N/Bia: Antes de mais nada tenho que dizer que é o capítulo foi escrito por Mila, que estou só postando.

Guest~~ Pois é. Eu não queria ser o Sirius nessa hora.


Capítulo 11 - A Firebolt

Harry não tinha uma ideia muito clara de como conseguira voltar ao porão da Dedosdemel, atravessar o túnel e sair mais uma vez no castelo.

- Andando?

Só sabia que a viagem de volta parecia não ter demorado nada, e que ele mal se apercebera do que estava fazendo, porque sua cabeça continuava a latejar com a conversa que acabara de ouvir.

- Compreensível.

Por que ninguém lhe contara? Dumbledore, Hagrid, o Sr. Weasley, Cornelius Fudge... Por que ninguém jamais mencionara o fato de que seus pais tinham morrido porque o melhor amigo deles os traíra?

Regulus não entendia muito do que estava acontecendo, mas achava que se fosse com o padrinho dele que tivesse matado o seu pai, ele iria querer saber. Mesmo que Sirius não tenha feito isso realmente.

Ron e Hermione observavam Harry, muito nervosos, durante o jantar, sem sequer se atrever a conversar com ele sobre o que tinham ouvido, porque Percy estava sentado perto deles.

— Não tem nada haver com o fato de que quando o Harry está nervoso ele dá medo. — Fred falou sarcástico. — Bem mais fácil culpar o Percy.

— Eu não do medo quando estou bravo.

— Claro que não, Harry. — George falou como se estivesse tentando acalmar um bebê e todos deram risada, principalmente quando James comentou que ele puxou a mãe nesse aspecto e os dois em questão fecharam a cara.

Quando subiram para a concorrida sala comunal, foi para descobrir que Fred e George tinham soltado meia dúzia de bombas de bosta num arroubo de animação de fim de trimestre.

— Como nunca pensamos nisso, Padfoot?

— Boa pergunta, Prongs. Anote para não esquecermos, Moony.

— Nem pensem nisso.

— Mas, Lily...

— Sem "mas, Lilly", James!

— Sim, senhora.

Harry, que não queria que os gêmeos lhe perguntassem se tinha chegado ou não a Hogsmeade,

- Nossa, sobra pra a gente - reclamou Fred.

subiu sorrateira e silenciosamente para o dormitório vazio e foi direto ao seu armário de cabeceira. Empurrou os livros para um lado e não demorou nada a encontrar o que estava procurando – o álbum de fotografias encadernado em couro que Hagrid lhe dera havia dois anos, repleto de fotos mágicas de seus pais. O garoto se sentou na cama, fechou o cortinado e começou a virar as páginas, procurando, até que...

— Harry... — Alice falou não gostando nada do caminha que esse parágrafo estava tomando.

— Esta tudo bem agora, tia Alice. — Harry falou sorrindo para a garota que arregalou os olhos e perguntou "tia Alice?" — Oras, vocês falaram que vão mudar o que aconteceu, então eu vou crescer chamando vocês de tios e tias!

Harry quase não teve tempo de pensar antes de Alice se jogar em seus braços com olhos marejados. Todos na sala também estavam sorrindo, Lily e James tinham lagrimas nos olhos também.

- Agora Harry, foi muito emocionante ser chamada de tia e tudo, mas me fez sentir velha - riu Alice.

- Desculpe.

- Tudo bem.

Parou numa foto do dia do casamento dos pais. Lá estava seu pai acenando para ele, sorridente, os rebeldes cabelos negros que Harry herdara apontando para todas as direções.

Lily sorriu. Ela jamais admitiria, mas o cabelo de James era uma das coisas que ela mais gostava nele.

Lá estava sua mãe, radiante de felicidade, de braço dado com o seu pai.

Severus olhou para baixo não querendo ver os sorrisos trocados pelo casal. Regulus e Harry viram seu movimento e cada um colocou uma mão em cada lado do ombro do garoto, que deu um pequeno sorriso de agradecimento para eles.

E lá... Aquele devia ser ele. O padrinho... Harry jamais lhe dera atenção antes.

— Wow, brigada, Harry! — Sirius falou tentando não parecer que estava sendo afetado pelo livro. — Me sinto muito mais amado agora.

- Mas... - Harry ia dizer que ele não o notara antes porque ele não era importante. Só que se ele era o padrinho de casamento, então ele tinha que ser muito próximo de James e Lily. Por que ele não prestara atenção antes? - Desculpe.

Se não tivesse sabido que era a mesma pessoa, jamais teria pensado que era Black naquela velha foto.

Sirius estreitou os olhos. Não sentia boa coisa vindo.

Seu rosto não era encovado e macilento,

- Claro que não, eu sou Sirius Black - revirou os olhos.

mas bonito e risonho.

- Eu disse que eu sou perfeito.

- Tá Sirius, menos.

- Eu sei que você gosta, Lene.

Silêncio.

- Gosto mesmo.

Já estaria trabalhando para Voldemort quando a foto fora tirada?

- Não, porque ele nunca trabalhou nem vai trabalhar - falou Remus, decidido.

Já estaria planejando as mortes das duas pessoas ao seu lado? Saberia que ia enfrentar doze anos em Azkaban, doze anos que o tornariam irreconhecível?

Todos na sala perceberam o semblante de Sirius ficar mais sombrio com casa frase que Alex lia, mas ninguém falou nada, tem horas que é melhor deixar a pessoa com seus próprios pensamentos.

Mas os dementadores não o afetam, pensou Harry examinando atentamente aquele rosto bonito e risonho. Ele não tem que ouvir minha mãe gritando quando eles chegam muito perto...

— Que você saiba. — Sirius falou sombiamente e Harry olhou para baixo, não querendo encarrar os olhos de seu padrinho.

Harry fechou com violência o álbum e, abaixando-se, guardou-o de novo no armário, tirou as vestes e os óculos e foi dormir, cuidando para que o cortinado o escondesse de todos.

- Acho que Ron não vai cair nessa.

A porta do dormitório se abriu.

Harry? — chamou a voz de Ron, hesitante.

