CAPÍTULO X - Teoria ou prática?

A cabeça de Muhamed se sobressaía acima do cabelo de Bella. Um capuz negro escurecia seu rosto.

Todos os músculos do corpo de Edward se esticaram, preparando-se... Para arrastar Bella de volta e terminar o que haviam começando... Para protegê-la do homem que ela acreditava ser árabe.

Seu membro inchado palpitava num ritmo doloroso dentro de sua calça. Ela tinha desejado lhe ver. Ele tinha desejado lhe mostrar... Ele ainda desejava lhe mostrar... Como era, como podia lhe agradar, como ela tomar seu membro em sua boca, para alcançar ambos o gozo máximo.

Olhando fixamente para Edward, Muhamed inclinou a cabeça numa pequena reverência.

— Sabah o kheer.

— Sabah o kheer, Muhamed. — Respondeu Bella.

A resposta era incorreta, mas sua pronúncia impecável.

A imperturbabilidade de Muhamed se transformou em surpresa. Afastou-se para um lado para deixá-la passar.

—Obrigado. — Bella assentiu com a cabeça enquanto reflexos avermelhados resplandeciam na trança de seu cabelo, que formava um grosso coque. — MA'A e-salemma.

Um intenso orgulho se apoderou de Edward. Bella era realmente uma mulher meritória.

Edward observou como Muhamed seguia Bella com o olhar enquanto se retirava. Sabia o momento exato em que ela saía de sua casa. O homem de Cornualles se voltou com um redemoinho de lã negra misturado com o thobs branco que levava sob sua capa.

— Ibn.

Edward não se deixou enganar pela reverência de Muhamed. Esperou a que o homem de Cornualles desse um passo para diante e fechasse a porta da biblioteca.

— Estava nos espiando, Muhamed?

— Não preciso te espiar, Ibn. Podia cheirar seu desejo através da porta.

Edward reprimiu como um relâmpago, uma réplica fulminante. Não sabia que um eunuco tinha o sentido do olfato tão agudo. Em troca, disse:

— Não tolerarei sua intromissão.

— Tenho ordens para que o vigie.

— Não serve a mais ninguém além de mim. — Quão furiosa se pôs Bella quando se dirigiu a ela por seu nome diante da jovem criada. — Sei de boa fonte que os ingleses não aprovam esse tipo de comportamento.

— Uma moça morreu Ibn, porque não pôde resistir o haraam, o que está proibido.

Muhamed tinha que compreender de uma vez por todas quão importante era Bella Black para ele. Só lhe ocorria uma maneira de convencê-lo.

— Estiveste comigo vinte e seis anos, Muhamed. Aprecio sua lealdade e sua amizade. Mas te matarei se de alguma forma fazer mal a senhora Black. E segundo o método árabe, o matarei muito, muito lentamente.

— Eu nunca machucaria uma mulher. — Disse Muhamed, rigidamente e afastou seu olhar de Edward e o fixou sobre a parede atrás dele.

Edward relaxou.

— Bem.

— Não serei eu quem lhe faça mal.

O temor acelerou o sangue de Edward.

Jacob Black.

Acaso a pegaria? Estaria a par das aulas?

— Se explique.

— O marido dela foi ao Clube das Cem Guineas.

As narinas de Edward se dilataram de surpresa. O Clube das Cem Guineas era célebre por obrigar seus membros homossexuais a assumir um rol feminino.

— Continua lá?

O rosto envolto em sombras de Muhamed mostrava sua aversão.

—Não. Saiu do clube com um homem vestido de mulher.

A mulher com a qual supostamente o tinham visto. Só que não era uma mulher.

— Seguiste-os.

— A uma loja vazia de Oxford Street.

— Quem era o homem?

— Não posso dizer. — Ele não disse, não sei.

— Não o reconheceu? — Perguntou bruscamente, Edward.

— Pediste-me provas, Ibn e a única que tenho são meus próprios olhos.

— Nunca me mentiste, Muhamed. Sua palavra é prova suficiente.

— Não Ibn, não o é. Não nisto. Não acreditará. Levarei-o até a loja e o verá por ti mesmo.

Edward pressentiu um perigo iminente que fez com que seus sentidos se aguçassem como não tinham feito nove anos antes. Quem era o amante do Black para que o homem de Cornualles se negasse a revelá-lo, por temor a não ser acreditado?

