Capítulo 11

Tradutora: Laysa Melo

"Pare de me provocar."

Edward fez uma pausa, lançou-lhe um sorriso, e continuou o seu passeio em torno de sua cozinha.

Com um suspiro, Bella terminou de colocar as frutas em uma bandeja. Ela olhou para a ilha cheia de comida.

Ela tinha ido longe demais, com certeza.

Ovos, presunto, bacon, salsichas, batatas fritas, biscoitos e frutas.

Era um monte de comida para quatro pessoas, mas ela estava nervosa e, quando Bella estava nervosa, ela cozinhava.

Muito.

Ela escondeu a sua ansiedade também. Edward tinha comentado durante toda a manhã sobre como ela parecia calma, e ela apenas sorriu e continuou o seu trabalho enquanto ele fazia um buraco no chão com seu ritmo constante. Ela simplesmente não podia acreditar que seus pais eram tão cruéis como ele descreveu, e estava determinada a dar-lhes o benefício da dúvida. Ela seria agradável. Ela seria hospitaleira. Ela iria fazê-los se sentir os mais bem vindos possível.

Este era o seu mantra, mas o seu coração ainda pulava em sua garganta quando a campainha tocou.

Bella limpou as mãos em uma toalha e se dirigiu para a porta.

"Não", Edward disse. "Eu vou".

"Eu vou com você."

Ele sorriu. "Ok".

Com as mãos unidas, os dois fizeram o seu caminho para a porta da frente. Edward respirou fundo e virou a maçaneta.

Bella não sabia o que estava esperando, mas as duas pessoas que estavam em sua varanda não eram o Carlisle e a Esme Cullen que ela tinha imaginado. O pai de Edward estava vestido em um terno e gravata, e os cabelos de sua mãe estavam puxados para trás em um rabo de cavalo. Ela estava vestida casualmente em um par de botas de couro preto e jeans escuros. Ambos estavam sorrindo.

Sorrindo, isto é, até que notaram as mãos de Edward unidas as de Bella.

"Eu disse que a garota estava envolvida", Esme murmurou.

Um silêncio pesado pendurou.

Sendo a garota em questão e desde que Edward estava de repente mudo, Bella limpou a garganta e os convidou para entrarem na Swan Lake.

"Entrem", ela disse, acenando para dentro e os levando para a sala de jantar. "Espero que vocês estejam com fome. Nós fizemos um grande café da manhã."

"Nós fizemos?" Carlisle perguntou, sorrindo suavemente enquanto ajudava a sua mulher tirar o seu casaco. "Como vocês dois cozinhando?"

"Edward não cozinha", Esme disse, olhando para o filho. "Bom dia, Edward. Você parece... nervoso. Você não vai, pelo menos, nos apresentar?"

Edward suspirou profundamente e fez as apresentações antes de os quatro se estabelecerem na mesa.

"A pousada é linda, Bella," Carlisle comentou. "Quando foi construída?"

Bella contou-lhe tudo sobre a pousada e sua história, enquanto Edward e Esme jogavam punhais pelos olhos um para o outro.

"Sra. Cullen, gostaria-"

"Esme", disse a mulher, sorrindo educadamente. "Por favor, me chame de Esme."

Bella sorriu de volta e passou-lhe o prato. "Esme, você gostaria de alguma fruta? Edward me disse que você realmente ama melão."

Esme lançou um olhar duvidoso para seu filho. "Estou surpresa que Edward se lembra do que eu gosto. Faz anos desde que ele compartilhou uma refeição com a gente."

Ela agradeceu a Bella pela fruta e colocou algumas no prato. Bella arriscou um olhar para Edward e notou que a linha da sua mandíbula estava dura. Orgulhosa por ele ter controlado a sua língua, ela pegou a mão dele por baixo da mesa e deu-lhe um apertão.

O café da manhã foi tenso, para dizer o mínimo.

Edward permaneceu quieto, interpondo comentários aqui e ali, quando forçado. Ele explicou como foi parar na estalagem, e ela ouviu a risada forçada de Esme quando lhes contou sobre a falta de saída para Port Angeles. Carlisle interrompeu com desculpas aqui e ali. Sempre que a voz de Esme era ouvida, Edward se estressava. Bella não podia ajudar, mas se perguntava por quanto tempo Carlisle tinha desempenhado o papel de pacificador na família.

Ele lembrou a Bella de um filhote de cachorro maltratado – um que tinha aprendido a manter-se calado e de cabeça baixa por causa do medo de seus donos. Era irônico. Ele estava presente, o homem forte de sucesso no mundo dos negócios, e ainda, quando se trata de sua mãe, ele era o completo oposto. Edward apenas estava lá, enquanto sua mãe fazia um comentário depreciativo após outro sobre ele se esquivar das suas responsabilidades familiares ou sua incapacidade de seguir as instruções de um GPS, e ele nem se incomodou em retrucar as ofensas.

Isso a irritou, e quando Carlisle e Esme se retiraram para o lobby, Bella disse isso a ele.

"Por que você aceita isso? Por quê?"