Mas Harry continuou quieto, fingindo que estava dormindo. Ouviu o amigo se retirar e virou de barriga para cima, os olhos muito abertos.

— Eu sabia! — Ron falou olhando bravo para o amigo.

— Harry, você sabe que pode falar com a gente. — Hermione falou e Ginny apertou sua mão, mostrando que ela também ajudaria ele se ele precisasse.

— Eu sei, Mione.

Um ódio que ele jamais conhecera começou a crescer dentro dele como veneno. Viu Black rindo-se dele no escuro, como se alguém tivesse colado a foto do álbum em seus olhos. Assistiu, como se estivesse vendo um filme, a Sirius Black explodir Peter Pettigrew, (que lembrava Neville Longbottom), em mil pedaços.

— Vou fingir que você não me comparou com um assassino. — Neville falou olhando feio para Harry.

— Desculpa, Nev.

- Como assim? - perguntou Frank assustado. Peter um assassino?

Ouviu (embora não tivesse a menor ideia do som que teria a voz de Black) um murmúrio baixo e excitado. "Aconteceu, meu Senhor... os Potter me escolheram para fiel do seu segredo". E então ouviu outra voz, rindo-se histericamente, a mesma risada que Harry ouvia mentalmente sempre que os dementadores se aproximavam...

— Pensamentos perfeitos para se ter antes de dormir... — Regulus falou tentando sorrir para o menino.

Harry, você... Você está com uma cara horrível.

O garoto só adormecera quando o dia ia raiando. Ao acordar, encontrou o dormitório vazio, deserto, se vestiu e desceu para a sala comunal, também vazia exceto pela presença de Ron, que comia sapos de creme de menta e massageava a barriga, e Hermione que espalhara os deveres de casa em cima de três mesas.

— Meu Senhor! — Marlene falou de olhos arregalados. — Eu achava que a gente que tinha muita lição!

— Não tire a Mione de exemplo. — Ginny falou. — Ela é uma anomalia. Quer dizer, nós temos muita lição, mas a Mione tava fazendo mais aulas que o normal.

Onde foi todo mundo? — perguntou Harry.

Embora! Hoje é o primeiro dia das férias, está lembrado? — respondeu Ron, observando o amigo atentamente. — É quase hora do almoço; eu ia subir para acordá-lo daqui a pouquinho.

Harry afundou em uma poltrona junto à lareira. A neve continuava a cair lá fora. Crookshanks estava esparramado diante da lareira como um grande tapete amarelo-avermelhado.

Hermione tentou não ficar triste com a lembrança de seu tão amado gato. Se lembrando que ela não deveria ficar triste por perde-lo e sim feliz por poder passar aqueles anos incríveis com ele.

Realmente você não está com uma cara muito boa, sabe — disse Hermione, examinando ansiosa o rosto do garoto.

Estou ótimo — retrucou ele.

Harry, escuta aqui — disse Hermione trocando um olhar com Ron — você deve estar realmente perturbado com o que ouviu ontem. Mas o importante é não fazer nenhuma bobagem.

— Harry? Fazer bobagem — Fred falou.

— Nunca! — George completou.

Como o quê?

Como tentar ir atrás de Black — disse Ron depressa.

Harry percebeu que os dois tinham ensaiado aquela conversa enquanto ele estivera dormindo. Não respondeu nada.

Você não vai, não é mesmo, Harry? — insistiu Hermione.

Porque não vale a pena morrer por causa do Black — disse Ron.

— Como se eu fosse matar meu afilhado.

— Foi mal.

Harry olhou para os amigos. Eles pareciam não ter entendido o problema.

Vocês sabem o que eu vejo e ouço cada vez que um dementador se aproxima de mim? — Ron e Hermione sacudiram a cabeça, apreensivos. — Ouço minha mãe gritar e suplicar a Voldemort.

—lily segurou a mão de Harry ainda abalada com a descoberta.

E se alguém ouve a mãe gritar daquele jeito, pouco antes de morrer, não dá para esquecer depressa. E se descobre que alguém que ela acreditava ser amigo foi o traidor que pôs Voldemort na pista dela...

Mas não tem nada que você possa fazer! — disse Hermione impressionada. — Os dementadores vão capturar Black e ele vai voltar a Azkaban e... E é muito bem feito para ele!

— De novo estou me sentindo tão amada.

— Desculpe, Sirius. Mas você não pode me culpar.

— Hermione! — Ginny olhou feio para a amiga.

— Não, ela esta certa, ruiva. — Sirius falou pensativo. — Com as pistas que eles estavam achando é de se esperar que ela pensasse assim.

Você ouviu o que Fudge disse. Black não é afetado por Azkaban como as pessoas normais. Não é um castigo para ele como é para os outros.

Então o que é que você está dizendo? — perguntou Ron muito tenso. — Você quer... Matar Black ou coisa parecida?

Não seja bobo — disse Hermione, cuja voz transparecia pânico. — Harry não quer matar ninguém, não é mesmo?

Mais uma vez Harry não respondeu. Ele não sabia o que queria fazer. Só sabia que a ideia de não fazer nada, enquanto Black continuava em liberdade, era quase insuportável.

Harry levantou do seu lugar entre a mãe e Severus com Ginny sentada no meio de suas pernas encostada em seu peito e se sentou ao lado do padrinho.

Malfoy sabe — disse ele de repente. — Vocês lembram do que ele me disse na aula de Poções? "Se fosse eu, ia atrás dele sozinho... Ia querer vingança."

Você vai seguir o conselho de Malfoy em vez do nosso? — perguntou Ron, enfurecido. — Escuta aqui... Você sabe o que a mãe do Pettigrew recebeu depois que Black acabou com o filho dela? Papai me contou... A Ordem de Merlim, Primeira Classe, e o dedo de Pettigrew em uma caixa. Foi o maior pedaço dele que conseguiram encontrar. Black é um louco, Harry, e é perigoso...

Ron olhou para Sirius pedindo desculpa com o olhar.

