Capítulo 11 – Euforia

Prinny tinha os olhos brilhando, fazia muito tempo que não servia a um mestre, poder fazê-lo lhe dava grande alegria. Severo tomava uma xícara de chá de seu café da manhã, o cheiro de bolo de ervas e pão fresco era revigorante. Sua esposa o olhava com vontade de rir, nunca imaginou que seu tão magro e sério ex-professor pudesse ser um admirador da boa mesa. Depois de engolir mais um pedaço de bolo o bruxo se recostou na cadeira e relaxou, a fome resolvida deu espaço em seu cérebro para uma duvida se criar.

- Prinny, onde você conseguiu o livro de magia que me deu de natal?

A pequena elfo cruzou as mãos sobre o corpo meio nervosa. – Prinny pegou das coisas de bruxa da Duquesa. Prinny tomou conta de tudo muito bem nesses anos todos.

- Onde ficam guardadas essas "coisas de bruxa" Prinny, dentro dessa casa que não estão por que eu e Hermione já reviramos tudo quando a arrumamos.

Prinny sorriu – estão aqui sim, mas muito bem escondidas.

- Então Prinny me mostre onde estão. – A elfo hesitou um pouco e percebendo Severo falou – É uma ordem.

A elfo estacou – Claro mestre, Prinny leva senhor lá.

Com passos rápidos a pequena criatura mágica se encaminhou para o corredor parando próximo a uma parede ao lado da cozinha que deveria pertencer a lateral do banheiro, Colocou a mão sobre esta e mexeu os dedinhos magros como se tocasse piano e a pedra foi se dissolvendo e uma porta de madeira surgiu, a elfo a abriu dando passagem a Severo e Hermione.

Era uma sala ampla e iluminada por janelas mágicas, era obvio que todo o cômodo foi construído com magia. Hermione não conteve uma exclamação ao perceber que as paredes eram cobertas de livros e compêndios de pergaminhos perfilados, ela correu até uma das prateleiras para ler as lombadas, notou que eram livros de magia de diferentes temas, mas predominantemente eram livros sobre poções. Tão absorta que estava que não percebeu Severo se aproximar também muito impressionado.

- Quando me falou que queria ser mestre em poções eu lhe disse que era uma pena não possuirmos muitos livros, agora, os temos de sobra, acredito até que com tantos você nem tenha mais tempo para mim.

Hermione virou-se seria querendo contradizê-lo, sempre teria tempo para ele, mas notou que o bruxo ria divertido e resolveu brincar também – Por certo agora terei muito com o que me ocupar, talvez me mude para cá, acho que você não ia se importar...

O bruxo bufou e a pegou pela cintura firme a apertando contra o seu corpo – Nem pense nisso, se você se mudar para cá pode ter certeza que eu venho junto, a capturo e a arrasto para o nosso quarto só deixarei você sair de lá quando jurar que não vai me deixar sozinho de novo.

Os olhos de Hermione procuraram os de Severo, nas obsidianas ela viu a verdade do que ele, sem querer, dissera brincando. O homem não queria ficar sozinho de novo, ela agora era a companheira dele além de sua amante sua amiga, ela o amava e era correspondida. Dentro daquele mundo hostil e solitário eles eram duas almas unidas pelo amor e que nunca ficariam sós novamente por que nunca se separariam. Ela sentiu uma lagrima doce descer por seu rosto. Severo que assistia o passar de sentimentos pelos olhos de sua mulher secou a lagrima com a ponta do dedo. Ela escondeu o rosto no peito dele falando.

- Nós nunca mais ficaremos sozinhos, não enquanto tivermos um ao outro e o nosso amor. – Severo resfolegou a apertando contra o peito e se deu conta que não era mais uma alma perdida, tinha achado seu lugar.

Os passos rápidos da elfo pela sala os despertaram do enlevo romântico em que estavam. O pequeno ser andava rápido e chamava seus mestres.

- Prinny quer mostrar a mestre uma coisa, vem mestre. – Severo ficou irritado com a intromissão da elfo, se sentiu como sendo arrancado do paraíso para ser importunado, quase lançou uma azaração na pobre criatura, se conteve imaginando o que Hermione acharia se ele o fizesse provavelmente brigaria com ele, e o bruxo não queria se indispor com a esposa de jeito nenhum.

