Eu estou voltando a postar 'Never Forget' no site por motivos de força maior. Quem está na minha comunidade no orkut sabe que foi necessário. Agradeceria o apoio de todos vocês! :)

Disclaimer: Tia Stephenie é dona de tudo, eu só brinco de mudar as personalidades.


- Eu sei. – ele suspirou fundo esfregando a ponta do indicador na ponta do nariz. – Não se preocupa comigo agora. Amanhã vai ficar tudo bem de novo.

- Tudo bem. – ela respeitaria seu espaço por agora. – O que vamos fazer amanhã? Algum lugar na sombra, por favor. Fiquei vermelha do sol de hoje.

- Imaginei. – ele riu. Deve ter ficado linda. Ele pintou a imagem de suas sardinhas agravadas pelo sol. – Um lugar na sombra então.

- Isso. Eu aproveito e conto do estágio, vou abrir meu e-mail para ver os detalhes agora e depois vou tomar um banho para dormir.

- Vai lá então, vou dormir também.

- Boa noite, bonito.

- Boa noite, linda. – e riram por alguns segundos antes de desligarem.

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Capítulo 9 – Estação Policial.

A cada quinze segundos no mundo, uma mulher é agredida fisicamente pelo marido, ou parceiro relacionado. Essa taxa só tende a crescer quando as vitimas preferem esconder o fato a lidar com o caso por puro medo e covardia. O velho Tenente Swan sentia uma ira fora do normal crescer em seu corpo quando recebia esse tipo de missão. Além de não conseguir compreender o comportamento daqueles sujeitinhos, sentia-se injustiçado em não mais poder partilhar todo o amor e carinho com a pessoa que mais amou em sua vida. E os que tinham a oportunidade simplesmente comportavam-se como crápulas.

Charlie acelerava cada vez que pensava em pôr as mãos no desgraçado que maltratara a própria esposa. A denúncia feita há dez minutos descrevia gritos, objetos quebrados e arriscava ter ouvido tiros vindos da casa ao lado. A vizinha descrevera o comportamento do marido e ainda afirmou que a amiga já havia confessado abusos anteriores, mas pediu silêncio. Um típico comportamento assombrado pelo medo. A sirene fora desligada para menores danos e a adrenalina fazia as mãos de Charlie tremerem enquanto saía do carro. Felix saiu do outro veículo com mais dois outros homens e fez aceno enquanto travavam uma batalha silenciosa para comandar os próximos passos.

Os gritos ensurdeciam a vizinhança e causava dor profunda em Charlie. "Calma" – sibilou o amigo quando se posicionaram ao lado da porta. Um objeto foi estraçalhado na parede e essa foi a deixa para a ação policial quando arrombaram a porta surpreendendo o marido visivelmente embriagado segurar o pescoço da mulher assustada contra a parede. As armas foram apontadas e alma injustiçada chorou em alívio.

- Como você chamou a polícia, porra?! – ele gritou e Felix já se posicionou atrás do homem violento atando suas mãos atrás do corpo, quando percebeu a falta de armas. – Como?! Você não presta para nada! Nada! Inútil! Nunca vai conseguir me dar um filho de novo!

O homem irado gritava engrolado enquanto os outros homens viam os danos feitos pela casa, então os joelhos da mulher cederam ao chão. Os machucados por todo o corpo estendiam-se até o rosto delicado por baixo das manchas roxas e arranhões. O pescoço com a marca dos dedos fez o estômago de Charlie revirar enquanto ele se aproximava. Ela não podia ter mais do que seus quarenta anos, assim como o suposto marido, que agora era arrastado para dentro do carro.

O Tenente abaixou ao seu lado vendo a mulher se encolher por reflexo. Era um choro magoado, ferido e triste. A casa toda era um cenário do horror, com objetos caídos, muitos cacos de vidro, assim como a imagem dela. Sua blusa rasgada manchada com o pouco de sangue que saía do corte em seu braço fez Charlie engolir seco. Mas preferiu não falar nada enquanto ela tivesse que chorar. Quando finalmente o último soluço foi dado e o primeiro suspiro de cansaço ocupou o lugar das lágrimas derramadas.

- Sou o Tenente Swan. – ele se apresentou levantando e estendendo a mão a mulher. – Preciso que a senhora me acompanhe até a delegacia.

A mulher entendia, mas não conseguia reprimir o medo de prosseguir com o que já havia sido começado sem o seu consentimento. A situação chegara longe demais e ela precisava fazer o certo.

Casa dos Cullen.

