Fazia dez anos que Harry tinha visto sua casa pela última vez, se é que alguém podia chamar o solar Stephensgate de casa. Harry não podia. A lembrança da traição do irmão ainda estava tão fresca na sua memória como se tivesse acontecido no dia anterior. E apesar de já ter falecido há muito tempo, como os pais, Harry não conseguia evitar um tremor conforme se aproximava dos portões do solar.
Embora o sino da igreja da aldeia já tivesse soado as oito badaladas, ainda havia muita luz no céu. Estavam apenas na segunda semana de maio, mas o sol permanecia no horizonte do oeste bem depois das seis, e, sob a luz púrpura, Harry conseguia discernir apenas as torres gêmeas que flanqueavam os muros de pedra em volta da estrutura que viera a ser conhecida como solar Stephensgate. Não era exatamente um castelo, pois faltavam o fosso, a ponte levadiça e os equipamentos usuais que se espera de uma estrutura bem fortificada. No entanto, era uma construção imponente, que assomava sobre a aldeia de Stephensgate como uma ave de rapina.
Inteiramente de pedra, incluindo o telhado, feito de ardósia empilhada, e um muro de dois metros que circundava a casa e os estábulos adjacentes, a padaria e os depósitos, o solar Stephensgate foi construído como abrigo para o lorde de Stephensgate e seus favoritos durante os tempos de guerra, mas a única concessão a esse propósito eram as torres que flanqueavam a estrutura de dois andares. Finalizada por ameias intercaladas por merlões, atrás dos quais arqueiros podiam se agachar, as torres não tinham outra utilidade além da militar, e a única coisa que existia dentro delas eram escadas em espiral
que davam na plataforma do telhado.
Como Stephensgate não via a guerra feudal havia mais de um século, as torres tinham caído em desuso antes da geração do pai de Harry, e exceto
quando Harry ou o irmão, Henry, subiam aquelas escadas esculpidas na pedra para fazer alguma brincadeira, Harry não se lembrava de ninguém entrando
naquelas torres por qualquer razão. E foi por isso que, quando ele e John de Brissac passaram pelos portões do solar,Harry ficou surpreso ao ouvir uma voz gritando das ameias.
— Ei, você aí.
Olhando para cima, Harry enrugou os olhos à meia-luz e viu o rosto de um garoto de cabelos pretos olhando para eles por entre os dois merlões.
— Olá — disse Harry. Era uma noite calma, a quietude interrompida apenas pelo ocasional arrulho das pombas que se aninhavam, como faziam quando Harry era garoto, entre as ardósias do telhado do solar. A voz dele soou artificialmente alta no silencioso jardim.
— Olá, James — gritou o xerife De Brissac jovialmente. Ele tinha apeado, e a égua, aliviada do peso do imenso tamanho de seu mestre, dançou um pouco sobre as pedras. — Traga o velho Webster até aqui, por favor. Precisamos de alguém para guardar os cavalos.
A cabeça de Jamie não se mexeu.
— Quem é este que está com você? — perguntou ele. O garoto não devia ter mais de 9 ou 10 anos, Harry julgou, mas tinha uma presença imperativa, mesmo a mais de 7 metros de altura.
— Este? — O xerife De Brissac deu risada. — É Sua Senhoria.
As sobrancelhas pretas do garoto levantaram com interesse.
— Sério? Lorde Harry?
— Ele mesmo.
O garoto olhou para Harry mais um ou dois segundos, e depois a cabeça desapareceu. Harry lançou um olhar de leve divertimento para o xerife.
— Quem era aquele? — ele perguntou, retirando as luvas de montaria e largando-as sobre as pernas.
— Aquele? Era o Jamie.
— Quantos parasitas Laroche está permitindo que fiquem enfiados aqui?— Harry olhou ao redor do jardim, impressionado como tão pouca coisa tinha mudado em dez anos. Os estábulos, a padaria... tudo estava igual. Um pouco mais sujo, talvez. Certamente não mais próspero. Mas, de modo particular, estranhamente, parecendo um lar.
— Ah — o xerife suspirou. — Todos os tipos. Incluindo aquele seu escudeiro que veio na sua frente...
— Ah? Rony chegou aqui bem? — Harry ficou surpreso. Não teria contado com o garoto nem para encontrar a ponte de Londres sem se meter em uma encrenca ou outra.
— Chegou ontem, contando uma história e tanto. Disse que o senhor foi pego por ladrões de estrada que mandariam notícias sobre seu resgate num futuro próximo. Laroche não sabia o que fazer dele e mandou-o para mim. Claro, quando o garoto colocou os olhos em mim, ficou quieto como um mexilhão.
Harry riu para si mesmo.
— Hermione disse para ele que minha vida correria perigo se ele dissesse ao xerife alguma coisa sobre meu, hum, desaparecimento.
— Então, isso explica tudo. Ah, aqui está Webster.