Prinny já estava do outro lado da sala, ela puxava um enorme lençol cinza de cima de alguma coisa, os bruxos se aproximaram, Hermione estava curiosa e Severo intrigado.

Assim que o pano foi ao chão se revelou para ambos um laboratório de poções igual, ou melhor, ao que o Snape tinha em Hogwarts, o bruxo ficou de boca aberta, sentiu uma sensação de euforia tomar conta de seu corpo, sentimento esse que foi aplacado por sua marcara de indiferença, ninguém notaria, mas estava lá em seu peito, ele foi até a bancada com um ar de pouco caso e passou a mão pelos frascos e caldeirões, tinha vontade de gritar, mas nunca ia fazer isso, ele estava feliz como um menino na noite de natal, no entanto ninguém ia saber.

Hermione notou nesse momento que conhecia seu marido, ela viu nos olhos dele a alegria verdadeira que a mascara escondia, ela pode sentir o animo e a energia do sentimento passar pelo corpo de seu homem apesar da aparente frieza. Resolveu, talvez, só para expressar o que via nele, demonstrar efusivamente sua alegria perante o achado.

- Olha que maravilha Severo! Agora a gente vai poder fazer as poções sem se preocupar com o que as pessoas podem ver ou não ver. Veja, tem prateleiras para os ingredientes, não teremos mais que escondê-los na dispensa. – Severo concordou meio sem jeito perante a espontaneidade com que ela falava. Agora ele sentia os braços dela em volta da sua cintura enquanto ela continuava falando de como isso seria ótimo para ela estudar e quantas novas possibilidades isso traria... Ele a olhou nos olhos, e teve vontade de rir de si mesmo quando notou o brilho sagas que permeava os orbes castanhos, tinha certeza que ela sabia que ele estava feliz.

Uma hora depois todos os ingredientes já estavam em suas novas prateleiras. A elfo ensinou aos dois a maneira de entrar na sala, batendo os dedos na parede em uma ordem determinada com em uma musica num teclado de piano. Severo achou a coisa meio ridícula, no entanto estava tão empolgado com a sala secreta, como ele a chamou, que deixou isso para lá. Após concluir o trabalho se refestelou em uma das poltronas da nova sala para começar a ler os livros, Hermione o acompanhou. Passaram toda a manhã lendo e comentando um com o outro o que tinham achado. Antes de saírem para almoçar Severo trouxe sua sacola do quarto e a colocou aberta no chão da sala, com um aceno de varinha os seus livros que estavam quadrados dentro, assim com alguns outros objetos mágicos e de preparar poções saíram voando indo para onde ele determinou com o feitiço, tudo se organizou rápido e eficientemente. A sacola agora só continha seu dinheiro bruxo, ele resolveu que a deixaria na sala pendurada em um cabide por ser o lugar mais seguro da casa.

Depois do almoço Snape teve que sair para atender mais algumas pessoas com gripe e Hermione foi se arrumar para receber uma visita da duquesa, pediu a Prinny que preparasse chá, bolo e biscoitos para a amiga. Elas tinham começado a ler juntas um romance de cavalaria muito interessante que a duquesa achou em dois volumes iguais na biblioteca do castelo, a bruxa, como lia muito rápido, já tinha terminado há alguns dias e só agora a duquesa tinha conseguido dar fim ao seu, ela viria hoje para que pudessem debater o livro e comentar o que mais tinham gostado, Hermione estava ansiosa, pois gostava muito da amiga.

Pouco mais de uma da tarde a duquesa chegou, mas não estava alegre e descompromissada como normalmente se apresentava nessas visitas literárias, Abigail, ao contrario estava tensa e assim que entrou tomou as mãos da amiga que a olhava apreensiva e a levou até o sofá velho.

- Hermione minha querida, oh meu Deus! Como estou preocupada com você!

A bruxa se assustou, será que havia acontecido algo a Severo que estava na rua e a duquesa veio lhe contar? – Mais nervosa do que já tinha se sentido na vida perguntou – O que ouve Abigail, fale logo, algo com meu marido?

