Haldir permanecera na presença da Senhora da Luz, pois a rainha ainda não o havia dispensado. Todavia foi outro o motivo que mantivera ali.
Galadriel desceu o último degrau que a separava de onde estava o elfo
- E quanto a você, Haldir? Não vai me perguntar sobre a solicitação que me fez há tempos atrás?
- A solicitação já foi feita, minha rainha – respondeu o galadhrim , fazendo uma reverência – e cabe a senhora decidir 'se' e 'quando' a mesma será atendida.
- Sempre tão disciplinado, capitão , no entanto me pergunto o quanto a calma que exibe exteriormente diverge da tempestade em seu interior.
O elfo fechou os olhos antes de retorquir.
- Não pode vê-la, minha senhora? Estou certo que nada em seu reino lhe é oculto, mesmo o estado de espírito de seus servos.
Galadriel sorriu. Haldir não se cansava de surpreendê-la com renovadas demonstrações de lealdade e confiança.
- Erga os olhos, meu caro Galadhrim.
Haldir acatou o pedido da Senhora da Luz com renovada esperança.
- Tenho algo a lhe dizer.
Os olhos dele se iluminaram.
- Seu portal, meu caro Haldir, está sendo um dos mais difíceis de serem encontrados, embora eu esteja me empenhando muito em fazê-lo. Ainda não encontrei o caminho para o coração dela. Todos os portais que coloquei ao alcance de suas mãos falharam miseravelmente.
O galadhrim baixou os olhos, odiando-se por deixar transparecer sua miséria ante a Senhora da Luz.
- E gostaria de lhe pedir – prosseguiu ela – que não perca a esperança, ainda.
O elfo assentiu.
- No entanto, não posso encorajá-lo a alimentá-la – disse a rainha, consternada com suas próprias palavras - Lancei mão de uma última tentativa e ainda aguardo pelo desenrolar dos fatos.
O significado da fala da Dama de Lórien caiu como um raio no coração do elfo.
- Sou eu quem peço que me perdoe, senhora – disse, armando-se com a fortaleza do impossível – por havê-la incomodado com algo tão pequeno. Que sua majestade possa agora utilizar seu tempo em empreitadas mais dignas de sua pessoa. Com sua licença.
Nunca em sua vida o galadhrim havia saído da presença da Senhora da Luz sem que esta lhe houvesse dado a devida permissão. Contudo, o elfo achou melhor sujeitar-se a uma indelicadeza a sucumbir de vez aos pés de Galadriel, já que as forças em suas pernas já lhe faltavam.
A dama observou a retirada de seu guardião até que este já não estivesse em seu campo de visão e subiu lentamente os degraus, encontrando a sua frente Celeborn que lhe vinha ao encontro.
- Algo estranho está acontecendo em nosso reino, minha amada – disse ele.
- A que se refere, esposo?
- A uma aparição inusitada em nossas fronteiras. Ainda não sentiu? – indagou o rei, surpreso ao ver que Galadriel, talvez por estar imersa no assunto anterior, não havia percebido o ocorrido do qual ele fora informado pelos guardiões.
Galadriel olhou para trás, aguçando os sentidos da alma. Um leve sorriso surgiu na face clara.
- Obrigada... Daror... – sussurrou ela – Obrigada.
Haldir não conseguiu ficar em Caras Galadhon, tomando rápido a estrada que conduzia a fronteira logo que o dia amanheceu. Na noite anterior soubera pelos seus comandados que sua presença se fazia realmente necessária nos limites da floresta.
O galadhrim encontrou Legolas e Deirdre quando saía de seu talã.
As mãos dadas e o sorriso tranquilo do casal provocou um gosto amargo na boca do capitão de Lórien.
- Salve, caro Haldir! – Saudou Legolas – que bom que o encontramos. Estamos de partida e gostaríamos de agradecer por sua acolhida e sua atenção.
- Sempre poderão contar com ambas, caro príncipe – disse polidamente.