O velho empregado, que cuidava dos estábulos de Stephensgate desde a geração do pai de lorde Thiago, caminhou desajeitadamente na direção deles, o olhar leitoso em Harry.
— É o senhor?
— Sim, Webster. — O coração de Harry palpitou com a inesperada emoção que sentiu ao ver o velho homem, ainda de pé, realizando as tarefas no solar, apesar do fato de ter ficado sem lorde por um ano. Um ano ou vinte anos, Harry duvidava que Webster teria ido embora até ter certeza de que todas as suas belezas, como ele se referia a quase qualquer cavalo que não estivesse encilhado, fossem cuidadas.
— Bom ver você, velho homem — disse Harry, caminhando e pegando o braço longo de Webster. — Bom ver você!
— É o senhor mesmo — disse Webster, aparentemente impassível. — Reconheceria seu aperto de mão em qualquer lugar. Nunca mediu a força que tem. Bem, então o senhor está de volta.
— Estou de volta — garantiu Harry, soltando o braço dele. — Para ficar. Eu diria que já estava mais do que na hora. — Estreitando um olhar de desaprovação na direção de Harry, ele balançou a cabeça.
— Minhas belezas estavam começando a sofrer. Mas agora que o senhor está de volta, elas vão ficar bem.
Sem explicar mais detalhadamente, o velho homem virou-se e pegou as rédeas dos dois cavalos, caminhando desajeitadamente em direção à porta dos estábulos e sussurrando para Skinner. Harry seguiu o empregado com o olhar, apertando os lábios e franzindo a testa em desaprovação.
— Acho que deveria ficar feliz por terem-no mantido aqui — ele disse ao xerife. — Deus sabe muito bem que poderiam tê-lo mandado embora, cego como ele é. Mas por que não contrataram um garoto para ajudá-lo...
— Mais uma boca para alimentar? — John de Brissac sorriu sob a barba escura.- Não o seu primo Laroche. Não, ele só continuou com o velho porque não conseguiu encontrar outra pessoa que trabalhasse tão bem por um valor tão baixo. O homem é devotado àqueles cavalos. E não custa ao seu intendente mais que o salário de uma ordenhadeira.
— Então é por isso? Deveria ter imaginado. E o garoto Jamie? — Harry procurou pelo jardim a criança curiosa. —Ele não é um garoto de estábulo?
—Jamie? Não.
—Um dos filhos da dona Laver, certamente? A dona Laver ainda está na cozinha, não está?
— Sim, trabalhando para seu sustento, e na miséria. Não, Jamie não é dela, mas dá uma ajuda onde pode, embora, sem dúvida, atrapalhando mais do que ajudando. — O xerife De Brissac bateu as palmas das mãos, seu gesto favorito, Harry percebeu, e esfregou-as.
— Bem, agora, meu senhor, devemos bater ou simplesmente entrar?
Harry percebeu que o xerife estava ansioso para começar os trabalhos, não por impaciência para voltar para casa — não, John disse-lhe, um tanto sem pena de si mesmo, não tinha esposa esperando-o em casa, somente uma mãe idosa que era conhecida por ser rabugenta —, mas porque a ação estava em curso.
Diferentemente do xerife, Harry não estava ansioso para ver a cena que o esperava. Já tinha testemunhado a parte que lhe cabia de morte e violência, e só desejava uma vida doméstica calma, a qual certamente não seria garantida com a esposa escolhida, mas achava que talvez pudesse esperar conseguir isso quando ele e Hermione fossem avós. Cuidar dos vassalos, participar de um ou dois torneios e criar os filhos eram toda a agitação de que precisava para o que restava de sua vida.
Mas como o despejo de Laroche de sua casa era necessário para que alcançasse essa paz, Harry aprumou os ombros e disse:
— Que vergonha, John. Por que eu deveria bater na porta da minha própria casa?
Assim sendo, curvou-se para abrir as pesadas portas, mas viu que a tranca de ferro moveu-se antes mesmo de ele tocá-la. Rangendo, as portas de carvalho se abriram, e um moreno familiar se enfiou entre os dois. Harry agora percebeu que o rosto que o olhava era o mais imundo que já tinha visto. Batendo na altura do quadril de Harry, Jamie disse, com sua voz aguda.
— Bem, entrem. Não fiquem aí parados.
Harry franziu a testa para o garoto.
— Sentindo-se bastante em casa aqui no solar Stephensgate, não, garoto?
— Não poderia ser diferente — disse Jamie. — Nasci aqui.
—Vamos? — Harry passou pelo garoto e entrou no Grande Salão do solar, que não era nada além de uma vasta sala de jantar rodeada por uma galeria que orlava o segundo andar e permitia aos que se reuniam ali olhar e ver as cabeças dos que jantavam abaixo. O Grande Salão compreendia quase todo o andar principal do solar, mas apenas o centro retratava o teto de abóboda de uma catedral, onde havia pendurados dois ou três estandartes, deixados ali por conta de alguma batalha esquecida havia muito tempo.