A duquesa apertou as mãos da amiga. – De certa forma sim. – Hermione sentiu o mundo girar sobre seus pés achou que ia desmaiar e se apoiou na amiga. – fala logo, o que aconteceu?

A duquesa ia começar quando a porta se abriu e Severo entrou com a cara mal humorada de sempre, Hermione deu um grito de alivio e se lançou para ele se jogando em seus braços. – Você está bem meu amor. Graças a Deus! Achei por um instante que você estivesse... Oh!...

Severo não estava entendendo nada, olhava para a esposa em seus braços tão abalada sem saber o que fazer, se virou para a duquesa procurando respostas e a viu tão chocada quando ele.

- Hermione se acalme e me explique o que houve.

- A duquesa me falou que estava preocupada comigo e que tinha algo haver com você eu fiquei nervosa, achando que tinha lhe ocorrido algo na rua. – ela falou ainda abraçada a ele.

A duquesa levou a mão à boca assustada e pesarosa – Desculpe Hermione não era minha intenção assusta-la eu realmente estou preocupada, mas não com a saúde do seu marido, mas com o que pode acontecer com vocês por causa de algo que o padre me contou.

Assim que a mulher acabou de falar Severo enrijeceu. Hermione o soltou e se virou para a amiga. – O que o padre lhe contou?

- Ele falou que vocês são... - Abaixou a voz meio constrangida, tapando a boca para que ninguém a ouvisse, falou baixinho. – Amasiados. – Assim que terminou fez o sinal da cruz.

- Ele disse que nós somos o que? - Perguntou Hermione que não tinha ouvido direito o que a duquesa tinha dito. A mulher reinterou enrubescendo. – Amasiados, amigados como o povo diz. Que vocês não se casaram enfrente a um sacerdote. – A duquesa estava tão vermelha que Severo achou que ia lhe sair fumaça das orelhas, assim que acabou de falar Abigail começou a se abanar com o livro tomada pela vergonha.

- Abigail, não fique assim. - Hermione falou piedosa – nós nos casamos pela lei da Escócia, nosso casamento é totalmente legal. – sorriu demonstrando uma confiança que não sentia, pois sabia o quanto religiosas eram as pessoas medievais.

A duquesa começou a se recuperar. – Vocês não entendem isso é muito serio, se uma coisa dessas cair na boca do povo daqui você, minha amiga, não seria recebida na casa de ninguém até mesmo eu teria que parar de vir aqui, não que eu me importe com isso, mas tenho uma filha mulher, eu frequentar a sua casa a colocaria em desonra e tornaria impossível arruma lhe um casamento quando chegasse a hora.

Hermione estava chocada para dizer o mínimo, Severo se aproximou de sua esposa e pousou a mão em seu ombro dando lhe apoio.

- Senhor Prince... – A duquesa continuou. – Acredito que ame sua esposa. Sei que para o senhor pouco mudaria se o fato fosse descoberto, ninguém ia lhe fechar as portas, mas para o bem de sua mulher deve se casar com ela descentemente, imagine se tiverem filhos, eles seriam bastardos, senhor, quer isso para eles? E essa casa, foi dada ao senhor por meu marido, para sua família, se o senhor morresse hoje Hermione não teria direito a nada, ela ficaria sem ter onde morar, por que ela não é sua esposa. – a duquesa tinha firme convicção que eles não tinham casado na igreja por causa do homem, ela já percebera que ele não gostava de ir à missa e sempre que podia escapava das celebrações. A duquesa se sentia no dever, já que era amiga de Hermione, de convencê-lo a fazer a coisa certa para a esposa.

Severo não sabia o que dizer, ele não imaginava ser intimado a se casar com Hermione pela duquesa, entendia como a mulher se sentia, e sabia como as pessoas poderiam ser cruéis por serem preconceituosas. O que o incomodava de verdade era que ele não gostava de estar sendo manipulado pelo padre, sim por que era isso que estava acontecendo, o velho foi correndo contar para a duquesa que eles não eram casados na igreja por que sabia exatamente o que a mulher ia fazer, e o velho conseguiu direitinho coloca-lo com a faca no pescoço. Se eles achavam que o encurralaram iam se decepcionar, afinal ele tinha vivido anos na mão de Dumbledore sendo manipulado e enredado para não saber como isso funciona. Ia reverter a situação a seu favor.

