Capitulo 10
"Que bela casa...", diz uma das russas.
Edward olha para ela e sorri. Tanya nunca falou isto!
Nem abre a porta e Andrea Soldini já se esgueira e começa a andar pela sala.
"Realmente bonita, sério... Ah, sim, espere, eu já havia visto essas fotos aqui. Sim, Tanya as levou para o escritório porque queria mandar fazer as molduras. Ficaram muito bem... Aliás, são as fotos do seu trabalho, não é?
"Sim."
Edward deixa entrar também Aro e as três garotas russas.
"Então, aqui é a sala, esse é o banheiro dos hóspedes, ali a cozinha", continua andando acompanhado por todos. "O quarto de hóspedes com seu banheiro, ok? Se por acaso for necessário..." Aro e Andrea olham para o outro e sorriem.
"Sim…", diz Andrea, "…se por acaso."
"Bem, o importante é tudo que se passe no máximo silêncio. Porque já são quase duas horas e eu vou dormir... Lá", e aponta uma grande sala no fundo do corredor que sai da sala.
"Eu não me lembrava disso!", Diz Aro satisfeito.
"De fato não era assim. Tanya quis fazer umas mudanças."
"Mas como, bem agora que...", mas Aro lembra que Andrea está ali.
"Bem agora?"
"Não, eu dizia, mas por que ligo agora... Em geral, as reformas são feitas no verão, não na primavera!"
"Sim, claro... Desculpe, Edward, então fica justificado por que você esta tão estressado."
"Sim, você está estressado. Quer uma cereja?"
"Não, obrigado. Vou dormir."
"Uma salada russa?"
"Também não."
"Está vendo que está estressado?"
"Sim, está bem, boa noite. Não façam bagunça e ao sair fechem a porta devagar os vizinhos se queixam quando bate."
Aro abre os braços.
"Absurdo. Deviam ser processados."
Edward se tranca a chave no quarto, despe-se rapidamente, escova os dentes e se enfia na cama. Liga a televisão e procura algo para assistir mudando os canais.
Mas nada o interessa. Levanta-se. Abre o armário que era de Tanya. Vazio. Abre algumas
gavetas. Há só alguns saches que ela havia feito. Pega um. Madressilva. Outro. Magnólia. Outro mais. Ciclame. Nenhum tem o perfume dela.
Vai de novo para a cama, desliga a televisão, a luz e depois fecha os olhos devagar. No escuro, antes de adormecer completamente, algumas imagens confusas, lembranças.
Aquela vez que foram ao cinema e, depois de comprar as entradas, ele percebeu que deixara a carteira no carro. Depois de procurar em todos os bolsos, embaraçado, Tanya entregou o dinheiro a caixa, dizendo para a moça, loira e bonitinha, que fazia de conta não perceber nada para não o colocar em dificuldades: "Você deve desculpa-lo, é pela igualdade de direitos entre homens e mulheres, mas ainda não admite e para me deixar pagar ele precisa antes fazer toda uma cena".
E ele queria desaparecer. Ou quando tirou o fôlego dele ao entrar no quarto só com uma camisola transparente... E depois naquele sofá...Tum, Tum, Tum. Com vontade. Com paixão. Com raiva. Com desejo. Tum, Tum, Tum. Mas não fazia tanto barulho...Tum, Tum, Tum.
Edward acorda assustado." O que é? O que está acontecendo?"
"Sou Ilenia."
"Ilenia o que?"
"Ilenia Burikova."
Mas que é você, gostaria de responder Edward, não a conheço.
"Sou Ilenia."
Finalmente de lembra das russas andando pela casa. Levanta-se, abre a porta do quarto.
"Está ouvindo? Aquele sujeito está passando mal..."
"Mas quem?"
"Aquele que eu não lembro o nome. A minha amiga Irina está chamando por socorro."
"Socorro? Mas quem está chamando por socorro? O que está dizendo?"
Edward veste rapidamente uma camiseta e corre pelo corredor. Nem chega a sala e vê Irina no terraço, debruçada no parapeito, gritando como louca.