Nada podia escandalizar a Edward, nem o sexo, nem a morte. Mas que...

—Bella estava aqui, comigo. - L'na, maldita seja, parecia com a defensiva. Bella não era responsável pelos atos de seu marido. Nem conhecia os jogos sexuais que se praticavam num inferno como o Clube das Cem Guineas.

Muhamed continuou olhando fixamente à parede, com seu rosto impassível.

Edward dirigiu o olhar para a mesa, para a caneta de ouro que momentos antes tinha obstinado entre seus dedos, como se fosse seu membro e o oco de sua mão, a vagina de Bella.

O branco papel se agitava na beirada da mesa de mogno, sulcado pela tinta negra.

Inclinando-se, segurou-o.

"O kebachi". Nádegas levantadas, como os animais. – Leu. – "Dok o arz" . Ventre com ventre, boca com boca. "Rekeud o air" . Montar um corcel.

Eram as notas de Bella, as palavras que tinha escrito enquanto ele recitava as seis posturas mais importantes para o coito. Não eram as palavras que ele tinha usado, nem sequer as posições básicas que ele tinha mencionado. Ela havia enumerado formas alternativas... E o fizera com seus nomes árabes. Ou tinha memorizado o capítulo seis por completo ou aquelas eram as posturas que mais a excitavam. Ser possuída por trás enquanto estava ajoelhada apoiada sobre suas mãos. Sentar sobre os joelhos de um homem com as pernas ao redor de sua cintura. Montar sobre o sexo de um homem enquanto ele se deitava sobre suas costas com as pernas em alto.

Os testículos de Edward se endureceram. Imaginou-se possuindo Bella enquanto ela ficava de joelhos. Deixando que ela se sentasse sobre ele enquanto estava recostado. "Dok o arz". Ambos gozando, ambos golpeando, sentados um frente ao outro, ventre com ventre, boca com boca. Podia apostar que sua única experiência tinha sido a primeira posição, uma que não se incomodou em registrar, a de uma mulher passivamente deitada sobre suas costas cumprindo com seu dever.

A última frase rabiscada atraiu sua atenção. Edward a olhou com atenção, subjugado. O pulso nas pontas de seus dedos martelava contra o papel. Quarenta maneiras de amar. "Lebeuss o djoureb". "Por favor, Deus, me deixe amar embora seja uma vez".

Uma dor aguda lhe atravessou o peito. Tinha gozado nas quarenta posturas e nenhuma delas tinha sido considerada por nenhuma mulher, um ato de amor. Passou a língua pelos lábios, Bella Black, uma mulher de trinta e dois anos que tinha dado a luz a dois filhos, mas jamais tinha sido beijada apaixonadamente.

Ela o havia tocado. Tinha chupado seu dedo e explorado seus lábios com o assombro inocente de uma mulher empenhada no descobrimento sexual. "Lebeuss o djoureb".

Poderia lhe dar aquilo. Poderia afastar suas pernas, acariciar sua vulva e seus clitóris até que cada vez que deslizasse e colocasse seu pênis dentro dela, sentisse tanta umidade que ela se abrisse tomando-o todo, sua língua e seu membro, seu êxtase, seu orgulho inglês e sua sexualidade árabe.

Edward estirou a mão e abriu a gaveta superiora da mesa, deixando o papel dentro com cuidado e sobre este a caneta de ouro.

Bella não tinha compreendido quando, na pista de dança, lhe recordou a história do "Dorerame e o rei". Havia lhe dito que a liberaria de seu marido.

Agora era o momento de agir.

— Yalla nimshee. - Disse bruscamente a Muhamed. — Vamos.

Um táxi especial esperava fora, no amanhecer cinza. Edward e Muhamed entraram no carro, recolhendo habilmente sua ampla capa negra e sua roupa árabe. Sem fazer comentários, Edward permitiu que Muhamed tomasse o comando do caminho. O homem de Cornualles assobiou uma vez e deu uma ordem suave e aguda para que começasse a se mover.

Acima dos altos edifícios, uma luz rosada começava a tingir o céu. Não fez mais pergunta a Muhamed. Não havia nenhuma necessidade. Edward veria em seguida quem era o que tinha empurrado a Bella para ele, sem propor-lhe.