- Não sei por quem me tomas senhora duquesa, já que nunca lhe dei motivos para desconfiar da minha honra. Nunca disse que não me casaria na igreja com Hermione, na verdade eu me casaria com ela todos os dias se isso fosse necessário, em todas as religiões do mundo, pouco me importaria desde que ela fosse a noiva.

O bruxo virou Hermione de frente para ele e a olhou serio, mas a bruxa pode ver um pequeno divertimento com a situação no fundo dos olhos negros do homem, ele estava fazendo algo que a duquesa não esperava, com certeza a mulher pensou que ele relutaria em se casar tendo ela que insistir e talvez coagi-lo de alguma forma, aquela aceitação fácil a baratinara. Severo piscou para Hermione e falou impostando a voz: – Minha muito querida Hermione, é de seu desejo se tornar uma mulher honesta?

A bruxa segurou para não rir. Tentou responder seria. Aquela formalidade medieval às vezes chegava a ser engraçada apesar de as consequências serem serias.

Meu caro senhor ficaria muito honrada em me tornar novamente sua esposa. – O bruxo sorriu para ela e se virou para a duquesa com um certo ar de escárnio velado, pois não queria afrontar a nobre. Qualquer tentativa morreu quando ele notou que a mulher estava emocionada e enxugava os olhos com a ponta de um lencinho.

- Que coisa mais linda, que bom que o senhor pensa assim senhor Prince, por favor, deixe-me contar o que planejei para vocês. – O bruxo sorriu debochado para a mulher que nem notou de tão empolgada que estava. – Domingo depois da missa venham almoçar no castelo conosco, assim que chegarmos da celebração vamos diretamente para a capela particular do duque e o padre casará vocês em segredo, ninguém precisa saber que não eram casados anteriormente, eu e o duque seremos suas testemunhas e tudo estará resolvido em poucos minutos. – A mulher se levantou do sofá e abraçou Hermione. – Estou tão feliz por você minha amiga...

Assim que a duquesa saiu severo xingou – Aquele padre filho de um Cérbero do inferno. Você percebeu com ele nos manipulou, desgraçado, foi correndo contar para a duquesa só para nos obrigar a casar sobre a tutela dele, cretino, se eu pudesse lançava um cruciatus bem nos fundilhos dele, velho rabugento.

Hermione assistiu o surto de revolta do Severo em silencio, sentindo uma dor estranha em seu peito. E quando falou deixou transparecer em sua voz o tanto que estava chateada.

- Você está tão bravo assim por ter que se casar comigo Severo? Então não precisa, eu não me importo com o que vão falar, vou avisar a duquesa que não iremos nos casar.

Severo olhou-a assustado, ele estava com raiva do padre e não de se casar, mais que depressa ele se levantou e foi até ela. – você não entendeu, eu não estou com raiva de me casar com você até por que já somos casados pela lei bruxa e isso é irreversível, só não gosto de ser manipulado.

- Severo, você se casaria comigo se tivesse escolha...

O bruxo ficou em silencio alguns instantes, Hermione estava insegura da vontade dele de desposa-la ele tinha que deixar claro a ela por mais difícil que fosse para ele falar de seus sentimentos qual era seu desejo, para isso pegou a mão de sua bruxa, a levou aos lábios e falou muito serio. – Hermione acabou de perceber que não posso me casar com você. – Hermione ficou tensa, se ele a deixasse a culpa era dela, ela tinha provocado, nunca se perdoaria. Ele continuou: – Não posso me casar com você antes de fazer o pedido como deve ser feito. Eu sei que quando nos casamos, nós não tínhamos essa intenção, dessa vez é diferente, quando eu disser que quero me casar com você essa será a expressão do desejo do meu coração, e você Hermione. Quer casar comigo?

A bruxa sentiu as pernas tremerem, ela esperava uma resposta positiva dele, mas um pedido era além de suas expectativas, ela tremia quando disse a resposta:

- Sim por que eu te amo.

Ele a puxou para um beijo doce cheio de devoção e falou em seus lábios – eu te amo.