"Socorro, socorro! Homem está passando muito mal. Depressa, chamem todos, homem quase morto!"
Edward sai ao terraço, pega a russa pela mão tentando fazê-la entrar.
"Socorro, socorro, socorro, ele está mal", parece um disco furado, "socorro!"
"Chega! Que zorra você está fazendo? Mas quem é que está passando mal?"
"Ali, no banheiro!"
Edward deixa a russa e corre para lá. Andrea Soldini está todo estirado no chão, abraçando o vaso, respira com dificuldade. Quando vê Edward, esboça um sorriso. Está completamente suado.
"Não estou bem, Edward, estou mal..."
"Percebe-se. Relaxa, agora vai melhorar..."
"Não, é que sou cardíaco, sinto muito, cheirei cocaína..."
"O quê? Você é um idiota! Aro, Aro, onde você está, Aro?"
Edward ajuda Andrea Soldini a se erguer. Depois sai do banheiro segurando-o pelo braço e procurando fazê-lo andar. O quarto de hóspedes se abre. Aro, esbaforido, sai, vestido a camisa enquanto a garota russa surge na porta, sorrindo e comendo uma cereja. Melhor do que qualquer spot, pensa Edward, sacudindo a cabeça.
"Então? O que está acontecendo?"
"Esse ai tomou cocaína e agora está mal... Mas eu gostaria de saber quem do cacete foi que trouxe a coca para a minha casa?"
Andrea respira com dificuldade.
"Mas não, não é a culpa de ninguém, me deram um pouco na casa de Jessica."
"Na casa de Jessica?"
"Sim, mas não vou dizer quem deu."
"Mas que cacete me interessa quem deu? Então foi você quem trouxe pra cá?"
"Eu peguei pra fazer bonito com as russas."
Aro agarra-o pelo outro ombro, ergue-o, fazendo-o andar.
"E, dá para ver, que bonito você fez. Você está branco como um lençol. Devia ter comido as cerejas."
Veruska ficou na porta.
"Aro, venha para o quarto, estou com vontade... Quando chega a macedónia que prometeu?"
"Eh, já vou, já vou, você não está vendo que aqui temos um vitaminado?"
Do terraço chegam as outras duas russas. Agora parecem mais tranquilas.
"Tudo certo, a ambulância chegou. Está subindo também a policia..."
Edward fica completamente pálido.
"Como, a policia? Mas quem chamou?"
"Nós, nós tudo regular. Nós estamos em ordem com a licença de trabalho."
"Mas que licenças, aqui os problemas são outros."
Inclina-se sobre Andrea.
"Mas tem certeza de que não tem mais nenhuma droga?"
"Não, isto é, sim...bem pouquinho, um envelopinho debaixo do vaso."
"Debaixo do vaso? Mas você esta louco! Você devia ter jogado dentro do vaso!"
Edward se precipita para o banheiro, encontra o envelope com um pouco de pó branco e tem apenas tempo de atirá-lo dentro do vaso antes de batam a porta.
"Abram."
Edward dá a descarga e corre para abrir a porta.
"Pronto!"
Na sua frente dois paramédicos com uma maca dobrável e atrás dois policiais.
Os dois paramédicos olham para dentro e vêem Aro que sustenta Andrea. Entram rapidamente.
"Rápido, vamos deitá-lo, abram a gola da camisa. Afastem-se, deixem ele respirar."
Um dos dois observa as russas, o outro profissional lhe chama a atenção.
"Vamos pegue o esfigmomanómetro para medir a pressão dele, vamos."
"Boa noite. Então, o que está acontecendo aqui?"
Os policiais mostram as suas identificações e entram.
Edward tem apenas tempo de ler. Domingues Serra e Sandro Carreti. Um deles dá uma volta na sala e avalia a situação. O outro tira um bloquinho do bolso e começa a anotar alguma coisa.
Edward se aproxima em seguida.
"O que faz. O que está escrevendo?"
"Nada, por quê? Estou fazendo anotações. Mas por que está preocupado?"
