CAPITULO X - The Story (A História)


Jasper acabara de chegar. Consciente de que aquele não era o momento para revelar sua recente descoberta, Alice disse apenas:

- Quando tudo isso acabar, precisamos conversar.

- Tem razão.

Angela bateu na porta da sala de reuniões e entrou.

- O representante da Obit chegou. Devo mandá-lo entrar?

- Sim, por favor.

- Prepare-se. – Jasper murmurou,

Antes que pudesse pedir alguma explicação, um homem entrou na sala... E tudo ficou claro.

Volturi sorria satisfeito.

- Olá, Cullen, Alice. Sabia que voltaríamos a nos encontrar.

Anos de prática a ajudaram na dura tarefa de mostrar-se impassível.

- Cheguei a prever este encontro, mas admito que estou surpresa.

- Seu marido não está.

Era verdade. Jasper não parecia surpreso.

- Será que pode nos dar licença? Meu marido e eu precisamos conversar. – disse enquanto se levantava.

- Eu já esperava por isso. – Volturi sentou-se na ponta da mesa. – Só peço que não demorem muito. Sou um homem muito ocupado... E impaciente.

De cabeça erguida, Alice saiu da sala e esperou que o marido a seguisse. Assim que fecharam a porta de seu escritório, ela disparou:

- Sabia que Volturi estava por trás da oferta, não é?

- Eu desconfiava.

- Por que não me preveniu?

- Porque não podia provar nada. Não quis preocupá-la com suspeitas que talvez nem tivessem fundamento. Agora que o pior se confirmou, lidaremos com a situação.

- Não venderei minha empresa para ele!

- Não precisa vender para ninguém.

- Ah, não? Devo deixar a Crabbe ir à falência?

- A falência não é uma conclusão inevitável. Agora você faz parte da família Cullen. Podemos ajudá-la a administrar a empresa até que esteja pronta para assumi-la, ou até que ela recupere o valor no mercado.

Alice franziu a testa. Planejava encerrar os laços comerciais entre eles, não criar outros.

- E sua reputação? As pessoas dirão que revelou a informação sobre Aro para poder assumir o comando de minha companhia.

- As pessoas já estão falando. O tempo colocará um fim nas especulações.

- Não. Se Volturi continuar espalhando rumores. Ou se encontrar outra maneira de nos atingir.

- Ele vai acabar se cansando e voltando sua atenção para outro lugar.

- Jasper, se esse homem é vingativo como você diz, ele não vai desistir tão depressa.

- Vamos, Allie, não deixe que ele fique com sua empresa. Vamos botá-lo para fora daqui.

Antes que ela pudesse responder, Angela entrou.

- Com licença Sra. Cullen. Os papéis relacionados à venda da empresa estão prontos para sua assinatura. Devo mandar seu advogado entrar?

Alice hesitou.

- Se vender para Volturi, ele ficará com tudo. Se não, corro o risco de falir, e ele também será beneficiado. E seja qual for minha decisão, sua reputação estará arruinada.

- Para o inferno com minha reputação! Não é ela quem está em discussão.

- Para mim é. Não, Jasper. Não posso encerrar esse assunto. Não enquanto não arrancar de Volturi uma confissão. É quase certo que irei à falência. Mas ainda posso ajudá-lo.

- Droga! Por que sempre tem que fazer a escolha menos razoável? Por favor, seja sensata! Salvar minha reputação não vale o risco de perder a Crabbe!

- Não seja ridículo. Eu nunca faço nada que não seja razoável e sensato. Angela vá busca os papéis.

- Seu advogado pediu para estar presente quando fosse assiná-los. – disse Ângela, tentando não ser intrometida.

- Então o mande entrar.

O entrou no escritório um momento mais tarde. Depois de cumprimentar Jasper, ele olhou para a mesa da cliente.

- Tem certeza de que quer abrir mão dos seus direitos, Sra. Cullen?

- Certeza absoluta.

- Por favor, leia os documentos antes de assiná-los.

- Já li toda a papelada anteriormente.

- Sra. Cullen, insisto em dizer...

- Por favor, , já disse que li a documentação com cuidado e atenção.

Angela colocou uma pasta diante de Alice e virou algumas páginas contidas nela.

- Assine aqui e aqui.

- Allie...

- Tenho um plano – ela interrompeu o marido enquanto assinava os papéis. – Acho que podemos salvar a situação. Mas vai ter de confiar em mim.

- Eu confio. Qual é o plano?

- Creio que podemos levar Volturi a confessar o que fez.

- Como?

