Capítulo final - O fim de uma jornada e o começo de outra...
Myoga desceu com parte da roupa destruída.
- Isso foi um claro atentado à minha vida! E já sei muito bem quem é o responsável.
Inuyasha, vendo que o conselheiro queria complicar para o lado de Kagome, a afastou e Kouga, Ginta e Kohaku a protegeram com seus corpos. O comandante se adiantou para tentar conversar, quem sabe conseguiria salvá-la? Manteve-se diante do pequeno grupo enquanto o magricela resmunguento se aproximava.
- Saiam da frente! Ela não é digna de proteção!
- Ela é uma heroína! Acaba de salvar a China! - Inuyasha rebateu.
- É uma mulher! - frisou Myoga - Jamais será digna de alguma coisa!
- Olha que seu... - enfurecido pegou o magérrimo pelo colarinho - Se acha que vou deixar você falar assim...
- Agora chega! - soou a voz do imperador.
Imediatamente, Inuyasha soltou o resmungão e se dirigiu ao imperador.
- Majestade, eu posso explicar.
Mas o idoso apenas fez um sinal com a mão para o jovem se calasse e lhe desse espaço para conversar com morena. Aos poucos os quatro abriram o caminho, Kagome segurava o cabelo curto, que havia crescido um dedo desde que saíra de casa, em claro sinal de nervosismo. Sabia que estava muito encrencada e agora... Enfrentaria as consequências. Aproximou-se do senhor e o reverenciou, não levantando em seguida.
- Já ouvi falar sobre você, Higurashi Kagome: roubou a convocação de seu pai, fugiu de casa, se passou por um soldado - gradativamente ele aumentava a voz - enganou seu oficial comandante, destruiu meu palácio e... - de repente soou brando - salvou a vida de todos. - ela se levantou surpresa com o que ele havia falado - Eu agradeço.
Ele a reverenciou, deixando a mesma atônita. Myoga, assim que viu o que o imperador fazia, fez o mesmo, assim como os quatro atrás dela e assim como todo o povo ali presente. Ficara admirada com tal atitude, realmente não esperava; quebrara todas as regras possíveis, mas acabara por salvar sua pátria e, assim conseguiu honra. Ficou muito feliz, a família Higurashi cresceria em honra. Voltou-se ao imperador que já estava ereto e o reverenciou mais uma vez.
- Myoga - disse o imperador - Faça com que essa jovem seja nomeada conselheira real.
- C-c-c-c-c-c-co-co-como? - Afastou-se um pouco rindo - Não há vagas, senhor.
- Muito bem... - virou-se para ela - Então fique com o cargo dele.
- Com... o meu? - indagou antes de desmaiar.
Ela riu.
- Com todo respeito majestade, acho que já fiquei fora de casa tempo o bastante.
- Então leve isto - tirou o medalhão real de seu pescoço - para que sua família saiba o que você fez por mim. E isso - entregou a espada de Naraku - para que o mundo saiba o que você fez pela China.
Ela agradeceu e, em um ato completamente espontâneo, o abraçou, sendo correspondida amigavelmente pelo mesmo. Os quatro que apenas observavam a cena atônitos esperavam sua vez de se despedir dela. Kouga, curioso, perguntou:
- Ela podia fazer isso?
Os outros mostraram seu desconhecimento do assinto, mas deram de ombros. Assim que desvencilhou do velho, abraçou o trio fortemente.
- Não se esqueça da gente, Higurashi! Você ainda é o rei... Digo, a rainha da montanha! - falou Kouga.
Ela riu.
- Pode deixar Kouga.
- Qualquer dia passarei na sua casa para fazer uma boquinha. - comentou Kohaku.
- Certo. - respondeu rindo.
- E treinaremos mais daqui a algum tempo.
- Com certeza!
Os abraçou mais uma vez. Não conseguiu impedir um suspiro ao ver Inuyasha ao lado de Kirara, ele estava sorridente, com certeza feliz com a luta que tiveram e orgulhoso com o desempenho dela. Mas ela desejava que ele demonstrasse algo mais, como quando se abraçaram. Ele mesmo não sabia conter a satisfação que tinha, aquela bela e habilidosa mulher havia sido treinada por ele e... Bem, gostava muito dela, ainda não sabia dizer o quanto. Planejara milhares de coisas para lhe dizer e quando finalmente ela está diante de si, ele simplesmente perde completamente as palavras, sua mente ficou vazia e apenas se concentrou no cheiro suave que ela exalava. Ali estava ela, queria abraçá-la, no entanto apenas conseguira tocar-lhe no braço e dizer:
- Foi... Uma ótima luta.
O sorriso dela murchou.
- Claro... Obrigada.
Ela passou por ele, estava frustrada. Estava enganada, ele não gostava dela. Não devia vê-la como mulher, apenas uma parceira de combates. Suspirou profundamente.
- Bem... Vamos Kirara. Vamos pra casa.
Depois do incentivo, a égua disparou rumo ao seu destino. Inuyasha olhava-a se distanciar gradativamente, sentiu seu coração apertar, quando a veria de novo? Esperaria até uma próxima emergência em que fosse necessário uma nova convocação? E se até lá ela já estivesse... Casada?! Não! Bem... ela tem todo o direito, mas... E eu? Surpreendeu-se com o pensamento. O imperador, atento às feições do mais jovem, chamou a atenção do outro, dizendo:
- Deve estar orgulhoso.