O domingo chegou trazendo uma chuva fina e gelada, Hermione acordou cedo estava ansiosa pelo casamento, já tinha olhado todo seu guarda roupa e não achou nada que gostaria de vestir em seu casamento. Severo já estava pronto há muito tempo e ela ainda em roupa de baixo olhava para seu parco suprimento de vestidos, na verdade sua melhor roupa era a que ganhou de natal de Prinny, não queria usa-lo, no entanto por ser muito bordado e inadequado para o dia. A lembrança do vestido a fez questionar como a elfo tinha o conseguido, Hermione resolveu chama-la.

- Prinny, - falou com a elfo mostrando o vestido bordado, - como conseguiu esse vestido?

- Tem vários deles lá na sala secreta, eram da antiga mestra de Prinny. – Me mostra Prinny, eu sei que você sabe que vou me casar hoje, será que lá tem algo que eu possa usar?

A elfo bateu palminhas alegres e falou sorrindo. – Tem sim mestra, Prinny sabe do vestido perfeito. A elfo desapareceu e voltou em poucos minutos, em seus braços um lindo vestido cor de perola rosado, bem bordado com o outro mais muito mais discreto, sobre o peito uma renda fina e delicada e para a cabeça um véu suave bordado como uma mantilha. Hermione achou que ainda era demais, falou com Prinny se tinha outro mais simples.

- Mestra só se casa uma vez na vida, e quando se casa por amor Prinny acha que se tem que festejar. Mestra vai ficar tão linda nesse vestido. Experimente!

Hermione não resistiu e colocou o vestido e a mantilha, ficou perfeito, era como ela queria ficar em seu casamento, ela resolveu que seria assim que iria, Dane-se que ficasse muito chamativo, em todo caso colocou a capa preta que Severo lhe trouxe de Londres por cima e a fechou sobre o vestido, sentiu um arrepio ao pensar na surpresa de Severo ao vê-la vestida daquele jeito, ela tomou a decisão que só ia deixa-lo ver a roupa na hora da cerimônia por supertição para dar sorte e talvez por um pouco de vaidade feminina em querer ver-lhe a admiração nos olhos.

Partiram para a igreja, Severo tentou tirar a capa de Hermione quando entraram no templo, ela não deixou. – Não deve ver o vestido da noiva antes do casamento. – o bruxo que estava com as mãos sobre os ombros da capa as soltou na hora, assentiu com um aceno de cabeça e a ajudou a sentar, ambos ficaram no ultimo banco perto da saída.

Severo achou que o padre o estava torturando, essa com certeza era a mais longa missa já presenciada por ele, o celebrante não terminava nunca o sermão, e o tema era o pecado da carne e como a desonra se abatia sobre aqueles que se entregavam fora do casamento.

A missa acabou depois de uma eternidade, e eles partiram para o castelo. A duquesa os recebeu a porta e levou Hermione para outra sala, o duque se encarregou de levar Severo para a capela, lá já os aguardava o padre em seus paramentos parado no altar.

Pouco depois Hermione e a duquesa entraram juntas na capela, Severo resfolegou ao vê-la, como ela estava linda, sobre a mantilha a duquesa tinha posto uma Guirlanda de flores do campo e dado um buquê das mesmas nas mãos da sua bruxa, ela estava parecendo uma ninfa ou fada, ele teve certeza de ser um homem de muita sorte.

O casamento foi muito rápido e logo os dois casais saíram da capela. Severo estava emocionado, e segurava o braço de Hermione com força, quando a ouviu dizer que o aceitava teve que se segurar para não deixar cair uma lagrima.

Hermione estava feliz, ela percebia a forma como Severo a conduzia e sentiu a emoção dele, esse era o dia mais feliz de sua vida.

O jantar não tinha gosto de nada para Severo e ele era incapaz de distinguir qualquer um dos pratos tamanho seu estremecimento emocional, ele queria ir para casa com Hermione o mais rápido possível e fazer amor com ela até amanhecer.

O duque estava se levantando da mesa, Severo esperava com ansiedade esse momento para poder sair, era questão de minutos agora, começou a medir os riscos de aparatar com sua bruxa ao invés de esperar a carruagem.