Emmett conseguira tirar o horário de almoço para passar na casa de Rosalie como ela pediu. Sua contagiante animação conflitava seus sentimentos e razões. Seu receio que aquela mudança traria conseqüências desagradáveis a seu relacionamento. A aliança parecia sufocar o dedo em vez de trazer a paz e segurança costumeiras. Por isso todo resgate inicial que tivesse, ele estava disposto a se apegar. Quando Rosalie ligou de manhã, ele não esperava encontrá-la arrumando as malas no quarto, com roupas espalhadas por toda a cama e sapatos pelo chão.

- O que é isso? – ele perguntou confuso, segurando o blazer marrom na mão, tentando não pisar com os sapatos sociais nos objetos esparramados.

- Ei! Você veio! – Rosalie pareceu surpresa.

- Claro, você me ligou. – ela sorriu e esticou os pés para um beijo estalado na boca preenchida.

- Então, decidi arrumar as malas. – explicou o óbvio para a dúvida que Emmett ainda parecia enfrentar. – Eu sei que vou vir visitar meus pais sempre, e você, claro... – adicionar rapidamente. – Mas a maioria vai, e eu tenho que levar a maior parte de roupas de frio, já que as aulas começam no outono.

Emmett tentou esconder a decepção de tocar novamente em um assunto que ele não se sentia seguro e arrumou um espaço para sentar na ponta da cama. Rosalie virava uma vez outra perguntando sobre a roupa se era boa o suficiente para assistir as aulas. "Afinal estudante jurídica deve se vestir bem" – ela alegou algumas vezes. Ele apenas assentia com um sorriso fraco e suspirava.

- Qualquer coisa vai ficar bem em você. – ele tentava suplicando com os olhos, trazê-la para ele.

Os anos de relacionamento deram Rosalie a maturidade para reconhecer o sorriso triste daquele homem. Após inúmeras tentativas de ignorar ou animá-lo mudando de assunto, ela desistiu e largou as roupas perto da cama para sentar no colo dele.

- Sabe quando mamãe fez aquele pudim de coco horroroso? – perguntou enlaçando o pescoço tenso enquanto ele adaptava seu corpo ao dela.

- Sei. – ele respondeu como ela esperava que fosse.

- Todo mundo fingiu que gostou só para ela ficar feliz e no final ela mesma provou e perguntou porque tínhamos deixado ela servir aquilo. – ele riu com a lembrança, mas não enxergava seu ponto.

- Minha mãe ficou com lágrimas nos olhos depois da terceira colherada. – complementou e Rosalie o tinha onde queria.

- Eu não quero isso entre nós. Não quero que você sorria para me agradar. – então a seriedade tomou seu rosto angelical. – Eu conheço você o suficiente para saber que seus olhos não estão de acordo com esses lábios aqui.

Rose apertou o lábio inferior de Emmett com os dedos que voltou a ficar sério, forçando-se a evitar o olhar analisador dela. A loirinha passou o indicador pela testa franzida e tomou a boca dele na sua da forma tão conhecida. Ela queria passar a segurança que sentia de si para ele, afagar aquela frustração com um beijo que tantas vezes curou sua própria dor. Ela passou a língua lentamente por todo canto de boca que pôde, fazendo-o apertar seu corpo mais ao dele em busca de alívio para sua aflição.

- Eu te amo acima de tudo. Não esquece isso. – ela sussurrou quando se afastaram.

Alguns minutos se seguiram de cumplicidade quando uma batida na porta do quarto despertou os dois de sua bolha particular.

- Oi meninos, desculpa atrapalhar. – Esme pediu singela. – Rose, será que pode me ajudar a arrumar o quarto de hóspedes e a fazer um lanche rápido?

- Sim, claro, mãe. – Rose desconfiou levantando-se do colo de Emmett. – O que houve?

- Uma amiga minha vem para passar um tempo, filha. – Esme anunciou, mas seus olhos preocupados foram notados facilmente. – Ela é da terapia e precisa da minha ajuda. Nós não sabíamos, mas seu marido batia nela. – ela suspirou devastada. – Está machucada e me ligou agora da delegacia, pois não quer voltar para casa e ficar sozinha.

- Nossa, mãe, tadinha. – Rosalie comentou solidária a abraçando.

- Pois é, filha. – Esme deu um beijo no topo dos fios aloirados. – Ela perdeu o filho tem algum tempo e não pode mais gerar. O marido fica agressivo quando bebe, mas ela não me explicou muito bem.

- Vem, amor. Você almoça enquanto eu faço o lanche. Almocei cedo hoje. – explicou.

- Não, tudo bem, eu vou voltar para o escritório. Mais tarde a gente se fala. – ele se levantou dando um beijo na testa de Rosalie e um abraço em Esme.

