Para Além do Bem e do Mal

N.A.: Finalmente! Mil dias de espera, mas tá aqui, o capítulo 10:

P.S.: Boa leitura!


Capítulo 10 - O Nascimento de uma Esperança

"Não fiz o que mais queria.

Não há tempo de cantar.

Basta que fiquem suspiros

na boca do mar.

Basta que lágrimas fiquem

nos olhos do vento.

Não fiz o que mais queria

e assim me lamento.

E minha pena é tão minha,

quem a pode consolar?

Chorava caminhos claros

noutro lugar.

Chorava belos desertos

felizes de pensamento

Mas a alma é de asas velozes

e o mundo é lento."

Meses se passaram e Draco continuava acompanhando a vida de Pamina / Gina, nos jornais e também pessoalmente. Todo seu pensamento se dividia, metade de si achava certo, achava que o melhor que ele tinha a fazer era realmente ter se separado dela, mas a outra metade gritava e sofria cada vez que a via exibindo a barriga enorme ao lado de Potter. Como queria estar no lugar dele e ser o pai da criança que ela esperava.

Até gostava de ter como missão vigiá-la. No começo odiara, era horrível ficar por perto de quem amava sem poder fazer nada, sem poder tocá-la. Diversas vezes a viu chorar e sabia que ele estava causando a dor.

Descobriu que após o nascimento da criança os aurores iriam até o local onde ela guardara o pergaminho e o pegariam. Draco sabia que o pergaminho estava em um armário na Estação de Londres, mas não sabia qual deles, e também não adiantaria tentar pegá-lo sozinho porque a própria Gina teria que desfazer um feitiço de proteção antes.

Portanto, restava a ele esperar e vigiar, para o caso resolvessem pegar o papel antes da hora. Às vezes recebia outras missões, diretamente de Voldemort. Coisas como ajudar a arrasar alguma pequena cidade trouxa. Não sentia nenhum prazer nisso, pois sempre se lembrava da história que Pamina havia contado a ele...

"Estava em uma missão e presenciei um dos ataques de comensais. Foi a cena mais triste que vi na minha vida, às vezes ainda sonho com ela. Dois comensais torturaram e mataram o pai da família na frente de todos. As crianças gritavam e se abraçavam vendo tudo sem poder fazer nada, e eu também não pude fazer nada."

Isso era exatamente o que acontecia nas vezes que ia nessas missões, e ele participava, pois sempre tinha alguém o vigiando. Não era mais o mesmo. Antes, quando se tornou um comensal o que mais desejava era participar disso, mas depois de tudo o que tinha acontecido, depois de ter passado e observado o outro lado, mudou. Mesmo que não assumisse, mudou.

A barriga de Gina pesava, ao final dos dias sentia-se exausta. Seus pés, suas costas, tudo doía, por mais que ficasse quieta. Quando estava assim lembrava-se de sua mãe, como ela tinha conseguido sobreviver sete vezes a isso? Molly era mesmo uma mulher corajosa, porque, para Gina, estar grávida era muito mais difícil do que enfrentar um bando de comensais em uma missão como Agente.

Mas sempre pensava no lado bom da gravidez, agora faltava pouco para sua menininha nascer. Gina sabia que era uma menina, todas bruxas sabem do sexo do bebê aos seis meses, elas sentem. Gina impressionou-se ao saber por seu pai que as grávidas trouxas precisavam de máquinas para saber isso, as bruxas não, elas simplesmente sabem. Talvez tenham mais sensibilidades ou não desconfiem de suas intuições.

Agora com nove meses de gestação precisava escolher o nome de sua bebê. Harry sugeria vários, mas ela queria escolher por si mesma. Tinha um nome vago em mente: Milla. Poderia aceitar um nome dito por ele para agradá-lo, mas Gina não conseguia ser hipócrita, a filha era sua e ela escolheria o nome, mesmo que Harry a registrasse como sua legítima herdeira.

Muitas vezes Gina sentia-se ingrata em relação à Harry. Ele sempre a agradava, fazia de tudo para deixá-la feliz, para que esquecesse o sofrimento e mesmo assim ela não conseguia aceitá-lo como marido. Eram mais companheiros. Talvez depois do nascimento isso mudasse.