— Já chega! — Sirius exclamou assustando a todos. — Não quero mais ouvir ninguém pedir desculpa! Que se dane se vocês achavam que eu era um traidor que merecia morrer! Era essa a impressão que eu estava passando pra vocês, então se eu ouvir mais alguém me pedindo desculpa é melhor alguém estar preparado para me segurar porque eu vou socar essa pessoa!

— Desculpa. — Harry falou tentado reprimir um sorrisinho maroto.

— POTTER!

O pai de Malfoy deve ter contado a ele — disse Harry, não dando atenção a Ron. — Fazia parte do círculo íntimo de Voldemort...

Faz favor de dizer Você-Sabe-Quem? — exclamou Ron com raiva.

... Então obviamente, os Malfoy sabiam que Black estava trabalhando para Voldemort...

— Você fez de propósito, não fez? — Ron perguntou para Harry.

— Talvez.

... e Malfoy adoraria ver você desintegrado em um milhão de pedaços, como Pettigrew! Caia na real, Harry. A esperança de Malfoy é que você seja morto antes de ele precisar jogar Quadribol contra você.

Harry, por favor — pediu Hermione, os olhos agora brilhantes de lágrimas — por favor, tenha juízo. Black fez uma coisa horrível demais, mas não corra riscos, é isso que Black quer... Ah, Harry, você vai fazer o jogo do Black se for atrás dele. Seus pais não iam querer que você se machucasse, iam? Jamais iam querer que você saísse procurando o Black!

Eu nunca vou saber o que eles iam querer, porque, graças ao Black, nunca conversei com eles — disse Harry com rispidez.

— Estou feliz que isso mudou. — James falou sorrindo para o filho, que retribuiu o sorriso e piscou um olho para a mãe.

Houve um silêncio em que Crookshanks se espreguiçou com desenvoltura, flexionando as garras. O bolso de Ron estremeceu.

Escuta — disse o garoto, obviamente procurando mudar de assunto — estamos de férias! Já é quase Natal! Vamos... Vamos descer para ver o Hagrid. Não o visitamos há uma eternidade!

Não! — disse Hermione depressa. — Harry não pode sair do castelo, Ron...

É, vamos — disse Harry se endireitando na poltrona — assim posso perguntar a ele por que nunca mencionou o Black quando me contou a história dos meus pais!

Continuar a discussão sobre Sirius Black não era obviamente o que Ron tinha em mente.

Ou poderíamos jogar uma partida de xadrez — disse ele depressa — ou de bexigas. Percy deixou um jogo...

Não, vamos visitar Hagrid — disse Harry com firmeza.

Então os três apanharam as capas nos dormitórios e saíram pelo buraco do retrato (Levantem-se para lutar, seus vira-latas covardes!), desceram pelo castelo vazio e cruzaram as portas de carvalho.

— Eu sei que o clima ta tenso e tudo mais, mas eu amo essa escola... — Frank falou com um sorriso sonhador lembrando de suas aventura pelo castelo.

— Quem não? — Dorcas respondeu.

Os garotos caminharam sem pressa pelos jardins, deixando uma vala rasa na neve faiscante e solta, as meias e as bainhas das capas foram se molhando e congelando.

A Floresta Proibida parecia que fora encantada, cada árvore se cobrira de salpicos prateados e a cabana de Hagrid lembrava um bolo com glacê.

— Você deveria ter tomado café da manhã... — Josh falou dando risada da comparação.

Ron bateu, mas não teve resposta.

Será que ele saiu? — perguntou Hermione, que tremia embaixo da capa.

Ron encostou o ouvido na porta.

Tem um barulho esquisito — disse. — Escuta só, será o Canino?

Harry e Hermione encostaram os ouvidos na porta também. De dentro da cabana vinham uns gemidos baixos e soluçantes.

Será que não é melhor a gente ir chamar alguém? — perguntou Ron, nervoso.

Hagrid! — chamou Harry, dando socos na porta. — Hagrid, você está aí?

Ouviu-se um som de passos pesados, depois a porta se abriu com um rangido. Hagrid estava ali parado, com os olhos vermelhos e inchados, as lágrimas caindo pelo seu colete de couro.

Vocês souberam? — berrou ele, e se atirou no pescoço de Harry.

Tendo Hagrid no mínimo duas vezes o tamanho de um homem normal, isso não foi brincadeira.

O garoto, quase desabando sob o peso do gigante, foi salvo por Ron e Hermione, que seguraram um em cada braço de Hagrid, e o puxaram para dentro da cabana. O guarda-caça deixou-se conduzir até uma cadeira e se largou em cima da mesa, soluçando descontrolado, o rosto brilhante de lágrimas que escorriam por sua barba embaraçada.

Hagrid, o que foi? — perguntou Hermione perplexa.

Harry reparou em uma carta de aparência oficial aberta em cima da mesa.

Que é isso, Hagrid?

Os soluços de Hagrid redobraram, mas ele empurrou a carta para o garoto, que a apanhou e leu em voz alta:

Prezado Sr. Hagrid.

Dando prosseguimento ao nosso inquérito sobre o ataque do hipogrifo a um aluno seu, aceitamos as ponderações do Prof. Dumbledore de que o senhor não é responsável pelo lamentável incidente.

— Então por que ele ta chorando? — Marlene perguntou confusa.

Bem, então está tudo certo, Hagrid! — exclamou Ron, dando uma palmadinha no ombro do amigo.

Mas Hagrid continuou a soluçar, e fez sinal com uma de suas gigantescas mãos, convidando Harry a continuar a leitura da carta.

No entanto, devemos registrar a nossa preocupação quanto ao hipogrifo em pauta. Decidimos acolher a reclamação oficial do Sr. Lúcio Malfoy, e o caso será encaminhado à Comissão para Eliminação de Criaturas Perigosas.

— Não. — Dorcas falou baixinho colocando uma mão em frente a boca.

A audiência terá lugar em 20 de abril, e solicitamos que o senhor se apresente com o seu hipogrifo nos escritórios da Comissão, em Londres, nessa data.

Entrementes, o animal deverá ser mantido preso e isolado.
Atenciosamente...

