber que a Sakura era atlética não achava que ela tinha chances algumas contra o Xiang que apesar de tudo tinha treinado artes marciais desde pequeno.

"Ela vai ficar bem…" – disse a Tomoyo com um sorriso nos lábios

"Eu vou lá…" – disse o Eriol, mas a Tomoyo segurou-o no sítio pelo pulso.

"Não façam nada!" – disse a Chiharu com um sorriso divertido, detestando a pessoa sem ao menos a conhecer.

"Mas…" – contrapôs o Eriol.

"Ouçam-na ela sabe o que diz…" – disse o Yukito – "Yamazaki, já percebeste que ele ganha-te a contar mentiras não já?"

"O que queres dizer?"

"Ele saiu com a Sakura…"

"Oh…" – disse ele com um sorriso nos lábios – "Afinal existe um mentiroso maior do que eu…"

O Eriol finalmente viu quem era a pessoa em quem o Syaoran estava interessado. "Então é ela…"

"Ninguém te vem ajudar Sakurinha…" – ele disse num tom trocista.

"Ouviste-me a pedir ajuda?" – ela perguntou – Pois não sou quem vai precisar de ajuda…" –ela disse com um brilho diferente nos olhos que o Xiang só agora estava a reparar, e estaria a mentir se isso não o deixou intimidado – "Sabes eu odeio quando não me ouvem… especialmente tipos como tu… Eu desprezo-os… acho que nunca deveriam ter nascido. Agora faz um favor a ti mesmo larga-me o braço… é a ultima vez que te aviso…"

"Senão?"

"Senão vais-te arrepender."

"Já disse que não Sakurinha" – e apertou-lhe ainda mais – "Tu vais sair comigo novamente.. beijar-me quantas vezes eu quiser…"

"Não sabia que irias tão baixo para pedinchar por um beijo… Mas a resposta é a mesma que ontem não." – ela disse tentando libertar a sua mão – "Aliás vejo que ainda tens a recordação de ontem…" – ela apontou para o vermelho na sua cara.

"Eu ia guardar o primeiro para outra ocasião mas eu quero o agora…" – ele desce os seus lábios aos dela para a beijar quando a Sakura com a outra mão lhe agarra o pulso e pressionou ligeiramente enquanto o torce, libertando assim o seu braço – "Pronto já te larguei…"

"Mas não foi quando eu te pedi… agora vais pagar as consequências… E eu não vou ter pena de ti…" – ela continuou a torcer até ele se ajoelhar de dor – "era assim que devias ter estado ontem… mas não… Tu irritaste-me como nunca ninguém me irritou…"

"Uh-oh…" – disse o Yamazaki.

"Mas tu até tens sorte ou talvez não… depende do ponto de vista… Eu podia contar ao meu irmão…De certo que conheces o Toya… Ele iria adorar acabar contigo… Mas prefiro ser eu tratar de ti…"

"Ainda bem…" – ele disse feliz – "E o que e vais fazer para além de me torce o pulso… Afinal és só uma miúda…"

"Ele não disse aquilo… pois não?" – perguntou a Chiharu…

"Ele é um homem morto…" – disse a Tomoyo.

"Só uma miúda… o meu irmão iria ter pena de ti… eu nem por isso…" – ela esmurrou-o em cheio no nariz e ouviu-se um crack, algo partiu, o Xiang com a sua outra mão segurou o seu nariz que agora estava a escorrer sangue. Mas a Sakura não tinha acabado, levantou o joelho e acertou-lhe no queixo, e novamente ouviu-se aquele som… O Eriol e a Meilin estavam estupefactos, com uma rapariga com a estatura da Sakura conseguiu fazer tal estrago em apenas 5 segundos e ela mal tinha começado. Ainda por cima ela estava a usar uma camisa justa ao corpo, que lhe restringia alguns movimentos.

Com a mão que segurava o pulso dele, continuou a torcer e exerceu mais pressão até que se ouviu um crack. Agora ele estava agarrado ao seu pulso – "Tu partiste-me o nariz, o queixo e o pulso." – ele disse ao levantar-se com uma voz chorosa..