"Não, não é nada, só para entender."
"Somos nós que devemos entender. Então recebemos uma queixa de – estou lendo – uma festinha estranha."
" Mas que festinha estranha, onde?"
Edward olha preocupado para Aro.
"É uma festa normalíssima e além disso, uma festa... Nem festa é, somos alguns amigos que nos encontramos aqui para beber alguma coisa em paz."
"Entendi, entendi…", concorda o policial, "…com algumas russas...correto?"
"Bem, são moças, modelos, com as quais acabamos de rodar uma campanha publicitária..."
"Logo, para trabalhar...", continua o policial, "…tiveram que vir para cá. Digamos que estão ainda continuando o trabalho, certo? Quer dizer, é uma espécie de hora extra...correto?"
"Desculpe, mas o que entende por "tiveram que‟?"
Aro percebe que Edward está se alterando.
"Desculpe, pode vir aqui um instante?", convida o policial para ir até à cozinha.
"Posso-lhe oferecer algo?"
"Obrigado, mas em serviço não."
"Bem,…" Aro se aproxima com ar de cumplicidade, "…em parte foi minha culpa. Estávamos numa festa e as coisas corriam bem para mim com uma das russas..."
"Entendi, então?"
"Não, espere, vou apresentá-la... Veruska, você pode vir aqui um instante?"
Veruska chega com uma camiseta longa que a cobre, mas ressalta suas pernas nuas e longuíssimas.
"Sim, digo Aro," ri.
"Diga, diga, é assim que se fala."
"Ah, ok, diga...", ri a russa.
"Veruska, eu queria-lhe apresentar o nosso policial..."
Ele leva a mão ao chapéu e cumprimenta:
"Prazer. Sandro."
"Viu, Veruska, que belo uniforme eles usam?"
Veruska se faz de engraçadinha e toca alguns botões da casaca.
"Sim, cheia de botõezinhos pequenos...pequenos como cerejas."
"Isto, muito bem. Veja Sandro, Veruska reencontra no uniforme os valores da terra, as origens mais simples. Pois é, estávamos agradavelmente conversando com essas nossas amigas russas...só isso."
"Eu entendo, eu sei...mas, quando os vizinhos nos chamam por causa de barulho de noite e festinhas estranhas, o senhor compreende..."
"Compreendo. É seu dever intervir..."
"Exatamente."
Retornam para a sala. Andrea ainda está deitado na maca, mas readquiriu alguma cor. As outras duas garotas russas e Edward estão ao redor dele.
"Como vai, tudo bem?"
"Melhor...", diz Andrea.
Um dos paramédicos se levanta.
"Tudo sob controle, estava com uma arritmia estranha, uma vez que é cardíaco, aplicamos logo um cardiotônico."
Aro aproveita a deixa.
"Sim, deveria beber menos café."
"No máximo um pela manhã e certamente não à noite."
O policial guarda seu bloquinho.
"Tudo em ordem, então podemos ir. Procurem deixar o som baixo. Parece que tem vizinhos bastante sensíveis a qualquer tipo de barulho."
"Sim, não se preocupe, agora todos vão para a cama."
"Sim, claro, sim..."
Aro compreende que não há possibilidade de réplica.
Os paramédicos pegam a maca e se encaminham para a saída, acompanhados pelos policiais. De repente, Serra, aquele que ainda não tinha aberto a boca, se detém.
"Desculpe, posso pedir um favor? Posso usar o banheiro?"
"Pois não."
Edward gentil mostra o caminho. Mas, quando entra, percebe que o envelopinho ainda bóia na espuma do vaso e aperta a descarga. Sai rapidamente fechando a porta atrás de si.
"Desculpe, sinto muito, esqueci que este banheiro está com um problema na descarga. Por favor, venha por aqui...vai usar o meu pessoal."
Acompanha-o e deixa entrar. Depois fecha a porta e permanece ali, como de guarda, e corri ao longe para o outro policial.