Ela estava com olheiras. O que a tinha mantido acordada? Sua vida social? Seu matrimônio? "O Jardim Perfumado"? Em quem estivera pensando quando esfregava sua pélvis contra o colchão... Em Jacob Black... Ou nele?

Naquela altura, tão longe do Regent Street, Oxford Street deixava de ser respeitável. As ruas estreitas e os edifícios estavam abandonados. Edward pôde ver a sombra escura de um homem com uma prostituta num portal. Na esquina, um mascate com seu carrinho, estava se dirigindo a um bairro mais rico.

— Ibn. Estamos nos aproximando da loja.

Edward se baixou o chapéu, cobrindo suas orelhas e colocou um cachecol de lã escura ao redor do pescoço.

Muhamed assinalou:

— É ali.

A primeira vista o edifício parecia igual às demais pequenas lojas de tijolo. Gradualmente, pôde ver que a fachada era mais escura que as outras e as janelas haviam sido totalmente cobertas. Em cima da loja brilhava um fraco raio de luz... Havia uma casa em cima do local. E alguém estava dentro dela.

Edward desceu do carro e caminhou lentamente na direção deste raio de luz. Dava passos calmos até chegar no lugar.

A porta da loja estava fechada com pranchas e a madeira coberta com papéis... Não se podia entrar por ali. Outra porta lateral levava sem dúvida a casa. Estava fechada com chave. Frustrado, voltou a olhar a pálida luz que saía da janela, a somente quatro metros de altura. Teria que esperar até que Black e sua amante saíssem.

Olhou a seu redor procurando um lugar onde se esconder, ocultando-se no vão da entrada. Cobriu nariz com o cachecol de lã para evitar os aromas de urina e lixo podre. Um taxi parou em frente a loja fechada, a poucos metros de onde se ocultava Edward. O motorista, permaneceu sentado olhando à frente.

A porta fechada que conduzia a casa se abriu. Um homem saiu, mas seu perfil não foi possível identificar. Um típico cavalheiro vestido com uma jaqueta clássica. Sua respiração se condensou no cinza ar frio. Sem dar conta de que estava sendo observado, o homem se voltou e fechou a porta com tranqüilidade. Edward voltou a se esconder no portal, com seus músculos tensos, a espera. "l'na, maldita seja", não era possível estar tão perto e ser incapaz de identificar alguém... Era Jacob Black ou o homem que Muhamed se negava a nomear?

Um homem e um menino, agasalhados contra o frio, passaram apressados ao lado de Edward com suas cabeças inclinadas para conseguir um pouco de calor e possivelmente para evitar serem eles mesmos testemunhas involuntárias. O som de passos apagados alertou Edward de que sua presa estava caminhando para o taxi parado. Inclinou-se para diante, tratando de ver algo por trás do tijolo.

A luz lateral do carro iluminou o homem com sua luz amarelada quando ele abriu a porta do taxi. A cor de seu cabelo lhe resultou vagamente familiar, mas não era negro... Devia ser o amante do Black. Como se percebesse que estava sendo observado, o homem se voltou. A luz do taxi marcou sua fisionomia com claridade.

Bella fechou a mão sobre a maçaneta da porta que conectava o quarto de Jacob com o seu. Ele estaria em casa? Não. Podia sentir o vazio filtrando por debaixo da porta, como se a solidão fosse invisível, mas não por isso menos tangível. "A língua de uma mulher é como um mamilo, pode-se mordiscar e sugar. Sua boca é como a vulva, para ser lambida e penetrada. Alguma vez teve a língua de um homem em sua boca?".

Colocaria Jacob sua língua na boca de sua amante? Estava fazendo naquele momento? Colocaria ela a língua dentro de sua boca quando o seduzira? Fechou os olhos e se apoiou na porta, invadida por uma incompreensível onda de rechaço. Meu deus! Não sabia o que estava lhe acontecendo. O que teria feito se Edward desabotoasse a parte dianteira da calça? E logo, contrariamente, perguntou o quão maior seria que a caneta de ouro. Mais largo? Mais grosso?

Ele havia dito que uma mulher inexperiente ante as formas do amor ou uma que tinha passado por uma longa abstinência, necessitava uma penetração pouco profunda. Enquanto que uma mulher que tinha dado a luz a dois meninos precisaria toda a longitude do homem dentro dela para conseguir maior satisfação. Os músculos do estômago de Bella se contraíram ao pensar em suas pálidas pernas elevadas sobre os ombros musculosos de Edward.