- Quer passar aqui depois do trabalho e eu vou para a sua casa? Mamãe deve ficar conversando com a amiga dela, e acho que minha cama não tem muito mais espaço. – tentou amenizar o clima.

- Tudo bem, pode ser. – Emmett concordou minimamente aliviado.

No caminho para o escritório Emmett sentiu sua consciência pesar e ecoar o egoísmo que tinha sentido essa tarde, mas seu coração não conseguia sossegar vendo os mínimos detalhes de diferenças no comportamento de Rosalie. Ou a excitação era demais para suportar e bagunçava sua mente, ou algo queria lhe dizer que era um caminho sem volta.

Agência – All For Children

O escritório era completamente diferente do que havia imaginado. Quando Bella leu o e-mail recebido descrevendo a agência privada de adoções, pensou em se deparar com um orfanato precisando de auxílio. O pensamento amador e a falta de detalhes pelo correio eletrônico a privaram de abrir a mente para o que realmente fosse ser mostrado aquela manhã. Era apenas uma sala pequena como a de qualquer outro escritório.

O ar condicionado gelava o ambiente enquanto uma simpática secretária empurrava os óculos para melhor enxergar no papel o recado que pegava ao telefone. A sala tinha uma curta divisória de vidro, onde apenas a sombra da pessoa com quem Bella faria a entrevista era mostrada. A mulher alta saíra de trás dos contornos sombreados e seu rosto não lhe passou outra coisa que não fosse sensatez e experiência, além da elegância enfatizada em seu corpo magro. Logo o brilho de admiração cintilou na garota que esperava na saleta com a secretária.

- Boa tarde. – a mulher cumprimentou. – Isabella Swan, certo?

- Sim, eu mesma. – confirmou pondo-se de pé e evidenciando a diferença de alturas.

- Sra. Tanya ligou avisando que os papéis foram preenchidos e marcou a visita para semana que vem. – interrompeu a secretária profissionalmente.

- Ótimo! Ela está tão ansiosa quanto um filhote de cachorro antes de receber o bife. – e riu quebrando o clima formal demais. – Venha, Isabella, pode vir comigo.

Bella acompanhou a atmosfera leve criada e a seguiu para trás da divisória de vidro. Muitos papéis e um computador compunham a mesa administrada pela elegante mulher. A parede era coberta com fotos de diversas pessoas. Todas muito diferentes e uma única similaridade; serem todas famílias completas e sorrisos satisfeitos.

- Não tive tempo de me apresentar direito, acabei esquecendo. – desculpou-se antes de se acomodar em sua poltrona e pedir que Bella fizesse o mesmo com a que lhe era disponibilizada. – Sou Kareen McPhee, mas claro que você irá me chamar apenas de Kareen.

Logo a ansiedade se dissipou e a simpática Kareen conquistou a tranqüilidade de Bella, que observava tudo deslumbrada e concentrada em cada palavra que saía de sua boca. E após algumas confirmações de dados, Kareen pôde finalmente prosseguir com a explicação da agência que lhe dava tanto prazer em comandar.

- Nós somos uma agência privada de adoções domésticas. – começou a dizer descansando os dedos cruzados em cima da mesa. – O que poucas pessoas sabem é a diversidade de tipos de agências que existem. Nós, aqui da 'All For Children' temos o objetivo de lidar com crianças até seis anos de idade, barrigas de aluguel e adoção de recém-nascidos. Com o tempo, você poder pegar a manha das atividades, antes disso temos muito tempo para prepará-la e ensiná-la o básico das diversas situações.

Agilmente, Kareen se empenhou em buscar um livro parecendo um pouco antigo e o empurrou para Bella que o pegou sem hesitar.

- Nós temos muitas normas para esses pais. Somos céticos e precisamos avaliá-los para não deixamos nossas crianças em mãos erradas. – ela explicou enfatizando o "nossas" de forma carinhosa e possessiva. – Existem muitas que sofrem abusos após serem adotadas, as que sofrem discriminação e as que simplesmente não se adaptam. Nós temos um orfanato associado, assim como o cadastro de inúmeras mulheres dispostas a trabalharem como "barriga de aluguel". Então depois de um longo processo de escolha e avaliação, damos ou não o consentimento de lhes presentear com uma criança.

- Entendo. – Bella finalmente suspirou com a quantidade de informações recebidas. – E veio dizendo no e-mail que eu seria avaliada para estagiar como Assistente Social, relacionado com a minha faculdade, como seria isso?

- A assistente social é a que faz praticamente tudo, Isabella. – Kareen sorriu para Bella. – Elas que vão às casas avaliarem as condições de vida dos casais, por isso o processo de preparação é um pouco rigoroso. Não podemos nos deixar levar apenas pela emoção daquelas pessoas de ter um filho, caso eles não tenham devidas condições, e isso pode abalar o seu emocional facilmente.

