Edward POV.
Antes mesmo de abrir meus olhos, eu me encontrava sorrindo. No começo, assustei-me um pouco, pensando que tudo poderia ter sido um sonho, mas não era.
O cheiro nos lençóis que me cobriam pertencia a ela.
Rolei na cama, me sentindo mais feliz que nunca. Não conseguia parar de sorrir. Não conseguia parar de pensar na noite anterior.
Respirei fundo, meu coração batendo mais rápido de felicidade. Eu e Bella iríamos nos acertar, iríamos tentar, iríamos ficar juntos.
Como não ficar feliz?
- Edward?
Imediatamente me sentei, olhando Bella a minha frente. Sua expressão era séria e ela usava calça jeans e uma camiseta larga.
Linda.
- Bom dia – sorri. – Por que não se deita? Ainda não matei saudades...
Bella suspirou pesadamente.
- Por que você não toma um banho? – indagou, apontando para uma porta aberta; imaginei ser o banheiro. – Eu vou estar te esperando na cozinha.
Franzi a testa, confuso, olhando-a sair do quarto, tentando entender o que acontecera ali. Ela deveria estar feliz como eu estava... Deveria querer comemorar, como eu queria. Tínhamos ficado tanto tempo longe um do outro...
Levantei-me, assustado ao olhar o relógio e descobrir que já era manhã do outro dia.
Por quanto tempo eu dormi?
Peguei minhas roupas no chão e adentrei o local que Bella havia apontado, achando uma escova nova em cima da pia e uma toalha também ali. Tomei um banho rápido, escovei os dentes e saí do quarto.
Precisava conversar com Bella.
Precisava descobrir por que ela estava tão distante e fria.
Encontrei-a na cozinha, como a mesma havia dito, colocando várias comidas diferentes em um balcão que havia ali. Sentei-me, observando-a, sem dizer nada.
- Pode comer – sussurrou, evitando me olhar nos olhos.
Comi sem ainda dizer nada, porque de fato eu me encontrava faminto.
Mas quando terminei e Bella tentou se afastar, segurei-a pelo braço e fazendo com que olhasse para mim.
- O que está acontecendo? – perguntei. – Eu pensei que tínhamos nos revolvido, acordei esperando encontrá-la na cama... E você está aí, toda distante, como se nada tivesse acontecido e...
- Porque é exatamente isso, Edward – cortou-me. – Nada aconteceu. Foi apenas sexo. E eu fiz, para mostrar isso para você. Não vamos ficar juntos, nada mudou.
Congelei, sem saber o que pensar, sem saber o que dizer.
- Você não pode estar falando sério... – sussurrei.
- Pois eu estou – deu de ombros, finalmente se livrando do meu aperto. – Eu te disse que eu estava me sentindo sozinha, Edward, te disse que confundi as coisas. E foi só isso.
Não fiquei ali mais nenhum minuto. Levantei-me e cruzei a porta da cozinha, correndo para fora daquela casa, correndo para fora da vida de Isabella Swan.
Assim como ela tinha me pedido.
Desci a rua correndo, adentrando meu carro e enfim deixando que as lágrimas escorressem.
Edward, quando eu estava na prisão, estava me sentindo muito solitária... E eu percebi que confundi os sentimentos... Que eu gosto de você mais do que amigo do que qualquer outra coisa... Nada aconteceu. Foi apenas sexo. E foi só isso.
Bati a cabeça contra o volante, tentando tirar tudo o que ela havia dito da minha mente, mas não conseguia.
Nossos momentos passaram por minha mente. Não conseguia acreditar que ela havia feito aquilo, que de fato tudo não tinha passado disso... momentos.
Coloquei a chave na ignição, dando partida logo em seguida. Não sei quanto tempo demorei para chegar em casa, partindo direto para o escritório.
Sabia que iria demorar a esquecê-la, que iria demorar a conseguir seguir em frente, mas eu iria conseguir.
Eu tinha que conseguir.
Sabia que as lembranças iriam sempre me perseguir. Principalmente ontem... As carícias, os beijos, os gemidos...
Porém, eu iria tentar.
Bella POV.
As lágrimas escorreram assim que escutei a porta dos fundos ser fechada. Sentei-me na cadeira, afundando meu rosto entre meus braços e deixando que os soluços escapassem.
Essa noite com Edward fora um erro; tudo fora um erro. Seria mais difícil agora me focar no que eu precisava e seguir em frente.