Seguia-se uma lista com os nomes dos conselheiros da escola.

Ah! — exclamou Ron. — Mas você disse que o Buckbeak não é um hipogrifo bravo, Hagrid. Aposto como ele vai se safar...

Você não conhece as gárgulas da Comissão para Eliminação de Criaturas Perigosas! — respondeu Hagrid com a voz engasgada, enxugando os olhos na manga. — Eles têm má vontade com as criaturas interessantes!

— Ele quis dizer ariscas, mas que ele acha fofas... — Lissy falou balançando a cabeça.

Um som repentino vindo de um canto da cabana fez Harry, Ron e Hermione se virarem depressa. Buckbeak, o hipogrifo, estava deitado a um canto, mastigando alguma coisa que fazia escorrer sangue por todo o soalho.

Eu não podia deixar ele amarrado lá fora na neve! — explicou Hagrid, sufocado. — Sozinho! No Natal.

Harry, Ron e Hermione se entreolharam. Nunca tinham concordado com Hagrid sobre o que o guarda-caça chamava de "criaturas interessantes" e outras pessoas chamavam de "monstros aterrorizantes". Por outro lado, não parecia haver nenhuma maldade especifica em Buckbeak. De fato, pelos padrões normais de Hagrid, o bicho era sem dúvida engraçadinho.

Você terá que preparar uma boa defesa, Hagrid — falou Hermione, sentando-se e pondo a mão no braço maciço do amigo. — Tenho certeza de que você pode provar que Buckbeak é seguro.

Não vai fazer nenhuma diferença! — soluçou Hagrid. — Aqueles demônios da Eliminação, eles são controlados por Lúcio Malfoy! Têm medo dele! E se eu perder o caso, Buckbeak...

— Remus? — Dorcas chamou. — Quando voltarmos eu vou arrebentar a cara desse desgraçado, ta?

— Eu ajudo. — Marlene acrescentou.

— Vai ter que entrar na fila. — James falou.

Hagrid passou o dedo rapidamente pela garganta, depois deixou escapar um lamento, e caiu para frente, deitando a cabeça nos braços.

E Dumbledore, Hagrid? — perguntou Harry.

Ele já fez mais do que o suficiente por mim — gemeu Hagrid. — Já tem muito com que se ocupar só para segurar os dementadores fora do castelo e o Sirius Black rondando...

Ron e Hermione olharam depressa para Harry como se esperassem que o garoto fosse começar a criticar Hagrid por não ter contado a verdade sobre Black. Mas Harry não teve coragem de perguntar nada, não naquele momento em que estava vendo o amigo tão infeliz e amedrontado.

Escuta aqui, Hagrid — disse Harry — você não pode desistir. Hermione tem razão, você só precisa é de uma boa defesa. Pode nos chamar como testemunhas...

Tenho certeza de que já li um caso de alguém que provocou um hipogrifo — disse Hermione, pensativa — e o bicho foi inocentado. Vou procurar para você Hagrid, e verificar exatamente o que aconteceu.

Hagrid chorou ainda mais alto. Harry e Hermione olharam para Ron, pedindo ajuda.

Hum... E se eu fizesse uma xícara de chá para nós? — ofereceu-se o garoto.

Harry olhou para ele, espantado.

É o que a minha mãe faz sempre que alguém está chateado — murmurou Ron, encolhendo os ombros.

— Eu deveria ser o ultimo a admitir, — George começou. — mas o chá realmente ajuda.

— Como mágica! — Fred acrescentou dando risada da própria piada.

Finalmente, depois de muitas reafirmações de ajuda, e uma caneca de chá fumegante diante dele, Hagrid assoou o nariz com um lenço do tamanho de uma toalha de mesa e disse:

Vocês têm razão. Não posso me entregar assim. Tenho que me controlar...

Canino, o cão de caçar javalis, saiu timidamente debaixo da mesa e descansou a cabeça no joelho do dono.

Não tenho andado muito bem ultimamente — disse Hagrid, acariciando Canino com uma das mãos e enxugando o rosto com a outra. — Preocupado com o Buckbeak e com a turma que não está gostando das minhas aulas...

Nós gostamos! — mentiu Hermione na mesma hora.

É, elas são ótimas! — acrescentou Ron, cruzando os dedos embaixo da mesa. — É... Como é que vão os vermes?

Mortos — disse Hagrid sombriamente. — Alface demais.

— Ops.

Ah, não! — exclamou Ron, com um trejeito de riso na boca.

E esses dementadores fazendo eu me sentir péssimo e tudo o mais — disse Hagrid com um súbito estremecimento. — Tenho que passar por eles todas as vezes que quero beber alguma coisa no Três Vassouras. É como se eu estivesse de volta a Azkaban...

— As vezes eu esqueço que Hagrid foi pra Azkaban. — Ginny comentou tentando não pensar que o amigo tinha ido para a prisão por sua culpa.

Ele se calou e tomou um pouco de chá. Harry, Ron e Hermione o observaram prendendo a respiração. Nunca tinham ouvido Hagrid falar de sua breve estada em Azkaban. Depois de uma pausa, Hermione perguntou timidamente:

Lá é muito ruim, Hagrid?

Vocês não fazem ideia — disse ele com a voz contida. — Nunca estive em nenhum lugar assim. Pensei que ia endoidar. Ficava lembrando de coisas horríveis... O dia em que fui expulso de Hogwarts... O dia em que meu pai morreu... O dia em que tive de mandar Norberto embora...

Seus olhos se encheram de lágrimas. Norberto era o bebê dragão que Hagrid ganhara certa vez em um jogo de cartas.

A pessoa não consegue mais se lembrar de quem é depois de algum tempo. E começa a achar que não vale a pena viver. Eu tinha esperança de morrer durante o sono...

Sirius se esforçou muito, e falhou, para não pensar em como seria seu tempo em Azkaban. Se Hagrid se sentira assim em tão pouco tempo... Ele não queria nem pensar em como seriam suas noites naqueles 12 anos.

