Vida para ser vivida

Ariel dormia do lado do corpo de seu amado Templário. Usara tanta energia espiritual no esforço de ressuscitar seus amigos, que simplesmente apagou em meio à invasão da cidade. A Abadia havia sido trancada e selada com forte magia divina, os Sacerdotes eram os últimos a evacuar a cidade, Irmã Letícia veio buscar a Sacerdotisa. Haviam passado a infância juntas, brincavam nos campos floridos da cidade quando isso era possível, nos bons tempos de paz. Letícia dizia que Ariel cheirava a rosas e Ariel falava que ela cheirava a jasmim. De maneira suave, mas apurada, ela acordou sua amiga que estava com os olhos inchados de tanto chorar.

Letícia: Acorda dorminhoca, o último portal foi aberto e temos que correr.

Ainda de olhos fechados, Ariel respondeu em tom solene.

Ariel: Então corra minha amiga e lembre de mim, pois eu não vou.

Letícia: Não diga isso, vamos Ariel-chan, aqui não é seguro!

Ariel: Não há lugar em Rune-Midgard que será seguro, não vou adiar o que vai acontecer mais cedo ou mais tarde.

Letícia: Amiga, tenha fé nos deuses, há esperança para nós.

Ariel olhou os corpos que jaziam serenos, como se estivessem dormindo.

Ariel: Eles eram nossas esperanças, eram as quatro almas vindas de outro mundo para evitar o Ragnarök. Eles seriam mais fortes, mais sábios e mais dedicados que todos os guerreiros existentes nesse mundo. Eu acreditei nisso, eu vi isso, mas aí estão eles... Mortos!

Ela se virou para a amiga e pegou sua mão.

Ariel: Não há esperanças Letícia, não para mim. Eu vou ficar e morrer aqui, assim como eles.

Letícia abraçou Ariel, ambas começaram a chorar.

Letícia: Você ainda tem perfume de rosas.

Ariel: E você o perfume de Jasmins. Vá com os deuses e até algum dia.

Letícia saiu do aposento lacrando ele com magia divina, um último favor a sua querida amiga. O selo não duraria muito, mas talvez desse tempo para Ariel mudar de idéia e conjurar um portal. Letícia vivia de esperanças, tão vagas como o destino de seu mundo...


Era uma sala grande e escura, com 5 pilares dispostos de forma simétrica formando um quadrado, sendo a única fonte de luz uma janela no teto. Ela iluminava apenas o meio da sala, com seu piso de mármore brilhante. Quatro figuras confabulavam encobertos por capuzes longos. Seguindo os pontos cardeais capitais, o homem do norte era o mais alto, tinha voz grossa e potente, o do leste era de porte atlético tinha voz sorrateira, o suficientemente alta para ser ouvida e nada mais, o oeste usava armadura completa, tinha voz calma e harmoniosa, no sul havia uma mulher de curvas provocantes e tom voz sensual. Falavam alternadamente em pausas, respondendo a perguntas que os mesmo faziam.

Homem do Norte: Estamos fortes?

Homem do Oeste: Sim estamos.

Mulher do Sul: Forte como os deuses.

Homem do Leste: Mais fortes que eles!

Homem do Oeste: Por que lutar?

Mulher do Sul: Para salvar o mundo.

Homem do Norte: Para voltarmos ao nosso mundo.

Homem do Leste: Por aqueles que amamos.

Mulher do Sul: Selaremos o destino desse mundo?

Homem do Oeste: O destino já está selado.

Homem do Norte: O destino será mudado.

Homem do Leste: Mudado por nós!

Homem do Leste: Terrestres, qual é vosso nome e profissão?

Homem do Norte: Arthur de Alberta, Mestre-Ferreiro. Maestria no martelo e destreza no machado tornam-me imbatíveis.

Homem do Oeste: Douglas de Prontera, Paladino. Enquanto minha espada e meu escudo eu puder segurar, a justiça divina irei levar.

Mulher do Sul: Arthemis de Geffen, Professora. A magia para mim não é um mistério, e sim uma solução.

Homem do Leste: Vítor de Morroc, Algoz. O medo é minha aura, a lâmina é minha vida. A morte é minha lâmina.

Arthur: Einjahrs, escolhido dos deuses, estão prontos para o desafio final, estão prontos para o Ragnarök?