No fundo do salão, oposta à porta, havia uma grande lareira, alta o bastante para aquecer a sala inteira ou, pelo menos, a maior parte dela. Na frente dessa lareira, na qual bramia um fogo quente demais para uma noite tão amena, duas cadeiras de encosto alto haviam sido colocadas. Numa, Harry viu imediatamente, embora o garoto estivesse de costas para ele, estava seu escudeiro Rony. Na outra estava curvado um homem que Harry concluiu que deveria ser o primo do pai, Reginald Laroche.
Ao barulho da entrada deles, Rony virou o rosto e soltou um grito contente:
— Ora, veja isso! — falou o escudeiro, a voz ecoando no vasto aposento. — Meu lorde!
Levantando-se com desequilíbrio, Rony cruzou o piso de pedras e cumprimentou Harry e o xerife, o primeiro percebendo imediatamente que o garoto estava bêbado. Que idiota tinha aberto a adega para esse garoto
presunçoso, Harry podia imaginar muito bem, mas o garoto mal podia ficar de pé, de tão embriagado que estava. Ainda trajado com a túnica de veludo, o garoto tinha pelo menos tirado a cota de malha, embora tivesse substituído a capa forrada de arminho por uma nova corrente de ouro que Harry nunca tinha visto antes. Esperava que Laroche não a tivesse dado para o garoto numa tentativa de ganhar sua lealdade. Harry tinha certeza de que tal astúcia teria êxito, pois conhecia a vaidade de Rony. Enchendo o garoto de presentes e mantendo-o bêbado como um porco na lama, ele o ganharia com facilidade.
— Olhe, aqui está ele, senhor — disse Rony, apontando para Harry, um sorriso ridículo e cheio de dentes no rosto juvenil. —Vejo que não foi necessário nenhum resgate. Deu um golpe nela, meu senhor? Lorde, queria
estar na sua pele! Eu disse que ela era de primeira qualidade...
Harry ignorou o garoto, o olhar desviando para o homem que também tinha se levantado e estava vindo na direção deles mais lentamente, mas com os braços bem abertos no velho gesto de boas vindas
— Mas não pode ser Harry Potter — gritou Reginald Laroche. — Não o jovem rude que saiu daqui dez anos atrás, tão furioso. Amaldiçoou todos os que estavam na sala. Foi isso que o senhor fez, não foi? E, agora, olhe só. Duas vezes mais largo que o pai, e mais alto que as nossas torres, posso jurar. Que volta ao lar mais alegre, não é, John? Vejo que resgatou nosso lorde daqueles ladrões de estrada sobre quem Rony nos contou...
— Não tinha ladrão de estrada nenhum, Reginald — disse John, e sorriu, propositalmente usando a pronúncia inglesa do nome do intendente para irritá-lo, Harry não tinha dúvidas. — Apenas um trabalho de nossa
caçadorazinha favorita.
A expressão do intendente ficou um pouco sombria com a menção a Hermione. Ele era um homem alto, embora não tão grande quanto Harry, usava bigode e era magro, com cabelos negros ficando grisalhos na parte da frente. Harry se lembrava dele como sempre presente nos tempos do pai, mais do que um membro da família, um conselheiro, um supervisor da propriedade, o melhor amigo de Thiago Potter. Um amigo que, se as suspeitas de Harry fossem verdadeiras, poderia ter matado o velho para ter o controle sobre o solar e depois ter culpado a inocente noiva do falecido conde pelo crime.
— Ah — gritou Reginald, o desânimo em sua voz só um pouco disfarçado. — E seu escudeiro nos disse que eram degoladores!
— Ela disse que me mataria se eu contasse — Rony pronunciou com alegria. — Mas que jeito de morrer! Morreria feliz umas mil vezes por um único beijo dela...
O sorriso de Reginald pareceu congelar no rosto estreito.
— Ah, bem, estávamos esperando uma carta pedindo seu resgate, meu senhor, mas felizmente, em vez disso, o senhor está aqui. Felizmente, minha filha, Isabella, tenho certeza de que o senhor se lembra, tornou-se uma jovem desde que a viu pela última vez, arrumou os antigos aposentos de seu pai...
Harry ergueu uma sobrancelha.
— Vocês não estavam usando, Reginald? — perguntou ele, seguindo o palpite do xerife.
— O quê, eu? Bem, sim, mas agora que temos o senhor de volta, é o adequado...
— Verdade.
Harry viu como Laroche pretendia jogar. O primo leal, que se esforçou para manter o solar funcionando nos conformes depois da morte inesperada de Sua Senhoria, agora se alegrava em servir o herdeiro do falecido lorde. Laroche não podia fazer ideia de que Harry já tinha sido informado sobre o estado de seus domínios e vassalos. John de Brissac não teria razão para dizer nada, e nenhuma outra pessoa ousaria. Exceto, é claro, a Bela Mione. Mas ela era a suspeita de matar lorde Thiago. Quem seria idiota o bastante para acreditar nela?