- Deixe-me terminar de assinar esses papéis e eu explicarei tudo.

- Allie, esta indo muito depressa. Primeiro me diga o que pretende fazer, depois assine os documentos.

Ela suspirou e largou a caneta.

- Esta bem, aqui vai o plano. A sala de reuniões está equipada com uma câmera oculta para registrar todos os detalhes dos encontros, caso surjam dúvidas posteriores. Angela vai ativar a câmera. Tentarei fazer Volturi confessar antes de concretizar a venda da Crabbe e Associados.

- E se não conseguir?

- Vou ter de me esforçar. - e empurrou os documentos assinados na direção de Angela. – Prometi recuperar sua honra, Jasper, e vou cumprir minha promessa.

Jasper olhou para a secretária e o advogado. Fazendo um gesto discreto em direção a porta. Os dois saíram em seguida. No minuto em que ficou sozinho com a esposa, ele a tomou nos braços.

- Será que não entende? Você restaurou minha honra há semanas, quando entrou em meu escritório e fez aquela proposta de casamento. Foi a única pessoa alheia a família que acreditou em minha inocência, apesar de todas as evidências em contrárias.

Ela sorriu.

- Já disse que foi uma conclusão lógica. Examinei os fatos, analisei as evidências e deduzi a verdade.

- Quantas vezes preciso repetir? As evidências estavam contra mim.

Alice beijou-o.

- Bobagem. Você é um homem honrado, e quem disse o contrário terá de acertar contas comigo.

- Pois este homem honrado fará o possível e o impossível para proteger sua esposa.

Do que ele estava falando?

- Não preciso de proteção. Preciso... Disto. – e beijou-o mais uma vez.

Pela primeira vez, desde que ela mencionara a separação, Jasper sentiu-se esperançoso. Gostaria de apertá-la entre os braços e amarrotar suas roupas. Mas sabia que ela precisaria de toda a confiança de que pudesse dispor para o confronto com Volturi.

- Jasper? – ela murmurou.

- Hmm?

- Tenho uma confissão a fazer. Acho... Que me precipitei ao sugerir a separação. Estive pensando... Se desistir do casamento agora, sua reputação será prejudicada.

- Droga! De novo esta história?

- É lógico! Se eu vender a Crabbe e desistir do casamento, as pessoas dirão que nos separamos porque você não conseguiu o que queria. Se derrotarmos Volturi e nos separarmos, todos pensaram que descobrir algo contra você. De um jeito ou de outro, você será o maior prejudicado.

- E acha que estou preocupado com isso?

- Não. Mas eu estou. O casamento foi idéia minha. Você deveria ser beneficiado por ele, não prejudicado.

- Você jamais poderia me prejudicar.

- Já prejudiquei. E lamento mais do que possa imaginar.

Jasper decidiu que era melhor deixar a conversa para mais tarde, quando tivesse tempo para beijá-la até obrigá-la a aceitar a realidade.

- Está bem, agradeço por sua consideração. Está preparada para enfrentar Volturi?

- Sim, estou.

- Então vamos.

- Espere! Há mais uma coisa que me esqueci de mencionar.

- Mais uma conclusão lógica e sensata?

- Sim, a mais importante de todas. Eu amo você.

Jasper encarou-a em silêncio, contendo o ímpeto de tomá-la nos braços e carregá-la para outro lugar qualquer. Allie o amava! O que mais poderia desejar?

Mas a realidade impunha outras urgências, e teriam de deixar o sonho para mais tarde.

- Pequena, você sabe como escolher o momento ideal para uma confissão. – riu. – Falaremos sobre isso mais tarde, está bem?

Ela riu e dirigiu-se a porta.

Volturi esperava impaciente na sala de reuniões. O advogado do empresário havia chegado e se colocara atrás dele.

- E então? O que decidiu?

- Fecharemos o negócio. – Alice anunciou. – Com uma condição.

- Sempre existe uma condição.

- Ouça com atenção e procure ser flexível, porque tudo vai depender de sua disposição em aceitá-la. Quero a verdade sobre o que aconteceu com os Denali.

- Está brincando?

- Não.

- Porque acha que tenho alguma informação sobre aquele negócio? Devia perguntar ao seu marido. Ele esteve diretamente envolvido na história.

- Pare com a encenação, Volturi. – Jasper intercedeu. – Não queremos um anuncio público. Apenas uma confirmação.

- E o que farão com uma confirmação?

- Não há nada que possamos fazer. O dano já foi feito e é irrevogável.

- Então, porque perder tempo?