Aquela mulher exalava sabedoria e a sede de conhecimento de Bella era saciada a cada passo que foi sendo explicado. Os procedimentos mostrados e o interesse da menina encantaram Kareen, assim como ela previra. Bella era uma boa ouvinte.

- Então nós vamos fazer o seguinte: um mês como experiência é o que eu irei lhe dar para adaptação dos processos e comodidade da profissão. Depois nós conversamos novamente, certo? Eu mesma ligo para você.

- Tudo bem. – Bella disse empolgada. – Obrigada, de verdade!

As despedidas comuns foram feitas e Bella pôde retornar ao carro mais rápido do que o previsto. Tinha marcado de se encontrar com Edward para almoçar, mas a excitação tomava conta de seu corpo e subitamente tomou a decisão de encontrá-lo em seu apartamento para lhe contar as novidades. Assim que fechou a porta, pegou o aparelho e discou o número já decorado, mas a voz que atendeu não era de seu namorado.

- Jasper? – Bella quis confirmar.

- Hey, - ele parecia atrapalhado – Bellinha, ele está no banho. Acabou de entrar.

- Ah, sim. É porque eu saí antes da entrevista e estava pensando em passar aí para irmos juntos almoçar. – explicou.

- Vem para cá sim. – incentivou e o barulho de algo caindo ecoou junto a algum palavrão que Bella não pôde entender.

- Está tudo bem aí?

- Estou tentando colocar o tênis com uma mão só, mas adivinhe? Não funciona. – esclareceu fazendo-a gargalhar. – E como foi na entrevista?

- Bem, muito bem até. – e ligou o carro. – A gente se fala aí, ok?

- Ok, tchau tchau.

Apartamento Edward e Jasper.


- Não sei Alice. – Jasper disse desamparado. – Não sei o que ele é capaz de fazer...

- Vem para cá, então. A gente conversa e eu peço alguma coisa para o almoço.

- Você não está ocupada?

- Deixa de frescura, Jasper, vem antes que eu mude de idéia. Aqui a gente conversa melhor sobre esse comportamento de super proteção do seu pai.

- O que? Você vai me analisar?

- Te dou quinze minutos. – ela falou cética.

- Estou indo! – e antes de desligar a ligação, o interfone tocou, anunciando Bella.

Jasper rapidamente pegou as coisas necessárias e já ia fazendo seu caminho porta a fora, quando reparou que a menina já havia subido.

- Bellinha, estou saindo, depois você me conta tudo, ok? – ele parecia sério como ela ainda não havia presenciado.

- Tudo bem... Edward está lá dentro? – ele assentiu e ela passou fechando a porta atrás de si.

O quarto ainda estava do mesmo jeito que ela sempre presenciava. Bella entrou devagar ainda ouvindo a água do chuveiro. Após sentar na beirada da cama e cruzar as pernas, viu algo que lhe chamou atenção na mesinha de cabeceira. Uma foto impressa em papel branco era colorida pela imagem de Bella gargalhando com um graveto no cabelo. O dia da praia – ela se lembrou. Seus olhos estavam praticamente fechados, por conta da risada, seu pescoço levemente jogado para trás e todos os seus dentes a mostra.

Embaixo escrito em vermelho as letras "Eddinho e Bellinha" caracterizaram uma brincadeira que Jasper possivelmente teria feito. Ela mordeu o lábio pegando a foto e alguns segundos depois, Edward saía do banheiro apenas com uma calça jeans. Bella virou a foto para ele, exigindo uma explicação com os olhos, mas ainda sorrindo.

- Você me mandou por e-mail, lembra? – Edward pegou a foto de jeito possessivo e a colocou no mesmo lugar.

- Mas precisava imprimir essa? – Bella fez uma careta.

- Você estava linda. E eu amo o seu sorriso, a sua risada e essa foto é a melhor delas. Não reclama.

Ele pediu sorrindo e abaixou para lhe dar um beijo de boas-vindas. Começou calmo como todos eles. Automatizando – porém intensificando – o movimento de abraçar tão cômodo para os dois. A posição não lhes favorecia para um contato mais próximo e necessário que queriam, por isso levemente o peso do corpo de Edward pairou sobre o de Bella, deixando sentir todas as partes se sentirem e igualmente arfarem por mais.