Batendo com suas luvas de montaria sobre as pernas e olhando ao redor com aparente indiferença, Harry disse:
— O lugar parece bem, muito bem, Reginald. Fiquei feliz de ver Webster lá fora. Mas você deve achar que ele está lento demais nos últimos tempos. Nunca pensou em contratar alguém para ajudá-lo?
— Bem, as coisas não estão exatamente do mesmo jeito que estavam quando Vossa Senhoria partiu. Não, não mesmo, não mesmo. — O intendente sacudiu a cabeça, lamentando. — Seu pai vendeu a maior parte dos cavalos um pouco antes de morrer. Não via utilidade em manter um estábulo tão grande quando havia apenas ele, sabe...
— Estranho ele ter feito isso, não acha? — Harry chicoteou as luvas num escudo preso à parede que continha o brasão dos Potter,e franziu a testa com a poeira produzida pelo gesto. —Considerando que estava se casando. Ele devia esperar que a esposa fosse usar pelo menos uma égua. E haveria as crianças...
Reginald hesitou, mas somente por um segundo.
— Ah, o xerife contou-lhe sobre o desastre, não contou? Sim, um dia sombrio na história da sua família, meu senhor. Uma espécie de loucura apoderou-se de seu pai naquelas infelizes semanas que levaram ao seu
casamento malfadado com aquela pirralha... — O rosto do intendente ficou sombrio com a lembrança. Depois, com um suspiro, iluminou-se, como um homem que deseja colocar para trás um pensamento desagradável.— Mas não adianta ficarmos remoendo aqueles dias tristes, no quando o senhor tem tantos dias felizes pela frente. Agora, temos de comemorar sua volta. Jamie. — O chamado ao menino foi austero. — Corra e diga a dona Laver que Sua Senhoria voltou, e diga para ela preparar uma refeição digna de um conde. Diga que tem minha permissão para abater um dos leitões...
Jamie, que estivera observando os acontecimentos com olhos verdes arregalados como maçãs silvestres, pareceu surpreso.
— Um dos porcos, senhor? A Srta, Isabella não vai gostar disso..
— Diga à Srta. Isabella que Sua Senhoria chegou. Ela vai entender. — Reginald falava lentamente, sibilando as palavras entre os dentes como alguém acostumado a ter suas ordens obedecidas sem questionamentos. O
garoto saiu apressado, e o intendente virou-se com um suspiro.
— É tão difícil encontrar ajuda confiável nesses tempos — disse Reginald, balançando a cabeça.
— Posso imaginar que deve ser muito difícil. — Harry cruzou os braços sobre o peito. — Especialmente quando você pretende pagar a eles um terço do que merecem.
— Senhor? — Reginald pareceu perplexo.
—Você me escutou. — Harry virou o rosto para o escudeiro. — Rony, vá aos estábulos e dê uma ajuda a Webster com nossas montarias.
Rony estava tão bêbado que mal conseguia se levantar, mas ainda estava intratável como sempre.
— Ajudar Webster? — queixou-se garoto. — Por quê? O velho pode cuidar dos dois cavalos. Além disso, há apenas três outros no estábulo...
— Faça o que estou dizendo! — bramiu Harry, a voz retumbando pela sala.
Rony deu um salto, abaixou a cabeça e correu. Harry nunca tinha visto o garoto se mover com tanta velocidade, e ficou contente porque, mesmo bêbado, o garoto era rápido.
— Meu senhor — disse Reginald, quando as imensas portas de carvalho fecharam-se depois que o escudeiro saiu correndo. — Algum problema? Perdoe-me de antemão, mas o senhor parece... descontente.
O xerife De Brissac, sempre disposto a apreciar uma boa piada, deu uma risada nessa hora, e Harry descruzou os braços e começou a bater com as luvas na palma da mão direita, lentamente, metodicamente, mas com uma força que crescia conforme encarava o intendente.
— Honestamente, meu senhor — Reginald gaguejou com um sorriso falso. — Se é a venda dos cavalos de lorde Thiago que o preocupa, só posso dizer que as últimas semanas de vida de Sua Senhoria não foram das
melhores. Parecia um homem possuído...
— Ou um homem cujo cérebro estava sendo lentamente destruído por veneno — Harry disse, suavemente.
—Veneno, meu senhor? — O intendente ergueu as sobrancelhas negras, surpreso. — O senhor disse veneno? Sim, falaram de veneno na época da morte. Minha opinião era de que a pirralha com quem ele se casou tinha
colocado alguma coisa em sua taça...
— Ah, não — disse Harry com confiança. — O envenenamento começou muito antes do casamento. Foi o veneno que o deixou louco a ponto de querer se casar, em primeiro lugar.
— Mas, meu senhor — Reginald disse, lambendo os lábios finos com a ponta da língua rosada —, o senhor sabe do que está falando?