"Pois foi… Mas eu ainda não acabei…Mostra-me lá as tuas habilidades nas artes marciais que tentaste gabar-te ontem à noite…" – ela disse gozando com ele, sem lhe dar tempo para perceber o que lhe estava acontecer ela acertou-lhe entre as pernas, e quando ele se dobrou deu-lhe uma cotovelada no meio das costas – "Que embaraçoso tu com tantas participações em torneios de artes marciais estás a ser vencido por uma miúda…" – e deu-lhe um último pontapé e disse – "Eu ontem disse que não gostava muito de artes marciais, nunca disse nada de não ter praticado… Afinal eu faço-o desde os meus 7 anos…" – e ela continuou o seu caminho deixando o estendido no chão – "É verdade… Não te voltes a aproximar de mim ou de alguém que mora comigo."

O mais impressionante de tudo é que a camisa da Sakura, aliás nenhuma parte da roupa dela tinha uma única gota de sangue. Já a roupa do Xiang estava toda machada de terra e sangue.

A Chiharu seguiu com a Meilin, que disse adeus ao Yukito, marcando rapidamente um encontro. A Tomoyo seguiu noutra direcção depois do Eriol a deixar ir.

"O Yamazaki avisou-te…" – disse o Yukito com um sorriso por tê-lo visto comer terra – "Saíste com a Sakura e mentiste sobre tudo o resto… A Sakura jamais se interessaria por alguém como tu…Aposto que o encontro foi forçado…" – continuou ele percebendo agora a raiva que o Syaoran estava – "Seria aconselhável pedires transferência de universidade."

"Eu não sou de fugir…"

"Não és?" – questionou o Eriol, lembrando-se como ele tinha fugido em Hong Kong.

"Porque haveria de pedir desculpas?"

"Oh deixa-me penar…" – disse o Eriol ironicamente – "Talvez porque o irmão dela te vai matar por teres tocado nela… ou o meu primo decida terminar o que começou em Hong Kong antes dos teus pais terem pedido clemência… Acho que ambos terão o mesmo resultado, dor… internamento hospitalar… chegando mesmo à tua nova moradia ser num cemitério. Dependendo do estado de espírito que eles se encontrem…" – o Eriol sorriu ao ver o quão pálido ele estava a ficar – "E conhecendo o Syaoran como conheço, como tu também conheces desta vez os teus pais não seram suficiente para te salvar…"

"Para a próxima escuta as pessoas…" – disse o Yamazaki.

Os rapazes seguiram o seu caminho, deixando o Xiang no chão do campus, nunca olharam para trás. O Yukito começou a ficar inquieto com algo que o Eriol disse, de certo modo ele achava que era importante e relacionado com a Meilin – "Eriol, porque o Syaoran lhe bateu em Hong Kong?"

"Não posso ser eu a contar-te. Tens que perguntar à Mei e ao Syaoran. São coisas de família, e eles são os principais implicados…" – ele disse sorrindo – "Pergunta à Ling, ela com certeza te dirá…"


O resto do dia passou sem qualquer tipo de incidente, excepto a completa ausência do Xiang nas aulas e em todo o campus ninguém o viu depois da hora de almoço, era como se ele tivesse desaparecido.

Com o final do dia algumas aulas foram chegando ao fim, e os alunos começaram a sair, foram poucos os que ficaram, para terminarem trabalhos.


O Yukito estava à espera da Meilin conforme tinham combinado. – "Desculpa o atraso."

"Não há problema ele…" – ele disse com um sorriso, que não chegou aos olhos dele. Ela percebeu que algo se passava pois ele não transmitia a sua calma habitual, era como se algo o perturbasse.

"Yuki…"

"Humm…"

"Estás bem?"

"Estou…" – ele disse enquanto conduzia.

"O que se está a passar na tua cabeça… Parece que estás à beira de um ataque de nervos."

"O que aconteceu entre ti e o Xiang?" – ele perguntou.

"Nada." – ela disse virando-se para a frente tentando reprimir as memórias.

"Nada? Nada?" - ele disse agitado – "Se não fosse nada, o Eriol teria me contado… se fosse nada, o teu irmão não teria tanto ódio por ele ou sequer teria batido nele, como o Eriol me informou, se fosse nada tu não estarias como estás agora. Mei o que aconteceu…"

"O que queres que te diga… que eu passei pela maior humilhação da minha vida nesse dia… no dia que ele ousou tocar-me…" – ela disse engolindo um soluço a lembrança era demasiado dolorosa – "Eu comecei a aprender artes marciais antes da Sakura e mesmo assim não me serviu de nada…"

"Mei o que aconteceu?"