John agora até a chamava de mãe, por mais que Gina dissesse que a mamãe dele era outra. Ele era pequeno demais para pensar que ela não era sua mãe, afinal tinha apenas dois anos. Engraçado que ele adorava ficar olhando a barriga de Gina, não tinha ciúmes.

Às vezes sentia-se vigiada. Sabia que tinham pessoas atrás dela e de Harry, exatamente por eles serem um casal que lutava com todas as forças contra Voldemort. Os comensais queriam a localização do pergaminho. Contudo, algumas vezes tinha a sensação que o próprio Draco estava a observando. Dizia a si mesma que isso era apenas ilusão, ele jamais viria atrás dela novamente.

Mais um dia observando o dia-a-dia da pessoa que ele amava e não poderia ter. Acabava de amanhecer e Draco escondia-se nos arredores do sobrado na qual moravam Gina e Potter. Pegou-se lembrando da vez que juntos viram o nascer do sol após uma noite de amor, agora ela estava nos braços de outro. Tudo por causa de seu orgulho.

Olhava com seus feitiços através da janela do quarto do casal. Não era sua obrigação fazer isso, mas a curiosidade era maior. Os viu abraçados, dormindo deitados na cama. Sentiu uma súbita ira, uma vontade imensa de quebrar aquela janela, aquelas paredes, vontade de destruir tudo a sua volta.

"Por que eu não posso ter o que quero? O que tenho o direito?"

Nesse estado de ira parou ao perceber que ela acordava e tinha uma expressão de dor no rosto. Algo errado. A raiva dissipou-se dando lugar à preocupação.

Gina tinha um sonho tranqüilo, até que de repente acordou sentindo uma dor no baixo ventre, desconfiou que era chegada a hora de sua filha nascer, mas também poderia ser outro alarme falso como tinha acontecido na semana anterior. Tão rápida como veio a dor se foi.

Tentou dormir e não conseguiu, a barriga atrapalhava seus movimentos na cama.

-Bem que poderia ser mesmo a hora de você nascer, mocinha! O mundo aqui fora não é tão bom quanto aí dentro, mas pode ter certeza que meus braços são tão confortáveis quanto meu útero, e digo isso para as duas! - disse baixinho acariciando a barriga, em resposta recebeu outra dor, a barriga endureceu e pulsou, em seguida passou subitamente como antes.

-Gina? Já acordou? É cedo, durma mais um pouco. - Harry sussurrou percebendo que ela parecia acordada.

-Acho que não poderei dormir, Harry... - respondeu com uma voz suave e feliz.

-Por quê? - ele disse ainda sonolento.

-Estou tendo contrações.

-Hum, hum... - Harry respondeu e se virou na cama, mas em seguida pareceu entender melhor o que tinha ouvido. -O quê? Contrações? - disse e se levantou, mexendo-se de um lado ao outro, colocando a calça por cima do pijama. -Vamos para o hospital!

-Harry, calma. - Gina só não ria da situação porque estava um pouco irritada, e muito ansiosa. -Esqueceu que não vou para o hospital? Você tem que avisar o medi-bruxo que vai fazer meu parto aqui mesmo.

-Ah, é verdade! Vou para a lareira!

Harry saiu do quarto e Gina levantou-se da cama, teria um tempo para tomar um banho antes do medi-bruxo chegar, afinal as contrações costumam demorar, ter espaços grandes de tempo entre uma e outra, no começo. Foi para o banheiro e sua bolsa estourou. Sorte já estar no lugar certo, assim não sujou o chão do quarto. Achou estranho o romper da bolsa, mas em seguida imergiu na banheira e sentiu-se reconfortada.

Draco do lado de fora teve o pressentimento que o bebê iria nascer. Viu quando o outro saiu do quarto e quando ela também sumiu, ficou mais preocupado ainda. Não entendia porque ainda se importava com ela, iria dar a luz a um filho que nem era dele, como ele poderia se incomodar? Mas e se algo acontecesse a ela no decorrer do trabalho de parto? Aquela criança iria nascer antes do tempo? Seria perigoso. Temeu por ela e pelo bebê. Ficou ansioso esperando que alguém reaparecesse no quarto, ou surgisse em outro cômodo da casa.