Suas pálpebras se abriram de repente. Jacob era seu marido e Edward era seu tutor. Deveria estar imaginando suas pernas elevadas sobre os ombros de seu marido.

Edward se dera conta de suas olheiras. Um ridículo sentimento de gratidão a embargou. Depois lhe seguiu o desgosto. Tinha que estar realmente desesperada por um pouco de atenção se sentia agradecida com um homem que notava de suas olheiras.

De maneira impulsiva, cruzou o grosso tapete e acendeu outras luzes no quarto. Luzes e sombras atravessaram aquele quarto familiar, devolvendo a cor azul ao tapete que estava no escuro e foi desenhando com a claridade os contornos retangulares da mesa de carvalho e de seu espelho

Depois de tirar da bolsa "O Jardim Perfumado", que levava religiosamente a todas as lições, como se a biblioteca dele fosse realmente uma escola e o livro de erotismo, um manual. Desabotoou o sutiã, tirou o vestido e o pendurou também no armário. Se sentia aliviada, livre de todas aquelas roupas antiquadas.

Uma rápida olhada em seu pálido corpo atraiu sua atenção, voltou-se e contemplou a mulher refletida no espelho. Estava vestida com uma camisola de seda branca. Sua pele era quase da mesma cor que seus objetos íntimos. "Você tem um corpo bem proporcionado... Deve se sentir orgulhosa dele...".

Seus seios eram pálidos globos, cheios e plenos. Os mamilos estavam escuros, apertados.

De maneira atrevida, Bella tirou sua camisola e toda peça intima. Resistindo o instinto de não olhar e se afastar, endireitou-se e examinou o corpo nu no espelho.

Sua cintura não estava alargada depois das gestações. Seus quadris se arredondaram de maneira proporcional e o pequeno fio de pêlo no centro de suas coxas era de um vermelho escuro. Tinha sido sempre tão... Exuberante? Ou era que a maturidade havia... Realçado seu corpo?

As sombras delineavam sua clavícula e desenhavam pequenas covinhas em seus joelhos. Elevou os braços e passou as mãos por detrás para afrouxar os alfinetes da trança, sujeita num coque. Os seios no espelho se elevaram, sobressaindo-se do corpo da mulher.
Soltando as presilhas sobre o tapete, Bella afrouxou a trança, usando as mãos para sacudir o cabelo que, brandamente sedoso, deslizou por suas costas, por seus ombros e por seus seios, como uma manta de cor mogno espalhado sobre seu corpo. Logo, deslizando as mãos para sua nuca elevou os braços, sustentou seu cabelo no alto e para trás para que caíssem em cascata sobre suas mãos e seus cotovelos enquanto seus seios se elevavam, inchando e realçando.

Bella olhou fixamente a mulher nua do espelho como se estivesse enfeitiçada. Era... Bela. Uma mulher que tinha dado a luz e amamentado dois meninos. Uma mulher digna de amor.

Passou a língua por seus lábios, nos quais cintilou sua pálida língua rosada. Pareciam mais avultados que de costume. Para ser beijado... "Toque..." como se tivessem vida própria, seus dedos se separaram de sua nuca, deixando cair a morna cabeleira de seda.

Timidamente, cavou as mãos para sustentar seus seios. Aquelas pequenas mãos femininas que no espelho atuavam em sintonia com os movimentos de Bella.

A pele era suave, avultada, ligeiramente úmida na parte inferior. Bella podia sentir a dura espetada de seus mamilos nas palmas de suas mãos. Endureceriam os mamilos de um homem quando uma mulher os tocava? "Realmente gosta que uma mulher mordisque seus mamilos? Sim, senhora Black". Um ardor líquido estalou em sua vulva. Arrastou as mãos por suas costelas, no contorno arredondado de seu estômago.

"Todos desejamos que nos toquem...".

Tocou-se abertamente, observando-se. Seu cabelo se enroscava ao redor da mão branca do espelho, por baixo estava a morna e úmida carne como lábios umedecidos pela saliva. "Táchik o heub".

Bella imaginou um homem investindo seu corpo tão profundamente que o pêlo púbico de ambos se misturava, mogno escuro e bronze brilhante. Lábios firmes e suaves cobriam os dela. Uma língua penetrava em sua boca, enchendo-a, enquanto que ele enchia seu corpo com seu membro viril. Seus tenros lábios inferiores se incharam sob a ponta de seus dedos, como fruta amadurecida, pedindo ser tomada, acariciada...