— Com certeza sei. — Harry começou a caminhar em volta do intendente, ainda batendo com as luvas ritmicamente na palma da mão. — Na história da minha família, Sr. Laroche, não existem registros de loucura. Nem meu avô, nem o pai dele, nem o pai do pai dele ficaram loucos...
— Bem, existem muitas coisas que podem levar um homem à loucura — insistiu Reginald Laroche, virando-se para observar os passos de Harry. — No caso de seu pai, foi a artimanha de uma jovem. Uma bruxa, alguns a acusaram assim, numa idade menos instruída...
— Não — disse Harry sem tirar os olhos do intendente. — Hermione Granger não foi a causa da loucura do meu pai, mas um sintoma. A causa foi veneno, pura e simplesmente.
Reginald respirou fundo, o olhar voltando-se para o xerife.
—Você disse a ele o que eu disse depois da morte do ve..., quero dizer, do lorde Thiago? Que eu achei que a garota tinha colocado alguma coisa na bebida dele. Ah, lorde Harry, o senhor deveria ter visto como ela o desprezava. Não suportava que ele tocasse nem na mão dela. Uma garota estranha, um tanto indigna de ser uma mulher. Você disse a ele, xerife, como também suspeitamos de que ela rouba a minha... a caça de Sua Senhoria? Uma assassina, uma ladra, talvez até mesmo uma feiticeira...
— Você joga muitas acusações aos pés de uma simples garota — observou Harry, andando mais depressa agora.
— Uma simples garota, meu senhor? Ah, não, Hermione Granger não é uma simples garota. Ostenta sua feminilidade para todos verem em umas calças de couro, em vez de vestir-se como uma cristã temente a Deus...
— Já chega — Harry ladrou, parando os passos exatamente na frente do intendente. — Não pronuncie outra palavra contra essa jovem. O que vai fazer é trazer os recibos das vendas dos cavalos do meu pai. Vai me trazer os livros contábeis e me explicar exatamente por que os impostos dos servos do meu pai aumentaram em um terço. Também vai me informar por que nesse inverno muitos deles teriam morrido se não fosse pela generosidade da mesma pessoa que você caluniou de forma insultante há alguns instantes.
Reginald Laroche já deveria estar esperando por uma cena dessas, deveria ter imaginado que se Harry sobrevivesse às Cruzadas ele teria de prestar contas das ações que se seguiram à morte do lorde Thiago. Harry não podia provar que o intendente tinha envenenado o pai, embora tivesse uma forte suspeita de que esta fosse a verdade.
Mas podia facilmente juntar provas de que Reginald Laroche era culpado de extorsão e desfalque, e era por essa razão que queria John Brissac ao lado enquanto fazia as acusações.
— Meu senhor — exclamou o intendente, surpreendendo Harry com um sorriso, embora débil. — Meu senhor, o que é isso? Anda dando ouvidos às fofocas da aldeia? Estou surpreso. Nunca se de julgar um homem antes de ouvi-lo com atenção...
— Ah! — O xerife De Brissac virou uma das cadeiras da lareira e posicionou-a para que pudesse observar Harry e o primo. Abaixando o corpo volumoso na cadeira, ele deu risada, pegando o cálice e vinho abandonado por Rony. — Então nos deixe ouvir a sua versão dos fatos, Sr. Laroche. Provavelmente será uma história divertida. Sr. Harry, não quer sentar comigo e aproveitar a performance?
— Vou ficar de pé, obrigada, John — disse Harry, incapaz de segurar o sorriso para o óbvio divertimento do xerife com a situação.
— Bem, vamos escutar, Reginald — ele disse, cruzando os braços novamente. — Comece pelos cavalos.
— Bem, foi há tanto tempo que mal consigo lembrar, mas acho que me lembro de um deles ficar doente, e depois os outros, até que finalmente quase todos tiveram de ser sacrificados...
— Então o meu pai não os vendeu? Parece que eu estava enganado na minha explicação inicial, meu
senhor... E o aumento dos impostos? Qual seria a desculpa para isso? — Harry desejou saber, e não conseguiu evitar ficar impressionado quando o homem prontamente veio com um dilúvio.
— Sim, meu senhor um dilúvio. O rio transbordou em junho passado, inundando quase toda a sua propriedade, destruindo mais de metade das plantações. Tive de aumentar os impostos, meu senhor, apenas para repor as plantações arruinadas e manter o estoque no solar para os meses de inverno...
Harry olhou para o xerife De Brissac, que parecia pensativo.
— Sim, o rio transbordou em junho passado — concordou ele. — E realmente inundou um campo ou outro. Mas não me lembro de nada além de um campo de trigo destruído...
— Ah, senhor o estrago foi muito mais severo que isso. Áreas inteiras de terra ficaram sob água durante dias...
— E foi por essa razão que você pediu tanto dinheiro para dar permissão ao casamento de Matthew Fairchild com Mavis Poole que ele teve de aceitar caridade para poder pagar? — O olhar de Harry era severo.