Viu que o Potter falava com alguém na lareira, via flú. Estaria chamado ou avisando alguém sobre o estado de Gina? Que raiva não poder ouvir o que falavam! Era horrível só ver e não poder ter o áudio.

Gina voltou para o quarto e deitou-se na cama. Agora, limpa e relaxada, poderia esperar o médi-bruxo mais confortavelmente. As contrações voltavam e duravam mais tempo com intervalos menores entre uma e outra. Onde estava Harry que não voltava logo? Com alguém por perto sentia-se melhor, menos insegura.

Em seguida entraram no quarto Harry e o doutor Johnson. Gina pôde suspirar aliviada, o doutor já a acompanhava desde o começo da gravidez, era um dos melhores profissionais da área e já que não poderia ir a um hospital ter sua filha, por causa dos riscos de um atentado, era melhor que o parto fosse realizado com a ajuda de um bom profissional.

-Como está, Gina? Agora essa menininha vai nascer mesmo? - ele perguntou se sentando ao lado dela com um sorriso reconfortante.

-Tudo indica que sim. - ela respondeu com uma expressão meio assustada no rosto.

-Vamos ver como está indo. - ele disse, verificando as contrações de Gina, observando a barriga e com um feitiço vendo a proximidade do nenê da hora do nascimento. -Ela está mesmo vindo. É melhor tomar uma poção para não sentir dor.

Gina viu o medi-bruxo de meia idade tirar uma garrafa com um liquido rosa-chiclete da maleta e lhe entregar a poção. O sabor era bom, doce, lembrava morangos com amoras. Que ótimo porque se o gosto fosse ruim ela corria o risco de não conseguir engolir já que se sentia um tanto enjoada.

-Agora, Gina, a natureza faz o trabalho. Só estou aqui para ajudá-la. Aliás, o ilustre papai vai observar o milagre da natureza, ou vai preferir se retirar como a grande maioria dos pais? - o médi-bruxo perguntou tranqüilamente a Harry por trás dos óculos de tartaruga com armação quadrada.

Harry fez uma expressão de dúvida, tinha passado por tantas aventuras, visto cenas de revirar o estômago, mas não estava com coragem de assistir a aquela cena. Já estava até tremendo de preocupação só de ver Gina bufar de dor enquanto a poção não fazia efeito. Não, era melhor esperar lá fora do que atrapalhar, deixando Gina nervosa, ao invés de acalmá-la.

-Não, doutor. É melhor eu me juntar à maioria dos pais e ficar no corredor, andando de um lado ao outro, esperando ouvir o choro do bebê. - Harry respondeu saindo do quarto.

-Viu, Gina? Nem mesmo pais corajosos como ele são fortes para essas cenas. - o medi-bruxo disse divertido.

-É, por isso nós, mulheres, que sofremos a dor do parto. Precisa ter muita coragem! - disse entre gemidos e espasmos de dor. Quando aquela poção faria efeito?

Realmente Harry andava de um lado a outro do corredor. Apesar de nunca ter tocado em Gina, sentia como se fosse o pai da criança, passava exatamente pelas aflições que tivera com Luna no nascimento de John. Lembrou-se do filho e resolveu ver se ele estava bem. Como ainda dormia com todos os barulhos na casa?

Do lado de fora da casa Draco acompanhava cada cena. Viu o médi-bruxo chegar e Potter sair. Covarde, nem veria o nascimento do filho? Draco não via nenhuma dificuldade em ver a cena, achava até muito interessante, mas isso talvez apenas por não estar observando tão de perto.

Nunca tinha visto pessoalmente nenhum parto. Perto de algumas cenas de torturas e assassinatos achou muito mais fácil. As mulheres reclamavam do quê? Mas não podia deixar de assumir que era algo emocionante, até mesmo para ele que se considerava uma pessoa fria. Aquilo estava o tocando de uma forma que não compreendia.

Meia hora se passou desde que doutor Johnson havia chegado e nada de Milla resolver nascer. As contrações tinham intervalos pequenos, e Gina sentia dor, pouca dor, mas a poção não tinha a livrado dela completamente. Seu corpo parecia fazer força sozinho, ajudando-a a colocar o nenê para fora. Queria expulsar Milla de seu aconchegado lar.

