Capítulo 11 – Medo
## Bella PoV ##
Passei os braços em volta do corpo numa tentativa inútil de me sentir aquecida e caminhei rapidamente até minha caminhonete. O aquecedor certamente me faria sentir mais confortável. Abri a bolsa para pegar as chaves, mas antes que eu pudesse colocá-las na porta, elas caíram numa poça aos meus pés. Enquanto eu me abaixava para apanhá-las, uma mão branca pegou-as num flash, antes mesmo que eu pudesse tentar.
- Edward! – gritei, levando minha mão ao peito, sentindo meu coração disparar pelo susto.
- Tome – ele disse me entregando as chaves, sem olhar realmente pra mim.
- Está tudo bem?
- Como está seu braço? – ele perguntou, ignorando minha pergunta.
- Está bem. O Dr. James retirou os pontos e...
- Dr. James... – ele repetiu, sem expressão.
- É eu vim procurar Carlisle, mas ele não estava e...
- Entre no carro Bella – ele me interrompeu de novo num tom sério – Está frio aqui fora, e você está sem casaco.
- Tudo bem – falei já abrindo a porta do carro.
- Você se incomoda se eu aparecer mais tarde?
- Mais tarde? – perguntei confusa.
- É depois que Charlie dormir. Eu queria conversar com você.
- Tudo bem, eu espero você – falei sorrindo, sentindo um fio de esperança me invadindo, mas Edward não sorriu de volta.
- Então, até mais tarde.
Edward se virou e caminhou em direção à floresta, sem voltar a olhar pra mim. Ele estava estranhamente sério. Será que ele ouviu minha conversa com James? Será que sabia que iríamos nos encontrar no sábado? Será que ele ouviu o que eu disse à recepcionista no hospital? Com certeza aquilo o deixaria chateado comigo. Talvez fosse isso. Eu não via outra razão para que ele ficasse daquele jeito comigo.
Mas por outro lado, o que ele tinha a ver com isso? Era por culpa dele que estávamos separados, e ele sabia exatamente o que tinha de ser feito para me ter de volta ao seu lado. Só precisava fazer, e tudo ficaria bem de novo. Não havia nada de complicado nisso. Pelo menos eu não via nada complicado. Apenas na cabeça dele isso parecia não funcionar. Mas a escolha era minha. Não era?
Girei a chave na ignição, ouvindo o velho motor gritar, e aumentei o aquecedor no máximo, colocando minhas mãos próximas à saída do ar, sentindo o ar quente me tocar e me aquecer aos poucos, fazendo meus músculos relaxarem aos poucos.
Dirigi lentamente de volta pra casa, pensando no que tinha acontecido há pouco. Eu não tinha falado com Edward desde aquela noite. A noite em que terminamos tudo. Não fazia nem uma semana, mas toda essa distância me fazia sentir que tinham se passado anos. Aquela noite agora me parecia tão distante agora. E ele estava tão diferente. Eu sei que era absurdo, porque vampiros nunca mudam, mas ele realmente me parecia diferente. Parecia mais abatido, mais pálido que o normal, e seu cabelo ainda mais desarrumado que de costume, se é que isso ainda era possível.
As luzes da varanda ainda estavam acesas quando estacionei na frente de casa. Charlie estava no sofá assistindo algum jogo na TV quando eu entrei.
- Bella?
- Oi pai. Já cheguei.
- Como está seu braço?
- Está bem – falei, sacudindo-o para ter certeza de que não doía mais – Já tirei os pontos, e logo será só mais uma cicatriz.
- Bella – ele disse balançando a cabeça em sinal de reprovação – Quando é que você vai aprender a ser mais cuidadosa?
- O que eu posso fazer pai? – falei sorrindo – Os acidentes me perseguem.
Charlie sorriu também, mas não era um sorriso muito sincero. Talvez falar sobre os meus acidentes realmente não fosse um assunto muito divertido pra ele.
- Bem, já está tarde – ele falou se levantando e desligando a TV – Está na hora de dormir. Amanhã tenho que sair bem cedo.
- Eu vou tomar um pouco de água antes de subir.
- Boa noite Bells – ele falou me dando um beijo na testa antes de subir.
- Boa noite pai.
Caminhei até a cozinha e peguei um copo com água, bebendo-o lentamente, para só então subir as escadas e tomar um banho. Lavei meu cabelo e escovei os dentes. Fiquei um tempo em baixo do chuveiro, tentando fazer com que a água quente me relaxasse um pouco, mas parecia realmente inútil. Eu não queria admitir, mas estava nervosa por saber o que estava por vir.