"A Sakura ela é forte… Ela não se deixa abater…"

"Ela não tem nada a perder… Porque eu acho que tu sabes a felicidade dela depende do avô e da escolha que ele fizer…"

"Foi na festa e Natal do ano passado. Como muitas famílias chinesas a dele foi convidada também. Se eu soubesse o que iria acontecer eu nunca teria ido. Eu teria ficado com os meus sobrinhos… ou colada como uma lapa ao meu irmão…" – ela disse limpando uma lágrima – "Mas não… eu tive que estar no jardim naquele momento… No interior do salão estava quente e abafado, eu precisei de apanhar ar… E ele veio atrás… Eu conheço o jardim da minha casa de cor e não queria que me encontrassem tão cedo. Mas ele estava a seguir-me… e sem me dar conta ele apanhou-me desprevenida e… e…"

"E…"

"Ele tentou… vi…"

"Mei…"

"Não consigo dizer… é muito doloroso… eu fui salva pelo Syaoran, devido àquele instinto dos gémeos… ele salvou-me das garras dele de me…" – ela agora não conseguia parar as suas lágrimas – "Mas como ele não conseguiu, ele espalhou por todos… que se… que eu já não era pura…" – ela não estava a olhar para ele, pois não suportava ver olhos de pena, mas o que ela teria visto não era pena, mas raiva pela primeira vez o Yukito sentia raiva por alguém – "Os anciões do meu clã queriam-me casar, mas o meu irmão não deixou… eu tive que ser submetida a um procedimento médico de modo a provar a minha inocência… Depois o resto já deves saber… quando foi provada O Syaoran desafiou o Xiang para um duelo, que ele só não tevem um fim pior do que umas nódoas negras porque os pais dele pediram clemência…"

"Mei…" – ele tocou de leve no ombro dela e abraçou-a naquele momento era tudo o que ela precisava.

Com a Tomoyo

"Finalmente chegaste…"

"Desculpa…"

"Não faz mal. Anda o carro está ali…"

"Este não é o carro do teu primo…"

" E depois ele não vai precisar dele…"

Eles foram para um café.

"Eu não sabia que conhecias a rapariga que saiu com o Xiang…"

"Conheço é minha prima e melhor amiga…"

"Ela saiu com ele… porquê?"

"Foi um trato que fizeram… Ela odeia-o…"

"O teu primo faz bom par com ela…"

"Com quem?" – ele perguntou segurando a sua mão.

"Com a Sakura"

"Não sei nunca os vi juntos…" – ele disse sabendo perfeitamente que o Syaoran gostava dela.

"Pena ele ter saído com a Gabrielle…" – ela disse, e reparou em como a expressão dele ficou momentaneamente séria. – "O que se passa?"

"Bem… como o meu primo estava em baixo… eu pensei que um encontro iria animá-lo e fazer esquecer quem estivesse a perturbá-lo…"

"Tu o quê?"

"Bem ele estava desanimado e…"

"Eu não acredito nisto… Eu pensava que tu eras diferente… ainda por cima com a primeira que apareceu…."

"Tomoyo se tu o vi-"

"È Daidoudjii… Tu não sabes o que eu vi… Achas que a Sakura tem estado bem?" – ela perguntou levantando-se – "Esquece que eu existo…" – e saiu porta fora deixando o Eriol especado a olhar para onde ela tinha estado sentada. "Eu esperava dizer-te que queria sair contigo… eu perdi-te…" – ele sentiu um aperto no peito e percebeu que era isso que o primo tinha sentido – "Ela tem razão eu fui insensível… ele precisava de alguém com quem falar não de um encontro…"


A Sakura estava a sair do edifício onde tinha aulas quando reparou que estava tudo vazio, não era normal isso acontecer a uma sexta geralmente os alunos ficavam para descontrair. Até que percebeu porque não havia ninguém ao sentir o seu corpo ficar molhado, a roupa começou a agarrar-se ao corpo.

"Obrigado… Muito obrigado…" – ela disse olhando para o céu – "O meu dia não podia ficar pior…" – ela murmurou, continuando a andar à chuva. Pelo menos a chuva ajudava a esconder as lágrimas que lhe escorriam pela cara. "Porque nada dá certo para mim…."


O Syaoran ficou a até tarde a pesquisar para um trabalho que ele teria que apresentar. Ao sair apercebeu-se que estava a chover. Procurou as chaves do seu carro na sua mochila, e não as sentiu.