Demorou um pouco até eu conseguir me acalmar. Arrumei a bagunça da cozinha, tentando manter minha mente longe do assunto Edward. Rosalie logo estaria ali, trazendo o remédio que eu pedira.
Sorri um pouco ao me lembrar de Rose me xingando quando eu pedi que ela trouxesse uma pílula do dia seguinte novamente.
- Bella?
Virei-me, encontrando Rose ali, com uma sacola na mão, sorrindo para mim.
- Ei – disse. – Tudo bom?
- Tudo ótimo – estreitou os olhos, jogando a sacola no balcão. – Toma o remédio logo, anda. Nós precisamos conversar.
Tomei a pílula e fui com Rose até a sala. Sentei-me no sofá e respirei fundo, sem saber por onde começar.
Foi difícil contar tudo sem chorar. Mas mesmo não concordando totalmente ela entendeu meus motivos.
- Você acha que ele vai voltar? – indagou-me. – Acha que ele caiu na sua mentira?
- Não sei, Rose – suspirei, dando de ombros. – Eu espero que sim, de verdade... Só quero resolver tudo logo e tentar conseguir o perdão dele.
Rose abriu um sorriso então, me pegando de surpresa.
- Sobre isso... – começou. – Jacob me ligou hoje, disse que tinha uma coisa para fazer. Não explicou nada, mas disse que é importante e que talvez vá te ajudar muito.
Eu sorri com essa notícia, torcendo para que desse certo, torcendo para que tudo desse certo.
Porque eu precisava disso.
Definitivamente, eu precisava disso.
Jacob POV.
Eu me lembrava do dia que tinha reencontrado minha prima, Rosalie Hale.
Tínhamos nos distanciado muito, mas quando ela chegou com essa proposta maluca de ajudá-la a provar a inocência de Isabella Swan, eu aceitei.
Porque fazíamos isso desde criança. Lembrava-me perfeitamente de nós dois sempre ajudando um ao outro. Rose me ajudava quando eu aprontava e, no começo da adolescência, me dava cobertura quando eu precisava sair bem tarde da noite para me divertir com meus amigos. E eu a ajudava quando precisava também.
Sempre foi assim.
Até que nos separamos, já que seus pais se mudaram, e acabamos nos distanciando.
E agora eu estava aqui, buscando provas, qualquer coisa que fosse capaz de provar a inocência de Bella. Uma pessoa que eu tinha conhecido há poucos meses, mas que já considerava muito como amiga.
Amigos em quem eu confiava muito me ajudavam no que podiam, já que eu não entrava em detalhes nem dizia que Bella estava viva. E, graças a eles, descobri que Riley tinha uma pessoa em quem confiava, uma pessoa que valia muito para ele: Bree Tanner.
Foi fácil descobrir tudo sobre sua vida.
Uma mulher já quase na casa dos quarenta, mas ainda muito bonita, e que tinha uma vida muito simples. Tivera um relacionamento com Riley quando ambos eram adolescentes, mas depois eles perceberam que tudo não passava de amizade e sempre foram próximos.
E depois de algumas tentativas de me encontrar com ela sem que ninguém percebesse nada, eu consegui uma informação.
Riley deixara um pacote com ela e pedira que ela passasse somente quando tivesse certeza de que era a hora certa.
Demorou um tempo até que ela confiasse em mim, mas consegui. Nós havíamos nos encontrado pouco – bem pouco. Apenas em lugares pouco freqüentados. Contei a ela que Riley nos daria tudo o que tinha sobre Isabella naquela noite que fora morta. Foi quando ela decidiu me entregar o pacote.
E estava indo buscar tal pacote em um estacionamento.
Estacionei o carro próximo ao lugar onde tínhamos combinado de nos encontrar, para o caso de precisar fugir e desci, já me encostando na pilastra.
- Sr. Black?
Virei-me, um pouco assustado, mas já deixando um suspiro aliviado escapar ao vê-la ali, um sorriso trêmulo no rosto.
- Apenas Jacob, Bree, lembra-se? – sorri. – Trouxe o que eu pedi?
Ela assentiu.
- Aqui está.
Suas mãos tremiam quando ela ergueu o pacote meio amassado em minha direção. Peguei-o rapidamente, sem nem querer olhar o que tinha lá dentro.
Precisava estar em um local seguro antes de começar a analisar tudo.
- Obrigado, Bree – sorri. – Eu entro em contato com você. Trate de chegar em casa em segurança.