O suave clique de uma porta que se fechava soou sobre o bater forte do coração de Bella e a agitação de sua respiração.

Jacob. Tinha voltado para casa.

Ficou imóvel, com os dedos presos a sua pele, incapaz de se mover. Ele devia ter visto que sua luz estava acesa. Viria a seu quarto e a encontraria assim, nua tocando suas partes íntimas, ardente...

Um ruído surdo transpassou a porta fechada que separava seus aposentos. Um homem que se preparava para dormir, um homem deslizando-se para dentro da cama... Um homem deixando a uma mulher sozinha.

Edward havia dito que ela não era uma mulher covarde. Então, por que não cruzava seu quarto e abria a porta que a separava de Jacob? Por que não ia até seu marido, nua e lhe mostrava que podia lhe dar tanto prazer como sua amante?

As lágrimas derramaram por face, lágrimas odiadas, lágrimas de uma covarde. Colheu com fúria a camisola da cama e a colocou pela cabeça. Eliminou rapidamente todos os sinais de sua debilidade, os alfinetes, as roupas íntimas e os sapatos. Havia sentido tanta urgência em se tocar, que nem sequer tirara os sapatos. Apagou as luzes e se escondeu sob a colcha.

A voz de Edward a perseguiu em seus sonhos. "Uma mulher que deu a luz a dois filhos... Não se importará que eu seja um bastardo árabe. Só alcançará verdadeira satisfação sob minhas carícias..."

Quando ela tinha dezoito anos, ele tinha a mesma idade e com certeza tinha grande experiência sexual em seu haver. Ela tinha conhecido a dor e a frustração, ele só tinha conhecido o prazer.

A dor veio depois.

Já que não podia mudar o passado, podia dar a Bella um futuro.

—Sua curiosidade é natural, Taliba.

—O vigilante do museu não pensou o mesmo.

Os lábios de Edward desenharam um sorriso. A idéia de Bella tentando levantar com determinação a folha de mármore que não se movia enquanto um guarda britânico lutava por impedir era tão vivida que ele quase sorriu. Pensar em sua humilhação o fez ficar sério imediatamente.

- Alguns homens têm medo das comparações. - Disse com agilidade.

—Mas você não.

As palavras saíram de sua boca sem que ela se desse conta.

- Tenho meus próprios temores. – Ele levantou-a a cabeça.

—O que tem a temer um homem como você?

Que não sou um homem. Que jamais voltarei a ser homem.

- Mas há coisas que um homem não confessa por temor que as palavras às convertam em realidade.

Não poderia viver consigo mesmo, sabendo que era verdade. Não poderia viver consigo mesmo não sabendo que era verdade. Como podia esperar que uma mulher vivesse aquilo que ele não podia?

— O que teme, Bella Black?

Seus lábios se abriram... Lábios suaves, rosados. Imediatamente, ela echou a boca numa linha fina e firme e voltou sua atenção ao falo.

— É este um membro meritório?

Ele se perguntou o que ocultava agora. Tinha medo de que seu marido alguma vez lhe desse prazer? Ou tinha medo de encontrá-lo em um Homem como ele?

—Conhece a fórmula. Meça-o.

Edward observou com o fôlego contido, como ela colocava o couro através da largura da palma de sua mão.

—O largo de uma mão e meia... —Ela elevou as pálpebras, seus olhos brilhavam. - Segundo minhas mãos. Você não respondeu a minha pergunta, Sr. Cullen.

A boca de Edward estava seca, como se tivesse mastigado areia do deserto.

—É meritório.

— Todos os homens ficam assim quando está ereto?

Edward aspirou fundo. —Um homem está mais flexível.

- Na quinta-feira pela manhã você me disse que gostava que uma mulher o agitasse e apertasse. De que outra maneira se pode dar prazer a um homem?

—Pode tomá-lo em sua boca, lambê-lo e sugá-lo. - Disse com audácia.

As palavras eram perturbadoras, para ela e também para ele.

—Como a um mamilo.

Não lhe moveu nem um fio de cabelo.

—Ou um clitóris.

—As mulheres...

Sua voz era rouca. Teria a mesma voz, pensou Edward, quando ele estivesse dentro dela.