Edward viria mais tarde. Seria a primeira vez que conversaríamos realmente, desde... desde... desde "aquele" dia. Eu diria que ele tinha pensado em tudo o que eu falei e que tinha mudado de idéia, se não fosse a expressão séria que ele tinha no rosto quando falou comigo. Edward não sorrira pra mim em nenhum momento. Ele não costumava ser tão sério assim quando estava comigo. Mesmo quando havia alguma coisa errada acontecendo, ele sempre sorria pra mim. Mas hoje ele não sorriu.
De repente eu senti uma onda de pânico me invadindo, e não pude conter as lágrimas que corriam pelo meu rosto. Eu queria conversar com ele, queria estar perto dele de novo, mas estava com medo do que ele poderia me dizer. Senti minhas pernas amolecendo e mesmo sem perceber direito eu me sentei em baixo do chuveiro e abracei meus joelhos, ficando encolhida enquanto a água caía sobre mim, lavando minhas lágrimas. Eu tentava controlar meus soluços, mas era inútil.
Não sei por quanto tempo eu fiquei assim, mas fui despertada pelas batidas de Charlie na porta do banheiro.
- Bella? – ele chamou, com uma voz preocupada – Está tudo bem?
- Sim – respondi tentando ao máximo manter minha voz controlada – Eu estou bem pai.
- Tem certeza de que está tudo bem? Você está aí há muito tempo.
- Está sim, pai. Eu já vou sair.
- Certo.
Me levantei do chão e desliguei o chuveiro. Me sequei rapidamente e fui para o quarto. Vi que a porta do quarto de Charlie estava fechada. Ele logo dormiria, e Edward viria me ver. Pensei em vestir alguma coisa diferente, mas logo desisti. Ele estava acostumado a me ver dormir, mesmo antes de eu saber que ele sempre vinha ao meu quarto à noite. E eu não tinha muita esperança de que ele viesse dizer que queria ficar comigo, então não tinha razão pra eu me preocupar com o que vestir.
Peguei ainda algumas roupas e devolvi à gaveta até escolher o que vestir. Vesti uma calça de malha preta e uma camiseta branca justinha, penteei o cabelo e passei um pouco de brilho nos lábios. Não era exatamente como eu costumo dormir, mas também não estava exatamente arrumada, afinal, não aconteceria nada demais, certo? Ele só queria conversar. Nada além disso. Não havia porque se preocupar.
Dei uma última olhada no espelho, passando a mão no cabelo algumas vezes mais para deixá-lo do jeito certo. Apaguei a luz do quarto deixando apenas o pequeno abajur iluminando o ambiente e só então fui para a cama. Eu não ia dormir ainda, então deixei o edredom da mesma maneira, ainda cobrindo a cama, e apenas me sentei, encostando-me na cabeceira para esperar.
Olhei para o relógio na cabeceira da cama e vi que já era perto das onze horas. Charlie já devia estar dormindo e Edward não demoraria muito a chegar. Passei mais uma vez as mãos no cabelo e olhei para a janela para me certificar de que ela estava aberta. Apesar de a temperatura ter caído um pouco, não estava realmente frio e eu não precisaria do aquecedor. Olhei para o relógio novamente, e quase gritei de susto ao perceber Edward sentado próximo de mim, na minha velha cadeira de balanço.
- Desculpe, não queria assustá-la – ele falou, ainda com aquela mesma expressão séria de antes.
- Há quanto tempo você está aí? – perguntei tentando manter minha voz uniforme, mas sem muito sucesso.
- Desde que você chegou. Geralmente você não fica tão confusa à noite.
Eu senti meu rosto corar, mas não respondi. Apenas desviei meu olhar do seu. Edward se levantou de onde estava e caminhou em minha direção, ajoelhando-se no cão ao meu lado e puxando meu rosto para que eu o olhasse.
- Você estava chorado – ele falou calmamente. Não era uma pergunta, então, mais uma vez, eu não disse nada.
Não sei por quanto tempo ficamos daquele jeito. Edward permanecia ajoelhado ao meu lado, segurando meu rosto, enquanto eu me perdia em seus olhos. Eles não tinham o familiar tom dourado ao qual eu estava acostumada. Seus olhos eram negros, tão negros de um jeito que eu nunca vira antes. Eles pareciam ainda mais hostis que naquele primeiro encontro, no meu primeiro dia de aula. E por um momento, pela primeira vez, eu senti medo.