Quando me soltaram, foi como se eu estivesse renascendo, tudo voltou como uma avalanche, foi a melhor sensação do mundo. E vejam bem, os dementadores não gostaram nada de me deixar sair.

Mas você era inocente! — exclamou Hermione.

Hagrid riu pelo nariz.

Você acha que eles se importam com isso? Que nada. Desde que tenham umas centenas de seres humanos trancafiados com eles, para poder sugar toda a felicidade deles, não estão nem aí se alguém é ou não é culpado.

Hagrid ficou calado por um instante, olhando para o chá.

Depois disse em voz baixa:

Pensei em deixar Buckbeak ir embora... Tentar fazê-lo fugir... Mas como é que a gente explica para um hipogrifo que ele tem que se esconder? E... E tenho medo de desrespeitar a lei... — Ele ergueu os olhos para os garotos, as lágrimas outra vez escorrendo pelo rosto. — Não quero nunca mais na vida voltar para Azkaban.

Sirius trocou um olhar com seu irmão, os dois apreensivos, mas Sirius podia ver a determinação nos olhos do mais novo. Regulus já tinha feito essa promessa para ele mesmo, mas agora mais que nunca ele faria qualquer coisa para impedir que o irmão acabasse assim, mesmo que ele tivesse que esconder Sirius em baixo de sua cama.

A ida à cabana de Hagrid, embora não tivesse sido divertida, em todo o caso, produzira o efeito que Ron e Hermione esperavam. Ainda que Harry não tivesse de modo algum esquecido Black, não iria poder ficar pensando o tempo todo em vingança se quisesse ajudar Hagrid a vencer a causa contra a Comissão para Eliminação de Criaturas Perigosas.

Liy respirou aliviada e um pensamento aleatório lhe ocorreu: vou acabar desenvolvendo uma ulcera nervosa até o final desses livros.

Ele, Ron e Hermione foram, no dia seguinte, à biblioteca, e voltaram ao vazio salão comunal, carregados de livros que poderiam ajudar a preparar a defesa para o Buckbeak. Os três se sentaram diante do fogo forte que havia na lareira e folhearam lentamente as páginas de livros empoeirados sobre casos famosos de feras que saíram para roubar ou atacar gente, falando-se, ocasionalmente, quando deparavam com alguma coisa que servisse.

Aqui tem uma coisa... Houve um caso em 1722... Mas o hipogrifo foi condenado, eca, olhem só o que fizeram com ele, que coisa horrível...

Esse aqui pode ajudar, olhem... Um Manticora atacou alguém ferozmente em 1296, e deixaram o bicho livre... Ah... Não, foi só porque todos estavam com medo de se aproximar dele...

Nesse meio tempo, tinham sido armadas no resto do castelo as magníficas decorações de Natal, apesar de poucos alunos terem permanecido na escola para apreciá-las.

Grossas serpentinas de folhas e frutos de azevinho foram penduradas pelos corredores, luzes misteriosas brilhavam dentro de cada armadura, e o Salão Principal tinha as doze árvores de Natal de sempre, fulgurantes de estrelas douradas. Um cheiro forte e gostoso de comida invadia os corredores e, na altura da noite de Natal, estava tão forte que até Scabbers, no bolso de Ron, botou o nariz de fora para cheirar, esperançoso, o ar.

Na manhã de Natal, Harry foi acordado com Ron atirando um travesseiro nele.

Os presentes!

— Ah o consumismo do Natal...

Harry apanhou os óculos e colocou-os no rosto, tentando enxergar, na penumbra, os pés da cama, onde aparecera um montinho de pacotes. Ron já estava rasgando o papel que embrulhava os dele.

Mais um suéter de mamãe... Outra vez marrom-avermelhada... Veja se você também ganhou um.

Harry ganhara. A Sra. Weasley lhe mandara um suéter vermelho com o leão da Grifinória no peito, uma dúzia de tortas de frutas secas e nozes, um bolo de Natal e uma caixa com crocantes de nozes.

Lily sorriu e agradeceu, mais uma vez, Molly mentalmente. Ela não teria como agradecer tudo que a matriarca Weasley estava fazendo por seu filho, e eles ainda estavam no terceiro livro.

Quando empurrou tudo isso para um lado, ele viu um pacote fino e longo por baixo.

Que é isso? — perguntou Ron, espiando, enquanto segurava nas mãos um par de meias marrom-avermelhadas que acabara de abrir.

Não sei...

Harry rasgou o pacote e prendeu a respiração ao ver a magnífica e reluzente vassoura que rolara sobre sua cama. Ron largou as meias e pulou da cama dele para olhar mais de perto.

Eu não acredito — disse com a voz rouca.

— É um vibrador? — Marlene perguntou.

— Marlene! — Lily exclamou de olhos arregalados e vermelha.

— O que? — ela respondeu tentando parecer inocente. — um pacote fino e longo...

— Fique quieta, Marlene. — Alice interrompeu a amiga.

Era uma Firebolt, idêntica à vassoura de sonho que Harry tinha ido ver todas as manhãs no Beco Diagonal. O cabo brilhou quando ele a ergueu. Sentiu a vassoura vibrar e a soltou; ela ficou flutuando no ar, sem apoio, na altura exata para ele montá-la.

Os olhos de Harry correram da placa de ouro com o número do registro para a superfície do cabo, dali para as lascas de bétula perfeitamente lisas e aerodinâmicas que formavam a cauda.

Quem lhe mandou essa vassoura? — perguntou Ron em voz baixa.

Procure aí o cartão — disse Harry.

Ron rasgou o resto do papel de embrulho da Firebolt.

Nada! Caramba, quem gastaria tanto dinheiro com você?

Bem — disse Harry atordoado — aposto que não foram os Dursley.

Aposto que foi Dumbledore — disse Ron, agora rodeando a Firebolt, apreciando cada centímetro de sua glória. — Ele lhe mandou a Capa da Invisibilidade anonimamente...

Mas era do meu pai — respondeu Harry. — Dumbledore só estava passando a capa para mim. Ele não gastaria centenas de galeões comigo. Não pode sair dando coisas assim para alunos...