- Colocam o pênis em suas bocas?

Edward fechou os olhos, sofrendo uma aguda dor física, imaginando a boca de Bella, o cabelo de Bella, o prazer de Bella.

—Sim, senhora Black. As mulheres o fazem.

— Que sabor tem?

L'na. Maldita seja. Ela não podia ignorá-lo.

Abriu os olhos, observando-a com curiosa fascinação.

Não, ela não sabia. Chorou interiormente a morte daquela inocência que ele se encarregaria de destruir.

—Temo que seja algo que terá que comprovar por si mesma. - Disse impassível.

— O que sabe uma mulher?

O que saberia Bella.

—Doce. Salgada. Como... Uma mulher. Suave, quente, úmida e apaixonada.

A paixão podia queimar, e muito.

Até onde chegaria ela antes que seu pudor ocidental a contivesse? Até onde chegaria ele antes de perder o controle?

— O que pensou você quando viu uma mulher pela primeira vez?

O que havia ele pensado aos treze anos, quando a prostituta que seu pai lhe tinha proporcionado se deitara de barriga para cima com as pernas abertas?

Que a vulva de uma mulher era a coisa mais fascinante que jamais tinha visto. Como um lírio rosado.

Quando se toca, umedece. Quando se excita, suas pétalas se abrem para desvelar um pequeno casulo secreto. Era o brinquedo por excelência.

O olhar de Bella se separou da sua, inclinando sua cabeça.

—Sem dúvida, é impossível que uma mulher introduza a totalidade do membro masculino em sua boca.

Mas ela tentaria. Quando chegasse o momento, lhe daria tudo e mais do que ele jamais tivesse desejado.

—Não é necessário que uma mulher o introduza por completo, só a coroa e os primeiros centímetros. Pode apertá-lo e acariciá-lo enquanto o beija e o chupa.

As palavras beija e chupa vibraram no ar entre ambos.

Como um mamilo.

Como um clitóris.

— Alguma vez uma mulher introduziu todo o seu na boca?

Edward recordou o prazer dos lábios e a língua de uma mulher. O calor sexual alagou sua face.

—Não.

— Gostaria que o fizesse?

Só se poderá fazê-lo sem machucar a si mesma, Taliba. Ele pensou.

—Prefiro que uma mulher me receba por completo em sua vagina.

Uma brasa saltou dentro da lareira. O corpo de Edward ficou tenso, aguardando a seguinte pergunta. Tinha-lhe dado as rédeas, se lançaria Bella a correr com elas?

- Já aconteceu de alguma mulher não poder colocá-lo inteiramente dentro da vagina?

- Sim. – A palavra teve que ser arrancada de seu peito.

- Uma virgem?

- Sim.

- Mulheres que tenham ficado muito tempo sem tal ato?

- Sim.

- Porem, não uma mulher que tenha dado a luz a dois filhos.

- Não. – Concordou ele, enfaticamente. – Uma mulher que tenha dado a luz a dois filhos me aceitará por inteiro.

Não seria capaz de viver se ela não o tomasse todo.

Edward olhou fixamente a cabeça inclinada, esperando. Observando o escuro jogo das luzes que brincavam com o cabelo dela.

- Que coisas pode fazer um homem com uma mulher de seios grandes e que não seja bem proporcionada?

Edward respirou fundo, porem não o suficiente. A necessidade de respirar queimava seus pulmões. Olhou para os seios cobertos pelo pano negro, recordando-os brancos e suaves, deliciosos, que haviam se sobressaído sob o decote de seu vestido quando haviam dançado.

- Pode-se também colocar o membro entre os seios e apertá-lo, para ficar entre eles... Como se fosse a vulva.

Imediatamente, Bella ergueu os ombros, pressionando-os para protegê-los do olhar dele... Ou para imitar a pressão de suas mãos.

— O que é isto?

Edward deu uma olhada para o falo embalado em sua mão.

Um relâmpago de calor ardente percorreu todo seu membro, como se ela tivesse seus dedos a seu redor e não no couro insensível. Esforçou-se por se concentrar nela, que estava acariciando o falo e não em seu próprio corpo.

—Isso se chama glande. Junto à coroa, a cabeça com forma de ameixa, estão as partes mais sensíveis do corpo de um homem.

Bella elevou a cabeça bruscamente. — Mais sensível que os lábios de um homem?