Legolas sentiu algo escuro envolvendo o coração do guardião. A postura exterior em nada concordando com o que o elfo-verde pressentia.
- Espero que não estejamos atrapalhando, Haldir – disse ele.
- Em absoluto, Legolas. Eu já me encontrava de saída. Infelizmente meu destino é o oposto ao que vocês deverão tomar. Minha presença na fronteira foi solicitada.
- Entendo... neste caso – disse, voltando-se para esposa – você se importaria, minha querida, de usufruir um pouco mais da companhia das damas de Lórien, enquanto acompanho Haldir nessa missão? – indagou, fazendo uma leve pressão na mão feminina.
- De forma alguma, meu marido – respondeu consternada, sob a máscara exterior.
- Tal sacrifício não se faz necessário, Legolas – retorquiu o galadhrim.
- Não será nenhum sacrifício, Haldir – disse, pondo a mão sobre o ombro do guardião.
O olhar e o toque de Legolas garantindo ao servo de Galadriel que o príncipe já sabia muito mais do que ele esperava.
- Que seja então – disse Haldir – sou grato por sua compreensão, senhora – completou, dirigindo-se a Deirdre.
-Não por isso, bravo Haldir, não por isso.
O casal se despediu e Legolas tomou seu lugar ao lado do capitão de Lórien. No caminho para a fronteira, poucas foram as palavras que Haldir precisou utilizar para explicar ao amigo como Galadriel o fizera acordar de seu sonho.
- Estou certo de que ela não poupou esforços, meu amigo.
- Eu também – retorquiu o galadhrim – não fosse isso, eu já estaria em busca de alguma alternativa. Todavia, se não foi possível à Senhora da Luz, só me restaria pedir a intervenção de algum dos Valar e... veja só, que desatino estou a dizer!
Legolar sorriu tristemente.
- O amor nos leva a cometer desatinos, Haldir. Isso não é exclusividade sua.
- De fato.
Os dois seguiram pelo resto do caminho mais silenciosos do que realmente se fazia necessário. Ao se aproximarem da fronteira, Haldir pode pressentir algo distinto no ar. Parou, chamando a atenção de Legolas. O príncipe franziu o cenho.
- Não percebe? – sussurrou o guardião.
- O que?
- Algo diferente no ar.
Legolas aguçou os sentidos.
- Sim... mas, não reconheço o que seja.
- Nem eu.
Os dois caminharam, redobrando os cuidados tomados até então. Nada nem ninguém seria capaz de vê-los se eles assim não o desejassem.
- Lá na frente – disse Haldir – na clareira!
- Não posso crer no que vejo – sussurrou Legolas, pondo a mão no ombro de Haldir.
O galadhrim sentiu o corpo ser tomado por um misto de espanto e ansiedade.
- Será? – indagou, estreitando os olhos.
- Foi isso o que aconteceu com você naquele dia, meu amigo, quando recebeu a mensagem?
- Sim...
Haldir mandou às favas a cautela que os guiara até então e correu ao encontro da visão que não podia se real! Todavia ao se aproximar do animal, sem levar em conta o perigo a que se expunha, pode constatar que dessa vez ele não viera sozinho. A figura improvável se ergueu, quedando-se de pé no dorso, enquanto a gigantesca criatura com sua tromba, mais gentilmente do que qualquer elfo poderia esperar, segurou seu condutor e o pôs no chão a apenas alguns passos do guardião.
Enquanto esses movimentos eram orquestrados, Legolas se aproximou, pondo-se ao lado do galadhrim.
Os dois pares de olhos élficos procuravam se convencer da veracidade da aparição. Camisa e calças pretas, colete e cinto vermelhos. Pesadas botas nos pés. Cordão de ouro com uma única e magnífica pedra de rubi pendente. A visão da majestade Haradhrim.
- Ha...hal...dir... – sussurrou Legolas – é...é...é...
- Da-rai – completou ele.