Por isso mesmo é que não ia dizer que foi ele! — concluiu Ron. — Para um debiloide feito o Malfoy não dizer que é favoritismo. — Ei, Harry... — Ron deu uma grande gargalhada. — Malfoy! Espera até ele ver você montado nisso! Vai ficar doente de inveja! É uma vassoura de padrão internacional, ah, isso é!

Não consigo acreditar — murmurou Harry, alisando a Firebolt, enquanto Ron afundava na cama dele, rindo de se acabar só de pensar no Malfoy. — Quem...?

Eu sei — disse Ron se controlando. — Eu sei quem poderia ter sido... O Lupin.

Quê? — disse Harry, agora começando a rir também. — Lupin? Olha, se ele tivesse tanto ouro assim, poderia comprar umas vestes novas.

— E te compraria a vassoura. — Remus falou rindo do rosto vermelho de Harry e Ron.

— Own eu sei que você me ama, tio Remus! — Harry falou com uma voz meio afetada.

É, mas ele gosta de você. E estava ausente quando a sua Nimbus se arrebentou, e talvez tenha ouvido falar do acidente e resolvido visitar o Beco Diagonal e comprar a vassoura para você...

Que é que você quer dizer com estava ausente? — perguntou Harry. — Ele estava doente quando eu joguei aquela partida.

Bem, ele não estava na ala hospitalar — disse Ron. — Eu estava lá limpando comadres, cumprindo aquela detenção que o Snape me deu, se lembra?

Harry franziu a testa para Ron.

Não posso imaginar Lupin comprando um presente desses.

Do que é que vocês estão rindo?

Hermione acabara de entrar, vestindo um robe e segurando Crookshanks, que estava com a cara de extremo mau humor e um fio de lantejoulas em volta do pescoço.

Não entra aqui com ele! — disse Ron, apanhando Scabbers depressa das profundezas de sua cama e guardando-o no bolso do pijama.

Ron não queria nem pensar no fato de ter dormido com aquele rato em sua cama e o colocado no bolso de suas vestes...

Mas Hermione não ouviu. Largou Crookshanks na cama vazia de Simas e grudou os olhos, boquiaberta, na Firebolt.

Ah, Harry! Quem lhe mandou isso?

Não tenho a menor ideia. Não tinha cartão nem nada.

Para sua surpresa, Hermione não pareceu nem excitada nem intrigada com a informação. Pelo contrário, ficou desapontada e mordeu o lábio.

Que é que você tem? — perguntou Ron.

Não sei — respondeu Hermione lentamente — mas é meio esquisito, não é? Quero dizer, essa é uma vassoura muito boa, não é?

Ron suspirou, exasperado.

É a melhor vassoura que existe no mundo, Hermione.

Então deve ter sido realmente cara...

Provavelmente custou mais do que todas as vassouras da Sonserina, juntas — disse Ron alegremente.

Bem... Quem iria mandar a Harry uma coisa tão cara e nem ao menos dizer que mandou? — perguntou Hermione.

— Uma admiradora secreta! — Fred exclamou fazendo todos rirem.

Quem quer saber disso? — retrucou Ron, impaciente. — Escuta aqui, Harry, posso dar uma voltinha? Posso?

Acho que ninguém devia montar essa vassoura por enquanto! — disse Hermione com a voz esganiçada.

Harry e Ron encararam a garota.

Que é que você acha que Harry vai fazer com ela... Varrer o chão?

Mas antes que Hermione pudesse responder, Crookshanks saltou da cama de Simas direto para o peito de Ron.

TIRE-O DAQUI! — berrou Ron, ao mesmo tempo em que as garras de Crookshanks rasgaram seu pijama e Scabbers tentou uma fuga desesperada por cima do seu ombro.

Hermione sorriu lembrando que o gato estava tentando ajudar seu amigo canino.

Ron agarrou Scabbers pelo rabo e mirou em Crookshanks um pontapé mal calculado que acabou acertando o malão aos pés da cama de Harry, derrubou-o, e fez Ron pular pelo quarto uivando de dor.

O pelo de Crookshanks de repente ficou em pé. Um assobio alto e fino começou a invadir o quarto. O bisbilhoscópio de bolso saltara de dentro das meias velhas do tio Válter e saíra rodopiando e cintilando pelo chão.

Eu tinha me esquecido dele! — exclamou Harry, que se abaixou e recolheu o bisbilhoscópio. — Nunca uso estas meias se posso evitar...

O pequeno pião girava e assobiava na palma da mão do garoto. Crookshanks Sybillva e bufava para ele.

Provavelmente tentando me avisar que o bisbilhoscópio estava se referindo a "Scabbers". Harry pensou.

É melhor você levar esse gato daqui, Hermione — disse Ron furioso, sentando-se na cama de Harry e massageando o dedão do pé. — Será que dá para você guardar essa coisa? — acrescentou ele para Harry quando Hermione ia se retirando do quarto.

Os olhos amarelos de Crookshanks continuavam fixos nele, cheios de malícia.

Harry tornou a enfiar o bisbilhoscópio nas meias e atirou-o de volta ao malão. Tudo que se ouvia agora eram os gemidos de dor e raiva que Ron abafava. Scabbers estava aninhado nas mãos do dono. Já fazia tempo que Harry o vira fora do bolso do amigo e teve a desagradável surpresa de observar que Scabbers, antigamente tão gordo, estava agora magérrimo; e também tinha perdido pelos em alguns pontos do corpo.

Ele não está com uma aparência muito boa, não é? — comentou Harry.

É estresse! — respondeu Ron. — Ele até estaria bem se aquela bola idiota de pelos o deixasse em paz.

Mas Harry, se lembrando que a mulher na loja de Animais Mágicos dissera que os ratos só viviam três anos, não pôde deixar de sentir que, a não ser que Scabbers tivesse poderes jamais revelados, O que ele tecnicamente tinha Hermione pensou ele estava chegando ao fim da vida. E, apesar das queixas frequentes do amigo de que o rato estava chato e inútil, ele tinha certeza de que Ron ficaria muito infeliz se o bicho morresse.