Em um mês de preparação para o relacionamento recém engajado os dois nunca haviam ultrapassado a barreira de intimidade máxima que um casal pudesse ter. Os beijos traziam as lembranças de tempos bons, dias de sol na praia, chuva dentro de apartamento com um gosto saudável e viável para ambos. Por mais que parassem quando os limites lhes proporcionavam mais do que estavam preparados para ter, - mesmo que por diferentes razões – não tinha gosto ou culpa de frustração. O bem estar em conjunto era mais preciso que a pressa de obstruir mais um passo entre eles. Hoje, porém, com o simples gesto de ter uma foto irradiando o prazer de estarem juntos apenas com risadas, foi a decisão para que o próximo passo fosse tomado.

Bella sentia o coração bater forte contra o dele, quando realizou o que estava prestes a fazer. A decisão foi muda e natural, como todos os acontecimentos entre eles, no tempo, com ternura, calma e cuidado. Ao rolarem, mantendo Bella por cima do corpo dele, ela afastou seus rostos, apenas o suficiente para algumas trocas de palavras.

- Como foi o teste no estágio? – ele perguntou com calma, na expectativa que ela saísse de seu colo, como fazia na maioria das vezes. Bella não respondeu, passando a mão pelo cabelo molhado e voltou a beijar seu rosto, maxilar e pescoço.

- Não quero falar disso agora. – ela sussurrou sentindo-se quente por pronunciar alto o que o corpo pedia.

- Do que quer falar então? – Edward perguntou, tentando controlar a ânsia que crescia em seu estômago e testando os limites de Bella.

Ela se afastou com cuidado de seu rosto vendo a íris dilatada de Edward. Parecia tão surreal como as coisas aconteciam e se encaixavam em sua vida. Bella não estava apenas pronta para se envolver intimamente com o rapaz a sua frente, estava pronta para deixar que os sentimentos nunca explorados fossem desvendados por eles; juntos. Edward conseguira recapturar a idade que pertencia realmente a Bella. Conseguiu a cumplicidade de uma amizade e um carinho que há tanto ela não recebia. Por isso quando sua mão acarinhou a linha do queixo de Edward, seus dedos tremeram em ansiedade.

O garoto quebrado via sua própria forma de agir com o novo refúgio encontrado. Nutrir um novo sentimento para curar um machucado na alma foi a forma que seu inconsciente achou para buscar a felicidade que ele tanto merecia.

- Eu não vou me afastar. – foi só o que ela respondeu.

~ Smack Into You – Jon McLaughlin ~

Enquanto a pequena mão serpenteava se mantendo onipresente por todo o peito exposto, Edward suspendeu a perna de Bella antes de deslizar os dedos pelo interior de sua coxa até que o vestido leve estivesse na altura de sua cintura. A fricção dos tecidos entre os sexos açodados incentivaram-na a escorregar a mão pelos poucos pêlos da barriga dele até que encontrasse o elástico da boxer para fora do jeans. Sentiu o rosto esquentar ainda mais quando a curiosidade se fez presente antes do zíper interromper os ofegos ecoados pelas bocas sedentas.

A mão intrusa recebeu a impulsão dos quadris de Edward quando a excitação já era o bastante e a provocação dos dedos se tornava uma dolorosa brincadeira. Isabella escondeu o rosto antes do próximo óbvio ato, mas Edward queria ver os olhos embebidos de curiosidade e satisfação perfurarem os seus quando seu membro foi circulado pela mão dela. Forçou-se a manter o contato visual quando um gemido escapou de seus lábios pela demasia do êxtase experimentado pela combinação prazerosa das peles.

Os dentes do zíper do jeans o arranhavam levemente enquanto era estimulado com movimentos firmes da ponta a base. Quando se sentiu latejar de maneira insuportável Edward levantou o tronco buscando a boca de Bella com menos delicadeza e mais fervor, obrigando-a a sentar em suas coxas, externando por essa pequena ação a prontidão para desvendar toda aquela paz e prazer que aquela pequena mulher lhe causava apenas com um sorriso.

Bella sentia os dedos de Edward em sua cintura apertarem, quando ela mesma fez questão de tirar o vestido pela cabeça, confirmando que toda a delicadeza e doçura de seus gestos cotidianos também eram existentes em seus contornos. Ela tirou os fios do rosto que atrapalhavam observá-lo enquanto se despia e se deparou diretamente com a imensidão clara de seus olhos. Viu seu pomo de adão subir e descer quando os olhos percorreram o recém revelado. Colocou o rosto dele entre suas mãos e preencheu a boca com sua língua hábil e quente. Logo sentiu a pressão do membro ereto contra seu abdômen e arriscou roçar para um breve alívio de ambas as partes.