Ele deu de ombros e a ajudou a levar os pratos para a cozinha. "Porque ela é minha mãe, e porque eu mereço."

"Você não merece isso!"

"Bella, eu expliquei a dor que eu causei a minha família, mas você não pode compreendê-la. Não completamente. Sim, você e eu compartilhamos a mesma batalha, mas nossas guerras têm sido muito, muito diferentes." Edward sorriu tristemente e colocou uma tigela na máquina de lavar louça. "É apenas um dia. Posso lidar com isso. Mas eu sinto muito que você tenha que aguentá-los."

Ela não estava satisfeita com essa resposta, mas ela também reconheceu que tinha conhecido Edward por apenas dois dias e demonstrar que o conhecia muito bem, provavelmente não seria uma coisa boa.

"Vou terminar aqui", Bella disse. "Vá falar com eles. Mostre-lhes a nossa árvore."

Edward sorriu e puxou-a em seus braços. "Nossa árvore?"

"Sim".

Ele baixou a cabeça e beijou-a suavemente.

O café da manhã cheio de tensão se transformou em uma tarde cheia de tensão. Esme e Carlisle eram do tipo que elogiavam a Bella na decoração da pousada e pareciam impressionados quando ela lhes disse que era a única proprietária. Isso levou a uma conversa sobre a economia local, e os Cullens não ficaram surpresos ao saber que a pequena cidade de Forks estava lutando assim como outras pequenas comunidades no país.

"Alguma vez você já pensou em vender? Mudar-se para uma cidade maior?" Perguntou Esme.

"Não", respondeu Bella. "Apesar da economia, a pousada está indo bem. E o mais importante, esta é a minha casa. Eu nunca poderia vendê-la. Além disso, meu pai mora aqui perto. Família e raízes são muito importantes para mim."

"Isso é… bom de ouvir", Esme disse, com os olhos firmemente fixados nas mãos juntas de Bella e Edward. Carlisle limpou a garganta e cutucou o seu ombro. Ela suspirou e sorriu para Bella mais uma vez.

"O interrogatório já acabou?" Edward perguntou. Sua voz era calma e firme, mas o aperto da morte que ele tinha na mão de Bella assegurava-lhe que ele estava longe de estar relaxado.

"Nos perdoe, Bella", disse Esme. "É só que… eu quero dizer, você parece ser tão..."

"Eu acho que minha esposa está tentando dizer é que você parece completamente bem fundamentada. Doce. Amável".

Bella assumiu que isso era um elogio, então ela lhe agradeceu.

"O que eles realmente querem dizer é que você não é nada do que eles esperavam, e eles estão surpresos que alguém tão doce e gentil como você está sentada aqui segurando a minha mão", Edward disse baixinho.

Carlisle e Esme pareciam envergonhados, mas não o consertaram.

"Bem, Edward, não é como se você tivesse o melhor histórico com as mulheres", respondeu-lhe sua mãe. "Devo dizer que vocês dois parecem surpreendentemente próximos para duas pessoas que acabaram de se conhecer."

"Nós encontramos alguns pontos em comum," Bella disse, sorrindo gentilmente para Edward.

Esme zombou.

"Bella, você parece uma adorável garota sensata, mas eu não posso imaginar o que vocês os dois teriam em comum."

"Você ficaria surpresa", ela disse.

Carlisle olhou para o filho. "Ela sabe?"

"Sim".

"Tudo?" Esme sussurrou.

"Tudo".

Descrença cruzou os seus rostos.

"É bom conhecer alguém que realmente me entende," Bella ofereceu.

"Entende?" Carlisle perguntou com interesse.

Edward enrijeceu ao seu lado. "Bella, você não tem que-"

"Eu quero", ela assegurou-lhe, dando um aperto de mão. "Você vê, eu sou uma alcoólatra em recuperação, também."

Esme suspirou, e Bella soube imediatamente que era a coisa errada a se dizer.

"Não é culpa sua. Você não é o problema."

Edward tinha repetido isso por horas, mas Bella não estava ouvindo. Esme queixou-se de uma enxaqueca repentina, e tinha recuado para um dos quartos de hóspedes e passou a tarde na cama. Carlisle havia tentado o seu melhor para desempenhar o seu papel como pacificador, mas o papel do marido superou tudo, e na hora do jantar, ele também tinha ido lá pra cima, para nunca mais voltar. Bella jogou os restos do jantar na lixeira e ela e Edward foram mais uma vez para o lobby, sentar no sofá e olhar para a árvore.

"Foi rude," Bella murmurou.

"Eu não posso discordar disso."

"Não, você não discorda de ninguém."

"O que você quer dizer com isso?"

Bella suspirou e balançou a cabeça.

"Bella", ele sussurrou, pegando a sua mão. "O que você quer dizer com isso?"

"Você já tentou se defender?"

"Com a minha mãe, não."

"Por que não?"

"Porque-"

"Eu juro que se você disser 'porque eu mereço ser punido' eu nunca mais vou falar com você de novo."

Edward sorriu. "Bem, eu adoro o som de sua voz, então eu definitivamente não vou dizer isso."