Ela assentiu rapidamente, ainda sorrindo.
- Fico feliz em poder ajudar – deu de ombros. – Riley ia gostar disso. A gente se fala, senhor... er, Jacob.
Acenei para ela, correndo até o carro e já entrando. Dei partida e saí dali o mais depressa possível, enrolando um pouco nas ruas e só seguindo para o meu escritório quando tinha certeza de que não estava sendo seguido.
Sentei-me à mesa, já puxando o pacote. Era pequeno demais para conter muita coisa, mas deveria ser importante, certo? Riley havia deixado com uma pessoa de confiança, não tinha?
Peguei uma faca que ficava guardada na minha gaveta, já pronto para cortar o lacre do pacote quando o barulho de um dos meus celulares descartáveis tocou, atrapalhando meus planos.
- Alô? – disse.
- Bree foi morta. – A voz de Sam soou do outro lado. – Um acidente de carro.
Engasguei.
- O quê? – grunhi. – Eu acabei de...
- Parece que foi um acidente – continuou, me cortando. – Não há marcas de facadas nem nada nela, então não podem ser eles...
- Parece estranho demais tudo isso – franzi a testa. – Tente descobrir alguma outra coisa, por favor, Sam, e entre em contato comigo.
Desliguei o celular e respirei fundo.
Voltei minha atenção para o pacote, decidindo abri-lo depois. Precisava conversar com Rosalie.
Peguei o celular descartável que eu usava para conversar com ela e Bella, já buscando seu número.
- Alô? – murmurou.
- Oi – disse. – Precisamos conversar. Pode se encontrar comigo no lugar de sempre?
Depois de combinar tudo com ela, desliguei o telefone e levantei-me, colocando o pacote novamente dentro da minha jaqueta e partindo para me encontrar com minha prima.
Bella POV.
Depois que Rose saiu, segui para o banho. Lavei o cabelo e deixei que a água quente batesse nas minhas costas.
Por mais que eu tentasse, não conseguia esquecer o que havia acontecido entre Edward e eu. Será que, se isso acabasse um dia, ele iria me perdoar? Será que seria capaz de passar por tudo aquilo que o fiz passar?
Apoiei minha cabeça contra o azulejo do banheiro, fechando os olhos e me lembrando dos nossos toques, nossos beijos... Ele parecia ter sido feito para mim. Eu parecia ter sido feita para ele.
Então, por que acontecer essas coisas? Por que sempre dar tudo errado para a gente?
Sentindo vontade de chorar novamente, saí do banho, me vestindo e já partindo para o escritório. O livro que eu estava escrevendo já passara da metade. Na verdade, eu já estava quase terminando.
Só não sabia ainda como seria o fim dele.
Digitei até meus dedos estarem doloridos e eu estar satisfeita com algumas ideias que haviam surgido. Fechei o notebook, logo após desligá-lo, e parti para o meu quarto, me jogando na cama e ligando a televisão.
Imediatamente voltei a pensar em Edward. Seu cheiro estava impregnado ali, naquela cama, onde partilhamos tanto ontem. Será que ele estava bem? Será que ele voltaria?
Respirei fundo, sem saber o que pensar e fazer. Sabia que era melhor para ele se manter afastado agora, por mais que eu o amasse. Queria que tudo estivesse encaminhado e seguro na minha vida antes de podermos ficar juntos.
Pensando nisso, acabei adormecendo, abraçando o travesseiro que Edward usara na noite anterior.
Edward POV.
Eu encarava tudo o que eu tinha guardado de Bella, sem conseguir me mexer direito.
Sabia que não podia continuar adiando aquilo, sabia que para conseguir seguir, de fato, em frente, tinha que me livrar de tudo aquilo, mas não queria ter que jogar fora...
Suspirei pesadamente, pegando meu celular e discando os números de Emmett.
- Fala, Edward! – riu, fazendo com que eu revirasse os olhos.
- Oi, Emmett – suspirei. – Pode passar no meu apartamento rapidinho?
Ele ficou calado durante alguns segundos e eu supus que ele estava falando com Rosalie.
- Claro, claro. Vou passar aí dentro de alguns minutos.
- Certo – assenti, mesmo ele não podendo ver. – Estarei te esperando então.
Desliguei o telefone e o coloquei no bolso, já organizando tudo na caixa e fechando a tampa novamente. Levei-a comigo para a sala e a deixei na mesinha de centro, antes de seguir para a cozinha e pegar uma cerveja na geladeira.