"Onde é que elas estão?" – ele pousou os seus livros num banco no interior do edifício, e procurou freneticamente pelas chaves, e nada delas aparecerem. Lembrou-se do ver o Eriol mexer na sua mala – "Bolas Eriol, levaste-me as chaves sem me dizeres nada. Agora tenho que ir à chuva para casa." – ele pensou zangado sentando-se no banco e pondo a sua mala no chão. A mala estava aberta e do seu interior rolou um chapéu-de-chuva azul, ele abanou a cabeça – "pelo menos deixou-me o seu chapéu de chuva…"

Ele esperou que a chuva acalmasse para poder ir sem se molhar muito, mas ao invés, a chuva acabou por piorar, decidido que não ia perder mais tempo agarrou nos sues livros e preparou-se para uma caminhada até casa à chuva. – "Realmente neste dia era tudo o que precisava… andar à chuva… já não foi o suficiente com o Xiang e depois ela…" – ele pensou quando sentiu a chuva a engrossar.

Ao olhar ao seu redor, agradeceu pelo menos ter um chapéu para se proteger da chuva ao contrário da pessoa que ele estava a observar completamente encharcada. A sua camisa completamente agarrada ao corpo o que deixava transparecer a roupa interior, ele desviou o olhar e continuou o seu caminho.


A Sakura, já nem se tentava recolher por entre as árvores, visto já estar totalmente encharcada, não valeria a pena o esforço. AO caminhar ela estava tão perdida nos seus pensamentos que nem reparou que havia uma pessoa a andar na mesma direcção que ela o que provocou que fossem um contra o outro. A Sakura caiu para trás.

"Boa altura para embateres numa árvore… Estúpida… estúpida…"

"Ei vê por onde andas…" – a árvore disse com um tom de meio chateado por ter ficado molhado já que o seu chapéu acabou escapando das suas mãos. Ao ouvir aquilo a Sakura soube que não era uma árvore, pois as árvores não falam. Olhou para cima e viu-se perdida num mar de âmbar. Só conhecia uma pessoa com um olhar tão penetrante…"

"Oh és tu…" – ela disse ao levantar-se – "Desculpa não te vi…"

"Guarda-as para quem acredite em ti…" – aquilo magoou-a tanto como se ele tivesse espetado uma faca no seu coração.

"Não achas que já tiveste a tua dose de me maltratar hoje…"

"Diz isso a quem se preocupe…" – ele disse notando que os olhos dela estavam vermelhos, isso não era normal.

"Olha só te queria pedir desculpas por ter ido contra ti e teres ficado molhado…." – ela disse acrescentando num tom de voz mais baixo – "e por ontem."

"Já te disse guarda-as para quem acredite em ti… talvez para o Xiang…"

"Aargh… Tu tinhas que dizer o nome dele… O meu dia não podia ficar pois não…" – ele notou que os olhos dela estavam a verter água, mas desta vez eram de raiva.

"Não me digas que tu és do tipo que beija e esquece… Pensava que eras melhor que isso."

"O que estás para aí a dizer?" – ela disse ao tentar acalmar-se.

"Que vocês beijaram-se ontem…"

"Como?"

"Sim ontem… ficaste com ele a noite toda na conversa e depois beijaste-o…"

"Tu só podes estar a delirar…"

"Não estou ele disse-o…"

"Aquele canalha… é desta que eu o mato…"

"O que estás para aí a balbuciar…" – ele perguntou curioso, mas acrescentou – "Por isso é que não queres mais falar comigo, visto que encontraste outra coisa com que te entreter!"

"Como? Tu ouve-me bem… Entre mim e aquela coisa não aconteceu nada… Nem nunca irá acontecer…" – ela disse respirando fundo – "Eu jamais iria trocar alguém honesto como tu por uma coisa como ele…" – ao ouvir aquilo ele ficou contente, ela achava-o de certo modo melhor que o Xiang – "Para a próxima vez… não sejas tão ingénuo."

"Então se não estás minimamente interessada nele… porque o beijaste?"

"Eu não o beijei… Nada do que ele te possa ter contado é verdade…" – ela disse – "Pois para ser verdade, ele tem uma reacção um pouco esquisita a beijos."

"O que estás a insinuar…"

"Achas que um beijo levaria a uma impressão idêntica da minha mão em vermelho na sua cara ou foi um estalo por ele ter passado dos limites…?" – ela perguntou friamente, pois não queria acreditar que ele preferia aceitar a palavra do Xiang.

"Por ter passado dos limites…" – ele disse incerto – "Pensei que te tinhas afastado de mim por causa dele…."