Ela revirou os olhos e suspirou um pouco mais alto desta vez.

Ele pegou uma mecha de seu cabelo. "Bella, você me conhece há dois dias. Eles me conhecem a toda a minha vida. Confie em mim quando eu digo que o relacionamento com meus pais sempre foi tenso."

"Eu acho que isso é uma desculpa."

"Deus, você é honesta. Adoro isso em você."

"Isso é o que ama em mim? Minha honestidade?"

"E os seus dotes culinários."

"Hmm".

"E os seus beijos."

Ela desviou o olhar, mas ele segurou delicadamente o seu rosto, puxando-a de volta para o seu rosto. O beijo foi suave e gentil, e a ternura dele acalmava a sua frustração.

"Você está certa, você sabe," ele disse calmamente. "É uma desculpa. É muito mais fácil do que encarar a tarefa impossível de tentar construir algum tipo de relação positiva com a minha mãe, uma mulher que não está interessada em ter esse mesmo tipo de relacionamento comigo."

"Isso não é verdade em tudo", Esme disse suavemente.

Bella e Edward olharam para cima para encontrar os seus pais em pé na soleira da porta.

Com suas malas.

"Nossas desculpas por termos faltado ao jantar", Esme disse educadamente.

Bella ficou chocada. "Vocês estão indo embora?"

"Nós devemos ir", disse Carlisle. "Não era nossa intenção arruinar o fim de semana de vocês."

Foi nesse momento que Bella compreendeu. Aquela coisa de evitar que Edward tinha? Ele aprendeu com os seus pais. E eles eram bons nisso. Todos eles.

Bella olhou para Edward enquanto ele olhava para seus pais. Será que eles não percebem que a vida era muito curta? Os três não percebem que eles eram uma família em tudo?

Experimente, o seu subconsciente sussurrou para ele.

"Não vão. Precisamos conversar. Nós precisávamos conversar por um longo tempo", Edward disse baixinho.

Timidamente. Nervosamente.

Mas ele disse isso, e Bella não poderia ter estado mais orgulhosa.

"Isto foi por sua influência, eu acho."

Edward pediu para falar com a sua mãe sozinho, então Bella levou Carlisle de volta para a cozinha. Eles estavam sentados na ilha, e Carlisle estava comendo o sanduíche que Bella insistiu em fazer.

"Minha influência?"

"O face-a-face que eu espero estar acontecendo no lobby," Carlisle respondeu. "Definitivamente é a sua influência, e eu sou grato."

Bella balançou a cabeça. "Eu não fiz nada."

"Eu acho que você fez mais do que você imagina. Você deve ter dito algo que ressoou no Edward. Tem sido um longo tempo desde que os dois tiveram uma conversa civilizada."

"Eu só perguntei por que ele não se defendia."

Carlisle assentiu. "Esme pode ser bastante... intimidante. A mulher é o amor da minha vida, e minha total adoração a ela às vezes me cega. Nossa família está quebrada, Bella. Ela esteve quebrada por um tempo muito longo. O acidente nos mudou para sempre e, embora eu adoraria que a nossa família se curasse, eu não sei ao certo se isso é possível."

"Você acha que para uma família que chegou tão perto de perder uma filha e irmã, você ia fazer um maior esforço para curar a dor e valorizar o tempo que tem juntos". Bella ficou mortificada e fechou os olhos e colocou a mão sobre sua boca. "Eu sinto muito, Carlisle. Eu não deveria ter dito isso."

Ele sorriu suavemente. "Não, você está absolutamente certa. Eu precisava ouvir isso. Deveríamos estar fazendo mais esforços."

Bella suspirou de alívio.

"Edward diz que ama a minha honestidade, mas eu tenho medo que se ele gastar muito tempo comigo, ele vai acabar odiando a forma como eu realmente posso ser direta."

Carlisle riu. "Você é muito, muito boa para ele."

"Nós nos conhecemos há apenas dois dias."

"Sim". Seus olhos enrugaram com preocupação. "Vocês parecem muito próximos, apesar de tudo."

"E isso preocupa você."

"Somente na medida em que ele vive em Seattle. Você não está preocupada com a distância e o tempo longe um do outro? É apenas quatro horas, mas..."

A pergunta pairava no ar. Sim, eles tinham discutido o assunto, mas discuti-lo e realmente vivê-lo são duas coisas completamente diferentes. Eles seriam capazes de gerenciar isso?

"Eu quero tentar", ela respondeu.

"Eu acho que tentar às vezes é tudo o que podemos fazer. Afinal, a única maneira garantida de não falhar é não tentar nada." Ele suspirou e olhou para o lobby. "Eu gostaria de saber por que eu não posso ter o meu próprio conselho?"

Bella sorriu. "Ainda há tempo. Você pode."

"Você está certa. Eu posso."

Carlisle agradeceu-lhe antes de sair de seu banquinho e seguir em direção ao lobby.


Nota da tradutora: Nossa, agora é a hora da verdade! Vamos ver no que vai dar!

Bjus,

Lay.