- Porque nunca o considerei inteligente o bastante para traçar um plano tão perfeito, desculpe minha franqueza, Volturi, mas a verdade é que você é estúpido demais para isso.

Ele riu.

- Tudo bem, acho que posso satisfazer sua curiosidade... Mas só depois de concretizarmos a venda.

- Esqueça.

- Nesse caso, creio que chegamos a um impasse.

- Tenho uma proposta a fazer. – Alice anunciou. – Eu assino os papéis, mas eles ficarão com meu advogado, sem sua assinatura, até você terminar de contar sua história.

- Você assina e meu advogado fica com os documentos. Cullen poderá agredi-lo para recuperar o contrato, caso eu não cumpra minha parte no acordo.

- Certo. Assim que revelar toda a verdade, a Crabbe será sua e você poderá partir em paz.

- Vamos conversar... Em particular? – Volturi sugeriu vitorioso.

- É claro que sim.

- Não faça isso, Allie. É muito arriscado.

- Temos um acordo. – lembrou Volturi.

- Senhor. – o advogado interrompeu. – Sou obrigado a concordar com Sr. Cullen. Não recomendo uma conversa dessa importância em condições que...

- Como disse a Sra. Cullen, sabemos o que estamos fazendo, Curtis.

- Senhor...

Volturi perdeu o bom humor.

- Vamos acabar com isso de uma vez, antes que Cullen e meu advogado convençam a Sra. Cullen a desistir do negocio.

Logo as equipes jurídicas das duas empresas invadiram a sala. Em pouco tempo, Alice terminava de assinar os outros documentos relativos a venda.

- Pensei ter cuidado disto antes. – ela reclamou.

- Continue assinando. – Wilfred orientou.- A menos que tenha mudado de idéia.

- De jeito nenhum. – e entregou toda a documentação a Curtis. – Agora saiam, por favor. O Sr. Volturi e eu temos um assunto a resolver.

Os três foram deixados sozinhos, e Alice encarou o adversário.

- E então? Estou esperando. E quero que saiba que, caso não revele toda a verdade sobre quem roubou os Denali, eu mesma resgatarei aqueles documentos.

- Tudo bem, vai ouvir a verdade. – Volturi levantou-se. – Apenas um detalhe antes de começarmos. – jogando uma cadeira para um canto da sala, ele posicionou sob a câmera de vídeo e usou-a como escada para arrancar os fios que a mantinham ligada. Depois sorriu. – O disfarce era bom, mas estou acostumado a estudar o ambiente, especialmente antes de fazer uma confissão.

Ela empalideceu. Jasper amparou com um braço e sugeriu que ficasse calma.

- Muito bem, Volturi, estamos esperando.

- É claro. – ele sorriu. – Como sempre, estão enganados. Eu não comecei com os Denali. O início da trama aconteceu na Future, mas sua esposa destruiu meu plano perfeito.

- O que?

- Por que esse ar de espanto, Sra. Cullen? Não podia usar minha empresa para uma operação ilegal e arriscada.

- Então... Foi você? – Alice perguntou surpresa. – E também estava por trás da empresa fantasma que desviou o dinheiro dos Denali?

- Exatamente.

- E pôs a culpa em Jasper! Também espalhou os rumores sobre a saúde de Aro Brandon?

- Bem, eu tinha o dever de alertar a comunidade. Afinal, o presidente da Crabbe e Associados não era tão competente quanto se imaginava. Nem sei se isso é verdade, mas consegui o que queria e, por isso, estou satisfeito. O valor da empresa despencou no mercado, e pude comprá-la por uma quantia irrisória. Procurar o repórter do Financial Times dizendo que era você, Cullen, foi um golpe de mestre.

- Queria fazer Allie duvidar de mim, não?

- É verdade, mas nesse aspecto não obtiver sucesso. Por alguma razão, essa mulher se torna uma criatura irracional quando o assunto é o marido.

- O que? Irracional? – ela gritou.

- Calma, Allie...

- Saiba que sou perfeitamente lógica, racional e...

- Não estou interessado. – Volturi a interrompeu com tom de desprezo. – Se já terminamos, gostaria de ir embora.

- Oh, sim, nós já terminamos. – respondeu Jasper. – Infelizmente, vai acabar descobrindo que pagou um bom dinheiro por nada.

- Não seja tolo, Cullen. Sei que a Crabbe e Associados é uma empresa de grande porte.

- Sim, mas as ações de minha esposa são poucas. E foram elas que você comprou. Apenas algumas ações. Um por cento da companhia. Se ela houvesse decidido vender a Cullen, então teria feito um bom negócio. Allie é dona de noventa por cento das ações da companhia de minha família.