TODOS: SIM!


A cidade de Prontera queimava, o cheiro das cinzas se misturava com o sangue que manchava de vermelhos antigas ruas brancas. Monstros se banqueteavam da carne de soldados mortos e cidadãos desavisados da evacuação, mais uma vez a cidade dos humanos caia em desgraça. Aglomerados em torno da única construção restante os monstros esmurravam a porta da Abadia que, se não estivesse selada por magia, teria se despedaçado em segundos. Pela construção deserta, o eco de uma canção podia ser ouvido, uma voz angelical a cantava, era assim:

Nie plo je tsche
Je saipa manie
Na poshi no stri ko to nami
Les to lenio
Pistani kur plaszehil
Tsumino

Stur ka stur ka
Nashti kar pisa
Osnino hibralo ti lalu
Ipo manie ivulsh kana nie
Shutayu
Les ka nas namie
Kanami
Les ka nas namie
Kedoze

lalalalala..

Stur ka stur ka
Nashti kar pisa
Osnino hibralo ti lalu
Ipo manie ivulsh kana nie
Shutayu
Les ka nas namie
Kanami
Les ka nas namie
Kedoze

lalalalala..

Venerli Venerli
Ragnarok
Osorke Osorke
Ragnarok


(Nota rápida do autor: Ouça essa música agora:

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Para ouvir cole na barra e tire os espaços)


Bela canção foi interrompida pelo barulho do portal principal se estraçalhando. Ariel respirou fundo e segurou sua maça com muita força. Abençoou-se com todas as magias possíveis para defender a integridade de seus amigos o máximo possível. Esperava o inevitável, suava frio, a saleta parecia apertada e o ar era pesado. Seu coração palpitava, sua respiração ficou ofegante, sentiu vontade de chorar, mas as lágrimas só atrapalhariam sua visão. Respirou fundo, contou até três e tentou se concentrar, agora era a porta de madeira que estava sendo forçada, cada baque que ela agüentava, Ariel sentia nos ossos. Em pouco tempo invadiriam a sala e mais um baque fez os trincos rangerem. Mais uma vez ela fechou os olhos e tentou respirar fundo, as batidas insistentes na porta agora pareciam distantes tambores, ela se lembrou de quando encontrou Douglas. Ele estava muito ferido e ela com seu ínfimo poder de cura o ajudou a se recuperar a tempo de fazer o teste. Lembrou da amizade crescendo e virando amor, do pedido de noivado que ela mesma fez, da cara de tacho que o templário fez. Ela finalmente sorriu e parou de tremer, a morte não seria tão ruim assim.

Um solavanco forte fez a porta voar para os fundos da sala, um monstro entrou e foi logo perdendo a cabeça para a maça veloz da sacerdotisa. Mais monstros entravam, mais monstros caiam. Suas magias foram se esgotando e o cansaço já dominava o corpo, cada músculo doía absurdos e os monstros não paravam de chegar. Com o que lhe restou de mana ela conjurou um Magnum Exorcismus e esperou, de olhos fechados, a morte chegar. Mas seria com alegria que veria seus amigos e principalmente seu amado novamente.

Ela não sentiu dor.

Como poderia? Não estava ferida! Havia alguém a protegendo, mas como? Todos tinham ido embora. Só restava ela... Mas havia alguém a protegendo. Ela abriu os olhos e viu corpos caindo no chão em velocidade mais acelerada que ela mesma derrubava. O cheiro acre do sangue dos monstros era mascarado por um perfume que lhe era muitíssimo familiar.

O homem que ela viu, ela nunca conhecera, mas sua voz era inconfundível.

Douglas: Ariel-chan você está ferida?

Ariel: D-Douglas, e-é você? Não pode ser você, você morreu!

Douglas olhou para trás e viu o olhar surpreso da sacerdotisa. Deu um sorriso que aqueceu o coração da moça e disse:

Douglas: Sou eu sim, meu amor. Voltei para te proteger.

Vitor, Arthur e Arthemis apareceram também. Também irreconhecíveis.

Vitor: Correção, nós voltamos.

A Sacerdotisa chorou outra vez, agora de alegria e alívio. Abraçou o Paladino com muita força e o beijou longamente.