— Matthew Fairchild? — Os olhos negros de Reginald Laroche estavam arregalados como os de um pássaro e assustados como um corvo numa armadilha. — Mavis Poole? Meu senhor, deve estar havendo algum engano.
Esses nomes não me são familiares...
— A família de Mavis Poole cuida do mesmo pedaço de terra para os Potter há mais de cinquenta anos — Harry informou-lhe de forma depreciativa. — E ainda assim você diz que o nome dela não lhe é familiar?
Você foi o intendente do meu pai durante anos antes da morte dele. O que você fez que nem mesmo se familiarizou com o nome daqueles empregados para servir você?
Reginald gaguejou alguma resposta, mas Harry interrompeu-o, furioso. Já tinha aguentado mais que o suficiente. Este homem, se não tinha assassinado lorde Potter, tinha assassinado a memória dele ao permitir que seu povo morresse de fome. A raiva de Harry alcançou o ponto de ebulição, e teve de sucumbir a ela por um instante, não importando o que acontecesse. Com um resmungo de raiva reprimida, Harry foi para cima do intendente, agarrando a túnica de veludo do homem com punhos de ferro. Levantando o homem apavorado do chão de pedra, o conde segurou Reginald Laroche acima dele, olhando furioso para o homem que choramingava, os olhos se tornando de um amarelo implacável.
— Eu podia esmagar você como um galho — disse Harry ameaçadoramente. —Podia atirar você contra a parede e quebrar seu pescoço...
— Meu senhor... — O xerife De Brissac se levantou parcialmente de sua confortável cadeira, a expressão alarmada.
— Podia acusá-lo de crimes muito fáceis de serem provados — continuou Harry, em uma voz sem inflexão, de alguém que tinha se irritado de forma inexprimível. — E com felicidade ver você apodrecer na prisão pelo resto de seus dias. Mas eu realmente prefiro atravessar você com minha espada e depois limpar o sangue da lâmina na sua lamentável carcaça.
— Meu senhor! — gritou o xerife, verdadeiramente prudente agora, o cálice de vinho esquecido. — Não!
— Mas, em vez disso — Harry disse irritado, ainda mantendo o homem menor do que ele longe do chão com a força dos braços —, vou dizer o que você fez, pois você se faz de inocente com tanta convicção.
Colocando o primo de pé, Harry puxou o homem mais velho para si, ainda agarrado à túnica.
— Nada — ele sibilou, tão suavemente que o xerife De Brissac teve de se curvar para entender as palavras. — Você não fez nada para a propriedade e para meu pai. Não se preocupou com a vida daqueles que meu pai jurou proteger e a quem, em troca, ele quis que você servisse. Sua única preocupação foi encher seus bolsos imundos com o ouro dos Potters. Bem, acaba hoje à noite.
Jogando o homem menor para longe dele, Harry observou o intendente bater na parede, depois começar a escorregar, gemendo, o corpo curvado na posição de uma criança. Completamente sem compaixão pelo homem que tinha prejudicado tantas pessoas, Harry entoou, sem emoção:
— Quero que me devolva todo centavo que roubou do meu povo até o fim do ano. Quero todos os pedaços de papel que mostrem todas as transações que você fez nas mãos do xerife De Brissac na primeira hora de amanhã. E quero você fora da minha casa antes do meio-dia de amanhã. Entendido?
Por um momento, Reginald Laroche parou de olhar para as mãos, e foi então que Harry viu passar pelo rosto do primo alguma coisa que não era medo, nem agitação, mas ódio, tão puro e frio quanto o ódio mortal que Harry tinha visto nos olhos dos sarracenos contra os quais lutava. Mas esse ódio era de alguma forma mais terrível, pois era natural ser desprezado pelos próprios inimigos. Mas ser odiado dessa forma por alguém na própria casa — isso era diferente. Reginald Laroche desprezava Harry, e provavelmente tinha desprezado o pai de Harry antes. Como lorde James não tinha visto aquele aparente desprezo nos olhos negros do primo, Harry não conseguia entender.
Mas, assim que reconheceu esse ódio, ele imediatamente desapareceu. Conforme se levantava, as feições de Reginald Laroche disciplinaram-se em uma expressão de falsa ansiedade.
— Meu senhor, meu senhor — murmurou o intendente, limpando-se como se tivesse apenas caído acidentalmente, não sido jogado de corpo inteiro do outro lado da sala. — Tudo o que fiz na s ausência foi para o bem do solar. De fato, a maior parte dos seus vassalos reclamou, mas o senhor deve saber que seu pai os deixou mal-acostumados. Ora, são os servos mais bem-tratados do condado, até mesmo o xerife vai concordar comigo...
— Eram — corrigiu-o John. — Eram os mais bem-tratados.
—Viu? Seu pai, que Deus proteja a alma dele, era um bom homem, mas não tinha tino para os negócios. Mostrarei com prazer qualquer papel que desejar ver, meu senhor. Está cansado da viagem e talvez seus ouvidos tenham dado atenção para lábios que são contra mim...