O espírito de Natal estava decididamente em baixa no salão comunal da Grifinória àquela manhã. Hermione prendera Crookshanks no dormitório das meninas, mas estava furiosa com Ron por ter tentado chutá-lo; Ron continuava fumegando de raiva com a nova tentativa que o gato fizera de comer seu rato. Harry desistiu de tentar fazer os dois se falarem e se ocupou em examinar a Firebolt, que trouxera com ele para a sala. Por alguma razão isto pareceu aborrecer Hermione também.

Ela não fez comentário algum, mas não parava de lançar olhares carrancudos à vassoura, como se esta também tivesse criticado Crookshanks.

À hora do almoço eles desceram para o Salão Principal e descobriram que as mesas das casas tinham sido encostadas nas paredes outra vez e que uma única mesa fora posta para doze pessoas no meio do salão. Os professores Dumbledore, Minerva MeGonagall, Snape, Sprout e Flitwick estavam sentados à mesa, bem como Filch, o zelador, que tirara o avental marrom de uso diário e estava enfatiotado com uma casaca muito velha de aspecto mofado. Havia apenas mais três alunos, dois novatos extremamente nervosos e um garoto mal-humorado da Sonserina.

Feliz Natal! — desejou Dumbledore quando Harry, Ron e Hermione se aproximaram da mesa. — Como éramos tão poucos, me pareceu uma tolice usar as mesas das casas... Sentem-se, sentem-se!

Harry, Ron e Hermione se sentaram lado a lado na ponta da mesa.

Balas de estalo! — disse Dumbledore entusiasmado, oferecendo a ponta de um tubo prateado a Snape, que o pegou com relutância e puxou. Com um estampido, a bala se rompeu e surgiu um grande chapéu cônico de bruxo encimado por um urubu empalhado.

Harry, lembrando-se do bicho-papão, procurou os olhos de Ron e os dois sorriram;

— Qualquer dia desses você vai ter que nos agraciar com essa visão! — Sirius falou olhando para Severus como uma criança olha para a mãe quando quer algo.

— Se você me acompanhar nessa aventura, talvez. — O garoto da Sonserina respondeu com um sorriso de lado para a surpresa de todos.

— Feito! — Sirius exclamou.

— Não podemos esquecer a bolsa. — O sonserino acrescentou.

— Ou a saia.

Todos na sala ainda estavam muito chocados para fazer qualquer comentário então ficaram todos quietos, mas tentando suprimir a risada.

a boca de Snape se comprimiu e ele empurrou o chapéu para Dumbledore, que o trocou pelo próprio chapéu de bruxo na mesma hora.

Podem avançar! — convidou ele aos presentes, sorrindo para todos.

Quando Harry estava se servindo de batatas assadas, as portas do salão se abriram. Era a Profª. Sybill Trelawney, deslizando em direção à mesa como se andasse sobre rodas. Tinha posto um vestido verde de paetês em homenagem à ocasião, o que a fazia parecer mais que nunca uma libélula enorme e cintilante.

Sybill, mas que surpresa agradável! — saudou-a Dumbledore, levantando-se.

Estive consultando a minha bola de cristal, diretor — disse a professora com a voz mais etérea e distante do mundo — e para meu espanto, me vi abandonando o meu almoço solitário para vir me reunir a vocês. Quem sou eu para recusar uma inspiração do destino? Na mesma hora me apressei a deixar minha torre e peço que me perdoem o atraso...

É claro — disse Dumbledore com os olhos cintilantes. — Deixe-me apanhar uma cadeira para você...

E, dizendo isso, usou a varinha para trazer, pelo ar, uma cadeira que girou alguns segundos e pousou com um baque entre os professores Snape e Minerva.

A Profª. Sybill, porém, não se sentou; seus enormes olhos começaram a passear pela mesa e ela subitamente deixou escapar um gritinho.

Não me atrevo, diretor! Se eu me sentar, seremos treze! Nada poderia ser mais azarado! Não vamos esquecer que quando treze comem juntos, o primeiro a se levantar será o primeiro a morrer!

Todos na sala reviraram os olhos.

Vamos correr o risco, Sybill — disse a Profª. Minerva, impaciente. — Por favor, sente, o peru está esfriando.

Sybill hesitou, depois se acomodou na cadeira vazia, os olhos fechados e a boca contraída, como se estivesse à espera de um raio atingir a mesa. Minerva enfiou uma grande colher na terrina mais próxima.

Tripas, Sybill?

A professora fingiu não ouvir. Reabriu os olhos, correu-os ao redor da mesa, mais uma vez, e perguntou:

Mas onde está o nosso caro Prof. Lupin?

Receio que o coitado esteja doente outra vez — disse Dumbledore, fazendo um gesto para que todos começassem a se servir. — Pouca sorte que isso fosse acontecer no dia de Natal.

Mas com certeza você já sabia disso, não, Sybill? — disse a Profª. Minerva com as sobrancelhas erguidas.

Sybill lançou a Minerva um olhar gelado.

Claro que sabia, Minerva — disse com a voz controlada. — Mas a pessoa não deve fazer alarde de tudo que sabe. Muitas vezes finjo que não possuo Visão Interior para não deixar os outros nervosos.

Isto explica muita coisa — disse a outra com azedume.

— Vocês tinham que ver. — Ron exclamou. — Parecia que a Professora McGonagall estava tentando provar que é possível lançar raios com os olhos.

— Acredite, — Frank começou. — Se fosse, ela já teria lançado nos dois palermas ali.— ele apontou para James e Sirius, que sorriram e acenaram.

A voz da Profª. Sybill subitamente se tornou bem menos etérea.

Se você quer saber, Minerva, vi que o coitado do Prof. Lupin não vai estar conosco por muito tempo. E ele próprio parece saber que seu tempo é curto. Decididamente fugiu quando eu me ofereci para consultar a bola de cristal para ele...

Imagine só — comentou Minerva secamente.