Arthur: Ham-Ham, gente, tem uma guerra rolando lá fora. Douglas dê o presente dela de uma vez.

Douglas interrompeu os afetos e retirou do bolso um rubi vermelho em forma de coração, brilhava em um vermelho carmesim, pulsante.

Douglas: É um rubi da experiência, uma dádiva concedida pelos deuses. Dará-te a sabedoria para se tornar uma Sumo-sacerdotitisa sozinha. Você é uma sortuda, os deuses só concedem essa jóia aos mortais mais esforçados.

Arthemis: Coloque sortuda nisso, comparado com o que foi nosso treinamento, isso é ganhar na loto.

Ariel: Treinamento? Onde vocês estavam, se não estavam mortos?

Vitor: Longuíssima história, pouquíssimo tempo. Agiliza aí Paladino!

Douglas: Amor, ele tem razão, é uma história muito longa para ser contada agora. Vamos, toque o rubi.

Um pouco temerosa à garota tocou o rubi, a energia que pulsava dele era quente e confortável. Energia começou a percorrer seu corpo e o rubi começou a flutuar no ar. Ariel sentiu uma luz quente preencher sua alma, cada vez mais intensa, conhecimentos invadiam sua mente, a luz era vermelha e brilhante. A sala se encheu de toda essa luz e depois foi se apagando aos pouquinhos. Quando a luz cessou, ela tinha mudado. Não apenas esteticamente, mas em seu interior também tinha a máxima fé nos deuses, era representante deles em terra, e puniria com rigor as almas pecadoras. A Sumo-sacerdotisa se levantou com um brilho no olhar e um flama no coração. Olhou para seus amigos e disse:

Ariel: Vamos purificar algumas almas!

Vitor: Como assim? -cochichou para Arthur-

Arthur: Ela quis dizer que tá na hora do pau!

Vitor: Aaaaah! Até que enfim!


Os monstros apinhavam a praça central de Prontera. Alguns deles brigando, outros gargalhando, jogando bola com a cabeça de um infeliz, outros mais sádicos devoravam os da sua espécie. Um Doppelganger, demônio homicida capaz de assumir formas humanas conhecidas, observava de cima do grande monumento central, um chafariz branco que outrora era enfeitado com as flâmulas dos clãs e seus castelos, agora estava enfeitada com corpos de inocentes.

O demônio foi o primeiro a ver que alguma coisa estava estranha. Primeiro, a porta da Abadia explodiu, depois um som de algo se aproximando rápido começou a ser ouvido, como uma máquina a vapor muito veloz, e na última esquina da rua norte, um pontinho brilhante se aproximava.

Arthur: Eu amo esse carrinho a vapor! Ihaaaaaaa!

O Mestre-Ferreiro havia adaptado o seu carrinho de mercador a tecnologia terrena. Fragmentos de corações flamejantes, pedra mágica do fogo, aquecia uma mini-caldeira que liberava o vapor supercomprimido garantindo uma velocidade muito alta. Ele sacou um pequeno martelo da sua cintura, um lindo martelo com inúmeras runas, era nada mais nada menos que o Mjolnir, o martelo de Thor, deus do trovões, cedido ao Mestre-Ferreiro durante seu treinamento.

Arthur também pegou uma bolsa de zenys e apertou em sua mão. Magicamente a bolsa derreteu e o ouro correu pelos seus braços, a cor do seu corpo foi mudando ele foi ganhando um tom mais vermelho. Mestres-Ferreiros eram capazes de usar o dinheiro para ganhar mais poder.

Arthur: Ativar Força Violentíssima!

Os músculos do Mestre-Ferreiro cresceram mais um pouco, ele segurou o pequeno martelo de duas mãos.

Doppelganger: Ele acha que vai nos ferir com aquele martelinho?

Arthur sorriu insanamente.

Arthur: Mjolnir cresça!

Doppel: PQP! Corram!

O pequeno martelo tomou dimensões gigantescas até se tornar uma marreta de 3m. Arthur saltou do carrinho, que saiu atropelando muitos monstros, e socou o martelo no chão, com pouca força, afinal não queria demolir a cidade.

Foi suficientemente "apenas" para que todos os monstros da praça, que não foram pulverizados pelo martelo, subissem uns 20m do chão.