Sentiram a necessidade corporal ocupar espaço da curiosidade de nudez se esvaindo quando os mamilos arrepiados fizeram cócegas no peitoral de Edward. Ele experimentou deixar os lábios inchados por um instante para provar sua pele clara, tracejando caminhos molhados pela linha do seu queixo até o pescoço, sem perder tempo subindo os polegares nos seios arredondados. O calor da tarde juntamente à excitação deram como conseqüência uma gota de suor sorrateira pelas costas de Isabella, que usou as próprias mãos para levantar os cabelos castanhos. Deixando Edward embasbacado com o simples movimento que havia se tornado ainda mais bonito e erótico.

A gota foi a deixa final para que ele pegasse o fino elástico de sua calcinha e fizessem menção de retirá-la. Com a permissão ocular ele observou o pano entre eles grudado ao sexo de Isabella, tamanho era o seu desejo. Assim que rolou seus corpos, ele retirou o jeans aberto baixando junto a boxer sem tirar os olhos da mulher que não desviava dos seus brilhando de antecipação e admiração. Ele sorriu intimidado pela observação exacerbada e ela retribuiu sem pudor.

- Você é lindo. – ela disse quando ele pegou o preservativo na mesinha de cabeceira.

- Não com você aqui. – rebateu dócil voltando a escalar o corpo que esperava por ele.

Após se prevenir rapidamente, Edward voltou a beijar a boca rosada sentindo as mãos dela trabalharem no reconhecimento de seus ombros e costas. Os corpos foram colados e ambos apartaram os lábios ruidosamente exteriorizando um gemido contra as respectivas bocas. Bella sentindo-se em ebulição tirou a calcinha quando sentiu a boca dele envolver todo seu seio e a língua circular o mamilo rosado. Chutou o pano dos calcanhares e voltou a trabalhar com os lábios no pescoço dele - agora salgado pela umidade do calor.

Edward circulou o braço por baixo do pequeno corpo sustentando-a para voltarem à posição inicial, com ela em seu colo. Isabella apoiou-se em seus joelhos nas laterais do corpo masculino a sua frente, segurando na nuca dele antes de descansar sua testa na dele. Os dois abaixaram o olhar para assistir o momento que o membro dele entrou em sua intimidade que já escorria de cobiça.

- Você é tão especial para mim... – ele gemeu as frases enquanto seu membro era acolhido por ela. – E nem tem idéia.

- Você também... – ela conseguiu sussurrar escorregando a testa pela dele igualmente molhada. – Confie em mim.

Bella sentia a necessidade de se demonstrar confiável, assim como ele se mostrava a ela. E compartilhar aquele momento tão íntimo, entregando-se por completo parecia ser a melhor e mais verdadeira maneira.

O show de preenchimento fez um calafrio percorrer a espinha de Bella quando sentiu a ponta do membro encostar profundo em seu corpo, compreendendo as necessidades do mesmo. Ele sentiu o centro abrigá-lo quente e apertá-lo quando descansou a testa no vão dos seios a sua frente e ela circular com o braço seu pescoço. Edward envolveu a cintura, permitindo a sensação parada se prolongasse e então se abraçaram.

- Deus... – ela gemeu extasiada sujeitando-se a fazer o primeiro movimento de vai e vem. – Isso é tão bom.

Ele não poderia concordar mais. Os lábios molhados deram atenção novamente aos seios, dessa vez sendo mais lascivo. Seu centro sensível sofria a fricção entre peles, fazendo Bella gemer ainda mais alto a cada movimento. Ela sentia as mãos de Edward em todos os lugares quando fechou os olhos apertado sentindo a onda do ápice contrair seu baixo ventre em uma explosão incontrolável. Edward deitou o corpo procurando o próprio alívio enquanto investia debaixo para cima no corpo de Bella, que o acompanhou, deitando-se para buscar sua boca mais uma vez. Então começou a investir com seu próprio quadril, ajudando-o a buscar o prazer esperado. Seus pés apoiaram no colchão para que ele mantivesse o equilíbrio e no segundo seguinte entrou em igual êxtase.

Após se ajeitarem Bella, deitada no peito do namorado, acariciava seu braço, enquanto ele afagava suas costas com as pontas dos dedos. Ambos deixaram os olhos pesarem por um instante, aproveitando a sensação genuína das peles arrepiando com a simples troca de carícias. Sem deixar os sorrisos nos lábios, sentiam o sol do meio da tarde ainda entrar pela janela e esquentar o quarto fracamente. Edward fez o movimento de subir e descer por toda extensão da espinha dela, fazendo-a suspirar alto, quando sentiu o mamilo que encostava em sua barriga eriçar contra sua pele. Ele riu fraco e finalmente abriu os olhos.

- Eu estou sentindo essa 'cosquinha' até na ponta dos meus dedos. – ela disse encolhendo os ombros e passando os dedos pela boca do rapaz, que os beijou devagar.