—Você não precisa pensar sobre isso — disse Harry, balançando a cabeça em admiração. Na verdade, este homem estava pedindo para morrer se achava que podia fazê-lo mudar de ideia mesmo com a raiva mortal que estava sentindo. — Amanhã você vai embora, ou, por Deus, Laroche, você vai sentir a ponta da minha lâmina nas suas costas forçando você a sair.
— Pai?
Uma voz musical saltou na direção deles, e Harry levantou o olhar para a escada no lado direito da sala. Lá, com uma das mãos delgadas sobre o corrimão de madeira polida, descendo as escadas, flutuava uma visão em púrpura. A pele pálida como creme complementada por um cabelo negro como ébano criavam a aparência de uma feminilidade tão delicada com a qual poucas mulheres podiam rivalizar. Isabella Laroche, de quem Harry só se lembrava como uma garota desagradável de 10 anos de idade, tinha se tornado uma mulher realmente linda.
— Pai? — perguntou ela novamente com sua voz suave. — Qual o problema? — Então, notando a presença de Harry, a garota colocou a mão sobre um bem desenvolvido seio e soltou um suspiro de admiração.
— Oh, lorde Harry! — gritou ela, e em alguns passos rápidos e graciosos ela estava na frente dele, abaixando-se no piso de pedra em uma mesura que fez as enormes saias púrpura acumularem-se em volta dos pés de Harry. — Oh! Parece um sonho! Ouvi aquele malandro do Jamie dizer que o senhor tinha finalmente voltado, mas não pude acreditar, a não ser que eu o visse com meus próprios olhos!
Erguendo-se da mesura, os olhos negros brilhando como ônix, Isabella sorriu beatificamente para ele. Hugo achou graça ao ver que os lábios desenhados com perfeição estavam com ruge, pois estavam artificialmente
vermelhos, da cor das sementes da romã que Harry às vezes comia no Egito.
— Oh, primo, como você está alto agora! Achei que fosse apenas um golpe da minha imaginação de garota lembrar de você alto assim, mas, depois de todo esse tempo, encontrar isso... Bem, você parece uma árvore,
exatamente como quando eu era pequena. Ele está ótimo, não está, pai?
Reginald Laroche resmungou, não havia mais o oficioso tom ser em sua voz.
— Vá para a cozinha, Isabella, e veja como a dona Laver está se saindo com o preparo do jantar.
— Oh, pai, você não pode estar falando sério! Faz séculos que eu e primo Harry nos vimos pela última vez. Temos tanto o que conversar — Isabella fez uma careta charmosa de desapontamento para o pai. — Afinal de
contas, primo Harry esteve pelo mundo todo. Quero ouvir tudo sobre isso e sobre os sarracenos que matou e as paisagens que viu. Você viu as pirâmides, lorde Harry? Queria tanto vê-las. São realmente tudo isso que as pessoas dizem?
Harry olhou para a criatura encantadora que o primo do pai tinha gerado e entendeu muito bem o desgosto que Hermione e as irmãs tinham pela garota. Linda e dissimulada, Isabella Laroche era, do seu jeito, ainda mais perigosa que o pai, e qualquer donzela que não soubesse disso ficaria com ciúme de sua beleza e posição social. Isabella parecia ter feito um enorme esforço esta noite, vestindo uma saia de seda e uma túnica com um decote que rivalizava com a de Gina em indecência, junto com várias jóias de ouro que pesasva nos pulsos e dedos.
— Mas vejo que meu esquecido pai não lhe ofereceu nada para beber — Isabella falou amorosamente, pegando o braço de Harry apertando um peito pesado contra ele. — Deixe-me servir um calice para o senhor...
O xerife De Brissac deu uma risada sincera para o tom sugestivo que a garota empregou, e ela lançou-lhe um olhar de irritação, sobrancelhas delgadas baixando sobre o nariz delicado em uma expressão mal-humorada.
— Ah — disse ela categoricamente —, é você. Não o tinha visto aí. Bem, do que está rindo, posso saber?
— Ah, senhorita — suspirou o xerife —, se eu não a conheço, não sou eu quem deve lhe dizer.
— Isabella — disse Reginald imediatamente —, saia daqui.
— Pai! — A mulher sedutora de cabelos negros bateu com com pequenos pés cobertos por veludo no chão. —Você está sendo grosseiro com nosso hóspede!
— Lorde Harry e eu estamos conversando sobre um assunto importante e que não diz respeito a você! Vá para a cozinha ver como a dona Laver está se saindo com o preparo do jantar...
— Na verdade, senhor — Harry interrompeu —, vou jantar na casa do moinho esta noite. Então vocês e dona Laver não precisam se preocupar com meu jantar, embora tenha certeza de que o xerife, que passará a noite aqui para ajudar o senhor com a arrumação, apreciaria comer alguma coisa.
— Jantar na casa do moinho? — gritou Isabella, o tom horrorizado. Não tinha escutado o resto. — Por que jantará lá? Podemos preparar um jantar melhor do que o que terá na casa do moinho...