Arthur: E também amo esse martelo. Sua vez mano!

Ele jogou duas garrafas vermelhas em formato de caveiras para cima, um vulto negro passou por elas, logo elas estavam cortadas no meio e sem seu conteúdo. O Algoz pairou no ar junto com os inimigos e disse friamente.

Vitor: Encantar com Veneno Mortal!

Suas armas banhadas com veneno brilharam em um púrpuro doentio. Ele sumiu novamente, mas traços da mesma cor púrpura aparecia a centenas nos corpos dos monstros que derretiam e evaporavam antes mesmos que seus cadáveres chegassem ao chão. Ele reapareceu do lado do seu irmão, limpou suas katares e as guardou. O demônio doppelganger ficou impressionado, mas não deixou transparecer.

Doppel: Impressionante! -Disse aplaudindo e descendo da sua posição de observador.

Vitor: Droga! Esqueci de um!

Arthur: Tsc, tá ficando velho. Termina logo com isso.

O Algoz sacou suas katares novamente com olhar de desânimo, mas quando avançou para destrinchar o demônio este se transformou em uma garota alva de cabelos negros e longos, linda e de olhos de um castanho intenso, fazendo ele parar.

Doppel: Então vai me matar? – disse o demônio com a voz da amada no nosso Algoz.

Vitor não mexia um músculo, nem da face, nem do corpo. Ele lentamente guardou suas katares e esperou.

Vitor: Você vai pagar por isso, mas não sou eu que vou cobrar.

Neste instante o Paladino surgiu ao lado do Algoz e arrancou um braço do demônio com sua espada sagrada.

Doppel: Mas como?Ah...

Ele mudou de forma de novo e se transformou em uma menininha de 8 anos loira. Irmã de Douglas.

Doppel: Agora você não vai mais me machucar né?

Douglas: Péssima escolha!

Disse o paladino sorrindo. Ele fatiou o monstro sem pestanejar dizendo e quanto fazia:

Douglas: Isso é por você mexer no meu PC, isso é por você me encher a paciência pra jogar no meu Gamebói, Isso é por você sempre gritar pra falar, isso é por...

Quando Douglas terminou estava muito satisfeito e com uma saudade muito grande de sua irmãzinha verdadeira. Mas os monstros não tinham acabado. Alarmados pelo barulho, eles se agruparam e vinham de todas as direções.

Arthemis: Vez das damas agora.

Ela que havia chegado junto com o Paladino, se posicionou na frente da praça. Levantou os braços, e com muita desenvoltura conjurou sua magia. Impossível traduzir aqui em palavras. Ela havia aprendido um tipo de magia muito mais poderosa e avançada, a linguagem da Yggdrasil, 50 mil palavras por segundo formavam sua poderosa magia de controle elemental.

Arthemis: Em nome de Undine rainha das águas eu conjuro...

EXTREMO PODER ELEMENTAL

DILÚVIO SUPREMO

Um círculo azul contornou a praça, levantando em um cilindro de luz azulada que ia até o céu. Runas dançavam pelas paredes do cilindro, dançavam também desenhos que se pareciam com portais circulares. Depois de uma intricada dança, ele todos pararam no topo e os portais se abriram para o reino das águas. Toneladas de água do mar de Undine correm por todas ruas de Prontera levando todos os monstros com ela.

Vitor: Precisava "lavar" a cidade toda?

Arthemis: Não enche!

Vitor: Nossa... Quem matou seu senso de humor?

Douglas: Pessoal, sem picuinhas agora. Depois desse barulho que nós fizemos com certeza chamamos a atenção dos grandões.

Todos olharam para o portão-sul. Do outro lado da muralha, Loki esperava quem quer que fossem os loucos a desafiá-lo. Estava realmente curioso, quem quer que fossem tinham muito poder.

Loki: Vocês, mortais! Revelem-se, quero saciar minha curiosidade.

Sua voz ecoou pelas paredes de mármore.

Vitor: Vamos?

Arthur: É, eu pensei que teríamos um intervalo para fazer umas armas.

Douglas: As que você fez estão ótimas.

Arthemis: Todos os seus equipamentos são inigualáveis.

Vitor: Bom, é hora de resolver de vez essa história.

Douglas: É hora de fazer a história.

Ariel: Os deuses estão do nosso lado.