-Força, Gina. ela não vai demorar. Sei que ainda está sentindo dor, mas ela é importante, você precisa ter o sentimento, assim que ela sair, não haverá mais dor. - o médi-bruxo afirmou, ajudando Gina, forçando sua barriga.

"Não haverá mais dor".

Ela não conseguia acreditar nessa afirmação. Estava marcada para sempre, carregava consigo cicatrizes que ainda não estava curadas e sentia que não curariam jamais. A mágoa de ter sido menosprezada e abandonada por Draco sempre a marcaria. A dor permaneceria sempre em seu coração, mesmo tendo sua filha para consolá-la.

Pensando nisso fez uma força descomunal. Tirou do fundo de si todas suas forças, como se o nascimento de Milla pudesse ajudá-la a ter mais esperanças de vida. De um futuro feliz, quase sem dor... Quase...

Sentiu que a dor no seu ápice passou e caiu jogada na cama. Estava exausta, suada, ainda sentia a pulsação de seu ventre, mas teve seu prêmio, ouviu ao longe o chorinho de bêbe. Era sua menina que vinha ao mundo, e vir ao mundo já era algo que começava através da dor. Os seres humanos já nasciam sofrendo as dores do mundo, a própria mãe sofria para dar a luz e o bêbe sofria ao entrar em contato com o ar, ter que respirar pela primeira vez, saindo da proteção do ventre materno. A vida doía.

Contudo, a recompensa valia a pena.

-Sua menina é forte e saudável! Que pulmões! Nem precisou de um tapinha, já nasceu chorando. - Johnson disse entregando o bêbe nos braços de Gina.

Harry após ouvir o choro escancarou as portas do quarto e entrou, deparando-se com uma Gina sorridente e em prantos segurando uma trouxa em seus braços. Aproximando-se pôde ver o bêbe, ela era forte, até mesmo gordinha, cheia de dobrinhas, ao contrário de John que tinha nascido mirradinho. E era careca, não exibia nenhuma penugem sobre a cabeça. Harry achou bom o último fato, assim ninguém desconfiaria que ela não fosse sua filha e não pressionaria Gina.

-A Milla não é linda, Harry? - Gina disse toda boba, passando a mão no rostinho da menina e em seguida vendo se ela era perfeita, como toda mãe, contando os dedinhos e observando cada detalhe.

-Ela é perfeita. Milla, é? - Harry respondeu dando um beijo na testa da esposa e observando a nenê.

-Escolhi esse nome, não é lindo? Estava com ele em mente, mas agora tive a certeza de que o nome dela.

-Sim, é lindo. - Harry também tinha cogitado alguns nomes, mas nem pensou em dizer à Gina, achou que ela preferiria escolher por si mesma. Só falaria algum se ela não tivesse nenhum em mente.

Até mesmo Draco estava emocionado e derramava algumas lágrimas de seu esconderijo. Não soube porquê, mas estava sensibilizado com o nascimento do bebê. Sentia-se de alguma maneira ligado a Gina e àquela criança. Talvez para ele esse sentimento poderia ser explicado pelo amor que ele sentia por Gina, amor que havia agora sido readmitido.

No entanto além da emoção sentia uma enorme raiva e inveja, tudo o que queria era estar no lugar de Potter, queria ser o pai do nenê, queria ser ele a estar ao lado dela, dando a força que precisava, queria ter sido a pessoa que a abraçaria após o esforço do parto e o primeiro a pegar a criança no colo. Mas quem fazia isso agora? Potter!

Draco também tinha a noção de que a culpa não era apenas de Harry Potter, ou de Gina, a culpa de não ser ele a estar do lado dela era essencialmente dele mesmo. Sentindo arrependimento e raiva por si mesmo resolveu ir embora. Não importava se tinha que ficar vigiando-a o dia todo. Não estava nem ligando para sua missão de comensal. Aparatou desolado em sua casa.

Algumas semanas passaram-se e a comoção da família Weasley em relação à nova integrante continuava a mesma. Molly até largou A Toca e foi passar os dias com Gina para ajudá-la. Todos babavam com a bêbe linda que era Milla. Em quatro semanas ela já sorria e passara a ser manhosa, não querendo sair do colo.