A aparição finalmente ganhou movimento, aproximando-se a passos calmos da dupla estarrecida e parando a um passo da mesma. O Capitão de Lórien hesitou por um segundo. Aqueles não pareciam ser os passos de Darai. O que poderia ter ocorrido a ela? No entanto, ante a figura conhecida, Haldir quedou-se um pouco menos perturbado.
- O que faz aqui, minha senhora? – inquiriu como sempre fazia. Seu relacionamento com a dama Haradhrim não poderia se dar de outra forma. Um descuido e ela de pronto o sobrepujaria.
Contudo, em vez da costumeira malcriada resposta, a figura simplesmente olhou o galadhrim de cima a baixo, sem deixar transparecer qualquer movimento, por ínfimo que fosse, nos músculos da face feminina. Haldir estreitou os olhos. 'O que pretende?', pensou ele.
- Haldir de Lórien – pronunciou ela com um inesperado tom de solenidade, como se o estivesse vendo pela primeira vez.
O guardião franziu o cenho. A rainha das intrigas se punha em ação novamente, tomando sobre si uma máscara que ele jamais vira. Quase não conseguia reconhecê-la.
A mulher voltou o olhar para o elfo ao lado dele.
- Legolas, do Reino da Floresta – disse ela.
O príncipe também quedou-se sem saber como agir. A figura a sua frente em muito pouco lembrava a guerreira de Harad que andava com feitiço e tinha olhos de fera. Em uma atitude quase infantil, sussurrou ao guardião:
- Tem certeza de que se trata de sua mulher, Haldir?
- É o que parece...
A mulher não tirava os olhos do segundo elfo, até que este compreendeu a ordem por baixo da face de pedra.
- Creio que agora devo retornar a Caras Galadhon, valoroso Haldir – disse, pondo a mão no ombro do galadhrim – e tomar o caminho de Eryn Lasgalen com minha Deirdre.
O capitão de Lórien assentiu discretamente e Legolas se foi.
A Haradhrim acompanhou com o olhar a retirada do companheiro de Haldir, enquanto este, com os olhos fixos sobre ela, buscava pelo esclarecimento de tudo aquilo.
- Então? – pronunciou calmamente – o que faz aqui?
A dama sorriu discretamente.
- Vim em atenção a um pedido que me foi feito.
- Por que, em nome dos Poderes, alguém precisaria pedir que a senhora viesse até mim? – indagou o galadhrim, cruzando os braços junto ao peito.
A mulher estendeu a mão, pousando-a sobre o braço do guardião. Haldir estremeceu. Sua Cabelos Negros jamais o havia tocado daquela forma.
- 'Minha Senhora, minha senhora...' Ora, vamos, Galadhrim. Não vai me chamar de Darai? – perguntou ela – Ou de... Cabelos Negros?
Haldir engoliu seco, fitando-a por alguns instantes. Fato era que evitara seu nome... sem saber exatamente por que. Tudo nela era igual ao que costumava ver, contudo havia algo... diferente. Uma barreira entre o corpo e o nome que lhe seria usualmente atribuído. Algo em seu olhar feminino, inquietante e perturbador.
- Não... – respondeu com voz rouca.
- Por quê? – inquiriu, encurtando a distância entre eles ao dar um pequeno passo.
- Porque... – ele tentou responder, mas a inesperada aproximação da mulher o confundiu. A incerteza da resposta solicitada se concretizando. Não sabia quem ela era, mas sabia quem não era.
- Porque... – sugeriu a mulher, permitindo que elfo sentisse o hálito morno em sua face.
- Porque você não é Darai...
A mulher sorriu, deliciada... Haldir era sem dúvida uma visão soberba!
- Está me dizendo, capitão da Aliança, que estas mãos – sugeriu, enquanto tomava a face de Haldir entre elas – não são as mãos de Darai?
O coração do elfo quase saiu pelo peito. A aparição passou as mãos pelo rosto, baixando até chegar aos ombros. 'Céus', pensou ela 'Ele é magnífico!'. Tomou as mãos dele nas suas, levando-as à sua cintura, após o que repousou as suas no pescoço dele.