Arthur: Eu não me importo com os deuses, mas se vocês estiverem ao meu lado, sairemos vitoriosos.

Todos compreenderam a mensagem de Arthur.

Eles caminharam em direção ao portão sul sem medo e certos da vitória.


O Plano de Loki tinha se saído muito bem até agora. Os humanos não tinham mais resistência e o mundo de Rune-midgard era seu. Em breve, seu pai o enfrentaria e ele dominaria Asgard também . Mas agora sua atenção estava voltada para as cinco criaturas que estavam diante dele. Não estavam temerosas, eram diferentes, Loki sentia isso em sua alma.

Loki: Quem são vocês? Não sinto que são desse mundo.

Vitor: Realmente não somos... Viemos da Terra, um dos inúmeros mundos escondido sobre as raízes da Yggdrasil.

Loki: Que interessante... Já ouvi falar dessa conexão entre a Yggdrasil, mas nunca vi seres de outros mundos. Enfim... Por que estão aqui?

Douglas: Para colocar um fim em você e na sua horda, em nome de Odin.

Loki: Pff...Kiakakakakakakaka! Vocês são a "arma" de meu tolo e velho pai?

Arthur: Nós? Não, somos apenas o "dedo que puxa o gatilho".

Loki: Não sejam ridículos! Vocês não são nada além de uma pedra no sapato!

Arthemis: Ae Loki, chega de papo! ATACAAAAAAR!

Os cinco investiram gritando contra a horda quilométrica de monstros.

Loki: Insetos insanos, esmaguem todos eles!

Subiamente, um portal de luz se abriu por trás de nossos heróis e o exército de Odin surgiu do plano de Asgard em investida.

Loki: Ah Papai o senhor veio! Que ótimo assim posso te matar mais rápido.


A Batalha se estendia violentamente. O mundo sofria injurias a cada ataque dos deuses. Os guerreiros formidáveis combatiam, destruíndo a vida ao redor. O Ragnarök, era o apocalipse através da espada e da magia e tudo seria destruído para depois renascer, o destino não poderia ser mudado.

Odin combatia Fenrir. O lobo demôniaco era formidável em combate e o deus estava tendo dificuldades.

Loki combatia Heindall. seu irmão e um valoroso Aesir guerreiro.

Em meio à árdua batalha, nossos heróis observavam o combate deuses como se esperassem algo. Como se soubessem o que aconteceria.

Arthur: Mano, está prestes a acontecer?

Dizia o Mestre-Ferreiro depois de derrubar uma horda de monstros com a Mijolnir. Seu irmão apareceu do nada para responder.

Vitor: Sim está, todos tem que estar nas posições.

Arthur: A Ariel não sabe.

Vitor: Mas ela é necessária.

Em um outro ponto do capo de batalha Arthemis auxiliava os combatentes com magias de encanto de armas e armaduras. Seguida de Ariel que conjurava Bênçãos e proteções. Sem olhar uma para outra elas começaram a conversar.

Ariel: Então... Você... Desistiu dele?

Arthemis: Mais ou menos...

Ariel: Mais ou menos?

Arthemis: Nesses anos que passamos juntos deu para perceber muitas coisas... Uma delas é que ele está apaixonado por você.

Ariel: Jura! Ai que bom... Peraí... Anos?

Arthemis: Mas quem sabe do futuro? Afinal, ele vai voltar pra casa, COMIGO.

Ariel: Ora sua...!

Douglas chegou abafando a discussão. Trazia uma espada altamente ornamentada feita de ouro, aço polido, incrustado de pedras preciosas. A espada era quase do tamanho dele, mas ele a levantava como se fosse feita de papelão.

Douglas: Meninas, chegou a hora. Arthemis,você tem certeza que a Ariel é necessária?

Arthemis: Absoluta, do contrario ela nem estaria aqui.

Ariel: Do que vocês estão falando?

Douglas: Você vai entender amor, só siga nos siga.

Todos seguiram o paladino para o loca indicado.

Em outro ponto do campo de batalha Odin brandia sua lança contra seu neto. Ferir era filho de Loki, e deus dos lobos o maior e mais furioso lobo, responsável por abrir as portões de Nifhiein. E o filho mais querido de seus pai jurou perante seus pés que mataria o deus dos deuses.