Bella sentiu sua barriga tremer quando ele riu e foi escalando seu corpo até encontrar seus olhos semi abertos observando-a. Era como se conseguisse enxergar cada detalhe, linha e contorno de seu rosto. Como se soubesse como foi meticulosamente formado. Uma linhazinha fraca e branca abaixo da sobrancelha espessa do rapaz chamou sua atenção.

- Hey, eu nunca tinha percebido essa marquinha aqui. – ela mencionou passando o indicador pela pequena linha. Ele pegou sua mão novamente e beijou a palma antes de entrelaçar seus dedos.

- Só um machucado. – explicou franzindo o nariz.

- Alguma ex namorada raivosa? – ela riu com a própria brincadeira, mas Edward apenas deu um sorriso quebrado.

- Foi ano passado, mas não levei nem ponto, cicatrizou sozinho. – ele explicou cauteloso chamando atenção de Bella.

- Você está melhor? – ela questionou mais séria lembrando do dia que ele esteve mais reservado ao telefone.

- Bem, agora eu estou muito melhor. – brincou rindo. – Eu não menti quando disse que me sinto bem ao seu lado, Bella. Você não tem idéia do quanto me faz bem.

O modo que as palavras saíram, - sinceras e ao mesmo tempo necessitadas e dolorosas – fizeram o coração de Bella sentir um vácuo repentino. Como se a honestidade que elas carregassem tivessem um significado dúbio que ela necessitaria acalentar e não sabia por onde começar.

- Você também é muito importante pra mim, Edward. Muito. – ela prometeu, tentando fazer com que as palavras o atingissem de modo mais sincero. – Isso aqui, foi tão... surreal.

- Concordo. – ele riu vendo o sorriso dela novamente e passou a mão nos cabelos que se espalhavam pelas laterais de seu corpo. – Posso perguntar uma coisa?

- Claro.

- Me conta sobre seus outros namorados. – ele pediu cuidadosamente e desviando o olhar incerto.

- Você fala como se eu tivesse namorado vários. – Bella observou rindo.

- Não? – ele questionou ainda receoso. – Quero dizer, você é... linda! Engraçada, inteligente...

- Fico agradecida pelos elogios. – ela riu embaraçada. – Mas namorado firme mesmo, só tive um e eu tinha dezessete anos. Passei muito tempo cuidando de assuntos delicados lá em casa, como eu já te disse antes. Então eu namorei Jason por quase um ano.

- E o que aconteceu? – Edward quis saber quando ela parou de contar.

- Eu estava com a cabeça muito cheia na época por causa da minha mãe. – Bella rolou para o outro lado pegando o lençol para cobrir o corpo enquanto sentava ao lado de Edward. – Ele queria atenção e eu estava cem por cento ligada a minha família. Minha mãe quando ficou doente ficou praticamente impossibilitada de fazer qualquer coisa, foi bem difícil. Jane era bem mais nova, quase não entendia o que acontecia, ficava triste vendo nossa mãe adoecer cada dia mais...

Bella voltou alguns anos em sua cabeça e seus olhos perderam o foco em lembranças. Ela já não chorava por tocar no assunto, teve quatro anos para passar da fase dolorida e se sentia aliviada por confiar em alguém. Edward pegou seu corpo e a sentou em seu colo embolando o pano que a cobria entre os dois.

- Você não precisa falar se não quiser. – ele esclareceu, mas ela não parecia desconfortável.

- Tudo bem. Eu quero, mas de qualquer forma não vou estragar nossa tarde maravilhosa. – ela suspirou dando um sorriso. – Enfim, foi uma época complicada para ter relacionamentos que exigiam atenção. Ele tentava entender, mas nós éramos novos, então eu terminei com ele quando minha mãe começou um tratamento. No início da faculdade eu não saía muito... Bem, até conhecer você eu praticamente só ia da faculdade para casa. Tentei sair algumas vezes, fiquei com alguns caras, mas nada que implicasse sexo em si. – clareou tudo finalmente.

- Esse Jason ainda mora aqui? Quer dizer, você sempre morou em Nova York? – ela assentiu passando um braço pelo pescoço dele.

- Ele foi para Harvard depois. Não tive mais contato.

- Então... eu sou seu segundo? – ele parecia deslumbrado.

O fato de ela ter se entregado a ele pesou mais, fazendo a alegria não caber em seu coração. Novamente Bella confirmou com a cabeça com um sorriso pequeno quando abaixou a cabeça olhando as mãos brincando em seu colo. Ele pegou seu pescoço em seu lugar já acostumado e tomou seus lábios calmamente, emanando a felicidade que não cabia em seu interior.