- Que esse corpo não é o corpo de Darai?
Haldir mal conseguia respirar. Definitivamente aquela não poderia ser...
- E que essa boca – prosseguiu ela, aproximando os lábios – não é a boca de Darai?
O elfo piscou, tentando se livrar do feitiço que o envolvia teimosamente. Suas mãos abandonaram a cintura feminina e agarraram as dela, que repousavam em seu pescoço, trazendo-as junto ao peito.
- Não – retorquiu ele – o que estou dizendo é que esses olhos, não são os olhos de Darai.
A mulher fitou o elfo, parecendo surpresa pela primeira vez naquele encontro inesperado. No entanto, não permitiria que sua vantagem se perdesse assim tão fácil.
- E a quem eles pertencem, então? – indagou, fitando o elfo com intensidade.
Haldir estava perdido. Temia a resposta que lhe rondava a mente.
- Não é possível... – sussurrou ele – você não pode ser...
- Quem, Haldir de Lórien – inquiriu ela – quem eu não posso ser?
- Não pode ser... ela.
A mulher sorriu. Os olhos brilhando, ante a descoberta do elfo e dando a ele a confirmação esperada.
- A seu pedido, intercedi à Senhora Galadriel por um reencontro entre uma amiga sua e Boromir. Todavia, quando pedi o mesmo para mim, uma muralha se ergueu. Por que demorou tanto? – perguntou baixinho, ainda segurando as mãos dela nas suas, junto ao peito.
- Enviei aquela mensagem até você apenas para atender a um pedido da Borboleta, pois eu jamais concordaria em vir pessoalmente até você e jamais permitiria que você viesse a mim.
- Por quê?
- Não lhe parece óbvio? Você...você não merece ninguém menos do que... Darai.
Compreensão amanheceu nele. A ansiedade que até aquele momento o fizera perder a serenidade o abandonou por completo. Sentia-se ele mesmo, outra vez. Senhor de si. Ela era uma mulher de carne e osso afinal. Apenas uma mulher. E ao mesmo tempo, muito mais do que isso.
Haldir sorriu abertamente, enquanto ela o fitava com seu olhar intenso.
Ela se arrependeu por um minuto de ter aberto a guarda. Todavia, o sorriso dele mitigou seu arrependimento.
- E o que a fez mudar de ideia? – perguntou ele – Por que veio?
Ela sorriu discretamente, saboreando cada palavra, pois sabia qual seria o efeito que sua resposta teria sobre o elfo.
- Daror me convenceu.
O sorriso sumiu da face de Haldir. A fúria se insinuando. A visão do Ogro de Harad turvando-lhe os pensamentos. Estreitou os olhos.
- E como ele conseguiu convencê-la, se é que posso saber?
- Eu não conseguiria negar nada a Daror – respondeu, deliciando-se com a reação dele – aquele gigante com sorriso de menino consegue o que quer de mim.
O peito de Haldir arfou diante a provocação gratuita.
- Você é igual a ela – disse entre os dentes, enquanto soltava as mãos femininas e dava as costas à aparição – veio aqui apenas para tripudiar de mim? Se é assim, volte para aquele mumak e me deixe em paz!
A mulher quase se arrependeu das palavras que dissera. Contudo, conhecia Haldir como poucas e sabia que elevar a temperatura daquele sangue élfico sempre fora e continuaria sendo a melhor forma de lhe arrebatar o coração. Por isso, permaneceu em silêncio, permitindo a ele que se acalmasse. Ao perceber que sua respiração já não era tão forçada, lançou mão da manobra infalível.
- Você não muda mesmo, não é, Haldir de Lórien – indagou com as mãos na cintura.
O elfo sentiu algo distinto naquele jeito de falar. Não, não era Darai. Agora que já não tinha a imagem dela diante de seus olhos, as diferenças se realçavam.