Todos já estavam de pé quando um dos cavalheiros que tomava conta da muralha entrou correndo no salão e gritou:

- Sua graça, os vikings, senhor, eles estão nos atacando, lançaram flecha e uma delas tinha uma mensagem que nos ameaçava, ou nos rendemos ou eles invadem o castelo e acabarão com nossas vidas. Senhor o que vamos fazer?

O duque, pego de surpresa, estacou em pé próximo a mesa. A tensão que a revelação trouxe era palpável, as pessoas estavam visivelmente apavoradas. Hermione não era diferente ela se aproximou de Severo que percebendo como ela se sentia a abraçou a trazendo-a para mais perto de si.

Sir Alister se aproximou do duque e juntos se retiraram para um canto, certamente estavam discutindo o que fazer, pelo menos foi o que Severo pensou. Ninguém se atrevia a falar uma palavra, o antes barulhento salão agora jazia em silencio sepulcral.

Não demorou muito para que o duque voltasse e falasse a todos:

- Não iremos nos entregar, o castelo é inexpugnável, todos estarão seguros aqui dentro, sir Alister sugere, e eu concordo com ele, que devemos fazer uma força de guerra e ir atacar os vikings de surpresa, eles não esperam uma ofensiva, nós temos muitos homens fortes na vila, e bons cavalheiros treinados, podemos dar a eles uma lição para que nunca mais tentem saquear o castelo ou nossa vila. Nós venceremos esses bandidos pagãos em nome de Deus!

A voz do duque ecoou pelo salão silente, e foi seguida de um turbilhão de gritos eufóricos de viva e os homens presente começaram a brandir suas espadas e facas. Hermione agarrou a roupa de Severo, seu corpo todo temendo olhou para ele e viu em seus olhos a resposta que era seu maior temor. Tentando evitar o obvio falo baixo para ele – Vamos embora daqui, para Londres, por favor, diga que vamos embora.

Severo lançou a ela um arremedo de sorriso, ela teve certeza nesse momento que seu marido não pensava em fugir, ele não faria uma coisa dessas, ele nunca fora uma covarde. Lagrimas de desespero burilaram em seus olhos, para que elas não descessem em sua face ela afundou o rosto no peito de Severo. Do pranto de sua mulher ele sentiu apenas um sutil tremor em sua respiração, ele sabia que ela estava com medo, toda via, aquelas pessoas os haviam acolhido e confiado neles, não podia fugir e deixa-los a própria sorte, mesmo não podendo lutar como um bruxo seria útil no campo de batalha como medico e se preciso como soldado. Hermione soluçava em seus braços como um bichinho abandonado o que partia seu coração. Em um gemido ele a ouviu o chamar.

- Severo... – sua voz estava visivelmente rouca pelo choro contido. – Volte vivo, jure para mim que você vai voltar vivo, já lhe vi a morte uma vez e não quero passar por isso de novo. Jure.

- Farei tudo que puder, eu quero voltar vivo, tenho um bom motivo para voltar. – ele lhe beijou os cabelos e a apertou contra o peito, ele pedia com fervor ao destino que ele voltasse para os braços dela.

A partir daquele momento as coisas se tornaram frenéticas dentro das muralhas do castelo. Cavalos e armas sendo distribuídos, todos os homens com condição de segurar uma espada foram chamados. Enquanto Severo arrumava sua bolsa com todas as poções e ataduras que pode duplicar ou preparar, dentre essas o vidro de Felix Felicis. Hermione olhava a vila de sua janela, de lá via mães aos prantos vendo seus filhos irem para a guerra, esposas tão desesperadas quando ela mesma e crianças que em sua inocência pegavam gravetos e brincavam de lutar contra os vikings. Foi decidido que eles partiriam ao entardecer pouco depois das quatro horas o duque chegou e Severo veio atendê-lo.

- Senhor Prince, gostaria de saber se o senhor tem alguma experiência com a guerra, sabe usar uma arma? – Severo não sabia como responder, ele passou toda a sua vida enfiado em uma guerra sem fim e terrível, mas nunca usara armas trouxas.