- E você? – ela cuspiu a pergunta assim que suas bocas deram uma brecha necessária.

- O que? Quantas namoradas? – ele quis saber tomando seus lábios de novo.

- É. – respondeu e sem dar tempo para Edward, aprofundou o beijo enquanto passava os dedos por seu maxilar e pescoço.

- Você está me desconcentrando aqui. – Edward brincou finalmente apartando seus lábios e Bella encostou a cabeça em seu ombro sem deixar de relaxá-lo enquanto o acariciava. – Tive algumas. Mas nunca as declarei namoradas oficiais como você. Tive duas namoradas no colegial e fiquei com algumas da faculdade.

- Com a companhia de Jasper não é difícil saber que você foi muito requisitado para festas. – ela ponderou. – E conhecendo você, não é difícil ter tido várias namoradas.

- Bella. – ele se afastou para olhar em seus olhos – Nenhuma delas chegou a ter a importância que você tem. Eu posso te garantir cem por cento. Pode perguntar a Jasper...

- Está tudo bem, meu lindo. – ela prometeu segurando seu rosto. – Você também significa muito pra mim.

- Eu não ficava com alguém há um tempo também. – ele confessou franzindo as sobrancelhas. – Seis, sete meses, acho.

- Porque? Enjoou? – Bella riu em expectativa.

- Alguns problemas me afastaram da faculdade por um tempo, principalmente de festas. – Edward explicou rápido e desconfortável. – Mas não quero falar disso agora, ok?

- Ok. – ela disse feliz por terem conversado e deu um beijo estalado em sua boca que estava franzida antes de se afastar e ficar admirando os riscos com um tom mais claro que seus olhos nas íris de cor clara e indefinida. – Eu podia ficar contando esses risquinhos dentro dos seus olhos o dia inteiro.

Ele riu sentindo o clima leve voltando ao lugar que deveria.

- O que me lembra que você usa óculos. E eu nunca mais os vi.

- Eu só uso para ir para a faculdade. E quase nunca uso, não gosto. Incomoda atrás da orelha e aqui no nariz. – Edward fez uma careta e esticou o braço para pegar os óculos na gaveta da mesinha.

- Eu gosto. – Bella falou colocando-os em seu rosto afilado. – Olha como você fica lindo.

- Eu disse que tinha puxado a beleza da família, você não acreditou. – ele zombou a lembrando de seu segundo encontro.

Com algumas brincadeiras mais o casal relaxou e finalmente fizeram a refeição que tinham planejado antes de consumarem a relação naquela tarde.

Caminho para Casa dos Swan.

Foi um dia cheio e Charlie sabia que não suportaria mais algumas horas sem explodir na estação policial. Fichas foram preenchidas, depoimentos foram recebidos e ele fizera questão de extrair da mulher o máximo que podia para colocar o que o homem sem escrúpulos atrás das grades por meros três anos. Ele se sentia mentalmente exausto e não via a hora de chegar em casa para esfriar a cabeça. Assim que todo o procedimento acabou, Charlie notou o pequeno corte na testa de quando o prisioneiro tentou agarrá-lo pela camisa antes de ir para a cela enquanto olhava o retrovisor do carro.

Quando ficou sozinho e via a estrada passar como borrões, percebeu toda a força que carregava em sua expressão forte perdendo a coragem de encarar outro dia sem pensar na dor do peito. Dias difíceis voltaram a memória quebrando-o por dentro. Por isso ao chegar e estacionar o carro de qualquer jeito na calçada, não parou para ver a expressão de pânico no rosto de Jane, quando percebeu sua presença com Jackson ao seu lado. Ele simplesmente não tinha mais forças para lidar com esse tipo de situação. Não sabia como agir, Charlie só queria ter sua companheira de volta completando sua vida fazendo sua parte materna como sempre fez, ensinando-o a não ser severo demais e suavizando seu vinco entre os olhos quando os problemas acarretavam sua cabeça.

Jane sentiu uma náusea repentina fazendo seu estômago palpitar e o medo causar um calafrio na espinha. Após uma rápida despedida com Jackson foi a procura de seu pai por todos os cômodos. O banheiro do quarto estava fechado e ela pôde se acalmar quando ouviu a água do chuveiro. Mas quando girou em seus calcanhares para deixar o cômodo, um grunhido dolorido quebrou seu coração em milhões de pequenas partes e fez suas mãos tremerem. Ela correu até seu celular tentando controlar o choro inevitável e a respiração pesada.

- Bella. – ela disse já com a voz embargada. – Eu acho que o papai não está bem.


Meeeeh.. se não for pedir muito... revisem :))