Pela primeira vez desde que o conheci eu senti medo de Edward. Medo de que, agora que não estávamos mais juntos, o seu desejo pelo meu sangue falasse mais alto. Eu sabia que ele não caçava há dias. Alice tinha me dito isso, e eu podia confirmar isso pelo negro profundo de seus olhos. Talvez tivesse sido um erro tê-lo deixado vir.
De repente Edward soltou o meu rosto e se levantou do chão, sentando-se na cama, do outro lado dela, longe de mim. Mas ele ainda não falava nada. Apenas me olhava, e eu percebia que ali dentro havia uma grande batalha. Eu sabia que ele estava em silêncio, decidindo alguma coisa, mas eu não sabia o que era, e tinha medo de saber. Mas eu já estava aqui com ele, já tínhamos chegado até aqui, então eu tinha que ir em frente, independente do que tivesse que acontecer.
- Você queria falar comigo? – perguntei num tom calmo, quebrando o silêncio.
- Porque você estava chorando Bella? – Ele perguntou num tom gentil, mas seus olhos ainda eram hostis.
- Eu... eu não quero falar disso Edward.
- Bella, não precisa esconder nada de mim – Sua voz ainda era doce, extremamente gentil – Você sabe que sempre pode me dizer o que pensa.
- O que você queria falar comigo? – perguntei ignorando suas palavras.
Edward não respondeu imediatamente. Ele apenas me observava. Algum tempo depois seus olhos pousaram em meu braço machucado, e eu vi suas mãos se fecharem em punhos. Mais uma vez eu me senti insegura ali, com ele.
- Seu coração está acelerado. Tem alguma coisa errada?
- Não – respondi rapidamente, desviando meu olhar do seu, sentindo meu rosto corar.
- Tem certeza? Eu posso ouvi-lo daqui...
Olhei pra ele novamente, avaliando sua expressão. Seus olhos extremamente negros me deixavam desconfortável ali, e seu rosto sério não ajudava nem um pouco.
- Eu... – hesitei, sem saber se deveria dizer ou não.
- Pode me falar Bella. O que há de errado?
- Eu estou com medo – falei num fio de voz, tão baixo que nem eu mesma escutei minha voz, mas eu tinha certeza de que ele escutaria perfeitamente.
- Medo? – ele repetiu num tom mais alto, levantando-se da cama num movimento que eu não pude acompanhar, e isso me assustou ainda mais, me fazendo encolher ainda mais no lugar onde eu estava – Está com medo de mim Bella?
Eu não respondi. Não sabia se estava cometendo um erro ainda maior em admitir aquilo. Edward me olhava com seus olhos famintos, mas sua expressão era surpresa. Ele certamente não esperava por aquilo.
- Não precisa ter medo de mim Bella – ele falou sério, duro – Você sabe que eu nunca a machucaria.
- Você ainda não me disse o que veio fazer aqui – falei mudando de assunto, tentando me acalmar.
- Eu estava preocupado com você – e seu tom era gentil de novo.
- Preocupado?
- Alice me disse que conversou com você, e que você estava triste, abatida.
- Ela me disse que você também estava assim – admiti.
- Mas eu vejo que você já está bem melhor – ele falou de forma rude, e eu senti algo ruim na sua voz. Ressentimento talvez. Mas eu não entendia a razão.
- Eu não entendo...
- Você não parece mais com a Bella que eu conheço. É como se você fosse outra pessoa, desde o dia do seu aniversário.
- E isso é ruim?
- Eu ainda não sei. Em alguns aspectos sim, mas em outros, nem tanto...
- Explique.
- Hoje no hospital. A maneira que você falou com aquela garota.
- Ela provocou – dei de ombros.
- E a sua conversa com o Doutor. Nós nem bem nos separamos, e você já tem um encontro marcado? – seu tom agora era sarcástico, e isso me irritou.
- E o que você tem a ver com isso Edward? – provoquei.
- Você não parece mais você mesma. Não parece mais a minha Bella.
- A sua Bella não existe mais – falei levantando-me da cama, encarando – Nós terminamos tudo, lembra?
Edward andava de um lado para o outro no quarto, seu maxilar trincado e as mãos fechadas em punhos ao lado do seu corpo. Ele parecia um felino, movimentando-se de um lado para o outro. Então ele caminhou de volta em minha direção, parando a poucos centímetros de mim. Eu sentia sua respiração fria em minha pele.