Alice olhou para o marido como se estivesse diante de um fantasma.

- O que?

- Os papéis acabaram de ser assinados. Trocamos de titularidade. – e olhou para Volturi com um sorriso frio. – Sabe como são os casais. O que é dela é meu, o que é meu é dela...

- Isto é fraude! Vou levá-los aos tribunais!

- Oh, você não terá tempo para isso. Vai estar muito ocupado com outras questões legais. – e ergueu tom de voz. – Conseguiu gravar tudo, Wilfred?

A porta se abriu.

- Cada palavra, Sr. Cullen. Infelizmente, tivemos de usar força bruta para acalmar o Sr. Curtis e os jornalistas ficaram muito curiosos. Creio que eles têm algumas perguntas a fazer ao Sr. Volturi.

- Jasper, o que significa isso? – Alice perguntou confusa.

Ele removeu o prendedor de gravata equipado com uma mini-câmera e deixou-o sobre a mesa. Volturi levantou-se e cerrou os punhos.

- Vai me pagar pelo que fez Cullen!

Jasper encolheu os ombros.

- Se vai me cobrar por todas as faltas, acrescente mais esta à lista. – e derrubou-o com um único e certeiro soco no queixo. Depois abriu a porta e chamou os jornalistas. – Podem interrogá-lo. Obrigado pelo empréstimo do equipamento. Angela, por favor, traga os documentos que minha esposa assinou anteriormente. Todos eles.

- Jasper, estou esperando uma explicação. Deixei de ser a proprietária da Crabbe?

- Não, meu amor. Wilfred vai trazer os documentos que devolverão todas as coisas aos seus lugares. Agora que todos saberão sobre as mentiras de Volturi, ninguém vai acreditar nas mentiras em torno da saúde de Aro. O valor da Crabbe subirá no mercado e tudo será como antes.

- Por que não me contou que tinha um plano?

- Porque Volturi teria sentido sua segurança. Não viu como ele encontrou a câmera? E como começou a falar depois de vê-la pálida e aflita?

- Quando colocou o equipamento na gravata?

- Quando vínhamos para cá. Ao sair do seu escritório, eu passei pelo banheiro para preparar a câmera. Wilfred tinha os papéis preparados desde quando me contou que pretendia marcar uma reunião com o representante da Obit.

- Jasper, se sua intuição houvesse falhado nada mais poderia recuperar sua reputação no mercado. Sacrificou tudo por mim?

- E você, o que fez?

- Eu? Ora, tomei a decisão lógica e...

- Chega, Allie! Estava disposta a vender sua companhia por nada, e tudo para recuperar minha reputação!

- Mas você redigiu um documento transferindo a Cullen para mim! Tem idéia do que isso... Ei, espere um minuto! Seus irmãos sabem disso?

- É claro que sim. Todos eles assinaram o contrato. Você é a nova dona da Cullen, Allie.

- Mas... Porque eles fariam tal coisa?

- Porque agora você faz parte da família. E ninguém ataca um Cullen e escapa ileso.

- Mas o casamento... Eles sabiam que seria temporário.

- Não. Eles sempre souberam que nosso casamento seria eterno. Você foi a única a acreditar nessa tolice de acordo comercial.

- Está dizendo... – devia ser um sonho. – Está sugerindo...?

- Estamos casados, pequena, e para sempre. Você provou seu amor por mim em nossa noite de núpcias, também hoje quando me destingiu de Peter, e agora quando arriscou tudo para salvar minha reputação.

- Eu disso que o amo. E fiz uma promessa em nossa noite de núpcias.

- Então não esqueceu...

- Não. Eu disse que o amaria até o fim dos meus dias. Naquele momento não me dei conta de que revelava uma verdade. Pensei que fosse apenas poesia, entusiasmo...

- Também amo você, Allie. E vou amá-la para sempre.

O beijo selou o início de uma nova era, de um futuro que seria dominado pelo amor e pelas mais profundas e sinceras emoções. Alice sabia que seria feliz. E Jasper também...


(/NA: The Story - Brandi Carlile)

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Minha galerinha... esse foi o último capítulo... ==s'

Mas como prometi... Vou escrever um epílogo para essa história...

Na votação que eu havia iniciado no capítulo anterior, perguntando quem vocês queriam que fizesse a narração do epílogo, Alice e Jasper ganharam... então vou ficar trocando de ponto de vista...

Bjos!! Até o epílogo... *--*