- Eu passei minha vida em meio à guerra, de onde eu e minha esposa viemos uma terrível batalha tinha acabado, mas eu sempre trabalhei como medico e não como cavalheiro. O Duque pousou a mão sobre o ombro de Severo e falou:

- Será muito útil como medico, mas esteja preparado para qualquer coisa, os vikings tem fama de serem terríveis. – Severo assentiu. – o duque pegou um cinturão com uma espada longa presa a ele e deu a Snape que a pegou e a ficou olhando meio desolado. O duque bateu a mão em seu ombro novamente e falou dessa vez para Hermione – A senhora deve ir para o castelo ficar junto com minha família, lá é bem mais seguro ficara protegida. Severo agradeceu ao duque.

Na hora de irem para o castelo Severo pegou a guirlanda de flores que Hermione usou no casamento e a recolocou sobre o cabelo de sua esposa. – Quero lembrar-me de você com ela quando eu estiver longe. – Hermione a ajeito na cabeça e segurou para não chorar.

Antes de saírem Hermione chamou Prinny:

- Você deve ficar na sala secreta, se eu precisar de você a chamarei, não se arrisque e se por acaso a casa for invadida vá a meu encontro invisível entendeu.

A elfo fez que sim e foi para seu esconderijo.

Hermione e Severo chegaram ao castelo do duque, os homens já estavam perfilados no portão aguardando a ordem de partida, Suas esposas filhos e filhas se despediam deles em uma cena desoladora. Um cavalariço se aproximou de Snape com um lindo garanhão negro que se fosse em outra ocasião fariam os olhos negros de Severo brilharem, agora era só a lembrança do perigo que o rondava.

A realidade se abateu sobre ele quando ouviu o discurso do duque conclamando os homens a batalha, ele falava de gloria e vitoria, mas Severo escutava morte de desgraça, ele percebeu que estava farto daquilo tudo, que o sabor da batalha a muito já tinha abandonado seu paladar e que a sensação antes entorpecente de estar a um passo para a morte agora lhe era horrível e dolorosa, ele tinha sonhado passar essa noite fazendo amor com sua esposa, e o destino lhe oferecia um banho de sangue, talvez de todos aqueles homens ele fosse o mais experiente em batalhas, talvez em suas costas pesassem muito mais mortes, mortes suficientes para que euforia de uma batalha não lhe causasse nada além de náuseas. Ele vestia uma capa preta grossa de lã, tinha um capuz que ele jogou sobre a cabeça para lhe proteger da chuva que caia cada vez mais insistente.

Hermione estava ao lado dele e a figura encapuzada envolto em vestes negras lembrava muito um comensal da morte, um arrepio correu por sua espinha, Severo viu o temor nos olhos de sua esposa, ela tinha medo dele vestido daquele jeito, ele a puxou para perto e olhou nos olhos dela, a sentiu relaxar e a beijou tranquilizando-a ela se jogou nos braços dele e assim eles ficaram até que o duque anunciou a partida, Snape se soltou da mulher e montou o cavalo, olhou para traz uma ultima vez antes de partir para se unir ao duque, ele não se despediram com palavras, os sentimentos que ambos tinham não podiam ser transmitidos pela fala. A chuva começou a se intensificar como uma ajuda piedosa para que as lagrimas de todas as mulheres que ficaram para trás se perdessem fazendo com que a ultima imagem que seus homens tiveram delas parecesse mais valente do que na verdade era.

A dor de Hermione era quase insuportável, ela ficou em pé em frente a porta do castelo vendo os homens se distanciarem, seus olhos turvos de lagrimas, o barro levantado pelos cavalos e a chuva que caia impiedosa deixaram a barra de seu vestido suja, ela levou a mão a cabeça arrancando a guirlanda, a deixou cair no chão, era a segunda vez que sua vida era trespassada por uma guerra, na primeira vez podia ter perdido a vida, nessa se arriscava a perder sua razão de viver.


Notas da autora:

Olá gente, mais um cap entregue, coitada da Mione... Vai esperar até eu escrever o próximo cap para rever o Severo, kkkk

Muito obrigada a todos que comentaram, fiquei muito feliz! Espero que gostem do capítulo e deixem mais comentários e me façam sorrir!

Leyla