— Pode ser. — O xerife De Brissac deu risada. — Pode ser, senhorita. Mas não pode fornecer o tipo de companhia que Sua Senhoria tem tido nos últimos dias.
— O que isso quer dizer? — Isabella virou os olhos acusadores a Harry.— Do que ele está falando, Vossa Senhoria?
Harry, relutante em pronunciar o nome de Hermione, sobre quem iam falado com liberdade demais para o seu gosto na recente conversa, somente deu de ombros de forma indiferente.
— Não se esqueça do que falei, senhor — disse ele, lançando um implacável para o intendente. — Não pode passar de amanhã.
Harry não precisou acrescentar "ou vai se arrepender". A ameaça estava lá, em sua voz, sem a necessidade de as palavras serem pronunciadas.
— Mas, meu senhor, eu lhe imploro...
Uma das mãos pesadas caiu sobre o ombro de Reginald Laroche, intendente virou-se irritado e viu-se olhando para o rosto largo e barbudo do xerife.
— Leve-me até seus livros contábeis, querido companheiro — ordenou John, com bastante satisfação. — E se puder achar um ou dois odres de vinho pelo caminho, melhor ainda.
— Mas... — disse Reginald para Harry, que já tinha se virado e ia e direção às portas. — Meu lorde, espere...
Mas Harry já estava do lado de fora, no ar frio da noite, antes de o intendente pronunciar outra palavra. Respirando fundo, Harry encheu os pulmões de ar com perfume de pinheiros e madeira queimada os sons das
noites inglesas tão familiares a ele quanto a própria voz. Em algum lugar, um rouxinol gorjeava uma canção comovente e ali perto, outro respondia. Então era disso que sentia falta nas noites frias do deserto, não de sua casa, de sua família, mas sim do interior da Inglaterra, do apupo de advertência de uma coruja marrom, do leve mugido da vaca leiteira no estábulo. Era por isso que tinha voltado para casa. E era isso que dividiria com Hermione, e com os filhos, se Deus quisesse.
Harry olhou na direção dos estábulos, e estava prestes a ir lá chutar o escudeiro para que acordasse, concluindo que o jovem arrogante tinha desmaiado devido aos excessos, quando uma voz fina deteve.
— Está indo embora, então?
O garoto de cabelos pretos apareceu não se sabe de onde, e Harry apertou os olhos para a túnica imunda do garoto e para as calças puídas, o rosto sujo e os olhos verdes arregalados.
—Só por um tempinho — disse Harry mansamente. — Estarei volta depois que você dormir.
— Posso dormir a hora que eu quiser — assegurou-lhe Jamie. Vou esperar pelo senhor.
Harry levantou uma sobrancelha.
— Como você quiser, então.
Caminhando em direção aos estábulos, Harry teve a clara impressão de que o garoto o seguia, e, quando se virou e pegou o interrompendo o passo e fingindo estar interessado em um gato estava andando ali perto, perguntou curiosamente:
— A quem você pertence, jovem?
— O quê, senhor? — O garoto engoliu em seco, tirando o olhar das costas do gato malhado. — Eu?
— Sim, você. De quem você é? Da dona Laver? Do Laroche?
— Ah, não, senhor— o garoto gritou, ficando com o corpo completamente ereto. — Sou seu.
Harry balançou a cabeça, sem se impressionar. Alguma garota da cozinha tinha ficado grávida e jogado esse menino entre eles. Harry pagaria para sustentar o garoto até o dia de sua morte. A não ser, claro, que ele
pudesse ser um aprendiz. O garoto parecia forte o bastante, embora inegavelmente sujo.
— Certo, então — disse Harry, esfregando o queixo. Fazia tempo que não se barbeava tão bem que ainda não estava totalmente acostumado. — Tem algo que pode fazer por mim enquanto estiver fora.
O garoto balançou a cabeça, entusiasmado.
— O quê, senhor?
— Pode ficar de olho no xerife De Brissac. Cuidar para que ele não cochile ou coisa assim antes de eu voltar. Sabe, garoto, estou fazendo o Sr. Laroche e a filha saírem daqui e não os quero fazendo nenhum jogo sujo
comigo...
— Entendo, senhor — disse o garoto. — Nao vou deixar que nada aconteça ao xerife De Brissac. Ele me leva para pescar.
Harry levantou as sobrancelhas, mas se segurou para não fazer um comentário. Em vez disso, jogou uma moeda para o garoto, que pegou com destreza.
— Muito bem, garoto — foi tudo o que disse, e depois seguiu em busca do escudeiro.
Nota: Oi gente, olha eu aqui de novo, eu sei que demorei para postar mais aqui esta mais um capítulo. Espero que gostem, não sei vocês mas eu simplesmente adoro a parte do Harry todo cheio de si, Ahaha ! Adoro. Muito obrigada a todos que leram e mandaram comentario. Obrigada a todos. Beijos e até o próximo.