-Ponha ela no berço, mãe! Essa menina vai ficar insuportável! - Gina brigava com sua mãe todos os dias, mas a avó coruja não tinha jeito. -Depois você vai embora e eu não ficarei com ela no colo o tempo todo!

-Ah, filha, mas ela gosta tanto! - Molly respondeu extasiada, mostrando a Gina a expressão tranqüila de Milla que a observava com grandes olhos castanhos. -Pena que ela não tenha herdado os lindos olhos do pai.

"Graças à Deus que ela não herdou! Como eu explicaria os olhos acinzentados de minha filha?" - Gina pensou tirando a menina do colo da avó e acariciando a delicada cabecinha. - "Está começando a nascer uma penugem loura... E se ela ficar loura? Como vou explicar?"

Milla não queria ficar no colo de Gina, começou a chorar.

-Está vendo? Ela agora só quer você. - bufou e entregou a menina a avó. -É bom, se eu for atacada por comensais ao recuperar o pergaminho e morrer, ela já está mais afeiçoada a você.

Molly olhou horrorizada para Gina.

-Não diga uma coisa dessas nem de brincadeira! Agora pare de ciúmes e apresse Harry. Vocês não podem se atrasar.

Gina saiu do quarto de Milla e foi até seu quarto. Harry terminava de se arrumar, tentava, como todas as manhãs, ajeitar os cabelos espetados com um pente.

-Por que você não desiste e deixa ele assim mesmo? - Gina perguntou divertida apontando para o cabelo de Harry e os deixando compridos e lisos com um feitiço rápido.

-Ah, que lindo! - Harry respondeu se observando com o cabelão no espelho. -Não sabia que você gostava mais assim, se quiser não corto mais. Faço tudo para te agradar.

-Não, prefiro assim. - respondeu deixando o cabelo dele como sempre.

Harry aproximou-se dela e a beijou levemente na bochecha.

-Pronta para a primeira parte da missão?

-Pronta. Vamos buscar o Pergaminho Sagrado.

Draco continuava a espionar Gina e agora sabia que eram os últimos momentos a vigiando. Hoje teria que roubar o pergaminho dela e nunca mais vê-la. Nem mesmo veria a garotinha com a qual estava um pouco afeiçoado. Milla era encantadora, ele estava fascinado com a doçura que um bêbe poderia ter.

Estava tenso. A pressão que Voldemort fazia sobre ele para que recuperasse o pergaminho era enorme, se falhasse não saberia o que seria feito de si. Seria assassinado? Não, isso seria pouco.

De seu esconderijo viu o casal aparatando. Não sabia exatamente para onde iriam, mas foi direto para a estação rodoviária esperá-los. Chegando lá chamou seus reforços, dez comensais que escolheu a dedo como mais competentes e passou a aguardá-los.

Uma hora de espera resultou em um dos momentos mais emocionantes de sua vida.

Gina e Potter chegaram a estação acompanhados de quinze aurores, entre eles Granger e Weasley. Não seria fácil atacá-los. Draco ficou próximo e acompanhou a dezena de feitiços que Gina fez para desarmar o armário e abri-lo. Em seguida, tudo se desenrolou muito rapidamente, para todos.

Viu Gina retirando uma mochila na qual provavelmente estava o que ele queria. Com os olhos perspicazes, Draco encontrou uma falha no esquema de segurança dos aurores. Rapidamente comunicou seus subordinados e ordenou o ataque. Era sua chance, precisava conseguir o pergaminho. Não havia escolha, a falha não seria tolerada. Seus homens estuporaram e mataram metade dos aurores em uma luta ferrenha e ligeira, trouxas que passavam pelo local também foram atingidos, certamente aquele fato repercutiria na imprensa. O ministério seria culpado.

Gina estava nervosa, esperava um ataque, mas não imaginava algo tão ofensivo. Logo após a retirada da mochila do armário Harry a jogou no chão evitando que uma azaração a acertasse e mandou que ela fugisse o mais rápido possível. Viu quando comensais atacavam os aurores e quem quer que passasse no caminho, não pensou muito nisso, tudo o que importava, naquele instante, era proteger o pergaminho, mesmo que fosse ao custo de sua vida.