- Orgulhoso? - repetiu.
- Sim. Higurashi Kagome, apesar de ser uma mulher, mostrou-se capaz de lutar tanto quanto um homem.
- Ahhh, sim... Ela... - olhou para o caminho que ela seguiu - é maravilhosa.
O imperador abriu um sorriso.
- Creio que em breve será a hora de nomeá-lo general em lugar de seu pai.
- Como? - virou-se para o senhor.
- Inu no Taisho sempre me disse que você seria qualificado o suficiente para assumir o lugar dele quando chegasse a hora. O que acha?
- Não tenho palavras para descrever.
O idoso suspirou.
- Uma flor que desabrocha em meio a diversidade, é a mais rara e bela de todas.
- Senhor?
- Não se encontra alguém como a Higurashi em toda a dinastia, meu jovem.
Inuyasha voltou a fitar o caminho percorrido pela moça e sorriu. Sabia o que devia fazer.
Algum tempo se passou. Kagome demorou um pouco para chegar à sua casa, mas chegou sã e salva. Seus pais a receberam com alegria e ela entregou os presentes com muito alegria. Lembrava-se perfeitamente de seu pai jogar tanto o selo quanto a espada ao chão e dizer:
- Meus maiores presente e honra são ter você como filha.
É claro que se emocionou. Duas semanas se passaram desde então, embora tenha voltado à vida normal, mantinha-se treinando continuamente. Às vezes algumas meninas da redondeza a admiravam e a imitavam, chegava até ensiná-las alguma coisa. Naquele dia estava treinando sozinha alguns golpes que Sango lhe ensinara. Claro, não podia esquecer-se da nova amiga. Ela mudara-se havia pouco tempo para ali perto, casara-se com Miroku e ria muito do casal. Descobrira que quando foram mandados para uma "missão especial", na verdade era uma desculpa para tirá-los de lá e deixar Kagome desprotegida. Deu de ombros, acabou por se virar bem. Agora eram grandes amigas e sempre que tinham oportunidades, lembravam-se do tempo em que treinaram, apesar de ter sido por pouco tempo.
Kagome ouviu um cavalo relinchar, mas não deu muita atenção. Queria concentrar-se no que fazia. Fora surpreendida por mãos másculas que se defenderam de seus golpes rapidamente e que lhe voltaram um ataque certeiro, se não tivesse sido rápida, ele a teria acertada em cheio no rosto. Ela conseguiu lhe chutar e assim afastá-lo de si. Ficou surpresa ao identificá-lo.
- Vejo que continua a treinar. - ele comentou risonho.
- Ma acostumei. - respondeu. - Uniforme diferente. - comentou.
Ele ficou levemente encabulado.
- Fui promovido.
- Então... Agora é...
- General.
- Seu pai ficaria orgulhoso Inuyasha.
- Eu sei. - falou observando o chão para logo encará-la - Enviaram o...
- Sim, chegou pouco tempo depois de mim e devo agradecer por devolver o capacete do meu pai. - disse rindo.
- Às ordens. - ele a fitou profundamente - Kagome... Bem... Eu...
- Kagome! - ouviram a voz de Kikyou - Venha jantar. Oh! Me perdoe, não o vi entrar.
- Sem problemas. O Sr. Higurashi me permitiu entrar.
- Você deve ser o comandante Inuyasha. - ele se mostrou surpreso - Kagome fala muito em você.
- MAMÃE! - repreendeu a jovem ruborizada.
- É mesmo? - questiona olhando-a de canto.
- Kagome... - viu sua mãe indicar com a cabeça e ela entendeu o recado.
- Inuyasha? - ele se virou a ela - Gostaria de ficar para o jantar?
- Gostaria de ficar para sempre? - ouviram a voz da velha Kaede.
- Vovó! - ficou mais rubra ainda.
Inuyasha riu de como a jovem ficara. Sim. Ela gostava dele e não escondia isso muito bem, se é que ela queria esconder. Aproximou-se dela e lhe abraçou, sussurrando em seu ouvido:
- Será um prazer. - abaixando um pouco mais o tom - Senti sua falta.
- Mesmo? - os olhos dela brilharam ao vê-lo confirmar.
- Os aguardarei lá dentro. - informou Kikyou.
- Como me achou?
- Não foi difícil. - disse a enlaçando. - Não existem muitas Kagomes que tenham salvado a China, sabe?
Ela riu.
- É mesmo? Fez uma pesquisa?
- Digamos que sim. - ambos riram.
- Bem... vamos, meus pais estão esperando.
- Não antes disso.
- Disso o qu...
Ela foi impedida de falar, já que seus lábios foram cobertos pelos lábios macios dele. Que sensação incrível! Ambos não saberiam explicar quão prazeroso era sentir o gosto de cada um. Separaram-se apenas quando não puderam mais ignorar a necessidade de ar.
- Bem... Enfim, todo o mal acabou.
- Acabou sim. E agora... Um novo começo será escrito. - ele disse antes de beijá-la novamente.
Sim, Naraku fora derrotado. Estavam aliviados por finalmente poderem viver em paz e, como o próprio Inuyasha disse, um novo começo se iniciará para ambos. Um começo que promete tantas aventuras quanto as que passaram até agora.