Mas, Sandro Carreti, curioso e desconfiado, aproxima-se do primeiro bainheiro. Edward torna-se pálido. Aro é mais rápido e, antes que abra a parta, desloca-se no meio.
"Sinto muito, mas nesse não funciona a descarga. Daqui a um instante o outro vai estar livre." Aro sorri.
"E, aproveitando, queria dizer-lhe, Sandro, que foram realmente gentis. É difícil delinear os limites entre uma visita e uma perquisição. Que justamente como tal, requer um mandado, porque senão eclode imediatamente o abuso de poder por parte do agente de segurança, enquadrando-se assim entre as hipóteses do crime ilícito ou antijurídico especial..." Depois, Aro sorri.
"Quer uma cereja?"
"Eu não gosto de cerejas."
Aro mantém o olhar firme. Não tem medo. Ou pelo menos não o demonstra. Esta é sempre a sua força. Tranquilo, sereno, acostumado a blefar mesmo nas coisas mais complicadas. Edward volta para a sala com o outro policial.
"Obrigado, foi muito gentil."
Sandro ergue a sobrancelha e olha uma última vez para Aro e depois para Edward.
"Não nos obriguem a voltar aqui. Da próxima vez, se viermos, será com o mandado..."
E saem, fechando a porta com força.
Edward também apaga as luzes do terraço e olha para baixo, na rua. Logo vê sair os paramédicos e os policiais. Observa a ambulância partir, com a sirene desligada, e o carro da polícia que sai, cantando pneus, Edward entra em casa e fecha a porta deslizante.
"Muito bem. Parabéns. Se vocês me queriam fazer passar uma noite de terror, conseguiram."
"Podia ser uma ideia para uma nova campanha publicitária."
"Aro, não tem graça, não estou a fim de brincar. Vamos, são três e meia. Fora daqui. Eu preciso dormir. Amanha às oito e meia tenho um encontro importante e não sei do que se trata. Levem embora as amigas russas, façam o que quiserem..."
"Puxa, também não Precisa exagerar, está fazendo com que nos sintamos culpados..."
"Eh", diz uma das russas, "entre só, o hóspede é sempre sagrado."
"De fato, quando formos gravar uma campanha publicitária na Rússia, tudo será mais fácil, não é? Mas agora estamos aqui, e vocês não têm absolutamente nenhuma culpa... Mas eu devo absolutamente dormir... Por favor..."
Andrea se aproxima de Edward.
"Desculpe se criei toda essa confusão, foi só para criar uma impressão nelas."
"Imagine, estou contente que você esteja melhor."
"Obrigado, Edward, obrigado mesmo."
E assim aquela estranha companhia sai de casa. Edward finalmente fecha a porta e dá dois giros de chave para estar certo de que pelo menos aquela noite nada mais vai acontecer. O
mundo que fique lá fora. Antes de ir para o quarto, passa pelo banheiro, aquele da falsa descarga quebrada.
O envelopinho desapareceu. Depois olha melhor lateralmente. Atrás da pia há um papel enrolado.
Cem euros. Abaixa-se, pega o papelote e o desenrola. Ainda está empoeirado de branco. Abre a torneira e o coloca debaixo do jato de água. Lava-o bem. Pronto. Todas as provas desapareceram definitivamente. Depois o estende sobre a borda e vai para o quarto. Apaga a luz, tira a camiseta, entra debaixo dos lençóis e se deita. Estica os braços e as pernas, buscando novamente a sua tranquilidade.
Que noitada... Quem sabe onde estará Tanya nesse instante? De qualquer forma, compreende que Andrea Soldini não está mais no seu escritório. Deve tê-lo mandado embora. Uma coisa é certa. Não se ele será alguém que marca no primeiro encontro. Mas certamente eu não o esquecerei mais.
E, com esse ultimo pensamento, Edward adormece.
Notas Finais:
Então que dizem?
Eu sabia que isto não ia correr bem, mas isto não esperava.
Meu Deus, por segundos que o polícia não apanhava a droga no quarto de banho xD. Que sorte tiveram todos.
Beijos.