Um tanto quanto fora de forma Gina se arrastou pelo chão, acertando dois feitiços em comensais que cruzaram seu caminho. Levantou-se e correu para longe, pelas ruas em torno da estação. O maior choque a atingiu quando, já fora da estação, em uma rua de Londres, sentiu mãos fortes a segurando e retirando a varinha bruscamente de sua mão, um comensal a pegou por trás e tirou a mochila de suas costas e a jogou com força no chão fazendo com que batesse a cabeça, sentiu-se tonta instantaneamente, sua vista embaçou e faltaram forças para levantar.

-Agora milorde será eternamente grato a mim... - ouvia de longe a voz rouca do comensal. -E eu serei regiamente recompensado. Já você, vagabunda, pode dizer adeus a esse mundo.

Ergueu vagarosamente a cabeça e conseguiu focalizar o vulto a sua frente, o homem gordo apontava a varinha para ela e disse um feitiço que Gina não compreendeu, mas antes que este a atingisse alguém pulou a sua frente e recebeu o impacto.

Ela desesperou-se com o fato, passou a mão pelos cabelos e sentiu que um corte na testa sangrava. E se o comensal tivesse proferido um Avada? A pessoa teria morrido em seu lugar? Mesmo tonta levantou-se e caminhou para o corpo estendido à sua frente. Queria saber quem era, certamente seria alguém que a conhecia, ou algum auror, mas não conseguiu distinguir precisamente quem era, reconheceu levemente o perfume.

Contudo não tinha tempo para isso, precisava recuperar o pergaminho. Estava tonta, mesmo assim começou a andar na direção que o comensal tinha ido, queria recuperar a mochila.

Andou naquela direção por um tempo que pareceu horas, a sua visão em vez de clarear escurecia e borrava cada vez mais. As pernas não tinham firmeza e pesavam uma tonelada a cada passo. Exausta tropeçou e caiu no chão, mas não tinha forças para levantar. Ralhou consigo, tinha uma missão a cumprir, mas seu corpo não colaborava e lá ficou, entre a consciência e inconsciência, até que uma voz conhecida a despertasse, tirando daquela confusão.

-Gina? - reconheceu a voz na hora.

-Harry? - respondeu com uma voz fraca que quase não saiu da garganta.

-Nossa, eu demorei a te encontrar. - a voz dele parecia cheia de preocupações. -Você precisa de cuidados. - ele a pegou no colo, carregando-a para um local que Gina não tinha idéia de onde seria.

-Cadê o pergaminho? - era a única idéia em sua mente, não se perdoaria se o perdesse.

-Está a salvo, foi recuperado por Rony. - após ouvir a boa notícia de Harry, se deu ao luxo de ficar totalmente inconsciente.

Por outro lado, Draco acabava de acordar jogado em um beco da cidade. Maldita hora em que resolveu segui-la! Não teve como conter sua necessidade de protegê-la e se jogou na frente dela antes de saber qual era o feitiço que Carter havia proferido.

Por sorte não era um Avada Kevadra, se não nem sequer poderia arrepender-se, estaria morto. O pior é que tinha ficado inconsciente e agora não sabia o que acontecera com Gina e com o pergaminho. Levantou-se e aparatou para sua mansão, não iria procurar seus homens, pois se havia perdido a batalha seria pego pelos aurores.

Chegando em casa obteve as respostas para suas dúvidas. Gina estava bem, e ele estava perdido. O pergaminho era novamente do Ministério da Magia e logo a fúria de Voldemort contra ele foi sentida, em todas as fibras de seu corpo.

No dia seguinte a aventureira Gina acordou em sua casa. As lembranças que possuía eram totalmente confusas, lembrava-se de ter sido salva por uma pessoa que conhecia, mas se não era Rony ou Harry, quem seria?

Harry a explicou que foi Rony quem encontrou com o comensal que havia pegado a mochila, seu nome Andrew Carter, um dos mais cruéis de todos, Gina tivera muita sorte, poderia ter sido mais ferida por ele. Agora o Ministério queria cuidar de tudo sozinho. E ela já se preparava para novamente entrar na briga. Exigiria o direito de participar de todas as decisões que envolvessem o pedaço de papel que mudara sua vida e que decidiria os rumos da guerra.