"Como..?" – ela balançou a cabeça ainda à chuva – "Eu não me afastei por não gostar da tua companhia muito menos por ele… Aquele encontro foi para eu me livrar daquela carraça, nada amais…." – a Sakura deixou de sentir a chuva cair sobre o seu corpo, apesar de a continuar a ouvir, viu que o Syaoran a protegia com o seu chapéu – "Eu fi-lo porque mais tarde seria mais doloroso… Eu só não contava que já fosse doloroso…."

"Eu sei…" – ele disse sinceramente percebendo o duplo sentido das suas palavras – "Mas a tu família não seria opor a uma amizade pois não?"

"Não sei…"

"É só isso que eu te peço…"

"Nunca tive um amigo como tu…" – ela disse incerta, imaginado só a possibilidade.

"Mas podias ter…"

"Podia…"

"Então vais dar-me uma chance?"

"Tenho que pensar…" – ela disse deixando-o o triste – "Não é uma decisão que possa tomar de ânimo leve."

Ela começou a caminhar para fora do campus em silêncio, não dando atenção em nada ao seu redor, estava a pensar e a repensar o que iria fazer quanto ao que o Syaoran lhe tinha proposto.

Por estar completamente distraída nem se deu conta que quase ia sendo atropelada, se não fosse salva pelo Syaoran.

"Estou sem o meu carro…"

"Ahm…" – ela acordou do seu estado – "O que disseste?"

"Estou sem o meu carro."

"Não te preocupes com isso, eu adoro andar, e a tua companhia é muito agradável…."

Durante o caminho não falaram pois ambos tinham muito que pensar. A vida deles não era assim tão fácil, afinal a resposta dela podia levar a tantos desfechos. Eles estavam a ponderar cada um deles, no interior das suas mentes, a única certeza que tinham, é que não podiam continuar como estavam.

A simples presença do outro transmitia segurança e conforto, algo que nenhum dos dois estava preparado para admitir, pois isso implicava muito mais.

Ela ainda não se tinha pronunciado sobre a proposta do Syaoran, ele estava disposto a esperar o tempo que fosse preciso.

Chegaram à casa dela, entraram no jardim, ela subiu para o alpendre e ele ficou ao fundo das escadas.

"Desculpa ter vindo calada o caminho todo…" – ela disse com as mãos atrás das costas, ela sorriu – "Tenho vindo a pensar…"

"Em quê?" – perguntou directamente, quando se apercebeu do seu erro, corou, o riso dela não ajudou em nada – "se me permites perguntar…"

"Sim…" – foi tudo o que ela disse, descendo as escadas ficando à chuva, ela deu-lhe um beijou na face, o que o deixou ainda mais confuso, não foi só a resposta mas a sua atitude.

"Sim?"

"Sim!!" – e entrou em casa sem olhar para trás.

"Sim!!" – ele disse com um sorriso de orelha a orelha, pulou de alegria com a sua resposta. E sem se dar conta seguiu o resto do caminho para casa completamente à chuva com o chapéu na sua mão de lado.

Quem olhasse para ele pensava que era maluco… Mas só outra pessoa que tivesse os meus sentimentos que ele saberia o que ele estava a sentir.

No interior da casa

"Sim!!" – e entrou em casa sem olhar para trás, espreitou pela janela que estava coberta por uma cortina, e viu a sorrir e a dar pulos de alegria, ela sorriu com essa sua atitude, mais ainda quando o viu continuar o seu caminho completamente à chuva. Quando o deixou de ver deslizou pela porta e ficou assim sentada com um sorriso bobo na face e as bochechas coradas… Foi assim que a sua prima a encontrou quando desceu a escadas.

Depressa o seu sorriso se desvaneceu, ao ver o ar da prima, abriu os seus braços e permitiu que ela chorasse e lhe contasse o que tinha acontecido. Fazendo-a esquecer do seu momento de felicidade…


Continua…

N/A: Estou de volta… bem mais ou menos… Sei que demorei mais que um ano a postar este capítulo, mas também com tão poucas reviews eu fiquei triste, depois foi um corrupio com as aulas e exames, estágios… bem a minha vida ficou uma grande confusão…

Fiquei sem tempo para escrever… Tive um bloqueio…

Mas mal as férias chegaram, sentei-me à frente do computador… a preparar este novo capítulo com 37 páginas, só para os meus leitores…

Agora preciso que me digam o acharam…

Não demora muito tempo, é só carregarem no botão roxo de review… e deixarem-me qualquer coisa… Afinal com muitas reviews posso encontrar a inspiração que eu preciso para continuar a escrever…

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Musette-chan