Fenrir: Martarei-te velho, e levarei sua cabeça a meu pai.

Odin: Se fores capaz de tal não sei, cria do inferno, mas digo-te uma coisa, essa lança irá atravessar-te nem que seja com meu último suspiro.

Fenrir: Então prepare-se para respirar uma ultima vez, velho!

O lobo avançou contra o deus em uma investida mortal, havia achado brecha no ponto cego de Odin e atacou o deus de súbito. Mas Odin sabia dessa sua fraqueza e havia treinado um golpe que acertaria o lobo em cheio, porém, sua própria defesa ficava comprometida.

Vitor: Douglas agora!

O Paladino deu um salto subindo muitos metros no ar, pegou a espada com as duas mãos e levando ela acima da cabeça, recitou uma oração mágica.

Poder, divino poder...

És minha força, és meu guia

Levarei o bem nos cantos mais escuros

Nas terras mais sombria

E que diante do mal

Minha fé permaneça cristalina

Poder supremo dos deuses

PUNIÇÃO DIVINA

Douglas jogou sua espada na direção de Fenrir, esta desceu envolta em uma luz branca e logo se transformou em uma gigantesca cruz de luz sólida. A espada atingiu em cheio a cabeça do lobo que caiu desacordado antes de acertar seu ataque no Aesir nórdico.

Odin: Mas o quê? Einjahr, como ousa roubar-me a vitória?

Douglas: Perdão meu lorde, mas não posso permitir que morra.

Odin: Mas o que quer dizer com isso?

Douglas: Saberá em breve, meu lorde.

Heindall e Loki batalhavam formidavelmente. Heindall era mais forte e Loki era mais rápido, o que deixava os dois em pé de igualdade. Cada vez que as espadas se cruzavam era uma explosão de fagulhas. O plano de Loki era ardiloso, ele lançou terra nos olhos do Aesir guerreiro e aproveitou a oportunidade para envenená-lo. Heindall por sua vez fingiria cegueira até que Loki chegasse muito perto a ponto de não poder evitar uma investida final. Mas os dois foram interrompidos e apartados por Vitor e Arthur que rechaçaram ambos ataques.

Heindall: Saia da minha frente guerreiro, ou sofrerá em minha lâmina.

Arthur: Seguinte 'Heind', baixa essa bola aí que eu salvei o seu rabo.

Heindall: Ora seu insolente!

Vitor: Meu lorde, perdoe meu irmão, mas ele tem razão. Corria risco se Loki tivesse te atacado com aquela lâmina, o veneno contido nela é mortal, até mesmo para um deus.

Vitor tinha dominado Loki e permanecia com suas lâminas em seu pescoço.

Heindall: Loki seu covarde sem honra! Segure-o guerreiro, vou dar um fim nesse monstro.

Arthur: Não posso deixar você fazer isso.

Heindall: Ousa me desafiar, vou te dividir em...

Odin: Já chega Heindall!

O deus chegou seguido dos outros.

Heindall: Pai, esses Einjahrs insolentes interromperam minha batalha.

Odin: E eles devem ter um motivo muito bom para isso.

Vitor: Sim meu lorde, e está na hora tudo ser explicado.


Rune-Midgard reside embaixo de uma das raízes da Yggdrasil, da mesma maneira, a Terra, nosso lar, também reside na mesma raiz. Esses dois mundos são interligados, habitantes desse mundo colonizaram regiões do nosso mundo, e vice-versa. E o Ragnarök é nocivo para os dois mundos. Assim que Odin e Loki morressem, os mundos entrariam em desequilíbrio e as conseqüências seriam desastrosas. Então, uma das Valkirias, que possuem o dom do oráculo, tomou uma atitude desesperada a fim de evitar a queda dos dois mundos e nos trouxe para esse mundo. Havia descoberto uma profecia paralela ao Ragnarök, onde quatro guerreiros auxiliados por um anjo poderiam mudar esse destino se as vidas dos dois pólos da guerra, fossem salvas.

Odin: Essa profecia é antiga, não me recordava mais dela. Quem é a Valkiria que trouxe vocês para cá?

Douglas: Na verdade, ela reencarnou assim que chegamos a esse mundo.

Douglas pegou na mão de Ariel, a Sumo-sacerdotisa estava confusa.