-Gina, sua teimosa! Já disse que essa pancada na cabeça foi violenta? Deite-se. - Harry protestava quando Gina levantou-se e passou a andar de um lado ao outro do quarto.

-Não vou deitar, Harry! Eles querem me afastar, mas não vou recuar enquanto Voldemort não estiver acabado. - estava irada.

Fizera de tudo por aquela missão, quase morrera torturada por Lúcio e depois quase fora morta por ele novamente, fora atacada por um comensal cruel, deixou de ser uma Agente. Tudo por esse pergaminho. Tinha muito bem o direito de acompanhar tudo de perto.

-Eu sei da sua obsessão, Gina. E estou começando a ficar preocupado com isso. Você precisa ser menos radical! - ele respondeu a segurando com as duas mãos, uma em cada ombro. -Você tem uma filha com quem se preocupar, uma vida para viver! Deixe que cuidarei disso, de derrotar aquele verme e não a deixarei de fora. Você sabe muito bem que eu tenho que mata-lo antes que ele o faça comigo primeiro.

O sermão de Harry serviu para acamá-la um pouco. Gina estava cansada de toda a pressão psicológica que essa guerra exercia sobre ela. Ela o abraçou e respirou fundo, ainda teria muitas outras oportunidades para ficar estressada.

Continua...

N.A.: O poema é da sublime Cecília Meireles! Lindo, não?

Mudando de assunto, mil desculpas pela demora, mas quem me conhece soube do perrengue pelo qual venho passando, é o pc que quebra, são as férias que me afastam da net, e depois o meu telefone que não quer colaborar e não conecta na net, mas, antes tarde do que nunca, assim que o meu monitor voltou do conserto eu mergulhei na fic. Terminei esse cap e o próx tb, então, logo, logo, o mandarei, só não posso por trechinho porque quero manter o suspense, só aviso que a fic tá acabando, será só mais o cap 11 "Vidas que se separam" e o epílogo.

Tenho que agradecer, primeiramente, à Nessa, minha beta-miga e ao Victor Ichijouji, meu maninho paciente, que me ajudaram com esse cap, (e o Vi com o próx tb!). Também a TODOS que me mandaram e-mails e reviews perguntando se estou viva, se abandonei a fic...peço desculpas a quem não respondi ainda, mas pode esperar que vou responder todos os mails e tb os reviews, só preciso de tempo! Aguardem! Pra mostrar que os recebi, aqui coloco os nominhos de vcs: Anaísa, Lina, Lú, Ianê, Anninha R.S., Naty, Sabrina Malfoy, Antonio Costa Lupin, Deb Flor, Vivian Malfoy (minha xará!), Sothis, Kel Minylops, Raisa Rechter, Mariana Matos, Bia, Cat Black, Moony, Carpe Diem, Jessie Banon, Miaka, Jedys Malfoy, Naru Narusegawa, Vanessa e Dani Ferry. Valeu ;)

Notícias do boletim da Biba:

Aguardem os próximos caps e tb a minha próxima fic (Sim, eu já tenho projetos!) e já comecei a escrever, vai se chamar: "Não se pode agradar gregos e troianos" e a sinopse é básica: O que você faria se de repente fosse parar na antiga cidade de Tróia? E se ainda fosse confundido com personagens locais? Pior ainda se um de seus inimigos tivesse que te ajudar nisso... Confusões e armações à vista! Aguardem o Draco de sainha grega.

A fic é D/G. (Como se eu escrevesse outro ship...) e é em homenagem as Olimpíadas, o assunto "Grécia" tá em alta, e ao Brad Pitt depois do filme maravilhoso (O filme, e principalmente ele, né?). E tb já estou traduzindo os primeiros caps de "O Retorno de Salazar Slytherin" continuação da fic da MochaButterfly que eu já traduzi "Os Amuletos Irmãos". Mais novidades nesse msm canal e horário, mantenham a audiência, hein? Ou o programa sai do ar!

REVIEWS JÁÁÁÁÁ!!!