A simples vista, seus olhos cor chocolate refletiam a lembrança, o tremor elétrico das sensações que tinham percorrido seus corpos quando ela havia tocado seu lábio inferior.

Ele imaginou o que aconteceria se os dedos dela roçassem ligeiramente a coroa de seu membro. E não duvidou o mínimo ao responder.

—Sim.

— Treme... Como aconteceu com seu lábio?

Tremia por apenas ela falar dele.

—Chame-o por seu nome, Taliba. - Ordenou.

"O lesas". - Respondeu ela, obediente.

"O unionista" . Chamado assim porque uma vez dentro de uma mulher, empurra e força até que o pêlo púbico se encontra com o dela e segue adiante, empurrando como se tentasse inclusive forçar os testículoa a entrar nela.

O sexto movimento.

A dor da virilha se transladou até seu peito.

Os desejos dela... Os desejos dele... Estava tornando cada vez mais difícil mantê-los separados. E acima de ambos se elevava a ameaça de seu marido.

De todas as pessoas que podia escolher como amante, por que teria escolhido a que Edward tinha visto a noite anterior?

— Quanto tempo mais pensa permanecer sem sexo, senhora Black?

Bella apertou o falo artificial com tanta força que os nós de seus dedos empalideceram.

Edward fez uma careta de dor.

— Quanto tempo mais pensa permanecer sem sexo, Sr. Cullen?

—O tempro que for necessário.

—O mesmo digo.

Ele observou-a intensamente.

—Todo mundo merece ser amado pelo menos uma vez, senhora Black.

Inclusive alguém como ele.

A confusão brilhou em seus olhos claros. Imediatamente se deu conta do que tinha mostrado no seu rosto se refletira num horror absoluto.

Tentando escapar o antes possível dele na manhã anterior, ela esqueceu do que havia escrito no papel que ele tinha dado, quando lhe ordenou que tomasse notas.

Bella se recordava agora. Recordou o que tinha escrito... E que tinha atirado o papel sobre a mesa. ali o tinha deixado... E ele havia visto. "Quarenta maneiras de amar. Lebeuss o djoureb. Por favor, Deus, me deixe amar embora seja uma vez".

Sem prévio aviso, ela soltou o falo dentro da caixa forrada de veludo e a depositou com força sobre a mesa, deixando-a junto a sua xícara.

—Devo partir.

—A necessidade de ser amado não é algo do qual se deva envergonhar, Taliba.

Ela segurou a bolsa e se levantou.

Edward estirou a mão e pegou o falo da caixa. Ainda estava morno, pelo calor das mãos dela. Balançou-o em sua palma. Ao largo da mão, como ela havia feito.

Bella cravou o olhar naquela mão que movimentava o falo artificial. O couro duro e a carne viva e morna. Seus pensamentos eram tão evidentes que Edward sentiu como se estivesse violando sua privacidade em apenas fitá-la.

—Objetos como estes são os preferidos num harém.

Bella endireitou suas costas. Olhou para cima com um brilho de repulsão em seus olhos... .E muitas coisas mais —Você quer dizer que... As mulheres os usam...

—Sim. —Sugestivamente ele fechou seus dedos ao redor do couro, formando com eles uma espécie de vagina. - Há muitas mulheres e um só homem.

Ela deu um passo para trás. A poltrona de couro vermelha saiu despedida pelo tapete.

—Comprei este ontem numa loja. Há tanta demanda na Inglaterra como na Arábia.

Bella girou e fugiu para a porta.

—Uma mulher sempre tem alternativas, senhora Black. —Lançou as palavras atrás dela, sabendo que ela as compreenderia.

No dia anterior pela manhã, ela havia dito que era uma mulher e que suas opções eram poucas, que devia fazer com que seu casamento funcionasse porque era o único tinha.

Bella estava equivocada.

Teria outras alternativas. Se tivesse coragem de decidir por elas.


Eu sei, eu sei.

Eu demoro horrores para atualizar essa fic tão querida por vocês. Mas nao tem o que fazer, estava em provas e focado em projetos proprios. Espero que vocês nao tenham me abandonado e ainda me presenteiem com reviews. RIGHT?

Eu ja nem tenho mais o que dizer sobre esses capitulos e acreditem, a tendencia é melhorar. :)

Beijo beijo,

Drigo