- Você sempre vai ser minha, Bella – sua voz estava furiosa, soava tão possessivo, de uma maneira que eu nunca vira.
- Você vai me fazer sua? – perguntei no mesmo tom, provocando-o ainda mais.
- Não da maneira que você está pensando. Isso está fora de cogitação Bella. Nunca vai acontecer.
- Então nós não temos mais nada a dizer um ao outro!
- Quando é que você vai deixar de ser tão cabeça dura?
- Quando você deixar de ser tão teimoso! Agora, se você não tem mais nada a dizer, eu gostaria de dormir.
- Eu não vou sair daqui, Bella.
- Ótimo. Então eu saio!
Caminhei em direção à porta do quarto, batendo os pés com força, furiosa com a teimosia de Edward, mas não consegui dar mais que dois passos. Senti a mão de Edward se fechando com força em meu pulso, me girando rapidamente de volta e me puxando de encontro ao seu corpo, num movimento brusco, quase violento. Eu teria caído, não fosse seu braço segurando minha cintura.
- Me deixe ir Edward! – eu gritei, com raiva, sentindo lágrimas correrem pelo meu rosto, descontroladamente.
- Não, até você dizer que é minha Isabella!
Isabella. Era a segunda vez que ele me chamava assim. A primeira tinha sido há muito tempo atrás, na nossa clareira, quando ele falava em me matar. Naquele dia, apesar de suas palavras, eu me sentia totalmente segura ao seu lado. Sabia que ali, ao seu lado, era o lugar mais seguro do mundo. Sabia que ele não me machucaria. Hoje eu já não tinha mais tanta certeza.
Tentei me soltar, mas era como tentar empurrar uma parede. Totalmente inútil. Por mais força que eu fizesse Edward nem se mexia. Eu vi quando ele levantou a mão que segurava a minha, apertando meu pulso com mais força. Ele fechou os olhos e roçou vagarosamente seu nariz pelo meu pulso, sentindo o cheiro do meu sangue. Então ele abriu os olhos para me encarar, e eu estremeci, vendo-os tão famintos, sua boca tão perigosamente perto do meu pulso, roçando minha pele.
- Está com medo Isabella? – ele sussurrou, e eu senti que ele estava realmente perdendo o controle pela sede, e isso me assustou.
- Nã... Não! – Menti, mas minha voz falhou.
- Tem certeza? – ele perguntou sorrindo maldosamente, abrindo a boca e lambendo meu pulso, fazendo meu coração disparar em meu peito.
- T... tenho!
- E se eu te mordesse agora? – seus olhos brilhavam de desejo, sua voz era baixa, mas não era nada reconfortante. Eu estava realmente assustada.
- Por favor, não...
- Não era isso o que você queria? – seus dentes agora arranhavam minha pele, me fazendo tremer em seus braços.
- Não...
- Você não queria ser como eu Isabella? Não queria ser um monstro como eu?
- Você não é um monstro Edward...
- Ah, eu sou sim... – ele sussurrou contra minha pele.
- Edward, por favor, me solta... – implorei.
- Hoje não, Isabella – ele falou apertando ainda mais o meu pulso – Hoje você vai ter o que quer...
- Edward, por favor... Está me machucando...
Não sei o que eu disse, mas algo trouxe Edward de volta. Eu vi em seus olhos quando sua expressão mudou, e seu olhar ficou diferente. Eu senti então uma brisa gelada, e de repente ele não estava mais ali. Edward havia ido embora. Apenas um leve balançar nas cortinas denunciavam sua passagem pela janela. E então eu caí.
Eu fiquei ali no chão, encolhida, chorando. Não sei por quanto tempo eu fiquei ali, mas em algum momento da noite a dor e o cansaço me tomaram e eu adormeci.
N/A
Olá meninas queridas do meu coração!!!
Obrigada por todas as reviews. Adorei cada uma delas.
Vocês não imaginam o quanto são importantes pra mim!!!
Então, como prometido, capítulo novo sem demora.
E aí? Gostaram?
Não sei se ficou bom, mas eu adorei escrever esse capítulo...
Mas é isso. Já sabem como funciona a brincadeira, né?
Se tiver pelo menos 20 reviews nesse capítulo, o próximo vem ainda essa semana.
Bjinho pra todo mundo!!!