Tenho minhas dúvidas — disse Dumbledore, com a voz alegre, mas ligeiramente mais alta, o que pôs um ponto final na conversa das duas — de que o Prof. Lupin corra algum perigo iminente. Severo, você preparou a poção para ele outra vez?

Preparei, diretor — respondeu Snape.

Ótimo. Então logo ele deverá estar de pé... Derek, você já se serviu dessas salsichas apimentadas? Estão excelentes.

O garoto do primeiro ano ficou vermelhíssimo quando Dumbledore se dirigiu a ele, e apanhou a travessa de salsichas com as mãos trêmulas.

A Profª. Sybill se comportou quase normalmente até o finzinho do almoço de Natal, duas horas depois. Empapuçados com a comida e ainda usando os chapéus da festa, Harry e Ron se levantaram primeiro da mesa e ela deu um grito agudo.

— Vocês tinham que dar motivo... — Neville falou balançando a cabeça.

Meus queridos! Qual dos dois se levantou da cadeira primeiro? Qual?

Não sei — respondeu Ron olhando preocupado para Harry.

Duvido que vá fazer muita diferença — disse a Profª. Minerva com frieza — a não ser que o tarado da machadinha esteja esperando aí fora para matar o primeiro que sair para o saguão.

Até Ron riu. Sybill pareceu muitíssimo ofendida.

Vem com a gente? — perguntou Harry a Hermione.

Não — respondeu a garota. — Quero falar uma coisa com a Profª. McGonagall.

Provavelmente vai tentar ver se pode assistir a mais aulas — bocejou Ron quando se encaminhavam para o saguão de entrada, onde não encontraram nenhum louco da machadinha.

— Que surpresa.

Quando chegaram ao buraco do retrato, encontraram Sir Cadogan desfrutando um almoço de Natal com dois frades, vários ex-diretores de Hogwarts e seu gordo pônei. O cavaleiro levantou a viseira e brindou aos dois garotos com uma jarra de quentão.

Feliz... Hic... Natal! Senha!

Cão desprezível — disse Ron.

E o mesmo para o senhor, meu senhor! — berrou Sir Cadogan quando o quadro se afastou para admitir os garotos.

Harry foi diretamente ao dormitório, apanhou a Firebolt e o Estojo para Manutenção de Vassouras que Hermione lhe dera de presente de aniversário, levou-os para baixo e tentou encontrar o que fazer com a vassoura; mas não havia lascas levantadas para aparar e o cabo ainda estava tão reluzente que não tinha sentido lhe dar polimento. Ele e Ron ficaram ali admirando a vassoura de todos os ângulos até que o buraco do retrato se abriu e Hermione entrou, acompanhada da Profª. Minerva.

— Hermione, você fez o que acho que você fez? — Dorcas perguntou.

A menina apenas deu de ombros.

Embora Minerva McGonagall fosse diretora da Grifinória, Harry só a vira antes na sala comunal uma vez, e para dar um aviso muito sério.

Ele e Ron a olharam, os dois segurando a Firebolt. Hermione contornou o lugar em que eles estavam, se sentou, apanhou o livro mais próximo e escondeu o rosto nele.

Então é isso? — perguntou a professora com o seu olhar penetrante, aproximando-se da lareira para examinar a Firebolt. — A Srta. Granger acabou de me informar que alguém lhe mandou uma vassoura, Potter.

Harry e Ron se viraram para olhar Hermione. Surpreenderam sua testa corando por cima do livro, que ela segurava de cabeça para baixo.

Posso? — perguntou McGonagall, mas não esperou resposta para tirar a vassoura das mãos dos garotos. Examinou-a atentamente, do cabo às lascas. — Hum. E não havia nenhum bilhete, nenhum cartão, Potter? Nenhuma mensagem de nenhum tipo?

Não — disse Harry sem compreender.

Entendo... Bem, receio que tenha de levar a vassoura, Potter.

—Não! — James exclamou como se tivessem lhe contado que Natal tinha sido cancelado aquele ano.

— Ela não pode! — Sirius concordou com o amigo tão dramático quanto.

Q... Quê? — exclamou Harry, ficando em pé. — Por quê?

Teremos que verificar se não está enfeitiçada. Naturalmente eu não sou especialista nesse assunto, mas imagino que Madame Hooch e o Prof. Flitwick possam desmontá-la...

Desmontá-la? — repetiu Ron, como se a professora fosse maluca.

Não deve levar mais do que umas semanas. Você a receberá de volta se tivermos certeza de que está limpa.

A vassoura não tem nada errado! — exclamou Harry, a voz ligeiramente trêmula. — Francamente, professora...

Você não pode saber, Potter — disse a professora com bondade — pelo menos até ter voado nela, e receio que isto esteja fora de questão até nos certificarmos de que ninguém a alterou. Eu o manterei informado.

A Profª. McGonagall deu meia-volta levando a Firebolt, e atravessou o buraco do retrato, que se fechou em seguida. Harry ficou observando a professora partir, a latinha de cera de polimento ainda na mão.

— Porque coisas ruins acontecem com pessoas boas! — Sirius perguntou olhando para o teto.

— Se controle, Black. — Marlene revirou os olhos.

Ron, porém, se voltou contra Hermione.

Para que você foi correndo contar à Profª. Minerva?

Hermione largou o livro de lado. Seu rosto continuava vermelho, mas ela se levantou e enfrentou Ron, desafiando-o.

Porque achei, e a Profª. McGonagall concorda comigo, que provavelmente a vassoura foi mandada a Harry por Sirius Black!

— Claro, — Sirius falou sarcástico. — porque seria muito fácil comprar uma das vassouras mais caras do mundo em quanto estou tentando não ser pego por dementadores ou avistado por basicamente qualquer um.

— Estou sentindo a necessidade de me desculpar, mas não quero apanhar... — Hermione zombou tentando reprimir o sorriso.

— Ah cala a boca, Granger!

— Assim você fere meus sentimentos, Black.

A única resposta que Hermione teve foi a cara carrancuda de Sirius e um de seus dedos.


Nota: Com esse capítulo, estamos oficialmente na metade de LHP3.