Emmett chegou alguns minutos depois, como havia dito. Passei uma cerveja para ele e o convidei a ver um jogo.
Tinha muito tempo que eu não fazia isso com meu irmão.
Xingamos juntos, brincamos e rimos como há muito não fazia.
- Antes de ir... – comecei, logo após o jogo terminar. – Pode levar isso?
Estendi a caixa para ele.
- O que é isso? – indagou, pegando-a.
- É uma caixa com as coisas de Bella – dei de ombros. – Não a quero mais. Pode entregar para Rosalie e pedir que leve até a ela?
Emmett me olhou meio desconfiado, sua testa franzida, mas não questionou minha decisão nem perguntou o motivo. Apenas assentiu e se despediu, saindo do meu apartamento logo após.
Desliguei a TV e limpei a bagunça que havíamos feito. Parti para o meu quarto, tomei um banho e me deitei na cama, respirando fundo e sentindo um vazio no peito.
Será que eu conseguia me esquecer dela algum dia?
Bella POV.
Acordei no dia seguinte com o celular tocando. Levantei-me de uma vez, ficando um pouco assustada quando olhei o relógio e percebi que já se passava de meio dia.
- Alô? – atendi ao celular rapidamente.
- Estou chegando aí dentro de quinze minutos. – Avisou Rosalie, fazendo com que eu respirasse fundo.
- Ok. Deixarei a porta aberta.
Como não daria tempo de tomar um banho, lavei o rosto, escovei os dentes e prendi os cabelos, antes de trocar de roupa rapidamente.
Desci as escadas correndo, já indo destrancar a porta e fiquei esperando por Rose na cozinha, enquanto preparava meu almoço.
- Boa tarde, Bella – disse de repente, me assustando.
- Ei – sorri, me virando.
E então vi sua expressão.
Oh, não... O que será que havia dado errado dessa vez?
- Rose... – sussurrei. – O que aconteceu?
- Jacob está chegando também – murmurou. – Come de uma vez. Quando ele chegar, temos que conversar.
Ela saiu da cozinha, deixando-me ali sozinha e completamente confusa. Alguns minutos depois, escutei o barulho da televisão.
Suspirei pesadamente antes de voltar minha atenção à comida. Foi um pouco difícil de engolir a comida, mas consegui. Comecei a lavar a louça e senti uma presença atrás de mim.
- Oi, Bella. – Jacob murmurou. – Por que não se senta?
Assenti, sentando-me e o encarando.
- Fala logo – pedi. – O que deu errado dessa vez?
Ele respirou fundo.
- Estávamos contatando uma garota que conviveu com seu ex-chefe durante anos – começou. – Tudo deu certo, conseguimos pegar uma coisa que vamos analisar e descobrir se é valiosa ou não, mas...
- Mas... – incentivei.
- Ela morreu ontem – disse. – Foi dado como um acidente, mas descobri que na verdade foi sabotagem. E eles não fariam isso, Bella, não tinham porque matá-la... A não ser...
- A não ser que quisessem mandar um recado – sussurrei, incrédula. – Eles sabem, então? Sabem que estou viva?
- Eu não acho que saibam – deu de ombros. – Acho que imaginam que algo está acontecendo, porque não tem motivos para continuarmos procurando por respostas com você já tendo sido dada como culpada e tenha sido morta, mas...
- Bella? Jacob? – Rosalie gritou da sala, nos interrompendo. – Vocês precisam ver isso!
Corri até a sala, seguindo Jacob e parei diante da televisão, meu coração batendo mais forte a cada segundo que passava.
Eu não conseguia acreditar naquilo que eu estava vendo.
- Hoje pela manhã... – começou o repórter. – Policiais encontraram o corpo do médico Embry Call, responsável pelas execuções de vários condenados, desde o começo dos anos 2000. Seu corpo foi completamente esfaqueado e suas mãos estavam amarradas.
A partir desse momento, não consegui escutar mais nada, porque aquilo só podia significar uma coisa.
Eles sabiam.
Eles sabiam que eu estava viva.
N/A: Pois é. Bree e Embry morreram. E agora sabem que ela está viva. Será?
Bem, não vou falar muito porque senão acabo soltando coisinhas que não posso. Agora, aos poucos, as coisas vão sendo reveladas, ok?
Se alguém aí quiser spoiler, só deixar no review o email que eu mando assim que ler.
Até semana que vem, meninas.
Besos ;*