Douglas: Você, meu amor, você é a reencarnação de Hellena. Você é o anjo da profecia.

Ariel: E-eu? M-mas como? Não entendo como eu poderia ser um anjo.

Arthemis: É o seu poder latente. Por isso você evoluiu sem treinamento, seu poder sempre foi maior do que o de todos nós. Você só nunca o despertou.

Arthur: É por isso que precisamos de você para o ritual. Loki não pode morrer, então transformaremos em um mortal comum, mas para que um deus possa descer, outro tem que subir. E você ocupará o lugar dele, Ariel.

Ariel: Uma deusa? N-não, não posso, não consigo, eu não mereço. Douglas por favor, eu não quero isso.

Douglas: Calma amor, eu sempre soube que você era especial, sempre senti em meu coração. Foi você que planejou tudo isso meu amor, você ama tanto esse mundo que se tornou mortal para poder salvá-lo. Você merece e você deve. Você é a deusa da bondade e da esperança.

Ariel chorou no peito de Douglas, ela sabia que isso tudo implicaria invariavelmente em sua separação.

Douglas: Você vai me ver de Valhalla, pode me visitar. Não fique assim, não é um adeus, é só um até breve!

Vitor: Douglas está mais do que na hora.

Os guerreiros da profecia tinham formado um quadrado ao redor de Loki. Ariel se encaminhou até o meio. Loki estava desesperadamente insano.

Loki: Papai! Papai! Por favor, não deixe que esses mortais me transformem. Por favor, me perdoe.

Odin: Sua mentiras nunca mais serão ouvidas Loki, talvez como mortal você aprenda a ser humilde e conheça o valor da vida e da honra.

Loki: Velho maldito! Eu vou me vingar, eu juro que votarei e farei o Ragnarok ocorrer.

O deus caído deu uma risada insana mas foi logo calado por Heindall que deu uma pancada em sua cabeça.

Odin: Antes de partirem guerreiros, quero que saibam que Rune-Midgard sempre irão cantar seus feitos. Serão grandes também em seu mundo e quando derem seu último suspiro, estarão convidados a viver em Valhala.

Os guerreiros agradeceram e se concentraram. Ariel começou a cantar a música de outrora. O feitiço foi conjurado e assim como vieram, em um facho de luz branca, eles voltaram para casa.


Acordaram embaixo de uma árvore frondosa, Vitor foi o primeiro a despertar. Achou que ainda estava na terra dos deuses, mas não, estava em casa, em uma fazenda perto da pequena cidade. Quatro bicicletas estavam encostadas em uma pedra. Ele pensou por um vago momento que havia sonhado, mas nenhum sonho no mundo seria tão real. Os outros acordaram igualmente confusos, todos tinham voltado a suas idades originais e ao que parecia tinham perdido suas capacidades sobre-humanas, mas estavam profundamente mudados por dentro.

Vitor: Voltamos, e ao que parece não se passou mais que seis horas nesse mundo.

Arthur: Vou sentir saudades da forja.

Arthemis: E eu dos livros de magia...

Douglas: E eu de uma deusa, ainda bem que por pouco tempo.

Vitor: E eu de matar...hehe. Brincadeira! Vou sentir falta das pessoas, dos amigos que lá deixamos.

Douglas: Será que um dia vamos voltar?

Vitor: Enquanto estiver seguro, não.

Arthemis: Vai ser melhor assim...

Arthur: Bom eu não sei quanto a vocês mas eu to morrendo de saudades do povão lá de casa!

Vitor: É você tem razão devem, estar preocupados. Vamos, vamos voltar para cidade e tomar um Mineiro, não agüentava mais a saudade.

Todos acharam graça e montaram suas bicicletas, pedalando pela estrada de chão até a cidadezinha, de volta a suas vidas normais. Nunca contariam da aventura que tiveram para ninguém, mesmo porque não acreditaria, mas sabiam que aquela amizade que havia começado por causa de um jogo, duraria por toda vida... e até mesmo, além dela.

FIM

Agradecimentos a vocês leitores que são o motivo que me leva a escrever. As fotos do figurino podem ser encontradas no ou no Google, os nome são Assassin Cross, White Smith, Professor, Paladin, High Priest. Até a proxima!