- Em que, exatamente, eu não mudo, senhora? Em minha intolerância com brincadeiras sem propósito?
Ela se aproximou, pondo a mão no ombro do elfo.
- Você é um eldar com um coração ádan e carrega a paixão dos edain nas veias.
- Sim, você está certa – confirmou, ainda sem se voltar – carrego o que há de pior na raça dos Enfermiços.
- E também o que há de melhor.
Ela deixou que a mão escorregasse lentamente pelas costas dele até lhe chegar à cintura. 'Valar! Que meu coração não pare agora!', pensou ela, antes de abraçar as costas do elfo, envolvendo-o em seus braços. Pelo menos no que lhe fora possível, pois não era nada fácil envolver o corpo do guardião.
Haldir quedou-se paralisado, observando as mãos femininas junto ao seu peito.
'Para Mordor com meu orgulho! Estou perdido!', pensou, pousando suas mãos sobre as dela, a fim de que não se afastasse.
A mulher sentia o calor do corpo do elfo e o perfume de dele emanava, enquanto repousava a cabeça dela em suas costas.
- Eu poderia ficar aqui para sempre – sussurrou ela.
- Eu também... – afirmou por sobre o ombro.
- Você pode – retorquiu ela – eu não.
- Por que diz isso?
- Você tem Darai.
- Ela agora me parece tão...distante.
- Distante? Ela está bem aqui, junto ao seu corpo.
- Não é pelo corpo dela que eu procuro – retorquiu ele – Perdão pelo que eu disse antes. Você é muito diferente de Darai.
- Gostaria de ser mais parecida com ela.
- Por quê?
- Porque assim você me desejaria.
Haldir apertou ainda mais as mãos delas nas dele.
- Não é Darai quem me fala agora. Não são as palavras de Darai que estão aquecendo o meu coração. Não são os olhos de Darai que permeiam minha mente nesse momento. Não foram os passos de Darai que a trouxeram até mim.
O galadhrim fechou os olhos, voltando-se em direção a ela, negando a si mesmo a imagem haradhrim.
- E não é a boca de Darai que será beijada agora! – afirmou, antes de segurar-lhe o rosto e trazer os lábios dela junto aos dele, em um beijo profundo, com sabor de descoberta de algo que poderia ter sido vivido há muito tempo e não foi.
A mulher envolveu o elfo em seus braços, deixando-se, ao mesmo tempo ser envolvida pelos braços dele. Haldir viajou através das estrelas e além do Grande Mar, conduzindo a ambos em uma plenitude inédita. Até que, aos poucos, voltou a sentir os pés no chão. O intenso se tornou cálido e os lábios se separaram. Haldir, no entanto, ao contrário dela, não abrira os olhos.
- E esse não é o gosto da boca de Darai... – sussurrou ele, antes de abraçá-la fortemente junto ao peito.
Ele abriu os olhos, contemplando o horizonte. O mumak estendeu a tromba.
- Parece que a hora chegou – disse ele baixinho, ao ouvido de sua senhora.
Ele fechou novamente os olhos e a liberou de seus braços. A mulher pode observá-lo, com um lamento no rosto.
- Nunca mais me permitirá ver seus lindos olhos azuis? – indagou.
Haldir sorriu, mas não fez nada.
A mulher estendeu a mão, tocando-lhe o rosto.
- Não permitirei que Darai fique entre nós novamente – disse ela.
Ele não resistiu, abrindo os olhos antes que os mesmos se enchessem de espanto.
- Você?
Um sorriso surgiu na renovada face feminina.
Era Darai e não era.
Haldir tentou falar.
Ela tocou os lábios dele.
- Shiiiii! Eu devo ir agora – concluiu, enquanto o mumak a envolvia e a levava embora.
Haldir se conteve o quanto pode, mas quando a gigantesca criatura sumira da sua visão, permitiu que o corpo desabasse, ajoelhando-se a princípio, antes que a consciência lhe fosse roubada e o corpo do elfo fosse jogado ao chão coberto de folhas.
